CARTA ABERTA
SUMÁRIO
O ano que passou foi estranho. Trabalhei como nunca. Entre outras coisas, estabeleci a Portrait Fanzine como algo real e que faz as pessoas procurarem, se interessarem por ela. Me decepcionei em alguns não poucos momentos. Enfim, aprendi algumas coisas com 2018 e até fico feliz com isso. O principal tema de minha nova aprendizagem é que “resistir é preciso”. Lutar por educação, saúde, valores, igualdades. Lutar pelo ser humano. Difícil e me sinto muito velho na maior parte do tempo para tal tarefa. Mas já disse o companheiro de velhas batalhas: “a luta continua...” Essa revista é e sempre será um espaço para aqueles que não tem voz na grande mídia. Você pode estar cansado de ler isso, mas assim será sempre enquanto eu fizer esse trabalho. E para deixar bem claro isso, a capa dessa edição traz a primeira parte de uma reportagem sobre o rugby em Paraisópolis. Para quem não sabe, a segunda maior favela da cidade de São Paulo. Uma das maiores da América Latina. O instituto Rugby para Todos apresentou o esporte há quinze anos para a comunidade e o restante da história você verá nas páginas a seguir. Na segunda parte, provavelmente para a edição onze, veremos o que o rugby fez para um morador de Paraisópolis. Imperdível. Ainda falando de rugby, não sei expressar em palavras a emoção de ver uma haka ao vivo. Isso aconteceu no amistoso no Estádio do Morumbi, em São Paulo, entre o Brasil e os Maoris All Blacks. Os tupis confrontando os visitantes me arrepia ainda hoje enquanto escrevo essas linhas. Lindo demais. Você conhecerá Nicole Cintra Lagos, uma atleta de 15 anos que sonha com medalhas em 2020 no Levantamento do Peso. Verá ainda o novo técnico do basquete do Paulistano, Régis Marelli. Tem ainda um ensaio fotográfico bonitão com o campeão da Liga Nacional de Handebol Masculino, o Pinheiros. Para terminar, dos meus baús, um trabalho que fiz em Ouro Preto, Minas Gerais, sobre a degradação do patrimônio cultural da cidade em 2009. Esse material saiu na National Geographic Brasil em outubro de 2010. Como sempre e é o que eu tenho tentado, revista bacana para ler do começo ao fim. Embarquemos.
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28 PROJETO Alexandre da Costa
Obaaa! É hora de
texto e fotos: ALE DA COSTA
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e jogar rugby
Projeto social criado há quinze anos, os Leões de Paraisópolis formam atletas, ganham títulos e mudam histórias
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Há bandeiras que precisam ser levantadas em lugares como o Brasil. Uma delas defende que muitos dos problemas desse país seriam resolvidos se as apostas de governos, partidos e políticos partissem de um investimento maior em EDUCAÇÃO. Não em construção de cadeias, como alguns defendem. Quando você conhece projetos sociais como o do Instituto Rugby para Todos fica mais claro ainda que educar muda vidas, sim. Quinze anos atrás, Fabrício Kobashi e Maurício Draghi olharam com atenção para Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade de São Paulo com cerca de 80 mil moradores, e resolveram agir. A partir dos princípios do rugby, a dupla agiu na comunidade vizinha do bairro do Morumbi, um dos mais ricos de São Paulo, e o retorno foi mais do que sensacional. Na primeira aula, cem meninos e meninas cheios de curiosidade pela bola oval. Nessa entrevista com um dos fundadores do projeto, o Fabrício, você vai conhecer os primeiros passos dos Leões de Paraisópolis que já renderam títulos e atletas para a seleção brasileira. Na edição 11 de Portrait Fanzine, você vai conhecer a vida de um dos jogadores que mudou com o rugby.
cio estava no Rio de Janeiro. Voltamos para São Paulo, na mesma época, no fim de 2003. Foi um choque grande quando voltei para São Paulo. Morava no Morumbi, com essa favela gigante do lado, que é Paraisópolis. Contraste imenso. Foi chocante. Esse impacto me despertou a vontade de querer fazer algo, dar de volta. Comentei isso com o Maurício, fazíamos parte do mesmo clube. Ele já tinha feito algo com a escola aqui na comunidade. Sem muita experiência, viemos aqui, conhecemos o campo, era um areião, não tinha grade, ali era um barranco. Olhamos um pro outro e falamos: “Vamos juntar forças, vamos fazer”. Era um cenário diferente. Tivemos autorização para usar o campo e para nossa surpresa tivemos muitos alunos desde o começo. Cem meninos e meninas logo de cara. Foi desesperador na verdade. Várias idades. A gente não esperava tudo isso. Tanto que quando chegamos aqui na primeira vez para começar o projeto achávamos que havia outro evento marcado no mesmo dia, de tanta criança que tinha no campo. Foi uma surpresa muito boa. Aprendemos fazendo. Não tinha um plano, não tinha um guru nos ensinando. Fomos fazendo. Chegamos com nosso conhecimento de rugby, que tem muito valor também, não é uma coisa qualquer. Quem conhece e pratica rugby está preparado pra fazer muita coisa na vida. Usando essa filosofia, fomos ver as demandas dos alunos. Chegavam com fome, não sabiam se comportar, tinha muita briga, conflitos e essas demandas muitas vezes impediam a gente de dar aula. Começamos a agir diretamente nesses problemas. O aluno chegava e dizia que não havia comido nada e estava com dor de cabeça. Ele não conseguia jogar rugby porque não havia comido. A gente viu que precisava repor a energia deles depois dos treinos de alguma forma. O buraco era mais embaixo. Não adiantava chegar aqui com uma bola de rugby, ensinar o tacle, um try e ir embora. O trabalho era mais complexo.
Portrait Fanzine: Em 2004, o Instituto Rugby para Todos abraça Paraisópolis. Você e Maurício Draghi trouxeram os conceitos de um jogo que não é só um jogo e sim a ideia de comunidade. Foi por isso que escolheram Paraisópolis? Como nasce essa iniciativa? Por que aqui? Fabrício Kobashi: Tudo nasce daquela vontade de passar aquilo que se aprende no rugby que é um esporte diferente, que você não está acostumado, que não faz parte da nossa cultura. Rugby é algo diferenciado para um país que respira futebol. Todo mundo que pratica esse esporte tem consciência do quanto é especial esse jogo, do quanto educa, do quanto as pessoas melhoram. É a filosofia do rugby. Alguns acasos me juntaram ao Maurício para esse projeto. Eu tinha ido morar na Austrália por dois anos, jogar e trabalhar lá. O Maurí- PF: E justamente por causa disso, vocês se 6
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aprofundam na comunidade... FK: Não dá pra alienar, apresentar o rugby e fim. Todo time é formado por vários indivíduos. E a gente tem que saber respeitar essas diferenças e aqui as diferenças eram outras do que estávamos acostumados. Essas demandas não encontrávamos nos clubes em que jogávamos. Geralmente, o rugby é um esporte elitizado. É outro viés de problema. Mas tivemos respos-
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tas rápidas, os alunos aprendiam muito rápido. É prazeroso você ensinar e ter esse retorno. Eu já havia ensinado rugby antes e foi impressionante a facilidade dos pessoal de Paraisópolis aprender. Rugby é muito instintivo. Os alunos daqui não tem receio de ir pro contato físico, de pegar uma bola e avançar. Diferente de um clube francês, inglês que você tem que encorajar o aluno, aqui não, é o contrário, você
tem que brecar o aluno porque coragem não falta. Isso no rugby faz muita diferença. A outra parte do projeto foi correr atrás de estrutura. Apareceram muitos voluntários. Jogadores de rugby de outros clubes, hoje em dia, são voluntários daqui. É um caminho natural dos próprios alunos, se empoderarem do projeto num futuro. É um clube deles. Espero que um dia, eles não precisem da gente pra nada. Seria o mundo ideal. Captar verba, profissionais, o sonho é o projeto caminhar sozinho. PF: Em outubro de 2017, no SPAC, um clube inglês dos mais tradicionais de São Paulo, os garotos de Paraisópolis ganharam seu primeiro campeonato. Como bateu na comunidade, esse momento do primeiro título e todo o contexto que o envolvia? FK: Foi muito importante para todos os alunos que jogam aqui. Eles tem a vantagem de ter uma “escadinha”, partem dos seis anos e vão até o adulto. Tanto no masculino quanto no feminino. Os alunos mais novos olham lá pra frente e veem um time campeão, com atletas na seleção, jogando um rugby bonito. Isso tem um valor imenso. Sempre reforçamos para eles a responsabilidade que o time adulto tem que ter. Eles representam muita gente. Sobre o primeiro campeonato que conquistamos, não íamos deixar escapar. Foi bem emocionante, apesar de ser série D, na boa, isso não importa. A gente até brinca que inventaram uma quinta divisão. Fomos campeões e descemos. A gente brinca, faz parte (Foi criada nessa temporada uma nova divisão de acesso no rugby paulista). Isso é o que menos importa. Temos um time aqui preparado pra encarar qualquer time do Brasil. Tem garotos e garotas de 15 anos já jogando muito, imagina quando virarem adultos? Ninguém segura esse time. Mas não temos pressa e o futuro se mostra promissor sim. Começamos de baixo e chegaremos no topo, com trabalho de base, trabalho sério. É o caminho. Estamos comprometidos com a família, a comunidade. Isso vai dar resultado.
PF: Essa mudança de mentalidade é um processo interessante. O campo de futebol usado pelo Palmeirinha, um dos times mais tradicionais da várzea paulistana, virou um reduto do rugby e só cresce... FK: São 200 alunos todo ano. Várias famílias conhecem o projeto e vão ficando. Já existe um legado. É um caso especial, dá muito orgulho fazer parte. A bola oval cai no gosto de qualquer um e em Paraisópolis isso foi muito rápido. O rugby envolve o instinto, o físico. Provar pra você mesmo que você pode. Sou grande, sou pequeno, mas aguento. Minha velocidade prevalece sobre o cara grande, enfim. Conceitos desse esporte. Cada um usa sua característica. No rugby tem espaço pra todo mundo. Aqui fica mais fácil entender isso porque já há um senso de comunidade inerente ao lugar. A dedicação deles é tremenda. O rugby representa muito mais pra eles aqui. É muito mais significativo pra eles. PF: Eles já veem o rugby como uma possibilidade de carreira? FK: Eles não tem tanta opção e por isso o esporte se torna muito mais significativo. É a vida deles. Eu na idade deles tinha varias atividades junto com o Rugby, apesar de priorizar sempre o esporte. Mas sempre com vários focos. Classe média alta tem mais pressão nesse sentido nas opções de escolha. A tendência aqui é eles se desenvolverem muito mais. E aí surge outra via, que é, por exemplo, conseguir uma bolsa na faculdade por causa do esporte. Isso pode mudar a vida dele. O que eu vejo aqui é uma rede de oportunidades pra esses alunos. O rugby permeia isso. As alunas, por exemplo, agora vão pra França. Algumas se destacam lá. Curso de Francês. E sempre rola um convite de lá. Pra ficar, pra jogar, estudar. Isso é coisa do rugby. Estudar na faculdade tal e você joga pro time. É possível, talvez até provável que aconteçam convites, pelo nível técnico delas. Cria-se um link Paraisópolis/França. Criou-se uma rede inteira de possibilidades e que co9
meça andar sozinha. Eu mesmo hoje em dia tenho outroas atividades profissionais em paralelo, estou menos à frente do que estava antes na parte operacional. Hoje, o projeto já anda mais sozinho, no sentido de já ter um nome e reconhecimento. O RUGBY NÃO ACABA MAIS AQUI. Olha os professores, eram alunos daqui. O David era o capitão. Já foi para a seleção. Tem muito moleque capacitado. Próximo passo é trazê-los para o planejamento, administrativo. Entenderem o processo todo. PF: Mas como sempre, e eu bato sempre nes-
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sa tecla, não se pode esquecer que estamos no Brasil... esse é o desafio? FK: Com certeza... Não é nem o rugby. O cenário de projeto social no Brasil é difícil. Não é só no rugby. O cenário de verba, de como conseguir essa verba, de depender de governos, de leis, de empresas, é um cenário possível, acontece, mas são batalhas, perrengues de grana, falta verba, corre atrás das coisas. Até nos acostumamos a lidar com isso. Passamos por coisas piores ao longo do projeto e ele continua. A gente vai levando, é batalhado, mas a gente vai levando... metro a metro.
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Leões de Pa camp
CAMPEONAT DESENVOL 12
Paraisópolis peões
TO PAULISTA LVIMENTO 13
Épico e lindo Numa noite chuvosa de novembro, no Estádio do Morumbi na cidade de São Paulo, a seleção brasileira de rugby encarou os All Blacks Maoris em amistoso mais do que especial com direito à haka sem medo de cara feia dos Tupis. A partida terminou com a vitória do Maoris por 35 a 3 e foi batido o recorde de público em um jogo de rugby no Brasil com mais de 30 mil pessoas fotos: ALE DA COSTA
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Começar de novo Régis Marrelli é o novo treinador do Paulistano, atual campeão brasileiro de basquete masculino, e abraça mais um desafio em sua carreira texto e fotos: ALE DA COSTA
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Ahhh, o sucesso, sim, ele cobra um alto preço. O time masculino de basquete do Paulistano teve uma temporada 2017/18 espetacular. Faturou o Campeonato Paulista, conquistou o NBB, sem falar da base que entre vários títulos também levou a Liga de Desenvolvimento de forma invicta. Coroação de um projeto, de um jeito de pensar o basquete. Mas, tantos troféus jogaram os holofotes para a turma do Jardim América, São Paulo, e ouriçou a cobiça dos rivais. Sente só: do pôster de campeão da Liga Nacional, seis jogadores, técnico e preparador físico deixaram o clube nas semanas seguintes ao triunfo nacional. Terra arrasada, certo? Claro que não. A ideia central da mentalidade do clube, entre outras coisas, “colocar o garoto pra jogar” – se manteve. No entanto, convenhamos, meio time perdido se torna um desafio pra quem quer que assumisse o comando. Além disso, como seria ocupar o lugar de Gustavo de Conti, o treinador campeão, que ficara no clube mais de dez anos? Pois é. Desafio imenso e aí surge um nome claro para tocar a nova vida do Paulistano: Régis Marrelli. O treinador com passagens vitoriosas por São José, Palmeiras e Vitória (inclusive, comandou o time no terceiro lugar do NBB 2016/17) assumiu o atual campeão brasileiro em junho passado. Belo cartão de visitas: já faturou o vice-campeonato paulista de 2018. O que virá mais por aí? Acompanhe a entrevista exclusiva do técnico. Portrait Fanzine: Metade do time e comissão técnica. Sete membros do Paulistano foram embora depois do título do NBB. É evidente que você não pegou terra arrasada, o projeto continua, mas recebeu meio time além de quatro garotos com menos de 20 anos que já estavam no elenco. Qual o tamanho desse desafio? Régis Marrelli: Primeiro, a filosofia do clube me encanta muito. Sempre gostei de trabalhar com garotos, com jovens. O Paulistano tem essa filosofia de ter os melhores garotos, grande base, a melhor formação. Isso sempre me encantou. A estrutura do clube também é muito boa. Os principais pontos foram esses. Eu sabia desde o começo que seria muito complicado entrar nesse processo. Os melhores saíram porque receberam propostas que o Paulistano não poderia cobrir. O Paulistano não faz loucura. Não é fácil. Mas antes de qualquer coisa há uma cobrança minha de sempre estar brigando pelas melhores posições. Ser campeão depende de uma série de fatores. Não é simples ser o melhor time. Coisas precisam convergir. Desafio que faz crescer, buscar o melhor sempre. PF: Mas já rolou um vice no Paulista. O trabalho começou bem... RM: No Paulista, já chegamos numa final. Deu moral pra equipe, deu moral pra mim. No NBB, o desafio é maior ainda e não estamos entre os plantéis mais caros. Mas isso já era antes. Não estamos entre os cinco mais caros. É logico que tem que ter uma adaptação, conhecer o clube, eles precisam conhe-
cer o meu trabalho também. O Gustavinho esteve aqui por 15 anos. A gente tá conhecendo a casa ainda. PF: A comparação com o trabalho do Gustavo de Conti, no início ao menos, será inevitável. Pronto pra isso? RM: O que o Gustavo deixou aqui foi fantástico tanto ele quanto o Diego Jeleilate. Implantaram uma filosofia de jogo desde a base. Tem que enaltecer isso e quando ele voltar aqui todo mundo tem que ficar de pé e aplaudir. Os grandes trabalhos tem que ser enaltecidos no Brasil. Não temos muito essa prática. Eu passei um pouco disso em São José. Conquistamos títulos, chegamos à finais, porém problemas políticos interferiram e me deixaram chateado. Foi um grande trabalho feito e deixado. Quando você tem uma equipe jovem, quando você busca uma equipe jovem, você tem o principal que é a vitalidade. Isso difere de uma equipe com atletas mais experientes que encurtam o caminho. Nossa equipe é mais jovem e precisa ter um rodízio grande para colocar a intensidade em prática pra desgastar o outro time. Nesse começo de trabalho, ainda estamos num meio termo, não consegui implantar tudo o que gostaria, o que é normal, quatro meses apenas. Temos conseguido alguma coisa. Existem jogadores ainda acostumados a jogar 35 minutos, o jogo todo, estranham o rodízio, sentem pouco comportáveis com isso, mas estão se adaptando. Essa filosofia de garotos do clube não pode ser tirada. Eu também estou me adaptando. Os jogadores estão chegando, eu chegando, lógico que não serei igualzinho ao Gustavo. A gente tem que usar a vitalidade que sempre foi a arma do clube. O André Dikembe é um exemplo disso e foi muito bem no Paulista. Estamos numa transição ainda. Temos apresentado uma defesa mais agressiva por causa dessa vitalidade. Na final do Paulista, caímos muito nesse quesito e coincidiu com a crescida do Franca na hora da final. PF: Aliás, no jogo dois, parecia que por mais que o Paulistano fizesse não venceria o Franca de jeito nenhum... RM: O momento do Franca era melhor. Passamos dois pontos, mas não conseguimos. Trabalhamos pra chegar no playoff no melhor momento. Playoff é o melhor momento. Basquete é muito o momento. Chegar bem é importantíssimo. Você faz uma baita primeira fase, chega no playoff e não mantém isso e cai, como aconteceu há duas temporadas quando os quatro primeiros do NBB na fase de classificação foram eliminados antes das finais. Os que estavam atrás chegaram melhor. Nos preparamos para a final do Paulista, mostrei vídeos, falei bastante. Não deu. A abertura do NBB foi dois dias depois contra o Mogi. Havia sim o peso da final do Paulista. Contra o Corinthians, melhoramos. Ainda temos muitos altos e baixos, temos que trabalhar, mas já conseguimos sim mostrar um bom basquete. PF: Desafio é a rotina do seu trabalho? No começo da sua carreira com o Corinthians Mogi, no Vi17
tória da Bahia, agora no Paulistano. Te orgulha isso? RM: Sem dúvida. Desafio é uma coisa que eu gosto. Não é fácil, mas eu gosto. Meu começo de carreira no Corinthians Mogi foi assim. Eu assumi a equipe quando estava sete a um de derrotas. Quando o Edvar Simões saiu e eu era o assistente. As coisas não estavam acontecendo, salários atrasados, ele saiu. Não estava legal. Encontrei dois amigos na época e disseram que eu era um louco de aceitar aquilo de pegar aquele trabalho. Eu estava há sete anos no Mogi. Comecei com eles. Sempre foram leais comigo e estavam precisando de mim, eu não poderia deixá-los na mão. Eu assumi com o salário de assistente mesmo, continuou a mesma coisa. Perdemos dois jogadores. Foi um desafio muito grande. No final da temporada até que terminamos com uma campanha razoável, nada de especial. Quando fui pra São José, a história do desafio continuou. Jogávamos pra 50 pessoas. Em 2009, fomos pra final do Paulista. Eu morava em Mogi e viajava todo dia para São José. Essa decisão seria de manhã, dormi num hotel em São José e levantei como sempre pra ir correr. Uns sete quarteirões longe do ginásio, eu correndo, uma fila gigantesca. Pessoas chegaram de madrugada pra não perder o lugar na final, o pessoal falando comigo VAMOS GANHAR. O primeiro cara chegou na fila três horas da manhã. Ganhamos a final. São José ama o basquete, mas estava adormecida. E conseguimos retomar esse amor. Ginásio lotado sempre. Fiquei muito contente. Tem desafios que conseguimos, outros não, mas gosto disso sim. Em Salvador, houve uma série de dificuldades. No últi18
mo ano, mais de dez vezes tive que limpar a quadra pra dar treino. Faltava estrutura, mas a torcida nos abraçou. Ensinamos a torcida a torcer. Foi aprendendo a torcer. Cajazeiras é um bairro muito carente e foi chegando, se aproximando, é o maior bairro da América Latina. Torcida do bairro sempre, distante do centro de Salvador, no ginásio. Eu moraria em Salvador fácil. Me encanta muito. PF: Você acabou dispensando do São José três dias antes do NBB 6 começar. Portanto, essa será sua décima Liga Nacional. O que você pode dizer sobre o desenvolvimento do basquete brasileiro nesse período? RM: É inegável o crescimento do basquete no país. Eu acho que é a melhor liga brasileira de esportes. São extremamente profissionais. O basquete deu uma arrancada gigantesca. É lógico que faltam algumas coisas. Por exemplo, pensar na base, na formação de jogadores. Pra ter uma grande liga é preciso ter grandes jogadores e a gente tem grandes jogadores, mas precisamos de mais. No entanto, um estrangeiro de primeira linha custa caro. É inegável que o NBB foi um upgrade do basquete, o fez ressurgir das cinzas, estava praticamente morto. Era uma coisa muito ruim. O basquete passou de segundo esporte do brasileiro pra, sei lá, sexto, sétimo.. Voltamos a brigar lá em cima de novo, o vôlei tá em cima, mas estamos chegando. PF: Esse sucesso se reflete na seleção brasileira? RM: Acho que começará a refletir agora. Estou muito animado com essa seleção sub-21. E não é nem pela qua-
lidade técnica e sim pela gana de ganhar. Você percebe a gana de ganhar, percebe que frutos serão gerados a partir dessa geração. Isso é muito legal. Mas seleção brasileira envolve um monte de coisas. A CBB está se reestruturando, o pessoal que acabou de entrar está com muita boa vontade. Há um passado de dívida gigantesca. Como um cara da NBA, com um contrato milionário, vai aceitar a seleção sem suporte, sem seguro ou algo do tipo? O atleta tem que se sentir seguro. Amor ao país todo mundo tem, mas não é só isso. Todo mundo quer vestir a camisa do país. Jogar na NBA é muito bacana, mas o cara quer vestir a camisa da seleção sim. É fantástico. Mas faltava muita estrutura. Está melhorando, mas ainda esbarra no fator financeiro. Quantas empresas patrocinarão uma seleção que tem um rombo de 50 milhões de reais? É complicado. Série de coisas que precisam ser resolvidas. A CBB tem que se preocupar com a formação da base. O adulto tá bem cuidado. Em Salvador, eu tive jogador de 15 anos com 2,15 de altura pra treinar. Os caras não sabiam nem correr, não tinham coordenação motora pra correr. Eu estou falando de um pedacinho do Brasil que tem um biótipo de um povo africano forte, grande, poder maravilhoso pra ter grandes jogadores. Mas precisa ter trabalho de base e isso pesa muito. Você vê a Argentina que é muito menor do que o Brasil e faz isso. A Escola Nacional de treinadores é fundamental também para melhorar o nível dos técnicos. Disseminar conhecimentos para surgir grandes garotos. PF: E a popularização do esporte? Uma pergunta que faço
para outros entrevistados que apareceram nas páginas da Portrait Fanzine é “quantas quadras você encontrou no caminho até chegar aqui para essa conversa”? Você encontrou quantas quadras de basquete no seu trajeto? RM: Nenhuma. O basquete hoje é feito pelos clubes. Principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Em Salvador, são os projetos sociais. O clube elitiza um pouco o processo. O melhor caminho seria a escola, mas dizem que isso é utopia, que nunca mais haverá um campeonato escolar forte. Tem que ter quadras com aro, tabela. Tem quadra, mas não tem aro. A gente é apaixonado pelo esporte, sonha. O basquete é muito forte no interior de São Paulo. Franca, Limeira, Rio Claro, Mogi, São José são apaixonados. Mas é muito pouco pra um país do nosso tamanho. O sul era muito forte, mandava muitos jogadores. Tiago Splitter é um exemplo disso. Brasil como um todo precisa crescer. Temos nossas limitações, mas dentro do possível precisamos fazer o melhor. PF: Como reagir a uma derrota na final como a do Paulista? RM: Quanto mais velho estou ficando, mais doem as derrotas. Eu achava que ia ser o inverso. Pelo contrário. Sofro muito. Minha família fica em São José. E aí vou pra casa e fico sozinho e essas derrotas pesam muito. Esse peso é legal porque vira um estímulo. Enquanto você tá sentindo aquela derrota daquele jeito é uma força para reverter o quadro, sair dessa situação. É doído, mas importante, faz parte. Aprender com as derrotas é duro. Mas realmente faz parte do cresci19
mento. Quando comecei a treinar lá na base, nosso time era muito fraco, perdi muito. Perder de vinte já seria uma conquista. A hora que você achar que tá bom aposenta. Não interessa a idade. Não aguenta a rotina, a cobrança. Não sei mais o que é feriado. Temos folga quando ninguém tem. Rotina diferente, é desgastante, cobrança da torcida, diretoria, minha. Tempo todo brigando pra tirar mais. Cada vez que20
rer mais. Cobrar, cobrar, a gente se cobra, cobrar os caras. Quando parar de fazer isso tem que se aposentar. PF: O que você pode falar sobre o Yago Mateus? É mesmo o futuro do basquete brasileiro? RM: Eu estava no Palmeiras quando ele tinha 15 anos. Os caras falavam dele. Vi uns jogos e realmente tinha muita qualidade. “Régis, deixa o menino treinar com
você no adulto”. Deixei e ele acabou com o treino. Qualidade dele, dom dele. Estou brigando muito com ele pra defender mais, melhor. Não posso mudar também a característica dele que é a velocidade. Moldar? Vai de cada técnico. Ele é um cara que em velocidade ninguém para. Então, não posso tirar isso dele. Quando o jogo dele não tá encaixando, eu tiro e ponho no banco. Podemos amadurecer isso nele. Armador amadurece mais
tarde, mas acho que ele não deve mudar muito não. Não quero que ele seja igual aos outros. É sim a maior revelação do basquete brasileiro dos últimos anos. Foi um ano muito puxado pra ele. Seleção, clubes. O basquete que ele tem é de NBA. O futuro dele é fora do país. Se todos jogadores saírem no final do campeonato, eu não vou ficar triste. Isso significa que nosso trabalho foi um sucesso. Então, recomeçaremos. 21
Levantamento de ouro texto e fotos: ALE DA COSTA
Nicole Cintra Lagos aos 15 anos é uma das esperanças brasileiras no Levantamento de Peso de olho no Jogos Olímpicos de Tóquio
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A ideia sempre foi ter um espaço na Portrait Fanzine para histórias que estavam no começo. Sim, a menina, o menino que apostaram suas fichas tão jovens na prática de esportes olímpicos e que quando olham pro futuro se veem atletas profissionais. Há algumas edições, apresentei para vocês leitores, o skatista Pedro Quintas. Com 16 anos, o garoto começa 2019 na seleção brasileira de skate que busca medalhas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Quando ele apareceu nessas páginas, havia apenas o sonho. Agora, a realidade de fazer parte de um time olímpico. Doido isso, né? Nicole Cintra Lagos também vai na mesma toada do Pedro, no entanto, em um esporte completamente diferente. Nicole tem 15 anos e é uma das atletas do Esporte Clube Pinheiros. Sabe no quê? Levantamento de Peso. Mais? Com apenas três anos de carreira, ela mostrou que pode surpreender já em 2020. Quatro horas de treino por dia, 58 quilos, 1,57 de altura, Nicole, nos últimos meses, comemorou o ouro no Paulista com o Pinheiros, em dezembro. Em setembro, ela subiu ao pódio para receber o bronze no Pan-Americano da Colômbia sub-20. Tricampeã brasileira sub-15 e sub-17 e adulta, tem marcas de gente grande. Nicole levanta 100 quilos no arremesso e oitenta no ar-
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ranco. Treinada pelo cubano Luís Lopes, também técnico da seleção brasileira, é a melhor do país na categoria 59 quilos e se prepara para o Mundial sub-17 que será realizado em março nos Estados Unidos. A pinheirense mostrou potencial logo em sua primeira competição oficial. Foi segundo lugar no Paulista... de adultos!!! Sim. Qual o limite dessa garota? Nicole me recebeu em julho para uma conversa que você lerá a seguir. Sua sinceridade é cativante. Confira: Portrait Fanzine: Por que o levantamento de peso? Como esse esporte entrou na sua vida? Nicole Cintra: O levantamento de peso foi algo bem de repente, não foi algo que escolhi. Não foi algo que disse é isso que “eu quero fazer”. Mesmo assim, já são três anos de esporte. E como tudo começou? Minha família veio do esporte, meus pais da luta e sempre estive no esporte. Meu pai conheceu o Cross Fit e ele me levou pra praticar e começaram a investir em mim como atleta. Me levaram no Centro de Treinamento do Fernando Reis (um dos principais nomes do Levantamento de Peso no Brasil). Aprendi que o Levantamento de Peso é uma coisa bem difícil e aí aprendi a técnica. No começo, só usava a barra mesmo e viram que eu tinha potencial. Chamaram o Fernando Reis pra me dar um treino. Eu não tinha muita noção de quem era. Meu pai me falou dele e que era um grande campeão. O Fernando pediu pra eu fazer um movimento e logo em seguida falou “não quero ver você mais aqui...segunda-feira no clube”. Ele gostou do meu trabalho, viu que eu tinha flexibilidade. E aí me indicou par o Pinheiros. Na segunda, eu estava no clube. Não sabia muito mesmo como treinar, foi um choque mesmo. Coisa de outro mundo. Eu não sabia como ser atleta de verdade. Me assustei quando cheguei. No começo é muito difícil. Todos aqui são técnicos levantando peso. Peguei a barrinha e comecei. Posição inicial. Eu gostava e não gostava, sabe? Fui melhorando a técnica, acrescentaram pesos à minha barra e fui subindo e gostando 24
cada vez mais. Batia meus recordes e gostava cada vez mais. Minha primeira competição foi o Paulista, eu senti o que era ser atleta de verdade. Eu tinha 11 anos e bati meu peso, essa energia, é isso que eu quero. Foi demais. PF: Invariavelmente, nas competições, você encara meninas mais velhas. Como é isso na sua cabeça? Dá medo? NC: Fiquei assustada na primeira vez com as mais velhas. “Vou ficar em último?”, pensei. Precisava ganhar experiência. Já participei de adulto, disputando vaga no mundial. Mas não tem outro jeito de ver como estou. Competindo no adulto, vejo como está meu nível. E acho que a Olimpíada de 2020 não é um sonho absurdo. Estou sim num ciclo olímpico. Estou longe da campeã olímpica, mas não me falta trabalho e pés no chão para alcançar esse objetivo. Podemos surpreender. PF: Nas ruas já te identificam como uma atleta olímpica? NC: Qualquer esporte no Brasil é difícil. Nós, dos esportes olímpicos, treinando direto, dando o melhor, não somos reconhecidos de jeito nenhum, é muito triste, sabe? Preciso mostrar pro pessoal que o levantamento de peso é forte sim. PF: É possível manter amizades fora do círculo do esporte? NC: As amigas da escola não ficaram, não sobra tempo. Eu descanso no final de semana. Às vezes, vou a um parque com os meus pais. Sair com as amigas fica difícil. De vez em quando, saímos, mas as ideias são diferentes. A cabeça mudou muito. PF: Você é uma menina de 15 anos. Como entra na sua cabeça, a responsabilidade de competir, muitas vezes, com garotas mais velhas? NC: Fico muito tensa na hora da competição. Preciso lidar com isso. Estou aprendendo. Não tem muita competição pra gente. Treinar é o mais difícil que tem. Tem que fazer, cumprir.
Na competição é só fazer, mas quando ela chega, o frio na barriga bate. Nas três tentativas não se pode errar. Depende da competição, eu lido bem. Quando tem que bater índice, fico um pouco nervosa. Uma carga que você nunca fez. Teve uma competição que eu estava tão nervosa, que quando cheguei na hora, não consegui pensar no movimento, no que fazer e eu vacilei nessa competição, não fui bem. Tem que ter concentração, calma. Ansiedade atrapalha demais e fui muito mal na competição. Tento relaxar. Na hora de levantar peso não pode ter medo. Tem que levantar e fim. Não pode ficar pensando muito na hora. Tem que ir lá e fazer. Não pensar no negativo, bloqueia a cabeça. Meu treinador me acorda, faz ficar esperto. Tem que ter a raiva, gritar. PF: E tudo começou dentro de casa, na família... NC: O levantamento de peso não é uma novidade na família. Mas foi tudo de uma vez, foi tão rápido. Cross fit, Levantamento de Peso.
Nunca pensei em ser atleta. Esporte era pra não ser sedentário. Eu sempre gostei muito de judô. Agora jiu-jitsu. Mas não sabia como era ser uma atleta de verdade. Não havia pretensão nisso. Eu tenho dois irmãos mais velhos. Eles gostam disso. Meu irmão Greg se emociona na hora da competição. Ele acompanha minha rotina, sabe o quanto é pesado. Ele vê quando chego em casa chorando porque não treinei bem. Meu irmão vê tudo isso e se emociona quando consigo algo no esporte. PF: E o futuro? NC: Quando conheci a vida de atleta, descobri que é isso que eu quero. Queria ser veterinária antes do esporte. Hoje eu vejo que estou muito longe das meninas na Olimpíada. Mas é isso que quero. Me desafio o tempo todo, mesmo cansada, eu faço. Quando conheci esse mundo, sou só eu e a barra. Você bate seus limites. Eu quero ser atleta mesmo.
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Os desafios d Há dez anos, a cidade mineira enfrentava sérios problemas que ameaçavam sua condição de Patrimônio Cultural da Humanidade texto e foto: ALE DA COSTA
Uma longa subida. Você levanta o pescoço, foca o olhar, procura um plano B e percebe que a única alternativa é encarar a ladeira mesmo. Não é a primeira do dia. E em Ouro Preto, cidade mineira localizada a 95 quilômetros de Belo Horizonte, não será a última afinal são justamente suas ruas de paralelepípedos íngremes e estreitas, além das casas em estilo colonial e a arquitetura barroca das Igrejas e Museus que fizeram 26
dela a primeira cidade brasileira, em 1980, a ser agraciada pela Unesco com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Trinta anos depois, há o que se comemorar? Discursos inflamados dizem que sim e não. O que é fato, no entanto, é que o desafio de se casar preservação dos monumentos, que remetem aos séculos XVII e XVIII, e urbanização/modernização é publicado na revista National Geographic Brasil em outubro de 2010
de Ouro Preto
tráfego de veículos pelo centro histórico – o constante movimento de carros traz rachaduras para as antigas moradias. Chamada de Vila Rica no início, quando a corrida do ouro começou no final do século XVII, capital de Minas Gerais por mais de 100 anos e palco da Inconfidência Mineira, a região correu sérios riscos de perder o título internacional na década passada. “Hoje essa possibilidade não existe. Ouro Preto mais do que problemas de preservação do patrimônio, encara desagrande. Problemas não faltam: uma praga de cupins fios quanto ao seu processo de urbanização e ameaça o casario – segundo estudo da Universidade modernização. É uma cidade viva, movimenFederal de Viçosa 100% das construções estão infes- tada, não está parada no tempo e seus probletadas pela praga e podem sumir em até duas décadas, mas surgem do dinamismo que tem. Quanto encostas sendo ocupadas muitas vezes de forma ile- à preservação do patrimônio nunca esteve gal justamente porque Ouro Preto não tem mais para melhor”, afirma Jurema Machado, coordenaonde crescer, descaracterização das casas, intenso dora do setor de Cultura da Unesco no Brasil. 27
Que campeão 28
O Esporte Clube Pinheiros conquistou invicto a Liga Nacional de Handebol masculino pela oitava vez e alcançou a Metodista no topo do ranking de tĂtulos brasileiros texto e fotos: ALE DA COSTA
o maravilhoso 29
O técnico Sergio Hortelan (foto página ao lado) sofreu com a perda de atletas para a Europa no ínicio da temporada, mas acertou o prumo ao longo do ano culminando com a vitória na final da Liga Nacional de Handebol contra o rival Taubaté por 21 a 20. Zeba (foto acima) levantou seu sétimo caneco brasileiro e aproveitou a decisão contra o Taubaté para encerrar sua vitoriosa carreira. Marcão (foto ao lado), aos 42 anos, fez uma final dos sonhos com eficiência de 46%, com 17 defesas em 37 chutes 30
Fase de classificação 25/08/18 Pinheiros 39 x 27 Handebol Londrina 1/09/18 São Carlos 16 x 44 Pinheiros 6/09/18 Handebol Franca 14 x 38 Pinheiros 8/09/18 Acevale 15 x 47 Pinheiros 4/10/18 Pinheiros 35 x 25 São Caetano Handebol 6/10/18 Pinheiros 25 x 24Taubaté/FAB/Unitau
A campanha do CAMPEÃO
Quartas de final 26/10/18 Pinheiros 35 x 24 Português 27/10/18 Pinheiros 32 x 24 Português Semifinais 9/11/18 Pinheiros 30 x 18 São Caetano Handebol 10/11/18 Pinheiros 36 x 16 São Caetano Handebol Final 11/11/18 Pinheiros 21 x 20 Taubaté/FAB/Unitau
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OS CAMPEÕES 1997 Metodista-SP 1998 Metodista-SP 1999 Metodista-SP 2000 Metodista-SP 2001 Metodista-SP 2002 Metodista-SP 2003 Imes São Caetano-SP 2004 Metodista-SP 2005 ALE Londrina-PR 2006 Metodista-SP 2007 EC Pinheiros-SP 2008 ALE Londrina-PR 2009 EC Pinheiros-SP 2010 EC Pinheiros-SP 2011 EC Pinheiros-SP 2012 EC Pinheiros-SP 2013 Handebol Taubaté-SP 2014 Handebol Taubaté-SP 2015 EC Pinheiros-SP 2016 Handebol Taubaté-SP 2017 EC Pinheiros-SP 2018 EC Pinheiros-SP
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