Amigo íntimo

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SĂŠrgio Garcia de Oliveira

Amigo Ă?ntimo

Curitiba 2013

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Copyright©2013 por Sérgio Garcia de Oliveira

Capa: Igor Braga

Todos os direitos em Língua Portuguesa reservados por:

Imagem de capa: Shutterstock / Fuyu Liu

A.D. SANTOS EDITORA Al. Júlia da Costa, 215 80.410.070 – Curitiba – Paraná – Brasil 55 (41) 3207-8585 www.adsantos.com.br editora@adsantos.com.br

Diagramação e projeto gráfico: Adilson Proc Revisão: Roberto Carlos de C. Gomes. Acompanhamento Editorial: Priscila Laranjeira Impressão e acabamento: Exklusiva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) GARCIA, Sérgio de Oliveira Amigo Íntimo / Sérgio Garcia de Oliveira – Curitiba : A.D. Santos Editora, 2013. 14x21 cm. ; 208p. ISBN 978-85.7459- 323-4 1. Normas de conduta cristã. 2. Rearmamento moral. 3. Vida cristã privada. I. Título. CDD 248 1ª Edição: Agosto / 2013 – 2.000 Exemplares Proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios a não ser em citações breves, com indicação da fonte.

Edição e Distribuição:

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Sumário

Prefácio .......................................................................7

1. O começo ....................................................................9   2. O acidente ..................................................................11   3. O recomeço . ..............................................................15   4. Uma estrada perigosa ...................................................17   5. Abismo . ....................................................................21   6. Uma nova vida ............................................................23   7. Areia movediça ...........................................................27   8. Desânimo . .................................................................31   9. Vale da Morte . ............................................................35 10. Momentos de Alívio . ....................................................36 11. Sumiço Misterioso .......................................................43 12. Fim do Mistério ...........................................................47 13. Encontro Marcado . ......................................................51

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14. A glória deste mundo ....................................................57 15. O telefonema ..............................................................61 16. O milagre continua .......................................................65 17. Emoção no Hospital “É muito cedo para desistir” ...............69 18. O Caminho de Deus . ....................................................71 19. O funeral ....................................................................75 20. Confusão na favela . .....................................................79 21. Uma princesa entre nós.................................................81 22. Viagem Romântica........................................................85 23. Luz na favela...............................................................89 24. Segredos do Coração ...................................................93 25. Marcas do tempo “tempo de chorar e tempo de sorrir”.........97 26. Confusão na festa.......................................................101 27. Uma nova escalada ....................................................107 28. Uma promessa renovada. ............................................111 29. Sangue na favela........................................................115 30. Almoço em família .....................................................121 31. No “caminho do milagre”.............................................127 32. Andando com o mestre................................................135 33. Primeiros passos. ......................................................139 34. O testemunho............................................................143 35. Passando pelo Vale.....................................................147

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36. Alargando as fronteiras................................................153 37. Milagres na terra do macarrão ......................................157 38. O segundo dia de milagres. ..........................................161 39. Revelação.................................................................169 40. Visita à vila mais famosa do mundo................................173 41. Amigo Íntimo ............................................................179 42. O Casamento.............................................................183 43. Refém......................................................................187 44. Lembranças .............................................................191 45. Mensagem de Amor....................................................195 46. Um projeto realizado . .................................................199

Agradecimentos ........................................................203

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Prefácio

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esta primeira obra de Sérgio Garcia notamos a sensibilidade de um observador e a fluidez de quem conhece o assunto sobre o qual escreveu, não por vivenciá-lo, mas por sentir-se compadecido com pessoas em situações de risco, envolvidas na criminalidade ou às margens da sociedade. Em “Amigo íntimo” você vai se deparar com um personagem angustiado, que desde a primeira infância sofreu perdas e estas não apenas o marcaram, mas o transformaram. Quando a vida nos apresenta surpresas desagradáveis, precisamos nos adaptar e seguir 7 em frente. O caminho à nossa frente, nem sempre é fácil, por vezes, torna-se tortuoso, mas continuar vivendo é a opção. O livro é um alento. Um brado de esperança. Por vezes, os diálogos tornam-se reflexões, pensamentos, mas o autor logo resgata o tom de uma boa história. Esta é uma mensagem de otimismo, pois vale a pena continuar acreditando que o melhor da vida está por começar. Adelson Damasceno Santos O Editor

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Capítulo

1 O começo “Eu sou o bom pastor, o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” João 10.11

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ra uma linda manhã de verão. O sol despontava já muito forte na 9 grande capital do estado de São Paulo. Cidade de forte contingente populacional, do imponente Teatro Municipal, de shopping centers, do trânsito caótico, contrastando com o lindo parque Ibirapuera. Eram as férias da família Pereira, as tão esperadas férias. O sr. Pereira aguardava no seu carro, um Palio prata, ano 2002, que ele comprara com muito sacrifício. Enquanto aguardava sua família, o sr. Augusto Pereira começa a pensar em de como tudo aconteceu em sua vida e, como num filme, se lembra de seu casamento com Dona Selma, uma moça linda do interior, cabelos louros e compridos, que ele conheceu e logo se apaixonou. Foi um romance rápido, que chegou a um feliz casamento. Foram dias, meses intensos, até nascer o tão esperado primeiro filho, Ricardo, um lindo bebê que era a alegria da família. Depois, veio uma bela menina a quem batizaram de Roberta. Foram dias complicados, o sr. Augusto tinha dificuldades financeiras, mas o amor que unia aquela família compensava todo obstáculo por que passavam. Moravam numa casa humilde, mas cheia de esperança, aquela mulher era uma rocha. Ela sempre dizia:

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— Deus me deu dois lindos e saudáveis filhos, esse é o meu tesouro. De repente, uma batida no vidro do carro faz aquele homem sonhador voltar à realidade. — Ei, papai! Sonhando de novo acordado, eh! Eh! Roberta amava o seu pai intensamente. — Ah vamos logo, não vejo a hora de chegar à praia!, Disse Ricardo, um garoto de 7 anos, 2 a mais que sua irmã. Uma idade tão próxima e gênios tão diferentes. Ricardo era um menino introvertido, não tinha muitos amigos, ao contrário de sua irmã, uma menina extremamente mimada pelo pai e era muito dada ao estudo. — Dava pro gasto, como dizia seu pai. Já Ricardo, esse era super cobrado pelo pai, que não lhe dava tréguas. — Vamos melhorar essa nota, hein menino! 10

— Mas pai, eu tirei nove em matemática! Mas não tinha jeito, ele sempre era cobrado pelo pai, não importava o quanto se esforçasse para agradá-lo. Isso começou a provocar um sentimento de revolta no coração daquele menino, que crescia achando que seu pai não o amava. Sua mãe se dobrava em carinho e atenção para com ele, e isso era seu consolo. Nesse momento, Ricardo entra no carro junto com sua irmã, colocam o cinto de segurança e Ricardo olha para a frente, admirando sua mãe vestida naquele vestido que comprara especialmente para a viagem. Ela está mais bonita que nunca naquela manhã ensolarada, e logo estão descendo a Serra do Mar em direção à cidade de Santos para aproveitarem as tão sonhadas férias de verão. Ele vê o vento balançar os cabelos de sua mãe e nem imagina que algo vá acontecer, nessa viagem, que no futuro irá mudar radicalmente a sua vida, mas até lá “muita água vai rolar debaixo dessa ponte”.

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Capítulo

2 O acidente “O Senhor te ouça no dia da angústia...” Salmo 20.1

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aquele dia em especial, o sr. Augusto estava muito feliz, ele havia recebido uma promoção em seu trabalho e estas férias 11 eram exatamente para comemorar essa vitória. Ele comentava dentro do carro sobre os seus planos futuros, e até pensava em comprar uma casa melhor para a sua família. Não que sua casa não fosse boa, o bairro era muito bom, mas ele queria uma maior para dar maior conforto à todos. A viagem seguia tranquila por aquela estrada. Eles estavam descendo a rodovia dos Imigrantes. Era um lindo dia ensolarado e naquela descida todos observavam a beleza das flores, o céu azul. Cada um deles havia sonhado com essas férias, cada um ansiava por chegar à cidade de Santos e aproveitar aqueles dias nas praias do litoral paulista. O Sr. Augusto, inclusive, havia trazido a sua prancha de surfe, pois na sua juventude tinha sido um excelente surfista e comentou com Ricardo: — Filho, vamos pegar umas ondas, eu lhe ensino a surfar, ok?. Tudo acontece numa fração de segundos e como num flash o Sr. Augusto percebe um caminhão vindo em sua direção e ele não

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consegue desviar. O mundo fica de cabeça para baixo e, desesperada, a mãe ainda olha para trás e tenta proteger os seus filhos. No meio de gritos e desespero, o impacto acontece e o caminhão bate mais do lado do motorista. O Sr. Augusto está preso nas ferragens e ainda assim pergunta como todos estão. Ele ainda está lúcido, mas muito ferido. Logo atrás um carro do SOS estradas encosta e vai atender aquele acidente. Os bombeiros com muito sacrifício retiram das ferragens o Sr. Augusto e transportam os demais para a Santa Casa de Santos. O acidente aconteceu no final da avenida Imigrantes. Ricardo acorda, olha para o teto e vê luzes fortes, incandescentes, brilhando sobre a sua face, sente todo o seu corpo doendo e confuso pergunta o que houve, para uma moça toda de branco ao seu lado. Percebe, então, que está num quarto de hospital, ele olha e nota algo injetado em seu braço. Confuso, ouve a voz da enfermeira, que num misto de carinho e atenção, lhe diz: — Por favor, fique quietinho, vocês sofreram um grave 12 acidente, mas graças a Deus, o socorro chegou rápido. Ele pergunta por sua família, está desesperado: — Cadê minha mamãe? Afinal ele é só uma criança e quer saber se todos estão vivos. Então, nesse momento, como num flash, ele só se lembra de que estavam a caminho da praia, e ainda relembra a voz do pai dizendo que os dois vão surfar juntos, quando aconteceu o acidente e, nesse momento, ele também lembra daquela voz, nunca tinha ouvido nada igual, era uma voz suave, mas com autoridade e ele percebe que nunca mais vai esquecê-la. — Filho, eu poupei a tua vida, porque tenho um plano e quero ser teu amigo íntimo... Naquele momento Ricardo não sabe, mas logo irá esquecer aquela experiência, aquela voz... O autofalante do hospital anuncia com urgência algo que o faz voltar a realidade: — Dr. Fabrício, por favor, venha com urgência ao quarto 212. Acontece um alvoroço geral no corredor daquele hospital, o médico chega ao quarto 212, pega na mão daquele paciente, um

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O acidente

homem forte de meia idade, mas gravemente ferido. Escuta sua pulsação... Tensão, ansiedade, o pai de Ricardo está em coma... Depois de quase 2 horas de uma arriscada cirurgia, ... Passou-se mais uma semana e Dona Selma visita todos os dias seu marido no quarto. Por favor, não se vá meu amor. Você tem um filho e uma filha ainda tão pequenos... Meu Deus, salva meu marido, eu preciso tanto dele... Todos eles recebem alta, mas o drama continua e Ricardinho não tem coragem de ver o pai naquele estado. No décimo dia, aquela mãe está no quarto de seu marido, segurando a sua mão quando, de repente, como num milagre, o Sr. Augusto aperta a sua mão e com muito esforço a manda encostar o seu ouvido na boca dele. Sua voz é muito fraca, mas ela ouve como um sussurro: — Querida, cuide bem dos nossos filhos e dê uma atenção especial ao Ricardo. Uma lágrima cai dos seus olhos e ele os fecha agora para sempre. Era só uma despedida. Dona Selma sabe que, agora, a vida tem que seguir em frente; a dor estampada no rosto de Roberta, que perdeu o seu amado pai... E sua mãe, junto de seu 13 filho, retratam o sofrimento da viagem de volta para São Paulo. Tudo naquele lugar parece sombrio, o bosque tão verde próximo da sua casa, agora parece cinzento... Mas, a vida continua e Deus sabe o que vem pela frente...

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Capítulo

3 O recomeço Se subir aos céus lá Tu estás, se fizer no inferno a minha cama, eis que Tu ali estás também”. Salmo 139.8

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s anos seguem correndo, como corre o leito de um rio, impiedoso, 15 majestoso e cheio de surpresas. A vida para Ricardo, agora um garoto de 10 anos que não é muito dedicado ao estudo, é um grande vazio e cheia de tantas armadilhas. Se passaram 3 anos desde a morte de seu pai e ele anda não sabia como conviver com essa perda; seu coração é insensível e daquela experiência sobrenatural do acidente não sobrou nada ou “quase nada”, na verdade. Algo bem lá no seu íntimo gritava, deixava o seu coração ansioso, mas ele não entendia e já nem se preocupava com isso. Afinal de contas, ele está agora em sala de aula e, como sempre, não está prestando atenção à matéria. O professor, lá na frente, se esforçando para passar alguma instrução a seus alunos, mas o pensamento dele voa longe... Ele lembra sua casa... Depois da morte do pai, continuaram a morar naquela mesma casa do subúrbio de São Paulo. Era uma casa modesta, mas confortável, nos arredores um lindo bosque, onde ele e sua irmã gostavam de passar horas brincando, sentindo o cheiro das flores, de toda aquela vegetação, como dizia sua irmã: — Ah que lugar lindo, não é maninho?

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— Deixa de ser boba menina, p’ra mim é um lugar comum... Dito isso, ele a empurrava na grama e os dois felizes rolando rindo da vida que tinha cobrado muito deles, afinal... Ricardo agora lembrava quantas vezes sua mãe estava com um olhar fixo em algum ponto, preocupada, mas quando ele chegava perto, um sorriso o recebia. Sua mãe era incrível e, nessa lembrança dentro da sala de aula, uma lágrima escapa de seus olhos; ele disfarça, olha para os lados e enxuga aquela teimosa lágrima. Ele não gosta de chorar na frente de ninguém, seu coração se fecha para todo sentimento de “fraqueza” que ele entende que um homem não pode demonstrar... Isso ele herdou de seu pai, que era um homem íntegro, mas rude na maioria das vezes... A vida então foi assim, naqueles 3 anos. Sua mãe teve que trabalhar com afinco para poder sustentar sua pequena, mas amada família e a única coisa que alimenta o dia a dia de Ricardo é o amor dela, os seus beijos de boa noite, todo o seu cuidado maternal, quando de repente o professor o traz de volta à realidade... Que 16 chato, ele só queria estar vagando no passado com seus pensamentos, mas, fazer o quê? É só mais uma “chata” aula de matemática. Ele solta um longo suspiro e todos olham para trás... Ricardo mais uma vez conseguiu chamar a atenção para si de toda a classe. Quando esse martírio vai acabar, pensou aquele garoto, introspectivo e na maioria das vezes com um coração fechado para o amor, para sentimentos e cada vez mais voltado para gerar coisas ruins para a sua vida. Era só um recomeço... Deus sabia do que...

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Capítulo

4 Uma Estrada Perigosa “Quem faz uma cova nela cairá...” Provérbios 26.27

O

s dias passam sem grande novidade... Dona Selma conseguiu um bom emprego em uma multinacional em boa hora. Como 17 ela mesma costumava dizer: — Agora posso sustentar meus filhos e lhes dar uma vida digna. Naquele fim de tarde, ela chega em casa e encontra Roberta chorando muito e pergunta: — O que foi filha?. — Mamãe, o Ricardo, ele, ele... — Se acalme filha, respire e me conte o que aconteceu. Ele brigou na escola e foi parar na diretoria... Mas, mãe, ele está muito machucado. Dona Selma ficou apavorada e correu para o quarto de seu filho. Ao entrar, ele estava sentado na cama com os olhos roxos e uma fisionomia que assustou aquela mulher. — Ricardo, meu filho me conte o que houve... Ele sem virar o rosto para a mãe, disse num tom gutural... — Aquele moleque vai me pagar, mãe! Vou mostrar pra ele, que mexeu com o cara errado. Ela se aproxima e abraça o filho com ternura e diz:

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— Filho, se você se vingar se torna pior que ele. A justiça nossa vem de Deus... — Nada mãe, vou estourar o rosto dele, a senhora vai ver... Essas palavras assustaram aquela mulher. Eram os primeiros e fortes sinais de uma revolta e ódio que vinham crescendo no coração de Ricardo. A cada dia que passava, seu ódio por tudo e todos crescia e ele se alimentava para viver de todo esse mau sentimento. As brigas com sua irmã eram constantes e por mais que sua mãe se desdobrava em carinho, nada impedia essa avalanche de acontecimentos graves na escola. Num final de semana, Roberta recebeu algumas amigas em casa, para prepararem um trabalho que sua turma iria entregar na segunda-feira. Junto dessa turma veio um menino chamado Lucas. Ele era irmão de uma das meninas e Ricardo ficou de olho nele o tempo todo, pois sentia um ciúme doentio de sua irmã. No intervalo daquele trabalho, Lucas se aproxima de Roberta e começa a conversar com ela. Os dois estão juntos sozinhos na sala 18 e de repente, do nada, Ricardo chega e começa a agredir aquele menino. A violência e gritaria se alojam naquela casa, e o saldo desse incidente foi que Lucas ficou muito ferido e sangrando, mas o que mais impressionou foi a reação de Ricardo, que olhava todo aquele sangue no tapete da sala, e ria de uma maneira diabólica. Lógico, sua mãe teve que pedir desculpas aquela família. Depois desse incidente, Dona Selma comentou com seu gerente, o Sr. Pedro, viúvo há mais de 5 anos, que mora com sua filha; um profissional que dava uma grande atenção à sua funcionária e ela sentia um grande apoio por parte dele... Por isso, naquele fim de tarde, Dona Selma abriu seu coração para o seu chefe. — Sabe Sr. Pedro... Ele a interrompeu, dizendo: — Já disse que pode me chamar de Pedro... — Ah! claro, pois é, meu filho anda muito estranho, ele está muito agressivo em casa, na escola, não sei mais o que fazer. Pra mim, é difícil lidar com tudo isso. Eu sei que Ricardo precisa de uma figura paterna. Ele perdeu o pai muito novo e está perdido na vida. — Selma, você tem o observado de perto? Olha, não quero lhe assustar, mas toda essa agressividade, sei lá, será que seu filho não anda usando drogas?

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Uma estrada perigosa

Aquilo deixou essa mãe desesperada, pensando nessa hipótese. — Não pode ser seu Pe... quer dizer Pedro, ele é tão jovem... Ela começa a soluçar nos braços de seu gerente... De repente ela se afasta e ele, com muita educação e tato, diz p’ra ela... Se acalme, faça o seguinte: vá para casa, descanse, tome um bom banho e relaxe, tudo vai se ajeitar. Obrigado, você tem me ajudado muito... Não sei o que seria de mim sem o seu apoio. Boa tarde, até amanhã. — Vá com Deus menina e tenha muita calma. Dona Selma chegou a casa e foi direto para o quarto de seu filho. Quando abriu a porta levou um choque violento... Ficou sem fala por uns instantes... Viu um quadro aterrador... Seu filho ouvindo música e cheirando cocaína; ele não percebeu sua mãe chegar, pois o som estava muito alto. Ela chegou até o aparelho e desligou. Nesse momento quem se assustou foi ele, que se virou e começou a gritar com sua mãe. Era o efeito da droga. — Que inferno não se tem mais privacidade aqui nessa casa?

— Claro, você quer privacidade para cheirar essa porcaria 19

né? — Cheiro mesmo, porque nessa droga de casa, não tem nada divertido, por isso uso droga, porque a vida é uma droga. Sua mãe começa a soluçar. E ele explode em ira... — Para já... Era só que me faltava, uma mulher chorando nessa droga de quarto... Falando isso, saiu chutando tudo e praguejando. Aquele coração de mãe ficou despedaçado... Mas o que ela não sabia era que os próximos dias seriam piores, seu filho escolheu percorrer uma perigosa estrada...

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Capítulo

5 Abismo “O homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração...” Mateus 6.45 parte B

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ona Selma, a partir daquele incidente, começa a entrar em 21 desespero, mas arruma forças para ir trabalhar. Afinal, a vida continua... Quando chega no trabalho enfia toda sua vontade nele, porque pensa: “assim posso esquecer minhas dores por algumas horas”. Enquanto isso, Roberta, que na hora da gritaria veio socorrer sua mãe, está depressiva, pois ama muito o seu irmão e não entende como tudo isso aconteceu. Ela resolve que hoje não vai à escola e pega um ônibus e desce no Parque Ibirapuera. Ela é só uma adolescente, mas a vida já cobrou muito caro sua infância com a morte de seu pai. Ela lembra aqueles dias com uma saudade que dói no peito. Seu pai a levou a passear no Playcenter e naquele dia a tomou nos braços e prometeu que nunca faltaria nada para ela. Realmente nunca faltou o pão de cada dia, carinho, seu pai era incrível e agora ela olha toda aquela natureza linda, flores desabrochando naquela época de outono. Ah! Outono, que estação maravilhosa... Será que as pessoas não param para ver as rosas, as grandes e frondosas árvores, os lindos lagos enfeitados pelos mais belos cisnes. Ela repara nas crianças, ingênuas, divertidas, tão diferentes dos adultos e pensa... Também vou crescer e complicar tudo na minha vida? E sente uma

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forte dor no peito e uma lágrima desce pela sua face, é impossível não se lembrar de seu irmão. Onde ele estaria agora? Ricardo havia abandonado os estudos, mesmo com os protestos da sua mãe e só queria saber das ruas. Chegava tarde a casa, lá pelas tantas da noite e isso deixava a família amargurada. Roberta, sentada à beira do lago, naquela linda manhã de outono, o sol refletia na água seus raios e trazia momentaneamente uma paz ao coração daquela menina, que pensava, ou orava? Deus, resgata meu irmão, tira Ricardo desse profundo abismo que aos poucos ele caminha para o seu fundo, como se fosse um Zumbi... Deus... Ela agora chorava intensamente e de repente uma linda borboleta pousa em seu ombro. Roberta fica estática não querendo espantar aquela borboleta e naquele instante ouve uma voz, uma doce voz: “Filha, assim como essa borboleta já foi um casulo, sem beleza, assim vou transformar seu irmão numa nova criatura, mas antes ele vai até o fundo do poço... Mas, não se esqueça de minha fidelidade... Vou ser Amigo Íntimo de todos vocês... Aguarde...” Roberta chorava de alegria e parecia que o lago, 22 as flores, as árvores, enfim, todo aquele parque, tinha ficado mais lindo, o sol mais brilhante. Ela tinha uma certeza e uma esperança de que Deus não havia abandonado sua família. Um dia, tudo iria melhorar para eles. Via um novo horizonte brilhando no infinito, porque entendia que o Deus que criou o universo estava preocupado com eles e iria agir em favor dos fracos e oprimidos. Essa esperança nunca abandonou a vida de Roberta daquele dia em diante.

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Capítulo

6 Uma Nova Vida “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome...” Isaías 43:1 parte B

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o finalzinho da tarde, Roberta chega em casa com um lindo 23 sorriso na face. Sua mãe a recebe e logo pergunta:

-“O que houve? Você viu o passarinho azul?” — Não mãe, foi uma linda borboleta e uma doce voz. Senta aqui mãe, vou contar tudo. Hoje não fui à escola”... — Menina, você está matando aula? — Calma mãe... foi Deus que me dirigiu... Fui ao parque e lá comecei a ficar triste por causa do meu irmão... Uma pausa... Um suspiro e ela continua. — Sabe mãe eu comecei a olhar as árvores, o lago e aí aconteceu... Pousou uma borboleta em mim e ouvi uma doce voz que me deu uma linda promessa. Então ela contou o resto de sua experiência para a mãe, que já tinha lágrimas descendo em seu rosto. — Ah filha, como é bom saber que Deus está cuidando de seu irmão e, lógico, da nossa família. Ele saiu bem cedo e ainda não voltou, aliás, ele só chega de madrugada e drogado. Tenho sofrido demais, acho que estou até sem forças, mas você sabe o quanto amo o seu irmão.

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