SOB
BALAIO - JORNAL LABORATORIAL DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA // JANEIRO DE 2014 // ANO 13 Nº 35
PRESSÃO
MÚSICA
Balaio
Maria Braga fala de sua carreira P.06
Jessica e Viviane exibem as mesmas páginas de seus Destrua este Diário Foto: Leticia Lima
Livro pede para ser destruído Criado pela ilustradora canadense Keri Smith e publicado pela editora Intrínseca, Destrua este Diário estimula que o próprio leitor componha as páginas, estando livre para interpretar a obra como quiser Giovânia de Alencar e Lígia Costa
Destrua este Diário (Wreck this journal) propõe ao leitor uma nova perspectiva de interação. O livro sugere a realização de uma tarefa diferente e destrutiva a cada página, com um total de 224, não deixando escapar nem a capa (que sugere modificação) e a contra-capa (que indica o envio do livro para si mesmo pelos correios). Apesar de apresentar breves instruções no início da obra, Keri deixa clara a livre realização das atividades que as pessoas têm com seu Diário por meio das seguintes proposições: “leve este livro para todos os lugares”; “siga as instruções de cada página”; “interprete as instruções como preferir”; “experimente, contrarie seu bom senso”. Em 2012, segundo o jornal canadense The Globe and Mail, o Destrua
este Diário ficou na lista dos livros mais vendidos do Canadá. Lançado no Brasil em novembro do ano passado, o Diário também alcançou um sucesso de vendas aqui. De acordo com o site especializado em mercado editorial, Publish News, desde janeiro de 2014 o livro permanece em primeiro lugar de vendas nacionais na categoria de não-ficção. Para exibir seus diversos feitos criativos, muitos leitores recorrem à internet, onde compartilham suas páginas em imagens, textos e vídeos. Só a fanpage (facebook.com/destruaestediario) contém mais de 96 mil seguidores. Ela é atualizada todos os dias e também é acompanhada por quem não possui o livro. É o caso de Fernanda Façanha, estudante de Jornalismo, que segue a página com o único propósito de apreciar a criatividade das pessoas. Para ela, as
“destruições” são símbolos de competência e responsabilidade, pois “querendo ou não dá um trabalho, é um esforço extra”. A questão do tempo a ser investido também é tratado na obra. Logo no começo, Keri apresenta os materiais necessários para a produção das páginas do livro, sendo o tempo um dos requisitos necessários. “Criar é esculhambar” Em entrevista à Editora Intrínseca, a autora conta sobre as cobranças perfeccionistas que percebe estar presente na sociedade moderna. O intuito de Keri Smith, enfim, era criar um livro em que a autonomia e a liberdade criativa de cada leitor se mantivessem em evidência, como anuncia logo nas primeiras páginas a essência da obra: “criar é esculhambar”.
Porém, há quem critique a proposta da obra. Brennda Hipólito, por exemplo, estudante de Administração, 19 anos, considera desnecessário. “O livro desperta a criatividade, porém sem propósito, sem um fim específico. Não proporciona edificação”, critica. Vanessa de Carvalho, estudante de Jornalismo, 19 anos, opina de forma semelhante. “De cara, eu já achei desnecessário. Sinceramente, não tem muita utilidade na nossa vida”. Para ela, existem açõe mais proveitosas a se realizar. “Você só vai perder tempo fazendo essas coisas. Acho mais útil você escrever um acontecimento do seu dia, do que ficar desenhando no Diário, pisando em cima dele”, argumenta. Carlos Velazquez, professor do curso de Belas Artes, aponta, após analisar a proposta do livro, para a forma como a cultura moderna trata a arte. “Se você
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percebe a arte através da Era Moderna, é uma coisa que está aí para você ver e não para você curtir. A música é para escutar numa sala de concerto, a dança e o teatro é pra ver lá no palco e não para você participar do ritual”. Ele afirma que um vazio vai se formando no relacionamento das pessoas com a arte. “Chega um momento em que a arte já não dá mais conta das nossas necessidades anímicas, espirituais. O que pode ajudar a preencher esse vazio que o pensamento científico nos levou? Pegar uma coisa sagrada, como o livro, e você esculhambar, mexer, rasgar, fazer com ele o que quiser”.
Algumas “destruições” de Marcella Bezerra Foto: Arquivo pessoal
Destruir x conservar Em diversas páginas a autora propõe o desapego, mandando rasgar, dar sua página favorita a alguém, fazer um movimento brusco, entre outras ações. Porém, até pelo seu caráter de livre interpretação, é possível não participar desse profundo desapego e destruição da obra. Viviane Sampaio, estudante de Publicidade, conta que sua atração pela obra se deu quando ela começou a observar algumas construções que não eram de fato destrutivas. Ela ressalta que pretende “guardá-lo eternamente” e, por isso, não concorda com a destruição proposta pelo livro. “Eu não acredito que ninguém queira guardar um livro que esteja destruído”. Jéssica Sousa, também estudante de Publicidade, diz que comprou com o intuito de aflorar sua criatividade. Ela conta que gosta de pensar antecipadamente o que criar em cada página e revela não ter coragem de fazer tudo que a obra pede. “Eu tenho medo de acabar e tem coisas que não vou fazer, como arrancar a página e molhar. Eu vou destruir da minha forma e vou guardá-lo”. Quanto à frase de abertura do livro, que diz “Criar é esculhambar”, Jéssica acredita que isso “depende de como você enxerga. A au-
tora não usou o termo ‘esculhambar’ no sentido ruim, de ficar horrível”. Arte para quem? Até mesmo entre as pessoas que criticam a obra, a ideia de que esta pode ser encarada como artístico é observada. Segundo a estudante Brennda Hipólito, ainda que “desperte a criatividade sem um fim específico, toda forma de expressão deve ser considerada como arte”, avalia. Embora reconheça a não aptidão das criações do Destrua este
Diário para um museu, por exemplo, o professor Velazquez, quando questionado sobre o caráter artístico da obra, é categórico. “Sem medo de errar, eu digo que é arte. A arte, a rigor, não significa outra coisa, senão técnica. Mas isso não significa que você vai pegar seu Diário e expôr num museu. Desse ponto de vista estrito, político e consumista, a gente não pode chamar isto de arte porque não se enquadra nos critérios que foram colocados pelos órgãos legitimadores”. Viviane defende que o Diário é óti-
mo para quem é da área de Comunicação Social, por possibilitar mais contato com cores, formas, desenhos e criações diversas. “Se eu gosto de poesia, posso encher meu livro de poesia. Se eu gosto de filme, posso encher de filme. Se eu gosto de destruir, posso destruir também”. Na opinião dela, a obra não faz muito sentido às pessoas que sejam de outras áreas. “Criticar a proposta do livro é a cara de gente que não é da Comunicação”. A estudante de Direito Marcella Bezerra concorda que seu curso acaba prendendo um pouco o lado artístico das pessoas. Mesmo perto de se formar, sente dúvidas constantes a respeito da sua área, sempre considerando seu lado artístico muito fluente em sua vida. Ela encara o Diário como um resgaste ao tempo em que não tinha compromisso com a faculdade. “Desde criança eu adorava pintar e desenhar, aí fui crescendo e ficando sem tempo pra fazer essas coisas. Eu faço Direito, num tem nada a ver, né? Eu tava precisando de algo para fluir o meu lado artístico, que estava preso por causa do meu curso, que é muito assim, certinho e tudo mais”, enfatiza, aliviada. Marcella diz, ainda, que se considera um pouco deslocada no curso. “Todo mundo lá gosta das mesmas coisas. Todo mundo é meio patricinha, mauricinho. E aí eu vou lá toda diferente”. Revela, também, às vezes pensar que se estivesse em uma faculdade diferente talvez fosse mais feliz, citando a Arte como exemplo de atuação, ao justificar que se diverte muito fazendo o Diário. Para ela, a criatividade está presente em todo mundo, não importa o curso ou como a pessoa se sente, e o livro ajuda bastante a desencadear isto até nos que se consideram incapazes. “Eu acredito que todo mundo tem criatividade, basta você sentar um pouquinho e começar a fazer”.
Editorial Caro(a) leitor(a), esta é a segunda edição do caderno cultural que vem encartado ao jornal Sobpressão. Com objetivo de inovar tanto na estética, quanto no conteúdo, o Balaio tem o intuito de abordar pautas relacionadas à cultura e entretenimento, em geral. Neste número, você saberá um pouco do caráter inusitado que o livro Destrua este Diário, de Keri Smithi, possui – obra com recorde de vendas nas livrarias de Fortaleza. Um dos textos que vem em uma das suas páginas do livro, intitulada “Descreva em detalhes um evento chato”, ilustra a coluna de Literatura do Balaio. A edição também traz a recente polêmica que envolve a Praça Portugal, objeto de um projeto de reforma por parte da Prefeitura. Ouvimos as pessoas que lá frequen-
tam para saber suas opiniões acerca do projeto. Sabendo da importância e da essência construtiva para a formação de estudantes da nossa região – Fortaleza –, o Balaio também falou sobre a Escola Porto de Iracema das Artes. Para as colunas Da Hora e Mó Paia você vai conhecer alguns aplicativos úteis para a organização da rotina, e o descaso de alguns motoristas de ônibus em Fortaleza, respectivamente. Para o Ensaio fotográfico, o caderno traz uma série da região Cariri, registrada por Eduardo Cunha, estudante bolsista do PhotoNIC. O caderno também apresenta uma cobertura do evento Unity Tour, que ocorreu no Mídia Interativa do Núcleo Integrado de Comunicação, para apresentação de uma plataforma de desenvolvimento de games. Sobre a influência e a ajuda que as redes sociais contribuem
para profissionais ilustradores, o Balaio conversou com Jadiel Lima, Paula Siebra e Pedro Augusto. O tatuador Maurício Lima concedeu uma entrevista para falar um pouco das peculiaridades do seu trabalho. Em evento ocorrido na Unifor, sobre efeitos especiais na produção de filmes, o caderno apresenta cobertura e entrevista com Jason Bayever, responsável pelos efeitos de Aventuras de Pi, filme ganhador de quatro Oscar, em 2013. Na coluna de Música é abordado o sucesso da cantora Marina Braga, que conseguiu se destacar através do seu canal no Youtube, já se apresentando na TV Diário, na TV União e na Rádio Unifor. E, para a coluna de Filme, o caderno apresenta o clássico Acossado, de Godard. Deguste o que preparamos aqui e tenha uma boa leitura!
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Unifor recebeu evento sobre games
Literatura
Descreva em detalhes um evento chato Giovânia de Alencar
A Universidade de Fortaleza recebeu, em junho, o Unity Tour, evento realizado pela Unity Technologies, no intuito de promover seu programa de ferramentas digitais para elaboração de jogos Jay Santos ensina como usar a ferramento Unity durante workshop Foto: Thiago Gadelha
Edinardo Coelho e Gustavo Nery
Com presença de 24 convidados, entre alunos e funcionários da Universidade, o acontecimento foi conduzido pelo paulistano Jay Santos, atual representante exclusivo da empresa na América Latina. “Um estudo feito recentemente por uma equipe de pesquisadores da USP mostrou que 85% das empresas brasileiras no ramo de jogos utilizam a Unity”, destacou Santos, que é encarregado de apresentar o produto às universidades e empresas que se sobressaem nessa área. De acordo com ele, o principal objetivo do programa é permitir que qualquer pessoa, independente da experiência com programação, consiga criar um game. É em razão disto que um dos diferenciais do produto é ter uma versão gratuita para download disponível, que permite aos usuários iniciantes aprimorar suas técnicas com o intuito de ganhar destaque no mercado. De acordo com Jay Santos, na última edição da Worldwide Developers Conference, premiação anual da Apple que elege os melhores jogos, dois terços dos premiados foram feitos em Unity, o que representa
um número bastante significativo. “A minha experiência com o Unity foi bem curta, eu só o utilizei pra fazer um jogo da velha. Hoje, com o workshop, estou aprendendo muita coisa nova, como colocar um cursor de Fpas e como inserir hierarquia nos objetos”, afirma Maurício Dantas, estagiário do Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação (NATI), da Unifor. Distribuído em dois workshops voltados para a criação de jogos 3D e 2D, o evento ocorreu no Mídia Interativa do Núcleo Integrado de Comunicação, e teve organização do professor coordenador da célula, Lima Júnior, e Nílbio Thé, professor do Curso de Especialização em Animação e Jogos Eletrônicos. O objetivo principal foi apresentar o programa para um público específico. “A gente está com ideias, com empolgação de implantar um curso de jogos aqui na Unifor, e um dos programas que nós precisamos é justamente esse”, explicou Thé. Confira entrevista com Jay Santos no blog do Labjor:
As mulheres me entenderão, os homens saberão ao menos do que se trata. O que se passa dentro de mim é ódio demais pra ser só meu, por isso eu preciso berrar esta dor. Tem sangue expelindo do meu corpo e uma dor análoga a uma facada dada de surpresa bem no estômago. Tem todo sentimento de ódio se derramando em mim. Sujo-me de insatisfação porque nem serotonina e remédio algum cura isto. Tem tanta coisa ruim pedindo para ir embora que a frustração maior é a obrigação de colocar o pé no chão e viver. É tanta raiva brotando que chego a imaginar qual sentimento prevalece. Ah, esses seres malditos do sexo oposto que pedem cumplicidade. Ética, moral, ou qualquer outro nome que já tenham dado para prática equivalente, que se danem. Tudo é permitido quando uma mulher se encontra nesse estado. Meu corpo grita todos os sentimentos ruins, saindo do indiferente até chegar no estado de desejar mal a todos os seres – dos mais desconhecidos e insignificantes possíveis. Desejar que as pessoas sofram e morram bem na minha frente parece absolutamente divertido e normal. E, como se não me bastasse o horror da periodicidade mensal, tenho que preocupar-me com a aparência. As mulheres são educadas a terem preocupação máxima com a aparência, como se a higiene não fosse o bastante. Seja branco, claro ou escuro, o tecido que envolve suas entranhas tem de estar completamente limpo. Essa ideia do vermelho representar o desastre parece fazer sentido, finalmente. Aparentemente, as pessoas não estão preparadas pra ver sangue escorrendo pelas pernas de uma mulher. É muito incômodo visualmente terem que notar uma mancha vermelha em uma peça de roupa feminina e associar, involuntariamente, que aquilo tenha sido brotado de uma vagina – falar isso chega a ser obsceno, indelicado, ofensivo, ou seja lá quais sinônimos mais corresponderem a isto. É muito indignante ver uma mulher deixando de lado toda sua tortura pra conservar seu aspecto superficial. Frustrante imaginar que já passei por isto. Preocupar-me com os outros enquanto morro aos poucos, sangrando compulsivamente. Anormal mesmo seria se não manchasse, não sangrasse, não doesse. Infelizmente, pra esta dor não existe o compartilhar, no sentido de fazer com que os outros sintam um pouco do que é individual, a fim de sentir algum alívio. Há, no máximo, o lamento atirado por todos os lados. A verdade é que, em cada mês, existe uma experiência diferente a ser vivida. Um só útero é capaz de testemunhar vários eventos distintos, cada qual com sua proporção única. Uma dor que mulher nenhuma é capaz de descrever detalhadamente o que ocorre exatamente com a gente. Homens, agradeçam. Melancolia e raiva é muito pouco pra tanta dor aqui dentro.
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Profissão: Tatuador Maurício Lima, 26 anos, trabalha como tatuador desde 2007 e, atualmente, é dono do estúdio Ateliê do Mau, inspirado em seu próprio nome. Em entrevista ao Balaio, ele conta as dificuldades e os preconceitos que passou no início de sua carreira
Balaio: O que motivou você a ser tatuador? Maurício Lima: Os meus amigos (risos). Antes, como muitos jovens, fui vendedor de loja de roupas, mas não era o que eu queria para mim. Meus amigos falavam que eu desenhava muito bem e que deveria ser tatuador. Então, um deles me chamou para abrir um estúdio em Natal, eu como tatuador e ele como bodypiercing. Ganhei meu primeiro aparelho profissional de tatuagem e nunca mais parei. B: O que é fundamental para ser um bom tatuador? ML: Paciência e dedicação. Desenhar é importante, mas mesmo se você não desenhar muito bem, com dedicação e com vontade, você se torna um bom tatuador. B: Você já sofreu algum preconceito por ter tatuagem ou ser tatuador? ML: Por ser tatuador não, mas por ter tatuagem sim. Você percebe
Pesquisa realizada com 114 pessoas
Com tatuagem
Das 50 que não têm, apenas 13 não querem fazer tattoo futuramente
Como são julgados
Maurício Lima trabalhando em seu estúdio Foto: Camila Mathias
Camila Mathias
Pesquisa
as pessoas olhando para você de maneira diferente, mas minha educação me ensinou a não me importar com isso. Eu sei o que eu tenho marcado no meu corpo e gosto muito. B: Qual é o maior receio das pessoas que buscam fazer tatuagem? ML: O medo da dor é mais comum na primeira tatuagem, mas como muitos que se tatuam comigo já fizeram mais de uma, já sabem como é e o medo da dor não é tão presente. Mas o do arrependimento é bem normal. B: E como isso acontece? ML: Percebo quando o cliente pode se arrepender quando tem muita dúvida sobre o que quer tatuar. Eu evito esse tipo de pessoa. Nesse caso, peço para que ela vá para casa e pense melhor no assunto e, quando tiver certeza, voltar para eu fazer a tatuagem. B: Quais as tatuagens mais pedidas?
ML: Eu não tenho um padrão, eu não sigo uma linha. Faço desde fechar (cobrir totalmente uma parte do corpo com tatuagens) perna, braço e costas, até tatuagens pequenas, como coração e borboleta. Não tem uma tatuagem mais pedida, sou bem eclético e tatuo de tudo. B: Você já recusou alguma tatuagem e sugeriu outra? ML: Como profissional não posso recusar, mas sempre aconselho sobre o que tatuar, pois é meu nome que está em jogo também e se a pessoa não gostar da tattoo a culpa vai para quem fez o trabalho. Assim, sempre dou minha opinião e ajudo os clientes. Por exemplo, pessoas chegam aqui querendo fazer tatuagem do nome da namorada ou do namorado. Eu digo que nem sempre se tem a certeza que no outro dia vai estar com a pessoa, a paixão pode acabar e nesses casos aconselho a tatuar um símbolo do relacionamento, porque, se chegar ao fim, não causaria tantos problemas.
“Algumas conseguem ser muito criativas utilizando a tatuagem como meio de expressar seus pensamentos, sua personalidade e seu modo de ver o mundo. Outras não, apenas tatuam o convencional e não tornam o que está em sua pele uma marca do que são”.
Se deixassem de gostar das suas tatuagens
“Nunca me aconteceu de me arrepender, penso que se um dia isso ocorrer, existe o cover-up para isso. De alguma forma isso me conforma para caso eu mude de ideia e passe a não gostar mais dos meus desenhos”.
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Homem mais tatuado
Saiba mais
Nos olhos
Giovânia de Alencar
Lucky Diamond Rich (nascido em 1971, em Nova Zelândia) é considerado o homem mais tatuado do mundo, com 100% do corpo coberto. O título é concebido desde 2006, de acordo com o livro dos recordes Guinness World Records. Ele tem tantas tattoos que decidiu fazer desenhos na cor branca por cima das tatuagens já existentes em seu corpo.
Camila Mathias
Diamond, o homem mais tatuado do mundo Foto: Divulgação
Da Hora
Para organizar a rotina Manter-se organizado é um dos principais desejos da vida moderna. Trabalho, faculdade, atividades diárias, são tantas obrigações que, muitas vezes, acabamos esquecendo algumas delas. Para ajudar os “esquecidos”, foram criados alguns aplicativos disponíveis para smartfones com a finalidade de organizar a rotina. Um deles é o Evernote, uma evolução do bloco de notas tradicional, onde tudo que é anotado no aplicativo é sincronizado na tela do desktop do programa ou à internet, ficando disponível em qualquer dispositivo com acesso à rede. Um outro exemplo é o Pocket, um aplicativo que integra o usuário com seu navegador web. Ele armazena o endereço da página que o usuário está lendo e, após o rápido processo de sincronização, não será preciso conexão com a internet para visualizar novamente. Além de ficar gravado no celular, os dados gravados podem ser vistos também no site oficial do aplicativo (getpocket.com). Outro exemplo interessante é o Last Pass, que guarda todos os códigos e senhas do usuário. Para ter acesso a elas, basta lembrar a única senha colocada no aplicativo. Muito útil e prático para os “esquecidos de plantão”.
No período da Segunda Guerra Mundial, os alemães faziam experimentos injetando líquidos da cor azul nos olhos dos judeus para testar se era possível modificar a cor da íris (coloração do globo ocular). Hoje, a prática de tatuar a parte branca do olho (esclera) para alterar sua cor está virando moda no Brasil. Porém, esse procedimento pode causar muitos danos à saúde como inflamações, catarata, glaucoma e até cegueira total. Poucos tatuadores possuem a qualificação necessária para realizar esse tipo de tatuagem, pois até a tinta usada é diferente das tattoos convencionais.
Mó Paia
“Desce e pega outro ônibus” Vanessa de Carvalho Ser dependente do transporte público de Fortaleza é um verdadeiro desafio. Lotação e desrespeito aos passageiros são situações frequentes nos coletivos. Certo dia, saindo da faculdade, entrei no ônibus e fiquei espantada com o modo em que o motorista dirigia o veículo. Apressado, avançou um sinal vermelho e fez várias ultrapassagens perigosas. A expressão dos passageiros era de espanto e medo, mas ninguém se manifestou a falar algo. Dez minutos após subir no ônibus, testemunhei o motorista fazer uma ultrapassagem malsucedida, freando bruscamente o veículo. Os passageiros ficaram assustados e começaram a reclamar. Uma senhora não se conteve e falou: “Vai com calma, motorista! Você está levando é gente, não é boi, não”. O motorista, em tom irônico e ignorante, respondeu: “Se está achando ruim, desce e pega outro ônibus”. Fiquei, como outros no coletivo, decepcionada com tal comportamento. A situação foi muito desagradável. Todos os dias pego o mesmo ônibus e faço o mesmo caminho, assim como muitos outros usuários do transporte público de Fortaleza. Os passageiros precisam se sentir bem ao entrarem nos ônibus, pois precisam deles para se locomoverem, portanto, devem ser respeitados durante todo o percurso. Já os motoristas, ao saírem de casa para trabalhar, devem estar cientes que vão lidar com pessoas que dependem do seu serviço e que manter a gentileza e a cordialidade no dia a dia é fundamental.
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Ensaio
Eduardo Cunha
O ensaio é um registro feito nas estradas do caminho de Fortaleza à região do Cariri, durante uma viagem com o coletivo que participo, o 202B (portal: 202b.net). A viagem foi o início de uma pesquisa sobre contadores de história que futuramente pode gerar algumas produções como esta.
Música Vanessa de Carvalho
Cantando na internet Maria Braga e sua paixão pelo violão Foto: Thais Mesquita
Buscando ter maior visibilidade, um número cada vez maior de jovens adolescentes se aventuram postando vídeos na internet. Eles variam de acordo com a personalidade de cada jovem, vídeos de comédia, animação e covers de artistas famosos são os mais postados. Seguindo a tendência de buscar fama na internet, a estudante de Jornalismo da Unifor, Marina Braga, 18 anos, começou a gravar vídeos caseiros cantando e tocando músicas de seus artistas favoritos. Ela se utiliza de uma fanpage e do Youtube (youtube.com/MarinaBraaga) para divulgar o seu trabalho, postando sem periodicidade fixa. “Eu sempre gostei muito de tocar. Eu ficava olhando os vídeos de outras pessoas fazendo covers na internet e fiquei fascinada. Foi então que percebi que realmente queria isso para
mim”. A estudante falou ainda que se surpreendeu com a repercussão dos vídeos nas redes sociais, que chegou a obter 60 mil visualizações no Youtube. Com apenas um mês após a postagem do primeiro vídeo, ela foi chamada para se apresentar em programas da TV Diário, TV União e cantar na rádio Unifor. “Era algo tão distante e acabou sendo real”, declarou. Apoiada pela família e amigos, Marina diz que pretende trabalhar com música. Recentemente foi chamada para tocar em alguns barezinhos de Fortaleza e está muito empolgada. “Tenho como objetivo me formar em jornalismo e trabalhar paralelamente com música, me dedicar ao que mais gosto de fazer, que é cantar”.
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A praça aos sábados
Jovens fazem manifestação contra o projeto de destruição da Praça Foto: Giovânia de Alencar
Com a aprovação da Câmera Municipal, a Praça Portugal será fragmentada em quatro partes e dará lugar a um cruzamento. O assunto é de grande polêmica, as opiniões se divergem Camila Mathias e Giovânia de Alencar
Atualmente, a Praça Portugal corre o risco de ser demolida. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, apresentou, no dia sete de março, o projeto de reforma do local. Com a intervenção, um cruzamento será construído e a praça será dividida em quatro partes. O intuito é qualificar o local e a mobilidade urbana. Atendendo a demanda do Ministério Público Estadual, a 10ª Vara da Fazenda Pública divulgou, em junho, uma decisão provisória que barra qualquer intermédio na Praça. De acordo com uma liminar publicada no Jornal O Estado, o MP defende a não destruição da Praça como conservação do patrimônio histórico e cultural do Ceará. Em geral, o projeto de reforma vem causando controvérsias entre frequentadores e moradores da região. Porém, nesse mesmo mês, com 30 votos a favor, a Câmera Municipal aprovou o projeto da Prefeitura para modificar a Praça. Para o prefeito Roberto Cláudio, a Praça Portugal não pode ser considerada uma praça. Ele encara o local meramente como uma rotatória. Foi comunicado em março, na TV Diário do Nordeste (TVDN), sua opinião a respeito: “Você não vê, com exceção de sábados à noite, a Praça sendo frequentada. Você não vê ninguém sentado, tomando um suco, comendo um sanduíche ou simplesmente refletindo”. Visto isto, o Balaio foi em busca dos que frequentam o ambiente aos sábados, a fim de colher opiniões a respeito da situação. Como tudo começou De acordo com Alessandra Oliveira, professora de Sociedade da Informação e Tecnologia do curso de Comunicação Social da Unifor, que chegou a fazer pesquisas sobre a Praça Portugal, o local passou a ser frequentado aos sábados quando um grupo de otakus (fãs
da cultura japonesa) foram expulsos do shopping Aldeota por não estarem fazendo consumo, levando-os a frequentarem a Praça. A partir deste dia, o espaço tornou-se ponto de encontro para esse grupo de jovens, segundo afirma a professora. Trânsito Muitos jovens não ficaram satisfeitos com as possíveis mudanças no local. Os que já possuem o hábito de frequentá-la não querem perder o lugar de lazer e dizem não saber ainda o que fazer aos sábados à noite, caso a reforma aconteça. Para Eduardo Pereira, que frequenta a área há três anos, existem outras possibilidades de melhorar a acessibilidade no trânsito. “Destruir a Praça pode facilitar o trânsito agora, mas daqui há uns três anos o problema vai continuar”, opina, acreditando que construir a rotatória é apenas a maneira mais fácil de tentar amenizar o congestionamento dos carros ao redor. Para ele, a solução mais viável é investir em transporte publico. Já para Maria Navarro, estudante de Jornalismo, que mora perto do local, diz que o trânsito da sua rua depende da Praça e afirma: “sou a favor da reforma, pois sem a Praça o fluxo do trânsito vai melhorar”. Joaquim Oliveira, taxista há 17 anos comenta que “o problema não é a Praça, mas o excesso de veículos e a lentidão dos motoristas”. Halder Gomes, cineasta e diretor do filme Cine Holliúdy, disse que a sua adolescência foi marcada pelas idas à Praça. “Os jovens, toda sexta-feira, depois da aula, se encontravam lá para conversar e paquerar”. Atualmente, jovens com faixa etária entre 14 a 26 anos costumam se reunir na Praça aos sábados à noite devido a carência, como muitos deles afirmaram, de lugares e eventos atrativos que fujam do tradicional forró. “Todo mundo daqui se respeita, é muito fácil fazer amizade aqui. A gente vem pra
conversar, brincar, beber, esquecer os problemas rotineiros e se divertir”, revelou Fernanda Scarlet, estudante, que frequenta a Praça há cerca de quatro anos. Música que une Alessandra Oliveira diz que, de acordo com sua pesquisa, cerca de 17 tribos se reúnem no local, como emos, roqueiros e góticos. A música é uma marca muito forte nos que frequentam a Praça aos sábados à noite. Tanto nos trajes marcados pelas blusas de bandas musicais, como no próprio público, que costuma gostar de rock e possuir banda independente. “Tenho uma banda, sou vocalista. Às vezes, a galera traz violão e a gente fica cantando”, disse Davi Rodrigues, 15 anos. Roberto Silva Júnior frequenta a Praça há seis meses e, junto do seu amigo Júnior Bastos, teve curiosidade de conhecer o espaço e as pessoas que lá se encontram. “Eu fiz parte do movimento Punk dos anos 80 e tive vontade de saber mais da cultura e das pessoas que andam na Praça Portugal, saber o que pensam os jovens de hoje”, Silva Júnior revela, entusiasmado. Os dois costumam promover ações culturais, como festivais, shows de rock, exposição de zine, e tem a Praça como palco para oportunidades de divulgar e promover trabalhos dos jovens que andam pelo local com suas bandas. “As pessoas que andam aqui são carentes de eventos alternativos. Fortaleza oferece pouca opção para o público que gosta de rock. Por exemplo, no carnaval a opção mais viável para quem não gosta da data é o festival de Jazz e Blues, em Guaramiranga, mas nem todo mundo pode viajar, né. Nós fizemos, inclusive, um evento durante este período”, ressaltou Alves Júnior, acrescentando que vai à Praça “tanto para observar os jovens, como para fazer parte dela”.
Saiba mais
Anônimos Camila Mathias e Giovânia de Alencar
Reunidos com média entre dez pessoas, na Praça, um grupo se reúne para reivindicar contra a reforma. Eles alegam participar de um movimento sem nome propriamente estabelecido, marcado pela junção de vários segmentos, como o Mais Pão e Menos Circo, Partidários, Anarquistas, Anticapitalistas, entre outros. O ideal que os unem, segundo uma integrante do grupo que preferiu não se identificar, é a busca pela “real democracia”. A maioria não se deixou mostrar, cobrindo o rosto com cartazes, com a camisa ou com as mãos, porém muitos conversaram tranquilamente com a reportagem. A desconfiança é a mesma: medo da mídia. Eles ganharam o hábito de frequentar a Praça devido à reforma que o governo vem tentando realizar no local. Diferente dos demais, costumam ir ao local todos os dias da semana. “A gente tenta ficar aqui todos os dias, para caso haja alguma intervenção possamos fazer algo para impedir”, disse uma estudante de Enfermagem, de 18 anos, que também preferiu não se identificar. “Eles (da imprensa) chegam aqui e não conversam com a gente, filmam algumas pessoas bebendo e fumando. Acabam passando essa imagem pra outras pessoas. Nos olham discriminando, achando que somos intrusos”, desabafou um estudante de Direito que também não se identificou.
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Entrevista
Bayever conversa com o Balaio
Gustavo Nery
turas de Pi’!”. (risos)
Balaio: Você foi nomeado para VES
B: Você já trabalhou com brasileiros na
Jason Bayever durante palestra realizada na Unifor
Awards (Prêmio da Sociedade de Efeitos Visuais) com seu trabalho no oceano de As Aventuras de Pi. Você esperava que o filme fosse um grande sucesso? Jason Bayever: Bem, no começo, nós, da produção, não sabíamos, não tínhamos certeza. Mas, como estávamos trabalhando com Ang Lee, havia a noção de que seria algo grande. Eu não sabia direito o que esperar. Quando saiu, vimos que as pessoas acharam o filme criativo e realmente gostaram, então ele fez sucesso. Antes, quando me perguntavam no que eu estava trabalhando, e eu respondia “As Aventuras de Pi”, ninguém sabia o que era. Depois do lançamento, e com a bilheteria, todos começaram a ficar entusiasmados, tipo “Caramba, é ‘As Aven-
produção de efeitos especiais? JB: É possível, mas não lembro. Já trabalhei com centenas de pessoas, então não consigo lembrar de todos. Mas tenho certeza de que haviam brasileiros.
Foto: Lívia Carneiro
Diretor de efeitos especiais do filme ganhador de quatro Oscar em 2013, fala um pouco sobre a sua carreira
B: Qual a sua cena favorita dos filmes que você já trabalhou? JB: Não sei, é uma pergunta interessante. Sabe a de “Pi”, quando o tigre está nadando na beira do barco, empurrando os peixes? Acho que é essa. Ela foi cem por cento gerada por computadores. Tigres são criaturas lindas! E aquele barco, inguém diria que ele e os peixes foram computadorizados.
Filme Gustavo Nery
Uma perseguição além da policial Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) e Patrícia Franchini (Jean Seberg) em cena do filme Foto: Reprodução
Estética Um dos grandes diferenciais do filme é a narrativa, que se desenvolve de forma não totalmente linear, acelerando o tempo e deixando ações implícitas. O enquadramento é o principal responsável para a compreensão dos personagens, pois dá enfoque a olhares e gestos (como a mania que Michel tem de passar os dedos sobre a boca), em planos psicológicos, revelando sentimentos e conflitos internos que ajudam a entender a complexidade de cada um. A fotografia, por sua vez, aproxima o espectador por meio da movimentação constante da câmera em determinadas cenas. A inserção do público é potencializada, em algumas sequências, pelos olhares dos atores direcionados à câmera.
O clássico filme de Godard possui abordagem que evidencia tanto o crime quanto o drama sentimental
A trama
Dirigido Dirigido pelo cultuado Jean-Luc Godard em sua estreia no mundo do cinema, “Acossado” (1960) é um filme francês que explora a paixão e o crime. Com reflexões sentimentais e trama envolvente, o espectador torna-se parte da perseguição que permeia cada segundo da projeção, seja ela guiada por policiais ou resultado da expressão de conflitos interiores. O filme inicia-se com Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), um criminoso charlatão que en-
A obra divide-se em três atos, sendo o segundo marcado pela discussão que cerca a atração entre o casal protagonista. Michel, apesar de rude e violento, alimenta uma paixão intensa por Patrícia. A jovem americana, por sua vez, revela-se ingênua em suas ações e expressões, além de ambiciosa em relação ao seu futuro e a sua busca pela independência. O olhar de Patrícia exprime um misto entre medo, esperança e preocupação. Assim como Michel, de certa forma, sensibiliza-se ao trazer seu interesse pela garota à tona, Patrícia persegue seus sentimentos mais
contra-se em Paris e está em constante fuga. Entre furtos e outros atos ilegais, Poiccard reencontra Patrícia Franchini (Jean Seberg), uma repórter e romancista americana, com quem já havia se relacionado anteriormente. Os dois voltam a aproximar-se e Michel tenta convencer Patrícia a ir para a Itália com ele. As circunstâncias acabam permitindo o desenvolvimento dessa cumplicidade, enquanto os policiais e a mídia investigam seus passos, chegando cada vez mais perto.
profundos na busca de entender o tipo de relação que alimenta pelo criminoso, o que a leva, inclusive, a encobrir e, posteriormente, participar de seus perigosos feitos. O questionamento principal de Patrícia é: estaria mesmo apaixonada? Como o próprio título já diz (“Acossado” significa “perseguição”, em português mais erudito), a película foi desenvolvida com o intuito de ser um filme de gângsteres, devendo centrar-se mais no mistério e nos casos policiais. Entretanto, a proposta consegue ir além, levantando pensamentos a respeito do amor e dando evasão ao sentimentalismo. A sequência final, completamente marcante, gera reflexões a respeito da legítima lealdade nas relações humanas, que podem beirar a frieza. A obra de Godard vai muito além de uma trama policial, pois também nos permite explorar toda a intensidade presente em nosso interior. Ficha Técnica Título Original: “À bout de souffle” Ano: 1960 Direção: Jean-Luc Godard Roteiro: François Truffaut Gênero: Drama/Romance/Policial Duração: 90min Origem: França
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Unifor recebe profissional em efeitos especiais de cinema Jason Bayever, responsável pelos efeitos de As Aventuras de Pi, palestra sobre sua carreira e as particularidades necessárias na construção de cenários de computação gráfica Richard Parker, tigre de As Aventuras de Pi Foto:
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Curiosidades comentadas por Jason Bayever
Divulgação
Gustavo Nery
Gustavo Nery
A Universidade de Fortaleza, em parceria com a empresa Arte & Cia, recebeu uma palestra aberta ao público sobre efeitos especiais em filmes Hollywoodianos, com o diretor de SFX (sigla originada do termo em inglês, “Special Effects”) Jason Bayever, membro da Rhythm & Hues Studios. Bayever trabalha há cerca de 15 anos no ramo de efeitos especiais. Seu currículo como diretor nesse setor inclui grandes produções, como X-Men 2, Scooby-Doo, Superman – O Retorno, os dois filmes da franquia Uma Noite no Museu, e o ganhador do Oscar na categoria de efeitos visuais, As Aventuras de Pi, sendo esse último o foco da palestra realizada. Montando o cenário Por meio de fotos e animações, Bayever mostrou o intenso processo de composição digital do filme, realizado quase que inteiramente em CGI (da sigla em inglês Computer Graphic Imagery, remetendo a Imagem de Computação Gráfica). Segundo ele, o maior objetivo de seu trabalho é atingir o fotorrealismo das figuras criadas virtualmente. Adicionalmente, ele ainda comentou sobre a dificuldade das filmagens com câmeras de tecnologia tridimensional (3D), devido ao seu peso e à necessidade de um resultado mais preciso.
Um de seus trabalhos mais importantes em As Aventuras de Pi foi a criação do oceano, que está presente em boa parte do filme. Bayever contou que, para o diretor do filme, o perfeccionista Ang Lee, o oceano deveria ser vivo como um personagem, pois, caso contrário, os espectadores não “estariam” no filme. Para que as filmagens fossem realizadas, fez-se necessária a construção de um enorme tanque de água, onde as ondas eram geradas com a utilização de energia que, por sua vez, era retida com a utilização de estruturas especiais, evitando que a movimentação artificial das águas ficasse evidente no denominado “efeito banheira”. No processo de elaboração de ondas por computador, a equipe do estúdio contou com fórmulas matemáticas, para que elas ficassem equiparadas com as do tanque. Como base para seu estilo gráfico e movimentação, foi criada uma “biblioteca”, que continha diversas imagens e vídeos diferentes do oceano. Outro ponto destacado pelo produtor foi a animação gráfica de animais, multidões e ilhas, outra característica forte do filme. “Cada suricate tinha um cérebro de Inteligência Artificial, para exprimir reações próximas às verdadeiras”, explicou. Os animais consistiam na junção de camadas realistas de músculos, pele e pêlos, feitas por computador. Todos foram minimamente estudados por meio de gravações pre-
viamente feitas com bichos reais. Sobre a carreira, o produtor ressaltou que seu “primeiro contato com efeitos especiais foi consertando computadores, coisa que eu não gostava. Aí, comecei a fazer arte no computador. Gostei, fiz vários cursos técnicos e artísticos, e fui pra escola de artes”. Outro assunto em pauta foi a falta de investimentos financeiros na área. “Os estúdios precisam entender que, ou é de qualidade, ou é barato, ou é rápido. Não dá pra ter os três”. Questionado sobre a declaração de falência divulgada pela Rhythm & Hues, em fevereiro de 2013, Jason afirmou: “Não foi Pi que nos levou à falência. Era um problema que vinha há muito tempo. As pessoas querem um trabalho de qualidade, mas não querem pagar; poucos estúdios conseguiram isso. É um grande problema da nossa indústria, então há uma migração para outros países (como Canadá, que teve a cidade de Vancouver citada como exemplo), que oferecem benefícios (financeiros), facilitando nosso trabalho”. Em relação aos limites de prazo no trabalho e sua organização, Bayever explicou que “não é fácil trabalhar ao redor do mundo. Há coordenadores e comunicação. Há estresse, temos deadline. Existem ineficiências, mas nossa empresa possui um bom gerenciamento. Tentamos controlar essas ineficiências”.
A cena da baleia levou um ano e meio para ser concluída. A construção gráfica da tomada durou 1,3 milhões de horas; O tigre-de-bengala Richard Parker foi construído digitalmente com a mesma tecnologia previamente desenvolvida para o leão Aslan em As Crônicas de Nárnia – O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, filme também produzido pelo estúdio. As emoções que ajudaram a compor o personagem foram captadas a partir de um tigre modelo adestrado na França, chamado King; Para o céu, foi feito um mapa com 360 fotografias, em 360° graus, em que apenas um era escolhido e inserido parcialmente por computadores em cada cena; Richard Parker tem 10 milhões de pêlos; O frame mais demorado levou 30 horas para ser produzido; Os efeitos especiais do filme foram concluídos 2 meses antes de seu lançamento; 467 profissionais de SFX trabalharam na produção gráfica do longa-metragem.
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Dragão do Mar cria escola de formação em artes
Fachada da Escola Porto Iracema das Artes Foto: Pedro Vinícius
Criar, formar e difundir cultura. Esse lema, que serviu de base para a fundação do Dragão do Mar, agora é usado para criação do projeto Escola Porto Iracema das Artes, um espaço fértil de experiências estéticas, âncora de ideias e pensamentos Edinardo Coelho e Milena Santiago
A Escola Porto Iracema das Artes é um espaço que concentra formação e criação artística, difundindo-as entre o público fortalezense. Com objetivo de formar profissionais aptos para atuar no campo cultural, disponibiliza cursos como dramaturgia, audiovisual, artes visuais, multimídias, dança, música, entre outros. Inaugurada no dia 29 de agosto de 2013, a Escola já foi palco de vários eventos culturais da capital cearense, a exemplo do Baião Ilustrado e do Short Waves Grand Prix Festival. O Porto Iracema foi pensado com a finalidade de interagir com o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Isso aconteceu porque o Dragão do Mar tem o intuito de ser um espaço de exibição de obras de artistas locais e ao mesmo tempo de formação. “O centro cultural só funciona em sua plenitude quando ele responde a esses três movimentos: a criação, a produção e a fruição. Só agora, com o funcionamento do Porto Iracema das Artes, o projeto original do centro cultural se completa”, explica a Diretora de Criação e Formação do Projeto, Elisabete Jaguaribe. Cursos Diferenciados do perfil de uma graduação, os cursos disponibilizados apresentam uma estrutura de ensino mais flexível, sem as exigências acadêmicas tradicionais. Desse modo, as possibili-
dades de dinamizar as experiências culturais são feitas de forma mais rápida. Entretanto, esse conhecimento propor-
“O centro cultural só funciona em sua plenitude quando ele responde a esses três movimentos: a criação, a produção e a fruição” Elisabete Jaguaribe Diretora de Criação e Formação da Escola Porto Iracema das Artes
cionado pelos cursos dialoga com o conhecimento acadêmico. “É um diálogo complementar”, reforça Elisabete, afir-
mando que muitos estudantes do Porto estão na graduação. Apesar de ser uma estrutura disponível a praticamente todos os públicos, há uma preocupação do projeto Porto Iracema em incentivar a seleção de alunos da rede pública. “Nós temos um foco acentuado para os jovens que moram no entorno do Dragão do Mar. Três comunidades residem ali, elas têm uma situação econômica fragilizada e por isso fazemos uma divulgação forte por lá”, acentua Elisabete, preocupada com a importância da diversidade cultural. “A escola, hoje, tem uma diversidade de público muito interessante, porque no campo cultural você não pode lidar com um público específico, a criação cultural exige uma diversidade muito grande, de toda a ordem, de idade, de condição social e de pensamento”. A Escola tem uma programação que reúne os produtos gerados pelos próprios alunos. Esta acontece durante a última semana do mês e recebe o nome de Píer. Nela são reunidos eventos produzidos pelos alunos, como filmes, peças e festivais externos. A criação cultural só acontece através do encontro, do confronto e da criação de ideias. O Centro Dragão do Mar é um dos poucos centros culturais a possuir uma escola de formação na área, o que permite ensino teórico e prático, além de manter contato com estruturas como cinemas, planetário, anfiteatro, teatro, museus e galerias de arte.
“O Porto veio para firmar essa parceria com a sociedade. Para incentivar a arte e a cultura e fortalecer novamente o Dragão do Mar”, opina Lizie Sancho Nascimento, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e coordenadora do curso técnico de animação para jogos eletrônicos na Escola Porto Iracema da Artes. Ela reporta que, desde que começu a trabalhar na Escola, tem visto muitas mudanças positivas acontecerem, como a influência exercida sobre a cultura na cidade e o crescimento dos alunos dentro do ambiente escolar. Lizie afirma que a Escola se tornou um alicerce para os estudantes, ajudando a incentivar as pessoas que ainda querem propagar a cultura cearense no Brasil e no mundo. Pontua ainda que o propósito da Escola, em ajudar a população carente a ter uma oportunidade no mercado de trabalho, foi um dos estímulos que a fez aceitar o emprego. Segundo o ilustrador Pedro Augusto Araripe, que já fez cursos no Porto Iracema, a cena cultural de Fortaleza ainda não é satisfatória, mas medidas como a instalação da Escola têm colaborado para melhor desenvolvimento na área. “Com a volta desse ambiente, tem aumentado o número de eventos ligados à arte e a procura por eles também”. A programação para 2014 anuncia a oferta de 4.870 matrículas, distribuídas em cursos, laboratórios, workshops, seminários e masterclasses, com investimento na ordem de R$ 8 milhões.
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Baião Ilustrado: charge-humor e reflexão Galvão em palestra realizada no Porto Foto: Maria Navarro
Edinardo Coelho
Jean Galvão, chargista da Folha de S. Paulo e da revista Recreio, deu uma palestra intitulada Charge-Humor e Reflexão, durante a 6ª edição do Baião Ilustrado, evento promovido pelo Porto Iracema das Artes. Ele foi criado pelo grupo Coletivo Base e sua última edição aconteceu em março de 2014. O encontro conta com a participação de grandes nomes no mercado de ilustração e design, tanto regional, como nacional.
Na palestra, Jean Galvão ressaltou que as charges tratam de assuntos relevantes, criticam o cotidiano, a política, o trânsito e a violência. Ele evidenciou que a ilustração humorística que trabalha com viés na crítica pode também ser descrita como uma caricatura de um ou mais personagens. Galvão trabalha desde os 17 anos de idade e acredita ser necessária a exploração de diversos temas, em suas mais variadas ramificações. “Meu processo de criação é o ato de desenhar em si”. Ele afirma que já chegou a fazer,
algumas vezes, ilustrações com a mesma temática de outros chargistas com quem trabalhava, mas alegou que nunca foi censurado, pois sempre conseguiu refazer seu desenho a tempo da publicação. “É preciso ter conteúdo para colocar no papel. As referências influenciam muito no desenho”. Para ele, não existe plágio, mas sim uma convergência de ideias. Ele explicou que é natural, com o passar dos anos, que o traço e o estilo de desenhar de cada pessoa mudem, garantindo que prefere fazer tirinhas não datadas, para que não fiquem velhas rapidamente. O ilustrador pontuou que as charges sem textos são as mais difíceis de fazer, pois requer um entendimento apenas por parte da imagem, levando o leitor à reflexão. “Às vezes, a charge leva o leitor a ir atrás da notícia, pois requer um conhecimento prévio”. Para ele, o mais importante não é o desenho, mas a ideia que ele transmite.
Fortaleza recebe festival de curtas poloneses Curtas exibidos Ziegenort (Animação de Tomasz Popakul) O filho introvertido de um pescador descobre um mundo cheio de sinais perturbadores e observações intrigantes que frequentemente lhe causam medo. Os organizadores do evento: Hanna Neves e Bartosz Substyk Foto: Thiago Gadelha
Edinardo Coelho e Milena Santiago
Neste ano aconteceu, pela primeira vez no Brasil, o festival Short Waves Grand Prix, tendo como sede a escola Porto Iracema das Artes. O evento consiste numa mostra de curtas-metragens oriundos da Polônia. Ele teve o mês de março como palco para apresentações, realizando-se também na Polônia e em mais 65 cidades e quatro continentes. Sob organização de Bartosz Substyk, a cidade de Fortaleza foi a única do país a receber o festival. Segundo a representante do Consulado Honorário da Polônia, Hanna Neves, o critério de escolha da cidade para sediar a mostra foi por
haver um público que busca esse tipo de evento cultural. “Percebemos que aqui acontece muita coisa artística, há muito interesse cultural. Principalmente no Dragão do Mar e seus arredores. Existem várias pessoas interessadas e essa Escola foi o local mais apropriado para atrair esse público”, declarou. Foram exibidos sete filmes, escolhidos dentre 280 títulos. Sendo selecionados, segundo os organizadores do festival, por tratarem de temáticas diferentes e terem os formatos distintos entre si. Após a mostra dos curtas, os espectadores discutiram acerca de cada história, resultando num debate que abrangeu as temáticas retratadas nas películas.
Ressonância (Stop Motion de Mateusz Sadowski) Uma leitura de pensamentos sobre teorias físicas que propõem a existência de mundos paralelos. Questionando se o mundo tem uma estrutura linear ou não-linear. A nossa maldição (Documentário de Tomasz Sliwinski) Depoimento pessoal do diretor que, junto com sua esposa, tem que lidar com uma doença rara e incurável de seu filho recém-nascido, conhecida como a Maldição de Ondina ou Síndrome de Ondine. Um Homem Incrivelmente flexível (Animação de Karolina Spencht)
História de um homem que nasceu sem seu próprio formato. As constantes deformações e mudanças de forma provocam nele um sentimento de revolta. Hosana (Ficção de Katarzyna Gondek) Conta a história de uma menina que começa a ter contato com o universo religioso de sua avó. A garota recria este mundo de acordo com sua própria subjetividade. A Mãe (Ficção de Lukasz Ostalski) Malgorzata atua na política polonesa de maneira proeminente e tem um filho viciado em drogas. Ela precisa tomar uma decisão difícil e delicada que envolve sua carreira e sua família. Inconsciente (Videoclipe de Martyna Iwanska) Elaborado para a música da banda polonesa Duo Rebeka, o vídeo conta a história de uma relação amorosa, conturbada e unilateral.
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Jovens ilustradores ganham visibilidade na internet Nos últimos anos, a cena artística de Fortaleza tem ganhado relevância entre o público jovem Pedro Augusto mostra alguns de seus desenhos na galeria de arte onde trabalha Foto: Maria Navarro
Paula Siebra e suas criações para seu Tumbler, que atualmente encontra-se desativado Foto: Pedro Vinícius
Milena Santiago
“Atualmente, qualquer produção, de qualquer meio, está mais visível porque a forma de distribuição de conteúdo está mais facilitada. Por exemplo: antes, para divulgar uma poesia, era necessário publicar um livro”, explica Eduardo Freire, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Dentre os segmentos, a ilustração é o destaque. O intrigante é que os artistas que vêm ganhando notoriedade, em geral, são jovens que, naturalmente, não possuem uma longa experiência profissional, mas têm talento e fazem proveito das redes sociais a fim de divulgar sua arte. As mídias sociais cumprem amplos
papeis, como o de portfólio digital, de divulgação do trabalho, além de proporcionar o contato entre os artistas e pessoas influentes no segmento. Segundo o artista plástico Pedro Augusto Araripe, oportunidades de trabalho surgiram quando ele começou a publicar suas ilustrações em meio virtual. “Eu sempre desenhei, mas nunca enxergava nisso uma profissão. No final de 2012, comecei a postar meus desenhos no Instagram, sem pretensão nenhuma. Foi quando eu fui convidado pra fazer um trabalho pro desfile da estilista Patrícia Vieira, no Fashion Rio 2013”, conta Pedro, que, desde então, já fez quatro exposições e atualmente assina uma coleção de desenhos para uma galeria de
Ilustração: Jadiel Lima
artes em Fortaleza, a Ppposters. A também ilustradora cearense, Paula Siebra, começou a arquivar seus desenhos no Tumblr apenas para salvá-los, até que eles passaram a ficar conhecidos em outras redes sociais. Foi quando houve a necessidade de criar uma página no Facebook, com o intuito de divulgação. “Eu tive um retorno muito positivo. Todos foram receptivos e recebi bastantes elogios. Postar minhas ilustrações na internet significou um compromisso muito maior com o meu trabalho. Para o meu crescimento artístico, foi muito importante, pois passei a ter vontade de aprender novas técnicas”, explica. No entanto, Paula também vê particularidades desfavoráveis nesse tipo de publicação, como a acomodação de determinados artistas ao se depararam com recursos facilitados que a mídia virtual proporciona. “Em segundos, minhas publicações atingiam uma média de 200 curtidas. No primeiro momento, eu ficava naquele ‘mar de rosas’, mas depois vinha o vazio de não ter embasamento suficiente para aquele reconhecimento”, lembra a ilustradora, que deletou sua página, a Slepix, a fim de se concentrar nos estudos artísticos. “Eu estou num momento de busca por embasamento para o meu trabalho. É preciso estudo para dominar a técnica, e esse é um processo muito demorado, o que se torna angustiante quando você está acostumado com as redes sociais, onde tudo é instantâneo”, afirma. O estudante de Jornalismo Jadiel Lima, que assina tirinhas publicadas na página Coletivo Gerimoon e em sua própria fanpage (facebook.com/ JadielTirinhasDele), concorda com os pontos positivos e negativos atrelados às redes sociais, no que se refere à exposição de artes visuais. Ele acredita que a internet se configura como uma fer-
ramenta de trabalho e como um espaço para o exercício de reflexão. “As redes sociais são meios muito favoráveis para mostrar seu trabalho, visto que tudo acontece muito rápido. O contraponto é a falta de consistência que pode haver, porque a rede social é menos palpável que um blog, que é menos palpável que um livro, que é menos presente que um grafitti ou um desenho que você ganha ou compra de alguém na rua”, assegura. É importante ressaltar que esse é um momento de transição, em que as novas mídias estão diretamente relacionadas ao fazer artístico. “Com a liberação do polo da produção, em que muitos podem ser produtores e essas produções tornam-se mais visíveis, toda manifestação de arte perde um pouco do valor. Nessa esfera, quem vai se destacar é quem tem mais qualidade, uma vez que o foco está na cultura da distribuição”, ressalta Eduardo Freire. Em um mundo de tecnologias digitais, constatar uma nova geração de artistas engajados no olhar demorado, no traço aprimorado e no conhecimento como base para a arte é essencial para sua inserção nos novos meios de comunicação.
Ilustração: Jadiel Lima
Caderno Balaio - Fundação Edson Queiroz - Universidade de Fortaleza - Diretora do Centro de Comunicação e Gestão: Maria Clara Bulgarim - Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Wagner Borges - Professora orientador: Alejandro Sepulveda - Projeto Gráfico: Camille Vianna - Diagramação: Giovânia de Alencar - Edição: Giovânia de Alencar - Redação: Camila Mathias, Edinardo Coelho, Giovânia de Alencar, Gustavo Nery, Lígia Costa, Milena Santiago e Vanessa de Carvalho - Coordenação de Fotografia - Júlio Alcântara - Supervisão gráfica: Francisco Roberto - Impressão: Gráfica Unifor - Tiragem: 750 exemplares