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Verde Verde Verde Verde Verde Verde Verde Montanhas Montanhas Montanhas Montanhas Montanhas Montanhas Montanhas
Meio-ambiente Meio-ambiente Meio-ambiente Meio-ambiente Meio-ambiente Meio-ambiente Meio-ambiente Esperança Esperança Esperança Esperança Esperança Esperança Esperança
Renovação Renovação Renovação Renovação Renovação Renovação Renovação
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Mata Atlântica Mata Atlântica MataAtlântica Atlântica Mata Atlântica Mata Atlântica Mata Rios Rios Rios Rios Rios O Frade e a Freira Frade Freira OFrade Frade Freira O Frade Freira O Frade O eO a Freira eeeeaaaaFreira
Águas Águas Águas Águas Águas Águas Coletividade Coletividade Coletividade Coletividade Coletividade Coletividade
Sustentabilidade Sustentabilidade Sustentabilidade Sustentabilidade Sustentabilidade Sustentabilidade
Natureza Natureza Natureza atureza Natureza Natureza
Biodiversidade Biodiversidade Biodiversidade Biodiversidade Biodiversidade Biodiversidade
Consciência Consciência Consciência Consciência Consciência Consciência
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TUDO TUDO ESTÁ ESTÁ CONECTADO! CONECTADO!
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CARTA AO LEITOR É preciso estar atento a tudo que a natureza pode nos ensinar. Pensando nisso, este ano o tema do 7ª Cine.Ema Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo é “A natureza é nossa escola”. Esse é o nosso norte para todas as atividades e mostras de filmes produzidos para esta edição. Com as atividades norteadas por três eixos: água, montanhas e biodiversidade, esta revista, edição Frade e a Freira, vem a somar como mais um canal de debate e de educação ambiental voltada às comunidades que margeiam patrimônios naturais. Nesta edição, temos como protagonista as belezas e as riquezas presentes nesses locais. Começamos por uma reportagem sobre iniciativas criativas e simples que estão contribuindo para a preservação da Mata Atlântica, que rodeia o Monumento Natural O Frade e a Freira e também como nós podemos fazer parte desse movimento. Alertamos também a urgência dessa tomada de consciência, já que no dia 29 de julho deste ano chegamos no Dia da Sobrecarga da Terra, que marca quando a humanidade consome todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar ao longo de um ano. Exaltamos em várias matérias e artigos as belezas do conjunto granítico que dá nome a esta revista. Contamos como Dom Pedro II se encantou por sua imponência.
Destacamos dicas de passeios e contamos com as colaborações dos professores Ana Paula Bertochi Vanelli e Renan Fernandes Giardini, da Emeb Pedro Estelitta Herkenhoff e do Giovani Delpupo da Silva, da EMEIEF Anacleto Jacinto Ribeiro. Outra colaboradora importante foi Janine Marta Scandiani, técnica em Desenvolvimento Ambiental e Recursos Hídricos do IEMA, que nos contou sobre as novas ações de preservação Monumento O Frade e a Freira, incluindo o Plano de Manejo, que visa à proteção da Zona de Amortecimento. A revista também traz dicas de sustentabilidade para você aplicar na sua casa e no seu ambiente de trabalho de forma fácil. Além de informações sobre dois projetos super interessantes de apreciação e conservação dos nossos rios e águas: a websérie “CORPO-RIO” e o projeto “Plantadores de Água”. Esperamos estar em breve juntos novamente e que vocês se divirtam e aprendam muito com os conteúdos preparados com muito carinho por nossa equipe e colaboradores para esta edição Frade e a Freira. Uma ótima leitura! Lívia Corbellari
Edição 2 | Ano 2 | Cine.Ema 2021 Direção de Conteúdo: Lívia Corbellari
Revisão de Texto Ricardo Aiolfi
Direção Artística: Tânia Silva e Léo Alves
Coordenação de Comunicação: Rayanne Matiazzi
Produção Executiva: Sullivan Silva
Fotos de capa e contracapa: Sandro Sad Martins
Diagramação: Elielton Oliveira e Pedro Marinho Impressão: Grafitusa Tiragem: 300
www.cineema.com.br
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SU SM UM ÁÁ R 08
O AMOR PROIBIDO QUE FOI ETERNIZADO Por Lívia Corbellari
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CAMINHOS PARA A PRESERVAÇÃO Por Thiago Sobrinho
SOMBRA
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Poema de Fernanda Tatagiba
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DICAS DE SUSTENTABILIDADE DA EMA
30 O VERDE DA ESPERANÇA
Por Renan Fernandes Giardini
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18 DANÇANDO NO RITMO DAS ÁGUAS Por Lívia Corbellari
OI O 22
NATUREZA: A PACIÊNCIA QUE CONDUZ À PERFEIÇÃO Por Ana Paula Bertochi Vanelli
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NA COMPANHIA DO FRADE E A FREIRA Por Lívia Corbellari
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O QUE APRENDEMOS COM “O FRADE E A FREIRA” Por Giovani Delpupo da Silva
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CONHEÇA NOVOS PROJETOS DE PRESERVAÇÃO DO MONUMENTO NATURAL O FRADE E A FREIRA Por Janine Marta Scandiani
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PLANTANDO ÁGUA PARA SALVAR O PLANETA Por Lívia Corbellari
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Desenho de D. Pedro II do monumento “O Frade e a Freira”
Imagem digitalizada do livro “A Viagem de Pedro II ao Espírito Santo”, de Levy Rocha, pelo Arquivo Público Estadual do Espírito Santo
O AMOR PROIBIDO QUE FOI ETERNIZADO A IMPONÊNCIA DO “FRADE E A FREIRA” ENCANTOU ATÉ O IMPERADOR DOM PEDRO II Por Lívia Corbellari O ano é 1860 e uma viagem ao Espírito Santo deixa o Imperador Dom Pedro II apaixonado por locais que hoje se tornaram grandes pontos turísticos. Um deles é o Patrimônio Natural e Cultural o “Frade e a Freira”. O historiador Fernando Achiamé explica que essa viagem fez parte de uma série de visitas do Imperador às 'províncias do norte’, com o objetivos de conhecer partes importantes do Império e fazer pesquisa sobre a “A estada na província do Espírito Santo por cerca de 15 dias tinha como objetivo maior conhecer terras “devolutas” onde pudessem se alojar outros contingentes da mão de obra europeia. Além de inspecionar as experiências já levadas a efeito com imigrantes daquela origem em duas colônias imperiais (Santa Isabel e Santa Leopoldina, nomes das suas
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duas filhas) e uma particular – a colônia de Rio mentou tudo em seus diários, que podem ser conferidos no livro “A Viagem de Pedro II ao Espírito Santo”, de Levy Rocha, e que tem como organizador o historiador capixaba Achiamé. A jornada do monarca em terras capixabas rendeu um desenho do “soberbo monumento granítico”, como ele se refere em seu diário e no livro de Levy. “Ele chegou bem perto do monumento natural, já conhecido pela expressão ‘O Frade e a Freira’ e o desenhou, certamente atraído pela semelhança com as figuras de dois religiosos. Também esboçou a linha do horizonte da Serra do Mar que engloba, além do ‘Frade’, diversos pontos, inclusive o atual pico do Itabira, que ele denominou de ‘Garrafinha’”,
Entre as outros territórios que encantaram o imperador, o historiador cita a Serra do Mestre Álvaro, da qual também desenhou o perfil, a grandiosidade do Rio Doce, do qual percorreu um trecho, e a beleza da Lagoa Juparanã, em cuja ilha almoçou e que passou a ser conhecida como Ilha do Imperador. Outro ponto que Pedro II não deixou de notar a beleza foi o morro onde se situa o Convento da Penha e seu entorno com a entrada da baía de Vitória e o mar. CONHEÇA A LENDA POR TRÁS DO MONUMENTO O Frade e a Freira já foi inspiração para muitos artistas e além de desenhos e pinturas também já rendeu poemas. A lenda do monumento, que desperta tanta curiosidade e encantamento, é que há muitos anos, um padre apaixonou-se por uma freira. Como o amor entre eles era impossível, foram transformados em pedra para que esse amor fosse eternizado.
A figura de um frade recurvado. E sob um negro manto de tristeza Vê-se uma freira tímida a seu lado, Que vive ali rezando, com certeza, Uma oração de amor e de pecado... Diz a lenda - uma lenda que espalharam Que aqui, dentre os antigos habitantes, Houve um frade e uma freira que se amaram... Mas que Deus os perdoou lá do infinito, E eternizou o amor dos dois amantes Nessas duas montanhas de granito.” SAIBA MAIS Para quem se interessa por história, o livro “A viagem de Pedro II ao Espírito Santo”, de Levy Rocha, está disponível em PDF no site do Arquivo Público Estadual: www.ape.es.gov.br na aba Coleção Canaã. Acesse pelo QR CODE:
Em 1938, no livro de edição particular, “Escada da vida”, o poeta cachoeirense Benjamin Silva inseriu um soneto em que versa sobre essa triste história: “Na atitude piedosa de quem reza, E como que num hábito embuçado, Pôs naquele recanto a natureza
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Reprodução Instagram @lixozero.vix
CAMINHOS PARA A PRESERVAÇÃO CONHEÇA INICIATIVAS DE CONSERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA E OS PRÓXIMOS PASSOS QUE PODEMOS DAR PARA VIVERMOS EM HARMONIA COM A NATUREZA Por Thiago Sobrinho “Aqui dá pra tudo”. Essa foi a resposta que o agricultor João Martins recebeu do pai Marcelino quando o questionou sobre a quantidade de árvores que nasciam em meio à lavoura da família, localizada na zona rural de Rio Novo do Sul, no sul do Espírito Santo. O que João não entendia, recorda ele hoje, aos 87 anos de idade e mais de sete décadas após o diálogo acima, era o que levava o pai ter esse tipo de atitude. “Na época, a prática era desmatar. E ele estava deixando as árvores crescerem”, afirmou.
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A incredulidade ficou para trás e a percepção
“O meu pai não foi à escola e não estudou. Ele tinha uma relação muito forte com a terra e sempre acreditei que ele podia conversar com as plantas. Há 90 anos, ele ia na contramão” João Martins Produtor rural
Crédito: Matheus Martins
do agricultor mudou. Para João, não havia dúvidas: Marcelino era um visionário. “Só consegui entender a posição dele após perceber que as nascentes da propriedade, que antes estavam secando, voltaram a ter água”, contou o agricultor, que assimilou as intenções paternas e as incorporou para a sua vida. E o produtor rural continua: “O meu pai não foi à escola e não estudou. Ele tinha uma relação muito forte com a terra e sempre acreditei que ele podia conversar com as plantas. Há 90 anos, ele ia na contramão”. O BOSQUE QUE FALA Décadas se passaram e aquelas pequenas árvores intrusas cresceram e ganharam companhia. Hoje, juntas, formam um bosque de seis hectares cheio de riqueza. “Tenho um jequitibá que hoje tem 300 centímetros de circunferência”, orgulha-se João sobre a floresta que é uma das áreas particulares que integram o Monumento Natural Frade e a Freira (Monaff). O bosque tem mais de 10 mil árvores e regularmente recebe a visita de grupos de estudantes interessados em conhecer a natureza de perto. “As crianças estão interessadas!”, comemorou João, que até já escreveu um livro sobre a área preservada. Trata-se da obra “O Bosque que Fala”. O livro conta a história de pessoas e personalidades que batizam algumas áreas do bosque. Além da obra literária, a paixão de João Martins pela natureza foi reconhecida quando o agricultor venceu o Prêmio Biguá de Sustentabilidade em 2018 na categoria produtor rural. Agora, se depender do agricultor, assim como seu pai deixou um legado, ele espera que seus esforços em benefício do meio ambiente sejam preservados. “As minhas filhas estão casadas e não moram mais aqui. Para garantir o futuro dessa área, doei seis hectares da minha propriedade para o Instituto Pacto Pelas Águas”, destacou. Atitudes como essas dão certeza a João que ele está indo pelo caminho certo. Tanto que produtores rurais vizinhos têm começado a seguir alguns de seus passos.
João Martins ao lado do seu livro “O bosque que fala”
“Percebo que estão surgindo pessoas preocupadas com o meio ambiente e a sustentabilidade. Eles estão percebendo que uma propriedade sem água não serve de nada. E todos estão vendo que na minha, onde antes não tinha nascente, agora tem nascentes com água para irrigar minhas plantações”, concluiu o produtor rural. MONUMENTO NATURAL O FRADE E A FREIRA A propriedade do agricultor João Martins é uma das áreas particulares que fazem parte do Monumento Natural o Frade e a Freira (Monaff). Também integram o monumento as cidades de Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Vargem Alta, todas no Sul capixaba. A área de Mata Atlântica do Monumento possui cerca de 861,4 hectares. A região foi declarada como Patrimônio Natural Cultural em de junho de 1986 e apresenta um conjunto granítico de 683 metros de altitude e se divide em duas partes. A silhueta da montanha, vista por quem passa pela BR-101, em Cachoeiro de Itapemirim, lembra o perfil de um frade recurvado. No plano inferior, há uma freira, como se estivesse ajoelhada em atitude piedosa, como descreveu o poeta capixaba Benjamin Silva. A lenda local diz que os religiosos se conheceram tentando catequizar índios da região. Por conta do bom trabalho, um anjo teria esculpido a figura dos dois na rocha. Outra versão sugere que os dois se apaixonaram, foram condenados e transformados em pedras. Toda essa beleza da montanha não provocou apenas lendas e poemas. Para se ter uma ideia, em 1860, Dom Pedro II, imperador do Brasil entre 1840 e 1889, visitou o Espírito
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Santo e desenhou um esboço da rocha. PRESERVAÇÃO Por mais que o Frade e a Freira estejam devidamente documentados na história e na memória do capixaba, é importante que haja um esforço conjunto para que toda a região seja preservada. É o que afirma Janine Scandiani. Ela é técnica em Desenvolvimento Ambiental e Recursos Hídricos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e atua na unidade de preservação há quatro anos. “O monumento natural do Frade e a Freira é um marco histórico e paisagístico do Estado. É uma área que ajuda a região em si. Ajuda a regular o equilíbrio climático, o abastecimento de água, além de ser fonte de plantas medicinais e de alimento ”, destacou a servidora. Segundo Janine, o diálogo com os moradores e proprietários de terra da região é saudável. “Não temos grandes problemas com os produtores. Eles são nossos parceiros. O nosso maior desafio é controlar a especulação imobiliária”, contou ela. “E como ali é uma área rural, a Lei Federal não permite que haja esse parcelamento de terra. Ela só permite áreas rurais. Não se pode lotear. Nos últimos tempos, começamos identificar alguns parcelamentos que conseguimos controlar”, afirmou.
livros de literatura infantil e fica à disposição de alunos que vivem na área do Monaff. Por um período de 30 dias, a estante com obras literárias fica na escola e conta com uma programação de entrega de materiais para os alunos. O objetivo da ação é incentivar a leitura entre os jovens e também promover informação sobre questões ambientais, especialmente conhecimento que têm relação com a conservação do Frade e a Freira e seu entorno. Recentemente, por conta da pandemia do novo coronavírus, o projeto passou a funcio-
“O monumento natural do Frade e a Freira é um marco histórico e paisagístico do Estado. É uma área que ajuda a região em si. Ajuda a regular o equilíbrio climático, o abastecimento de água. além de ser fonte de plantas medicinais e de alimento” Janine Scandiani Técnica do IEMA
Ainda de acordo com ela, parte do seu esforço é realizar ações na região para que os moradores entendam a importância ambiental do local onde vivem.
nar através de um delivery. “A ideia surgiu como uma alternativa para manter o projeto em andamento e para fomentar a leitura durante os dias em casa”, contou Janine.
“Temos diversas ações, como projetos ambientais, ações de monitoramento e de fiscalização ambiental. Também temos um projeto que existe desde 2018 que se chama Biblioteca Itinerante”, explicou.
De acordo com a servidora, a ideia é fazer com que as crianças entendam a importância daquela área para a qualidade de vida, preservar as árvores e toda uma diversidade de animais que lá vivem, como macacos, tatus, lontra, entre outros bichos.
BIBLIOTECA ITINERANTE O projeto Biblioteca Itinerante conta com uma estante itinerante que possui cerca de 50
Para ela, além do trabalho com os pequenos, as ações são realizadas entre adultos. “Nesse
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período de pandemia, as unidades de conservação do Estado passaram a ser mais visitadas. Temos percebido um aumento dessa busca nas unidades para a qualidade de vida, como para fazer uma caminhada, um esporte ou para respirar um ar puro”, diz ela. E é proporcionando essas novas experiências aos adultos que a equipe do IEMA que atua na região acredita que o trabalho de educação ambiental seja reforçado entre os mais velhos. “É um trabalho de formiguinha. Quando as pessoas vêm visitar, temos que destacar a importância daquele ecossistema”, diz Janine, que ainda tem atuado ao lado da comunidade do Monaff na realização do Plano de Manejo, que começou a ser produzido neste ano e deve ficar pronto em 2022. “No Plano, teremos documentado como vai ser o trabalho do turismo e quais áreas do Monaff precisam de mais atenção. Também são descritos no documento alguns problemas que a unidade tem e como isso pode ser combatido”, explicou Janine. Segundo ela, o documento, construído pela população, terá um impacto positivo no futuro. “Ele vai prever ações para proteger a uniReprodução Instagram @lixozero.vix
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dade. E, como a própria comunidade ajudou a construir, eles estarão empenhados para isso”, ressalta a servidora, esperançosa. SUSTENTABILIDADE Mesmo quem não mora na região do Monaff, também pode fazer sua parte para ajudar o meio ambiente. É o que pensa Grazielli Pirovani, embaixadora pelo Instituto Lixo Zero Brasil. Ela acredita que a sustentabilidade deve andar de mãos dadas com as atividades coletivas do dia a dia e essa é a chave para promover a prosperidade da população. Uma das ações do Instituto é trabalhar junto com as associações de catadores de lixo do Estado, sobretudo da Grande Vitória. “Eles são de suma importância”, assegurou ela. Na comunidade de Jesus de Nazareth, em Vitória, a organização pretende realizar em setembro uma ação com alunos das escolas municipais. “Vamos fazer um pitstop da reciclagem e também uma ação de limpeza na Praia das Castanheiras, que fica no bairro”, explicou. Por mais importantes que seja essas atitudes, Grazielli acredita que a população deve refletir sobre a sua relação com o meio ambiente.
“Estamos inseridos no meio ambiente. E o meio ambiente quem faz somos nós. Acredito que precisamos ter esse cuidado como um todo, porque ao cuidar das pessoas, contribuímos para um meio ambiente melhor” Grazielli Pirovani Embaixadora pelo Instituto Lixo Zero
Acredito que precisamos ter esse cuidado como um todo, porque ao cuidar das pessoas, contribuímos para um meio ambiente melhor”, ressaltou ela.
supera a capacidade da Terra de produzir ou renovar esses recursos ao longo de 365 dias. “Neste ano, a data foi no dia 29 de julho. Isso significa que nós precisamos de quase dois planetas para sobreviver. Até 40 anos atrás, a gente tinha no planeta os recursos necessários para sobreviver”, alertou Rocha. De acordo com o engenheiro, o que gerou isso foi o fato da população ter crescido demais. Ao mesmo tempo que o número de pessoas cresce, a capacidade do planeta de fornecer recursos diminui. A conta, infelizmente, não fecha. “Precisamos ter mais recursos para alimentar essa população toda e o planeta não tem capacidade de fornecer água, oxigênio…”, explicou.
“Outro aspecto importante é o consumo. É crucial que a gente reduza o consumo para O engenheiro ambiental André Rocha chama diminuir nossa necessidade do planeta: redua atenção para dados científicos que ilustram zir as compras de roupas e a quantidade de como a relação do ser humano com o que água que a gente utiliza nas nossas casas é o rodeia. Segundo André, ela não tem sido um caminho”, listou. harmoniosa. Não adotar medidas como essas faz a popuUm deles é sobre o Dia da Sobrecarga da lação mundial conviver com problemas que Terra. A data marca o dia do ano em que a de- estão se tornando cada vez mais frequentes e manda da humanidade por recursos naturais extrapolam a questão econômica. “Vamos ver
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Reprodução Instagram @lixozero.vix
cada dia mais inundações. E secas também”, destacou o engenheiro ambiental. E qual a solução para isso? O que a população deve fazer para minimizar esses danos? Para André Rocha, um bom caminho é apostar todas as fichas na Ciência. “A principal forma para melhorar é disseminar as informações que temos e tentar incorporá-las com as crianças. Incorporar no currículo escolar delas para colher os frutos a longo prazo”, sugeriu ele. No fim das contas, mais do que salvar o planeta, adotar algumas dessas atitudes é importante por uma questão de sobrevivência. “Temos que demandar menos recursos. O planeta, de uma forma ou outra, vai se manter. Ele vai se readaptar e, quem vai sofrer as consequências, somos nós”, finalizou André.
Biblioteca intinerante
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“A principal forma para melhorar é disseminar as informações que temos e tentar incorporá-las com as crianças. Incorporar no currículo escolar delas para colher os frutos a longo prazo” André Rocha Engenheiro ambiental
Thiago Sobrinho é jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Crédito: Divulgação/IEMA-ES
Crédito: Matheus Martins
Propriedade João Martins
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SOMBRA um tombo contra a luz poço fora do fundo sombra a dança do sol dorme no alto dentro das montanhas sem som não sobra, nem some a sombra nunca está só
Poema de Fernanda Tatagiba publicado no livro “Labirinto Mínimo” (editora Pedregulho – 2019).
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NA COMPANHIA DO FRADE E A FREIRA SAIBA MAIS SOBRE A NOVA ROTA TURÍSTICA DO MONUMENTO NATURAL E SE PREPARE PARA DIVERSOS PASSEIOS PELA REGIÃO Passeios ao ar livre tem sido a melhor opção para se divertir com segurança. E para quem ainda não conhece de perto e gosta de estar em contato com a natureza, a nossa dica é a nova rota turística que foi batizada com o nome de um importante Monumento Natural capixaba: O Frade e a Freira. A rota contempla os municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim, Rio Novo do Sul e Vargem Alta, cidades que estão inseridas nas regiões turísticas Montanhas Capixabas; Costa; Imigração e Vales; e do Café. A ação é do Governo do Espírito Santo para fortalecer a região, atraindo para o local mais visitantes e também novos negócios. DICA DE PASSEIO Conhecido pelas suas belezas naturais e também por atrair turistas que curtem a escalada esportiva, o local também é ótimo para quem prefere um passeio mais contemplativo e com menos esforço físico. Então, fique tranquilo porque a trilha que chega à pedra pode ser percorrida por qualquer um e a maior parte dá pra passar de carro. Na parte do caminho que precisa ser feita a pé, apenas redobre a atenção e fique atento a pedras, buracos ou raízes. A nossa dica é o mirante natural na elevação rochosa. Do alto do “ombro” do Frade, há uma vista exuberante, de um lado o litoral e do outro as montanhas. O local é acessível por estrada de terra, a partir da BR 101. Porém, por questões de segurança, não é permitido o acesso de motocicletas na trilha, que poderão sofrer penalidade prevista em lei.
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Foto por Yuri Barichivich
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COMO CHEGAR Acesso pela BR 101, próximo ao km 42, ao lado do trevo que dá acesso a rodovia ES-488. O percurso pode ser feito de carro até a trilha que dá acesso à pedra.
ATENÇÃO A visita até a pedra é gratuita e pode ser feita durante qualquer dia da semana e horário, mas o Monumento Natural o Frade e a Freira é composto por áreas particulares e, por isso, qualquer visita deve ser informada aos proprietários. Fique atento também nas suas atitudes para preservar a área de conservação. Os visitantes podem trazer seus próprios alimentos, mas lembre-se de trazer seu lixo de volta, não escrever nas árvores ou rochas, não fazer fogo e nem churrascos, não realizar coletas, não perturbar os animais e desligar as caixas de som. Dessa forma, você garante um passeio tranquilo e respeitando todas as vidas ao seu redor e contribuindo para que muitos outros possam apreciar a paisagem.
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Foto por Ana Paula Bertochi Vanelli
NATUREZA: A PACIÊNCIA QUE CONDUZ À PERFEIÇÃO Por Ana Paula Bertochi Vanelli A pressa tornou-se um hábito constante e comum na rotina das pessoas, porém tornou-se também o maior inimigo do bem mais precioso que possuímos: a natureza. Certa vez, em uma das minhas aulas, conversávamos sobre a expressão da arte através do meio ambiente e as consequências das ações erradas do ser humano como o simples ato de arrancar uma folha da árvore e uma aluna, em meio à troca de ideias, olhou-me e disparou: - Professora, a senhora já parou para pensar que, talvez, o que nos falta é a simples e complexa virtude da paciência? Diante de um momento reflexivo, me vi admirada. Foi o silêncio mais espetacular que presenciei. De repente, outro aluno disse: - Sim,o que nos falta é paciência, pois não queremos esperar a árvore crescer em toda sua magnitude e grandeza para nos oferecer sombra, já que é mais fácil comprar uma sombrinha. - E completou - o homem não quer esperar crescer o fruto puro e saudável. Ele prefere o produto vindo de um processo
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rápido, mal sabendo ele que isso poderá ser o que o matará.
“O homem não quer esperar crescer o fruto puro e saudável, ele prefere o produto vindo de um processo rápido, mal sabendo ele que isso poderá ser o que o matará.” Após essas falas marcantes e profundas, era admirável ver a sala presa àquelas palavras e pensamentos. A sede deles era de gritar aos quatro cantos do mundo o quanto vale a pena ter paciência para a preservação do meio ambiente. A natureza é o mais perfeito exemplo de paciência e perseverança. Ela não desiste. Por
mais que nossas atitudes, erradas, a façam mal, ela continua resistindo e nos dando o melhor de si. Sempre fui amante do ar livre, dos pequenos detalhes da natureza, mas durante essas últimas semanas, das longas conversas, pesquisas e entusiasmo dos alunos para as pesquisas de seus projetos, estive ainda mais próxima da natureza e percebi que é exatamente como foi citado: tudo é uma questão de paciência. Nesse sentido, passei a observar melhor nossa região que é lindíssima e exuberante. Poderia aqui enumerar os pontos mais conhecidos aos poucos que tiveram o prazer de conhecê-los. Porém, não poderia deixar de exaltar os detalhes que vi de perto, os pequenos ciclos que passam despercebidos e que encantam. Um exemplo simples e esplendoroso é a produção de um formigueiro, em que a união de cada uma daquelas formigas, ao repetir cada movimento sem se deixar abater até obter o êxito de estar pronto, resulta numa casa primorosa. Exemplo também seriam os pássaros que, de graveto em graveto, constroem seu ninho e quando precisam voar para outro lugar começam do zero e refazem quantas vezes forem necessárias. Ou citaria ainda as mais variadas espécies de árvores que mesmo que demorando anos para crescer, não desistem de florescer.
e agir de forma correta e consciente parássemos e tentássemos agir com um pouco menos de pressa, causaríamos menos destruição à natureza. Nesse sentido, percebe-se a necessidade de aprender que, para ser grande e magnifico, é necessário também respeitar os pequenos ciclos da natureza, pois são esses que fazem ter sentido a nossa existência. São esses pequenos detalhes ao longo do tempo que nos proporcionam lugares magníficos como, por exemplo, a “Pedra do Frade e a Freira”, a “Pedra do Itabira” e outras paisagens naturais que são tão importantes para nós, seres humanos, e para a própria natureza, já que a prioridade é a preservação da vida. O diálogo com meus alunos me fez enxergar algo óbvio, mas que a rotina e a pressa não me deixava ver. Percebi que a natureza nunca deixa de nos ensinar e nós jamais vamos parar de aprender com ela, afinal “[...] é preciso ter paciência com as lagartas se quisermos conhecer as borboletas”. Ana Paula Bertochi Vanelli é bailarina, designer gráfica e professora de Arte da rede pública municipal. Formada em Artes Visuais pela Universidade Paulista e Pós-graduada em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Talvez se nós, seres humanos, que temos a capacidade de pensar
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CONHEÇA NOVOS PROJETOS DE PRESERVAÇÃO DO MONUMENTO NATURAL O FRADE E A FREIRA Por Janine Marta Scandiani As Unidades de Conservação da Natureza (UCs) constituem espaços territoriais, continentais ou marinhos, detentores de atributos naturais e/ou históricos, de especial relevância para a conservação, preservação e uso sustentável de seus elementos, desempenhando um papel altamente significativo para a manutenção da biodiversidade, da geodiversidade e da diversidade cultural. O Espírito Santo é um estado privilegiado por ter 17 Unidades de Conservação administradas pelo governo estadual. Dentre elas, uma tem tamanha singularidade, o Monumento Natural o Frade e a Freira. De beleza incomparável, seus 861,4 hectares resguardam um dos famosos cartões postais do nosso Estado, o imponente rochedo “Frade e a Freira”, com uma silhueta, que segundo a lenda, lembra o perfil de um frade e uma freira. Beleza estonteante que atraiu os olhares de Dom Pedro II em sua passagem pelo Espírito Santo, na qual esboçou a rocha em seu diário de viagem. A área é muito procurada por visitantes para contemplação da
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natureza e prática de escalada. A Unidade de Conservação foi criada principalmente por ser um marco paisagístico e histórico do Espírito Santo. A região foi declarada como Patrimônio Natural Cultural, por meio da Resolução nº 07, do Conselho Estadual de Cultura, em 12 de junho de 1986. Inúmeros trabalhos são desenvolvidos nos limites do Monumento Natural Estadual O Frade e a Freira (Monaff) e seu entorno, com o intuito de atingir os objetivos de criação da Unidade de Conservação. Educação ambiental, rondas preventivas, fiscali-
zações e atendimento à denúncias são alguns trabalhos que permitem proteger os recursos naturais da região.
“Uma notícia quentinha é que este ano tiveram início os trabalhos do Plano de Manejo do Monaff. O plano de manejo é um documento baseado em estudos interdisciplinares sobre a área da unidade de conservação e sua zona de amortecimento” A educação ambiental é um capítulo à parte nas UCs. De um modo geral, as ações de educação ambiental nesses espaços têm por objetivo a mudança de atitude dos indivíduos em relação ao espaço protegido, contribuindo para a construção de novos conhecimentos e valores necessários à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento socioambiental. No Monaff, alguns projetos de educação ambiental
são desenvolvidos no entorno da UC, dentre eles, o Projeto Biblioteca Itinerante. O projeto Biblioteca Itinerante visa democratizar as informações ambientais com estímulo à leitura, coletando, reunindo e disseminando as discussões sobre o meio ambiente junto às comunidades do entorno. O projeto é desenvolvido com a disponibilização de uma Banca Literária Ambiental nas escolas. Faz parte da Biblioteca Itinerante um baú que contém cerca de 40 livros de literatura infantil e revistinhas em quadrinhos. Além disso, é disponibilizado para cada aluno participante do projeto um diário de leitura, adesivos e figurinhas como material de apoio para desenvolvimento das atividades lúdicas e didáticas. Durante o período em que o projeto permanece na escola (cerca de 30 dias) várias atividades são realizadas como contação de histórias, dinâmicas de educação ambiental, oficinas e trilhas ecológicas com os alunos. Essas ações de educação ambiental ajudam a estreitar os laços entre a Unidade de Conservação e os moradores do entorno. Uma notícia quentinha é que este ano tiveram início os trabalhos do Plano de Manejo do Monaff. O plano de manejo é um documento baseado em estudos interdisciplinares sobre a área da unidade de conservação e sua zona de amortecimento. Este documento, elaborado com a participação social, estabelece normas, planos, zoneamento, políticas e ações, que devem ser seguidas pelos gestores.
Janine Marta Scandiani é Técnica em Desenvolvimento Ambiental e Recursos Hídricos - IEMA
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DICAS DE SUSTENTABILIDADE DA EMA Pode parecer pouco, mas cada atitude é importante para tornarmos o nosso meio-ambiente um lugar melhor e preservar a natureza. E podemos começar por nós mesmos. Separamos 10 dicas simples para você colocar na sua rotina a partir de hoje.
1 - TROQUE OS COPOS DESCARTÁVEIS POR UMA CANECA Que tal ter uma caneca linda só sua para beber água, café e o que você quiser? Ao invés de utilizar copos de plásticos nos lugares, tenha sempre um copo ou uma caneca na bolsa. Uma atitude simples que vai diminuir a quantidade de lixo.
2 - LEVA A SUA ECOBAG PARA FEIRA E PARA O SUPERMERCADO Sempre que for fazer compras, leve a sua própria bolsa ou opte por levar suas compras em caixas de papelão que você pode conseguir no próprio supermercado. Para a feira também vale e tente sempre reutilizar as sacolas plásticas e reduzir seu uso.
3 - COMPRE DIRETO DO PRODUTOR Prefira consumir do comércio do seu bairro e dê preferência a feira. Além de ser uma economia para o seu bolso, você também contribui com o pequeno produtor e ainda garante um produto muito mais saudável e menos industrializado.
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4 - SEPARE O SEU LIXO Separe o lixo úmido do lixo seco e faça o descarte nos lugares corretos. Se a sua cidade ainda tem coleta seletiva, é importante cobrar essa mudança dos políticos. E na próxima eleição, fique atento aos projetos de sustentabilidade dos candidatos.
6 - TENHA UMA PEQUENA HORTA EM CASA Mesmo que você more em apartamento, é possível cultivar hortaliças como cebolinha, tomate e manjericão e ainda dar um novo uso para embalagens de margarinas e garrafas pet que podem servir de vasos. Procure um local com sol e comece agora mesmo.
7 - TENHA PLANTAS EM CASA
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Falando em deixar a casa mais verde, tenha sempre plantas por perto. Elas purificam o ar porque consomem gás carbônico durante a fotossíntese e liberam oxigênio. Mas para mantê-las vivas dentro de casa, prefira plantas que suportam ambientes fechados e luz indireta como: samambaias; espada-de-são-jorge; jiboia; lírio da paz, entre outras.
5 - REAPROVEITE AS EMBALAGENS DE PLÁSTICO E DE VIDRO O plástico e o vidro, quando não reciclados, são os grandes vilões da natureza. O plástico pode levar até 400 anos para se decompor e o vidro até 4 mil anos. Reaproveite as embalagens nesses materiais, o potinho da papinha do neném pode virar porta tempero e o pote de sorvete pode voltar ao freezer para congelar comida.
8 - DOE ROUPAS E COMPRE ROUPAS USADAS Sabe aquela blusinha ou aquela calça que você não usa mais? Ela ainda pode servir para outra pessoa. A indústria da moda é responsável por 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa por ano, por conta do descarte de roupas. Procure bazares beneficentes da sua cidade ou brechós para doar as suas roupas e gerar menos lixo. Aproveite também esses lugares para garimpar peças interessantes que ainda servem para o uso.
9 - CONVERSE COM SUA FAMÍLIA E COM SEUS AMIGOS SOBRE SUSTENTABILIDADE Faz parte de uma atitude sustentável sempre conversar com aqueles que estão à nossa volta sobre sobre preservação ambiental. Fale com a sua família e amigos sobre as pequenas atitudes que podem ser mudadas em casa e no ambiente de trabalho.
10 - DEIXE O CARRO EM CASA Pelos menos um dia da semana, você pode optar por um transporte alternativo como a bicicleta ou o ônibus, ou ainda organizar um rodízio de caronas se há pessoas que moram perto e vão para o mesmo lugar todos os dias. Dessa maneira já são menos carros na rua.
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O V E R D E D A E S P E R A N Ç A Por Renan Fernandes Giardini
O ser humano, raça considerada racional, evoluída, superior a outras espécies, tem hoje mais de 7,5 bilhões de espécimes. São bilhões de objetivos, bilhões de sonhos, bilhões de indivíduos vivendo num planeta chamado Terra, buscando bem-estar, prazer e felicidade.
A natureza, por sua vez, apesar do ser humano, nos ensina que é na simplicidade que está toda a beleza da vida. A natureza nos ensina que é necessário equilíbrio para que se tenha longevidade. A natureza nos ensina que não precisa do ser humano, e isso por si só basta!
Entretanto, tal raça, por se autointitular superior a todas as outras espécies e ao próprio meio em que vive, abstém-se dos ensinamentos básicos à sobrevivência oriundos da natureza.
Antoine Lavoisier, químico francês, considerado o pai da química moderna diz que “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Em contrapartida, um provérbio indígena diz que “Só quando a última árvore
Foto por Renan Fernandes Giardini
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for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro”. Esse contraste evidencia que, embora a natureza e o meio ambiente sejam temas evidentes em nossa sociedade, o que se vê na prática é um consumo desenfreado e inconsciente por grande parte da população. Além disso, nos últimos anos, ações, projetos ou medidas voltados à preservação e manutenção dos biomas brasileiros não têm o devido apoio do governo federalpara que se tornem efetivos. Vide os inúmeros problemas elencados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais (INPE); recorde de desmatamento em 2021; 36.226,04 Km² somente na área da Amazônia; destruição de mananciais; invasões a terras indígenas e garimpo ilegal. Ademais, medidas concretas do Governo Federal favorecem o desmatamento, como redução de operações dos órgãos de proteção ambiental (Ibama/Sisnama/Conama), trocas injustificáveis dos diretores desses órgãos e tolerância com atividades ilegais, como garimpo em terras indígenas e extração não autorizada de madeira. Todavia, mesmo diante desse cenário devastador, há esperança para o ser humano. O poeta Thiago de Mello diz que “É preciso fazer alguma coisa para ajudar o homem” e que “ Ainda é tempo. Apesar do próprio homem,
ainda é tempo”, e é com esse viés, acreditando na humanidade, que o 7º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo (Cine. Ema) busca conectar pessoas às questões ambientais promovendo educação ambiental. Cenários naturais como o pico do Itabira, a Cachoeira Alta e o Frade e a freira são monumentos exuberantes que nos sintonizam à natureza e nos fazem perceber que em tudo há um ciclo, e nesses ciclos nada do que acontece é em vão, pois em toda mudança há um propósito. Ademais, conectados e sintonizados ao meio em que vivemos, tornamo-nos capazes de observar que assim como a natureza, a vida não é linear, mas sim sinuosa, em constante movimento e adaptação. Percebemos ainda que a natureza pode ser calma e silenciosa como uma flor delicada ou severa e potente como as grandes árvores que lançam troncos e raízes vistosas a todos os cantos. Por fim,é útil notar que os erros são nossos. Somos nós que causamos desequilíbrio. Todavia, quando os humanos querem, fazem coisas extraordinárias e muito boas para proteger sua fauna e flora. O Cine.Ema em si é um projeto espetacular que fomenta o que há de mais belo no ser humano: a esperança. Esperança essa citada por Thiago de Mello. O verde da esperança:
Foto por Chris Abney
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“Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.”
Renan Fernandes Giardini é formado em Letras, Língua Portuguesa e Literatura, com especialização em Literatura, Cultura e Arte na Educação. Leciona nas escolas E.E.E.F. e M. Maria Angélica Marangoni Sant’ana (Sedu – rede estadual de educação) e EMEB Professor Pedro Estellita Herkenhoff (Seme – rede municipal de educação).
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Episódio 2 de CORPO-RIO, em Alegre
Foto de Esther Loris
D A N Ç A N D O N O R I T M O D A S Á G U A S GRUPO DE ARTISTAS PERCORRE RIO ITAPEMIRIM DANÇANDO EM WEBSÉRIE DOCUMENTAL Por Lívia Corbellari Corpo e água entram em comunhão na websérie “CORPO-RIO”, documentário experimental em cinco episódios que podem ser assistidos no canal no Youtube do Grupo Atuação, coletivo de artistas de Cachoeiro de Itapemirim. Passando por Alegre, Jerônimo Monteiro, Cachoeiro de Itapemirim e Marataízes, os dançarinos seguem o fluxo do rio Itapemirim dedicados a ecoperformance para criar imagens de pulsões capazes de ampliar o cuidado com o meio ambiente e de conectar o público por meio da arte. “Para mim, como cidadão de Cachoeiro, o rio Itapemirim sempre foi um convite à contem-
plação, sua presença no cotidiano da cidade sempre me trouxe poesia. A ideia inicial foi de promover uma experiência performativa ancorada na descoberta de novas corporeidades a partir da imersão corpo-rio. Além disso, reunimos performances capixabas com diferentes formações, o que deixou o resultado mais rico e diverso”, explica Weber Miranda que, além de atuar como performer, é produtor executivo e assina a direção do projeto em parceria com Victorhugo Amorim. Para marcar a estreia, o primeiro episódio “Prelúdio” foi filmado em uma casa de Cachoeiro, com marcas visíveis da enchente ocorrida em janeiro de 2020. Esse episódio apresenta os artistas Gabriela Prado, Leonardo
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Episódio 3 de CORPO-RIO, em Jerônimo Monteiro Foto de Esther Loris
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Dariva e Weber Miranda, todos de Cachoeiro, mais um motivo que explica o simbolismo em se começar por essa cidade. Weber conta que a destruição que a enchente de 2020, considerada a maior enchente da história do município, tocou muito todos eles e foi o gatilho para iniciar as pesquisas. “A força das águas está impressa nas paredes da casa até hoje e isso muito impulsionou as primeiras investigações. Importante destacar que foi o espaço desta casa que nos levou não apenas à experiências corporais e descobertas de movimentos e presenças, mas também à escrita do roteiro, movimentos de câmera, enquadramentos”. Cada um dos quatro episódios seguintes tem relação com um dos elementos da natureza. Diferente da estreia, as outras filmagens foram todas feitas em locais abertos. Em Alegre, o elemento “ar” é o tema escolhido devido ao vapor d’água da imponente Cachoeira da Fumaça. Em Jerônimo Monteiro, o cultivo e a agricultura evocam o elemen-
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to “terra”. Em Cachoeiro, onde o rio corre em meio à paisagem fortemente urbanizada, o elemento “fogo” se faz presente. E o encontro final com o oceano Atlântico, em Marataízes, aborda o elemento “água”. PROCESSO CRIATIVO A websérie “CORPO-RIO” foi produzida durante o primeiro semestre de 2021 e levou um pouco mais de 7 meses, nos quais envolveram visitas às cidades, pesquisas e laboratórios imersivos. Nesses laboratórios, mediados por Weber, a proposta era ser um espaço-tempo de investigação do corpo e do movimento em contato com os ambientes e também um momento para levantar material para os roteiros. “Cada performer traz a sua experiência, seu corpo e sua soma, que é diluído nessa integração com o meio. A dança surge desta conexão e pulsação com o meio”, explica. A websérie é uma forma diferente de retratar a relação dos seres com os recursos hídricos e os demais elementos da natureza, focando
Foto de Esther Loris
no trajeto do Itapemirim, que tem uma importância muito grande para toda uma região – tanto do ponto de vista socioambiental, quanto por aspectos culturais e afetivos. Para finalizar, Weber traz uma fala do escritor e líder indigena Ailton Krenak: “Invocar os rios é invocar outras temporalidades, outra experiência com o tempo. Nós-rio, nós-rio… seres imersos nesses seres, experimentar outras formas, experimentar ser água, experimentar outras formas… eu me sinto muito envolvido com o rumor das águas, com os rios, inclusive os rios subterrâneos…”
Assista a websérie CORPO-RIO:
Artistas em performance na casa de Cachoeiro de Itapemirim
Episódio 3 de CORPO-RIO, em Jerônimo Monteiro Foto de Esther Loris
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O QUE APRENDEMOS COM “O FRADE E A FREIRA” Por Giovani Delpupo da Silva A Unidade de Conservação O Frade e a Freira foi criada por ser um marco paisagístico e histórico do Espírito Santo. A região foi declarada como Patrimônio Natural Cultural, por meio da Resolução nº 07, do Conselho Estadual de Cultura, em 12 de junho de 1986, por possuir significativos recursos naturais de valores cênicos e paisagísticos, propício, inclusive, para a prática de ecoturismo. O Monumento Natural é formado por um conjunto granítico, de 683 metros de altitude, com fragmentos florestais característicos da Mata Atlântica, numa área de 8.163.903 m2 (aproximadamente 861,4 ha), e perímetro de 13.257 m, situado nos Municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Vargem Alta. Conjunto de dois rochedos, que se defrontam, num mesmo alcantil, como se fossem esculturas planejadas, para a representação das figuras de um monge e uma devota. Encontra-se na estrada de rodagem Vitória-Rio de Janeiro, nos limites dos municípios de Rio Novo e Cachoeiro de Itapemirim. Com a necessidade de se preservar fragmentos florestais representativos da Mata Atlântica do Espírito Santo e a prioridade de inclusão social e ambiental das comunidades rurais e de suas atividades, em 2007, a partir do Decreto Estadual nº 1.917-R, o Patrimônio Natural Cultural passa a ser denominado Monumento Natural “O Frade e a Freira”. Em 1938, no livro de edição particular, “Escada da vida”, o poeta cachoeirense Benjamin Silva inseriu um soneto em que conta a versão mais difundida da lenda. “Diz a lenda - uma lenda que espalharam - / Que aqui, dentre os antigos habitantes, / Houve um frade e uma freira que
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se amaram... / Mas que Deus os perdoou lá do infinito, / E eternizou o amor dos dois amantes / Nessas duas montanhas de granito.” Em 2004, Rodrigo Campaneli, publicou um livro com o título “As mais belas lendas capixabas”. A primeira lenda que ele reconta intitula-se O Frade e a Índia (p. 811), em que substitui a figura da freira pela de uma indiazinha, sob a alegação de que a lenda difere da história, já que ainda não havia freiras aqui no séc. XVII. MÉTODOS E RESULTADOS Os alunos do 6º ao 9º ano da E.M.E.I.E.F. “Anacleto Jacinto Ribeiro” do município de Itapemirim /ES, foram orientados durante as aulas de Ciências no período de 02 de Julho de 2021 a 10 de Setembro de 2021
para fotografar e filmar o ambiente onde vivem, tendo como tema orientador a frase “O que a natureza nos ensina”. Já o texto criativo teve como base a lenda local a respeito do frade e da freira.
“Foi possível garantir a aquisição de conhecimento, valores, atitudes, compromissos e habilidades necessárias para a proteção e melhoria do meio ambiente, facilitando a criação de novos padrões de conduta orientada para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida”
Com o decorrer do concurso foi possível conhecer o monumento natural, a lenda sobre o Frade e a Freira, identificar ações antrópicas pela comunidade de Campo Acima, onde a escola está inserida, além de conscientizar quanto a proteção e preservação da integridade dos fragmentos florestais de Mata Atlântica, remanescentes, localizados nas regiões ao redor do monumento. Em síntese, foi possível garantir a aquisição de conhecimentos, valores, atitudes, compromissos e habilidades necessárias para a proteção e melhoria do meio ambiente, facilitando a criação de novos padrões de conduta orientada para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida. Para que todos esses objetivos sejam alcançados com sucesso, e que o aluno sinta-se “papel integrante” e sujeito ativo, participativo da sociedade em que vive, é preciso agregar conhecimentos de diversas áreas, tais como: econômicos, sociais, políticos e ecológicos.
Giovani Delpupo da Silva é professor de Ciências da rede pública no município de Itapemirim/ES. Graduado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário São Camilo. Pós-graduado em: Educação especial, Educação ambiental e Ciências biológicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Disponível em: https://iema.es.gov. br/Media/iema/Downloads/GRN/ Unidades/2019.07.03%20- %20Decreto-R%20 N%C2%BA%2001917-2007.%20Institui%20 o%20MONAFF.pdf Acesso 03 de agosto de 2021. Disponível em: https://www.morrodomoreno. com.br/materias/frade-e-freira-por-mariastella-denovaes.html Acesso 03 de agosto de 2021.
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Making OFF doc. “Plantadores de Água”
Fonte: Arquivo Projeto Plantadores de Água
PLANTANDO ÁGUA PARA SALVAR O PLANETA SETE ANOS DEPOIS DA ESTREIA DO DOC. “PLANTADORES DE ÁGUA”, NO 1° FESTIVAL CINE.EMA, EM 2015, SAIBA QUAIS OS FRUTOS O PROJETO VEM COLHENDO HOJE Por Lívia Corbellari Pode parecer estranho para quem ouve pela primeira vez, mas é isso mesmo: Plantadores de Água. Esse é o nome do projeto que desenvolveu ações junto com agricultores familiares no Território do Caparaó Capixaba, para conservação do solo e recuperação de nascentes. Utilizando a metodologia denominada
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‘experimentação participativa’, as práticas foram desenvolvidas com agricultores e agricultoras familiares, valorizando as iniciativas já existentes em suas propriedades. O projeto foi patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental e realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alegre, Sítio Jaqueira Agroecologia, Grupo de Agricultura ecológica Kapi’xawa e par-
ceiros como a Rede de Agricultura Familiar de Alegre (RAF). Para registrar o projeto, além de uma cartilha de Educação Ambiental e publicações científicas, foi realizado também o documentário “Plantadores de Água”, que aborda a temática da gestão do solo e da água por meio da troca de experiências, a partir dos conhecimentos dos agricultores familiares e dos profissionais envolvidos com o Projeto. Em 2015, o documentário participou do 1° Cine-Ema - Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo, e ficou em primeiro lugar na categoria Mostra Competitiva, escolhido por um júri técnico. Por meio do projeto “Plantadores de Água”, foram envolvidas mais de cinco mil pessoas em ações de educação ambiental formal e não formal, com recuperação de 14 nascentes, isolamento de 15 hectares de Área de Preservação Permanente- APP;
plantio de mais de 10 mil mudas de espécies nativas e frutíferas e distribuição de outras 3 mil; construção de mais de 400 caixas secas, cheias e terraços de contenção; implantação de 14 fossas sépticas biodigestoras e de evapotranspiração, além de palestras, visitas técnicas e participação em eventos socioambientais. Passados sete anos, conversamos com o Educador Socioambiental Geraldo José Alves Dutra, que trabalhou no projeto, para sabermos quais ‘frutos’ os “plantadores de água” vem colhendo hoje. O QUE É SER UM/UMA PLANTADOR/A DE ÁGUA? Geraldo: Objetivamente ser um (a) plantador (a) de água é gerenciar com ética o solo de forma que a água da chuva possa infiltrar no solo, garantindo, assim, o abastecimento dos lençóis freáticos e a vazão regular de água nas nascentes, nos vertedouros
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de água. Subjetivamente, é um ato de amor para com o próximo, para com todo e qualquer tipo de vida. Importante diferenciar que um produtor de água é uma pessoa que em sua propriedade há nascentes, ainda que elas não estejam protegidas. Porém, um plantador de água é alguém que se mobiliza para que haja maior infiltração da água da chuva no solo de sua propriedade, e isso passa por conservar a vegetação nativa existente, fazer reflorestamento, implantar sistemas agroflorestais (SAF), além de fazer terraços e caixas secas, não jogar esgoto dentro dos cursos d’água, conservar os brejos e não usar agrotóxicos. COMO SURGIU A IDEIA DE REGISTRAR O PROJETO EM UM DOCUMENTÁRIO? G: O projeto foi essencialmente ações de educação ambiental por meio de práticas. Toda equipe técnica do projeto entendeu o potencial educativo e a importância desses exemplos chegarem a outras pessoas. Para nós foi muito importante que além da participação dos técnicos, os próprios agricultores (as) familiares fossem protagonistas do documentário. COMO FOI A SENSAÇÃO DE PARTICIPAR DO 1° FESTIVAL CINE.EMA E AINDA SER PREMIADO NESTA ESTREIA? G: Satisfação e orgulho. Satisfação porque o projeto poderia servir de exemplo a outros proprietários rurais e instituições de pesquisa e extensão rural, e, orgulho, por ver Making OFF doc. “Plantadores de Água”
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nossas ações educativas sendo mostradas em um festival socioambiental tão importante. Agora, ganhar o festival foi muito comemorado, sobretudo pelos agricultores e agricultoras familiares que foram ao festival e que ficaram emocionados com a honraria. QUAIS FRUTOS OS PLANTADORES DE ÁGUA VEM COLHENDO HOJE? G: São diversos frutos, mas destaco três deles: primeiro a mudança de comportamento das famílias onde o projeto foi desenvolvido. Mesmo passados 7 anos, as tecnologias sociais implementadas pelo projeto foram mantidas ou ampliadas, demonstrando a sustentabilidade das ações e, portanto, que de fato houve um processo de reeducação dessas famílias. Segundo porque o projeto influenciou e qualificou técnicos ligados à extensão rural, estudantes, professores e proprietários rurais. Se qualquer pessoa visitar hoje uma das propriedades onde o projeto foi desenvolvido, quem irá apresentar a propriedade e ensinar como cuidar da água e do solo são os próprios agricultores e agricultoras que se tornaram educadores ambientais. Destaco também a fundação da Associação de Plantadores de Água (PLANT’ÁGUA). Por meio dela continuamos sensibilizando pessoas e fazendo ações de educação ambiental visando uma melhor gestão do solo e da água, atuando tanto no Caparaó quanto em outras regiões do país. Tão importante quanto os resultados físicos Fonte: Arquivo Projeto Plantadores de Água
Premiação do doc. “Plantadores de Água” no 1° Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo - Cine.Ema
foram as mudanças de comportamentos das famílias onde o projeto foi desenvolvido, e os laços de amizade que surgiram e/ou se fortaleceram. Tornamos-nos uma grande família. A água é um bem natural que nos une. QUAL A IMPORTÂNCIA PARA VOCÊ DE UNIR CINEMA E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL? G: Precisamos sim mostrar os problemas socioambientais. Porém, é elementar que mostremos também que há pessoas, projetos e instituições que contribuem para a cura do Planeta, buscando mitigar ou resolver problemas socioambientais. E o cinema, a linguagem audiovisual é uma importante Making OFF doc. “Plantadores de Água”
Fonte: Arquivo Projeto Plantadores de Água
ferramenta nesse processo de sensibilização, sendo eficaz para que as pessoas se eduquem, se reeduquem, se emocionem e se mobilizem para a preservação/conservação ambiental. Assista o documentário acessando o QR CODE:
Fonte: Arquivo Projeto Plantadores de Água
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