issn 1982-5994
12 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Setembro, 2012
Laís Teixeira
Entrevista JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ • ANO XXVI • N. 107 • Setembro, 2012
C
Rosyane Rodrigues
A
expansão da oferta de cursos e vagas na Universidade Federal do Pará (UFPA) foi analisada na Dissertação da técnicoadministrativa Maria Páscoa Sarmento de Sousa, do Campus de Soure. A pesquisa desenvolve um corpo conceitual, com base nos Programas Expandir e de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), elaborados pelo Ministério da Educação (MEC), e relembra os passos da Universidade Multicampi, previstos no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Mediante consulta a planos, programas, legislações, resoluções, documentação arquivada e entrevista com dirigentes máximos e intermediários, Maria Páscoa traçou, sob orientação da professora Rosa Azevedo Marin, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea), a trajetória de crescimento de nove campi da UFPA no interior do Estado. Em entrevista ao Beira do Rio, a autora detalha o estudo. Beira do Rio - Qual o principal objetivo do seu Trabalho? Maria Páscoa – Compreender como a UFPA utilizou os subsídios dos Programas federais Expandir e de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), elaborados pelo Ministério da Educação (MEC), para garantir a composição do quadro docente dos seus campi universitários no interior do Pará, entre 2001 e 2010. As políticas públicas foram implementadas na UFPA, no interior de uma política de gestão, iniciada a partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI-UFPA/2001-2010), chamada Universidade Multicampi. Adotamos, como referencial empírico, os nove primeiros campi criados: Abaetetuba, Altamira, Bragança, Breves, Cametá, Castanhal, Marabá, Santarém e Soure. Beira do Rio – Qual a importância da analise construída na sua Dissertação? Maria Páscoa – Verificou-se que as políticas de expansão do MEC foram utilizadas pelas Instituições de Ensino Superior (IES) dentro de duas filosofias de gestão: a universidade multicampi e a vocação
regional – as quais, no nosso entendimento, propiciaram a construção de um desenvolvimento assimétrico entre as unidades acadêmicas regionais, tanto em termos de infraestrutura física e humana, quanto em termos acadêmicos. Isso fez com que determinados campi crescessem em termos de oferta de vagas e diversificação de cursos de graduação e até mesmo de pós-graduação, tais como Marabá, Castanhal e Bragança, enquanto outros se mantiveram quase que estagnados e mesmo regrediram quanto à oferta de vagas e cursos regulares, a exemplo de Soure. Beira do Rio – Quais foram os seus principais resultados? Maria Páscoa – O Expandir foi usado para criar ou fortalecer cursos de bacharelado em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional por meio da consolidação dos polos de excelência, propostos desde o III Projeto Norte de Interiorização (PNI), nos campi de Bragança, Castanhal, Marabá e Santarém. Administrativamente, porém, as discussões relativas à implementação da política envolveram apenas uns poucos gestores. A comunidade universitária e a sociedade civil local não foram envolvidas na escolha dos cursos que deveriam ser consolidados ou implantados em tais polos.Já o Reuni foi eminentemente utilizado pelas IES como forma de consolidar a pós-graduação na capital e os cursos de licenciatura no interior. A análise dá conta que as decisões envolveram, primeiramente, uma pactuação externa, pois foram negociadas com o governo do Estado e com as comunidades dos municípios; depois, precisaram ser negociadas internamente com os coordenadores de campi, os quais apresentaram suas demandas em conformidade com áreas de interesse das comunidades que representavam ou com seus próprios interesses. Assim, com exceção do Campus de Soure, os demais campi conseguiram ofertar cursos novos ou consolidar cursos preexistentes, num processo de expansão que, desta vez, foi acompanhado de infraestrutura humana e financeira. Beira do Rio – Quais as principais diferenças entre o modelo de interiorização antes utilizado pela UFPA e a gestão Universidade Multicampi, implantada pelo PDI 2001-2010?
Maria Páscoa – Talvez a principal diferença resida na situação conjuntural e na estratégia de implementação, pois o Projeto de Interiorização foi implementado quase sem apoio do MEC e, por conseguinte, não previa, inicialmente, a oferta regular de cursos no interior e, sendo assim, prescindia de quadro docente efetivo naqueles locais. Já o Universidade Multicampi foi implementado, pelo menos desde 2003, com apoio do Expandir e do Reuni. Já havia quadro docente e cursos permanentes nos campi, deste modo, as políticas públicas ajudaram na consolidação dos quadros docentes e na oferta de novos cursos nos campi do interior. Beira do Rio – A seu ver, quais falhas das políticas de expansão da UFPA devem ser corrigidas e como elas podem ser melhoradas? Maria Páscoa – Entre as falhas que aponto na política de expansão da UFPA, nos últimos dez anos, estão aquelas diretamente relacionadas à consolidação dos campi, pois percebemos, primeiramente, uma estratégia de consolidação efetiva de apenas alguns polos. Outra questão é que parecia não haver uma política estratégica de desenvolvimento para cada uma destas unidades a partir de suas realidades e dos contextos sociais e econômicos nos quais estão inseridas, pois um campi que está inserido no Marajó é muito diferente de um campus inserido no sudeste do Pará ou no nordeste do Estado. Assim, para cada unidade, deveria haver um plano de desenvolvimento e consolidação/expansão diferenciado. Tal plano deveria ser construído pela Reitoria, pela comunidade acadêmica dos campi e pela comunidade local. Beira do Rio – Qual a relação entre a expansão do ensino superior e o desenvolvimento social? Maria Páscoa – Entendo que a educação superior é fundamental para o desenvolvimento econômico e social das populações. Mas deve-se considerar, na ação universitária, antes de tudo, a necessidade de atender aquilo que Walterlina Brasil aponta como fundamental: garantir a pertinência científica das universidades nos espaços onde estão inseridas. Essa pertinência passa pela necessidade de se fazer uma relação entre o conhecimento produzido na academia e aquilo que a sociedade precisa ou espera que a universidade faça.
Espaço ITEC Cidadão é um dos exemplos em que há predominância da cobertura vegetal na Cidade Universitária
Sazonalidade
Ribeirinhos da Amazônia adaptam-se à maré alta
Cultura
Figurinos são alvo de estudo na ETDUFPA Pesquisadora analisa o processo de construção das vestimentas usadas nos espetáculos, entre elas, as do artista Mestre Nato. Páginas 6 e 7.
Imposto
Populações do Pará e Amapá apostam no plantio do açaí durante as cheias dos rios (lançantes). A "açaização do
estuário amazônico" é pesquisada pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) . Página 4.
Acervo do Pesquisador
Segundo estudo, programas federais foram consolidados sem estratégia
Lei Kandir não tem aspectos constitucionais Dissertação do ICJ revela que a isenção do ICMS, imposta pela União, causou perdas estimadas em R$ 9 milhões para o Pará. Página 3.
Hipertensão
Alexandre Moraes
Assimetria marca o crescimento dos campi
om base na cobertura vegetal de Belém, evidenciada por meio de imagens de satélite, a Faculdade de Geografia e Cartografia (FGC) da Universidade Federal do Pará (UFPA) traçou o novo mapa verde da capital paraense. Trata-se do Projeto "Estudo e Valorização das Áreas Verdes Urbanas", desenvolvido pela professora Luziane Mesquita, que analisou seis distritos urbanos. Os resultados mostraram que, no Distrito do Guamá (Dagua), formado por bairros como Terra Firme, Condor, parte do Jurunas, Batista Campos, Cidade Velha, entre outros, o Índice de Cobertura Vegetal está em 4,33% - valor abaixo da média internacional, estipulada em 30%. Já o Distrito do Entroncamento (Daent), formado por bairros como Souza, Marambaia, Val-de-Cães, entre outros, apresenta a melhor cobertura vegetal da cidade, com Índice de Cobertura Vegetal de 54,28%. A Cidade Universitária José da Silveira Netto também faz parte do estudo, cujos resultados apontaram Índice de Cobertura Vegetal de 32,28%. Página 5.
Alexandre Moraes
Verde formata o espaço urbano
Enfermagem investiga rede de apoio social Projeto de Pesquisa identifica as mudanças no estilo de vida dos ribeirinhos
Entrevista
Obra de Mestre Nato inspira estudo
Maria Páscoa observa a influência dos Programas Expandir e Reuni para a reestruturação dos campi. Página 12.
Opinião Professor Helder Aranha defende a adoção de Tecnologia da Informação para microempresas. Página 2.
Estudo revela que ações de pessoas próximas auxiliam os pacientes a continuar o tratamento. Página 10.
História na Charge Estreiam, a partir desta edição, ilustrações de Walter Pinto acerca de fatos da história do Pará. Página. 2