Nosso objetivo é evoluir e simplificar – Acordo Ortográfico de 1990 Antes de mais, desejo que não me chamem utópico. Pelo facto de eu reconhecer e desejar que o mundo poderia ser melhor se os homens assim o quisessem, e que não é porque todos vivem pelas tradições, pela cultura vigente, por registos atávicos, tudo isto controlando e hipnotizando a mente de quase toda a gente, de que a afirmação de uso geral “isso é utópico”, que se possa forçosamente afirmar que é realmente utópico… ou será mais conveniente para a maioria manter o “status quo” fazer tal afirmação quando alguém quer ver, e desejar ir, mais além para um mundo melhor. A linguagem é apenas um meio de as pessoas se comunicarem enquanto corpos biológicos que vivem numa atmosfera (sem atmosfera não haveria sons), uma vez que neste estado não controlam outros meios de comunicação mais evoluídos, que não necessitem de uma linguagem, como por exemplo a transmissão direta do pensamento. Enquanto este impedimento existe, não devemos fazer da aprendizagem da linguagem, da sua correta aplicação com um conjunto de regras (e igual número de exceções) inventadas pelos homens, o objetivo fundamental da nossa vida, e nisso gastar parte significativa das nossas energias que seria muito mais racional gastar no que é essencial para a nossa evolução. O objetivo fundamental da nossa vida é a reprodução e a evolução, esta sendo intelectual e moral. Para a reprodução precisamos de saúde e de meios para tornar a prole autossuficiente. Para este efeito, na economia em que vivemos, precisamos de conseguir algum dinheiro, de um abrigo para proteger a família, de um transporte que desloque de forma segura a família, todos estes meios, e eventualmente mais alguns de acordo com a visão de cada um, com o objetivo final de tornar a prole autossuficiente e o decurso da vida agradável, tendo o cuidado de no decurso desta missão não prejudicar ninguém em meu benefício, tendo em conta que todos temos o mesmo objetivo, os mesmos deveres e direitos. Mas o objetivo de evoluir intelectualmente e moralmente é o nosso objetivo fundamental enquanto entidade independente, o indivíduo, o nosso eu, a nossa alma. Tendo este objetivo como meta, gastar neurónios numa linguagem complicada é desperdiçar neurónios com prejuízo do que é fundamental: o conhecimento do universo, o conhecimento da vida, das suas leis, o conhecimento do cosmos, o conhecimento do todo. Esta tarefa é sofisticada, gasta muitos séculos de aprendizagem e investigação científica nos diversos domínios, que cada um tem que fazer, tem que testar e tem que dominar, esforçando-se por seguir o caminho para atingir a iluminação (conhecimento). Eis o grande objetivo. A língua portuguesa, assim como as outras línguas do planeta, é uma manifestação da nossa vaidade, do nosso orgulho, da nossa opulência e é uma manifestação de independência relativamente aos outros povos, pois que geralmente os vemos como possíveis inimigos. É assim, uma manifestação de desunião, de afastamento dos outros, de falta de fraternidade, de egoísmo, de competição, ao contrário do desejável na missão mais importante que seria: união, colaboração, fraternidade, esforço comum de evolução, porque a união facilita a tarefa, divide esta em partes que cada um pode trabalhar em detalhe transmitindo a todos as suas descobertas (e vice versa) e assim, como fruto do esforço conjunto, todos, mais depressa, podem chegar à iluminação. Como todos sabemos, o português teve a sua origem na língua galaico-português, descendente do latim vulgar falado pelos conquistadores romanos, com influências das línguas de diversos povos que chegaram à península ibérica. Esta língua original considerase formada no séc. 8. Foi língua culta fora dos reinos da Galiza e de Portugal, nos reinos vizinhos de Leão e Castela, tanto que o rei castelhano Afonso 10 escreveu as suas Cantigas de Santa Maria em galaico-português.