Vitoria julho

Page 1

Ano XI

Nº 131

Julho de 2016

vitória •

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Abençoados pela Mãe Aparecida



editorial

A vida é feita de momentos

E

Maria da Luz Fernandes Editora

stamos no 7º mês do ano e, pela sucessão intensa de eventos, parece que 2016 já está acabando. Alguns momentos que prometiam durar foram efêmeros e, isso nos aponta que a vida é feita de momentos. Na Política – corrupções, eleições, prisões, pedido de impeachment, divisões. Na Economia - aumentos de preços, desemprego, fragilidades nos blocos econômicos. No desenvolvimento social – dificuldades no exercício de direitos fundamentais e grandes desigualdades. Na Igreja – participação em defesas sociais – momentos devocionais – reflexões sobre a fé e a prática cristã. Um pouquinho de tudo isso está nas páginas desta edição: marketing na política, postura da mídia, devoção mariana na arquidiocese, obras de misericórdia, resgate e apoio de pessoas refugiadas e, fiel aos propósitos da Revista, tudo na perspectiva da importância à pessoa. Boa leitura! n

fale com a gente Envie suas opiniões e sugestões de pauta para mitra.noticias@aves.org.br anuncie Associe a marca de sua empresa ao projeto desta Revista e seja visto pelas lideranças das comunidades. Ligue para (27) 3198-0850 ou wmrosa@redercres.com.br ASSINATURA Faça a assinatura anual da Revista e receba com toda tranquilidade. Ligue para (27) 3198-0850

@arquivix arquivix mitraaves www.aves.org.br


vitória

05

atualidade As influências do ambiente na formação da personalidade

08

Micronotícias Abacaxi se transforma em couro sustentável

11

epecial Liderança Religiosa Propriedades e aspectos fundamentais

15 17 21 24 28

Economia Política Eleições e a questão metropolitana

29 33 38

entrevista Ana Caracoche

40 45 46

Pergunte a quem sabe O que são os paraísos fiscais?

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Ano XI – Edição 131 – Julho/2016 Publicação da Arquidiocese de Vitória

39

Arquivo e memória

Família de refugiados acolhida na Arquidiocese de Vitória

34

Reportagem Abençoados pela Mãe Aparecida

18

caminhos da bíblia ...tome a sua cruz e me siga! 3 Editorial

12

16

A vida é feita de momentos

Agressividades, palavras e tiros

ideias

espiritualidade

20

22

27

sugestões

viver bem

Comunicação

“Todas as ruas têm nome de homem”

Livros que ajudam e não são de autoajuda

Tomé de Souza

O grave erro dos meios de comunicação

pensar ecologia Restinga é mata, não mato! diálogos A maior idade e seu cuidado aspas “Assim que nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos”

eleições A função do Marketing na política Mundo litúrgico Liturgia: referência para o itinerário catequético

cultura capixaba Clube de Regatas Saldanha da Gama Acontece Peregrinação à Aparecida

42

ensinamentos Obras de Misericórdia espirituais Capa: Foto de Luis Teixeira

Arcebispo Metropolitano: Dom Luiz Mancilha Vilela • Bispo auxiliar: Dom Rubens Sevilha • Editora: Maria da Luz Fernandes / 3098-ES • Repórter: Letícia Bazet / 3032-ES • Conselho Editorial: Albino Portella, Alessandro Gomes, Edebrande Cavalieri, Marcus Tullius, Vander Silva • Colaboradores: Pe. Andherson Franklin, Arlindo Vilaschi, Dauri Batisti, Diovani Favoreto, Giovanna Valfré, Fr. José Moacyr Cadenassi e Vitor Nunes Rosa • Revisão: de texto: Yolanda Therezinha Bruzamolin • Publicidade e Propaganda: wmrosa@redercres.com.br - (27) 3198-0850 Fale com a revista vitória: mitra.noticias@aves.org.br • Projeto Gráfico e Editoração: Comunicação Impressa - (27) 3319-9062 Ilustrador: Richelmy Lorencini • Designer: Albino Portella • Impressão: Gráfica e Editora GSA - (27) 3232-1266


Atualidade

As influências do ambiente na formação da

personalidade

A

relação entre o ambiente e a formação da personalidade é um debate antigo. Existem velhas expressões populares, ainda hoje usadas, que indicam a presença deste assunto ao longo dos séculos. Por exemplo, “diga-me com quem tu andas e eu te direi quem tu és!”. Este provérbio alerta para as semelhanças encontradas entre as pessoas da mesma origem social, isto é, o mesmo berço familiar ou escolar, o mesmo local de trabalho ou bairro residencial, os frequentadores das mesmas festas, aqueles que professam a mesma religião... Existem igualmente expressões antigas que destacam as diferenças das pessoas com origens comuns: “Os dedos das mãos são irmãos, mas não são iguais!”. Enfim, através dos provérbios pode-se confirmar a preocupação social em compreender o binômio ambiente-personalidade. De certo, a personalidade é explicada por um conjunto de características relativas ao modo peculiar de cada pessoa responder aos estímulos do ambiente. As respostas são individuais, únicas, inclusive quando

revista vitória I Julho/2016 5


Atualidade

as pessoas possuem fortes semelhanças. Isto pode ser verificado no seio da família observando as diferenças de comportamento dos filhos de um mesmo casal, até os gêmeos reagem de maneira diferenciada face às situações em que vivem. Para além do ambiente familiar encontramos perfis específicos entre as pessoas oriundas de uma mesma região, submetidas às mesmas condições de vida, por exemplo, populações vivendo em ambientes hostis, em situação de violência brutal. Neste ambiente encontram-se pessoas de perfil violento, mas há também pessoas pacifistas e não é raro encontrar aquelas que são indiferentes ao que acontece ao seu redor. Portanto, os indivíduos que compartilham o ambiente não estão predeterminados a reagirem da mesma maneira às situações enfrentadas. Posto isto, cabe se per-

Portanto, os indivíduos que compartilham o ambiente não estão predeterminados a reagirem da mesma maneira às situações enfrentadas.

guntar: Será que pouco importa o ambiente no qual vivem as pessoas? O propósito inicial foi destacar as peculiaridades do comportamento humano, pois de acordo com a neuropsicologia, “a personalidade é o estudo das variações e das diferenças individuais, onde o temperamento e o caráter são considerados traços da mesma”. São muitos os componentes da personalidade, tanto os elementos herdados, quanto os adquiridos ou socialmente aprendidos. Tudo contribui para a formação do mundo interno do indivíduo, tanto os fatores genéticos, biológicos, psicológicos, quanto os determinantes sociais, culturais, educacionais. É por isso que não se pode julgar antecipadamente o comportamento de um ser humano ou de um grupo revista vitória I Julho/2016 6

social. Os julgamentos precipitados e superficiais comumente decorrem de afirmações preconceituosas, que se baseiam em estereótipo, ou seja, em ideia preconcebida de alguém, geralmente repleta de afirmações genéricas, muitas vezes construídas sobre inverdades, tais como, “os ciganos são ladrões”; “os índios são preguiçosos”; “os favelados são bandidos”, etc. Considerando as influências dos aspectos ambientais na formação da personalidade, os determinantes sociais da personalidade, que é o nosso tema de reflexão, o ponto inicial a destacar são os padrões da sociedade moderna, pois os indivíduos vivem em pequenos grupos inseridos numa sociedade global. Graças aos avanços técnico-científicos a maioria da


população vive interconectada e submetida às relações sociais globalizadas. Isto pode ser verificado desde o modelo de roupa que é definido pelas passarelas de moda da Europa, dos Estados Unidos, de São Paulo ou Vitória. O modo de viver é determinado pelas indústrias, pelos produtores de vestuário, de alimentos, de automóveis, enfim, pelo padrão de consumo globalmente instalado. O padrão mercantil consolidado no mundo interligado pelos meios de comunicação estabelece o estilo a ser usado e o comportamento dos usuários no processo de consumo. O mercado define o valor das coisas. Tudo é mercadoria. Consumismo. Até mesmo as pessoas “se vendem”! Esta é a linguagem adotada. De fato, as pessoas são vistas pelo valor que têm: Quanto custa a roupa e os acessórios que usam? O carro que possuem? A casa em que moram? Onde passaram as férias? Qual o restaurante preferido? Quanto gastaram na festa de aniversário ou casamento? A lógica predominante faz as pessoas serem “coisificadas”, isto é, tornarem-se coisas, mercadorias, objetos

As respostas são individuais, únicas, inclusive quando as pessoas possuem fortes semelhanças. Isto pode ser verificado no seio da família observando as diferenças de comportamento dos filhos de um mesmo casal, até os gêmeos reagem de maneira diferenciada face às situações em que vivem.

de uso e... de descarte – não se pode esquecer disso! A questão a se pensar é o fato de nem todos estarem incluídos no padrão de consumo. Bilhões de pessoas ficam fora ou estão precariamente inseridas nele. Apesar disso, os meios de comunicação insistem diariamente em afirmar que a felicidade depende do consumo das coisas oferecidas pelo mercado. As consequências da exclusão são desastrosas para a sociedade consumista. Dentre os dramas, assistimos aqueles que estão fora deste sistema buscar, de qualquer maneira, uma forma para entrar. Daí, surgem comportamentos irracionais: Endividamentos, roubos, corrupção, negligência, abandono de incapazes, etc. Enfim, a lógica predominante influencia o comportamento, é verdade! Porém, vale lembrar que nem todas as pessoas não estão predeterminadas a reagirem da mesma maneira face às situações que enfrentam. n Tânia Maria Silveira Mestre em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo

revista vitória I Julho/2016 7


micronotícias

Estudantes abrem farmácia para distribuir remédios de graça Estudantes do curso técnico de Administração criaram uma farmácia popular para ajudar a comunidade oferecendo remédios gratuitos em Votorantim, São Paulo. A ideia do grupo surgiu a partir do trabalho de conclusão de curso e conta com o apoio dos próprios

moradores da cidade que doam os remédios que têm em casa e não utilizam, dentro do seu prazo de validade, e algumas clínicas da cidade. Para retirar os medicamentos a pessoa precisa apresentar uma receita médica e um documento de identidade com foto.

Abacaxi se transforma em couro sustentável Folhas de abacaxi são usadas para fabricar roupas, calçados, malas, acessórios e até móveis. As fibras extraídas das folhas de abacaxi dão origem ao couro que recebe o nome de Piñatex, produzido nas Filipinas. Leve, respirável e flexível, o tecido pode ser costurado e, ainda, receber padrões impressos na superfície. É considerado uma alternativa inteligente para quem se preocupa com o meio ambiente e o bem-estar animal. revista vitória I Julho/2016 8


Motorista surdo comove a web após postagem de passageiro Marcos Roberto Kuhn Ávila é surdo e comoveu a web depois que o post de um de seus passageiros, em Porto Alegre, viralizou. Ele é motorista do Uber e comemora o fim de um longo período sem conseguir trabalhar para dar uma vida melhor à família. Em entrevista, Marcos diz que ama seu trabalho e agradece a oportunidade. “Só sinto vontade de agradecer a confiança”, afirma.

Selfie substitui senha para cartão de crédito Testes estão sendo realizados nos Estados U n i d o s p a ra u s a r a s e lf i e c o m o fo r m a d e efetuar pagamentos com cartão de crédito. Com essa tecnologia, o cliente não precisará digitar senhas, bastando tirar uma foto da própria face com o celular e um aplicativo da operadora fará o trabalho de identificação. O uso de biometria e tecnologias semelhantes busca aumentar a segurança nos pagamentos e evitar fraudes.

Medalhas das olimpíadas terão material reciclado As medalhas entregues aos atletas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 serão compostas de uma porcentagem de metal reciclado de materiais eletrônicos. Segundo a Casa da Moeda, responsável pela fabricação, serão confeccionadas 4.924 medalhas para a premiação, sendo elas em ouro, prata e bronze, e 75.000 para os atletas participantes.

revista vitória I Julho/2016 9


Caminhar para o saCramento do batismo

PAULUS Livraria de Vitória–ES

Rua Duque de Caxias, 121, Centro CEP: 29010-120 | Tel.: (27) 3323.0116 vitoria@paulus.com.br

paulus.com.br

56 páginas

56 páginas

176 páginas

Conteúdos formativos e celebrativos para pais e padrinhos – Catequista Diocese de Joinville – SC

96 páginas

Este material oferece a pais e padrinhos a oportunidade de retomar a vida cristã, aprofundar a fé e assumir o compromisso de educar filhos e afilhados como cristãos comprometidos. A metodologia prepara em três etapas para o sacramento do batismo, com os conteúdos formativos A vida que inicia, Nova vida que nasce da vida e A alegria de ver você crescer. Os volumes contêm anexos com orações, celebrações, bênçãos e orientações.


especial

Liderança Religiosa

Propriedades e aspectos fundamentais

D

efinir ou conceituar o termo liderança tornou-se, nas últimas décadas, uma tarefa complexa, que nos remete às centenas de autores de diferentes períodos do desenvolvimento humano e sua história. Dos traços naturais do indivíduo aos cargos de liderança; dos tipos como o autocrata, o democrata e o liberal aos que aprendem a liderar através do exercício de suas funções; dos que influenciam ambientes aos que são influenciados e moldados por ele. Vou me ater aos elementos que parecem comuns na maioria das definições: líder é aquele (a) que consegue articular e unir competências de cada membro de um grupo na conquista de resultados. Seus métodos e suas habilidades; suas estratégias e seu modo de desenvolver tarefas e relacionamentos o definirão como bem ou mal sucedido. Tratar sobre a liderança em ambiente religioso me dá a sensação de estar na origem dos estudos sobre o assunto, visto que, é neste ambiente que encontramos todos os referenciais e modelos. Com o líder religioso as exigências ganham dimensões que transcendem os valores dos resultados. Diferente

de uma organização privada, no ambiente religioso os objetivos transcendem os bens materiais e alcançam a dimensão sobrenatural: a salvação. O líder religioso acolhe, cuida, propõe, ensina, potencializa e envia os membros de sua comunidade para que juntos conquistem metas que os conduzam ao objetivo maior que é a salvação. Tarefa de nobreza extraordinária que tem como referência e modelo ninguém menos que Jesus. Vejamos algumas atitudes de Jesus que fazem dele o maior de todos os líderes: tinha um plano definido (Isaias 50,7); era proativo e estava em constante alerta - Parábola do Azeite (Mt 25,1ss); escolhia pessoalmente seus colaboradores e os treinava (Mt 2,13); tratava as pessoas em sua realidade e singularidade(Mt 28, 20); estabelecia, com harmonia, sua autoridade (Lc 22,42); desenvolvia tarefas ao mesmo tempo em que desenvolvia relações (Jo 3,30) ... Poderíamos passar dias escrevendo sobre tais habilidades e práticas aplicadas por Jesus em sua liderança. Contudo, ater-me-ei a três aspectos próprios dele, que não podem estar ausentes na liderança religiosa: profetismo;

revista vitória I Julho/2016 11

eclesialidade e ação pastoral. O primeiro é aquele que permite ao líder ir ao encontro das pessoas, caminhar com o povo, querer com ele viver suas alegrias e esperanças, angústias e tristezas. O profeta lê os sinais dos tempos e os projeta na urgência e realidade do povo. O segundo aspecto, a eclesialidade, faz com que o líder forme discípulos e novas lideranças. Através de uma gestão participativa insere as pessoas, na e pela missão. Promove o encontro das pessoas com Jesus. E, por fim, a ação pastoral, que permite ao líder assumir a fisionomia do Bom Pastor. De modo organizado acolhe, orienta, propõe, forma e envia, como missionário a implantar o Reino de Deus na sociedade. Parece-me fundamental, ainda, que todos os líderes religiosos - do clero ou do laicato, a exemplo de Pedro - possam responder à pergunta do Mestre: tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas. Só este amor é capaz de responder aos anseios e exigências dessa liderança e de seu mais nobre objetivo. n Aristides Luis Madureira Missionário Leigo, com formação em Comunicação e Graduado em Processos Gerenciais


ideias

Agressividades,

palavras

e tiros

D

iante dos fatos horríveis da matança na boate em Orlando-EUA me surpreendo (quando não deveria mais) com os comentários a uma matéria sobre o assunto num grande portal de notícias na internet: “Esse atirador vai direto pro céu”; “Tiveram o que mereceram”; “Seria ótimo se o deputado Jean Wyllys estivesse na boate”; “Seres humanos constituem família, morreram 50 aberrações”; “Esse homem devia ganhar uma medalha”. E muitos, muitos outros comentários do mesmo naipe. Fico espantado com a desenvoltura com que tantos se manifestam nessa praça pública que é a internet, sem titubear de suas “verdades”, com orgulho até, expressando em alto e bom som suas agressividades. O que é isso? Meu Deus! Parece que o comércio da felicidade a qualquer custo, o endurecimento mental decorrente desse consumo exagerado e da glamourização das banalidades e das imbecilidades vão rendendo algo que foge dos controles do próprio sistema, ou seja, por mais que se vendam infinitos modos de ser feliz são as insatisfações e infelici-

revista vitória I Julho/2016 12


dades que crescem. O que se percebe, sem muito trabalho de observação, é que na medida em que o mundo de hoje escore cada vez mais suas colunas no “eu”, desconstruindo e até criminalizando atividades de agrupamentos e interesses coletivos, mais as insatisfações, os descontentamentos, as irrealizações se apoderam dos egos. Eis que insanamente se lançam os “eus” feridos sem receios e vergonhas de ferir outros. Mas, sabe-se, nada surge assim sem mais nem menos. A construção dessas mentalidades muito centradas no “eu” vem de longa data e tomam como amálgama falsas noções de direito, de moral, de felicidade. As responsabilidades são muitas e variadas: os modos de se fazer comunicação; os modos e práticas religiosas, a cultura do consumismo, da negação do outro e do hiperdimensionamento dos interesses

egoístas e padronizados, a demonização do diferente, etc. Escolher a realização do “eu” como único fundamento da felicidade parece ser uma escolha bem “moderninha”, mas bem frágil, contudo. Contrariamos todas as gerações passadas e todas as nossas grandes tradições religiosas quando conjugamos a felicidade no singular. Desaprendemos a receita do bem-estar. O que nos mantém orientados, flexíveis, amorosos são as construções coletivas: a família, os amigos, os colegas, as comunidades. Diz-se com razão: felicidade é iguaria que se come pela mão dos outros. Não há outra possibilidade - diríamos mais poeticamente - senão no amor. Ao contrário, no projeto de realização e bem-estar que se ancora no “eu”, o que se tem visto é que a infelicidade se torna respaldo, direito e autorização para arremessar sobre outros esse caldo de infortú-

revista vitória I Julho/2016 13

nios e aflições, essas pedras de ressentimentos. Há que se buscar alternativas aos modos agressivos de ser e tais alternativas pressupõem entre outras coisas que não nos sintamos ofendido pela vida quando as coisas não vão bem. Não se sentir ofendido pela vida mesmo que por ela machucado. Não fazer-se ressentido. Não buscar culpados a qualquer custo. A vida é dor e mudança, diríamos com inspirações budistas. Mas no que é difícil, no que nos machuca, no que nos impõe sofrimentos precisaríamos intuir um apelo para a ação benfazeja das mudanças. Estas possibilidades sempre estão fustigando o mundo e as pessoas. Já dizia o estóico romano Marco Aurélio, a perda nada mais é do que mudança, e a mudança é o prazer da natureza. n Dauri Batisti


Julho é o mês dedicado ao Dízimo. Este ano vamos refletir sobre algumas consequências do Dízimo para a Igreja. Esta é a Campanha da Arquidiocese de Vitória. Acompanhe na sua comunidade e torne-se dizimista.

A Igreja é missionária por obedecer a Jesus: “Ide”! O seu dízimo sustenta a missão da Igreja e os missionários.

Acolher bem é receber com alegria e fazer com que o outro se sinta em casa. O seu dízimo faz a Igreja mais acolhedora.

A misericórdia é visível e concreta nas obras de caridade. A caridade da Igreja é feita com o seu dízimo.


Economia Política

Eleições e a questão metropolitana

A

Grande Vitória é um singular processo de aglomeração urbana constituída por cinco municípios com autonomia político -administrativa. Esse processo tem raízes, por um lado, na crescente urbanização a partir do êxodo rural provocado pela erradicação de cafezais nas décadas de 50 e 60. E, por outro, na industrialização retardatária procurada pelo governo estadual para criar uma nova trajetória de crescimento para o estado. Tanto o migrante quanto a instalação de empresas industriais e de serviços, buscaram ocupar espaços na Grande Vitória conforme a disponibilidade de infraestrutura viária. Por isso, a antiga linha de bonde ligando a baía ao centro de Vila Velha e a rodovia Carlos Lindenberg, estruturaram a mais intensa integração entre a velha vila e Vitória. A posterior construção das BRs 101 e 262 nos trechos que cortam Cariacica, Serra e Viana, em muito contribuiu para a conformação da Grande Vitória (GV) como hoje conhecemos. Além disso, a estrutura metropolitana muito deve à

implantação de um sistema de transporte de passageiros que buscou atender as especificidades de uma população que em muitos casos, mora em um município, trabalha em outro, estuda em um terceiro, compra em um quarto e procura um quinto para lazer. E mais, esse sistema de transporte foi pensado tendo como pano de fundo a busca de qualidade de vida em uma cidade com as características naturais, econômicas e sociais da GV. Construída nas décadas de 60 e 70, a visão estrutural da região metropolitana fundamentou a elaboração de Planos Diretores Urbanos (PDUs) que buscam manter/ampliar a qualidade de vida de quem vive na GV. Assim, qualidade de vida, ordenamento do espaço, transporte público de passageiros, sistema viário e estruturação da região metropolitana, fazem parte de um longo processo. Ele é interativo e o todo – a qualidade de vida – tem que ser visto como maior do que a soma das partes. Por isso, a plataforma eleitoral de candidatos a prefeitos dos cinco municípios precisa contemplar a questão metropoli-

revista vitória I Julho/2016 15

tana para muito além dos limites político-administrativos de suas respectivas cidades. Quem aspira governar precisa debater com a população como vislumbra o futuro da cidade ampliada, chamada região metropolitana; como articulará as ações do âmbito de seu município com os interesses da “a plataforma eleitoral de candidatos a prefeitos dos cinco municípios precisa contemplar a questão metropolitana para muito além dos limites políticoadministrativos de suas respectivas cidades”

Grande Vitória como um todo; e como propõe assegurar qualidade de vida para quem mora e investe nesse território tão rico em natureza e em dinamismo social, cultural e econômico. n Arlindo Vilaschi Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES


espiritualidade

Tomé de Souza

Q

uando eu era adolescente ouvia com frequência uma piadinha idiota. Tudo iniciava com algum gaiato perguntando, com a maior seriedade possível: “O que fez no Brasil o primeiro Governador Geral, Tomé de Sousa?”. Daí todos colocávamos rapidamente o cérebro a Tudo aquilo que podemos fazer por nós mesmos, Deus não o faz. Deus não compactua com a preguiça ou o comodismo. Chama-se pecado de omissão o bem que podemos fazer e não o fazemos

funcionar para encontrar alguma resposta inteligente. Depois de alguns minutos de silêncio o gaiato respondia: “Tomé de Sousa fez o que pode!”. De fato, só podemos fazer o que é possível, pois o impossível cabe a Deus. Somente para Deus tudo é possível, para nós há situações e problemas que estão acima das nossas forças. A nossa fé implica também a confiança total no Senhor, sabendo que ele nos ilumina e nos fortalece na luta da vida.

Tudo aquilo que podemos fazer por nós mesmos (sozinhos ou em grupo), Deus não o faz. Deus não compactua com a preguiça ou o comodismo. Chama-se pecado de omissão o bem que podemos fazer e não o fazemos. Por outro lado, a mentalidade atual, endeusando o homem e ignorando a Deus, exige das pessoas que, sozinhas ou em sociedade, resolvam e enfrentem a misteriosa luta da vida e construam a história. Como todo

revista vitória I Julho/2016 16

ser humano é fraco, frágil e limitado, todos vão experimentar fracassos e perdas. Muitos ficam deprimidos e desanimados. Para nós que cremos vale a regra de Santo Inácio de Loyola: “Devemos fazer tudo como se tudo dependesse de nós, sabendo porém, que tudo depende de Deus”. Dizem que pela forte influência dos jesuítas essa ideia cristalizou-se na bandeira do Estado do Espírito Santo nas palavras: Trabalha e Confia (em Deus!). O cristão não age com o heroísmo orgulhoso e nem se abate covardemente diante das derrotas. O Papa Francisco nos recorda que tem grande valor diante de Deus o pequeno e sofrido passo que podemos dar. O simples desejo de ser bom e fazer o bem, mesmo quando não conseguimos realizá-lo, tem o seu valor diante do amor misericordioso do Pai. Enfim, Deus olha mais a sinceridade do nosso coração do que as nossas qualidades ou as “grandes” obras que imaginamos realizar. n Dom Rubens Sevilha, ocd Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória


Foto: Maria da Luz Fernandes

pensar


caminhos da bíblia

...tome a sua

O

segundo passo do caminho de fé é: Tomar a cruz. Diante da proposta de nossa sociedade atual do bem estar e da busca incessante pelo prazer e satisfação, parece impossível reconhecer o valor da cruz. As dores de nossa sociedade são enormes, desde a violência que assola nosso mundo e destrói nossas famílias, passando pelo flagelo das drogas que rouba a vida de nossos jovens. Como não falar da despreocupação total com os menores e com aqueles que estão em nossas cadeias, marcadas pelo degrado, espalhadas por todo o país? Como fechar os olhos para o grande número de excluídos no país inteiro, marcados pela negação de acesso aos bens necessários para uma boa qualidade de vida? Como não falar da multidão que bate às portas dos países em busca de um lugar para viverem longe das guerras e perseguições religiosas que ainda assolam o mundo inteiro? O que significa tomar a própria cruz em um contexto tão complexo e desafiador? Como tomar essa decisão tão importante para o caminho da fé? A cruz para o cristão não é um símbolo de dor e sofrimento, apesar de nela contemplarmos o sofrimento e a dor Daquele que por nós se entregou e morreu. Na cruz estão presentes, para a fé cristã, todas as dores do mundo, todos os lamentos e angústias dos filhos e filhas de Deus de todas as raças, línguas e nações. Pois Cristo, ao assumir a revista vitória I Julho/2016 18


cruz e me siga! Parte II nossa humanidade se tornou o servo de todos e se entregou por nossa salvação no madeiro da cruz, como afirma São Paulo aos Filipenses (Fl 2,7-8). Deste modo, a cruz ganha um sentido salvífico e redentor, isto é, passa de um instrumento de morte e dor, para um caminho de adesão ao Senhor que nela se entregou por toda a humanidade, a fim de que tivesse vida e vida em abundância. Ao convidar os seus discípulos e a nós hoje a abraçar a própria cruz, o Senhor não nos fala somente dos nossos sofrimentos individuais e das questões pessoais, também, mas sobretudo, convida a abraçar o outro, a ser solidário, a comprometer-se com a vida e a ser compassivo como Cristo o foi. No terceiro ponto o Senhor convida os seus discípulos e a nós a segui-Lo. Como diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade atual, marcada pela dissolução das seguranças e dos valores perenes, cria indivíduos inseguros e, muitas vezes, incapazes de aderir a projetos duradouros. As instituições e grandes propostas são questionadas e, por vezes, abandonadas por esses indivíduos mergulhados no caos de nossas cidades e atingidos por tantas vozes que os circundam. A comunidade humana vive um momento crucial, no qual necessita de caminhos e saídas criativas, construídos de forma comum e participativa, para os novos desafios desse tempo. De maneira especial, em nosso país, percebe-se a grande dificuldade de mobilização das pessoas em

prol de algo comum, desde os projetos sociais até causas que tocam os que mais necessitam. Como então apresentar o seguimento que Jesus propõe? Em que consiste segui-Lo hoje nessa sociedade marcada por essa dissolução e fragmentação? Aos seus discípulos e discípulas o convite do Senhor foi direto e claro: Segue-me!!!! Todavia, tal convite foi precedido pela pregação da Palavra, pelo anúncio e pela presença dos sinais do Reino encontrados em Jesus. O seu convite foi aceito pois continha uma verdade vivida por Ele mesmo, algo que foi capaz de convencer homens e mulheres a abandonarem tudo para se tornarem seus discípulos e discípulas. Hoje, em meio às muitas vozes presentes na sociedade, o anúncio da Igreja deve recuperar a mesma autenticidade e veracidade, não nas palavras proferidas, mas, sobretudo, nas ações que as acompanham e confirmam. De fato, os discípulos e as discípulas desse tempo, do hoje de nossa história surgirão e serão formados no caminho do testemunho autêntico e da solidariedade comprometida. Pois, somente formados no caminho do discipulado missionário é que nossos católicos, de fato, serão capazes de renunciarem a si mesmos, tomarem a cruz e seguirem o Senhor. n Pe. Andherson Franklin Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

revista vitória I Julho/2016 19


sugestões

PASSEIO

Circuito Serras, Águas e Cafezais O novo circuito turístico do Espírito Santo está localizado nas cidades de Iúna e Irupi. As atrações da região são cachoeiras e poços de águas cristalinas, gastronomia, hospedagem rural, lazer, artesanato, produtos da roça e cafés especiais, além de opções de roteiros de passeios e esportes de aventura.

Mais informações www.facebook.com.br/circuitoserrasaguasecafezais Como chegar a Iúna Saindo de Vitória seguir pela BR 262, e no trevo de Iúna (depois de Ibatiba) seguir em direção à cidade pela ES 185 e 379 Como chegar a Irupi Saindo de Vitória seguir pela BR 262, e no trevo de Iúna seguir por mais 26Km nas rodovias estaduais ES 185 e ES 379

ESPETÁCULO

Todas as ruas têm nome de homem O grupo capixaba Confraria de Teatro apresenta o espetáculo “Todas as Ruas Têm Nome de Homem”. As cenas da peça são realizadas em espaços públicos e privados, criando um trajeto pelas ruas da Cidade Alta, onde o público é levado a fazer escolhas, caminhar e conhecer as histórias de mulheres que vivem em tempos diferentes, entre 1930 e 2016, numa verdadeira espiral de comportamentos, sonhos, desejos e questões emergenciais nas discussões de gênero na contemporaneidade.

DOCUMENTÁRIO

Até 24 de julho Sexta às 20h, sábado e domingo às 19h30 Cidade Alta (Vitória), em frente a Galeria Homero Massena

Leitura

Janela da alma

Clarice,

Dezenove depoimentos de pessoas com problemas visuais, miopia e cegueira. A ideia surgiu da vivência do diretor João Jardim. Ele achava que o fato de ter uma miopia muito grande teria influenciado em sua personalidade e até mesmo em sua vida. O documentário está disponível no YouTube.

O livro é a mais completa biografia de Clarice Lispector, escrita pelo norte-americano Benjamim Moser. A obra revela aspectos da trajetória da escritora, desde a origem na Ucrânia ao reconhecimento crítico na literatura brasileira. (Clarice, Ed. Cosac Naify, 2011)

revista vitória I Julho/2016 20


ecologia

Restinga é mata, não mato! Foto: Stefano Dutra

A

s restingas, classificadas como Áreas de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal brasileiro (Lei 12.651, de 25 de maio de 2012) e conceituadas como “o conjunto das comunidades vegetais, sob influência marinha e fluvio-marinha” pela Resolução 7 do CONAMA, são ecossistemas associados à Mata Atlântica que apresentam importantes funções para o equilíbrio ecológico do ambiente em que se inserem. Esses ecossistemas possuem notória distribuição geográfica ao longo do litoral brasileiro, ocupando uma extensão de, aproximadamente, 5 mil quilômetros. Ocupam cerca de 79% da costa brasileira e ocorrem principalmente nos litorais paulista, carioca, baiano e capixaba. Aqui no Espírito Santo encontra-se uma considerável área de restinga na orla distribuída entre os bairros Praia da Costa e Itaparica (Vila Velha). Além de parecerem simples plantas ou “matos”, essas vegetações são importantes para conter os grãos de areia em praias e dunas (fixação de dunas); evitar a erosão pluvial; manter o nível de água e de nutrientes no solo; a ovoposição de tartarugas marinhas e proteção dos ninhos; refugiar e abrigar muitas aves migratórias; estabilizar os manguezais; abrigar diversas espécies da fauna

Praia dos Recifes - Vila Velha

e da flora brasileira, sobretudo inúmeras ameaçadas de extinção. Tendo em vista as inúmeras funções da restinga supracitadas, a preservação dessa formação vegetal torna-se latente e emergente. Isso porque inúmeras pessoas não a tratam como vegetação e não reconhecem a importância da restinga para a manutenção da biodiversidade terrestre. Apesar de latente e emergente, a preservação da restinga não é uma ação tão fácil porque fatores culturais permenecem alijados ao “fazer social”. As ideias errôneas de que essa vegetação se recupera rapidamente ou de que é apenas um “mato” que atrapalha o banho de sol da população humana parecem ser motivadoras da destruição da restinga. Ao contrário do que se pensa, a supressão desse ecossistema pode levar a uma reposição lenta e algumas espécies podem passar a

revista vitória I Julho/2016 21

dominar (principalmente de menor porte), em detrimento de outras, o que ocasiona um desequilíbrio ecológico e perda de biodiversidade. Por serem considerados ecossistemas frágeis, com solos arenosos, lixiviados e pobres em nutrientes e por serem altamente impactados pelo ser humano, as restingas geram muitas preocupações para os ambientalistas, biólogos e organizações não governamentais. Aqui no Espírito Santo destaca-se o Projeto “Amigos da Restinga” do Município Vila Velha. Tal projeto busca sensibilizar e informar aos frequentadores da praia sobre a importância da preservação da vegetação de restinga, além de promover ações em praias, escolas e eventos. n Michell Pedruzzi Mendes Araújo Pesquisador do GEMUT-UFES/ Doutorando em Biologia Vegetal-UFES/ Mestre em Educação/ Biólogo-UFES


viver bem Vander Silva

Livros que ajudam e não

Q

uando ouvi pela primeira vez o termo biblioterapia, pensei: “Ah não... livro de autoajuda não”. Só com este pensamento cometi dois preconceitos. Um contra a própria biblioterapia e outro contra os livros de autoajuda. Biblioterapia não tem nada a ver com livros de autoajuda e sim consiste em obras literárias que podem nos ajudar a superar algumas tribulações. Estes livros podem ser indicados por bibliotecários especializados em biblioterapia, psicólogos, ou por um amigo. Algumas vezes quando lemos algum livro nos identificamos tanto que parece que somos nós a protagonista da obra. Os problemas que os personagens enfrentam e as formas que eles os superam podem ser verdadeiras inspirações para o nosso dia a dia. São bons exemplos que podem nos ajudar, afinal se algumas frases que recebemos através do celular, Facebook ou mesmo em um outdoor podem melhorar nosso dia, imagine uma obra inteira. Quando lemos um livro, nos transportamos para a história e muitas vezes criamos um enredo paralelo onde surgem soluções tanto para a ficção quanto para a nossa vida. Vamos ler agora algumas dicas de livros que podem mudar a nossa visão sobre muitas coisas e inspirar muitas resoluções: revista vitória I Julho/2016 22

Inverno na manhã, de Janina Bauman Em um relato pessoal e tocante, Janina Bauman nos revela as experiências e emoções de uma adolescente de família próspera que sofreu os horrores de ser

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável con-

Pollyanna, de Eleanor H. Porter A pequena Beldingsville, uma típica cidadezinha do início do século XX n a N ova I n g l a te r ra , E s ta d o s U n i d o s , nunca mais seria a mesma depois da


são de autoajuda judia numa terra controlada pelos nazistas. Quando Hitler invadiu a Polônia em 1939, Janina tinha 14 anos. Nos seis anos seguintes ela enfrentou a luta pela vida e os dilemas da adolescência, o medo e a perda da inocência, a fome e as primeiras emoções do amor. A partir de seus diários da época - escon-

didos durante a guerra e reencontrados intactos após o conflito -, a autora retorna a esses duros anos, apresentando-nos sua família, as amizades surgidas do infortúnio, a fuga do gueto de Varsóvia, a vida em esconderijos. Uma história extraordinária de sobrevivência, coragem e paixão pela vida.

fiança na vida. Esse é o fio do enredo - fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado - com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador,

não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

chegada de Pollyanna, uma órfã de 11 anos que vai morar com a tia, a irascível e angustiada Polly Harrington. Por influência da menina, de uma hora para outra tudo começa a mudar no lugar. Tia Polly aos poucos torna-se uma pessoa melhor, mais amável, e o mesmo acontece com

praticamente todos os que conhecem a garota e seu incrível “Jogo do Contente”. Uma otimista incurável, Pollyana não aceita desculpas para a infelicidade e emprenha-se de corpo e alma em ensinar às pessoas o caminho de superar a tristeza.

As sinopses citadas são dos sites: skoob.com.br e saraiva.com.br

revista vitória I Julho/2016 23


diálogos

Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc. • Arcebispo de Vitória ES

A maior idade e seu cuidado

T

odos sabemos que o número de idosos tem aumentado significativamente. O cuidado com as pessoas idosas torna-se uma exigência social. Até há poucas décadas, a ociosidade da juventude era um problema para a sociedade e motivo de preocupação para os adultos. Nesta situação de crise ética e econômica, tanto a juventude quanto a maior idade exigem me-

lhor atenção de uma nação como a nossa. De um lado, o desafio da educação para a vida, a educação para a liberdade, a transmissão de valores éticos para as crianças, adolescentes e jovens jamais poderão ser esquecidos. As crianças, adolescentes e jovens aprendem a ler e escrever, mas recebem pouco ou quase nada sobre o valor da vida, o respeito a si mesmo e ao seu semelhante. Perdeu-se na busca de um ideal que dê sentido e ajude a superar desafios relacionais, seja perante o semelhante, seja perante o

De outro lado, o idoso que não aprendeu a envelhecer. Muitas vezes não sabe aceitar seus limites, sente-se marginalizado, desconhecido; vê sua vida desaparecendo como um peso inútil numa sociedade egoísta, materialista; sente-se uma matéria inútil e estragada diante das pessoas dinâmicas, empreendedoras. Ele passa o tempo querendo viver, mas despreza a vida pelo olhar e coração pessimistas a respeito de si mesmo. Penso que tanto a criança, o adolescente, o jovem quanto o idoso têm carência, entre tantos,

É a escola da vida na sabedoria, a qual é adquirida com a fé viva dos pais, desde a gestação, continuada nas diversas etapas da maturação humana e cristã até a maior idade, ponto alto da esperança, da solidez da fé, da experiência da vida amadurecida no Amor. ambiente onde vive, seja diante de Deus como sua origem, sua força e seu horizonte de felicidade. Pouco aprendem de como ver e ler a realidade da vida que levam de uma maneira consciente, capaz de uma análise crítica perante o que está ao seu redor ou à sua frente.

revista vitória I Julho/2016 24

de um único ensinamento que provocará neles uma verdadeira revolução vital. Os iniciantes na escola da vida passarão a ser aprendizes e promotores da vida e dos valores que justificam a alegria de viver, a coragem de vencer obstáculos, a energia de superação das diversas etapas de


uma bela caminhada em direção à plenitude da vida feliz. Já os idosos estarão numa etapa de vida invejável, possuidores e detentores da capacidade de saborear cada momento da vida, seja diante do semelhante criança, adolescente, adulto ou idoso como ele. Seus olhos não brilham como o de uma criança, mas enxergam o que ela não é capaz de ver e saborear por causa da sua tenra idade e do pouco aprendizado do viver. O coração do idoso não é espaço para a amargura, mas para a interiorização saborosa de uma vida de grandes experiências, capaz de ajudar a quem ainda não consegue ler os fatos com liberdade e sabedoria.

Pois bem, este ensinamento indispensável em todas as etapas da vida, sem a qual não se chegará a bom termo, é o dom da sabedoria. Este dom natural da sabedoria deve ser vivido, experimentado, iniciado e continuado desde o ventre de nossa mãezinha querida. Quanto se aprende nos meses de gestação! Quanto se aprende nos meses e anos de amamentação! É a escola da vida na sabedoria, a qual é adquirida com a fé viva dos pais, desde a gestação, continuada nas diversas etapas da maturação humana e cristã até a maior idade, ponto alto da esperança, da solidez da fé, da experiência da vida amadurecida no Amor. É a sabedoria

revista vitória I Julho/2016 25

que une todas as etapas da vida. Por isso, a comunidade humana como comunidade litúrgica são heterogêneas por essência e se enriquecem na pluralidade deste encontro contínuo desde a gestação até o entardecer da vida. Portanto, só poderemos cuidar dos idosos se soubermos cuidar das pessoas que ainda estão no primeiro período de vida, seguido das demais etapas. “Senhor, tu me sondas e conheces: conheces meu sentar e meu levantar, de longe penetras o meu pensamento; examinas o meu andar, meus caminhos todos são familiares a ti” (Sl 139/138). Quando aprendemos a cuidar da vida aprendemos que Deus cuida de nós! n



Comunicação

O grave erro

E

dos meios de comunicação

stamos vivendo uma das poucas ocasiões na história brasileira em que os meios de comunicação têm a oportunidade de se mostrar à altura do que deles se espera. No entanto, uma vez mais a grande mídia prefere a liberdade de empresa em vez da liberdade de imprensa, assumindo-se ventríloqua de uma ideologia, de um lado do poder em disputa. Tomemos como exemplo a operação Lava Jato. Em mais de dois anos, não houve nenhuma preocupação da imprensa brasileira de fazer investigação jornalística, indo além do que faz essa operação. Ela prefere se engalfinhar numa briga, como ratos de porão, por um vazamento, sempre seletivo, da Polícia Federal, Ministério Público ou Poder Judiciário em busca de um furo de reportagem. Contudo, embora eivada de equívocos graves que levam a um perigoso Estado de exceção, a Lava Jato oferece ao país um momento singular para extirpar grande parte da corrupção historicamente entranhada nos negócios públicos/privados. Para isso, os meios de comunicação precisam

cumprir com a sua missão de informar da maneira mais isenta possível, ajudando a promover uma limpeza política que afaste da vida pública e empresarial os corruptos, sejam de qual partido ou setor da economia for. Mas a mídia assumiu um lado, nada probo, nada ilibado. Pior ainda é que estamos há mais de dois anos sem informações diárias importantes sobre o Brasil. Sempre se mostrou muito pouco das milhares de boas notícias que acontecem nas periferias e comunidades país afora. Agora, com enormes espaços destinados às mesmas notícias seletivas repetidas à exaustão em uníssono pelos diferentes meios, menos tempo sobra para noticiar as transformações que vêm ocorrendo no mundo da cidadania e da solidariedade por ações de instituições sérias e brasileiros anônimos. Prova disso foi quando, no dia 2 de junho, os apresentadores do telejornal de maior audiência no país anunciaram uma reportagem sobre um belíssimo gesto de pessoas solidárias a um brasileiro pobre de bens e nobre de caráter.

revista vitória I Julho/2016 27

Eles apresentaram assim a vinheta ‘Brasil Bonito’ para introduzir a reportagem: “a gente até lembrou de recuperar, no fundo de algum armário, uma vinheta que não aparece há muito tempo por aqui”. Sim, todo o tempo gasto com repetições intermináveis da mesma notícia em todos os telejornais, por dias seguidos sem uma única novidade ou prova, custa uma desinformação estrondosa dos brasileiros sobre o país que eles mesmos estão construindo, à revelia dos poderes político, econômico e do judiciário. Tais atitudes deveriam merecer, todos os dias, o espaço nobre das emissoras de TV e rádio e das páginas de jornais e revistas. O desvio de uso dos meios de comunicação no Brasil não é menos grave do que a corrupção que eles tanto alardeiam. Porque a falta de boas notícias gera uma cultura social sem boas referências. E não pode ser essa a cultura de nação que desejamos ter nos anos vindouros. n Elson Faxina Jornalista, professor e pesquisador da UFPR, Assessor da Pascom do Reginal Sul II da CNBB


aspas

Assim que nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos

D

o útero para o mundo, caminho inexorável que todos nós fazemos. Para os que têm fé, trata-se do milagre da vida; mas também para aqueles que não professam nenhuma fé, este também é um evento magnífico, indescritível e irrepetível. O nascimento é fato único. Este caminho vai dar no mundo. Então nosso assombro, nosso medo, nosso choro. Do nosso lado, um ser também único, que nos acolhe e nos dá o peito para o primeiro alimento. O choro emudece e somente o movimento dos músculos da boca fazendo esforço para conseguir alimento. É a primeira ideia que se sente: no útero o alimento vinha sem esforço; agora é preciso buscá-lo, sugá-lo, suar, e chorar quando não se consegue. Sem essa luta, morre-se antes de subir ao palco do mundo. Vai demorar ainda um bom tempo até que cada pessoa se sinta no palco do mundo, para início das representações, puras loucuras de seres expulsos do paraíso uterino. A queda não está num longínquo passado, mas na repetição do primeiro caminho. A queda não é ato

Shakespeare

consciente. Somos expurgados para o palco dos loucos. Nosso destino, nossa sina! A peça tem um tempo de duração, e cada um ainda pode escolher entre dois caminhos: o palco ou a plateia. Sim, a vida tem estas distinções; atores e plateia formam um todo, sem separação, com distinção, mas um dependente do outro. Todos loucos num mesmo teatro. A vida. A via. A loucura das representações. Oscar Wilde, escritor e poeta irlandês, confirma o dito de Shakespeare ao dizer “o mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror”. Em pleno século XXI, o elenco horroroso parece tomar o nosso palco. As representações são cada vez mais trágicas, cada vez mais cruéis, cada vez mais insuportáveis. O sangue derramado no palco escorre pela plateia. O sangue tem pernas e corre, sem rumo, sem destino, e cai em nosso inconsciente. Sim, no inconsciente. E ali vai formando uma crosta vermelha que encobre um vulcão. Pode explodir a qualquer momento.

revista vitória I Julho/2016 28

Então, mais sangue há de escorrer. Nem água mais se bebe, pois ela também foi contaminada pelo sangue derramado. O desejo de fazer derramar sangue não mais será contido, pois no inconsciente nos foi reprimido outro desejo, o de paz, de solidariedade, de ajuda mútua. Sim. Foi reprimido. O palco das representações depende fundamentalmente da alteridade: de palavras, de gestos, de reações, dos risos, de palmas, de silêncio, de aplausos. Em cada ator, o cuidado para que o outro não tropece nas palavras e nos gestos. Cuidado para que o outro não esqueça. Cuidado para que o outro não desapareça. A eliminação da alteridade faz aumentar o derramamento de sangue - elenco de horror. É o terror. Somente a morte fará cair a máscara das representações emboladas, enroladas, corruptas, sem sentido, e poderá ser a semente para uma nova criação, um novo céu, uma nova terra. Um novo palco. n Edebrande Cavalieri Doutor em Ciência da Religião


entrevista

Letícia Bazet

“O Brasil nos salvou da loucura” Brasileira de coração, a argentina Ana Caracoche conta o que passou durante a ditadura em seu país, a sua acolhida no Brasil e a militância nos direitos humanos

vitória - Como foi o momento da separação dos seus filhos? Ana Caracoche - O momento foi muito triste, dramático, desolador, aniquila a pessoa. Quando eu desapareci, a Maria Eugênia tinha 1 ano e 4 meses e o Felipe tinha 4 meses. Ela desapareceu com a família Abdalla, quando eu tinha viajado a Buenos Aires com Felipe para uma consulta médica. Um mês depois, eu e Felipe fomos levados também. vitória - A senhora acreditava que seria possível reencontrá-los? Ana - Sempre pensei no reencontro. A minha opção política foi por causa da Igreja, eu participava de movimentos, de encontros com jovens que faziam a opção pelos pobres. Em 1980, após um período de desaparecimento e tortura na Argentina, viemos para o Brasil com nossa filha Maria Paz, e fomos recebidos por pessoas diretamente ligadas à Arquidiocese e contamos a nossa história. Eu lembro de Cláudio Vereza, Renato Gama, Dante Pola, os primeiros que conhecemos, e Dom Luís Gonzaga que foi escutar a gente. Eles sempre falavam que nós iríamos encontrar nossos filhos. Eu falo que o povo brasileiro que nos recebeu naquele momento nos salvou da loucura. Em 1984 voltamos à Argentina no momento que teve o processo de restituição das crianças à família legítima, a partir de um trabalho das Avós da Praça de Maio. E foi interessante quando trouxemos nossos filhos ao Brasil, já crescidos com 8/9 anos, era uma conquista de todos os nossos amigos, não somente nossa. Esse apoio foi fundamental para conseguirmos a restituição das crianças naquele tempo. É interessante como essa ideologia perdura através do tempo. Foi uma luta de 40 anos.

revista vitória I Julho/2016 29


entrevista

Por isso, na Argentina hoje se diz: ‘nenhum passo atrás’. vitória - O que a senhora diria para as pessoas que pedem hoje o retorno da ditadura? Ana - (Risos). Quem diz isso não sabe o que significa perda da democracia. Na ditadura você não pode dizer nada, você é perseguida por não estar pensando como os ditadores pedem e o sofrimento não é somente da pessoa que sofre tortura, é de famílias, da sociedade inteira. Na Argentina diziam: ‘por alguma coisa é’, sobre os que desapareciam, mas desapareceram crianças, idosos e gente que lutava por um país melhor, pela igualdade. Quem está dizendo isso não tem ideia, não estudou história, não sabe das pessoas desaparecidas, mortas. O sofrimento atinge a todos, dói muito para uma sociedade. E veja bem, 40 anos depois, na Argentina, ainda tem um processo para procurar e identificar os mortos para a família poder enterrá-los. Mas alguns cadáveres foram jogados no Rio de La Plata (plano Condor) e nunca serão encontrados. Como se supera isso? Fica marcado para toda a vida, o continente fica marcado. Esse discurso não tem validade nenhuma para o bem-estar da sociedade. vitória - Qual é a marca mais

forte deixada pela ditadura? Ana - No momento da tortura é se

sentir nada, uma pessoa anulada, que não serve para nada, porque está nas mãos de outro, então não pode decidir nada sobre sua própria vida. A superação veio por essa busca, pela fé que eu tenho no ser superior, isso é importante. Tudo o que eu vivi, faço muito esforço por esquecer, mas chega um momento que eu preciso novamente dizer, porque se eu não falar a história deixa um buraco, e isso deve estar bem claro. Eu vou ser um pontinho na história e, para mim, é toda uma vida. vitória - Como superar?

Ana - A superação se dá pelo

entendimento desse querer fazer da melhor forma possível todas as coisas. A gente não está aqui para perder tempo, e sim para um projeto maior de humanidade, de igualdade num lugar como o Brasil, em que a igualdade é uma coisa muito difícil em todos os âmbitos.

vitória - Havia alguma estraté-

gia para tentar manter a lucidez, a memória, diante da agressão e tortura? Ana - Sempre recordar o que eu tinha vivido até então. Lembro quando desapareci, fui torturada e depois colocada em um centro de detenção clandestino chamado La Cacha, como “a bruxa” que fazia desaparecer as pessoas. Em 2015 eu tive a oportunidade de participar da condenação daquelas pessoas que estavam em La Cacha e par-

revista vitória I Julho/2016 30

ticiparam das sessões de tortura. Meu nome era indicado dentro deste juízo porque eu estive desaparecida, com a história de duas crianças desaparecidas restituídas, e estava viva. Eu tive essa vitória, reconheci as pessoas e a justiça determinou que as pessoas que nos torturaram fossem condenadas a prisão perpétua. vitória - O reencontro com sua família, como se deu? Ana - Desde que chegamos ao Brasil, nós mantivemos uma articulação com as Avós da Praça de Maio e com os organismos internacionais para fazer a denúncia de que meus filhos estavam desaparecidos. Uma equipe com psicólogos, médicos, assistentes sociais, advogados, enfim, uma equipe multidisciplinar das Avós pensava a forma de restituição. Em 1984 Felipe foi restituído. Uma família, aparentemente bem-intencionada, tinha-o adotado com uma certidão falsa. Havia um trabalho paralelo às denúncias sobre crianças desaparecidas, de histocompatibilidade genética, que naquele tempo não existia e as Avós viajaram por todo o mundo para ver essa questão. Precisamos dele para Maria Eugênia que foi restituída em 1985. Ela estava com uma pessoa das Forças, então este caso foi muito complicado. Entramos na justiça e o exame de compatibilidade deu 99,96%, porque nós éramos os dois pais vivos e ela tinha três


irmãos. E aí veio todo um processo para a mudança de nome. Veja as consequências, são graves, para a justiça, para a família. Mas mesmo assim nós conseguimos. vitória - Qual a sua relação,

seu laço com o Brasil e com a Argentina? Ana - Na Argentina tenho minha família, tenho muitos amigos, então eu vou lá para visitá-los. A Argentina é linda, é minha terra mãe, lá é muito bom. E no Brasil eu já tenho meus quatro filhos com suas famílias, meus sete netos, tenho um laço cultural muito forte. A minha acolhida aqui pelos brasileiros também me faz ficar. No passado ficamos aqui na condição de refugiados e hoje temos muitos vínculos e amizades. vitória - Em que momento ou circunstância a senhora percebeu que poderia retomar a sua vida, com sua família unida novamente? Ana - Em 1985 minha família já estava completa. Em 1989 a situação de insegurança política na Argentina e as ameaças fizeram com que retornássemos ao Brasil decididos a ficar. O Brasil nesse acolhimento foi muito significativo, porque quando nós viemos para cá como militantes políticos, nos encaixamos na área dos Direitos Humanos, pois as coisas que tinham acontecido reforçavam essa militância. Eu trabalhei no sistema

prisional da secretaria da Justiça do Estado, como coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos e me esforcei bastante para humanizar o sistema. Isso ficou marcado na minha vida. Quando você milita, pensa que pode fazer a vida melhor e isso foi o que ficou da minha militância, em um lugar difícil. De todas as militâncias de direitos humanos acho essa a mais difícil de todas. Quando eu saí pensei: “dever cumprido, já cumpri minha parte na história”. E até o último momento vou continuar fazendo porque entendo que é o mais importante que eu posso fazer pela pátria, a pátria que me acolheu. vitória - E como avalia o momento vivido pelo Brasil? Ana - O que acontece hoje no Brasil, eu sinto com o mesmo sofrimento do que vivi antes. Muitas coisas se repetem: Um plano para a América Latina de aniquilamento do pensamento de esquerda e o avanço da direita. Na Argentina acontece a mesma coisa, todo dia é uma diminuição de direitos das pessoas. vitória - Como é ver isso acon-

tecendo?

Ana - Com tristeza... Mas, mesmo

assim sou de descendência Vasca e os vascos são teimosos. As coisas na vida não saem do jeito que a gente quer. A possibilidade de um fato negativo se transformar em algo melhor em todos os âmbitos,

revista vitória I Julho/2016 31

é possível. As coisas que a gente faz marcam a história do país. vitória - A senhora continua militando pelos direitos humanos? Ana - Sim! Agora eu quero passar minha experiência e fazer a multiplicação dessa história, para não desperdiçar a vida (risos). n


INFORME PUBLICITÁRIO

A eficiência energética e o baixo impacto ambiental da energia solar

A

geração e distribuição de energia solar no Brasil foi regulamentada recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A Resolução Normativa permite que essa e outras fontes renováveis sejam geradas pelo próprio consumidor, com a instalação de pequenos geradores, tais como painéis solares fotovoltaicos ou microturbinas eólicas, em sua unidade consumidora e troque energia com a distribuidora local com o objetivo de reduzir o valor da sua fatura de energia elétrica. Trata-se da micro e da minigeração distribuídas de energia elétrica, inovações que podem aliar economia financeira, consciência socioambiental e autossustentabilidade. Em 2015 a legislação foi atualizada e determinou que quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes. Inclusive, os créditos podem ser usados para abater o consumo de unidades do mesmo titular em locais diferentes, desde que a área seja atendida pela mesma distribuidora. Um exemplo é o da microgeração por fonte solar fotovoltaica: de dia, a “sobra” da energia gerada pela central é passada para a rede; à noite, a rede devolve a energia para a unidade consumidora e supre necessidades adicionais. Portanto, a rede funciona como uma bateria, armazenando o excedente, até o momento em que a unidade consumidora necessite de energia proveniente da distribuidora. Com a incidência solar que predomina em boa parte do ano no país, a utilização dessa fonte de energia diminui custos e não impacta tão agressivamente o meio ambiente, além de ser de fácil instalação e silencioso.


eleições

A função do Marketing na política

A

objetivos políticos, mas, princido escopo do marketing, que são função do marketing na palmente, como uma nova forma usadas para conquistar o voto. Na política é construir a vide fazer política. área de propaganda e publicidade, tória do candidato. Por Diferentemente das demais a criação das peças de campanha isso, ocupa um papel muito immídias, ela possui, mutuamente e veiculação. Na área de mídia portante no processo. É ele, que potencializados, todos os recurimpressa temos assessoria de através de um planejamento, vai sos televisivos, radiofônicos, da imprensa, produção jornalístidefinir a estratégia geral de camimprensa, da correspondência ca e clipping. A TV e o rádio panha e as ações táticas a serem pessoal, do telefone, podendo também são ferramentas muito desenvolvidas para garantir o obacontecer em tempo jetivo principal, que é real e com uma ina vitória. A estratégia teratividade que não é a linha condutora, o É ele, que através de um encontra paralelo na eixo, o discurso cenplanejamento, vai definir a estratégia história da comunitral. E chamamos de geral de campanha e as ações táticas cação humana. É uma tática, as ferramentas a serem desenvolvidas para ferramenta tão diverdisponíveis que sesificada, que é posgarantir o objetivo principal, rão utilizadas para se sível acessar através cumprir o objetivo. que é a vitória de celulares, tablets, O marketing conotebooks, dentro do ordena e define em seu carro, avião, no ônibus, no importantes, que podem decidir cada momento o que será execucentro comunitário, no shopping, uma eleição. Mas a grande vedete tado. E um dos instrumentos que na praia, durante 24 horas. de hoje é sem dúvida nenhuma orienta essas ações é a pesquisa. O marketing é muito impora internet/redes sociais com os Num primeiro momento, antes de tante, mas isoladamente não é sites, blogs, Facebook, WhatsAiniciar a campanha, a pesquisa capaz de garantir o êxito em uma pp, Instagram, Youtube e emails qualitativa. Aquela que mostra eleição. É preciso um conjunto marketing. de certa forma os aspectos subde fatores, entre eles um candi Cabe aqui uma avaliação jetivos e atinge motivações não dato articulado, competitivo e um pouco mais profunda desta explícitas, ou mesmo conscientes, agregador. Um arco de alianças “nova” ferramenta. A internet de maneira espontânea. Mostra o amplo, uma boa estrutura e um hoje é usada por quase a totalidesejo do eleitor e é fundamental programa capaz de conquistar a dade dos políticos e candidatos, para calibrar o discurso. A outra mente e os corações dos eleitode forma criativa, diversificaé a pesquisa quantitativa, que res. n da e intensa. Sua aplicação na indica a posição do candidato política implica uma verdadeira num determinado momento. João Luiz de Oliveira revolução, não somente como Hoje são inúmeras as ferraJornalista e Publicitário, com um recurso a mais a serviços de mentas em diversas áreas, dentro Especialização em Marketing Político e Diretor da Conceito Propaganda

revista vitória I Julho/2016 33


reportagem Maria da Luz Fernandes

Abençoados pela

Mãe Aparecida

O

sentimento dos fiéis da Arquidiocese de Vitória é, ‘estamos abençoados’, quando se fala da visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ela percorreu todas as áreas pastorais, passou em todas as paróquias e comunidades da região metropolitana e do interior e está em suas últimas visitas pelos bairros da capital. Se a proposta do Santuário Nacional era de celebrar 300 anos de bênçãos, então, podemos afirmar que a arquidiocese ‘entrou no clima’! Os relatos da visita são impressionantes porque

em cada lugar a experiência foi particular e diferente, mas foi a mesma fé e a mesma devoção que pairou em todos os corações. A imagem peregrina chegou no dia 5 de janeiro. Foram 6 meses ‘de bençãos’! A narração de quem acompanhou e recebeu a visita da imagem peregrina comove, emociona e ao mesmo tempo reacende a chama filial e maternal da fé. Os detentos do presídio de segurança máxima em Viana receberam a visita da imagem nos dias em que ela estava na paróquia Santíssima Trindade em Vila Capixaba,

revista vitória I Julho/2016 34


Cariacica. Padre Paulo Sérgio Vaillant descreve com detalhes a reação dos presidiários e do diretor do presídio: “a ida ao presídio foi considerada o ponto alto da visita de Nossa Senhora à nossa paróquia. Em conversa com o diretor do presídio, ele perguntou, ‘é possível trazer a imagem aqui’? Nesse momento decidimos levar. Fomos com a imagem no andor e, diferente de outras visitas, quando o presídio libera de 10 a 12 detentos por ala, fomos surpreendidos quando foi dado o comando para que todos eles pudessem participar. Foi uma emoção muito forte ouvir o barulho das portas se abrindo e os presos descendo. Eles falaram, cantaram, rezaram e não queriam que a imagem saísse de lá. A um certo ponto o diretor veio falar conosco que eles pediram para carregar o andor dentro do pátio, e foi outra grande emoção ao vermos como eles fizeram com toda a devoção. Não queriam que a imagem fosse embora e tivemos dificuldade em ter que partir, mas percebemos o quanto essa visita serviu também para fortalecer nossa relação e amizade com os funcionários e principalmente a nossa credibilidade junto aos encarcerados. Posso dizer que foi uma visita maternal, emocionante. A presença da imagem revelou uma dimensão que poucas pessoas

experimentam de Deus, que é o lado materno de Deus, a presença maternal de Deus. Hoje quando a gente fala de Maria na visita eles mesmos puxam a oração da Ave Maria para rezar após o Pai Nosso”. Sentir essa presença materna foi também a experiência dos fiéis na paróquia Nossa Senhora de Fátima em Pedra Azul. “Eu estava em cima do carro em pé ao lado de Nossa Senhora e sentia a presença dela pela reação das pessoas. As pessoas se manifestavam, se benziam, acenavam. Essa fé que o povo tem em Maria foi marcando toda a visita. Uma senhora dizia: ‘na presença da imagem eu me sinto em casa’, disse Madalena Mazocco e Lair Cebin da mesma paróquia, chorando de emoção dizia: “a gente percebia que diante da imagem as pessoas se comportavam como se estivessem na presença de Nossa Senhora, tamanha era a emoção de estarem ali pertinho dela. Foi muito emocionante!”. Para exemplificar melhor, Lair contou como foi a chegada da imagem à comunidade matriz: “como ia chegar à noite a gente ia fazer só uma celebração, mas o povo começou a ligar e pedir se não poderia ter missa, então nós perguntamos ao nosso pároco e ele disse que sim. Nós ficamos preocupados por ser revista vitória I Julho/2016 35

à noite e pensamos que vinham só os daqui, mas que nada, o povo foi chegando, chegando e a igreja estava cheia. Teve gente a noite toda. Nós tínhamos organizado os grupos e os horários, mas todo o mundo ficou a noite toda. Foi o momento que mais juntou gente na nossa paróquia e se ficasse aqui 15 dias teria gente sempre. Ninguém queria se separar”. Não querer se separar é coisa de família mesmo e foi assim que a comunidade entendeu o imprevisto que aconteceu com os bombeiros. A paróquia fez contato e acertou tudo para que o carro do Corpo de Bombeiros conduzisse a imagem até Brejetuba. No dia combinado os bombeiros trocaram a data e não compareceram. Lair, Madalena e Neide Péterle


reportagem

Módolo que ficaram três dias e três noites carregando a imagem de carro (Neide era a motorista) e só voltaram para casa quando a imagem foi entregue em Brejetuba, até se dispuseram a continuar essa missão, mas era ‘perigoso pegar o asfalto’, então decidiram que a imagem iria no ônibus com a comunidade e sabe como elas e todos os fiéis interpretaram o acontecido? “O povo acolheu Nossa Senhora tão bem que ela quis ir com o povo”, afirmam as três quase fazendo um coro. Em Pedra Azul a visita da imagem peregrina foi marcada por outro fato que provocou reações de espanto e ao mesmo tempo ‘de medo’ temporário, principalmente para Neide, a motorista. Quando seguiam para a menor comunidade da paróquia (Nossa Senhora do Bom Parto), um cavalo começou a correr em direção à cerca. “Eu fiquei com medo porque pensei que ele ia derrubar a cerca e ia ser um desastre. Na volta da comunidade dois cavalos de novo se aproximaram da cerca e, seguidos pelo gado, acompanharam o percurso do carro que carregava a imagem. Do outro lado tinha um pasto sem cerca e de lá o gado também começou a seguir o carro da imagem formando um corredor. Eu quase parei o carro de tão devagar. Foi muito impressionante e lindo para a Madalena

e a Lair que estavam em cima do carro, foi de arrepiar”, contou Neide que mesmo arrepiada com o fato e com medo por estar dirigindo, diz que esse foi um dos momentos que guardará para sempre. E como a região tem muitos pássaros eles também se juntaram em revoadas e acompanharam a imagem em alguns trajetos, conforme constatou Madalena. Mas, o que realmente impressionou Madalena foi a fé das pessoas que “se aproximavam, tiravam o chapéu, buzinavam nos trechos de asfalto, chegavam perto e demonstravam de alguma maneira que percebiam que ali acontecia alguma coisa diferente”. Para Madalena a presença dos padres João e Valter em todas as comunidades foi muito boa para eles e para a comunidade porque fortaleceu o sentido de paróquia que tem apenas dez anos. Em Alfredo Chaves, o pároco padre Diego, também se emocionou e sentiu na visita da imagem de Nossa Senhora que essa foi uma forma que Deus encontrou para os visitar. “Sabíamos que não era uma visita qualquer, sabíamos que Deus, por meio da Virgem Maria, estava reservando para nós dias de bênçãos e emoções, disse ele e continuou seu testemunho: “a emoção tomou conta do meu coração, como também dos fiéis que estavam esperando a revista vitória I Julho/2016 36

chegada da Imagem quando fomos surpreendidos pelos fogos que anunciavam a entrada Triunfal da pequena Imagem, que quase se perdia entre as flores e as crianças vestidas de anjos e recebemos das mãos do Padre Ivo – Jesuíta – a Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida para visitar nossa paróquia. Depois, na igreja matriz o povo permaneceu em vigília, rezou e meditou o Santo Terço. Mas a imagem não ficou somente na Igreja. Maria queria ir ao encontro do povo, ir aos corações, ir ao encontro dos seus filhos.... Assim, iniciamos a visita da Imagem aos setores. Parecia feriado, Dia Santo... O povo aguardava nas estradas, procissões se formavam, joelhos se dobravam, mãos se levantavam, era possível ver nos olhos do povo a confiança de que suas preces seriam ouvidas, por meio de Maria, assim como ela o fez em Caná da Galileia”. Padre Diego destacou dois momentos especiais da visita: um grupo de mães da comunidade São José de Anchieta que, com lágrimas nos


olhos, em torno da imagem rezaram pelos filhos falecidos, enxugadas pela voz de padre Vitor Coelho rezando, transmitido pela Rádio Aparecida e a visita ao Lar dos Idosos quando Dona Maria Teles disse: “Nossa Senhora Aparecida, não se esqueceu de nós, mas veio aqui nos visitar...”. E padre Diego acrescenta: “Poderá acaso a Mãe esquecer dos seus filhos”? A Mãe não esquece, não padre Diego, é o que experimentou Érica Gomes de Jacaraípe quando diz: “hoje eu sou católica por intercessão de Nossa Senhora”. Ela contou que encontrou um namorado católico e ele não entendia porque Deus lhe dera uma namorada protestante, mas que aos poucos ela foi conhecendo e aprendendo a amar Nossa Senhora. Mas a Érica contou com outra ajuda além do namorado. A mãe dela confiou a cirurgia grave que sua irmã precisou fazer a Nossa Senhora e prometeu que levaria a filha, se ela vivesse, ao Santuário de Aparecida, mas não tinha conseguido cumprir

a promessa. Para Érica, a mãe e a irmã, Nossa Senhora veio até elas. “ali foi um momento muito único. A gente estava cumprindo aquela promessa”, disse feliz por ter engravidado logo após a visita de Nossa Senhora à comunidade Santa Luzia em Jacaraípe. Nossa Senhora Aparecida trouxe bênçãos, provocou momentos de encontro, de oração, sentimentos de bem e de paz. Deixou conforto, enxugou lágrimas, fortaleceu a fé e também levou algumas coisas. Irinéia Ferrari, também de Jacaraípe deixou seu testemunho e também fez uma síntese dos sentimentos que ficam na Arquidiocese de Vitória após esta visita: “Nossa Senhora me deu uma bênção muito grande porque há 30 anos eu fumava e após essa passagem ela levou meu cigarro embora. O dia 28 de abril vai ficar marcado para mim, porque nem sentir falta mais eu sinto. Eu vinha tentando parar de fumar há revista vitória I Julho/2016 37

dois anos e não conseguia. Resolvi entregar a ela a minha vontade de parar de fumar, pois sabia que não ficaria desamparada, então foi uma bênção muito grande. O momento mais marcante foi quando ela chegou aqui na Comunidade Santo Antônio de Pádua. Eu fui lá na comunidade Sagrado Coração descer junto com ela, para mim isso foi especial. A imagem só deixou coisas boas por onde passou, por todas as comunidades, as pessoas se unindo cada vez mais e todas recebendo as suas bênçãos. Eu sou devota de Nossa Senhora Aparecida desde menina, é até difícil, eu não sei expressar em palavras esse sentimento, porque ficam todas as coisas mais belas dessa devoção”. Com a Irinéia, a Érica, padre Diego, Neide, Madalena, Lair e padre Paulo Sérgio, todos os católicos da Arquidiocese de Vitória podem dizer hoje: FOMOS ABENÇOADOS PELA MÃE APARECIDA! n


Mundo Litúrgico

Liturgia: referência para o

itinerário catequético

O

cristão vive uma contínua experiência catequética – o caminho, ao longo da sua vida testemunhal – o discipulado, de forma mistagógica, ou seja, sempre aprofundando e intensificando a sua comunhão com o Mistério. A iniciação cristã indica o princípio da vida nova, com explicitação no batismo, como prática do seguimento de Jesus Cristo, na dinâmica do Evangelho e do Reino. A catequese acompanhará todas as etapas da vida cristã, até a Páscoa definitiva de cada fiel, como exercício de ressignificação e intensificação do seguimento e do testemunho de Cristo, em vista do florescimento e da frutificação batismais.

É na vida litúrgica – pleno exercício de pertença à Igreja de Jesus Cristo - que os catequizandos têm referência e inspiração para o cultivo e desenvolvimento da fé, da esperança e do amor, em vista da missão. Por isso, os encontros gerais de catequese (desde as catequeses de iniciação – batismo, eucaristia e confirmação – como também as preparações do matrimônio e as catequeses continuadas e permanentes dos fiéis) devem priorizar a escuta e partilha da Palavra de Deus de forma orante e celebrativa, e em sintonia com as ações litúrgicas. Para as catequeses de iniciação, particularmente as de preparação ao início da vida eucarística, é oportuno valorizar os

conteúdos das leituras proclamadas nas liturgias dominicais, as quais dão uma visão geral, no conjunto do ano litúrgico, do itinerário missionário e salvador de Jesus. Para as demais catequeses, buscar as referências bíblicas próprias para as etapas vividas com os catequizandos, conforme os objetivos de cada etapa. Em suma, o ano litúrgico é o núcleo da catequese. Conhecer o rito a ser celebrado é indispensável nos encontros de preparação às vivências sacramentais e, a partir do seu conteúdo e estrutura, conduzir mistagogicamente os catequizandos à própria vivência ritual, evidenciando a teologia do rito, que já é, por si, essencial como conteúdo da própria catequese. É oportuno proporcionar vivências rituais com eles, considerando alguns elementos contidos no específico do rito, como forma de aprofundamento. Tudo isso, na certa, será o diferencial em todas as vivências catequéticas, como qualidade e impulso ao comprometimento de uma vida cristã que liturgicamente é celebrada. n Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap

revista vitória I Julho/2016 38


arquivo e memória Giovanna Valfré Coordenação do Cedoc

A família Gatica reunida e recomeçando a vida no Brasil no ano de 1986. Ana Maria Caracoche e seu marido Oscar Gatica, com seus quatro filhos: Maria Eugênia e Felipe (sequestrados pela ditadura militar argentina) Maria Paz e Juan Manoel. A foto é de David Protti.

revista vitória I Julho/2016 39


Pergunte a quem sabe Tem dúvidas? Então pergunte para quem sabe. Envie sua pergunta para mitra.noticias@aves.org.br

Economia

O que são os paraísos fiscais?

Orlando Caliman

Mestre em economia

Fazendo analogia, o paraíso fiscal seria paraíso do dinheiro. São territórios, a maioria deles constituídos por ilhas, que servem de abrigo para recursos financeiros (dinheiro), na sua maioria praticamente isentos de incidência de tributos. São também muito usados como guarda de dinheiros sem origem declarada, em grande parte fruto de operações consideradas ilícitas ou também proveniente de corrupção. Também servem para operações que envolvem o mercado de armamentos bélicos e narcotráfico. No fundo, pessoas e empresas buscam esses “paraísos” para fugir do fisco - cobrança de impostos - nos países de origem. Nesses territórios é facilitada a criação de empresas, muitas delas chamadas de “gaveta” ou virtuais, sem contar com um endereço físico. Em muitos casos as operações são feitas através de “trust”, instituição que presta serviço de guarda do dinheiro ocultando o verdadeiro dono. É o caso do Eduardo Cunha com a sua conta na Suíça, como também de tantos outros envolvidos na operação Lava-Jato. Os “trustes” não revelam o nome dos verdadeiros proprietários do dinheiro. Na verdade, é possível abrir uma empresa nesses paraísos, também chamada de empresa “offshore”, praticamente sem ter que sair de casa. Tudo lá é mais barato para se movimentar o dinheiro, além da blindagem contra incursões de fiscalização. No Brasil, nos últimos anos, virou moda abrir offshores e contratar “trust” para esconder dinheiro.

Educação Para que serve a EJA?

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino para atender jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de estudar na idade própria. Existe EJA em escolas regulares, onde o aluno conclui o ensino fundamental ou médio em 2 anos e as aulas são presenciais e em Centros Estaduais de Educação Jovens e Adultos (CEEJAS) na modalidade de Instrução Personalizada (ensino individual), através de módulos

e o aluno conclui de acordo com o seu ritmo próprio. O estudo é feito por disciplinas. A outra modalidade são os Exames Gerais aplicados pela SEDU uma vez por ano e se o candidato alcançar a média 60 (sessenta) conclui o ensino fundamental ou médio em dois finais de semana. A idade mínima para cursar a EJA, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, é de 15 anos para o ensino fundamental e 18 anos para o ensino médio. O estudo nos CEEJAS são semi presencias (não exige frequência), ficando a critério de cada aluno.

Os conteúdos programáticos são os mesmos das escolas regulares?

Os conteúdos programáticos e as disciplinas acompanham os currículos da Escola Regular, com algumas variações na carga horária. Não há diferença por ser EJA. O que acontece é que os conteúdos do Ensino Fundamental ou Médio são divididos em módulos e nas escolas regulares em etapas.

Izis Gonçalves

Professora aposentada. Atuou como Secretária do CEEJA por mais de 30 anos

revista vitória I Julho/2016 40


Dr. Sérgio Barros

Qualidade do sono

Especialista em Medicina do Sono

É realmente necessário dormir 8 horas por noite?

O tempo médio de sono desejável é em torno de 7/8 h a cada período de 24h, sendo que existe um número muito pequeno de pessoas que dormem menos de 5 h e se sentem bem, e outras pessoas que necessitam de 9 h ou mais de sono, entretanto essa é uma situação de exceção. É importante ressaltar que existem vários trabalhos científicos que demonstram um risco aumentado de complicações de doenças cardiovasculares e cerebrais para as pessoas que dormem pouco ou muito, sendo que se alguém se encaixar nesse perfil deve buscar orientação com um especialista em Medicina do Sono para ajudá-lo na avaliação dessa situação de risco. É importante frisar que uma das maiores preocupações atuais da Medicina do Sono é com as consequências dos quadros de Privação de Sono na Qualidade

de Vida das pessoas, e o depoimento de boa parte dessas pessoas é dizer: “durmo 5 h/dia e me sinto muito bem!”. E isso é um grande e perigoso equívoco. O que caracteriza dormir bem? Dormir BEM é ao acordar, sentir-se disposto,

bem-humorado, com vontade de tomar um bom café da manhã, não estar irritado, impaciente e intolerante. É importante comentarmos que uma das funções biológicas mais importante que temos e necessitamos é um SONO REPARADOR, pois ele irá nos permitir executarmos todas as nossas atividades durante o dia de forma saudável e segura. Gostaria de ressaltar que podemos perceber que o sono não está sendo de boa qualidade, quando apresentamos sintomas de impaciência, intolerância, agressividade, dificuldade de memória e concentração, etc.

Em João 20,23: “...Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. Ao conferir tal missão aos apóstolos, Jesus desejava que os pecados fossem confessados; afinal, como se perdoaria os pecados cometidos se deles não tivessem conhecimento? É preciso que num ato de vontade e liberdade, se reconheça o erro se arrependa e peça perdão. Seria mais fácil nos confessarmos diretamente a Deus, mas Ele quis que tivéssemos a garantia de estarmos perdoados e, o sacerdote é quem pode nos dizer: “vai em paz! Seus pecados estão perdoados”. Quem experimenta tal manifestação do Amor e Misericórdia Divina, por meio do sacramento da penitência, sente-se renovado, aliviado, em paz e com a consciência tranquila, pois tem a certeza de ter recebido o perdão Divino.

revista vitória I Julho/2016 41

Religião

Por que preciso confessar ao padre e não posso fazê-lo diretamente com Deus?

Padre Teodósio Aquino

Pároco na paróquia São Camilo de Lellis na Mata da Praia


ensinamentos

Obras de Misericórdia

espirituais

A

conselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas incômodas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. Estas são as obras de misericórdia espirituais indicadas pela Igreja. O Papa Francisco manifesta, na Bula O Rosto da Misericórdia, o seu desejo de que todos os cristãos reflitam sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual no Ano da Misericórdia, como uma maneira de despertar a nossa consciência adormecida diante do drama da pobreza e do sofrimento humano e entrar no coração do Evangelho, onde os pobres (aqueles que padecem nas periferias existenciais) são os privilegiados da misericórdia de Deus, revelada plenamente revista vitória I Julho/2016 42


em Jesus Cristo. Elas evidenciam se estamos vivendo ou não como verdadeiros discípulos do Senhor. Cabe aqui a análise sociológica de Zygmunt Bauman sobre as pessoas classificadas como “redundantes” – enquadradas na chamada ‘underclass’, isto é, pessoas que não fazem parte das classes sociais; ao contrário, são refugo humano descartado pela sociedade contemporânea. Em nível mundial, o drama dos refugiados exemplifica essa realidade. No Brasil, vemos a “população em situação de rua” e, de forma muito dramática, os usuários de droga que habitam as calçadas dos centros urbanos. Também vivem na periferia existencial aqueles que aparentemente sem problemas significativos, carecem de acolhimento, de amor e da verdade que vem de Deus, dos quais a Igreja deve

ser sacramento. As obras de misericórdia espirituais e corporais fazem parte do processo de santificação na medida em que fazemos o exercício de sairmos de nós mesmos, buscando a comunhão primeiro com Deus e a partir daí com o próximo, considerando que toda comunhão verdadeira se dá a partir de Deus. Por isso, as verdadeiras

obras de misericórdia espirituais precisam ter como motivo e fundamento Cristo (por Cristo, com Cristo e em Cristo). Não são fugas do mundo nem visam trazer algum tipo de vantagem ou mérito pessoal, mas são uma resposta generosa e solidária da pessoa que experimenta o amor de Deus. No contexto do Ano da Misericórdia, são uma excelente oportunidade para fortalecer as virtudes que nos tornam semelhantes a Cristo, pois pelo Sacramento da Penitência e da Reconciliação, obtemos o perdão dos nossos pecados, mas eles deixam desordens em nossa vida e danos aos próximos e à Igreja, que são reparados pela prática das obras de misericórdia possibilitadas pela graça divina. n Vitor Nunes Rosa Professor de Filosofia na Faesa

revista vitória I Julho/2016 43


Música Entretenimento Informação


cultura capixaba

Clube de Regatas Saldanha da Gama

C

om um passado de conquistas esportivas acumuladas ao longo de 114 anos de história, o Clube de Regatas Saldanha da Gama, assim como seu arquirrival Clube Álvares Cabral, nasceu da paixão dos capixabas pelos esportes náuticos. Muito antes daqueles idos de 1902, os jovens se engajavam com as regatas (no dia de Santa Catarina) e com as procissões (de São Pedro) que coloriam a entrada da Ilha. Com o passar do tempo as competições de remo mobilizaram toda a população, que corriam para assistir as disputas entre os atletas das principais agremiações esportivas. O Clube obteve infinitas conquistas ao longo de sua existência, e ainda enviou um representante para as olimpíadas de Berlim. Sim, além de representar o Brasil nos jogos de 1936, o remador Wilson Vitória - 1805 Freitas também representava a

bandeira do clube capixaba. Mas, nem só de esporte viveu o alvirrubro do Forte São João. Dentro de sua sede social (uma fortaleza militar do século XVII) desfilaram as mais importantes figuras da sociedade Espírito-Santense e convidados de renome nacional. Os concursos de beleza, bailes de carnaval e jantares dançantes agitavam as noites vitoriense e foram abrilhantados com shows artísticos de Cauby Peixoto, Elisete Cardoso, Gal Costa, Maria Bethânia, entre outros. Infelizmente os tempos áureos revista vitória I Julho/2016 45

ficaram esquecidos num passado longínquo. E, embora as regatas ainda despertem o interesse de competidores e plateias nos domingos em frente ao Penedo, já não mobilizam tanto quanto antes. Já a sede social do Clube dá ares de revitalização com a possível implantação do Museu da Colonização, no Forte São João, por iniciativa do SESC e da Fecomércio. Aguardemos o que nos reserva a história! n Diovani Favoreto - Historiadora


ACONTECE

Peregrinação à Aparecida Para comemorar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora de Aparecida e após seis meses de peregninação entre nós, os fiéis de toda a arquidiocese irão em Caravana à Aparecida participar da missa que acontece no dia 30 de julho no Santuário Nacional. Já são 70 ônibus confirmados para a viagem, que sai de Vitória no dia 28 de julho.

Missa de encerramento da peregrinação Chegou a hora do povo capixaba agradecer as bênçãos recebidas e se despedir da Mãe Aparecida. A visita será encerrada com uma missa no dia 23 de julho, às 18h na Praia de Camburi entre os quiosques 5 e 6 e será presidida pelo arcebispo Dom Luiz Mancilha Vilela, com transmissão ao vivo pela TV Aparecida. Toda a arquidiocese está convidada.

Redatores de Folhetos Litúrgicos Refletindo sobre a relação entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, os responsáveis pelos folhetos e subsídios litúrgicos reúnem-se de 12 a 14 de julho, no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Ainda consta na programação a reflexão de assuntos como ‘música litúrgica’, ‘o espaço litúrgico na Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística’ e ‘os Subsídios Litúrgicos e os 300 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida’.

Paulinas apresenta uma nova tradução do

Novo Testamento, que resgata, de forma fluente, o sentido original dos escritos em grego dos primeiros séculos.

Prepare-se para o Mês da Bíblia

ois Com sdde capa

lo mode

l Crista8447 2 Cód. 5 rnada e Encad. 528455 Cód

• • • • • •

Especialistas em Exegese Bíblica realizaram minucioso trabalho de tradução. Introduções, notas explicativas e referências a textos paralelos aprofundam a compreensão dos livros bíblicos. Ilustrações do artista Cláudio Pastro auxiliam no entendimento do texto e convidam à contemplação. O texto facilita o estudo bíblico, a reflexão teológica e a leitura orante. Moderno projeto gráfico apresenta texto, introduções e notas explicativas de forma agradável e atraente. Diferenciação de cores em títulos, capítulos e versículos auxilia na localização dos textos.

001 Cód. 529

de! Novida

Mês da Bíblia 2016 Serviço de Animação Bíblica – SAB

“Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus” (cf. Mq 6,8)

Rua Barão de Itapemirim, 216 – Centro – Vitória-ES Tel./Fax: (27) 3223-1318 – livvitoria@paulinas.com.br – www.paulinas.com.br revista vitória I Julho/2016 46




Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.