Revista Cidade Verde 164

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Clau

PUBLIC


udino

CIDADE


Índice Capa

A força dos pequenos na economia do Piauí

5. Editorial

08

Páginas Verdes Alzenir Porto

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A delação que abalou o país

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Perfil da microcefalia no Piauí

COLUNAS

48

42. Nova habilitação traz código de segurança

22. Ponto de Vista Elivaldo Barbosa

56. Cultivo orgânico melhora a vida de produtores rurais

33. Tecnologia Marcos Sávio

24. O limitado espaço da oposição no Piauí

62. O primeiro livro a gente nunca esquece

54. Economia e Negócios Jordana Cury

28. Indústria

68. Low Carb: a dieta da moda pode ser perigosa

08. Páginas Verdes Alzenir Porto concede entrevista à jornalista Cláudia Brandão

30. Fim da emergência para microcefalia é contestado por FMS 40. Empreendedorismo

71. A fruta do momento

78. Passeio Cultural Eneas Barros 86. Perfil Péricles Mendel

74. Futebol em alta 80. Um espaço dedicado à arte

Articulistas 14

Jeane Melo

45

Zózimo Tavares

67

Cecília Mendes


foto Manuel Soares

A desigualdade entre quem produz e quem especula O empreendedorismo está ganhando força no país, especialmente entre os microempresários. O perfil divulgado pelo Sebrae sobre o Microempreendedor Individual, o MEI, revela que, no Piauí, eles representam 67% das empresas abertas este ano no estado. Alguns, em busca da independência financeira; outros, pela necessidade de uma fonte de renda; e, em menor número, os que querem colocar em prática conhecimentos profissionais. O fato é que eles ocupam hoje uma fatia importante da economia de mercado. E ainda há aqueles que não se registraram oficialmente, temerosos das responsabilidades que a regularização do negócio pode trazer. Na verdade, ao cadastrarem-se como MEI, as oportunidades aumentam, porque eles passam a poder abrir contas em nome da empresa e a emitir notas fiscais, o que permite fechar negócios com o poder público. O limite de faturamento anual para um empreendedor ser cadastrado como MEI é de R$ 60 mil. A Revista Cidade Verde, atenta ao comportamento da sociedade e da economia, traz uma reportagem detalhada sobre essas pessoas que criaram coragem e resolveram enfrentar o mercado. Como a maioria dos brasileiros, são pessoas honestas, trabalhadoras e dispostas a ganhar a vida de forma decente, contribuindo para o crescimento do país. Distante deste mundo real, estão os políticos que enredaram-se numa teia de corrupção capaz de fazer corar de vergonha qualquer cidadão de bem. Bem diferente do perfil dos microempreendedores, é a biografia do megaempresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, que após uma delação bem planejada, afundou ainda mais o país em uma crise política e econômica, aumentou sua fortu-

na com atividades especulativas e foi desfrutar as benesses da sua indulgência nos Estados Unidos, como se não tivesse cometido qualquer crime. As delações que abalaram o país fragilizaram a figura do presidente da República, Michel Temer, no momento em que estavam para ser aprovadas as reformas da Previdência e Trabalhista, fundamentais para retirar o país da recessão em que se afundou, deixando 14 milhões de brasileiros desempregados. Mas não foi só isso. As delações arranharam a credibilidade de muitos outros políticos, que foram arrastados para o lamaçal de corrupção que tomou conta do país e de suas instituições. Na mesma delação em que o presidente é acusado de prevaricação, o líder do PSDB, senador Aécio Neves, foi acusado de pedir R$ 2 milhões para pagamento de despesas com advogados para livrar-se da Lava Jato. A metralhadora de Joesley também se voltou contra os ex-presidentes Lula e Dilma, para quem o empresário diz ter aberto contas na Suíça, com valores de U$ 150 mil. É triste, quase desanimador, ver que enquanto tanta gente sua a camisa para levar uma vida digna, o dinheiro público é pilhado em transações tenebrosas que empobrecem o país e maculam a imagem dos líderes que deveriam honrar o voto recebido nas urnas. A boa notícia é que as instituições estão apurando os crimes que, antes, eram escondidos nos escaninhos da burocracia. Que nasça um novo país, mais transparente e justo para todos. Cláudia Brandão Editora-chefe

REVISTA CIDADE VERDE | 28 DE MAIO, 2017 | 5


HOUS PUBLIC


SE D1 CIDADE


Entrevista

Alzenir Porto

claudiabrandao@cidadeverde.com

Ficou mais fácil registrar uma empresa A Junta Comercial do Piauí passou por um processo de modernização digital e deixou pra trás a demora para registrar uma empresa. O tempo médio agora é de apenas três dias.

8 | 28 DE MAIO, 2017 | REVISTA CIDADE VERDE

foto Wilson Filho

POR CLÁUDIA BRANDÃO


A Junta Comercial do Piauí (Jucepi) é um termômetro da atividade econômica no estado. Por lá passam todos os registros para abertura e fechamento de empresas. Até 2015, esse processo era muito lento, porque era feito todo manualmente. Para se ter uma ideia, o empresário que desejasse abrir formalmente uma firma tinha que esperar, em média, até oito meses, o que diminuía a competitividade e a produtividade do negócio. A partir do ano passado, quando o processo foi digitalizado, esse tempo caiu para três dias, podendo ser reduzido até a 24h, no caso de a documentação do postulante estar completa e correta. Essa agilidade foi possível porque o programa implantado pela Jucepi permite a integração entre os dados cadastrais da Receita Federal e os demais órgãos estaduais e municipais que participam do processo de abertura, alteração e baixa de empresas. Agora, o usuário pode verificar o andamento do seu processo, on-line, e ainda realizar o preenchimento de documentos e a solicitação de licenças. Os dados fornecidos pela Jucepi mostram que, de janeiro a abril deste ano, foram abertas 5.755 empresas, enquanto outras 251 foram fechadas no mesmo período. Para quem ainda não trabalha com o certificado digital, a Jun-

O Piauí é conhecido por possuir mais micro, pequenas e médias empresas. E as empresas de pequeno porte, especialmente os microempreendedores, tendem a ser mais resistentes no momento de uma crise. ta faz o atendimento no Espaço Cidadão, localizado em um shopping da cidade, e no edifício sede, de onde a presidente Alzenir Porto concedeu a seguinte entrevista.

RCV – Como tem sido o movimento aqui na Junta Comercial para abertura de empresas no Piauí, neste ano de 2017? AP – Esse movimento tem se

mantido na sua normalidade. Basicamente, não tivemos redução de empresas no Piauí. Eu costumo dizer que isso se deve ao fato de nós não possuirmos grandes empresas. O Piauí é conhecido por possuir mais micro, pequenas e médias empresas, sendo raras as empresas de grande porte em nosso estado. E as empresas de pequeno porte, especialmente os microempreendedores, tendem a ser mais resistentes no

momento de uma crise, eles acabam se reinventando, até porque costumam trabalhar mais com a família. É importante observarmos que o perfil do funcionário deve mudar em momentos de dificuldade econômica. Ele precisa esquecer um pouco as vantagens pessoais para pensar no aspecto maior, que é a sobrevivência da empresa e do próprio emprego.

RCV – Parte dos novos empresários que abriram pequenos negócios este ano é formada por quem perdeu o emprego de carteira assinada? AP – Muitos deles, sim. Nós tive-

mos momentos de muita abertura de micro e pequenas empresas oriundas de um desemprego, o que levou a pessoa a se aventurar como empreendedor. Na realidade essas pessoas já têm uma tendência. Mesmo quando a gente está trabalhando como empregado, sempre há alguma coisa que a gente tem vontade de desenvolver, na área de alimentação, prestação de serviço, vestuário, etc. Mas o receio de perder o certo pelo duvidoso, às vezes, prende o profissional ao seu emprego. No entanto, quando a pessoa é colocada para fora do mercado de trabalho, sem perspectiva de retorno, acaba investindo no empreendedorismo. E a gente tem visto bons resultados.

RCV - Qual o segmento de empresas mais procurado REVISTA CIDADE VERDE | 28 DE MAIO, 2017 | 9


por quem está abrindo um novo negócio no Piauí? AP – O setor mais procurado

ainda é a prestação de serviço. O Piauí tem uma vocação forte na prestação de serviços e no comércio varejista. Nós temos um mercado que cresce a cada dia nesse segmento.

RCV – E como está o registro de fechamento de empresas? Qual o tempo médio de vida útil das empresas piauienses? AP – Houve uma mudança muito

grande com relação ao fechamento das empresas. No passado, as empresas morriam muito cedo, algumas não passavam de um ano. Hoje mudou e elas estão sendo mais resistentes, até porque o governo passou a ver a empresa de uma forma diferente. Quando eu iniciei como empreendedora [Alzenir era proprietária de uma autoescola], a gente pagava uma carga tributária igual ao grande empresário. Hoje, o pequeno empreendedor tem o Simples Nacional, no qual o imposto vai crescendo de acordo com suas atividades. Atualmente, o microempreendedor paga, no máximo, R$ 40 de impostos por mês e pode empregar mais uma pessoa além dele e registrar faturamento de R$ 60 mil por ano. Isso faz com que ele passe por diversos estágios e vá crescendo de acordo com o conhecimento que ele tem do mercado, o que dá a ele quase que uma experiência programada para que possa se aven10 | 28 DE MAIO, 2017 | REVISTA CIDADE VERDE

Nós tivemos momentos de muita abertura de micro e pequenas empresas oriundas de um desemprego, que levou a pessoa a se aventurar como empreendedor.

turar numa empresa maior. Acho que, por isso, nós não temos tido muito fechamento de empresa. E é porque a baixa da empresa foi facilitada e pode ser feita, agora, no prazo de um dia, porque você não tem mais que estar quite com seus impostos para fechar o negócio. Basta fazer uma substituição do CNPJ para seu CPF. Você continua responsável pelos débitos, a diferença é que sai a pessoa jurídica e entra a pessoa física. No entanto, quando você faz essa baixa, se livra das obrigações acessórias.

RCV – Esses números constantes de abertura de empresas podem ser afetados pela instabilidade político-econômica causada após a delação contra o presidente Michel Temer? AP – Eu acredito que não, porque a gente não pode parar e se

entregar nesse momento. O país está passando por uma situação difícil, sim, mas a palavra de ordem não pode ser no sentido de contribuir para que fique pior. Temos a certeza de que precisamos continuar e esperamos que novos e bons empresários se instalem aqui. Precisamos trabalhar mais arduamente para que se possa colaborar com a economia, porque se as coisas estão difíceis e a gente se dobra, elas tendem a piorar. Temos que nos comportar como a fênix e ressurgir das cinzas.

RCV – Mas dá para investir quando não há um cenário de estabilidade política e econômica? AP – Na crise, a gente tem oportunidades. Você não pode simplesmente se aventurar em um negócio, deve ter a segurança de pesquisar para saber o que é melhor naquele momento. Há pessoas que conseguem bons índices de crescimento, mesmo em momentos de crise. O que a gente não pode é parar.

RCV – Os empresários brasileiros costumam se queixar do excesso de burocracia para abrir um negócio, se comparado à realidade de outros países empreendedores, como os Estados Unidos, por exemplo. AP – O Instituto Doing Business

é que faz essa medição em nosso país, mas eu não vejo muita justiça nessa aferição, na medida em que os dois estados que


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