C APÍTULO 1
Um Chamado para Despertar
Mais uma noite de inquietação. Talvez tivesse sido a tempes-
tade de inverno que me acordara. Mas não acredito, pois há semanas vinha acordando de madrugada. E começara a sentir as consequências. Sou um homem de negócios, cujos dias normalmente são estressantes e preciso do sono. Mas estava chegando num ponto em que eu não conseguia trabalhar direito. Estava sempre cansado. Minha família “pisava em ovos”. Parecia que eu era um animal ferido, pronto para atacar quem chegasse perto. Acho que ninguém gostava de mim naquela época. Nem eu, gostava de mim mesmo! Resolvi me levantar. Eram três horas da madrugada. Não há muita coisa que se possa fazer a esta hora. Levantar e não voltar a dormir produz uma fadiga insuportável lá pelo meio do dia seguinte. Ficar na cama e lutar para dormir, mais cedo ou mais tarde se consegue uma hora de sono e, depois, uma sensação horrível o resto do dia. Isso estava se tornando meu ciclo normal de sono e me perturbando. Soube que um amigo estava com problemas semelhantes, então decidi usar a insônia para orar por ele. Este amigo tinha dúvidas se Deus ou o Diabo o acordava. Se fosse o Diabo e ele louvasse ao Senhor o Diabo se afastaria; se fosse o Senhor, tinha que haver um bom motivo. Então, meu amigo se levantava para ouvir » 3
o que Deus tinha a dizer. Eu não sabia o que fazer, nem quem me acordava. Mas pensei que orar seria uma boa opção. Então fui ao escritório, me enrolei com um cobertor e me prostrei. O silêncio reinava absoluto enquanto meus filhos e minha esposa dormiam tranquilos. A tempestade piorara e o vento uivava nas árvores ao redor da casa, produzindo um som tenebroso. – Senhor – comecei – não sei o que está acontecendo. Pode ser que a falta de sono esteja me perturbando, mas acho que há mais alguma coisa me incomodando. Pode me ajudar a descobrir o que é? Pensando que nem teria resposta, fiquei ali, quieto no chão, e tentei dormir. Estava no entressono, nem acordado, nem dormindo, quando ouvi uma voz: – Pare de me resistir e venha para a Festa nos Aposentos do Rei. Fiquei chocado porque naquele momento já estava bem acordado. Eu me levantei e olhei ao redor para ver se havia alguém no escritório. Não vi ninguém e não sabia o que pensar. Voltei a me deitar. Enquanto tentava a me aquietar e recomeçava a ouvir a tempestade, lá fora, senti algo profundo que só posso descrever como uma “voz interior”, que parecia um sussurro: – Venha para Meus Aposentos – ouvi, baixinho, novamente. A esta altura, percebi que algo novo e espetacular estava penetrando minha personalidade pragmática e auto-suficiente. Sabia que eu tinha que deixar o barco andar e responder à voz na minha mente. Respondi, em tom audível: – Senhor, como é que estou lhe resistindo? A voz sussurrada respondeu: – Você quer permanecer no velho homem, mas Eu quero lhe transformar em um novo homem.
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– O que devo fazer para que o Senhor possa me fazer um homem segundo o Seu coração? – Você tem que abrir mão do controle da sua vida e participar da Festa nos Aposentos do Rei. Com medo e agitação pulsando no meu coração, entendi que o Senhor me mostraria algo novo sobre Sua Pessoa. Eu estava aprendendo a confiar nEle, mais e mais, porém tinha dificuldade em deixar de fazer as coisas do meu jeito. Este era um dos momentos em que eu teria que ignorar meu raciocínio pragmático e deixar o Senhor me levar numa jornada de Sua escolha. – Salvador – orei – quero ser um homem segundo Seu propósito. Peço que me mostre como que eu posso participar da Festa nos Aposentos do Rei. Lembrei que sou novato nessas coisas. Não sei como é que uma visão funciona, então só posso tentar descrever o acontecido. Quando pedi que o Salvador me mostrasse onde ficava a Festa dos Aposentos do Rei, o escritório começou a desaparecer. À medida que este sumia, outro cenário foi surgindo. No início, foi difícil enxergar alguma coisa devido ao nevoeiro que me envolvia. Quando as coisas clarearam, vi que estivera numa nuvem e agora descia lentamente de volta ao chão. Enquanto descia, vislumbrei um vale verdejante e belo, cortado por um riacho. No meio do vale havia um imponente castelo, com fosso e ponte levadiça. Nos campos ao seu redor havia tendas e milhares de pessoas caminhando sem rumo. Também vi uma pequena fila caminhando na direção do castelo. Este cenário me intrigou. – Senhor, o que é que estou vendo? Onde é este lugar e quem são estas pessoas? – Seja paciente, logo vou permitir que tenha uma visão da jornada espiritual à maturidade de um dos Meus filhos. Quando a » 5
visão terminar, entenderá o que deve fazer para se tornar o homem que Eu quero que seja. – Estou lhe dando – continuou – um guia cujo nome é Mensageiro. Pode perguntar o que quiser, a qualquer momento, que ele o ajudará a entender o que está vendo. Ele lhe explicará o significado de todas as coisas.
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