MARCIA TIBURI | ALLAN SIEBER | NOEL GALLAGHER
UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
A ferro e óleo
Carros, motores e caixas de ferramentas. Leia o manual e conheça mais Bruna Mesquita
Curta os curtas
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Uma publicação de
OUTUBRO DE 2011 - nº 002
Quem são os cineastas de Passo Fundo
Thiago Pethit
A música que encanta Gregos e Caetanos
índice
Múcio de Castro 1915
1981
Diretor Presidente: Múcio de Castro Filho Diretor Executivo: Múcio de Castro Neto Editora-Chefe: Zulmara Colussi Conselho Editorial Múcio de Castro Filho Clarice Martins da Fonseca de Castro Milton Valdomiro Roos Antero Camisa Junior Dárcio Vieira Marques Paulo Sérgio Osório Valentina de Los Angeles Baigorria Múcio de Castro Neto
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Fones Geral: (54) 3045.8300 Redação: (54) 3045.8328 Assinaturas: (54) 3045.8335 Classificados: (54) 3045.8333 Circulação: (54) 3045.8336 Contatos Circulação: circulacao@onacional.com.br Comercial: comercial@onacional.com.br Redação: onacional@onacional.com.br Administrativo: adm@onacional.com.br
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MC- Rede Passo Fundo de Jornalismo Ltda Rua Silva Jardim, 325 A - Bairro Annes CEP 99010-240 – Caixa postal 651 Fone: (54) 3045-8300 - Passo Fundo RS www.onacional.com.br
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Contra a parede – entrevista Allan Sieber - Página 8 Coluna – Márcia Tiburi – Página 15 Esporte – O Futebol Pelo Futebol – Página 16 Estilo S/A – Página 20 Ensaio + Alt – Bruna Mesquita – Página 22 Coluna – Paulo Ferrareze Filho – Página 35 Perfil – Thiago Pethit – Página 36 Coluna – THiago Capuano – Página 41 Especial – Argumentos Cinematográficos – Página 42 Alt + Tab – Marina de Campos – Página 49 Daqui Pra Onde – Reynaldo Migliavacca – Página 50 Coluna – João Vicente Ribas – Página 52 Alt + Arte – Página 54
Sucursal em Porto Alegre: GRUPO DE DIÁRIOS Rua Garibaldi, 659, conj. 102 – Porto Alegre-RS. Representante para Brasília: CENTRAL COMUNICAÇÃO. Representante para São Paulo e Rio de Janeiro: TRÁFEGO PUBLICIDADE E MARKETING LTDA Avenida Treze de Maio, sala 428 Rio de Janeiro – RJ. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida por meios eletrônicos ou gravações sem a referida citação de autoria.
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Colaboradores Marcia Tiburi
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Daniel Griza
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João Vicente Ribas
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Paulo Ferrareze Filho
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Boa leitura.
É respirante e autor do blog www.entrehermes.blogspot.com E-mail: ferrarezefilho@yahoo.com.br.
Daniel Bittencourt – editor.
Thiago Capuano
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Rodrigo Ferrão
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É filósofa, professora da Universidade Mackenzie de SP, onde mora. Escreveu vários livros de filosofia como o Filosofia em Comum e o Filosofia Brincante e alguns romances. UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
Gordinha turbinada
Calma, o gordinha do titulo aí de cima não tem nada a ver com o ensaio super turbinado que a gente fez com a Bruna Mesquita, a capa desta edição. O adjetivo utilizado é uma referência querida para a segunda edição da Revista Alt, que ganhou mais páginas, mais conteúdo e mais coisas legais para você ler quando e onde quiser. Tudo muito plural nessa edição: Allan Sieber e seus quadrinhos, colunistas novos, matéria esportiva, perfil com Thiago Pethit e mais diversas coisas diferentes e que você nem sabia que faziam falta na sua vida.
20 anos, último semestre de Jornalismo. É fã de Chaves, Al Pacino e da banda Cake. É apreciador de boa música, ilustração e conhaque. Gosta de desenhar monstrinhos e é econômico em descrições pessoais. Acha que é engraçado às vezes também. Jornalista porto-alegrense, co-fundador do jornal Cadafalso. Fez mestrado sobre o gauchismo em Passo Fundo. Já completou 30 anos e ainda compõe de vez em quando alguma canção sobre a vida. É assessor de imprensa em Brasília.http://pampurbana.blogspot.com Desenhista, aprendiz de tatuador e vocalista da banda de heavy metal Scania. Brasiliense nato, desde 1980. Filho de cearense com gaúcha, é pai do Pedro, de 11 anos. http://www.flickr.com/photos/marceleza
Nunca pensa no que é, o que pensam dele não alterará nada na figura, mas seu conceito sobre quem pensa sim.
É Nóis, rapá Editor: Daniel Bittencourt
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Diagramação: Pablo Tavares
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Projeto Gráfico: Diego Rigo – Two Think More
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Conteúdo: Marina de Campos Juliana Scchneider Pablo Lauxen Pablo Tavares Daniel Bittencourt Comercial: Caroline Bittencourt –
caroline@onacional.com.br
Foto de capa: Rodrigo Ferrão Impressão: Passografic
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Pontos de distribuição
Anglo Americano Anhanguera Bar Brasil Beehive Beta Vídeo Boka Bokinha Carolinas Confeitaria FGV Grano Café - Bourbon Shopping Imagem Vídeo locadora IMED Le Petit Café - Bourbon Shopping London Manno Escobar Moinho Lounge Natus Drive Padaria Cruzeiro Revisteira Ramires Riviera Café Simbiose Siri Cascudo Sweet Swiss Potatoes UPF TV Velvet
É fotografo, já fez o Twitter de seus filhos e não larga a Canon nem com banda.
sonido
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foi fechada ao som de...
Decade - Neil Young (1977) Coletânea dupla do canadense com a seleção feita por ele mesmo. Não pode ser ruim, não é? Nota: 10
Definitely Maybe Oasis (1994) O debut dos nativos de Manchester. Nesse disco, eles provaram que a crueza pode soar pop, sim. Nota: 10
O Inimitável - Roberto Carlos (1968) Disco que “só” conta com “Se Você Pensa”, “Ciúme de Você” e “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo”. Quer mais? Nota: 9
Gold - Ryan Adams (2001) Talvez a obra-prima do bardo norte-americano. Colocou Elton John e Mick Jagger aos seus pés com este disco Nota: 10
De última (hora): “Muito Estranho”, do one-hit-wonder Dalto. Regravada pelo Nando Reis recentemente. Nota: 8,5
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Bar Odeon (centro de Porto Alegre - o melhor rim de todos, coisa fina mesmo)
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“Uau, é possível fazer um quadrinho autobiográfico nesse nível de sinceridade quase suicida?”
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sentença acima foi dita por Allan Sieber para definir o momento em que descobriu os quadrinhos de Robert Crumb, mas poderia muito bem ser usada para definir seu próprio trabalho. O cartunista gaúcho radicado no Rio vencedor de vários prêmios Brasil afora, além de colaborador fixo de publicações do naipe de Folha de São Paulo e Playboy, contou à Alt quais são as suas fontes de inspiração, sobre os assuntos que aborda no seu programa de TV (Trash Hour “um talk-show que não é um talk-show”, no Canal Brasil), sua relação com Paulo Cesar Peréio, sua musa e até qual é “a praia mais bonita do mundo”. E mais: Sônia Braga, sexo, paulistas e cariocas (sem pagar nada a mais por isso)! Por: Fotos:
Daniel Bittencourt, Pablo Lauxen e Pablo Tavares Arquivo pessoal
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Cara, qual foi o primeiro personagem que você criou? Allan Sieber: Na verdade, quando eu era muito moleque e estava naquela onda de recortar quadrinhos e tal. Com uns oito anos eu me disciplinei em fazer uma tira por dia. E na verdade eu não lembro bem quem era o personagem. Eu acho que era um índio, porque eu era muito obcecado por índios americanos porque meu pai via muito faroeste. E eu tinha um personagem que era meio nessa linha aí. Um cara totalmente coloniamigo) no Hipódromo da Gávea er (ex- amigos) e Leonardo (ainda zado (risos). Eu, Arnaldo Branco, André Dahm E eu me disciplinei a fazer uma tira atento ao que se passa à sua volta, nunca vão te por dia desse personagem, porque faltar ideias. As pessoas falam muita merda, seja se eu queria viver disso, eu precisava fazer uma num ônibus, num metrô, algum taxista, dentro de tira por dia. Esse era o meu raciocínio. Custe o um bar, numa feira... As pessoas falam muitas coique custar. E eu me atormentava com isso. Eu fisas que são totalmente desinteressantes, mas que cava procrastinando, mas sempre dava um jeito são engraçadas. E com isso você consegue ter de na meia noite fazer uma tira para constar nesse uma material farto e inesgotável. jornal imaginário que eu publicava minhas coisas. Mas hoje está cada vez mais difícil essa questão da atenção, sabe? A maioria das pessoas vive Quando foi que você percebeu que a sua histónum casulo. Tipo: o cara está com fone de ouvido; ria era trabalhar com tiras? ou estão constantemente vendo suas mensagens AS: Na verdade eu sempre fui meio obcecado por no celular; daí entra e-mail, Facebook, Twitter... tiras de jornal. Quando era moleque eu pedia pro Então, todo mundo está muito ensimesmado e meu pai me lançar o jornal e eu recortava as tiras não convivendo. Estão vendo e ouvindo só o que e colava em um caderno. E fazia uma espécie de está ao seu redor. gibi artesanal. Então, sempre gostei muito da cara da tira. EspeVocê é assim? cialmente no jornal, porque é em preto e branco e AS: Não, esse é um mal que eu não sofro. Eu não fica naquele espacinho astenho headphone... Eu nunca consegui. Mesmo sim. E foi daí que saiu isso. na época dos walkman (rádio portátil lançado pela Sony no final dos anos 80 e que sintonizava FM, E quando foi que você perAM e tinha toca-fitas). Eu acho isso meio perturcebeu que poderia ganhar bador. Eu não consigo caminhar e ouvir música grana fazendo tirinhas? ao mesmo tempo. Pra mim é muito complicado AS: Olha, isso eu não per(risos). cebi ainda (risos). Mas enE eu não tenho nada dessas coisas. Não tenho cefim, dá-se um jeito. lular, Facebook, Twitter e essas coisas. Na verdade, hoje em dia eu me considero um privilegiado Quanto do Allan Sieber a por ser meio analfabeto tecnológico. gente pode encontrar nos seus personagens? Allan, qual foi o artista que mais te inspirou e AS: Eu me uso muito como qual te inspira hoje? personagem e criei uma fiAS: Eu me lembro que a minha mãe, no começo gura estanque, quase um dos anos 80, assinava uma parada que se chamacarimbo que eu defini que va Círculo do Livro (espécie de corrente de comérsou eu ali. E eu coloco muicio de livros criada pelo Grupo Abril e a editora to das coisas que eu vivi ou Alemã Bertelsmann na primeira metade dos anos que meus amigos viveram 70. Na verdade era uma espécie de Avon da leitunas minhas tiras. Mesmo eu ra). E a gente era meio duro, então não podíamos não sendo o personagem. nos dar ao luxo de encomendar vários livros. Só que eventualmente eu dava um jeito nisso. Sim, não deixa de ser uma E numa dessas eu encomendei um livro do Millôr imagem da tua história de Fernandes chamado “Que País é Esse”, e que obvida. viamente na época eu não entendi nada. Mas eu AS: É. É que na verdade era obcecado pelo desenho dele... Com aqueles se você está minimamente
...eu comprei nessa banca uma revista do Chiclete com Banana com todo o material do Angeli (...); mais o Laerte, Glauco e aquilo, nos meus 14 anos, foi um choque...
vivi um pouco com ele e até trabalhei com ele na revista Bundas e naquela tentativa meio malfadada de ressuscitar o Pasquim com aquele Pasquim 21. Então, o Jaguar, para mim, é um baita referencial. Assim como o Angeli e o Crumb, o Jaguar é um cara que quanto mais velho, o senso de escrotidão está cada vez mais apurado. Ele vai ficando cada vez mais incisivo, cada vez mais ácido. E isso é uma coisa que eu respeito muito.
...A melhor praia para se estar hoje. AS: Sim, com aquela água marrom, pinguins mortos... Enfim, toda a fauna marinha morta na beira Já que você tocou nesse ponto de ser ácido, seu da areia. Mas por acaso eu trabalho tem uma referência pop comprei nessa banca uma violentíssima e, em conjunto, revista do Chiclete com Bavocê traz essa coisa do politinana com todo o material camente incorreto. E mesmo asdo Angeli: Bob Cuspe, Mara sim você tem entrada em vários Tara e não sei o quê; mais meios respeitados, como a Folha o Laerte, Glauco e aquilo, de São Paulo e a revista Trip, por nos meus 14 anos, foi um exemplo. Você se policia na hora choque tipo: “Nossa! É Posde desenhar ou manda bala messível fazer isso? Isso está a mo? venda? As pessoas ganham AS: Na verdade você tem que sagrana com esse tipo de huber onde está pisando. Tem cartuns mor meio escroto e quase que eu ponho em revistas indepornográfico?”. E isso foi um pendentes ou no meu blog e que, outro baque na minha vida. obviamente, não caberiam numa E depois, quando eu tinha Folha de São Paulo ou até mesmo uns 20 anos, tive contato numa Playboy, que eu colaboro já com um livro do Robert faz alguns anos. Crumb que foi lançado pela Mas mesmo nesses lugares que L&PM e que se chamava possuem barreiras óbvias como Eu com 6 anos na frente da igreja Dom Bosco “Minhas Mulheres”. E aí, anunciantes e que são muito lidos, porra, esse livro tem uma você tem que meio que fazer um história em que o próprio Crumb jogo de cintura. E eu acho que esse sai numa noite chuvosa, horrível e pega um ônibus exercício enriquece mais do que me tolhe. Eu contie atravessa toda a cidade... tudo isso para enconnuo batendo nas velhas teclas de sempre, mas dou trar uma mulher que ele talvez fosse comer. E ele um jeito de que aquilo não seja uma coisa totalmenfica todo culpado porque ele inventa uma desculte escrota e agressiva, mas ao mesmo tempo o cerpa para a mulher dele e tal. E aquela chuva, e ele ne, o hardcore da mensagem está ali. chega na casa dessa mulher que é meio que uma groupie de artistas plásticos e ela tem uma converE como é viver com um senso de humor tido sa horrorosa, mas ao mesmo tempo ela é muito como escroto? gostosa e ele começa a embebedar ela e, no fim, AS: Isso tem dois lados. Por um deles é bom ter ele acaba comendo ela. E isso para mim também senso de humor porque sem isso você vai enloufoi chocante. “Uau, é possível fazer um quadrinho quecer. O mundo é realmente enlouquecedor. Desautobiográfico nesse nível de sinceridade quase de a televisão... com comerciais... que são coisas suicida?”. que me irritam muito. Principalmente comercial de banco. Então você tem que ter um mínimo de huÉ, ele está botando o dele na reta valendo! mor para não pirar e pegar em armas e sair atiranAS: Sim, e com força. Ele está realmente se expondo. Esse é um lado. do muito ali. E até hoje o Crumb é uma referência E o outro lado é você exercitar o mau humor com muito forte para mim. Eu gosto muito do Jaguar humor. Na verdade os caras que fazem humor, e também, apesar de eu descobrir ele meio tardiaque eu respeito, eles são mau humorados. Eles não mente. Depois que fui morar no Rio de Janeiro consão engraçadinhos. Eu não gosto de coisa engra-
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personagens grotescos e todo mundo muito feio e tal. E isso me chamava muito a atenção. Então, digamos que o Millôr foi o primeiro cara que eu paguei pau. E depois, nos anos 80, por acaso eu comprei numa banca de revista lá na praia de Pinhal. (Pausa) A praia mais bela do mundo (risos)...
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çadinha. Eu gosto de gente engraçada, mas isso envolve também o mau humor, que também pode ser engraçado. Allan, vamos mudar um pouco o foco agora. Cara, você está fazendo, como você mesmo diz, um “filme pesadelo” sobre a vida do Peréio (Paulo Cesar Peréio gaúcho e ator clássico do Cinema Novo e do Cinema Marginal brasileiro), que se chama “Peréio: Eu te Odeio”. Como foi que surgiu essa ideia? AS: Então, eu conheci o Peréio quando eu escrevia o roteiro de um curta-metragem chamado “Os Idiotas Mesmo”, lá em 2000. E nessa época ele estava em uma espécie de Rehab ou retiro espiritual lá na puta que pariu chamada Olhos D’água. Um lugar completamente ermo, no interior de Goiás. E nesse curta tinha um personagem que era ele mesmo. Mas eu escrevi meio cagado, porque eu não sabia onde que o cara estava e eu tinha um contato com um sobrinho dele que também não sabia exatamente onde ele estava e tal. Só que para a minha surpresa eu consegui encontrar ele e o cara foi ultra profissional. E o Peréio gravou as locuções e me mandou. E nesse ano ele voltou para o Rio de Janeiro. Já no Rio, ele aparecia com frequência no meu estúdio e ele é um gênio. Ele é a pessoa mais culta que eu já conheci. E ele cultiva essa dualidade da escrotidão total com uma cultura absurda. E nessa convivência, eu e minha sócia - que na época eu era casado com ela, ela teve essa ideia de fazer um documentário sobre o Peréio. Daí propomos isso para ele e ele disse: “Muito bem, mas tem que ser um documentário só de gente falando mal de mim. Não quero uma coisa chapa branca”. Aí nós seguimos a figura por vários anos e pegamos depoimentos de amigos, ex colegas, ex mulheres, filhos, netos, desafetos e etc., mas paramos em 2005 porque nunca conseguimos grana para finalizar o doc. Pode ser por causa do nome, sei lá. Só que em 2010 a filha dele, a Lara Velho (que dirige o programa Sem Frescura, talkshow do Peréio no Canal Brasil), me propôs a retomada do projeto e daí ela
...o outro lado é você exercitar o mau humor com humor. Na verdade os caras que fazem humor, e que eu respeito, eles são mau humorados. Eles não são engraçadinhos...
entrou com uma grana e eu finalmente comecei a editar e a gravar coisas com o Peréio de novo e a procurar mais pessoas que quisessem falar mal dele hoje em dia. E finalmente nesse ano eu vou me livrar desse filme cruz/pesadelo. E esse filme rola ainda nesse ano? AS: Nesse ano eu vou terminar ele. Agora, lançar provavelmente no ano que vem no festival É Tudo Verdade. Bom, já que estamos falando de produções audiovisuais, você lançou um programa no Canal Brasil chamado Trash Hour. Como que é isso? AS: Pois é. É meu talk show, mas ele não é um talk show. É um programa que tem animação e é meio bizarro (risos). Eu entrevisto umas pessoas meio estranhas, tipo: motorista de ambulância, uma astróloga, desenhista de retrato falado, ex anão, tem uma ex lésbica também (risos). Tá, mas como surgiu isso? AS: Na verdade quem me propôs isso foi outro gaúcho, o Fabiano Maciel, que mora aqui no Rio de Janeiro há muitos e muitos anos e que gosta dos meus quadrinhos. Daí, no final de 2010, ele me procurou propondo fazer um programa onde eu entrevisto pessoas no meu estúdio mesmo. E vendemos isso para o Canal Brasil e está rolando. E você se dá bem com as câmeras ou fica meio tímido na frente delas? AS: Cara, a primeira coisa que eu falei para o Fabiano é que eu não sou muito íntimo das câmeras porque eu sou ultra tímido na frente delas. E além disso, tem outra coisa: eu sou gago (risos nada comedidos). E ele disse que não tinha problema. E não teve mesmo. Então, fizemos um teste com uma mulher, porque nossa ideia era ter uma gostosa no programa. Uma baita de uma gostosa, diga-se de passagem... AS: É, aquela mina é absurda. A Tati... E eu pensei: Porra, vamos ter uma mulher aqui e chamar de Mulher Gostosa, que seria o supra-sumo de todas as mulheres com nome tipo a Mulher Fruta, Mulher Cereja, Mulher Melancia, Mulher Caralho-a-quatro. E o Fabiano veio com uma ideia melhor. De chamar a Tati de Mulher Audiência (risos). E dai virou a Mulher Audiência, que também entrevista as pessoas comigo e faz seu show à parte. UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
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Se pá...
Rapidinhas com Allan Sieber Peréio: Eu te odeio! Paulistanos: Eles trabalham, são gente fina, mas legal que fiquem só em São Paulo. Zé do Caixão: Gênio, gênio, gênio. Gênio tosco e instintivo. Angeli: Mestre. É o cara que não estacionou no desenho. Ele realmente é um Rolling Stone. Drogas: Eu acho que tinha que ter um Vale Drogas, assim como a cesta básica, para adolescentes. Isso é importante na construção de um caráter (risadas). Vera Fischer: Um monumento e cada vez melhor, enfim... Sônia Braga: Outro ícone. Segundo o Peréio ele não comeu ela, mas ele não é muito confiável. Deus: Já tive uma relação mais próxima, mas hoje em dia estamos um pouco afastados. Bom, parafraseando o Jaguar: “Graças a Deus sou ateu”. Diabo: Se Deus existe e é bom, o Diabo não é tão ruim assim. Marchas em prol de algo: Isso é coisa de desocupado. Marchar contra imposto ninguém marcha; Marchar contra hospitais fodidos, contra colégios podres ninguém marcha. Rio de Janeiro: Já tive minhas diferenças, mas hoje eu diria que é a melhor cidade para se viver, apesar dos cariocas. Sexo: Até quando é ruim é bom.
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Confira no site fotos e mais quadrinhos do Allan.
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Síndrome de Pequeno Príncipe Todos conhecem a frase de O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry: “És eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ela resume certo modo de tratar o conjunto dos sentimentos e das emoções que chamaremos de economia afetiva. Toda economia envolve administração da propriedade pessoal e do que pode ser partilhado. Assim como a economia em sentido geral cuida da organização dos bens da sobrevivência, a economia psíquica seria o campo da administração dos afetos que se ocupa daquilo de que precisamos para viver em termos de amor, respeito, alegria. Ela diz respeito também aos afetos negativos que atrapalham a vida feliz. Por trás da frase de O Pequeno Príncipe está a redução da economia psíquica a termos capitalistas. Se o capitalismo econômico é o endeusamento do capital como aquele poder abstrato que podemos obter e conservar para que ele cresça cada vez mais, o capitalismo dos afetos seria aquele em que cada um quer receber cada vez mais para si mesmo. O capitalista afetivo, ao amealhar e conservar, pode também se tornar um avarento que, ao perder algo no campo afetivo, se desespera.
A frase de O Pequeno Príncipe é também o fundamento da cobrança afetiva que muitos de nós lançam uns sobre os outros cotidianamente esperando receber algo em troca daquilo que se deu. Se no reino dos afetos dividido entre afetos generosos e egoístas - amor e ódio – como posso me sentir credor do amor que dei senão porque transformei a generosidade em egoísmo? Ora, isto só é possível porque não fui verdadeiramente generoso, não dei, mas sim, porque emprestei, aluguei ou vendi. Assim, fica fácil ver como tratamos o amor como um capital. Muitas vezes queremos amor como quem quer um bem, um objeto de status, uma riqueza. E não temos medo de cobrá-lo. Nestas horas somos vítimas da Síndrome de Pequeno Príncipe: se te amo tens que me amar, se te dei amizade ou se quero tua amizade, tens que me dar também. Quem hoje em dia sabe que afetos são fluxos que vem e vão e não objetos que podemos reter, vive de um modo muito mais fácil no campo dos relacionamentos.
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O futebol pelo futebol UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
“Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurra a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música”. Ninguém melhor que Eduardo Galeano, um escritor que não foi jogador de futebol por falta de talento e não exclusivamente torcedor, porque isso infelizmente não dá dinheiro, para explicar em palavras a importância de uma torcida, ou pior, a desgraça da falta de uma. Conheça os Diabos do Planalto, os torcedores que dedicam amor incondicional ao Esporte Clube Passo Fundo ou, melhor ainda, “simplesmente o pessoal que está sempre aqui no Vermelhão da Serra”. Por: Fotos:
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Juliana Acco Divulgação
valor de uma torcida em clube de futebol é praticamente incalculável. Assim como também é uma tarefa em vão tentar buscar as razões de um torcedor. Ele torce por torcer, sem razão, sem motivos, sem nada em troca. Até porque nenhum clube vence o tempo todo e na maioria dos casos as decepções são bem mais frequentes que as glórias. Em um clube menor, que não faz parte da elite em lugar nenhum, essas glórias são quase inalcançáveis, mas ainda assim sempre existem uns e outros que afirmam que este clube é o melhor do mundo. Pelo menos é assim que acontece com Marcelo Cassol, integrante da torcida Diabos do Planalto, do Esporte Clube Passo Fundo.
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Único clube em atividade atualmente na cidade, o Passo Fundo luta para ingressar na elite do futebol gaúcho, disputando a segunda divisão do estado, além de outros torneios organizados pela Federação Gaúcha de Futebol. Como qualquer time profissional, o Tricolor (vermelho, verde e branco), conta com o apoio, ainda que reduzido, de torcedores apaixonados que acompanham todos os jogos e demonstram dedicação exclusiva e incondicional ao clube. Segundo Marcelo, dentro da Diabos do Planalto não existe hierarquia, nem nenhuma outra característica de uma torcida organizada, “nós somos simplesmente o pessoal que está sempre aqui no Vermelhão da Serra”. Dizem que em quase todas as áreas a qualidade compensa a quantidade, talvez não seja o caso de uma torcida, que quanto mais gente mais força ela tem. Porém a qualidade não deve ser ignorada e é nesse aspecto que os Diabos do Planalto se destacam. Mesmo sendo formada relativamente por poucas pessoas, essas poucas se dedicam exclusivamente ao Passo Fundo, coisa rara no futebol do interior. Algumas pessoas que estão mais envolvidas com a torcida deixaram de lado a dupla Gre-Nal para torcer exclusivamente para o Tricolor. “Não somos contra os clubes de Porto Alegre, tanto que não são todos que seguem essa ideologia e nem impomos isso a ninguém, mas é o que sentimos. Não se escolhe deixar de torcer,
nós apenas achávamos que torcíamos para Grêmio e Inter” disse Marcelo. Outro integrante da torcida, Thiago da Silva Carneiro explica como deixou de torcer pelo Internacional. “Eu deixei de acompanhar um Gre-Nal na final do Gauchão para vir ao Vermelhão da Serra e começar a concentração para um jogo do Passo Fundo, era um jogo qualquer, que ia acontecer em horário diferente ao Gre-Nal. Eu poderia ter visto os dois jogos, mas percebi que o que realmente me importava era apoiar o Passo Fundo. Aqui no Rio Grande do Sul tem aquela história de que ou você é Gremista ou é Colorado independente se gosta ou não de futebol, assim eu achava que era Colorado, quando na verdade sempre fui Tricolor, o de Passo Fundo é claro”. A Diabos do Planalto ainda é uma torcida nova, mas seus ideais demonstram um espírito antigo, pouco visto hoje em dia. “O futebol é movido a sentimento e este sentimento é inexplicável e descontrolado. O povo hoje é movido a vitórias e é por isto que clubes como o Passo Fundo são vistos com maus olhos. O Tricolor é um clube como qualquer outro, independente da divisão, da situação financeira. São 90 anos de história dentro da nossa cidade, e isto precisa ser valorizado. Enquanto tivermos garganta, lutaremos pela sobrevivência do futebol pelo futebol”, finalizou Marcelo. UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
CAMILA MORGADO
BELLA CITTÁ SHOPPING Loja 257 • Tel.: (54) 3046--0106 MORANA.com.br
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Meu quarto, meu mundo Por: Fotos:
Juliana Scchneider Equipe Alt
o entrar no apartamento de Élin você pensa: Artistas vivem por aqui. Não há uma parede sequer sem intervenções de pinturas ou colagens. Élin Godóis tem 21 anos e é estudante de design de moda do último semestre na Universidade de Passo Fundo. A moça é de Palmeira das Missões, mora em Passo Fundo há dois anos e trabalha como estilista da Occam, marca aqui da terrinha. E, logo de cara, quando perguntada onde poderia ser nossa conversa Élin diz: “Meu quarto! É lá onde tem tudo que fala sobre mim”. E fala muito. Passar a porta que leva ao quarto de Élin é entrar em um universo super particular. Máquina de costura, rádio antigo, LPs, móveis de época, quadros, peças customizadas. Ao som de Los Hermanos, Élin contou que para ela, a moda, além de profissão, é uma maneira de contar histórias e construir uma identidade. Além disso, ela diz que trabalhar com moda é contraditório, pois ao mesmo tempo que precisa estar a par das tendências para criar em seu trabalho, as roupas que escolhe para vestir são uma fuga do universo ditatorial que muitas vezes a moda se torna. Para vestir, Élin procura peças mais irreverentes e únicas, criando ou customizando as roupas para deixálas com a sua cara. E isso, ela garante, se estende para todos os aspectos da sua vida. Misturar o novo com o antigo, estilos diferentes, estampas e cores. Segundo Élin, isso é o que a constrói. “São várias referências, de universos diferentes e que fogem de um padrão comum”. Para conseguir seus looks, a estudante de moda costuma garimpar peças em brechós da cidade. Além disso, ela costuma adquirir peças e nelas fazer algum tipo de interferência como bordados, recortes ou até mesmo gravuras. Para ela marcas estão em segundo plano, o que vale é uma modelagem diferenciada, uma estampa legal ou até mesmo um preço bacana. UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
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Neste look, Élin optou por uma blusa que ela fez algumas intervenções: recortou, aplicou tachinhas e corrente Para o dia a dia, Élin aposta em looks mais descontraídos: calça skinny, camisa e tênis All Star
O vestido é criação de Élin para uma formatura: a mistura de texturas e estampas é característica de sua irreverência
As bolsas também são criações da quase designer
Peças que Élin garimpou em brechós da cidade que compõe seus looks
Acessórios não podem faltar
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à espera de um renascimento. Carcaças de puro torque e metal que aguardam a tinta certa para voltarem a brilhar nas ruas de qualquer lugar. Tudo mais parece um paraíso de carros, onde os mesmos só ficam ofuscados pelo batom vermelho de Bruna Mesquita.
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Cadillac dreams Texto: Fotos: Edição de moda:
Daniel Bittencourt Rodrigo Ferrão
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eio mulher. Meio menina. Meio pin up... Bruna é o melhor contraste ambulante que qualquer homem poderia imaginar. Sua pele branca, seus cabelos negros, sua boca. Tudo nela parece existir de forma sublime, mas não pense que lidar com isso tudo é fácil. Bruna, assim como os carros que a rodeiam nesse ensaio, é uma mulher com manual. Para decifrar o que seus olhos escuros querem te dizer, é preciso saber das coisas, ser forte e ter coragem. Tanto é que nossa capa não titubeou quando propomos a ela fazer as fotos dentro de uma oficina mecânica de carros de coleção. Ela, que estuda Educação Física, não teve problemas em encarar veículos tão possantes quanto ela mesma. Nem o óleo, a graxa, os homens e todo o universo que compõe um espaço dedicado para os carros fizeram Bruna dar meia volta. Duvida? Então, boa leitura. Se for o caso. UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
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Fotos: Rodrigo Ferrão Edição de moda: Juliana Scchneider Cabelo e Maquiagem: Manno Escobar Cabeleireiros Agradecimentos: Damyller e Morana Acessórios
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Confira no site fotos exclusivas do ensaio com a Bruna.
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DO N U F O ÃO S X I S A A P P E A V B O U IA L N R C A Ó E T M T IS U R H , O E B SA S U ESP O L N C A O D V O TE MN PAR
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Paulo ferrareze Filho
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DO PINTo POÉTICO
Nunca antes na história desse país uma ideologia política poderá arrebanhar tantas identidades. O partido terá que ser criado. Vou chamá-lo de PPP – partido do pinto poético. Explico: o pinto da maioria dos homens é poético. Poético é um jeito de dizer que os paus de quase toda a gente são equilibrados, sem exageros de estilo, sem carnes em excesso. Pesquisas comprovam que os paus que mais existem, são os paus comuns. O problema todo é que estamos na era do desempenho olímpico de tudo. Temos que ganhar grana demais, temos que trepar como uns exterminadores do futuro, temos que comer grão de bico pra cagar direito. Temos que ter paus astrológicos: grandes, duros e longínquos como os planetas. Sou ainda um modernista e um nazista. Como moderno, acredito na força das maiorias, quero que as exceções se explodam. Como nazista, acho que todos os caras com paus de tamanho japonês ou os planetários, devem morrer. Nós, elite majoritária de paus comuns e, portanto, poéticos, tomaremos o poder. Temos a cabeça do pau inchada de poesia para as tristezas femininas.
Faremos propaganda demonstrando os benefícios terapêuticos de um pau comum, que é o futuro da terapia e da medicina holística. Não machuca na entrada e é discreto na saída. É um gentleman natural. É garçom de restaurante caro. Os pintos grandes têm o meu desprezo porque puxo a brasa para o assado do PPP. Além disso, minha anima afirma intuitivamente que paus grandes ou tem donos pobres,
ou são de canalhas que não sabem mentir, ou de homem com complexo de Édipo inflacionado...todos, enfim, problemas que nenhuma mulher quer ter. Já existem dados suficientes pra se concluir que, em geral, os pintos poéticos vencem. E vencem sem arrogância, mas porque sabem que não se deve telefonar muito para presentear com dúvida e saudade. As mulheres não têm tesão por pau grande, mas pelas dúvidas grandes. Fique tranquila leitora, homens com pau poético sabem fazer gozar. Os integrantes do nosso partido são médiuns do prazer. Sabem que é preciso ser um espírito que assopra nos ouvidos alguma mentira que deixa de ser mentira porque é a verdade do presente. Os homens de pau médio sabem dos territórios que existem além do território das carnes. São cartógrafos do prazer carnal e espiritual, porteiros da realidade honesta.
As equivalentes femininas do homem de pau poético são as mulheres equilibradas entre a gostosura fantasiosa e as feiúras que nos fazem descrer em Deus. Tem gente que é feia como o Diabo na cruz. Claro que o caráter exterior das mulheres é imprescindível. De qualquer forma, às feias, peço que se tranquilizem. Sempre tem um japonês ou uma anaconda semi-dura à sua espera. Os paus médios são presentes de Deus às mulheres que serão gordinhas com 45 anos. Aristóteles estava certo quando falou que ser equilibrado era o melhor caminho pra viver bem.
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Thiago Pethit não é um cara comum. Transita entre o português, o inglês e o francês em suas músicas com uma naturalidade ímpar - “eu ainda prefiro fazer as músicas que eu gosto e que tem valor pra mim, seja no idioma que for” - , recria em seus palcos uma mescla de cabaré com Vaudeville, e funde tudo isso com uma naturalidade pop de encher os olhos. Com essa mesma naturalidade, o paulistano contou a Alt como foi largar o teatro para se dedicar à música, qual é a sensação de estar em listas de promissores artistas do ano de publicações do gabarito do jornal The Guardian, e até o sentimento ao receber elogios de Caetano Veloso e Vincent Moon. E, ainda, como foi a ideia de criar “um clipe para Alice Braga”...
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Por: Foto:
Pablo Tavares Gianfranco Briceño
u sou um cara eclético. No momento em que escrevo esse texto, olho para meus discos e vejo Tim Maia brigando por atenção com o Oasis, o Charly García, o Rod Stewart, o Morphine e o bardo Neil Young. Isso tudo com o jovem Paolo Nutini embalando essa imensa concentração de músicos diferentes, porém autênticos. Fora os outros que estão em outro lugar da casa, canto este onde os Stones dividem kitinete com o Suede, com o Placebo, Bob Marley, Dylan, Alanis, Pixies, Brendan Benson... (até o Moby deve estar ali!). Sempre achei que essa coisa de se fechar em um estilo específico ou em uma “tribo” só serve pra te deixar mais burro, ou te transformar em “um adulto que não cresceu”. Thiago Pethit compartilha dessa ideia. “Eu sou realmente muito eclético. E acho que hoje em dia, todos são. Existe música para cada hora do dia, para cada situação. E já não existem mais aquelas coisas geracionais de ‘tribos’ que curtem isso ou aquilo. Ou se existe, são bem menores que antigamente. Tem música para sair pra dançar e música para escutar sozinho em casa. E eu gosto de todas essas.” Além de eclético, Pethit é, acima de tudo, um cara autêntico. Um artista que levou esse ecletismo para sua música e moldou sua carreira entre o clima de teatros de Vaudeville, passando pelo cabaré e pela simplicidade do pop sem pudor algum. Um cara inrotulável, ou melhor ainda, “um ET em qualquer prateleira rotulada.”
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O inimitável Ator por formação (O Pethit de seu nome vem de um personagem de cabaré que interpretou), Thiago largou a longa carreira nas artes cênicas para se dedicar à música, com um quê de acaso. “Primeiro, eu havia começado no teatro ainda muito novo. Com nove anos já tinha estreado uma peça profissional e com 15 estava estudando seriamente e trabalhando na área. Foram quase 10 anos de trabalho e o suficiente para sentir que eu não queria mais trabalhar com aquilo. Quando comecei na música, foi justamente por meio do teatro, convidado para dirigir um show de dois amigos músicos. O acidente foi o convite deles para cantar e compormos juntos algo do repertório do show. E a partir daí, fui mais ou menos planejando essa nova carreira.” Talvez por essa formação teatral, Pethit tenha uma grande preocupação com a autenticidade no que faz, mesmo tendo influência claras de gente do naipe de Tom Waits . “Me sinto muito influenciado pelos músicos que de alguma forma também tiveram alguma influência teatral, como o Tom Waits. Essa história de me compararem com o Beirut (eu disse a ele que algumas pessoas o comparavam à banda de Zach Condon, e que eu discordava) não me incomoda em nada, mas eu sempre sinto que é falta de referência e conhecimento cultural: antes do Beirut existia o Yann Tiersen (multi-instrumentista francês, compôs a trilha sonora de O fabuloso destino de Amélie Poulain), antes do Tiersen, toda a música francesa de séculos e todos os cabarés alemães e da Europa Oriental. Nessas coisas todas, eu sempre me inspirei”, completou. Pethit sempre mostrou a real preocupação em sua carreira de fazer música com “conceito”, não apenas por ter algo para dizer. O que o fez aproximar-se de gente como Arthur de Faria, músico gaúcho que tem uma obra musical que, assim como a sua, foge de rótulos. “O Arthur é um músico sensacional. Inteligente, conceitual, além de ser bom músico. O que eu mais sinto falta hoje em dia é isso, no Brasil. Bons músicos e gente talentosa, têm muitos. Mas artistas que têm um conceito, e isso não é aquele papinho de ‘ter o que falar’ (risos). Oras, todo mundo tem o que falar. Mas pensar a música conceitualmente, com uma linguagem artística que não seja ‘lugar comum’ é bem difícil de encontrar. O Arthur é desse tipo. A Cida Moreira, também.” Mas Thiago sabe que essa forma de trabalho não é fácil de manter no mercado brasileiro. “É muito difícil. De forma artística e conceitual, meu trabalho não consiste em nada mais do que retrabalhar com os gêneros clás-
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sicos criados no século passado, com uma visão de quem cria música popular. Mas isso aqui no Brasil, em termos de mercado, é um rompante.” “Uma cidade inventada” Não é pretensão dizer que Thiago Pethit incluiu Berlim, Texas no mapa. Não sei se há termo melhor para sintetizar o universo do primeiro disco completo dele (antes, Pethit havia lançado um EP e um single). Berlim, Texas, ao contrário da Paris, Texas (a cidade realmente existe) de Wim Wenders, foi criada por Pethit. “Pois eram os dois cenários antagônicos que compunham o disco, na minha cabeça. Mas como se fossem um lugar só. Uma cidade inventada neste estado inventado. O disco todo foi feito em quatro meses de gravação produção pelo Yuri Kalil (Cidadão Instigado) e mais ou menos um ano da minha composição das 11 faixas. Durante as gravações, tive muitas vezes que dar imagens e cenários que descrevessem a ideia de cada música, tanto para o Kalil quanto para os músicos. E disso, veio o nome ‘Berlim, Texas’.” O processo de criação de Berlim... diferencia-se bastante dos outros trabalhos de Thiago, como o EP “Em Outro Lugar”. “Foram processos completamente distintos. O EP foi minha primeira experiência com música e era muito mais um estudo pessoal para mim mesmo, para que eu descobrisse o que eu poderia e sabia fazer com música, com canto, com letra e estilo, com a única finalidade de mostrar para meus colegas de trabalho e ver o que poderia acontecer. E já que aconteceu de inesperadamente, aquilo se tornar o meu trabalho autoral, usei o que eu tinha aprendido para fazer o ‘Berlim, Texas’ e assumir minha individualidade musical. Com mais acertos e mais experiência em todas as técnicas.” Uma das pessoas que mais influenciou Pethit a seguir nesse caminho foi a cantora paulistana Tiê. ”Antes de
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Fotos: Gianfranco Briceño (1 e 2); Divulgação (3, 4 e 5); Caroline Bittencourt (6).
A estética do clipe Parafraseando Vitor Ramil e sua estética do frio, Pethit tem um grande apreço com a estética de seus clipes. “Certamente é algo que eu aprendi quando
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fiz teatro. É aquele papo do conceito. Eu gosto disso, de ter uma linguagem que seja muito própria e minha, como criar um ‘mundo a parte’ onde eu dialogo com os outros mundos. Os clipes, a capa do meu disco, as escolhas são todas estéticas. E isso tudo é formação de linguagem e comunicação. Tudo que eu faço, tenho a preocupação de dar mais pistas sobre quem eu sou, sobre como eu penso, como é a minha cabeça e o no que eu acredito.” O seu vídeo de maior sucesso é, sem dúvida, o da canção “Nightwalker”, um videoclipe em plano-sequência estrelado por Alice Braga, sua ex-colega de faculdade. “A Alice é uma grande amiga, desde os tempos de ator. Estudamos juntos na faculdade e nos separamos quando ela foi viver em Nova York, após o sucesso de ‘Cidade de Deus’. Nos reencontramos por acidente no fim do ano passado e ela tinha acabado de descobrir que eu era o ‘Pethit’. Pois quando nos conhecemos, eu ainda era ator e tinha outro nome artístico. Planejamos ali fazer um trabalho juntos e por isso contatei a Vera Egito e a Renata Chebel, para criarem comigo o que seria um ‘clipe para Alice Braga’”, completou . The Guardian, Caê e Mathieu E essa individualidade musical que Pethit busca já lhe rende frutos. O jornal britânico The Guardian o elegeu como
um dos mais promissores artistas de 2011, e Caetano Veloso o apontou como um dos destaques da atual música brasileira. Mesmo com esse aval, Thiago não encara isso com deslumbre, longe disso. “Não muda nada na vida pessoal e muito, mas muito pouco na vida artística. Ao contrario do que se pode imaginar. Para realização pessoal, conhecer um ídolo como o Caetano, e ser elogiado, já faz com que tudo valha bastante a pena. Mas quando a gente sabe o tanto que plantou e olha as plantas que cresceram e as que não cresceram, tudo têm um valor muito particular. É bastante valor, não nego, mas é diferente do valor de quem vê de fora.” Pethit segue trabalhando seu disco Brasil afora. Mas a sua arte já ultrapassou fronteiras. O site francês La Blogothèque, é popular por sua forma de registrar o talento de diversos artistas. Desde 2006, o cineasta Vincent Moon, idealizador do projeto, convida novos músicos para apresentações inéditas às suas lentes. A única regra? O cenário deve ser único, inusitado ou simplesmente inspirador (por exemplo, telhados de igrejas, prédios abandonados, ruas simpáticas ou caiaques). Thiago gravou três “take away shows” (como são chamadas as apresentações) no Minhocão, conhecido por ser uma estrutura arquitetônica tradicional, mas deselegante de São Paulo. Aos domingos, a via expressa é fechada para o trânsito e vira uma praça pública. “Isso foi muito legal. O Mathieu (é o nome verdadeiro de Moon), esteve em São Paulo, por uns três meses, no ano passado. E o meu show foi o primeiro que ele assistiu por aqui, indicado por umas tantas pessoas que eu não sei quem foram. Segundo ele, meu show o deixou impressionado pela mistura francesa e cabarezística, mas com os aspectos e o sotaque brasileiro e atual. Nos conhecemos logo após o show e ele me fez o convite para participar do site.” E, antes de tudo, o La Blogothèque é eclético. Assim como eu, o Thiago, e você (espero). Diante disso, encerrei a entrevista perguntando se poderíamos definir o seu som e seu estilo como uma espécie de um enorme mapamúndi. “Um enorme e imenso mapamúndi, porém inventado (risos).” É, acho que todos nós inventamos o nosso também... UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
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tudo, (a Tiê) é uma grande amiga. Alguém com quem tive uma afinidade pessoal que se transformou em trabalho e que eu sinto que tem um resultado que me agrada muito, enquanto artista. Ela foi a primeira incentivadora para que eu cantasse e me ensinou muito sobre música.”
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Thiago Capuano
Entre o Ovo e o Caviar
No momento em que dispuseram poder escrever um texto, com a possibilidade de ser impresso para este caderno, ao contrário da emotividade entusiasta no pensamento da oportunidade, me ocorreu um sortilégio de dúvidas preocupantes, de diversos aspectos relacionais. Estou muito longe de ser um profissional da escrita. Sei encontrar a correta aplicação de termos pelo seu sentido e significado no conjunto das frases com conformidade, me permitindo certa desenvoltura na elaboração. No entanto isso é o mínimo que se espera de um acadêmico. A grande preocupação consistiu diretamente no tema e teor a ser abordado, o que não significa que eu não possua assuntos significativos que possa escrever ou que não possa arrefecer uma dinâmica sucinta sobre um conteúdo a ser tratado. Temas costumo eu tratar dos mais variados, em diversos canais da interação humana, já há um longo período de tempo, perdidos pelo meio de comunicação global. Nada significativo ou que se deva dar importância talvez, ocorridos pela provocação e motivação da pauta em soslaio. Porém, tenho que convir a convencionar todo um conjunto de fatores relevantes da composição. Afinal a última coisa que alguém precisa para a coleção de micos é ter sua receita de bolo de amendoim impressa na página policial entre o assalto a banco e a captura do foragido. Ou, análogo a isso, entrar em um baile funk vestido de smoking e dançar Macarena. A credibilidade do tema fora apresentada como livre, mas ainda concebo o temor da aceitação. Quantas pessoas dariam crédito como, por exemplo, à implantação de chips no cérebro por alienígenas através do ‘retículo’? No entanto, como não se bastasse a isso, o meu método de abordagem em sua conduta descritiva de costume foge com facilidade e frequência da habitual definição de convencional na discrição. Em resumo: posso escrever não sei sobre o que, apesar de ter o que, a primeira edição impede-me de um referencial e liberdade demais assusta. Abra a braguilha na rua e confirme.
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Argum
Argumentos cinematogrÁficos
Fazer cinema não é mais aquele bicho de sete cabeças. Exatamente agora, enquanto você lê esta matéria, várias pessoas resolveram tirar o sonho de fazer um filme de dentro do sótão e colocaram a mão na massa. Literalmente. Por: Fotos:
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Daniel Bittencourt Fabiana Beltrami, Raquel Pirovano e arquivo Cinemeta
mentos uando se pensa em cinema, logo surge à mente grandes e longas produções, com centenas de pessoas envolvidas, atores de renome e equipamentos cujas cifras beiram a casa dos milhões de reais. Mas hoje, com o fácil acesso a novas tecnologias, tudo isso mais parece alguma cena do passado. E Passo Fundo não fica fora desta. Dois grupos de amantes da sétima arte vêm trabalhando com produções audiovisuais há mais de cinco anos. São curtas-metragens, vídeo clipes de bandas locais, documentários e até um longa-metragem recheiam os currículos deste pessoal.
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Curta Os Covas. (esq. Para dir.) Cristian Cardoso (Letícia), Tony Campos (pai) e Ale Fortes (mãe)
Do teatro para as lentes
O Metamorphosys Cia Teatral é um exemplo. A equipe vem trabalhando com teatro desde o início do ano 2000 e sempre flertou com o vídeo. O grupo, formado pelos atores Cristian Cardoso e Cesar Scortegagna, resolveu investir em curtasmetragens a partir de 2005. “Nós fazíamos a peça A Paixão de Cristo e na cena do enforcamento de Judas resolvemos fazer um vídeo para largar durante a encenação. E isso foi meio que um princípio das produções”, explica Scortegagna. Daí para a frente o cinema foi ganhando cada vez mais espaço na vida teatral de toda a equipe. Tanto é que desse flerte surgiu o grupo Cinemeta e o primeiro curta, chamado Os Covas, um filme de humor negro com pouco mais de 12 minutos, feito basicamente para ser visto no site de vídeos Youtube.com.
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Seis anos e cinco filmes depois*, o Cinemeta viu que precisava investir mais em qualidade para que o amadorismo fosse deixado de lado. “Chegamos num ponto em que o grupo viu que precisávamos melhorar a qualidade de nossos curtas, para sair da fase experimental e dar mais atenção à qualidade”, diz Cristian Cardoso. E é aí que surge o filme X Paranóia. A produção, feita em três dias de gravação, conta a história de dois homens em uma mesa de bar, discutindo teorias de conspiração. Livremente inspirado no curta Tarantino’s Mind**, o filme tem roteiro de Cardoso e direção de Scortegagna. Câmera digital profissional, travelling, luz, som direto e todo um aparato de equipamentos de qualidade foram usados nas gravações que envolveram cerca de 20 pessoas entre atores e equipe técnica.
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Locação de X Paranóia
Equipe de produção de X Paranóia
* Produções da Cinemeta 2006 – Os Covas 2007 – Balaço 2007 – Dia de Finados 2009 – As Cinco Pontas 2011 – o Futuro 2011 – X Paranóia (em fase de finalização)
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Saindo do experimentalismo
** tarantino`s mind
Tarantino’s Mind é um curta-metragem brasileiro estrelado por Seu Jorge e Selton Mello, que interpretam dois amigos que se encontram em um bar para falar sobre uma teoria de conspiração entre os personagens dos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino.
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Fabi Beltrami e Roberto Pirovano Zanatta passando o texto do documentário sobre o escritor
Qual o valor nutricional de uma Beterraba?
Uma beterraba, ao ser cortada ao meio, tornase vital pelo preâmbulo que faz ao redor de si mesma. Ou seja, este tubérculo, cortado em duas partes, delineia o seu próprio espaço. Seus traços vão lentamente seguindo a forma de uma película de cinema. A cada volta uma história, uma produção, um resultado. Se, posteriormente, uma parte da beterraba for encaixada à outra, essa forma de rolo de filme se emenda, numa perfeita união de criatividade com simplicidade. Tal exemplificação sui generis é o texto inicial do site da Beterraba Filmes, produtora de audiovisual de Passo Fundo. E assim como um rolo de filme***, este pessoal vem criando produções interessantes sempre conciliando a publicidade com o cinema. “A Beterraba surgiu a partir de um trabalho de publicidade. E fazer vídeos publicitários dá uma cancha e desenrola o cara. Então, sempre é bom conseguir unir os dois”, diz Carlos Teston, um dos sócios da Beterraba Filmes.
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Leonardo Gobbi e Fabiana Beltrami se juntam a Teston para compor a equipe que traz na bagagem até a produção de um longametragem (com 85 minutos de duração) chama Ambulatório das Falsas Crenças, filme gravado em 2010, roteirizado e dirigido por Jorge Alberto Salton e que foi feito com a participação de estudantes do curso de medicina da Universidade de Passo Fundo e médicos de Passo Fundo. E neste casamento perfeito com a produção publicitária e o cinema, a Beterraba vem trabalhando com audiovisual de forma profissional, integral e lucrativa. “A internet derrubou aquele estigma de que fazer cinema é difícil. Com a facilidade que existe para se comprar equipamentos é fácil se motivar”, afirma Leonardo Gobbi, cinegrafista e sócio da produtora. Mesmo trabalhando em diferentes tipos de produções e roteiros, o que estas duas equipes possuem em comum é, alem da paixão pelo cinema, a coragem e disciplina para realizar seus trabalhos. Seja com um grupo de amigos, ou de forma mais profissional, o que interessa é produzir. E é aí que a máxima “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, deixa de soar tão antiquada, para ganhar um novo ânimo. Com as inovações tecnológicas e o fácil acesso a elas, basta seguir o que todas essas equipes ditam em uníssono: “Quer uma dica para fazer cinema? Tem simplesmente que fazer!”.
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Curta Explorador na Ilha Pirata, baseado no texto O Explorador e Suas Aventuras, de Roberto Pirovano Zanatta
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Leo Gobbi (de vermelho) e Carlos Teston definindo enquadramento do curta O Explorador na Ilha Pirata
***Produções da Beterraba Filmes
2007 – Clipe da música Clubinho, da banda Dinartes. 2008 – Programa que apresentava os curtas-metragens da 1a edição da mostra Goio-en de vídeo. 2009 – Documentário ficcional sobre a obra e vida do escritor Roberto Pirovano Zanatta. 2010 – Longa-metragem Ambulatório das Falsas Crenças. 2011 – Clipe da música Um Garoto Sonhador, da banda Jimmy Dog. 2011 – Curta-metragem de ficção infantil baseado na história O Explorador e Suas Aventuras, de Roberto Pirovano Zanatta, usando recursos de animação digital e todo gravado em Full HD.
Já saiu
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SuperHeavy
A voz familiar de Jagger em meio a uma loucura de sons indianos, jamaicanos e jazzísticos é como um porto-seguro, um indicativo da qualidade do projeto que une cinco artistas completamente distintos em SuperHeavy. Anunciada em maio após 2 anos de trabalho em segredo, a banda conta com o vocalista dos Stones, o ex-Eurythmics Dave Stewart, a cantora Joss Stone, o filho mais novo de Bob, Damian Marley, e o indiano A. R. Rahman, conhecido pela trilha de Quem quer ser um milionário?. Por mais estranho que possa soar o conjunto, é justamente essa diversidade que torna a SuperHeavy uma boa surpresa no meio de tantas regras e preconceitos que deixam tudo igual na música de hoje. Lançado no final de setembro, o álbum tem doze faixas, entre elas Miracle Worker, que já possui clipe rolando na internet.
por Marin
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Vai sair Noel Gallagher’s High Flying Birds
17 de outubro: esse é o dia em que o mundo vai conhecer Noel Gallagher por inteiro. Primeiro álbum solo do músico após quase 20 anos à frente do Oasis, o trabalho tem tudo para ser um dos discos do ano. Após lançar as faixas The Death of You and Me e The Good Rebel, que soavam como Oasis em sua melhor fase - porém sem tanto do traço megalomaníaco que o caracteriza -, o músico atiçou os fãs com a excelente If I Had a Gun, um daqueles legítimos exemplos de balada à la Noel, que parece ir deslizando pelos ouvidos até alcançar um momento grandioso e ganhar você sem nem precisar de uma segunda audição. Mais detalhes no site oficial, www.noelgallagher.com.
Lou Reed + Metallica = Lulu
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Incógnita
“A melhor coisa feita por alguém em todos os tempos”. Foi assim que definiu seu próximo trabalho o nada egocêntrico ex-líder do Velvet Underground. Se o caçula de Noel exagerou quando disse que seu álbum com a Beady Eye seria o melhor dos próximos 50 anos, Lou jogou no lixo tudo que já foi feito na música até então. Antes de anunciar a inusitada parceria com o Metallica, o respeitado roqueiro andava surpreendendo em seus shows, mas nada que preparasse para isso. Intitulado simplesmesmente “Lulu”, o disco previsto para chegar às lojas em 31 de outubro é baseado na peça teatral homônima inspirada nas obras do expressionista alemão Frank Wedeking. O pôster, trazendo um manequim sem braços e título aparentemente escrito com sangue, foi banido dos metrôs de Londres no mês passado. Com tudo isso, ainda é difícil dizer se Lou Reed está próximo de se revelar ainda mais genial, ou se está apenas caminhando rumo à demência. De acordo com ele, esta é a sua melhor fase.
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vacca Reynaldo Miglia
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Sempre existe alguém que a gente conhece, mas que já se mandou daqui para outros pontos do mundo. Não falo daqueles que fazem o clássico mochilão. Digo do pessoal que trocou Passo Fundo por outros ares. E esse é o caso do Reynaldo Migliavacca. O cara, que é baterista nato, nasceu em Casca mas foi em PF que ele explodiu para a música. E entre as bandas da vida, ele foi para Porto Alegre tocar com a Severo em Marcha e já faz uns cinco meses que agora ele mora na cidade inglesa de Oxford. E trabalho? Ele é baterista da banda Charly Coombes & The New Breed. Para você ter uma noção de quanto isso é importante, Charly Coombes é irmão de Gaz e Rob Coombes, os caras do Supergrass, banda inglesa que marcou época. O Charly é multiinstrumentista e já tocou na banda dos irmãos e até com o Oasis em 2005. E o Reynaldo é o novo baterista do senhor Charly. “Eu estava há um mês em Londres e entrei em contato com a banda através de um anúncio que uma amiga me mandou. Fiz duas audições e passei”, diz Miggi, que ganhou esse apelido do próprio Charly. Por: Fotos:
Daniel Bittencourt Arquivo pessoal
Nome: Miggi Reynas (ou Reynaldo
Migliavacca Neto)
Idade: 27 Profissão: Músico Cidade onde nasceu: Casca - RS Cidade onde mora agora: Oxfo
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Qual o motivo que te fez ir até aí? Eu estava envolvido com proje tos muito bons em POA, tocava com bons músicos e amig os. Mas pensava nessa mudança já há alguns anos e bote i na cabeça que tinha que ser agora. Estava ansioso pra conhecer essa terra de onde saíram os músicos que mais me inspiraram desde quando comecei a tocar bateria. Ainda quero bater um papo com os que continuam vivos . Quanto tempo está fora? Cheguei dia 25 de Maio de 2011 em Londres. Me mudei para Oxford dia 1 de Agosto. Faze m 4 meses no total. Qual a maior diferença entre a sua cidade e a cidade onde você mora agora? A cidade onde eu nasci tem 8 mil habitantes. Quem escolhe trabalhar com música tem mais opções quando se muda para uma cidade maior. Você encontra mais inspiração e diversidade. Se for para outro país é melhor ainda, porque a cultura é diferente. Ness as mudanças tu vai agregando conhecimento, vai aprenden do de tudo e é isso que eu acho importante. Como foi que você conseguiu entrar para banda Charly Coombes & The New Breed? Fiquei sabendo por uma amiga que me enviou um e-mail dizendo que a banda estava prec isando de baterista. Nessa época eu estava morando há um mês em Londres. Entrei em contato com eles e passei por duas audições. Duas semanas depois que me deram a notícia que eu tinha passado. Daí iniciamos a gravação do terceiro EP do grupo, que vai se chamar Noise Control, ainda sem previsão de lançamento. Já que você é baterista, o trab alho aí é mais autêntico ou rola o clássico jabá de rádio? Com a New Breed o som é autoral. Mas o que também rola nos pubs são duplas ou trios faze ndo som cover, som pop, mas ainda tudo dentro do Rock. O que é melhor: Brasil ou Ingla terra? Uma coisa que me incomoda muit o no Brasil é a violência. Já fui assaltado várias vezes e em qualquer lugar que tu vai tem alguém te pedindo dinh eiro. Quando morei em Londres foi tranquilo. Pegava ônib us de madrugada e nunca aconteceu nada suspeito. Aqu i em Oxford é ainda mais tranquilo. Mas tem várias coisas que acontecem também, como pegar metrô ou ônibus lotad o, congestionamento. Problemas que qualquer cidade grande enfrenta. Na questão musical eu sinto que a gente é mais “roots”.
Ainda somos mais influenciados pelos primórdios do Rock. Aqui o pessoal (na sua maioria) é mais influenciado pelo o que está tocando agora. Eles conhecem várias bandas novas. Acredito que isso aconteça porque o eixo EUA/UK é bem forte. As bandas dos EUA vem lançar seu PRIMEIRO álbum aqui na Inglaterra e vice-versa., mas se apresentam no Brasil bem depois. Portanto quando a cena brasileira começa a ser influenciada, a onda por aqui já passou. Por isso é tão difícil para os brasileiros citarem a moda da música mundial, pois não estamos localizados entre esse eixo. A coisa mais “afudê” é que no Brasil também temos bons músicos, identidade e boa música regional. O que são atributos adm irados pelo mundo afora. Então tem esse lado positivo de não estar entre esse eixo, assim contemplamos de uma cultu ra e formação à parte. Do que você tem mais saudade? Impossível não falar da família, dos amigos e da minha garota que ficou em POA. Também tenho saudades dos meus LP’s e de tocar na minha Ping uim Amarela (bateria). Decretei os dias de domingo aqui como o dia da saudade. O legal é canalizar tudo isso e trans formar em música e é isso que estou fazendo. Onde a cerveja é melhor: aqui no Brasa ou na Inglaterra? Tem uma grande variedade por aqui e eu tento provar todas. Vou citar três marcas que eu realmente gosto: Guinness, Newcastle Brown Ale, Beck ’s Pale Larger. Produzidas no Brasil tem muitas que eu gost o: Heineken, Coruja Extra Viva, Kaiser Gold, Caracu, Bohemia ... é, ainda tenho mais experiência no mercado brasileiro . É verdade que os londrinos tem bafo? Acho que não. E as londrinas? Com certeza não tem.
O que as inglesas têm de melh or que as brasileiras? De melhor, nada. São diferentes, tem menos bunda, mas também são bonitas. Oxford é uma cidade universitária, tem bastante variedade, para todo s os gostos. Tem mulher de todos os cantos do planeta que vêm para estudar aqui. Aquela história de que na Inglaterra não tem mulher bonita é pura besteira, meu velho. UMA REVISTA PLURAL LARULP A TSIVER AMU
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UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
João Vicente Ribas
Vá de camelo, meu filho; mas não esqueça o casaco!
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Hoje ando habituado ao trânsito de grandes cidades, esteja aqui ou além-trevo, a bordo de um Clio 2005. O tempo passa e a ferrugem come, não é mesmo? Confesso que já tentei a sorte nas ruas pedalando, para ficar em forma. Mas começo a pensar em me locomover sem carro. Retorno à infância? Retornasse à época dos tropeiros, daria um jeito de encilhar um cavalo. Talvez fosse mais barato e menos arriscado, pois nas ruas asfaltadas de hoje, qualquer tentativa de mobilidade se torna uma questão de dinheiro e segurança. Quantos amigos nossos já foram vítimas de um mundo onde construímos estradas para automóveis? E quantos mil reais gastamos para comprar nosso direito de andar pra lá e pra cá? Há cidades onde as pessoas andam muito de bicicleta. Em Copenhague, capital da Dinamarca, os engarrafamentos não são de carros. Em Porto Alegre, as magrelas formam a Massa Crítica, uma vez por mês. Mesmo na capital federal, Brasília, há a cada dia mais gente reivindicando espaço para seus camelos irem e virem livres. De fato, o tempo seco e o terreno plano do cerrado são propícios para alavancar sucesso nacional com o mesmo meio de transporte que Eduardo usava, na música Eduardo e Mônica da banda Legião Urbana: a bicicleta; na gíria local: camelo. Vai a Porto Alegre, então aprenda a consertar Na capital dos gaúchos, enquanto alguns desfilam a cavalo no dia 20 de setembro, outros se juntam para pedalar, mantendo a saúde e obrigando os amigos pilotos a reduzirem a velocidade e a darem espaço nas grandes avenidas. Infelizmente, nem sempre os motoristas são gentis. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o passeio ciclístico da Massa Crítica virou manchete nacional por causa do atropelamento de 15 ciclistas. Há ainda em Porto Alegre uma galera que se reúne todo final de mês numa oficina, para aprender a consertar suas próprias bicicletas, na sede da organização não-governamental Cicloativos, no bairro Menino Deus. Quem participa evita ficar na mão com um pneu estourado ou uma correia quebrada, no meio da selva de pedra. Pura filosofia zen, tal o livro da arte da manutenção de motocicletas, de Robert M. Pirsig.
Não chupe bala de goma pra não engasgar Em Passo Fundo, asfalto é coisa sagrada. Só permitimos merda em cima dele em festejo farroupilha. E só lembramos do que há embaixo dele por causa das obras de saneamento que iniciaram ano passado e devem terminar em 2013. Enquanto isso, reclamamos dos caminhões, máquinas e tubos que atrapalham nosso desfile no asfalto quebradiço. Não estaria na hora de pensar no quanto estas obras irão determinar o nosso futuro, indo e vindo na cidade? Em primeiro lugar, não vamos esquecer o valor ambiental básico do tratamento de esgoto. Pois hoje somente 17% da cidade possui acesso a rede coletora. Isto significa que a maioria dos dejetos produzidos em nossas casas polui diretamente nossa água e o querido rio Passo Fundo. Após todo trabalho e quiproquó, 55% dos domicílios urbanos serão atendidos. Segundo, se a prefeitura e a Corsan estão construindo, com recursos federais, 127 quilômetros de vias de esgoto no centro da cidade, compreende que iremos passar por cima destas vias com carros cada vez mais possantes durante os próximos mil anos, até que seja necessário refazer tudo de novo? Há tempos, o que determinou a disposição das ruas e prédios da cidade, foi o caminho do trem. E hoje, quando votamos no nosso prefeito e na nossa presidenta queríamos que as ruas fossem bem asfaltadas, o suficiente para não quebrarmos as rodas ou a suspensão de nossos carros novinhos? O suficiente para que não possamos sentir o cheiro do que passa por baixo? Era esta uma promessa de campanha? Juro que não pensei na merda quando fui votar. Nem no asfalto. Talvez no meio ambiente. Mas podia começar a pensar na relação entre tudo isso no caos urbano em que vivemos. Andar de bicicleta era para mim só uma ideia saudosista ou esportiva. Ir ao banheiro, um momento meditativo que acabava com o acionar da descarga. Podíamos começar a construir cidades melhor trafegáveis, onde não viremos a bunda para os rios e lagoas. Se andarmos mais de bicicleta, teremos uma vida mais fluida, segura e sustentável. Imagine se o governo não precisar mais fazer campanhas de conscientização sobre o cinto de segurança? Acho que não, pois o governo é como a mãe: nunca nos deixará sair de casa sem o casaco.
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Acesse:
http://cicloativos.lappus.org http://vadebici.wordpress.com
UMA REVISTA PLURAL LARULP ATSIVER AMU
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Antes de dirigir um Tipo 95 nas ruas de Passo Fundo, gozei a liberdade de me locomover e desbravar a praia de Atlântida Sul, onde veraneava na infância, a bordo de uma bicicleta. Lembro do som que ouvia no walkman, Aerosmith, e até da gatinha por quem eu me apaixonava na época, Bia. Mas inesquecível mesmo era a sensação de bem-estar e liberdade, propiciada pela independência das caronas do pai ou da mãe.
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