Hoje Macau 17 JANEIRO 2023 #5170

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ MOP$10 TERÇA-FEIRA 17 DE JANEIRO DE 2023 • ANO XXI • Nº5172 www.hojemacau.com.mo • facebook/hojemacau • twitter/hojemacau PUB. AUTOCARROS PASSAGEIROS ANÓNIMOS CHINA | ÁFRICA LAÇOS MAIS APERTADOS ENSINO FORMAR COM QUALIDADE PÁGINA 6 PÁGINAS 10-11 ENTREVISTA FOTOGRAFIA ADEUS, CANÍDROMO EVENTOS
Uma espécie de lei Após uma dúzia de tentativas falhadas de dotar Macau com uma Lei Sindical ao abrigo do estipulado na Lei Básica, a AL aprovou ontem o diploma apresentado pelo Governo que, no entanto, e sem surpresas, deixa de fora o direito à greve e à negociação colectiva. Pereira Coutinho e Che Wai Sang abstiveram-se. PÁGINAS 4-5 SOFIA MARGARIDA MOTA GCS
hojemacau

ROSA BIZARRO E EDITH JORGE GERAÇÕES

- ESCOLA INTERNACIONAL

“Aposta na qualidade e diferença”

Vai nascer em Coloane uma nova escola internacional para alunos do ensino infantil ao secundário. Rosa Bizarro, directora académica da Associação do Colégio Sino-Luso Internacional de Macau (ACSLIM), e Edith Jorge, presidente do conselho de administração da entidade tutelar da Gerações - Escola Internacional, querem uma instituição inclusiva e trilingue, que forme cidadãos através do método educativo finlandês. O ensino do português será virado para o mundo lusófono

Já existe uma escola de ensino trilingue em Macau. Porquê criar outro projecto educativo desta natureza?

Edith Jorge (EJ) - Queremos responder à necessidade ou interesse que existe na aprendizagem das línguas. Sendo esta associação criada por macaenses, somos trilingues, pois nascemos e crescemos em Macau, e conhecemos todos esta realidade. Gostaríamos que, no futuro, o território fosse cada vez mais competitivo. Uma das principais vertentes dessa competitividade reside no domínio das línguas. Uma escola com estas três línguas ensinadas, a fim de permitir que os alunos sejam verdadeiramente fluentes, achámos que não era suficiente [a oferta educativa existente] e fomos também de encontro à política do Governo de ter diferentes tipos de escolas a funcionar, tal como escolas internacionais. Decidimos juntar as duas componentes.

A associação já existia ou foi criada só para este projecto?

EJ - Uma das razões pelas quais a associação foi criada foi a escola, mas não é a única. Temos interesse em continuar a investigar e a investir no domínio das línguas. Esta escola é um dos projectos mas temos outros planos.

Abrir uma nova escola, outro projecto educativo?

EJ - Sim, outras iniciativas ou parcerias com instituições locais e internacionais.

Falemos da Gerações e da colaboração com a professora Rosa Bizarro, que estava na Universidade Politécnica de Macau (UPM). Porquê abraçar este desafio como directora?

Rosa Bizarro (RB) - Fui professora na UPM de 2014 a 2021. Isso fez com que, durante meia dúzia de meses me tenha ausentado de Macau, e colaborei como docente na Universidade de Cabo Verde. Surgiu este convite da associação e como toda a minha profissão e currículo está ligado à docência e à formação de professores de todos os níveis de ensino, achei que seria uma oportunidade para ajudar esta equipa a implementar um projecto ambicioso, mas de grande qualidade. Tem muito de inovador e pretende-se que tenha frutos no presente imediato e no futuro. Estou muito ligada ao ensino das línguas e questões interculturais e achei que seria, de facto, uma oportunidade para pôr em prática aquilo que ao longo dos anos tenho defendido.

Pretendem, a partir de Setembro, abrir o ensino infantil a partir dos três anos e o ensino primário. Depois, no ano lectivo seguinte, querem abrir o ensino secundário. Neste momento, como está o processo de criação dos conteúdos programáticos?

RB - Este projecto tem-nos absorvido 24 horas por dia ao longo de vários meses. Quando a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude

nos atribuiu o alvará, no final de Dezembro, garanto que o essencial da preparação académica já estava feito. Temos programas que receberam o contributo de alguns especialistas internacionais das áreas. Estabelecemos protocolos com instituições de Portugal e de várias origens. Uma delas dá-nos base da metodologia que vamos seguir, pois queremos apostar na qualidade e na diferença e ter professores internacionais que

“Queremos promover valores universais, como o respeito pelo outro e pela diferença, a capacidade de compreender o real e projectar novas realidades, mas sem termos a presunção de fazer revoluções.”

“Esta escola é diferente porque assume as três línguas como a base de todo o trabalho desenvolvido. Vamos procurar a imersão dos alunos nas diferentes culturas.” ROSA BIZARRO

dominam essa metodologia, que respeitam os parâmetros de exigência locais, mas que trazem uma mais-valia com esse contributo. Queremos apostar no ensino colaborativo e acreditamos que vai ser possível apostar na metodologia de projecto com valores que, muitas vezes, estão arredados das escolas.

O modelo de ensino em Macau baseia-se muito na memorização de matéria e não incentiva à participação do aluno na sala de aula. O método finlandês vai acabar com tudo isso?

RB - Não queremos acabar com nada (risos). O que queremos é semear entre pais e alunos outras abordagens para aprender. Queremos promover valores universais, como o respeito pelo outro e pela diferença, a capacidade de compreender o real e projectar novas realidades, mas sem termos a presunção de fazer revoluções. Vamos tentar oferecer qualidade, fazer com que os nossos alunos sejam valorizados pelos conhecimentos que vão adquirir e competências, mas também dotá-los da capacidade de serem felizes. Tudo isto está devidamente estruturado e acreditamos que o ser humano pode ser melhor e aprender muito, mas de outro mundo.

Abrir uma escola num período pós-pandemia é um desafio.

RB - Não é tarefa fácil. Quando a associação começou a pensar nisso tudo sabia que os constrangimentos seriam enormes, mas nada é por acaso. A situação da pandemia está a mudar e vamos começar a funcionar verdadeiramente no ano lectivo de 2023/2024, e isso dá-nos tempo para contratar professores locais e internacionais e preparar todo o trabalho. Vamos apostar também na formação específica do pessoal docente e não docente.

Durante estes anos de pandemia os alunos tiveram longos períodos de ensino online. Que desafios enfrenta o ensino neste momento?

RB - Não posso ser porta-voz de todos os agentes de ensino, mas penso que temos de procurar corresponder às exigências que o mundo coloca a todos. Tem sido feito um grande esforço para que na educação prevaleça um valor indiscutível e estou convencida que a existência de ofertas alternativas não vem destruir o que existe, vem enriquecer. Compete-nos estar atentos ao desenvolvimento científico, tecnológico e cultural e fazer com que a escola possa formar cidadãos conscientes e preparados. Penso que o futuro vai ser diferente do que são os dias de hoje, mas isso não quer dizer que se esqueça o passado, e daí o nome da nossa escola, Gerações.

No ensino do português vão “competir” com a Escola Oficial Zheng Guanying e a Escola Portuguesa de

2 entrevista 17.1.2023 terça-feira www.hojemacau.com.mo

Macau, por exemplo. Que diferença procuram trazer neste campo?

EJ - Sempre achámos que a língua teria de ser ensinada com a cultura, e a visão que tínhamos da língua portuguesa não se resumia a Portugal. Obviamente que tem o seu lugar, mas gostaríamos de olhar para o idioma como sendo de todos os países de língua portuguesa. A nossa escola terá a particularidade de apostar na ligação de Macau com os países de língua portuguesa, apostando no português e na cultura, mas também ensinar a economia ou cultura de Angola, por exemplo. Somos todos um mundo de língua portuguesa e é essa a nossa filosofia.

RB - Esta escola é diferente porque assume as três línguas como a base de todo o trabalho desenvolvido. Vamos procurar a imersão dos alunos nas diferentes culturas e temos uma especificidade que é criar currículos que procuram dar respostas locais e universais. Tudo isso não se vai materializar apenas na sala de aula, sendo que haverá muitas actividades extracurriculares ou de carácter cultural, em que os diferentes parceiros e intervenientes darão o seu contributo. Pretende-se que um aluno que venha do ensino infantil seja trilingue quando terminar o ensino secundário.

Esta escola, e a associação, são exemplos de como a comunidade macaense deve mexer-se e actuar?

EJ - Exactamente. O nosso lema é falar menos e fazer mais. Macau tem tido um ritmo de crescimento formidável nos últimos anos e acho que é uma coisa boa se todas as áreas da sociedade acompanharem esse dinamismo. A comunidade macaense tem todas as condições, mesmo a nível de tradição, formação, pois naturalmente somos trilingues e temos uma flexibilidade muito grande. Podemos pegar nessas qualidades e elementos e avançar, mas não podemos apenas falar e criticar. Esta experiência da escola tem sido maravilhosa. Quanto mais sucesso este projecto tiver, mais elevada será a imagem da comunidade macaense, e é esse o legado que queremos deixar. O Governo de Macau tem apoiado muito a comunidade, tal como o Governo Central, e por todas estas razões e aquilo que somos há séculos, somos capazes de oferecer algo. Andreia Sofia Silva

entrevista 3 terça-feira 17.1.2023 www.hojemacau.com.mo
“Quanto mais sucesso este projecto tiver, mais elevada será a imagem da comunidade macaense, e é esse o legado que queremos deixar.”
EDITH JORGE

Diz que é uma lei sindical

Adeputada Song Pek Kei denunciou ontem a incapacidade dos Serviços de Saúde para lidarem com os cadáveres que se acumularam durante o pico da pandemia. Numa intervenção antes da ordem do dia, Song apontou que há famílias a sofrer com a situação, uma vez que só tiveram acesso ao corpo das vítimas, quando este estava num avançado estado de deterioração.

“Neste momento, as instalações são insuficientes, e até houve casos em que os cadáveres se deterioraram e apresentam mau cheiro, dificultando o tratamento ordenado por parte dos familiares dos falecidos”, revelou Song Pek Kei.

Segundo a deputada, a situação afectou gravemente as famílias,

Uma realidade, duas leituras

Alvis Lo ter recusado a perda de cadáveres por parte dos Serviços de Saúde.

Caos funerário

Song Pek Kei denuncia problemas nos funerais e tratamento de cadáveres que sofreram um outro desgosto além da morte do familiar, uma vez que todos estes incidentes fizeram com que os falecidos fossem impedidos de “ter um último momento com dignidade”.

Para responder à situação, e sublinhando que desde Dezembro o número de mortos “cresceu dezenas de vezes” face aos registos históricos, Song pediu às autoridades para “aumentarem, provisoriamente, as câmaras frigoríficas para guardar os restos mortais dos falecidos”.

As declarações de Song Pek Kei foram feitas um dia depois de

A legisladora ligada à comunidade de Fujian abordou igualmente o caos a nível dos funerais dos residentes, que actualmente sofrem com várias restrições. As pessoas têm agora um máximo de 15 minutos para se despedir dos familiares. “Com a recente morte de pessoas com doenças subjacentes à covid-19, a procura de serviços funerários aumentou

significativamente, a procura é maior do que a oferta e, nos últimos tempos, as casas mortuárias têm estado sobrecarregadas, com problemas de funcionamento e de impossibilidade de tratamento dos restos mortais”, denunciou.

Também o deputado Che Sai Wang acompanhou a deputada nas críticas. “Segundo as políticas de combate à epidemia, os corpos dos que faleceram durante este período têm de ser embalados e selados, não podendo ser abertos para tratamento posterior, nem se podendo prestar a derradeira homenagem,

o que, para as famílias, é incompreensível”, atirou Che. “Desde a linha da frente dos profissionais de saúde à indústria funerária, esta ‘linha de vida e de morte’ está a enfrentar uma pressão e confusão inimagináveis”, acrescentou.

Para Che, este cenário, além de outros problemas como a falta de medicamentos, indica que “o Governo da RAEM não preparou bem as medidas de liberalização do plano de contingência”.

As críticas de Che foram igualmente indicadas por José Pereira Coutinho, colega de bancada,

A vitória de Wu

Apesar das críticas, o deputado Wu Chou Kit, nomeado por Ho Iat Seng, considerou que o Governo

RÓMULO SANTOS 4 assembleia legislativa 17.1.2023 terça-feira www.hojemacau.com.mo
DIPLOMA APROVADO SEM CONSAGRAÇÃO DO DIREITO À GREVE E NEGOCIAÇÃO COLECTIVA
SINDICATOS

Na discussão do direito dos trabalhadores consagrado na Lei Básica, os deputados ligados ao patronato pediram flexibilidade e houve até quem tivesse considerado que nada obrigava a que o direito fosse consagrado através de uma lei. Do lado laboral, pediu-se uma lei para regular o direito à greve e à negociação colectiva

OS deputados da Assembleia Legislativa aprovaram ontem a proposta do Governo para permitir a existência de sindicatos, uma obrigação que consta da Lei Básica, aprovada há quase 30 anos, mas que ainda não foi cumprida. No entanto, a discussão do diploma ficou marcada por pedidos, por parte de alguns deputados, para que se cumpra as outras obrigações do artigo 27.º da Lei Básica, como o reconhecimento do direito à greve.

José Pereira Coutinho foi um dos primeiros a intervir no debate, e acusou o Governo de nunca referir a obrigação de cumprir a Lei Básica na apresentação deste diploma. “Falamos sempre da Lei Básica, mas a nota justificativa não faz nenhuma referência ao artigo 27.º da Lei Básica. Não há uma única referencia à Lei Básica. Afinal qual é o rigor do Governo da RAEM no

cumprimento da Lei Básica? Isto não reflecte a importância que atribuímos à Lei Básica”, começou por criticar o deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

“Também não vemos neste diploma um direito à greve. Quando é que vão assegurar este direito? É um direito nuclear da Lei Básica. Quando vão apresentar uma proposta de lei para consagrar o direito à greve?”, questionou.

A ausência do direito à greve foi igualmente mencionada por Leong Sun Iok, da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), e por Ron Lam. Contudo, estes deixaram a esperança de que este seja um primeiro diploma, e que a sua revisão possa ser feita no futuro, a partir desta lei que definiram como “a primeira base” de trabalho.

Outra das críticas verbalizada pelos deputados, foi a ausência do direito à negociação colectiva, prevista nos acordos internacionais assinados por Macau, mas nunca aplicada.

E os direitos dos patrões?

Também os representantes do patronato na Assembleia Legislativa se mostraram insatisfeitos com algumas partes do diploma.

Ip Sio Kai, ligado aos empresários, desvalorizou o artigo 27.º da Lei Básica. “Não é só por haver um artigo na Lei Básica que temos de fazer uma

de

recusa seguir esse caminho e que esta lei foi feita a pensar nas especificidades do território. “Temos de criar uma lei sindical com características específicas de Macau”, defendeu. “É o nosso raciocínio”, acrescentou. “Esta é uma lei que resulta da nossa consulta pública de 40 dias e que cumpre com as exigências da Lei Básica”, atirou.

lei sindical. Temos de discutir de forma prudente e ser pragmáticos”, afirmou durante a discussão. “Será que o facto de não haver uma lei sindical afecta a relação entre os patrões e os trabalhadores?”, perguntou e respondeu: “Não”, atirou.

Ip Sio Kai destacou também que a ausência de uma lei deste género permitiu que fossem estabelecidas na RAEM boas relações entre patrões e empregados. Este deputado mostrou-se ainda preocupado com a possibilidade de serem criados muitos sindicatos.

Por sua vez, Wang Sai Man, outro dos deputados eleitos de forma indirecta pelo sector empresarial, defendeu que a lei deveria proteger os direitos do patronato.

“Quando vimos que trabalhadores querem defender os seus direitos, estamos a falar de uma relação entre os trabalhadores e os empregadores. Mas não vemos os direitos dos empregadores, da parte patronal, a serem defendidos neste diploma”, afirmou.

Características de Macau

Face às questões e críticas dos deputados, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, não se comprometeu com qualquer lei para estipular a greve, nem o processo de negociação colectiva.

Pelo contrário, o secretário pareceu indicar que o Governo

Lei Wai Nong destacou ainda o papel assumido pelo Governo, para manter a harmonia entre empregadores e trabalhadores. Por outro lado, elogiou o papel da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). “Ao longo dos anos, 93 por cento dos conflitos entre empregadores e trabalhadores foram resolvidos através da DSAL. Os restantes, cerca sete por cento, foram resolvidos pela via judicial”, indicou.

Ensino Pedida revisão da suspensão de aulas

O deputado Ma Io Fong, ligado à Associação das Mulheres, pediu ao Governo que faça uma revisão dos critérios de suspensão das aulas, no caso de haver alunos infectados com covid-19. Segundo o critério actual, quando uma turma tem quatro ou mais casos de infectados, as aulas são suspensas. O deputado considera que é necessário fazer uma revisão desta regra, uma vez que grande parte dos alunos esteve infectada, e que o vírus é agora menos perigoso, pelo que se devem adoptar “medidas mais flexíveis”. Ma Io Fong alertou também que as interrupções podem fazer com que a aprendizagem dos mais novos seja afectada.

Segurança Nacional Lei de Protecção do Segredo de Estado

foi também aprovada

À 13.º tentativa, a proposta com vista à criação de sindicatos no território lei foi aprovada quase por unanimidade, com a excepção dos deputados da ATFPM, Pereira Coutinho e Che Wai Sang, que se abstiveram. “É uma lei muito insuficiente”, jutficou Che, em nome dos dois. Tradicionalmente, Kou Hoi In, presidente da AL, não vota a não ser que haja um empate, e ontem voltou a adoptar essa postura, pelo que não tomou uma posição. João Santos Filipe

A Assembleia Legislativa aprovou ontem a Lei de Protecção do Segredo de Estado na generalidade. Durante a discussão do diploma, que serve para complementar a Lei de Segurança Nacional, os deputados José Pereira Coutinho e Ron Lam mostraram-se preocupados com a possibilidade de qualquer informação considerada importante para o desenvolvimento do Estado poder ser tornada confidencial. Os dois deputados pediram assim um equilíbrio entre o princípio da transparência e as matérias classificadas como segredo do Estado. Na resposta aos deputados, André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, deu garantias de que o “segredo não pode ser utilizado de forma abusiva”, para classificar todas as informações.

triunfou e protegeu eficazmente a vida da população de Macau.

“O Governo da RAEM, em cumprimento das políticas nacionais de prevenção e controlo da epidemia, tem-se empenhado, ao longo destes três anos, na sua prevenção e controlo, protegendo eficazmente a vida e a saúde dos mais de 600 mil cidadãos de Macau, na fase mais feroz do vírus!”, declarou o engenheiro de formação.

Wu Chou Kit considerou ainda que todas as medidas adoptadas ao longo dos três anos foram aplicados de forma “científica e precisa”. “À medida que a política nacional de prevenção da epidemia muda, Macau insiste em tratar a epidemia de forma científica e precisa!”, atirou. J.S.F.

SEGURANÇA NÚMERO DE ARMAS NA POSSE DE PRIVADOS EM QUEDA

Onúmero de armas na posse de privados está em quebra desde 2014, anunciou Wong Sio Chak que considerou a tendência uma “boa notícia”.

A informação foi avançada ontem na Assembleia Legislativa, no âmbito do novo “regime jurídico do controlo das armas e coisas conexas”, que foi aprovado na generalidade.

Segundo os dados avançados pelo secretário para a Segurança, em 1999 havia 2.070 armas na posse de privados. O número atingiu o pico em 2014, quando foram registadas 2.764 armas. Contudo, desde então que o número está em quebra tendo

no ano passado sido reduzido para 1.486.

“É uma boa notícia, porque o objectivo é assegurar a segurança da população”, afirmou

o secretário face à nova tendência. Para Wong Sio Chak a alteração mostra também que o ambiente em Macau é agora mais seguro.

Sobre as pessoas na posse de armas, a maior parte são funcionários públicos ou pessoas com cargos públicos, como funcionários do Comissariado Contra a Corrupção ou mesmo deputados da Assembleia Legislativa. Segundo Wong Sio Chak apenas 122 cidadãos sem cargos públicos possuem armas.

Sobre a justificação para o novo regime do controlo de armas, Wong Sio Chak mencionou a necessidade de actualizar a legislação que estava em vigor e remontava a 1999, assim como alargar o âmbito de aplicação a mais tipos de armamento, como ogivas nucleares.

assembleia legislativa 5 terça-feira 17.1.2023 www.hojemacau.com.mo
“Temos
criar uma lei sindical com características específicas de Macau.”
LEI WAI NONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS
“Quando vão apresentar uma proposta de lei para consagrar o direito á greve?”
JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
“Não é só por haver um artigo na Lei Básica que temos de fazer uma lei sindical.”
IP SIO KAI DEPUTADO

AUTOCARROS REGISTO DO NOME DE PASSAGEIROS TERMINA EM FEVEREIRO

O viajante mistério

O programa que possibilitou registar a identidade dos passageiros de autocarros públicos, para controlo pandémico, será suspenso a 10 de Fevereiro e os dados pessoais colectados serão destruídos. Os portadores de Macau Pass sem identificação vão voltar a usufruir da tarifa de três patacas

Àmedida que o Governo desmantela o aparato de controlo e prevenção da pandemia, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que “irá suspender o plano de ‘Registo do nome dos passageiros de autocarros’ a partir de 10 de Fevereiro”.

Na sequência de questões enviadas pelo HM, a direcção liderada por Lam Hin San respondeu com um comunicado público justificando a medida com o facto de a “política de prevenção da epidemia entrou numa nova fase”.

Recorde-se que no final de Novembro de 2021, a DSAT “para facilitar o rastreamento dos passageiros que partilhem os percursos de autocarros com os casos confirmados do novo tipo de coronavírus”, implementou o plano de registo do nome dos passageiros de autocarros.”

A medida teve como objectivo o registo de todos os cartões da Macau Pass, utilizados nos autocarros públicos, com o nome do seu proprietário. Os portadores de cartões que não fizeram o registo deixaram de usufruir dos benefícios de tarifas e, em vez de três patacas, o custo de cada viagem passou para seis patacas.

O programa que regista a identidade dos passageiros só será suspenso a 10 de Fevereiro devido à “necessidade de mais tempo para a realização de modificação, teste e actualização gradual dos equipamentos de pagamento electrónico”, altura em que os cartões Macau Pass sem registo de identificação vão voltar a pagar três patacas por viagem.

Dados lançados

Em relação ao uso dos dados pessoais recolhidos durante o

período em que o programa, a DSAT refere que a informação armazenada no plano “de ‘registo do nome dos passageiros de autocarros’ será destruída no prazo

de 3 meses após o seu termo, ou seja, no dia 10 de Maio”.

Porém, a direcção de serviços salienta que a recolha de dados pessoais de identificação é utilizada

Durante o período em que tem estado activo, o “plano registou dados de mais de 590 mil cartões da Macau Pass e foram activados mais de 600 mil cartões da Macau Pass”

para comunicar o extravio de cartões e que os titulares dos cartões podem registar, por sua iniciativa, os dados pessoais junto da “Macau Pass S.A. durante o período transitório, para continuar a usar a função de extravio de cartão”.

Durante o período em que tem estado activo, “o plano registou dados de mais de 590 mil cartões da Macau Pass e foram activados mais de 600 mil cartões da Macau Pass.” João Luz com J.S.F.

Covid-19 Confirmadas mais três mortes e quatro casos

As autoridades de saúde detectaram, no domingo, mais quatro casos confirmados de covid-19, tendo sido encaminhados para as instalações de isolamento e tratamento. Além disso, foram confirmadas mais três mortes, todas elas mulheres, por covid-19, com idades compreendidas entre os 87 e os 101 anos. Estas mulheres já tinham um historial de doenças crónicas e não estavam vacinadas contra a doença.

Pandemia Código de saúde de Guangdong cancelado

A partir de quinta-feira, o código de saúde de Guangdong será suspenso. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem que quem se deslocar entre Macau e Zhuhai terá de efectuar “declaração de saúde através do Código Aduaneiro na passagem fronteiriça por via posto fronteiriço Zhuhai-Macau”. As autoridades recordam ainda que não é necessário fazer declaração no código de saúde de Macau para entrar ou sair da RAEM. Para efectuar a declaração de saúde é preciso ler o código QR “CHINA CUSTOMS” através do WeChat.

Máscaras

Arranca hoje

o 50.º programa de distribuição

Começa hoje mais uma edição, a 50ª, do programa de distribuição de máscaras aos residentes. O período de venda decorre durante 30 dias, terminando a 15 de Fevereiro. Cada pessoa pode comprar 30 máscaras com um custo de 24 patacas. As máscaras estão disponíveis para venda nas farmácias convencionadas dos Serviços de Saúde e duas associações cívicas, a Federação das Associações dos Operários de Macau e Associação Geral das Mulheres de Macau, num total de 63 locais de venda de máscaras em Macau. Além dos residentes, podem levantar as máscaras trabalhadores não residentes com blue card e estudantes não residentes de Macau que sejam portadores do cartão de estudante de uma instituição do ensino superior local. Continuam a ser fornecidas máscaras cirúrgicas às crianças com idades compreendidas entre os 3 e 8 anos de idade, nascidas entre 18 de Janeiro de 2014 e 15 de Fevereiro de 2020. As máscaras cirúrgicas infantis estão disponíveis para venda em 55 farmácias convencionadas.

DSAT Terminal da Rotunda da Concórdia abre amanhã

A paragem de autocarros “Rotunda da Concórdia/ Terminal”, situada no aterro da Concórdia junto à Estrada de Seac Pai Van, ira entrar em funcionamento amanhã, anunciou ontem a Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT). A activação do novo terminal irá ditar o cancelamento das paragens do “Parque Industrial da Concórdia” e “Rotunda da Concórdia”, que serviam as carreiras 15, 21A, 25, 26, 26A, 50 e N3. Além disso, a DSAT deu conta da mudança do nome da paragem provisória “Posto de Testes Virais de Ácido Nucleico/Pac On” de volta para Edifício de Serviços de Migração/Pac On”. A paragem em questão está instalada na zona da tomada e largada de passageiros de automóveis pesados do Terminal Marítimo do Pac On.

TIAGO ALCÂNTARA 6 sociedade 17.1.2023 terça-feira www.hojemacau.com.mo

ESTUDO RETOMA PODE NÃO SER AFECTADA POR CENÁRIO GLOBAL

Uma bolha positiva

A Associação Económica de Macau prevê que a retoma da economia local se sinta já no primeiro trimestre do ano. Depois do boom turístico do Ano Novo Chinês, a associação estima que os investimentos programados pelas concessionárias protejam Macau do cenário global de recessão e mesmo da quebra do consumo no Interior da China

OS primeiros três meses de 2023 podem marcar o virar de página depois de três anos de paralisia económica em Macau e de restrições e isolamento ditado pelo combate à pandemia.

Pelo menos, é a previsão da Associação Económica de Macau, apontada pelo mais recente Índice de Prosperidade publicado ontem, que perspectiva a continuação do crescimento do fluxo de turistas e os efeitos positivos no comércio,

JOGO ALERTA PARA HORAS EXTRA PARA COMPENSAR FALTA DE TRABALHADORES

OS funcionários que trabalham na linha da frente em alguns casinos de Macau foram alertados para a hipótese de terem de fazer horas extra durante os feriados do Ano Novo Chinês. Devido ao aumento brusco da procura depois de três anos em que muitos trabalhadores foram transferidos para outros departamentos, os casinos procuram colmatar a escassez de recursos humanos.

“Daquilo que nos foi dado a conhecer, já foi pedido a trabalhadores da área do jogo de alguns resorts do Cotai, como o Galaxy Macau e o Venetian Macao, para se prepararem para trabalhares turnos de trabalho extra” durante o período do Ano Novo Chinês, revelou Lei Iok Po, director da associação laboral Power of Macau Gaming, em declarações ao portal GGRAsia.

O responsável indicou que alguns funcionários foram notificados da possibilidade de terem de cancelar ou adiar folgas

que estavam anteriormente previstas para o Ano Novo Chinês. “As boas notícias é que, pelo menos, estão aliviados por já não lhes ser aplicada licença sem vencimento”, afirmou Lei Iok Po.

Por sua vez, Cloee Chao da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo acrescentou que, nos últimos dois anos e tal, se verificaram muitos casos de funcionários da área de jogo que foram deslocados para outros departamentos quando as operações nas mesas passaram a registar menos movimentação.

“Agora, estes trabalhadores são necessários de novo na área de jogo, mas a transferência de volta aos cargos originais pode demorar algum tempo, já para não mencionar aqueles que não estão interessados em regressar aos postos anteriores. Os recursos humanos parecem estar muito escassos nas mesas de jogo durante o Ano Novo Chinês”, afirmou Cloee Chao à mesma fonte. J.L.

restauração e na indústria do turismo.

O relatório indica também que o panorama económico de Macau a curto-prazo irá beneficiar do efeito de expansão produzido pelas receitas do turismo durante Ano

Novo Chinês. Enquanto que a longo-prazo, os investimentos com que as concessionárias de jogo se comprometeram aquando da renovação das licenças, em particular nos segmentos não-jogo, podem ser determinantes para atrair turistas estrangeiros.

A instituição presidida pelo ex-deputado Joey Lao indicou ainda que, desde que se mantenha o fluxo de visitantes, a economia de Macau pode passar ao lado da recessão global.

Mundo vs Macau

A associação refere que “o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e outras instituições internacionais não estão muito optimistas em relação às perspectivas de crescimento global para este ano e 2024”, continuando um cenário de incerteza e complexidade.

Além disso, é indicado no relatório que passados três anos de combate pandémico e repercussões económicas, as perspectivas de salários menores e diminuta confiança dos consumidores do Interior da China são também cenários a ter em conta. Porém, é argumentado que apesar de a recuperação económica no Interior ainda ter um longo caminho pela frente, a recuperação do turismo está relativamente a salvo.

O relatório da associação local cita os cálculos do Ministério da Cultura e Turismo da China que projectam o au-

mento das viagens domésticas em 0,44 por cento ao ano, para um total de 52,71 milhões de viagens, um nível que fica a 43 por cento do registado em 2019.

“Macau tem uma economia muito pequena, maioritariamente dependente das exportações do sector turístico e das indústrias de entretenimento. Desde que os turistas regressem, a economia pode recuperar a sua vitalidade.”

Face a estes cenários, “Macau tem uma economia muito pequena, maioritariamente dependente das exportações do sector turístico e das indústrias de entretenimento. É uma situação muito especial, atractiva e competitiva. Desde que os turistas regressem, a economia pode recuperar a sua vitalidade.”

Porém, o Índice de Prosperidade e os sentimentos económicos só devem regressar ao um nível “estável” no segundo ou terceiro trimestre do ano. João Luz

DST DELEGAÇÃO DE TURISMO DE HONG KONG EM MACAU

UMgrupo de 40 representantes do sector do turismo de Hong Kong estão em Macau desde ontem para uma visita de dois dias a convite da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Segundo um comunicado, a delegação é composta por líderes do Conselho da Indústria do Turismo de Hong Kong, operadores

de serviços de transporte e agências de viagem, entre outros. O grupo inclui ainda um grupo de 14 jornalistas com o objectivo de reportar os diversos elementos turísticos de Macau, tal como o património e os resorts integrados, defendeu a DST.

No território, a delegação reuniu com o secretário para a

Economia e Finanças, Lei Wai Nong, e a directora da DST, Helena de Senna Fernandes, tendo ontem participado num seminário de estabelecimento de contactos empresariais entre as duas regiões.

Desde que as ligações de ferry entre Macau e Hong Kong foram restabelecidas, no passado dia 8, que as autoridades locais têm tentado atrair visitantes do território vizinho, como é o caso do pacote turístico “Compre Um, Leve um Grátis” destinado aos turistas de Hong Kong, que está disponível desde sexta-feira. Com esta iniciativa os visitantes têm direito a um bilhete de regresso de autocarro ou ferry gratuito por cada viagem comprada.

A DST pretende atrair diariamente cerca de dez mil turistas da região vizinha.

sociedade 7 terça-feira 17.1.2023 www.hojemacau.com.mo
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ALGUNS SINÓLOGOS europeus chegam a falar de Idade Média para caracterizar o período da História da China que fica situado entre o fim da Dinastia dos Han (220 d. C.) e a breve dinastia dos Sui (589 d.C.). Esse período que, como disse, chega a ser classificado de uma verdadeira Idade Média da história chinesa é mais vulgarmente designado por Época das Seis Dinastias; liu chao, se as entendermos como sendo as Seis Dinastias puramente chinesas (han) do Sul ou Nan bei chao, se as considerarmos as Dinastias do Sul e do Norte. Bem a meio desta época, de intensa divisão nacional e por isso também muito conturbada, viveu o poeta Tao Yuanming, mais concretamente entre 365 e 427.

Tao Yuanming nasceu em Chaisang, no sopé Noroeste da montanha Lu. Se bem que Tao Yuanming seja muito mais um poeta do Tempo do que do Espaço, tudo leva a crer que o fascínio do lugar terá desempenhado um papel importante tanto na formação da sua sensibilidade como nas oscilações permanentes do seu modo de vida.

Assim, se Tao Yuanming acedeu ao mandarinato com a idade de 28 anos, a verdade é que interrompeu esta actividade muitas vezes. Em todas elas é possível estabelecer uma relação entre essas interrupções e profícuos regressos ao campo. E estes regressos ao campo são mesmo escolhidos pelos estudiosos da sua obra como marcos referenciais da sua evolução poética.

Durante o primeiro regresso ao campo (400-401) ele escreveu Voltando à minha antiga morada, poderoso poema onde a alegria se mistura com a angústia.

O segundo regresso ao campo (402 a 404), por ocasião do luto por sua mãe, corresponde, sabe-se, ao período provavelmente mais tranquilo da vida do poeta, período durante o qual escreveu os vinte poemas subordinados ao tema do vinho. Se alguma vez Tao Yuanming foi feliz terá sido durante este segundo regresso ao campo e pelo menos por três motivos. Antes do mais porque o evento do luto, permitindo-lhe um prolongado retiro o poupou aos acontecimentos sangrentos desencadeados pela rebelião de Huan Xuan contra o poder imperial, que só acabou quando Liu Yu, que se manteve fiel ao imperador, debelou a rebelião e restaurou a dinastia Jin. Em segundo lugar porque ao longo destes anos o poeta se exercitou nas práticas agrícolas, tão do seu agrado. Finalmente, porque embora hesitando ainda entre o mandarinato e a agricultura, ele adquiriu, durante este retiro, a consciência inequívoca da sua condição de poeta, tal foi o volume da sua escrita nesta época.

Segue-se o ano de 405, tão terrível, que no ano seguinte começará o retiro definitivo do poeta, cuja primeira parte vai de 406 a 412 e cuja segunda parte culminará na sua morte em 427.

O Grande Retiro que vai afinal de 406 a 427 será poeticamente inaugurado pelo célebre poema longo precedido de uma introdução não menos longa e intitulado Finalmente regresso a casa. Este é provavelmente o mais emblemático poema da obra de Tao Yuanming, pois nele o poeta explana de forma sistemática a sua ideologia de retiro, culto pela humildade e modéstia.

Antecipando-me a considerações que farei mais adiante, pergunto-me. Qual a natureza da motivação destes retiros, tão deci-

Tao Yuanming - uma vida, uma obra...

sivos tanto na vida quanto na obra do poeta. Tradicionalmente enfatizam-se duas formas de aproximação: A hipótese do princípio moral e a hipótese da inclinação. Recusa da corrupção do regime ou eremitismo confuciano por um lado ou vocação campesina por outro. Por mim, como se verá, inclinar-me-ei mais no sentido de uma espécie de Pastoral on the Self, de grande modernidade e onde o retiro é colocado ao serviço de desígnios literários, embora estes desígnios literários sejam inseparáveis de uma posição moral onde a vida simples é promovida em detrimento da vida palaciana.

B. Obra Haverá provavelmente uma afirmação que se pode fazer sem correr grandes riscos, a de que Tao Yuanming ou Tao Qian, como se preferir, é o mais aclamado poeta chinês anterior à grande época poética da História da China que foi o período da Dinastia Tang. É um dado adquirido que entre os séculos VII e X (618-907), a China conheceu o apogeu de uma tradição poética que contudo possuía já todos os seus alicerces. E um desses alicerces foi sem dúvida o grande Tao Yuanming. O poeta da reclusão cultivou todos os grandes temas da tradição poética chinesa e fê-lo em grande estilo. É portanto também um dado adquirido que antes da época que imortalizou figuras como Li Bai, Wang Wei, Bai Juyi, Du Fu, Han Shan, Jia Dao, Li He, e cito apenas os mais consensuais, costumam referir-se sempre dois grandes poetas, que podem ombrear pela qualidade da obra com estes grandes vultos. Estou a referir-me ao poeta Qu Yuan que viveu entre os séculos IV e III anteriores à nossa era; e claro a Tao Yuanming que viveu como já vimos entre os séculos IV e V da nossa era.

Sabe-se ainda que Tao Yuanming tentou bastantes vezes afeiçoar-se a uma carreira de funcionário por necessidade e, eventualmente, pelo pudor que sentia atendendo ao facto de poder ser condenado por levar uma vida demasiado ociosa; mas jamais por vocação, pois essa estava reservada exclusivamente à poesia e à vida campestre, como aparece claro em muitos momentos da sua obra. Até que definitivamente venceu a propensão do poeta para uma vida retirada, discreta e em larga medida contemplativa. E digo ‘em larga medida’ porque, de facto, o seu retiro foi sempre acompanhado de afazeres rurais, pequenas coisas contudo, mais jardinagem do que agricultura propriamente. Se eu tivesse que — à semelhança dos modelos ocidentais — situar Tao Yuanming no quadro de uma pastoral do retiro, situá-lo-ia mais no domínio da bucólica do que na geórgica, uma vez que os trabalhos agrícolas têm o sabor de uma evasão e jamais a carga muito ocidental e cristã de ganhar a vida com o suor do rosto. A geórgica ocidental evoluiu rapidamente do didactismo de Os Trabalhos e os Dias de Hesíodo e das Geórgicas de Virgílio, ainda didácticas mas já muito poeticamente sublimadas, para uma perspectiva pós-adâmica e portanto pós lapsária (após a queda), em que o trabalho, mesmo quando em contacto com a natureza, ganha o sabor

de um castigo, que nunca tem por exemplo na obra de Tao Yuanming. Nem didactismo, a não ser moral, nem castigo e sofrimento, antes evasão e entretenimento. Mas a verdade é que há trabalho rural e por vezes chega a ser do fruto desse trabalho que o poeta sobrevive. E mesmo assim eu acho que se trata de um trabalho evasivo, concebido como interlúdio entre o qin e os livros, afinal tão lúdicos uns quanto os outros. Mas, por outro lado, o trabalho da terra, o trabalho em contacto com a natureza possui sempre o valor de uma purificação e de uma regeneração. No Ocidente esta purificação e esta regeneração têm tendência a dramatizar-se religiosamente numa economia complexa do bem, do mal e da culpa. Na China não me parece. E esse trabalho rural, quando não possui as características referidas, não possui senão o valor de uma purificação moral e de um complemento saudável ao trabalho espiritual. Convenhamos que há mais idílio e bucolismo do que qualquer outra dimensão pastoral1

desde a minha adolescência, como numa fortaleza inexpugnável”3.

E, esta evocação ganha ainda mais sentido se tivermos em conta que Tao Yuanming cultivou com denodo uma sempre continuada procura da solidão. Ora, Vaucluse é antes de tudo o mais, parece-me, a fundação do mito da vida solitária, que irá marcar a cultura ocidental até aos nossos dias. Menos de dez anos depois da sua chegada a Vaucluse, Petrarca escreveu o tratado De Vita Solitaria, que entretanto dedicou ao seu amigo Philippe de Cabassole que possuía um castelo sobre um dos flancos do vale. O carácter de isolamento assim como o pragmatismo da escolha do lugar é referido pelo poeta de uma forma inequívoca em 1351 num epigrama que enviou a Philippe de Cabassole: “Não há lugar sobre a terra que me seja mais querido que Vaucluse, nem lugar afastado que seja melhor adaptado aos meus estudos”4. A prova de que a escolha do lugar não só obedeceu a esse critério, mas ainda que tal escolha foi bem sucedida, está na extrema produtividade do poeta durante o tempo que ali residiu. Aí de facto começou e acabou pelo menos numa primeira versão, obras tão importantes como: o De Vita solitária que já referimos, o De Otio religioso, o Secretum, além de numerosas éclogas do seu Bucolicum Carmen, cartas, epístolas e ainda a segunda versão do Canzoniere.

Atrevo-me contudo a pensar que em Tao Yuanming haveria também uma espécie de auto-consciência pragmática de que o regresso ao campo poderia favorecer e potenciar as energias criativas, no caso dele poéticas sobretudo, e nesse enquadramento psicológico, muito particular, poderíamos falar também de uma Pastoral On The Self, que na Europa culmina no século XVIII mas que teve em Petrarca provavelmente o primeiro teórico e a primeira forma de realização. Lembremo-nos do que Petrarca disse, na época em que já se havia decidido pelo seu retiro em Vaucluse, em a Posteritati: “(...) Encontrei um pequeno vale, solitário e ameno chamado Vaucluse, a quinze milhas de Avignon. É lá que nasce o Sorgue, duma fonte que é a rainha de todas as fontes. Encantado pelo charme deste lugar, instalei-me aí com todos os meus livros (...)”2. E também o que pela mesma época confessava a um amigo: “Esperando curar na frescura destas sombras o meu ardor juvenil que, tu o sabes me queimou durante tanto tempo, eu tinha o hábito de me refugiar muitas vezes aqui

Em muitas outras circunstâncias e textos encontramos esta apologia da vida solitária como o ideal para que o poeta possa prosseguir o seu trabalho de reflexão. Não nos admira, uma vez que isso está de acordo com o que ele pensava da vida agitada das grandes cidades como Avinhão a quem ele chamou depreciativamente a grande Babilónia, assim como das actividades que preferencialmente aí se desenvolvem: o negócio o carreirismo politico ou eclesiástico com o seu cortejo tradicional: ganância, orgulho, vazio existencial, baixeza, imoralidade, etc. E está ainda de acordo com as suas grandes paixões culturais à cabeça das quais é justo colocar a Filosofia estóica em geral e o grande filósofo romano Séneca em particular. Muitas vezes, ao ler Tao Yuanming, eu senti que nele se exercita a mesma aversão pela cidade e pelas actividades que aí predominam.

Ora as comparações valem o que valem e quando são tão diferentes as situações, quer no tempo quer no espaço, devem ser olhadas com parcimónia. Mesmo assim não deixo de enfatizar algumas coincidências:

— A procura da solidão.

— O reconhecimento de que o retiro liberta tempo e paz para a criação.

— O discurso sobre as babilónias deste mundo. Lugares que perturbam a tranquilidade, corrompem moralmente, e até alienam aquilo que é essencial.

Curiosamente, porém, é o facto de que tanto em Petrarca como em Tao Yuanming predomine uma certa tensão entre elementos clássicos e elementos maneiristas e barrocos, continuando a utilizar as categorias temáticas e periodológicas europeias. (Continua)

VIA do MEIO 17.1.2023 terça-feira 9

Acabar em alta

Qin Gang encontrou-se no domingo com representantes egípcios e da Liga Árabe no

Ochefe da diplomacia chinesa reuniu-se no domingo no Cairo com responsáveis egípcios e da Liga Árabe, no ponto alto de um périplo por África para consolidar a presença chinesa naquele continente.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, reuniu-se em separado com o Presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sissi, e com o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul-Gheit. Encontrou-se também com o seu homólogo egípcio, Sameh Shoukry.

Numa conferência de imprensa conjunta, o ministro Sameh Shoukry disse que as conversações abordaram as relações sino-egípcias e o aumento do turismo chinês no país do Médio Oriente, que durante anos luta para reavivar o seu sector turístico vital.

Os dois ministros disseram que também discutiram questões regionais, incluindo o conflito israelo-palestiniano. As tensões aumentaram após o regresso ao poder, no mês passado, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que lidera um Governo de direita e religiosamente conservador em Israel.

Em resposta à pergunta de um jornalista chinês, Qin Gang exortou Israel a “parar com as incitações e provocações, e a abster-se de tomar acções unilaterais que possam agravar a situação”.

Apelou também à “manutenção do status quo” no local sagrado mais importante de Jerusalém, depois de um ministro ultranacionalista do Governo israelita

o ter visitado no início do ano a Esplanada das Mesquitas. A visita suscitou uma condenação feroz de todo o mundo muçulmano e uma forte crítica dos Estados Unidos.

No encontro com Abdel Fattah el-Sissi, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês disse que Pequim continuará a investir em projectos de infra-estruturas do Egipto, incluindo os que têm ligações com as iniciativas “Nova Rota da Seda” e “Uma Faixa, Uma Rota”, de apoio de milhares de milhões de dólares para financiar infraestruturas na Ásia, Europa e África.

ao estrangeiro após a sua nomeação em Dezembro.

Parcerias a crescer

A viagem a África acontece um mês após o Presidente norte-americano Joe Biden ter recebido dezenas de líderes africanos em Washington, prometendo financiamento governamental e investimento privado para ajudar o continente a desenvolver-se nos campos da saúde, infra-estruturas, negócios e tecnologia.

Durante mais de três décadas, os ministros dos Negócios Estrangeiros chineses iniciaram os seus mandatos visitando África, cuja população crescente (como continente) rivaliza com a da China. Pequim tem investido fortemente em infraestruturas em países africanos, incluindo estradas, infra-estruturas energéticas, telecomunicações, caminhos-de-ferro e hospitais.

Os grupos e fundos financeiros chineses também concederam empréstimos a África no valor de 160 mil milhões de dólares entre 2000 e 2020, de acordo com a Base de Dados de Empréstimos Chineses a África.

A China investiu milhares de milhões de dólares em projectos liderados pelo Estado egípcio, como a Zona Económica do Canal de Suez e a nova capital administrativa, que está a ser construída a leste do Cairo.

Qin Gang chegou ao Cairo no sábado à tarde. A sua viagem de uma semana incluiu a Etiópia, onde é a sede da União Africana, bem como ao Gabão, Angola e Benin. Foi a primeira viagem de Qin Gang

Qin Gang afirmou na semana passada que a China tem sido o maior parceiro comercial de África nos últimos 13 anos, prevendo-se que o comércio mútuo exceda 260 mil milhões de dólares em 2022.

Além de fornecer vacinas contra a covid-19 a África, a China financiou a construção de uma nova sede para o Centro Africano de Controlo de Doenças na capital da Etiópia, Adis Abeba. O novo centro foi inaugurado na semana passada durante a visita de Qin Gang.

COMBOIOS LIGAÇÕES DE ALTA VELOCIDADE ENTRE HONG KONG E CHINA CONTINENTAL RETOMADAS

Aligação ferroviária de alta velocidade entre Hong Kong e a China continental foi retomada no domingo, depois de ter estado suspensa durante quase três anos, devido à pandemia da covid-19.

Até às 18:00 de domingo, cerca de 6.500 pessoas utilizaram as ligações ferroviárias, segundo as autoridades chinesas citadas

pelo jornal oficial em língua inglesa China Daily.

As restrições quanto ao número de passageiros continuam a existir: são permitidos no máximo cinco mil viajantes, em cada direcção, por dia.

Quem atravessa a fronteira de comboio não tem de reservar lugar com antecedência, ao contrário dos que atravessam os postos

fronteiriços da cidade por via terrestre, onde é aplicado um limite de 50 mil pessoas por dia.

Os lugares diários para fazer a travessia são difíceis de reservar, porque esgotam rapidamente, segundo testemunhos recolhidos nas redes sociais do país.

As ligações ferroviárias de alta velocidade retomadas no domingo ligam Hong

Kong a cidades vizinhas da província de Guangdong, no sudeste da China, como Shenzhen, Dongguan ou Cantão. Não se sabe quando é que as ligações directas com cidades mais distantes como Pequim vão ser retomadas.

Na próxima quarta-feira, pouco antes do início do período festivo do Ano Novo Lunar, a quota diária

de passagens pela via terrestre vai passar de 50 mil para 65 mil, explicaram as autoridades.

As fronteiras terrestres entre a China continental e Hong Kong permaneceram praticamente fechadas durante quase três anos. Apenas um pequeno número de voos e navios ligavam a ex-colónia britânica ao resto do país.

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fecho do périplo africano que incluiu Angola Qin Gang, reuniu-se em separado com o Presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sissi, e com
A China tem sido o maior parceiro comercial de África nos últimos 13 anos, prevendo-se que o comércio mútuo exceda 260 mil milhões de dólares em 2022

Boas sementeiras

Zonas rurais devem ter testes e medicação disponíveis

AS autoridades locais chinesas devem assegurar que medicação e testes de detecção da covid-19 estão “prontamente disponíveis” nas áreas rurais do país, de acordo com uma directriz do Conselho de Estado (Executivo) citada ontem pela imprensa oficial.

A directriz detalha que as clínicas de saúde das aldeias “devem assegurar” o fornecimento de medicação para um período mínimo de pelo menos duas semanas. Grupos vulneráveis ou com dificuldades financeiras devem ter acesso prioritário, frisa o documento, citado pelo jornal oficial em língua inglesa China Daily.

A directriz foi emitida nas vésperas do Ano Novo Lunar, quando centenas de milhões de trabalhadores chineses migrados nas cidades regressam à terra natal.

A directriz emitida pelo Executivo chinês indica que as autoridades locais têm também a “tarefa de realizar inspecções regulares, entregar medicação, transportar pacientes para hospitais maiores e aumentar a consciencialização sobre formas de prevenir contágios”.

Devem ainda ser feitos esforços para orientar os moradores a vacinarem-se, usarem máscara e evitarem contactos com familiares idosos que sofram de doenças crónicas.

Relatos sobre o uso indiscriminado de antibióticos e medica-

mentos hormonais no tratamento de pacientes no interior do país “enfatizaram a importância” das orientações oficiais, aponta o China Daily.

Pés descalços

No mês passado, o Executivo chinês alertou para o impacto da doença no interior do país, que descreveu como “vasto, populoso e com poucos recursos”.

Em particular, as autoridades apontaram para a migração em massa durante o período do Ano Novo Lunar e destacaram a falta de preparação dos funcionários de saúde locais e o “uso indiscriminado” de antibióticos e medicamentos hormonais no tratamento de pacientes com febre, que “podem causar efeitos colaterais prejudiciais e até fatais”.

Parte do sistema de saúde no interior da China depende ainda de camponeses com treino médico e paramédico básico, conhecidos como “médicos de pés descalços”, uma herança das campanhas lançadas após a fundação da República Popular, em 1949, para fornecer serviços básicos de saúde nas zonas rurais.

De acordo com dados oficiais divulgados no domingo passado, a China registou quase 60 mil mortes nos hospitais ligadas à pandemia da covid-19, desde o levantamento das medidas de prevenção no início de Dezembro.

Panjin Explosão faz dois mortos e 12 desaparecidos

Pelo menos duas pessoas morreram e doze estão desaparecidas na sequência de uma explosão no domingo numa fábrica de produtos químicos, no município de Panjin, na província de Liaoning, no nordeste chinês, informou a estação oficial CCTV. Três dezenas de pessoas apresentam ferimentos ligeiros e quatro sofreram ferimentos graves, disse o departamento de comunicação do município, citado pela CCTV. A explosão ocorreu às 15:13 de domingo, durante os trabalhos de manutenção dos equipamentos de alcalinização da fábrica. Mais detalhes não são por enquanto conhecidos. O incêndio está controlado e as autoridades ambientais asseguraram que os indicadores de poluição atmosférica “são normais”, após recolha de amostras de ar nas imediações da fábrica, que pertence à empresa Haoye Chemical, especializada em produtos petroquímicos.

COVID-19 EPIDEMIOLOGISTA DESACONSELHA VIAGENS A QUEM AINDA NÃO CONTRAIU INFECÇÃO

Oepidemiologista chinês Fang Houmin aconselhou ontem as pessoas que ainda não contraíram covid-19 a evitarem viagens durante o feriado do Ano Novo Lunar, que deve suscitar uma nova vaga de casos no país.

“Não é recomendado que essas pessoas façam viagens de lon-

ga distância, porque as probabilidades de ficarem infectadas vão aumentar”, disse Fang, citado pelo jornal especializado Health Times.

O especialista aconselhou a quem ainda não foi infectado que “evite ir a locais públicos, se notar sintomas como dor de garganta ou tosse” e “procure

atendimento médico”. As declarações do especialista surgem nas vésperas do Ano Novo Lunar, quando centenas de milhões de trabalhadores chineses migrados nas cidades regressam às respectivas terras natais.

O fim das restrições lançou uma vaga de infecções sem prece -

dentes nas zonas urbanas, que deve agora alastrar-se ao interior do país, onde os recursos de saúde são considerados insuficientes.

As recomendações do especialista foram alvo de debate nas redes sociais do país. “Este ano só quero finalmente ir a casa”, afirmou um internauta na rede

social Weibo, embora outros também tenham manifestado o seu receio de infectar familiares.

De acordo com um estudo da Universidade de Pequim, cerca de 900 milhões de pessoas já contraíram infecção pelo novo coronavírus na China, depois de o país ter desmantelado a política de ‘zero covid’.

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o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul-Gheit. Encontrou-se também com o seu homólogo egípcio, Sameh Shoukry

NOVA IORQUE ALEXANDRE ESTRELA EXPÕE NO

MOMA

Oartista português Alexandre Estrela vai apresentar a exposição “Flat Bells”, no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque, entre Novembro deste ano e janeiro de 2024, anunciou a instituição.

A exposição vai estar patente no estúdio Marie-Josée e Henry Kravis do museu, no quarto andar do edifício.

“Com a sua primeira exposição em Nova Iorque, o artista português Alexandre Estrela traz animações cintilantes de vídeo e uma paisagem sonora imersiva até ao estúdio Kravis. Informada pelo seu passado na pintura, os projectos de imagem em movimento de Estrela exploram, muitas vezes, a interligação entre materiais e perceção, atualizando a exploração entre ideia e objecto para a era digital da arte conceptual”, pode ler-se na página do MoMA.

O museu, uma das instituições mais conceituadas do mundo de arte moderna, acrescentou ainda que “Flat Bells” (“Sinos Planos”, em tradução livre) recorre a elementos de “abstração geométrica, design gráfico e música experimental” para “orquestrar um ritmo sónico e visual através de múltiplos ecrãs que examina como a cultura visual é experienciada e marcada pela obsolescência tecnológica”.

Estrela “chama atenção para os sistemas que governam a vida da mente”, acrescenta o texto do museu.

A exposição vai abrir no dia 04 de novembro deste ano e ficar patente até 07 de janeiro de 2024.

Alexandre Estrela nasceu em Lisboa, em 1971, cidade onde se formou em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da universidade local, sendo também mestre em Artes Plásticas pela Escola de Artes Visuais de Nova Iorque, segundo a biografia disponível no ‘site’ do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.

O fim de um ciclo

ERA uma vez um Canídromo, no bairro do Fai Chi Kei, onde os aficcionados apostavam para ver qual o galgo que corria mais depressa. Eles corriam, esgotados, mal tratados, e corriam mais até os humanos quererem. Durante décadas este espaço atraiu turistas e visitantes até se transformar num local dominado pela degradação. Foi em 2018, depois de uma intensa campanha a favor do fecho do Canídromo levada a cabo pela ANIMA - Sociedade Protectora dos Animais de Macau, que o espaço encerrou definitivamente.

Em “A Última Corrida”, exposição patente no Museu da Imagem em Movimento (MIMO), em Leiria, até 12 de Março, as imagens de Sofia Mota, fotógrafa e residente de Macau, capturam estes últimos momentos.

“Quando cheguei ao Canídromo, em 2018, deparei-me com um espaço absolutamente decadente em todos os apectos. Nas instalações, na solidão que transpirava, no ambiente das apostas ... queria apanhar esse fim histórico já sem nada, carregado de vazio”, contou ao HM.

Esta série de imagens foram capturadas para ilustrar uma re-

FOTOS SOFIA MARGARIDA MOTA 12 eventos 17.1.2023 terça-feira www.hojemacau.com.mo
FOTOGRAFIA MOSTRA DE SOFIA MOTA SOBRE O CANÍDROMO PATENTE EM LEIRIA

“A Última Corrida” é o nome da exposição de fotografia da autoria de Sofia Mota, residente de Macau e fotógrafa, patente no MIMOMuseu da Imagem em Movimento, em Leiria. A autora, que realizou o trabalho documental quando ainda era jornalista do HM, fala de um projecto carregado de emoções e da celebração do encerramento de um local histórico associado a maus-tratos aos galgos

portagem sobre o encerramento do Canídromo publicada no HM pela autora, que à data era jornalista desta publicação. Só muito recentemente as imagens deram origem ao projecto “A Última Corrida”, publicado na revista Halftone e que contou com trabalho de selecção de João Palla. Em Leiria, a exposição teve curadoria de João Ferreira, que lançou o mote a Sofia Mota para voltar a expor na sua cidade natal. O convite formal partiu de Sofia Carreira, coordenadora do MIMO.

“Um momento único”

Este é um “trabalho documental” que segue a linha dos muitos projectos que Sofia Mota tem feito na área da fotografia, que já lhe

“Queria abarcar a representação do Canídromo (...). Não no sentido de exaltação, bem pelo contrário, pois sou totalmente contra as corridas de galgos.”

valeram a distinção como talento revelação em 2013 da revista Camera.Doc, com a série “Mistérios da Fé...!”, sobre o ambiente de peregrinação no santuário de Fátima.

“Em 2015 levei a Leiria um trabalho sobre a vida quotidiana de um bairro de Pequim, mas este trabalho é diferente, pois é de um momento único que não se repete. Foi o trazer uma realidade desconhecida das corridas que estão intrinsecamente ligadas a Macau. Quis dar a conhecer esta situação e mostrar é sempre gratificante, pois Leiria é a minha cidade natal e Macau é o lugar onde vivo.”

Ao fotografar, Sofia Mota não quis focar-se apenas nas corridas ou nos cães, mas em todo o ambiente. “É um projecto com um cariz afectivo, abrangendo também a parte do tratamento dos animais, que não era dos melhores. É também um trabalho de celebração do fim tardio do Canídromo.”

“Queria abarcar a representação do Canídromo nas suas várias facetas, que vão desde as bilheteiras, ao público, à preparação dos cães para entrar nas corridas, a comunicação de cabine, dos relatos das apostas. Não no sentido de

exaltação, bem pelo contrário, pois sou totalmente contra as corridas de galgos e com animais no geral, e o fim do Canídromo representa o fim desta atrocidade.”

“É um projecto com um cariz afectivo, abrangendo também a parte do tratamento dos animais, que não era dos melhores. É também um trabalho de celebração do fim tardio do Canídromo.”

A imagem preferida de Sofia Mota é, precisamente, a última que surge exposta nas paredes do MIMO. “Vê-se apenas um cão a sair da pista, a sair de cena. É uma imagem carregada de simbolismo”, adiantou. A mostra “A Última Corrida” foi inaugurada a 8 de Dezembro e pode ser visitada até 12 de Março. Andreia Sofia Silva

A escolha da crítica

“Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo” e “Better Call Saul” triunfam em LA

Ofilme “Tudo Em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” e a série “Better Call Saul” foram os grandes vencedores da 28.ª edição dos Critics Choice Awards, prémios da Associação dos Críticos entregues na madrugada passada em Los Angeles.

A noite consagrou ainda Cate Blanchett como Melhor Actriz por “Tár” e Angela Bassett como Melhor Actriz Secundária por “Black Panther: Wakanda Para Sempre”. Brendan Fraser, considerado o Melhor Actor por “A Baleia”, foi levado às lágrimas quando subiu ao palco para receber a estatueta.

Mas foi “Tudo Em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” que dominou a noite ao receber cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização para Daniel Kwan e Daniel Scheinert, Melhor Actor Secundário para Ke Huy Quan, Melhor Argumento Original e Melhor Edição (Paul Rogers).

“Isto é um absurdo”, disse o co-realizador Daniel Scheinert, visivelmente surpreendido pela vitória do filme. “Este prémio é dedicado ao meu pai, um imigrante de Taiwan que trabalhou até à morte”, disse também um dos produtores do filme, Jonathan Wang, agradecendo a todo os pais imigrantes que “dariam a vida” pelos filhos.

Antes da consagração final, já Ke Huy Quan tinha passado pelo palco “tentando não chorar”, num discurso emocionado sobre a segunda vida da sua carreira depois de décadas afastado da ribalta.

Brendan Fraser, ele próprio a passar por um renascimento em Hollywood, não conseguiu conter a emoção quando discursou após triunfar em “A Baleia”.

“Este filme é sobre amor e redenção. É sobre encontrar a luz num lugar escuro”, afirmou Brendan Fraser, com a voz

embargada. Para os que lutam contra a obesidade ou sentem que estão num lugar escuro, disse o actor, “quero que saibam que se tiverem a força de se porem de pé e caminharem em direcção à luz, coisas boas vão acontecer”.

Numa noite recheada de estrelas, em que o actor Jeff Bridges recebeu o prémio carreira, um dos discursos mais desconcertantes foi o de Cate Blanchett, que criticou a “corrida de cavalos” destas cerimónias de prémios em Hollywood.

“Adorava que mudássemos toda esta estrutura, esta pirâmide patriarcal em que alguém sobe ao topo”, afirmou, momentos depois de se rir com o facto de ter ganho e ter dito “estou tão velha”.

Ainda no cinema, Guillermo Del Toro levou para casa a estatueta pelo seu filme “Pinóquio” e disse, ao discursar, que “animar é dar uma alma a algo que não o tem” e que a animação “é o meio perfeito para endereçar grandes temas do universo, de quem somos”.

A produção indiana “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” foi premiada como Melhor Filme em Língua Estrangeira e a sua canção “Naatu Naatu” também venceu a categoria de Melhor Canção. “Glass Onion: Um Mistério Knives Out” foi o Melhor Filme de Comédia.

Pequeno ecrã

Na televisão, “Better Call Saul” saiu vitoriosa com três prémios: Melhor Série Dramática, Melhor Actor em série dramática para Bob Odenkirk e Melhor Actor Secundário para Giancarlo Esposito.

A Melhor Minissérie foi “The Dropout: A História de Uma Fraude”, que também deu a Amanda Seyfried a estatueta de Melhor Actriz na categoria, e “Abbott Elementary” foi a Melhor Série de Comédia, dando ainda a Sheryl Lee Ralph o prémio de Melhor Actriz Secundária em comédia.

Jennifer Coolidge venceu como Melhor Actriz Secundária em série dramática por “The White Lotus” e Paul Walter Hauser foi o Melhor Actor Secundário na mesma categoria por “Black Bird”. Zendaya foi a Melhor Actriz em série dramática por “Euphoria”.

A 28.ª edição dos prémios da Associação de Críticos decorreu no Fairmont Century Plaza e reuniu os maiores pesos-pesados da indústria, premiando o melhor do cinema e televisão no último ano.

eventos 13 terça-feira 17.1.2023 www.hojemacau.com.mo
SOFIA MOTA FOTÓGRAFA

UM LIVRO HOJE

“HUMILHADOS E OFENDIDOS” | FIODOR DOSTOIEVSKI

Seguindo a linha de reflexão das grandes questões morais e condição humana, “Humilhados e Ofendidos” é um típico livro de Dostoievski. O romance do incontornável autor russo junta na mesma narrativa histórias de um escritor, de uma família que vive na miséria e de um príncipe. Com a prosa que o eternizou, Fiodor Dostoievski retrata como ninguém a tensão psicológica de personagens à beira da ruptura socioeconómica, moral e psicológica. “Humilhados e Ofendidos”, apesar de não ter a dimensão de “Crime e castigo”, “Os Irmãos Karamazov” ou “Recordações da Casa dos Mortos”, é um livro essencial em qualquer biblioteca que se preze. João Luz

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

Um filme de: Tomohisa Taguchi 14.30, 19.30

AVATAR: THE WAY OF THE WATER [C] Um filme de: James Cameron Com: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver 16.00, 21.00

SALA 3 M3GAN [C] Um filme de: Gerard Johnstone Com: Allison Williams, Violet McGraw, Ronny Chieng 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; Julie Oyang; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22,

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AUMENTAR A IDADE DA REFORMA

A COMUNICAÇÃO social assinalou a semana passada que o Governo francês propôs o aumento da idade da reforma para 62/64 anos. Além do aumento da idade, para ter direito à pensão completa os trabalhadores terão de ter 43 anos de descontos. A proposta vai ser debatida no Parlamento francês no próximo mês de Fevereiro, mas os sindicatos já estão a agendar greves de protesto.

Actualmente, os vários países e regiões têm diferentes idades de reforma. Na China continental, os homens reformam-se aos 60 anos e as mulheres aos 50. No entanto, a China implementou um sistema que prevê o alargamento da idade de reforma. A partir de 1 de Março de 2022, em Jiangsu, desde que o trabalhador concorde, pode adiar pelo menos por um ano a sua reforma.

Em Hong Kong não existe legislação que regule a idade da reforma, mas os funcionários públicos aposentam-se aos 65 anos e os membros das forças de segurança aos 60. O Regime do Fundo de Previdência Obrigatório de Hong Kong estipula claramente que os residentes têm de ter pelo menos 65 anos para poderem usufruir dos seus benefícios. Além disso, Hong Kong também tem outros apoios sociais para pessoas com mais de 65 anos, como as habitações para seniores, cartões para residentes seniores e pensões de velhice.

Em Macau a idade de reforma para os funcionários públicos é 65 anos, e também podem usufruir de habitações para a terceira idade, pensões de velhice e cartões de trans portes com descontos.

Em Abril de 2022, o Japão implementou a “Emenda à Lei da Segurança no Emprego para Cidadãos Seniores” e aumentou a idade da reforma dos 65 para os 70 anos. Esta disposição é puramente voluntária e não obrigatória por lei. O Japão também tem um sistema de pensões e os cidadãos japoneses que atingem a idade de 65 podem recebê-la.

A idade de reforma nos Estados Unidos varia consoante o ano de nascimento do trabalhador. Quem nasceu antes de 1960, reforma-se aos 62 anos. Quem nasceu de

pois de 1960 reforma-se aos 67. Os Estados Unidos têm um sistema de pensões, e o montante da reforma é calculado a partir dos

avanço da ciência e da tecnologia na área da saúde, a esperança média de vida aumenta. A idade média de reforma em Hong Kong e em Macau é de 65 anos, o que quer dizer que, em média, depois da reforma uma pessoa viverá mais 20 anos. Imaginando que esta pessoa terá uma carreira de 43 anos de trabalho, vai precisar de se preparar para um ano de reforma a cada dois anos de trabalho, e este encargo financeiro é significativo.

A pensão que o Governo proporciona aos residentes faz parte da sua responsabilidade de cuidar dos idosos. Com o crescimento da população idosa, a sociedade exige que as pensões sejam cada vez mais altas e o encargo do Governo torna-se cada vez mais pesado. Embora todos se devam preparar para a reforma e ter um plano de pensão privado, mas, como podemos ver pelo exemplo acima mencionado, isso implica que a cada dois anos de trabalho deva poupar para um ano de reforma, o que representa um elevado encargo financeiro. Uma maneira de resolver este problema é aumentar a idade da reforma.

Aumentar a idade da reforma significa que as pessoas podem trabalhar por mais alguns anos. Durante esse período, o Governo pode arrecadar mais impostos e a população activa da cidade não diminui. Os trabalhadores mais velhos com uma larga experiência e grandes aptidões profissionais são sempre úteis nas empresas. Claro que a produtividade pode decair com a idade. No entanto, o lado negativo desta situação, como os franceses nos lembraram ao combaterem a proposta de alargamento da idade da reforma, é as pessoas não puderem desfrutar com tranquilidade do descanso que merecem ao fim de uma vida de trabalho.

O regime de segurança social de Macau exige que as pessoas trabalhem pelo menos 30 anos antes de receberem na totalidade a pensão de velhice de 4.862 patacas. Como, a partir de 2026 Macau passará a ser uma sociedade envelhecida, o pagamento de pensões vai aumentar. O aumento da idade de reforma em Macau é um factor a ser considerado.

vozes 15 terça-feira 17.1.2023 www.hojemacau.com.mo
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Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
O lado negativo desta situação, como os franceses nos lembraram ao combaterem a proposta de alargamento da idade da reforma, é as pessoas não puderem desfrutar com tranquilidade do descanso que merecem ao fim de uma vida de trabalho
macau visto de hong kong David Chan

SMG Temperaturas abaixo de 10º nos próximos dias

Os Serviços Metereológicos e Geofísicos (SMG) prevêem que a temperatura seja inferior a dez graus centígrados nos próximos dias devido à passagem de uma “forte monção”. Desta forma, é feito um apelo para que a população se proteja das baixas temperaturas, sobretudo os idosos e portadores de doenças crónicas, dado existir o risco elevado de casos de hipotermia.

Edifício

Sing Vo Incêndio

na Rua das Alabardas

Um incêndio deflagrou no domingo no edifício Sing Vo, na Rua das Alabardas, mas apesar do aparato não causou qualquer ferido, de acordo com o jornal Ou Mun. As autoridades foram chamadas para o local por volta das 19h, numa altura em que as chamas destruíram as janelas da unidade no rés-do-chão, o que fez com que o passeio ficasse cheio de estilhaços. No local, as autoridades apagaram o incêndio, sem necessidade de evacuar o edifício ou transportar qualquer morador para o hospital. Suspeita-se que as chamas tenham tido origem no curto-circuito relacionado com um painel de publicidade.

Fundo de Pensões Ho Chi Leong tomou posse ontem

Ho Chi Leong prestou juramento e tomou posse ontem como vice-presidente do Conselho de Administração do Fundo de Pensões (FP). A cerimónia foi presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, e contou com a presença do chefe do gabinete, Lam Chi Long, como testemunha. Na cerimónia, André Cheong incentivou o pessoal do FP a esforçar-se, no sentido de desenvolver uma boa gestão dos fundos para a aposentação dos trabalhadores dos serviços públicos. Ho Chi Leong agradeceu a confiança e referiu “que o novo posto de trabalho é uma responsabilidade”.

Covid-19 Atendidas mais de 40 mil chamadas desde 14 Dezembro

Foram atendidas mais de 40 mil chamadas no âmbito da covid-19 entre os dias 14 de Dezembro e 15 de Janeiro. Segundo uma nota do Centro de coordenação e de contingência, “com a atenuação da situação epidémica de Macau, o número de chamadas recebidas pela referida linha aberta diminuiu significativamente, tendo nos últimos dias passado de algumas dezenas para menos de dez por dia”. Desta forma, a linha deixará de funcionar a partir de hoje. Como alternativa, “os cidadãos podem entrar directamente em contacto com as instituições médicas” caso necessitem de algum tipo de apoio. Para informações sobre as medidas anti-epidémicas, pode ser usada a linha aberta do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus: 28700800. Em caso de necessidade de recorrer ao apoio emocional, pode ser contactada a linha aberta de aconselhamento psicológico disponibilizado pelo Instituto de Acção Social durante 24 horas: 28261126.

Destroços contam tragédia

Recuperadas caixas negras do avião que se despenhou nas montanhas do Nepal

AS autoridades nepalesas declararam ontem que um gravador de dados de voo e um gravador de voz de cabine foram recuperados do local da queda do avião no domingo em Pokhara, no Nepal, que provocou 68 mortos.

O porta-voz da Autoridade da Aviação Civil nepalesa, Jagannath Niraula, disse que as caixas foram encontradas ontem, um dia após a queda da aeronave ATR-72, que matou 68 das 72 pessoas a bordo.

Niraula disse que tudo que foi encontrado será entregue aos investigadores.

Pemba Sherpa, porta-voz da Yeti Airlines, também confirmou que os dados do voo e os gravadores de voz da cabine foram encontrados.

Mais dois corpos foram encontrados na manhã desta segunda-feira, dia de luto nacional decretado pelas autoridades no país.

“Até agora encontramos 68 corpos. Estamos a procurar mais quatro corpos (…). Estamos a rezar para que um milagre aconteça. Mas, a esperança de encontrar alguém vivo é nula”, disse Tek Bahadur KC, responsável pelo distrito de Taksi, onde o avião caiu.

Ainda não está claro quais foram as causas do acidente,

“Até agora encontramos 68 corpos. Estamos a procurar mais quatro corpos (…). Estamos a rezar para que um milagre aconteça. Mas, a esperança de encontrar alguém vivo é nula.”

o mais mortal do país em três décadas. O tempo estava ameno e sem vento no dia da queda da aeronave, segundo as autoridades locais.

Cenário surreal Uma testemunha, que filmou a aterragem do avião a partir da varanda de sua casa, disse ter visto a aeronave voar baixo antes de virar repentinamente para a esquerda.

“Fiquei chocado”, disse Diwas Bohora, citado pela agência de notícias Associated Press.

A Autoridade de Aviação Civil do Nepal disse que a aeronave estabeleceu contacto com o aeroporto pela última vez perto do desfiladeiro de Seti, no centro do país, às 10:50 antes de cair.

O avião tinha saído da capital Katmandu com destino a Pokhara, por volta das 10:30, e caiu durante a manobra de aproximação ao aeroporto internacional de Pokhara, no vale do rio Seti.

Idosos Pedida alternativa à utilização de códigos QR

O deputado Leong Hong Sai pediu ao Governo para ter em conta que nem todos os idosos sabem utilizar telemóveis ou conseguem ler os ecrãs. O pedido foi feito no âmbito da abertura da Fábrica de Pancões Iec Long e do facto das informações para os turistas só podem ser acedidas através da digitalização de um código QR. Leong Hong Sai pede assim alternativas. “Alguns idosos não sabem utilizar os produtos electrónicos inteligentes e têm problemas de visão. Em muitos pontos turísticos de Macau, existem sistemas electrónicos de guia turístico com códigos QR que permitem a consulta de informações, mas para esses idosos, isso é uma confusão”, pediu. “Caso haja condições, espero que a Administração disponibilize um serviço de marcação prévia de visitas guiadas no Passadiço da Antiga Fábrica de Panchões Iec Long”, acrescentou.

JAPÃO

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ÍNDIA MANOBRAS AÉREAS CONJUNTAS

OJapão

e a Índia iniciaram ontem as primeiras manobras aéreas conjuntas, anunciou o Ministério da Defesa japonês, num esforço para reforçar os laços de defesa face ao crescente poder militar da China.

A formação, que decorre na Base Aérea de Hyakuri (Ibaraki, nordeste de Tóquio) e envolve oito caças japoneses, vai prolongar-se até 26 de Janeiro, disse o ministério.

O exercício foi adiado devido à pandemia da covid-19, depois de ter sido acordado, pela primeira vez, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa dos dois países, numa reunião de segurança em Nova Deli, realizada em Novembro de 2019.

Em Setembro passado, os dois países concordaram em reforçar a colaboração em matéria de segurança com iniciativas concretas, tais como exercícios conjuntos destinados a “manter um Indo-Pacífico baseado no Estado de direito e livre de coerção”. Tanto o Japão como a Índia procuraram reforçar as capacidades militares em resposta à ascensão militar da China, com a qual Tóquio e Nova Deli têm disputas territoriais, e no contexto de tensões crescentes na região Ásia-Pacífico.

terça-feira 17.1.2023
“O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele.”
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Gustave Flaubert

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