C A P Í T U LO 4 2 978-85-7241-625-2
Cinesioterapia na Síndrome Dolorosa Miofascial Maciel Murari Fernandes
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Cláudio Dias Patricio
Introdução A cinesioterapia é essencial no sucesso terapêutico da síndrome dolorosa miofascial (SDM). Consiste na aplicação de procedimentos que visam a melhorar o desempenho muscular e o potencial de força e resistência à fadiga; auxiliar os pacientes a identificar e corrigir as posturas antálgicas e compensatórias; permitir ao corpo realizar suas tarefas cotidianas no ambiente doméstico, de trabalho e na prática desportiva de maneira adequada e com menor risco de sobrecarga ou lesão ao sistema músculo-esquelético. A prescrição da cinesioterapia é tão importante quanto a prescrição de medicamentos, pois quando esta é executada adequadamente, torna-se um agente terapêutico muito eficaz na reabilitação dos pacientes com dor músculoesquelética. Os critérios, as adaptações e as adequações constituem os requisitos básicos para iniciar um programa de cinesioterapia e são determinados a partir de uma avaliação personalizada e modulada em função das atividades próprias de cada paciente. Por exemplo, o funcionamento dos membros superiores de um pedreiro é distinto de um violinista: a força, a leveza e a destreza são distintas, pois preenchem funções diferentes8; isso ocorre com a região lombar: no pedreiro, é mais dinâmica, no violinista, mais estática. Em cada caso há necessidade de se adotar critérios específicos de avaliação e conduta, mesmo que a sintomatologia seja similar. Portanto, a cinesioterapia não pode ser comum a todos os pacientes, pois as causas são peculiares. Avaliar o corpo como um todo, com a observação analítica do indivíduo e integrando as características segmentares ao conjunto das funções corporais, durante a avaliação estática e a dinâmica, permitirá realizar o diagnóstico fisioterápico e a partir deste estabelecer os objetivos do tratamento e os recursos a serem empregados. Na realização de gestos cotidianos, como vestir-se, pentear-se, mudar de decúbito e de posturas, atividades domésticas e profissionais, o paciente deve ser avaliado quanto às habilidades em preparar e realizar as tarefas, se as realiza com uma boa integração e coordenação dos diversos segmentos do corpo, dentro de um período de tempo adequado e consumo energético razoável16. Além disso, é preciso identificar as estruturas que estão comprometidas, estabelecendo a relação entre as queixas dolorosas, os mecanismos causais e/ou perpetuantes e os achados do exame físico.
A cinesioterapia estimula o sistema sensório-motor para que os pacientes identifiquem os padrões habituais de tensão e, por meio desse reconhecimento no próprio corpo, consigam resgatar o sinergismo muscular, permitindo realizar gestos do cotidiano com eficiência, economia, fluência e menor risco de lesão10.
Conceitos Básicos de Cinesioterapia Diversos autores e estudiosos do assunto propuseram métodos que estimulavam esse sistema neuropsicomotor, com os seguintes conceitos básicos: • Kabat 14 baseou-se nos trabalhos de Sherrington e desenvolveu a facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). Aplicou as leis da inervação recíproca e sucessivas induções de técnicas de exercícios terapêuticos. Iniciava a contração de agonistas com relaxamento – inibição de antagonistas. Sugeriu que o movimento voluntário do músculo podia ser facilitado pela ação de outros e assim obtinha a melhora da coordenação, facilitava a estabilização proximal e o ganho funcional progressivo. • Moshe Feldenkrais10 fundamentou seu trabalho na sensibilidade cinestésica, explorando o potencial de movimento para que uma nova configuração sensorial e uma nova organização neuromotora pudessem ser aprendidas. Assim, alterava os padrões de movimentos defeituosos aumentando a percepção deles. Acreditava que padrão motor e sentimento formavam uma só função, e que a atitude motora que acompanha cada sentimento é muito específica e diferente da outra. • Brunkow7 recomendava automatização dos movimentos normais e co-contrações dos músculos dos membros para facilitar a estabilização dos músculos do tronco, às vezes com estimulação de mecanorreceptores cutâneos. A instrução era de distal para proximal, o que ativava cadeias musculares inteiras. • Janda7 afirmava que a atividade reduzida e a fraqueza resultante de alguns músculos podiam decorrer de padrões de movimento alterados, regulação motora e desempenho motor alterados. Considerava a progra-