Faustini narra seus relatos como o anjo lançado de costas para o futuro, na imagem de Benjamin. Mas imanta o passado com o sopro de uma humanidade envolvente e calorosa, mesmo quando a história transformou ruas, casas, sonhos e amores em cinzas e escombros. Talvez porque, a despeito da dicção substantiva e econômica, fria, seu amor pelo subúrbio e pelo povo pobre da cidade seja irrefreável e comovente. Irresistivelmente comovente. As ruínas do passado cintilam ainda e inspiram o passageiro que cruza a cidade.
Luiz Eduardo Soares