www.issuu.com/jornalnoturno Ano 1 - Edição 3 Camile Wagenheimer usando um dos corsets de sua criação
Corsets
Beleza e originalidade que impressionam
Kichute
Do papel ao filme através da memória
Neymar
na Copa? Só se for em 2014
Marina Silva De educação para sustentabilidade
sumário
Educação
Marina Silva e aulas de dissecação 04 Esporte
A vez de Neymar 06 Cultura
Kichute - do papel ao filme 07 Política
Lixo eletrônico 10 Moda
Corsets - beleza e originalidade 12 Economia
ponto final 05/2010
Bolsa de valores 16
02
Comunicação
“Paçoca com Cebola” 18 Opinião
Cimentão 19
Nos últimos dias, o noticiário da imprensa londrinense foi ocupado por novas denúncias contra vereadores da Câmara Municipal, prolongando a onda de desmoralização do Poder Legislativo. Até que ponto um Poder Legislativo permanentemente de joelhos perante a opinião pública é salutar? O cidadão tem de ficar alerta para com os ataques contra a instituição mais diretamente ligada ao povo, pois os interesses para que essa instituição perca poder não faltam. Há o Executivo, sempre interessado em aprovar seus projetos, de preferência, a toque de caixa, ou seja, sem nenhuma discussão no parlamento. Nenhum governo gosta de uma oposição atuante, que fiscaliza e questiona qualquer medida. E, na lógica da política, um Legislativo investigado não tem força para investigar ninguém. Seria mera coincidência que a maioria dos vereadores investigados na Câmara fazia oposição ao governo Barbosa? Há o Ministério Público, sempre zeloso em cumprir a missão que a Constituição de 1988 lhe delegou de fiscalizador das instituições públicas. O denuncismo protagonizado pelo MP no país já lhe rendeu críticas como a de ser uma instituição recheada de jovens promotores em busca de ascensão na carreira a qualquer custo, através da promoção pelos holofotes da mídia. Por causa de uma atuação às vezes exacerbada desses promotores, até políticos progressistas já chegaram a fazer coro com vozes reacionárias, cogitando a malfadada ideia da lei da mordaça para o MP. E há, finalmente, a imprensa, sempre voltada para pautar o escândalo na política. Escândalos vendem jornais e, em anos eleitorais, têm o poder de desqualificar hipotéticas candidaturas. Ou seja, interesses político-econômico-eleitorais
podem estar por trás da nobre função fiscalizadora da imprensa na seara dos escândalos políticos. Sejam quais forem as motivações daqueles para quem a desqualificação da imagem do Legislativo é potencialmente vantajosa, o fato mais importante a ser analisado é que essa desqualificação permanente – que no caso da Câmara de Londrina, vem desde a última legislatura – é prejudicial à sociedade. Escândalos no Legislativo interditam o debate sobre assuntos de interesse público, especialmente dos interesses da parcela da sociedade mais carente, sem força de representatividade no parlamento. Já a elite, personificada no empresariado, tem os seus lobistas para fazer representar seus interesses em encontros e conversas sem nenhuma cobertura da mídia. Os problemas dos bairros, aqueles que afetam mais diretamente a população, são deixados de lado, e os microfones da Câmara são ocupados por discursos sobre investigações e investigados. A agenda negativa toma conta da “casa do povo”, cujo virtual inquilino, desestimulado diante dos escândalos, acaba se distanciando do que é imprescindível para a resolução dos seus problemas: a participação política. Independente de algumas denúncias serem fruto de pura perseguição ou terem fundamento, ninguém discute que todas elas devam ser investigadas. O que seria desejável, no entanto, é que a imprensa soubesse analisar a gravidade e dosar a divulgação de cada caso. Dessa maneira, o Poder Legislativo, seja em âmbito municipal, estadual ou federal, teria tempo para cumprir sua missão: fiscalizar o Executivo e realmente trabalhar pelo povo.
editorial/expediente
Poder acuado
Edson Vitoretti
Esta revista é produzida pela turma do 3º ano de Comunicação Social - Jornalismo Noturno da Universidade Estadual de Londrina para a Profa. Dra. Rosane Borges na diciplina 5NIC030, Técnica de reportagem, entrevista e pesquisa jornalística III
Jornalista responsável: Rosane Borges Editores: Edson Vitoretti, Gabriel Oberle, Maria Amélia Gil e Roberto Alves Diagramadores: Fabrício Alves, Guilherme Costa, Guilherme Santana e Júlio Barbosa Repórteres: Gabriel Bandeira, Gabriela Pereira, Mariana Guarilha, Rodrigo Fernando, Allan Fernando, Iuri Furukita, Naiá Aiello e Vanessa Silva
Contato: jornalnoturno@gmail.com
ponto final 05/2010
Expediente
03
Aulas de dissecação
PONTO FINAL. 05/2010 04
Iuri Furukita Marina Silva, 52 anos, pré candidata (quem a chamar de candidata é repreendido por ela mesma) à presidência da República pelo Partido Verde mantém um ritmo típico de candidato. Na curta passagem por Londrina, concedeu entrevistas, reuniu-se com o partido, movimentos religiosos e empresariais. O último compromisso da agenda era uma pouco divulgada palestra na Universidade Estadual de Londrina. Quanto ao assunto, todo que se sabia é que era sobre educação, nada mais específico. Meia hora atrasada, Marina Silva pede licença para discursar sentada, agradece a presença de todos e começa a falar, pela única vez na palestra inteira, sobre educação: “A minha idéia é integrar a educação com sustentabilidade. E sustentabilidade em todas as suas direções, na econômica, política, social, ambiental, cultural e ética, principalmente política e ética. Mas antes, de falar de uma educação de qualidade, que vise resolver os problemas, vou fazer uma contextualização socioambiental do mundo em que estamos vivendo.” Pode-se dizer que a pré candidata se perdeu naquele “Mas antes”. Ela se esquece de voltar ao tema educação e faz sua pré-campanha. Os próximos 70 minutos de seu discurso são empregados para contemplar o lotado auditório com suas percepções de mundo. O clímax ocorre ao dizer que estamos no Armageddon climático. Nossas matrizes energéticas devem se tornar limpas imediatamente, inclusive antes de tentarmos mudar o modelo equivocado capitalista, afinal, de que adiantaria um sistema justo se a vida da Terra não existir? “As técnicas já estão desenvolvidas”, afirma, “o que falta é a ética de usá-las”. Faz muito sentido. Marina Silva está pronta para ser candidata. Suas respostas estão cada vez melhor construídas. No Youtube, Marina, diante da pergunta “quem você apoiará no segundo turno?”, responde com uma rodadinha na cadeira giratória e outra indagação “vocês já perguntaram isso para o Serra e a Dilma?”, arrancando risos da platéia. Na UEL, respondeu ainda melhor: “Quem não for ao segundo turno comigo, claro que vou conversar com ele...” e em meio ao delírio dos estudantes, que inclui um particularmente mal-educado, baten-
Fotos: Iuri Furukita
educação
Conhecer as entranhas do contrato indivíduo-Estado é para quem tem estômago
A pré-candidata pede para falar sentada ao lado do diretor do CESA Anísio Ribas e do Presidente do PV em Londrina, Marcos Coli
“Quando a tragédia é de todos, ninguém faz nada. Isso se chama tragédia dos comuns, em que todos pensam ‘a culpa não minha”: Marina Silva do uma cadeira de metal no chão, ela acrescenta: “ops, ele, já respondi, né?”. São concedidas apenas duas perguntas para a platéia, caso contrário ela perderia o vôo (parece que o PV não disponibilizou avião exclusivo). Primeiro uma jovem magra e nervosa enrola-se na própria fala, até que respira e pergunta cheia de preconceito aos industriais sujos e capitalistas, o que a précandidata pretendia fazer para deixar as indústrias mais limpas. Como boa parte da iniciativa verde é privada, Marina logo vai à segunda pergunta. Um homem ainda mais nervoso e atrapalhado, que logo ganha a antipatia dos presentes, diz ser cristão e considera a pré-candidata panteísta, dentre muitas outras afirmações, e pergunta se ela é a favor ou contra o aborto. Marina Silva tem a resposta na ponta da língua. Diz
“A esmagadora maioria dos cidadãos brasileiros não conhece a estrutura política da nossa sociedade” que é, pessoalmente, contra o aborto, que nunca faria ou concordaria com quem fez, mas não demoniza quem é a favor, muito menos quem abortou. Pelo contrário, entende e teme pelo futuro da mãe. Diz que, muito além da vida em questão, há de se pensar nas consequências psicológicas de quem abortou. Para além de sua opinião, ela defende um plebiscito para definir a questão e lembra ao homem de barba a fazer que, na verdade, isso seria uma questão do legislativo, pois não cabe ao presidente formular as leis. A pré-candidata acaba, sem querer, voltando a uma questão educacional. Analfabetismo político não é novidade. As pessoas lembram vagamente uma ou duas aulas sobre o que é Legislativo, Executivo e Judiciário. É consenso que o Legislativo faz as leis, o Executivo
Barbosa Neto declarou estado de calamidade pública ano passado. Seu objetivo era: a) Obter mais recursos federais b) Ganhar mobilidade burocrática c) Dramatizar para ganhar mais publicidade d) Calamidade pública é quando morrem mais de 100 pessoas Ministério Público faz parte do: a) Executivo b) Legislativo c) Judiciário d) N.D.A. Marina Silva é Senadora pelo Acre. Quantos senadores representam o Acre? a) Vinte e um b) Onze c) Quatro d) Três Quem escolheu Gilmar Mendes para cargo de presidente do Tribunal Superior? a) Lulinha paz e amor b) Os membros do Tribunal Superior c) Ayoub Hanna Ayoub d) Academia Brasileira de Letras
Infidelidade partidária é quando: a) Um político eleito sai do partido pelo qual se elegeu b) Um político não faz o que o partido definiu c) Um político muda de partido d) N.D.A
educação
Bom, eu sei que os leitores da Ponto Final sabem da existência do MP. E o que mais sabem? Arriscam um Quiz?
Foi o judiciário que: a) Aprovou as faixas exclusivas para ônibus b) Proibiu fumar em baladas c) Abaixou a tarifa de ônibus d) Julgou improcedente a acusação a Rodrigo Gouvêa Podemos culpar o Prefeito por: a) Insegurança nas ruas b) Buracos no asfalto c) A poda do mato d) Nomear incompetentes para resolver os problemas acima Tribunal de Contas da União (sim, existe outros, os estaduais) fiscaliza as contas: a) Do presidente b) Dos ministros c) De todo o Executivo Federal d) De todos e tudo
executa-as e o Judiciário... O que faz o Judiciário mesmo? Ah, julga se as coisas estão de acordo com a lei, ou não. Acertei? Mesmo sendo uma pergunta que induz ao erro, quase trinta (de quase trinta) entrevistados no calçadão não perceberam o erro em “Qual seria sua reação se o presidente Lula legislasse em favor do aborto?”. Sendo que todos responderam na pergunta anterior “Sim, sei mais ou menos o que faz o Executivo, Legislativo e o Judiciário”. A maioria sabia que os mandatos dos senadores são de oito anos, mas somente dois afirmaram que são fixos os números de senadores para cada Estado, e logo acrescentaram que somente o número de deputados é relativo à população. População ou número de eleitores? Antigamente existia a famosa maté-
ria Organização Social e Política Brasileira (OSPB), que era irmã da Educação Moral e Cívica. Porém, elas tinham um perfil ideológico forte, o ditatorial. Resolve-se substituí-las por matérias que levem os alunos a pensar, ao invés de serem meros agentes passivos. Filosofia e sociologia infelizmente não contemplam as entranhas governamentais. Hoje algumas aulas de história são reservadas para ensinar os três poderes e as atribuições de cada um, e as pessoas se lembram vagamente dessas aulas. O professor de economia política na UEL, Sinival Osorio Pitaguari, diz qual a consequência: “Um povo que não conhece quais os instrumentos de poder político que existem no país, dos direitos e deveres dos cidadãos e agentes públicos, deixa para apenas um pequeno número de pessoas utilizar a estrutura política
para proveito próprio”. A ideia é simples. A democracia só será boa para a população se, de fato, for uma democracia, se todos participarem. A oligarquia em que vivemos não haveria de ser outra coisa que não uma oligarquia. Pitaguari diz que o analfabetismo político não é uma especificidade dos brasileiros. Em lugares onde o voto é optativo a situação pode ser ainda pior. Outro agravador pode ser as eleições indiretas, em que o organograma político é extremamente complicado. No Brasil são todos eleitos diretamente, mas isso tem outra consequência: “Muitos cidadãos brasileiros só lembram que existem vereadores, prefeitos, presidente, deputados, etc. porque são obrigados a votar. Mas quantos sabem que existem outras estruturas do poder como o Ministério Público?”
PONTO FINAL. 05/2010
Respostas: Google tudo sabe. A ideia é que você se interesse.
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Tom Dib, Lancepress
esporte
Neymar é visto como uma grande promessa para copa de 2010
A vez de
Neymar
PONTO FINAL. 05/2010
Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Neymar e a campanha de jornalistas esportivos
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Por Rodrigo Fernando “Dunga convoca Neymar para a seleção brasileira”. Essa parece ser a manchete sonhada, não por torcedores, mas por jornalistas. Não há dia em que alguém na TV, jornal ou rádio não peça, implore, ordene que o jovem jogador santista dispute a copa do mundo de 2010. Sim, Neymar é um talento nato, acima da média, daqueles jogadores que despertam o desejo de assistir a um jogo. Dribla, corre, faz gol, encanta. Mas a obsessão dos repórteres e comentaristas de futebol não parece ser pelo garoto do Santos, e sim por colocar alguém na Copa. Foi assim com Ronaldo quando começou a fazer gols e jogar bem pelo Corinthians nas disputas pelo Campeonato Paulista e Copa do Brasil 2009, havia uma campanha clara prófenômeno. Mais tarde ele foi trocado por Ronaldinho Gaúcho: “ele voltou a gostar de futebol”, afirmavam em todos os programas de esporte. Ronaldinho e seu talento parecem terem ficado no esquecimento, o Gaúcho saiu de pauta. Logo ele, que Dunga teve que engolir nas Olimpíadas de Beijing 2008. Quando Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ordenou sua escalação. Dessa vez o técnico deu a entender que não aceitaria postura parecida do dirigente para escalar jogador. De repente o grupo fechado defen-
Apesar de pressionado, Dunga diz que não convocará o garoto do Santos para a Copa de 2010 dido por Dunga tem uma abertura. Ele que defende ferrenhamente uma postura profissional de seus comandados tem entre seus homens de confiança, Adriano, o problemático camisa 10 do Flamengo. As polêmicas em torno do “Imperador” abrem espaço para os jornalistas técnicos, que já haviam se frustrado nas tentativas de levar Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho para a África, lançarem campanha por Neymar.
O atacante do “Santástico”, como vem sendo chamado o time do Santos, tem 17 anos, a mesma idade que Pelé tinha quando brilhou na Copa de 50, apontam seus cabos eleitorais - entre eles o próprio Pelé e outro símbolo do futebol arte, Zico - para ele jogar ao lado de Kaká, Julio César e companhia. Dunga foi obrigado a levar Ronaldinho para a China há dois anos, mas não parece disposto a ceder a pressões sejam elas da imprensa ou do comando da Confederação Brasileira de Futebol. O técnico, que gosta de exaltar sua pose de durão e independente não aceitará mais nenhuma imposição. Neymar joga com a bola no chão, com dribles desconcertantes, faz verdadeiras pinturas em campo, humilha zagueiros e goleiros. Suas jogadas fazem os saudosistas lembrarem o Brasil de 70, de 82 e 86. Seleções dos lances bonitos, a primeira campeã, as duas últimas, infelizmente, só nos lances bonitos. Mesmo com seu futebol arte, o camisa 17 do alvinegro praiano não tem experiência para uma Copa do Mundo, ainda não disputou uma competição como a Libertadores onde os zagueiros batem e o juiz deixa o jogo correr. Mas que não entristeçam seus admiradores, Neymar ainda vai disputar três ou quatro Copas e terá a chance de mostrar se merece tantos elogios em 2014 no Brasil. Até lá.
cultura
Do papel ao filme
O livro Os Meninos de Kichute acaba de ganhar versão em cinema. Márcio Américo, escritor do livro e co-roteirista do filme, conta como narrou a história de um tênis que marcou época
Beto, protagonista do filme, com seu sonho de se tornar jogador de futebol
PONTO FINAL. 05/2010
Fotos: Divulgação/Site Oficial
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cultura PONTO FINAL. 05/2010 08
Gabriela S. Pereira Década de 1970. Repressão, milagre econômico, Copa do Mundo e um time de futebol em um bairro de uma cidade do interior. Esse é o resumo da infância de muitos “jovens de 40 anos”, inclusive o de Márcio Américo, escritor, humorista de stand-up e autor do livro Os Meninos de Kichute. Para muitos jovens, o tênis Kichute não tem relevância alguma, porém, pais, irmãos e até mesmo avós conhecem a simples marca de tênis que carimbou uma década. “Se você falar com qualquer pessoa de 40 em diante, quando se fala Kichute dá para perceber que é uma palavra mágica que remete diretamente à infância das pessoas dessa idade. Porque era o tênis mais popular dos anos 70”, conta Márcio Américo. O livro narra a história de Beto, menino de 12 anos que sonha em ser jogador de futebol, ou como o próprio personagem diz: ”o goleiro da seleção brasileira”. O sonho do garoto é interrompido pelo seu pai, que, cuja religião não permite participações em competições. Estruturado em contos, o livro é um romance escrito em 2000 por Américo, com a intenção de retratar a sua infância na Rua Ivaí em Londrina. “Eu queria escrever sobre a minha infância, mas a primeira coisa que eu pensei antes de começar a escrever é que essa fase é igual para todos. Então, o que é que eu
“No dia em que eu comprei o meu primeiro Kichute Você não faz ideia qual era a força do meu chute. Driblei quase o time inteiro Meia lua no goleiro Levantei, dei de voleio. Mas agora estou por cima, com meu pisante invocado. Chuto tudo que encontro preciso tomar cuidado...” (Letra: Meu primeiro Kichute - Arganaz)
O time de Beto chega com seus Kichutes novos para mais uma pelada no campinho, onde nem sempre levavam a melhor
Do livro ao filme Em uma visita à Londrina, ao desenrolar da uma gravação do documentário, Heróis da Liberdade, em 2005, Lucas Amberg, formado em Cinema pela Escola de Cinema de Los Angeles, conheceu o livro de Márcio Américo. Foi saudosismo à primeira vista, logo após a leitura da obra o contato foi feito com o autor: “O título mexeu com ele. Ele me ligou e falou que queria comprar o direito do livro, nós conversamos e coloquei um adendo: eu posso te vender os direitos, mas eu quero fazer o roteiro junto.”
cultura
A produção do roteiro foi pautada inteiramente no livro Os meninos de Kichute. Em relação às locações da filmagem, Américo explica que foram feitas reproduções fiéis aos locais onde a história se passou. “As locações são as que estão no livro, a escola, o ferro velho, a casa do Beto, a rua. O Lucas esteve aqui esse ano para conhecer os lugares em que se passa a história: Grupo Escolar Rui Barbosa, o campinho do Pinga Sangue e a minha antiga casa.” Apesar do enredo do livro se passar em Londrina, as filmagens foram feitas em Piracaia, interior de São Paulo. Segundo Américo, a estrutura do local se adequava ao desejado, já que o estado de conservação dos antigos lugares não estava agradável. “Nós achamos um grupo escolar lá [Piracaia] muito bonito que ficou melhor até do que se fosse feito aqui em Londrina. A casa do Beto nós construímos, compramos peroba do Paraná e nossa cenógrafa construiu a casa. O cinema era uma boate antiga que foi toda adereçada com cartazes de cinema da época”, conta Márcio Américo.
“As pessoas com mais de 40 anos vão se emocionar ao rever a sua realidade no cinema”, afirma Márcio Américo, escritor do livro e co-roteirista
Lançamentos O lançamento do filme ainda não tem data confirmada, mas a previsão é lançálo próximo a Copa do Mundo deste ano. Já o livro de Márcio Américo, após a filmagem do filme, ganhou nova versão, que será lançada no final de abril, com nova capa, novas histórias, mas ainda recheado de saudosismo. Mais informações sobre o filme no site: http://meninosdekichute.uol.com.br/site/index.php
Ki... o quê? Tênis no pé. Bola no chão. Anos 70, Kichute. Bom resumo? Para muitos sim. Se você tem menos de 30 anos, provavelmente nunca ouviu o nome da marca que marcou a infância de muitas crianças, cada qual a sua maneira. Mistura de tênis, chuteira e preço bom. O calçado era produzido no Brasil, teve seu ápice entre os anos de 1978 e 1985. Suas vendas ultrapassaram a marca de 9 milhões de pares por ano. Pouco? Enganou-se quem disse sim. Uma época de recessão, inflação em alta e pouco dinheiro no bolso. Mudou de ideia? Pois é, Kichute foi a sensação nacional, sem sombra de dúvidas. A turma do Kichute usava o tênis em qualquer ocasião, a diferença estava apenas na forma de amarrar. O cadarço do calçado era grande e por isso devia ser bem ajustado a cada lugar: para missa, apenas um laço; para o aniversário de amigos um bom nó e para o jogo de futebol com os amigos do bairro, o cadarço tinha de ser entrelaçado na canela e finalizado com um bom nó. Apesar de seu sumiço, o tênis nunca deixou de ser produzido e com revival dos anos 80 é utilizado em desfiles de moda de grifes nacionais.
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vou falar da minha infância que vá interessar um leitor?” Esse foi o start para o escritor tratar de um assunto um pouco mais profundo: a luta de classes. É com os olhos de um garoto de 12 anos que as desigualdades de uma época são retratadas. Enquanto famílias inteiras de classe média e alta se preocupavam com as exigências do governo, bairros afastados e com uma renda baixa não viviam a repressão imposta pelo regime. “Me ocorreu que eu poderia falar de luta de classes, o pobre contra o rico, o bonito contra o feio, o forte contra o fraco. E isso funcionou muito, então consegui com isso dar voz ao personagem. Uma criança falando com a inexperiência de uma criança e de forma muito bem humorada. Tem um trecho que o Beto fala que ele catalogou os pés dos meninos da Rua Ivaí: ‘Eu podia classificá-los e entendê-los. Começavam com os meninos descalços, os de chinelo, os de gongo, os de Kichute e os de tênis Adidas’”.
09
política
Uma nova rota para o
lixo e letrônico Reciclagem de lixo eletrônico pode
reduzir o impacto ambiental
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Vanessa da Silva
Greenpeace
Desde a invenção da lâmpada incandescente, um dos primeiros marcos da tecnologia, o americano Tomas Alva Edson sabia que o mundo não seria mais o mesmo. Daí para frente,mentes brilhantes passaram a se encarregar de novos inventos: a câmera fotográfica, o rádio, a televisão, o computador e, tantos outros itens tecnológicos que fazem parte da vida cotidiana. A criação de novas tecnologias revolucionou as formas de percepção e interação com o mundo e trouxe uma verdadeira Revolução Tecnológica. Hoje, preços baixos, constantes lançamentos e estabilidade econômica impulsionam o mercado e convidam diariamente a adquirir novos aparelhos. No entanto, com a mesma intensidade baterias, pilhas, teclados, chips de memória e até computadores ou televisores inteiros são descartados. Os resíduos eletrônicos, também chamados de e-lixo representam 5% de todo o lixo produzido no mundo. Segundo a organização não-governamental Greenpeace, no total, 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são descartados todos os anos. Só no Brasil, cada pessoa, abandona o equivalente a meio quilo deste lixo. Impacto Ambiental - De acordo com o Greanpeace, o e-lixo contém de 500 a 1 mil compostos diferentes, que descartados na natureza podem poluir o ambiente e prejudicar a saúde das pessoas. São metais pesados; mercúrio, cádimo e chumbo que, em sua maioria ainda são descartados em aterros, junto com o lixo doméstico.
Enquanto as grandes potências mundiais produzem lixos eletrônicos de última geração, o lixo resultante de toda essa tecnologia polui o meio ambiente de quem menos pode
Vanessa da Silva
PONTO FINAL. 05/2010
Vanessa da Silva
A Associação e-lixo recebe, por dia, 400 kilos de eletroeletrônicos Mas, para onde destinar os equipamentos que não se utiliza mais? O melhor destino para o e-lixo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), é a reciclagem. Algumas iniciativas ajudam a viabilizar a idéia. Como a Associação de Recicladores de Lixo Eletro- Eletrônicos de Londrina. Como a única da
região norte do Paraná, a Associação faz desde 2008, um trabalho de conscientização ambiental reciclando o lixo gerado pela cidade e região. De acordo com o coordenador da Associação, Alex Gonçalvez, o projeto foi idealizado para atender a necessidade de recolher o lixo eletrônico produzido pela cidade de Londrina:
Entre as maiores doações, estão televisores, ares- condicionados e computadores; e de acordo com o Greanpeace, o e-lixo contém de 500 a 1 mil compostos diferentes, que descartados na natureza podem poluir o ambiente e prejudicar a saúde das pessoas.
pamento tem preocupações com o ambiente e se recolherá as peças inutilizadas para reciclagem. Antes de jogar seu equipamento estragado, entre em contato com a empresa e pergunte onde as peças são coletadas.
2)
Prolongue a vida de seus aparelhos. Cuide bem dos seus equipamentos e evite trocas constantes.
3) Caso seja realmente necessário 4)
Informe-se e seja substituir seu eletrônico, quando um adepto do consuele ainda estiver em uso, doe para mo responsável. alguém que vai usá-lo.
“Via muitas carcaças de computadores jogados pela cidade e então, percebi a necessidade de fazer algo para mudar aquilo” Desde então, a organização recebe doações de materiais em desuso, que vem, principalmente, de empresas. Os equipamentos chegam montados e passam por uma seleção e separação
por categorias, como vidro, plástico e metal. Só no ano de 2009, 150 empresas doaram equipamentos. Além de ajudar o meio ambiente, a E-lixo Londrina, ainda faz um trabalho de responsabilidade social. Parte dos computadores em uso que chegam a Associação, são encaminhados a escolas e projetos assistenciais: “Já
ajudamos algumas escolas da região, como a Epsmel, que recebeu 40 computadores no ano passado. Agora, estamos encaminhando computadores para uma comunidade indígena de São Gerônimo- PR. Acreditamos sim, que temos a responsabilidade de fazer algo, não só pelo meio ambiente, mas por todas as pessoas.”
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1) Verifique se o fabricante do equi-
Fique ligado! Fique ligado! Fique ligado! Fique ligado! Fique ligado! Fique ligado! Fique liga
Fique ligado! Fique ligado! Fiqu
Seja um consumidor consciente e faça sua parte para ajudar o meio ambiente:
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Corset
out ou in
ile Wagenheimer e suas m Ca ” er ak m t se or “c a a eç Conh za e originalidade le be la pe am on si es pr im e criações qu Mariana Guarilha No passado o espartilho foi símbolo da opressão feminina, não só pela modificação causada no corpo da mulher, mas por que simbolizou muito bem as imposições que elas sofreram no auge de sua popularidade. Na era vitoriana, quando os exageros no uso do espartilho tiveram seu apogeu, criou-se toda uma visão da mulher, relacionada à fragilidade do sexo. Hoje sabemos que os desmaios e fraquezas eram ocasionados pela dificuldade em respirar e se alimentar, por conta da pressão nas costelas e órgãos internos, e não por causa de suposta fragilidade inata, como já se acreditou. Ainda que essa associação seja inevitável, a beleza da peça e a evolução dos materiais faz com que o corset,sua versão moderna, conquiste cada vez mais adeptas. E não somente as mulheres se rendem a peça feita com várias camadas de tecido com armação em barbatanas de aço. Pouco conhecida, a versão masculina do corset, foi usada até mesmo por soldados alemães na II Guerra Mundial, com o intuito de dar-lhes uma postura mais impressionante no campo de batalha. Há quatro anos confeccionando corsets, Camile Wagenheimer explica que a modelagem da peça exige um estudo prévio da anatomia de cada cliente, e ressalta a importância de uma visita ao fisioterapeuta, caso ele se decida pelo uso contínuo da peça. Essa recomendação se deve ao fato de com o efinitivas e oferecerem risco a alguns músculos e a coluna. Apesar das recomendações, Camile que também possui alguns corsets, confessa que nunca se consultou com ortopedistas ou fisioterapeutas a respeito do uso da peça que comprime as costelas, afina a cintura e reorganiza a estrutura de seu corpo. A profissional disse que usa o acessório de forma moderada para que sua coluna não seja afetada e os músculos apoiados pela peça não fiquem flácidos. A corset maker
moda Camile Wagenheimer
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Camile Wagenheimer Mariana Guarilha
conta também que nas primeiras semanas de uso do corset se sentia incomodada, principalmente nos primeiros dias, mas após acostumar-se passou a ter prazer no uso da peça, só descontinuando-o por causa das preocupações com a saúde. Já Anderson Sanchez conta entre risos que sofreu para manter-se em seu corset nos primeiros quatro meses. Usuário há um ano, ele afirma usar seu corset “tanto quanto pode”. A estrutura do corset é feita em barbatana de aço,que surpreende por não ser tão rígida quanto se imagina, mas com as várias camadas de tecido torna-se capaz de remodelar as costelas flutuantes. Um corset pode ser confeccionado em tecidos variados, garante Camile, desde que eles não sejam maleáveis demais para que não acabem cedendo com o uso. Outro detalhe presente na maioria dos corsets é o busk, estrutura central também em aço que serve para unir as duas extremidades laterais da peça, fechando-a, e que confere uma linha mais reta ao abdômen. Além dos corsets Não só de fazer corset vive Camile Wagenheimer. Ela também trabalha com diversos tipos de roupas, atendendo pedidos e levando em conta a personalidade de seus clientes. Mas é inegável o seu fascínio por peças que valorizem a feminilidade e envolvam quem as usa em uma atmosfera romântica. Conta que aprendeu a costurar motivada pela necessidade de reformar e customizar as próprias roupas. Sua primeira professora foi uma amiga de sua mãe, que como ela aprendeu a costurar com a prática do dia a dia. “De início quase acabei com todas as minhas roupas quando comecei a costurar, a ponto de ficar com três blusas e uma calça jeans no armário, pois eu queria dar uma nova forma a todas elas” – diverte-se. Há seis anos costurando, confidencia que já pensou em desistir da atividade e procurar um trabalho fixo, porém nunca conseguiu abandonar por completo a atividade, mesmo durante o tempo em que trabalhou fora. “Quando disse que pensava em parar de costurar, a maioria das pessoas me perguntava: mas não com os corsets, não é”? Conta. A corset maker também faz questão de evidenciar que seu gosto pela atividade vai além do domínio de uma técnica ou a esperança de lucros grandiosos :“Muita gente que chega aqui por indicação de um amigo como cliente, e acaba se tornando mais um amigo”, e cita Jack Mitchels, proprietário da rede de lojas Mitchel/ Richards, que ensina “Uma vez cliente, sempre amigo.”Bon di co terora, terum imis et perit perem con vehem renat vic orem obus. Ete te acchus C. Gulicaeli, sit, non speri consintum nimplis sendam perdiem qua Serfece rfectem inatil hementr actaris, notam. Ihilius et publium aus, quam vis adduc terfex nonsimus hac viris novenen ihicum que diem erfirmium, straes bone ficiam inat con ignone consuperis, opublii scrunum efecultorum patia rescis, Patiem, vivagitum locur quem sent? quo imilnem ompret; nerfecto co consisteri intem ducionsid int pl. Us,
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Mariana Guarilha
moda
C
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http://tinyurl.com/3aaqvam
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A cima a “corset maker” Camile Wagenheimer, na imagem a baixo as modificações dos “corsets” e suas décadas de uso
omo as mulheres
Antiguidade e Idade Média – Faixas de tecido proporcionavam suporte ao busto. Séculos XIII e XIV – As roupas passam a contar com materiais mais rígidos e armações incorporadas para modelar o corpo em uma forma mais esguia. O que deu origem ao “kirtle”, uma espécie de colete engomado e reforçado com cordas que faziam papel de barbatanas. O “kirtle” era amarrado na frente e com o tempo passou a ser utilizado por baixo das roupas. Mais tarde, populariza-se a ideia de separar o vestido em saia e corpete, e assim o corpete passa a ser feito com materiais mais rígidos, modelando o corpo e a saia pode ganhar os volumes graças a gomas e armações. É nesta época que passa-se a utilizar por baixo do Corpete, uma peça de tecido engomado, que viria a dar origem ao espartilho. Entre a Renascença e o Rococó, o espartilho foi sofrendo modificações menos drásticas: a cintura foi ficando um pouco mais baixa, começa-se a usar pequenas cisões na peça na altura do quadril para dar mais espaço ao mesmo, as alças se popularizam e o busto mais baixo faz com que os seios ganhem uma aparência mais natural. Século XVIII – O espartilho é quase completamente abandonado e há um retorno a valorização das formas mais naturais. O estilo neoclássico chegava à moda e trazia suas formas leves e fluidas. Porém, não se passou muito tempo antes que novos materiais trouxessem a peça de volta, especialmente a barbatana de baleia que possui flexibilidade e permi-
valorizavam seu corpo em diferentes épocas da história
Anderson Sanchez
tiria uma maior pressão na cintura. Século XIX – O busk é dividido em dois, e a invenção dos ilhoses faz com que a peça possa se tornar ainda mais justa sem danificar o tecido. É nessa época que as cinturas ficariam mais estreitas e os médicos mais preocupados. O “tight lacing” se populariza. Em tradução literal, a expressão significa laço apertado e define a prática de usar o espartilho ou corset por longos períodos, por mais de 16 horas consecutivas por dia. A prática que opera uma mudança na
silhueta pode trazer algumas complicações para a coluna e promove o enfraquecimento dos músculos. Século XX – Volta-se a valorizar as formas mais naturais do corpo, e o sutiã que já havia sido inventado ganha popularidade. Os tecidos elásticos também davam novas possibilidades de valorizar as formas. 1920 - É nessa época que as mulheres mais esguias passam a ser admiradas, e o espartilho começa a declinar. 1950 – Quando o “new look” do estilista Dior passa a valorizar novamente a cin-
tura de pilão, no máximo alguns cintos reforçados passam a marcar a região. 1980 – Vivienne Westwood e Jean Paul Gautier trazem para a moda elementos da fantasia e do fetiche, e junto com as correntes, o couro e o vinil, aparecem novamente os espartilhos, ou corsets. As subculturas punk e gótica também adotam o corset. 1990 em diante - O corset vira “coulture” e marca presença sempre em coleções dos mais cultuados estilistas e nas capas de revistas especializadas em moda.
economia
Bolsa de valores é um investimento possível Pouca informação e complexidade fazem o mercado de ações parecer um investimento inacessível para a maior parte da população Gabriel Bandeira
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As decisões de compra e venda das ações são tomadas com base nos gráficos de cotações
Gabriel Bandeira
Quando se fala em investir na bolsa de valores, muitas pessoas acham que é uma operação para quem tem muito dinheiro, complicada e com alto risco de prejuízo. Se comparado à população dos países desenvolvidos, os brasileiros desconhecem o assunto por não ter o hábito da compra e venda de ações como investimento, como meio de ganhar dinheiro. A procura maior ainda é pela poupança. Com a constante divulgação de notícias sobre a bolsa de valores nos meios de comunicação, a estabilidade econômica do Brasil, aliada à crescente busca de simplificação das ferramentas de operação na bolsa, a expectativa é de aumento da procura pelo mercado de ações. Para explicar de maneira simples, é possível ser um investidor individual, ou participar de um clube de investimentos. Nos dois casos é preciso contratar o serviço de uma corretora. De-
pois de receber as orientações de operação e ser cadastrado em um Home Broker (sites que interligam as corretoras ao sistema de negociação da BOVESPA através da internet e onde constam todas as informações relativas às cotações das ações), o investidor pode começar a comprar e a vender as ações. A operação pode ser feita pelo corretor, desde que receba a
Jovem investidor Mateus Vargas,19 anos, estudante de medicina, sempre teve curiosidade e quis aprender como investir na bolsa para ganhar dinheiro. Ao assistir uma palestra do consultor de empresas Stephen Kanitz, em outubro do ano passado, Vargas ficou realmente interessado no assunto e decidiu que era a hora de começar. Convidou mais dois amigos para a empreitada.
Os três juntaram três mil reais e procuraram uma corretora para investir. “O lado interessante é que você passa a observar e entender as políticas econômicas. Você se interessa pela revista Exame absurdamente, entende a política de juros, de câmbio, se interessa por fusões, compras e falências de empresas. Isso é muito enriquecedor”, explicou o estudante.
autorização, ou direto pelo investidor via internet em um computador pessoal. Num clube de investimento, um grupo de pessoas físicas se reúne e escolhe um representante para ficar em contato com a corretora, transmitindo as decisões acordadas entre os participantes. O número mínimo de participantes é três e o máximo é 150.
Arquivo pessoal
Mateus Vargas: “Para investir na Bolsa é preciso aprender sobre as políticas econômicas. Isso é enriquecedor”
Gabriel Bandeira
economia
Professor Nogueira: “Bolsa de valores é um investimento de médio a longo prazo”
lucro ou prejuízo. O professor enfatizou a importância da figura do especulador como um dos agentes fundamentais no mercado de ações, porque é ele quem investe grandes quantias em dinheiro e
mantém o funcionamento do sistema. O mercado de ações está diretamente ligado com a produção. Quanto mais dinheiro as empresas conseguem captar na Bolsa, mais elas investem na produção.
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Arquivo pessoal
Layout do Home Broker
Arquivo pessoal
A BOVESPA não exige uma quantia mínima para investir na Bolsa. Isso varia em função do preço das ações e da corretora. O corretor Marcelo Cordioli Félix acha que com 5 mil reais é possível começar. Chama a atenção para a importância de diversificar o investimento entre 4 ou 5 empresas confiáveis e de áreas diferentes, porque o ganho com ações de uma empresa equilibra a perda com outras. Félix explicou ainda que a cada transação de compra ou venda de ações é cobrada uma taxa de valor variável (entre 10 e 15 reais) pela corretora, mais uma taxa fixa de 0,33% (estipulada pela BOVESPA) do valor total da operação. Félix enfatiza que por mais que a Bolsa seja um risco, não deixa de ser um investimento, um meio de ganhar dinheiro. Por isso é preciso ter bom senso e agir com cautela para não ter prejuízo. As decisões devem ser tomadas sempre de acordo com a análise técnica dos gráficos e não apenas com base em notícias. O professor Antonio Eduardo Nogueira, mestre em Economia e chefe do Departamento de Ciência Econômicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), alega que a operação na bolsa de valores pode se tornar um bom investimento a médio e longo prazos para quem tem pouca experiência e dinheiro para investir no mercado de ações. O professor disse que a bolsa de valores passou a ter importância no Brasil a partir de 1994, quando o país começou a se tornar economicamente estável. Nogueira explicou que o mercado de capitais é importante para a economia porque as empresas conseguem captar dinheiro a um custo baixo para aplicar na produção. Dessa maneira, as empresas não pagam juros e sim dividendos. Dividem com os investidores as possibilidades de
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comunicação
Política com
Humor Por Naiá Aiello
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Uma brincadeira do jornalista Cláudio Osti que acabou se transformando em fonte sobre o que acontece nos bastidores da política de Londrina. Assim, o blog Paçoca com cebola, no ar há dois anos e meio e com quase dois mil acessos diários, viu a dimensão dos blogs ultrapassar a categoria do entretenimento e entrar no campo da informação, mesmo sem deixar o humor de lado. Na chamada “blogosfera” (universo dos blogs) espalham-se canais que falam sobre tudo o que você imaginar: moda, cinema, cultura, automóveis, maquiagem, futebol e até decoração. Além disso, a leitura diária dos blogs já se tornou parada obrigatória para a grande maioria dos jovens, democratizando a escolha do que as pessoas e, em especial, os jovens querem ler. Dono de uma assessoria em comunicação, Osti já trabalhou em diversas mídias dentro e fora da cidade de Londrina, como a TV Coroados, SBT, Jornal de Londrina, Folha de Londrina e até no jornal esportivo Lance!. Mas somente com o blog foi possível usar a experiência como forma de expressão e de liberdade editorial. “Em todos os anos em que trabalhei na televisão, sofri censura apenas em alguns momentos. Não vou mentir e dizer que fazia tudo que queria, é preciso seguir a linha editorial do jornal”, afirma Osti. Segundo ele, a principal diferença do “Paçoca com Cebola” com os veículos tradicionais nos quais trabalhou é não possuir vínculos financeiros com terceiros e, portanto, uma linha editorial formada por ninguém senão ele, o dono do blog. “Talvez porque eu não ganhe dinheiro algum, não tenho compromisso com nada, só a diversão,
essa é a minha premissa em tudo que faço”, relatou o dono do blog. “Se as pessoas quiserem ler e gostarem, melhor, mas o objetivo inicial do blog é me divertir”, completou. Inicialmente, a intenção do blog era reunir montagens fotográficas, valendo-se da crítica política, para aproveitar as informações que Osti recebia por ter trabalhado como jornalista especializado em política durante vários anos. A dificuldade em conciliar as postagens do “Paçoca com Cebola” com o trabalho em assessoria de comunicação, causou transformações importantes na estrutura do site: as montagens foram transformadas em notas diárias, no formato de uma coluna política, semelhante aos jornais impressos. “Com isso, comecei a imprimir um pouco mais de seriedade ao blog, o que fez com que os acessos começassem a aumentar cada vez mais”, afirmou. Com mais de vinte notas publicadas por dia, o blog tem atualmente quase dois mil leitores diários de todos os lugares, mas principalmente do estado do Paraná e da cidade de Londrina. O blog alia os acontecimentos sobre política com o ponto de vista e crítica de um jornalista experiente, diferentemente dos portais de notícias que buscam a imparcialidade. “Os blogs são muito pessoais, partem sempre da experiência e da opinião de quem escreve. As pessoas acessam para saber a opinião do dono do blog, e não apenas uma versão dos fatos”, afirmou Osti. Mesmo sendo um veículo independente e pequeno se comparado à televisão e ao rádio, ainda são possíveis realizar pequenos ‘furos’ e apurar uma informação antes de qual-
Naiá Aiello
Com mais de dois anos de existência, o blog ‘Paçoca com Cebola’, do jornalista Cláudio Osti, virou referência em política na cidade de Londrina e região
“O objetivo inicial do blog é me divertir”
quer meio de comunicação. “Recentemente, publiquei uma nota dizendo que o prefeito iria trocar o secretário da fazenda. Ele ficou sabendo que a informação saiu na mídia e desistiu, mas, algumas semanas depois, trocou por aquele que foi citado na nota como o novo secretário da fazenda da cidade”. Uma das coisas que mais chama atenção em relação ao blog é o nome: “Paçoca com Cebola”, título divertido para um assunto tão complicado como a política. Engana-se quem imagina que o nome faz referência a algum episódio particular do jornalista ou tenha algum significado com relação à política. “Eu poderia inventar várias teorias para explicar o nome, mas não é nada disso, o nome também surgiu como uma brincadeira. Achei o nome sonoro e assim ficou”, contou. Inúmeras sugestões e pedidos chegam ao jornalista para que o nome seja mudado, o que facilitaria os outros veículos de comunicação para dar crédito às informações retiradas do site. “A maioria das vezes que os meios tradicionais utilizam o blog como fonte, não informam de onde retiraram a matéria, o que é uma coisa normal quando se fala em blog, até mesmo pelo nome que leva”, conta. Um episódio engraçado, segundo Osti, foi uma crítica de um leitor, que afirmava não ser possível acreditar em um blog que leva o nome de “Paçoca com Cebola”. “Tudo bem, então não acredite”, ri o jornalista.
Detalhe de parte do calçadão já reformada em paver, e ao lado o calçadão ainda em petit-pavet, com seu desenho e cores originais
reformas significativas, desgastandose com o tempo e evidenciando o descaso do poder público com o nosso patrimônio. Após a situação se tornar um verdadeiro descalabro, a reforma do Calçadão foi então finalmente projetada e incubada num sofrível vai-não-vai. Por milagre e muita discussão posterior entre seus realizadores, acabou saindo. Mas se depender de parte da população londrinense, deverá ser refeita. Motivos são variados, desde os simplistas “ficou feio” até os mais tradicionais “acabaram com nosso cartão postal”. Particularmente, concordo com o primeiro. Ficou feio. Independente de gosto, o que não dá para se entender é como uma obra desse porte pode ter sido realizada sem uma prévia consulta pública e com tanto descaso da imprensa, que só passou a reclamar quando a obra estava próxima de ser finalizada. Diz o atual prefeito, Homero Barbosa Neto, que os cidadãos londrinenses decidirão o futuro da reforma do Calçadão. E se tiver que refazer? São pouco mais de 500 mil reais jogados fora? Fica a dúvida no ar. Até que se decida a continuidade da reforma, o Calçadão é uma incógnita. Ou melhor, com o forte tom acinzentado deixado pelos blocos de concreto paver, transforma-se num verdadeiro cimentão.
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Alan Fernando A jovem história da cidade de Londrina é marcada por constantes mudanças em sua arquitetura. Em 1968, a Catedral Metropolitana construída dezenove anos antes e a segunda após a fundação da cidade foi totalmente demolida para dar lugar a uma construção mais imponente, marcando o ritmo de crescimento acelerado ao qual se encontrava a recém-nascida de pés vermelhos. Em 1998 foi a vez do Terminal Rodoviário, cujo projeto anterior – considerado um marco da arquitetura moderna no Paraná – já não comportava mais o fluxo de uma cidade que via limite apenas no céu – à época, ao menos. E assim a arquitetura de Londrina foi se moldando e crescendo em uniformidade com a cidade. Mas talvez nenhum dos projetos citados tenha causado tanto rebuliço quanto o da primeira etapa da reforma do Calçadão, concluída na última sexta-feira, dia 30. Com o famoso desenho monocromático formado pelo petitpavet, o Calçadão de Londrina, implantado em 1977 com projeto de Jaime Lerner e Hely Bretãs, logo se tornou um dos principais cartões postais londrinenses, além de brincadeira favorita das crianças, que escolhiam se pisavam somente no branco ou no preto. Desde sua inauguração, contudo, há 33 anos, o cartão postal nunca passou por
opinião
Cimentão
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