Financas publicas gauchas algumas notas metodológicas

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1 FINANÇAS PÚBLICAS GAÚCHAS: ALGUMAS NOTAS METODOLÓGICAS Alfredo Meneghetti Neto Economista FEE e Professor da PUCRS Esse trabalho tem como objetivo revisar a metodologia utilizada até o momento na área de finanças públicas, procurando focar o desempenho do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, 1 que é sem dúvida, o principal tributo do Estado. A seção 1 apresenta o estágio atual das medições da performance desse tributo e a seção 2 problematiza a questão das renúncias fiscais do ICMS. 1- MEDIÇÕES DA PERFORMANCE DO ICMS Sabe-se que a arrecadação do ICMS é fundamental para as finanças públicas estaduais, já que se trata de um imposto que tem representado cerca de 90% da receita tributária gaúcha. Para monitorar o ICMS gaúcho nesses últimos anos tem-se adotado metodologias já desenvolvidas em estudos anteriores, como por exemplo, Meneghetti Neto (2002). Tanto se pode contrapor as taxas de crescimento da economia gaúcha, com as do ICMS ou medir a arrecadação do ICMS de um determinado ano, em relação ao ano anterior. Na realidade tanto a arrecadação do ICMS, como o Produto Interno Bruto (PIB), são duas variáveis que têm a virtude de espelhar, por um lado, o quanto à economia conseguiu produzir em bens e serviços e, por outro, o quanto o Tesouro arrecadou. Apesar de existirem algumas peculiaridades em termos de composição das duas variáveis, elas tendem a variar de uma forma semelhante, pois o ICMS incide sobre produtos (como alimentação, vestuário, eletrodomésticos), e também sobre serviços (tais como luz e telefone).2 1

A estatística da arrecadação do ICMS nesse texto é distinta do ICMS arrecadado a qualquer título, pois não estão sendo considerados: a dívida ativa, os juros de mora e as multas por pagamento de atrasos. Ao adotar esse procedimento busca-se uma precisão maior no monitoramento do ICMS. Além disso utilizou-se como deflator o IGP-DI atualizado para 1º de dezembro, disponível no link “serviços/ atualização de valores” do site da FEE (www.fee.tche.br). 2 É importante salientar que ao se comparar essas duas variáveis está sendo utilizada uma metodologia alternativa, pois elas possuem uma estrutura bem diversificada nas suas composições. O melhor seria considerar a evolução de todos os setores do PIB que são tributados pelo ICMS ou, como chama atenção a Secretaria da Fazenda (Boletim DEE, 2004, p.6), o PIB pelo seu componente interno, uma vez que as exportações estão desoneradas do imposto. O mercado interno ou “absorção interna” (a parte da riqueza produzida no País e consumida internamente) abrange o consumo das famílias, o consumo do governo e os investimentos das empresas (formação bruta de capital fixo). Entretanto, como essa estatística é difícil de ser obtida, tem-se adotado a comparação pura e simples do PIB e ICMS. Esse procedimento é bastante usual. No


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