issn 1982-5994
12 – BEIRA DO RIO – Universidade Federal do Pará – Maio, 2011
Fotos Carla Cybelle Soares
Entrevista 25 Anos JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ • ANO XXV • N. 94 • Maio, 2011
História e lazer na Cidade Velha
P
moradores da cidade. Ao longo do trajeto, os participantes recebem informações históricas sobre os pontos visitados. "Nenhuma agência de turismo tem esse percurso como opção. Percebemos essa lacuna e o potencial da Cidade Velha para o desenvolvimento do turismo patrimonial e histórico", afirma a professora Maria Goretti Tavares. Págs. 6 e 7
Alexandre Moraes
reservar a memória e o patrimônio. Esse é o objetivo do Projeto de Extensão "Roteiro Geoturístico no bairro da Cidade Velha conhecendo o centro histórico de Belém", iniciativa do Grupo de Pesquisa em Geografia do Turismo da Universidade Federal do Pará. O roteiro, realizado aos sábados, é uma opção de lazer para turistas e
Pós-Graduação marca pioneirismo da UFPA Marcelo Perine participou do lançamento do Mestrado em Filosofia a implantação do Mestrado.
curso de Mestrado em Filosofia da UFPA foi aprovado pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no final do ano passado, como o primeiro Programa de Pós-Graduação nessa área a ser instalado em uma universidade da Região Norte. A criação do curso é um marco para o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas que, agora, já pode ofertar pós-graduações para todos os seus cursos de graduação. O edital para seleção da primeira turma do mestrado já foi lançado e as inscrições serão encerradas no próximo dia 20 de maio. Na cerimônia de inauguração do novo curso, o professor Marcelo Perine, coordenador do Comitê Assessor de Filosofia/Teologia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), discutiu a Pós-Graduação em Filosofia no Brasil. Estudioso de Filosofia Antiga, com diversos trabalhos sobre Platão, ele concedeu entrevista ao Jornal Beira do Rio sobre o pioneirismo da UFPA e a responsabilidade da Instituição marcar e consolidar a fronteira da produção filosófica na Amazônia.
Beira do Rio – Qual a importância da implantação de um Programa nessa área numa região como a Amazônia? M.P. – Em primeiro lugar, a importância está no pioneirismo. O fato de ser o primeiro traz para este Programa a responsabilidade de marcar e consolidar uma fronteira na produção filosófica brasileira na região amazônica. Embora não haja linhas de pesquisas que possam ser consideradas regionais, pode refletir num avanço de estudos sobre problemas regionais no âmbito da Filosofia Política, por exemplo. O fato de atrair para a Amazônia pesquisadores de outras partes do Brasil também é importante para facultar intercâmbios com programas do Sul, Sudeste e da própria Amazônia. A UFPA tem grandes nomes na Filosofia. Vocês tiveram um desaparecimento recente, o professor Benedito Nunes, mas há pesquisadores aqui, que, com certeza, também terão projeção nacional e internacional.
O
Beira do Rio – Na sua palestra, o senhor traçou um panorama da Pós-Graduação em Filosofia no Brasil, a qual já conta com 40 anos e tem avançado. Com relação à inserção internacional dos Programas, qual é o quadro? Marcelo Perine – Esse quesito é decisivo, principalmente, para os Programas de notas seis e sete. A Capes está cada vez mais empenhada em exigir e favorecer a inserção internacional, justamente porque é a única maneira de fazer a nossa pesquisa e produção intelectual serem reconhecidas pelos nossos congêneres no exterior. Já existem acordos entre os chamados Programas "tops de linha" e as instituições internacionais, o que beneficia os pesquisadores brasileiros. O PPGFIL da UFPA já mantém parcerias internacionais que podem avançar e serem consolidadas com
Beira do Rio – Os estudos filosóficos têm se voltado para os efeitos das novas tecnologias no comportamento do homem? M.P. – Sem dúvida. Alguns programas de pós-graduação no Brasil desenvolvem estudos avançados em torno da Filosofia da Mente. Existem pesquisadores reconhecidos nessa área, com produção relevante e que atuam numa área da Filosofia que tem feito fronteira com a Neurociência, uma ciência altamente desafiadora. Algumas universidades, como a Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade de São Paulo (USP), já têm linhas de pesquisas específicas nessa área. A Filosofia também se mostra presente em outras fronteiras, como nas ciências da vida e nos estudos bioéticos. Beira do Rio – O senhor é estudioso de Filosofia Antiga, especialista em Platão, um expoente da Filosofia Ocidental. Como estimular nos jovens o interesse pelo pensamento de Platão? M.P. – Mesmo para nós, estudiosos de Filoso-
fia Antiga, é um desafio encontrar o caminho para tornar atraentes os grandes estudos filosóficos do passado que, a princípio, podem não exercer nenhum fascínio sobre os jovens. Aqui, vocês têm um marco que é a tradução dos Diálogos de Platão. Embora já tenham surgido outros estudos e novas traduções, a obra de Carlos Alberto Nunes ainda é a mais completa e continua sendo uma referência para nós, apesar da dificuldade de sua aquisição. Há algum tempo, participei de uma publicação voltada para a faixa etária entre 15 e 16 anos. Era um volume sobre a República de Platão, feita para adolescentes, como parte integrante de uma Coleção chamada Releituras. A obra teve boa aceitação, tive notícias de professores, colegas do ensino médio, que passaram a usá-la em sala de aula. Isso foi um trabalho muito prazeroso. Os jovens precisam saber que os grandes pensadores, desde o surgimento da Filosofia até os dias de hoje, sempre têm algo a nos dizer. Beira do Rio – Como a Filosofia poderia ajudar a entender a atual crise ética que o Brasil enfrenta? M.P. – O papel da Filosofia é compreender os fatos, compreender a realidade. Isso não é fácil em determinadas circunstâncias, porque os fatos são carregados de sentidos e essa compreensão tem que se cruzar com a compreensão de outros campos do saber. Outro desafio é levar o cidadão comum a ter uma atitude mais crítica diante de certos fatos da vida nacional, no sentido de compreender a origem dos problemas e não somente de revoltar-se e indignar-se. A reflexão crítica se faz a partir da análise da dimensão ética, da vida humana, da importância que os valores têm na constituição do próprio ser humano e da organização da sociedade. Isso faz fronteira com a Antropologia Filosófica. Nosso papel é manter as pessoas acordadas para que a atitude crítica também tenha um caráter de denúncia e permaneça presente na vida de cada um. Sócrates já induzia os cidadãos atenienses a uma reflexão crítica e "denuncista" da sociedade.
Casario da Rua da Ladeira, ao lado do Forte do Castelo, está entre os pontos visitados pelo Roteiro Geoturístico
Software
Entreletras
Vivências ensinam a ler e a escrever
Pág. 3
Entrevista "Papel da Fsilosofia é manter as pessoas acordadas, com uma postura crítica", afirma Marcelo Perine. Pág. 12
Observatorium
Coruja Navigator promove inclusão digital e social Desenvolvido pelo Laboratório de Processamento de Sinais, o software ajuda aqueles que não podem acessar o com-
putador utilizando mouse ou teclado. Parcerias irão garantir que o Programa chegue ao público-alvo. Pág. 4
Alexandre Moraes
Ana Cristina Trindade
Pág. 9
Geografia
UFPA capacita técnicos municipais
Coluna da Reitoria
Pág. 10
O pró-reitor Emmanuel Tourinho fala sobre recursos humanos na Amazônia. Pág. 2
Engenharia
Opinião A professora Rosaly Brito comemora os 35 anos do curso de Comunicação Social. Pág. 2
Qual o perfil do consumidor paraense?
Utilizando o comando de voz, usuários podem navegar em diversos ambientes
Aulas práticas nas ruas do Curió-Utinga
Pág. 8