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12 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Novembro, 2010
Fotos Alexandre Moraes
Entrevista 25 Anos JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ • ANO XXV • N. 88 • Novembro, 2010
Novo antiviral contra o HIV-1 O
Laboratório de Planejamento e Desenvolvimento de Fármacos, da Universidade Federal do Pará, está realizando pesquisa para desenvolver um novo antiviral para combater o Vírus da Imunodeficiência Adquirida, o HIV-1. O estudo foi selecionado para participar do Programa de Apoio à Cooperação Científica e Tecnológica Trilateral
Terapia
Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio nasceu com o propósito de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Após algumas reformulações, o Exame começou a ser utilizado como critério de seleção por candidatos à bolsa no Programa Universidade para Todos (Prouni) e, desde o ano passado, seus resultados têm sido utilizados como critério de seleção para ingresso no ensino superior, complementando ou substituindo o Vestibular em diversas universidades brasileiras. Este ano, a Universidade Federal do Pará utilizará o Enem como critério de seleção na primeira fase do seu Processo Seletivo. Para entender as vantagens trazidas pelo Enem, o Jornal Beira do Rio conversou com Héliton Tavares, professor da Faculdade de Estatística do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN), da UFPA, o qual também atuou como diretor de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC). De acordo com o professor, mais do que garantir o acesso ao ensino superior, o Enem é a oportunidade de fortalecer a educação básica. Beira do Rio – O que pode ser considerada a principal vantagem no Exame Nacional do Ensino Médio? Héliton Tavares – Desde 1996, com a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), foi definido um desenho para a educação brasileira. Esse desenho, efetivamente, nunca foi implementado, salvo por raras iniciativas próprias. Então, o Enem era uma oportunidade de transformar a ‘cara’ da educação brasileira. O Exame começou em 1998, com 160 mil pessoas inscritas. Na época, era um exame pequeno, de lá para cá, houve uma grande evolução. Ele passou a ter o poder de intervir na área educacional muito além do que era previsto. O que tivemos foi um salto qualitativo em termos da educação básica, ainda que o que mais apareça seja a democratização de acesso às universidades, particularmente, as públicas. Beira do Rio – Em que medida a utilização do Exame nos processos seletivos das universidades públicas federais democratiza o acesso às vagas? Héliton Tavares – Conheço alguns casos de pessoas que realmente tinham dificuldade de acesso e que hoje acreditam estar mais próximas das
instituições públicas. Para fazer a divulgação do Enem, precisei viajar muito e por isso partilhei das aflições de professores e de pais que agora dizem "eu acho que meu filho tem uma possibilidade maior de entrar numa instituição pública". Outra questão importante é que você não paga para fazer o Exame e mais importante ainda é não precisar se deslocar entre cidades para realizar diversos processos seletivos. O fato de você poder fazer Vestibular aqui, em Belém, mas o resultado servir, por exemplo, para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é uma coisa fundamental. Com isso, ganham as instituições que podem fazer uma seleção mais refinada, com participantes de diversos locais do País. Beira do Rio – O Exame já tem mais de 10 anos. Que resultados foram alcançados? Héliton Tavares – O Ministério da Educação tem dois sistemas de mensuração da qualidade da educação. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), quando os alunos de toda a rede pública e mais uma mostra dos da rede particular fazem exames do primeiro ciclo (1ª à 4ª série), do segundo ciclo (5ª à 8ª) e do terceiro ciclo (ensino médio). No ensino médio, é só uma amostra, mas para os dois primeiros ciclos, existem políticas determinadas a partir dos resultados do Saeb. O Enem já começou a ter políticas adotadas com base nos seus resultados, particularmente nos últimos dois anos. Como isso é feito? A partir de alguns relatórios de desempenho e de formulários que os alunos preenchem indicando um conjunto de variáveis que servem para demonstar os fatores que levam a um bom desempenho. A cada ano, os resultados são enviados para as escolas e ficam disponíveis na página do MEC. Então, é possível saber qual o perfil do bom aluno e tentar criar essas condições em cada unidade escolar. Beira do Rio – Outra proposta do Enem era a reestruturação dos currículos do ensino médio. Já é possível falar nisso? Héliton Tavares – Ano passado, foi feita uma reformulação nesse sentido. Cada Estado tem o seu currículo, mas existe um núcleo, ou seja, aquilo que é básico que todo aluno saiba ao concluir o ensino médio. São conteúdos importantes tanto para a universidade quanto para o mercado de trabalho. Um conjunto de especialistas definiu o conteúdo básico que serviria para essas duas linhas. Isso ainda está vigendo, mas precisa passar por avaliações e alterações contínuas. Uma comissão formada por professores da educação básica,
dos institutos federais, das escolas particulares e de outras instituições voltadas à educação irá discutir continuamente e pode apresentar propostas de reestruturação dessa matriz.
Caminhos da medicina tradicional
Eclusas entram em funcionamento Projeto terá grande impacto socioeconômico para toda a região. Interligando o sul do Pará e o centro-oeste brasileiro ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, hidrovia é nova rota para o transporte de produtos. Pág. 5
Tese de Doutorado analisa práticas do Sistema Tradiconal de Saúde no Distrito de Icoaraci e em Chipaiá, no Marajó. Pág. 9
Saúde
Beira do Rio – O Exame não é unanimidade. Quais são as razões das críticas? Héliton Tavares – São duas as mais comuns. A primeira diz que o Enem cobra um conteúdo ainda não trabalhado pelas escolas. Mas é essa iniciativa que vai provocar a mudança. Muitas escolas estão de acordo com a linha adotada pelo Enem e sabem que precisam se adaptar. A segunda é quanto ao número de itens a serem respondidos, considerado muito "pesado" para o aluno. Por ser uma avaliação que serve para uma seleção nacional, é necessária uma seleção "fina". O quantitativo de 45 itens por área foi definido baseado em um estudo técnico. É possível que, ao longo dos anos, venha baixar para 40, 42. O importante é garantir a qualidade dos resultados.
Pesquisa estuda prevenção da malária
Beira do Rio – Por que ainda é tão difícil promover uma avaliação interdisciplinar? Héliton Tavares – Porque as nossas universidades não formam os profissionais com esse perfil. Eles são licenciados puramente em Matemática, História ou Geografia. Não há essa interação, fundamental tanto para o mercado de trabalho quanto para qualquer situação da vida. E é no planejamento da educação básica que vamos iniciar essa mudança. Tenho certeza de que colheremos frutos. Não será daqui a um ou dois anos, mas espero que isso já esteja consolidado na nossa sociedade daqui a dez anos.
Bacia do Mata Fome sob ameaça
Beira do Rio – Este ano a UFPA vai usar o Exame como primeira fase do Processo Seletivo. Qual a sua expectativa? Héliton Tavares – Praticamente todas as universidades federais brasileiras já estão adotando o Enem. A UFPA, por ser a maior do Norte, não poderia ficar atrás. É fundamental que ela participe desse processo de interação entre as universidades. Os resultados educacionais do nosso Estado não são muito favoráveis. Alguns críticos dizem que não é justo sermos comparados com o restante do País. Mas a uniformização que o Enem está criando é a oportunidade de mudarmos para melhor a educação básica. Espero que os professores, as escolas, os dirigentes e gestores adotem o Enem não apenas porque ele garante o acesso às universidades, mas também porque isso irá melhorar a qualidade da educação em todo o Estado.
Aliada aos medicamentos, a alimentação rica em antioxidantes pode prevenir os casos mais graves da doença. Pág. 8
Meio ambiente As eclusas I e II fazem sair do papel um antigo sonho dos paraenses, a Hidrovia do Tocantins
Parfor capacita professores Transtornos afetam jovens da educação básica
Pág. 6
Entrevista O professor Héliton Tavares fala sobre uniformização da educação a partir do Enem. Pág. 12
Adolescentes
Educação
O Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica envolve 39 polos da UFPA. Este se-
mestre, quatro mil professores estão matriculados nos 18 cursos ofertados. Pág. 4
grávidas.
Pág. 7
Karol Khaled
Rosyane Rodrigues
Tucuruí
Manoel Neto
Enem garante acesso à universidade e qualidade da educação básica
partir de janeiro de 2011, professores e estudantes da Universidade farão intercâmbio com grupos de excelência nos dois países. As novas técnicas serão aplicadas no Laboratório de Fármacos da UFPA. Pág. 3
Thais Rezende
A prova dos nove da educação brasileira
entre Índia, Brasil e África do Sul (IBAS), financiado pelo CNPq para
apoiar as atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação. A
Coluna da Reitoria Marlene Freitas discute o acesso e a permanência na Universidade. Pág. 2
Opinião Saiba como funciona a Comissão Própria de Avaliação da UFPA. Pág. 2
Para participar, professores precisam atuar na rede pública de ensino
Desejo de morte é comum