Hoje Macau 3 JUL 2015 #3364

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hoje macau

Director carlos morais josé

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

s e x ta - f e i r a 3 d e j u l h o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 3 6 4

Aterros sem areia

vida no pátio

O Espinho no coração reportagem centrais

análise páginas 2-3

hojemacau

Violência sobre mulheres dispara

Maus hábitos Os dados da Comissão para os Assuntos das Mulheres revelam um aumento significativo dos casos de agressões sobre o género feminino: violência doméstica a subir 19%, violações 37% e o tráfico humano a registar um aumento de 52%. Os únicos dados positivos dizem respeito à diminuição do desemprego e a mais negócios criados por elas, o que aponta para a existência de uma mulher mais independente em Macau.

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Reflexões sobre o futuro Intangibilidade Paul chan wai chi

Agência Comercial Pico • 28721006

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Ter para ler

pags. 20-21

opinião

antónio conceição júnior

turismo

Pelos vistos manda a China política Página 5

h

O voo dos pássaros Encontros em Nanjing anabela canas

josé simões morais


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análise

hoje macau sexta-feira 3.7.2015

Aterros sem areia na RAEM, e males que

Poucos benefícios

Água sem espaço

Rodney Smith, Gary and Henry chasing butterfly, Beaufort, SC, 1996

ção. A hospitalidade lidera a economia da RAEM, onde se inclui a restauração, que efectivamente tem necessidade de se desfazer de quantidades muito significativas de vidro todos os dias. Em verdade, nem toda a areia serve para fazer vidro, mas todo o vasilhame de vidro que a RAEM destrói diariamente pode voltar ao estado de areia. Só precisa de ser triturado. O que não esteve sincronizado com esta plausível alteração de circunstâncias foram as soluções técnicas propostas para a construção dos novos aterros e as decisões que sobre elas foram produzidas.

apenas a aparência de se dar continuidade à paisagem convencional de cidade, ou seja, a aparência de uma paisagem urbana igual e infraestruturada como as outras. Na prática nenhuma vantagem, antes só prejuízo em relação a outras soluções. Vejamos. A maior parte dos edifícios a construir em aterros irão necessitar de caves. Ou seja, aterra-se agora para se escavar depois. Disso que bem poderia resultar que um comerciante atento e astuto combinaria o negócio de venda de areia com o negócio da escavação. Assim pode continuar a vender a vários a mesma areia. Mas, aparentemente, essa especificidade só afligiu planos urbanísticos de pormenor (i.e. planos públicos de urbanização). Já no Plano de Fecho da Baía da Praia Grande, gerido por iniciativa privada, nomeadamente no sector encostado à Av. Mário Soares, em vez de se aterrar completamente por enchimento, construíram-se logo no início as caves dos futuros edifícios, que só iriam crescer 15 anos mais tarde, e onde um ou outro ainda aguardam construção. O nível dos aterros construídos por enchimento é convencionalmente sempre o mínimo necessário, para assim poder ser económico. Por isso, a morfologia é convencionalmente a mais plana, que é a que serve para implantar grelhas urbanas igualmente convencionais. Ou seja, é tudo o mais simples e mais mínimo, mas também tudo o que há de mais tedioso. Aterros que, por serem excessivamente planos, não proporcionam adequadas condições de higiene e de conforto ambiental, porque são propícios à drenagem natural de líquidos e de gases, principalmente se o atrito da mole urbana é elevado e pouco propício à circulação atmosférica. Morfologias que, por serem indistintamente planas, são a razão por que a vulnerabilidade desses aterros não está apenas na sua frente marítima, mas por toda a sua extensão, e em nada esses aterros contribuem para a resiliência do espaço urbano em caso de inundação, sequer permitem definir cotas de refúgio e articular caminhos de evacuação e de resgate. Morfologias que não servem para nelas se instalarem, hospitais, quartéis de bombeiros ou centrais de operação contínua, se não recorrerem a sistemas de acesso e de circulação de emergência elevados. Morfologias que, exactamente por serem tão planas, é difícil resolver a drenagem de superfície por falta de inclinações. Por isso, aí se recorre extensivamente a estações de bombagem. Aquelas estações que a memória guarda quando falham, quando mais delas precisámos.

P

elo mundo inteiro existe suficiente disseminação de consciência de que, desde que foram regularizados a maioria dos rios do planeta, a produção e transporte de areia ao longo dos mesmos decresceu drasticamente. Areia que no seu destino final serviria para a natural e continua reconstrução de defesas costeiras equilibrando a natural e contínua erosão das tempestades marítimas. Mas também circunstâncias que determinaram outras proveniências para a obtenção desses materiais, nomeadamente por via do desmonte de topografias naturais. A prática na RAEM dos aterros por enchimento, com areia adquirida nas regiões vizinhas, tem também origem numa tradição de compromissos políticos e comerciais que se instalou em Macau desde os anos 80, e que estiveram à mesa de discussões tal como se o aeroporto de Macau deveria ser construído sobre aterro ou sobre estacas.

Em verdade, até então, os aterros em Macau faziam-se por açoramento natural do delta e com entulho, ou seja, fazia-se naturalmente, mas com uma ajudinha do homem, razão do largo período necessário à estabilização desses aterros. Presentemente, a areia tem que ser trazida mas é um bem cada vez mais raro e com utilizações mais prioritárias, nomeadamente nos sítios onde ela existe e onde faz falta. Isso é uma alteração de circunstâncias suficiente para que a “obrigação” de comprar areia a regiões vizinhas para construir aterros, possa sequer ser já do interesse das mesmas regiões que no passado asseguraram essa vantagem. Por isso, nada surpreende que presentemente não seja fácil ou célere a obtenção de areia para os aterros da RAEM, porque sequer a dimensão desses aterros é pequena. Presentemente, até a própria RAEM poderia estar a contribuir para a sua produ-

A única vantagem de se construir aterros por enchimento sobre o domínio hídrico, em alternativa a aterros por estacas, sobre espaços permanentemente inundados, como acontece na frente do Porto Interior, ou espaços temporariamente inundados, é

E é isso o que necessariamente acontece sempre que não é possível drenar a cidade directamente para o mar, e quando não existem espaços para guardar temporariamente a água da chuva. Num sistema de drenagem urbana que dependa das condições da maré,


análise 3

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Mário Duarte Duque*

vêm por bem frequentemente uma inundação que possa ser adiada é também uma inundação que pode ser evitada. Cisternas de chuva, é também aquilo que, por directiva europeia, qualquer particular é obrigado a garantir sempre que impermeabiliza o solo do seu terreno, e disso resulte descargas para além do que as redes públicas podem transportar em segurança. E porque não existem espaços na RAEM para guardar água da chuva temporariamente? Porque esses espaços foram cheios com areia. A mesma areia que cada vez está menos disponível, é cada vez mais cara, presentemente tarda a chegar à RAEM e protela a construam dos novos aterros.

“A ideia de que um aterro seco é mais seguro, ou que nele não se escondem “fantasmas da ópera” ou “terceiros homens” em subterrâneos alagados, é uma falsa percepção” Mas que em verdade nem era preciso, pelo menos nas mesmas quantidades convencionais, e que, para além do que é estritamente necessário, sequer se deveria usar. Areia que quando enche completamente o volume dos aterros dos estuários, nomeadamente em deltas cada vez mais urbanizados, é cada vez mais constrangimento para esses estuários tanto para acomodar picos

Old Docks Urban Renewal, Dublin, Ireland

de descargas fluviais, como para acomodar os picos de inundação da maré alta. Água que precisa de espaço que já não existe, volume hídrico que o planeamento da cidade roubou, se bem que só lhe aproveita a superfície. Razão porque os aterros necessitam de ser construídos cada vez mais altos, e razão porque transferem toda a vulnerabilidade para os aterros mais antigos, que foram construídos a níveis mais baixos, enquanto ainda havia espaço para a água se espraiar no delta. Um aterro sobre estacas não precisa de ser compactado nem precisa de aguardar pela sua estabilização. Pode adoptar qualquer topografia e tem Marilyn-Monroe nas filmagens de Seven Year Itch, 1948 a mesma liberdade morfológica que qualquer objecto de arquitectura. O mesmo já não se passa com um aterro sobre areia, ar muito mais fresco que o ar à superfície. onde qualquer variação de volume tem re- Ar que pode ser directamente injectado nos percussões irrazoáveis no seu custo. edifícios após tratamento e que pode ser Um aterro marítimo sobre estacas sequer directamente injectado no meio urbano sem precisa de um sistema de drenagem pluvial, qualquer tratamento. Ar que é ainda mais pelo mesmo motivo que uma criança com fresco que o que Marilyn Monroe procurava calças com o “gancho” aberto também não nos ventiladores de metro no pico do Verão precisa de fraldas. Em verdade, a preocupa- de Nova York, em The Seventh Year Itch. ção mais remota de um habitante de uma casa E isso acontece tão simplesmente pela razão palafita é cuidar para onde vai encaminhar de a água precisar de muito mais energia para a água da chuva. aquecer que qualquer outro material da cidade, Um aterro marítimo sobre estacas tam- seja o betão, seja o asfalto, seja qualquer matebém guarda nas suas caves um pulmão de rial de revestimento de um edifício.

Pontes Cais, Macau

A conversão da radiação solar em radiação térmica feita pela água é comparativamente mais baixa que em qualquer outro material convencional da cidade. A conversão é até nula se a água estiver sombreada em caves. A temperatura será ainda mais baixa se, por comunicação, a equalização da temperatura da água se fizer com os fundos marítimos. Por outras palavras, na água é possível “afundar” calor. E será que precisamos de fazer aterros para construir estruturas ambientais de parques, jardins e relvados, onde se restringe a circulação dos utentes a caminhos e passadiços, quando um dos biomas locais é exactamente o Mangal? A ideia de que um aterro seco é mais seguro, ou que nele não se escondem “fantasmas da ópera” ou “terceiros homens” em subterrâneos alagados, é uma falsa percepção. Em verdade, em aterros secos nada está facilitado e tudo é complicado, está longe de ser um aterro mais seguro, e configura soluções que, presentemente, são contempladas como muito pouco sustentáveis e muito pouco racionais. Mas também é a confrontação com alterações de circunstâncias que nos obriga a pensar fora da “caixa” habitual. “Caixa” que tendencialmente se esvazia, até que muito pouco permaneça com que se possa trabalhar. Insistir nessa mesma “caixa”, na RAEM, é motor para uma imagem de cidade muito tediosa e nada engenhosa. Uma cidade que renega tanto a invenção como renega a sua história de água, da qual ganhou medo sem nenhum acontecimento trágico, apenas porque simplesmente deixou de saber viver com água. *Arquitecto e investigador


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política

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BIR Consulta sobre mudança de género agrada a activistas

A sociedade vai dar a sua opinião sobre a possibilidade de alteração de género nos documentos oficiais. Apesar de ser uma meta difícil, activistas e juristas consideram que este momento político deve ser usado para informar a população sobre o tema

“C

laro que concordo com a consulta pública”, começa por afirmar Anthony Lam, presidente da Associação Arco-Íris, quando questionado sobre a consulta pública que deverá ser levada a cabo para a possibilidade de mudança de género nos documentos de identificação. O activista admite que “mesmo não sabendo o que surgirá da consulta é sempre bom existir uma oportunidade para a sociedade debater este assunto”. Em causa está a possibilidade de os transexuais terem o direito de alterar o género nos seus documentos de identificação, depois de fazerem as operações de mudança de sexo. Recorde-se que há pelo menos dois casos conhecidos de

antónio falcão

A ocasião faz a informação

pessoas que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo e que não podem alterar os dados nos documentos de Macau devido às lacunas da lei. Jason Chao, activista e membro da mesma Associação, considera “óptimo” que o tema vá a consulta pública, algo “bastante positivo para a Bella [um dos casos mencionados] e para quem defende os seus direitos”, disse ao HM. Questionado sobre a aceitação da matéria pela população, Chao mostrou-se confiante de que os residentes mais novos vão concordar com a possibilidade de mudança de género nos documentos de identificação. “Com os jovens estou bem confiante, mas não tanto com os mais velhos”, disse.

Quanto ao que as pessoas dizem, Jason Chao sublinha que “tudo depende da forma como se explica às pessoas do que se trata”, considerando que uma auscultação social é importante para esclarecer a população sobre um assunto que não parece estar assim tão democratizado.

“Esta é a oportunidade que se pretendia, dar a conhecer à população os direitos dos seres humanos” Anthony Lam Presidente da Associação Arco-Íris

Para Anthony Lam, a vontade é que a consulta pública seja um caso de sucesso e de aceitação por parte da população, mas sendo a primeira vez que este assunto é trazido para discussão pública torna-se um pouco mais difícil atingir o objectivo. Independentemente do resultado, sublinhou, “a consulta é uma oportunidade para informar a população sobre o assunto”. “Esta é a oportunidade que se pretendia, dar a conhecer à população os direitos dos seres humanos”, rematou.

A lei como ela é

Esta é uma questão marcada pela “mania de dar ideia de uma democracia que não existe”, defendeu o advogado Pedro Leal, sublinhando

que “fazem-se consultas públicas por tudo e por nada”. Na opinião do jurista, este é um tema sobre o qual até os próprios profissionais da área de Direito têm dúvidas. “Tenho muitas dúvidas e nem sei bem como deveria tomar uma decisão e eu sou jurista, tenho alguma formação, portanto penso que a sociedade de Macau não está preparada para dar uma opinião sobre um assunto destes”, argumenta. Sem formação e preparação, o resultado é claro: opiniões pessoais, do ponto de vista moral e cultural sobre questões jurídicas, que é o que se “pretende com esta consulta”. “É necessário que a própria sociedade admita culturalmente que se possa fazer essa mudança de sexo. Isto tem consequências a nível moral, ético.... há muita coisa em jogo, e está muito relacionado com a cultura”, começa por esclarecer Miguel de Senna Fernandes, também advogado. Mostrando-se a favor da autorização de mudança de género nos documentos oficiais, Miguel de Senna Fernandes, considera que é de direito e dever de qualquer pessoa ver “este desejo de alteração realizado”. Quanto aos resultados, o advogado considera que a consulta pública está directamente relacionado com a sensibilidade da população. “Macau continua a ser uma sociedade muito conservadora, portanto há muita coisa que não vai passar porque choca a comunidade. Não há mal nisto, é uma característica desta sociedade”, argumenta, frisando que duvida que “Macau esteja preparado para assumir esta alteração”. Ainda assim é, no seu ponto de vista, “importante que se faça esta consulta pública”. Filipa Araújo (com Leonor Sá Machado) filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Habitação Económica Documento de revisão concluído em Agosto

A despachar candidaturas A

proposta de Lei da Habitação Económica poderá estar concluída já no próximo mês e a cláusula que os deputados consideram mais urgente de implementar está relacionada com a aceleração do processo de selecção dos candidatos. “Esta proposta de lei [da Habitação Económica] visa a introdução de uma nova regra que é a de sorteio primeiro e apreciação depois, com vista a elevar a eficiência dos procedimentos administrativos”, anunciou o presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), Chan Chak Mo. “Entendemos que esta intenção é razoável e justificável porque se não, segundo o regime vigente, há que despender

muito tempo e só depois se sabem os resultados destes”, continuou o também empresário.

Pequenos ajustes

De acordo com notícia da Rádio Macau, esta proposta vem alterar apenas alguns pontos do documento legislativo actualmente em vigor. Assim, ficam à margem questões mais globais, como é o esquema de compensação destinado aos candidatos excluídos da selecção, mas que vencem mais tarde o recurso para atribuição de uma casa. “Se não houver casas disponíveis, o indivíduo vai ser compensado sob forma de dinheiro”, acrescentou Chan Chak Mo, à margem da reunião de ontem, na AL. O parecer

está prestes a ser assinado, dois meses depois do assunto ter começado a ser discutido em sede de Comissão. A legislação actual tem notória falha que, de acordo com a população e os deputados, vem agora ser emendada com a revisão parcial. É que hoje em dia, a atribuição de casas económica passa por um processo que começa na inscrição dos requerentes que são depois escolhidos por sorteio. No entanto, o número de vagas é sempre limitado e menor do que o de inscritos e a lei actual manda que o processo volte ao início depois da atribuição da primeira fase. Tal faz com que os restantes candidatos fiquem em lista de espera e o processo seja duplamente mais demorado.

Aumento de penas para condução com álcool e droga adiado

O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, revelou que ainda não foi decidido se o aumento da penalidade de condução sob efeito de álcool e droga entra nesta sessão da Assembleia Legislativa (AL), mas o responsável diz que tal não deverá acontecer. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, Wong Sio Chak, junto com os Secretários para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, decidiram que é necessário na actual fase haver mais discussão e pesquisa de dados antes de decidir se deverá ser aumentada a penalidade.


política 5

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“A lei, no que se refere ao PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração), traz uma exigência bastante grande e vamos tentar apresentar os dados à AL atempadamente”

Lei do Orçamento Garantida mais fiscalização da AL A consulta pública sobre a nova Lei do Enquadramento Orçamental arranca na próxima “Para a semana vamos ter uma apresentação sobre a consulta pública semana. Os e em meados de Julho vamos ter uma sessão de esclarecimento sobre a novos dirigentes nova lei. Esperamos que haja uma grande afluência das pessoas para da Direcção que apresentem as suas opiniões e para que possamos aperfeiçoar a lei”, dos Serviços de disse Iong Kong Leong. Finanças garantem Tendo levantado a ponta do véu relativamente ao conteúdo que o diploma do documento de consulta, Ho In Mui garantiu que uma maior fiscavai garantir maior lização por parte dos deputados da Assembleia Legislativa (AL) ficará fiscalização dos garantida no diploma. “A lei, no que se refere ao deputados à PIDDA (Plano de Investimentos execução do PIDDA e Despesas de Desenvolvimento

É só fazer as contas

O

Governo apresentou finalmente um calendário para o arranque da consulta pública sobre a nova Lei do Enquadramento Orçamental, que começa já no próximo dia 7 deste mês, tendo a duração de 45 dias. A confirmação foi feita à margem da cerimónia de tomada de posse de Iong Kong Leong e Ho In Mui Silvestre, como director e sub-directora da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF).

Ho In Mui Sub-directora da Direcção dos Serviços de Finanças

da Administração), traz uma exigência bastante grande e vamos tentar apresentar os dados à AL atempadamente. O objectivo é que os deputados e a população tenham conhecimento da situação de cada projecto. Também vamos pedir dados trimestrais para que possam ver o desempenho do PIDDA”, explicou a sub-directora da DSF.

Maior controlo

O novo diploma poderá ainda conter regras mais apertadas quanto à apresentação das contas e do

Diploma dos Notários Privados também em revisão

Estatuto dos Contabilistas no segundo semestre

Outro diploma que também está a ser alvo de mudanças é o Estatuto dos Notários Privados. Segundo um comunicado, o novo regime jurídico poderá fazer regressar o curso de formação de notários privados, para além de ser considerado necessário “fixar um limite máximo acerca do número dos notários privados, por forma a obter um equilíbrio do número de notários privados entre a sua procura no mercado e o número considerado adequado”.

Iong Kong Leong garantiu que o novo Estatuto dos Contabilistas deverá ficar concluído no segundo semestre deste ano, sendo também outra das prioridades, por forma a fazer a “promoção da articulação do sector contabilístico em conformidade com o padrão aceite internacionalmente, para servir de base ao reconhecimento internacional das habilitações profissionais”.

Vistos Retrocesso nos dias em trânsito é “política do Governo Central”

A China é quem mais ordena L ionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, diz que o retrocesso na medida que impedia os portadores de passaporte chinês de ficarem em Macau mais de cinco dias quando em trânsito se deve a uma articulação com políticas do Governo Central. Já Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança, admite que a diminuição ajudou no combate às ilegalidades, mas salienta que Macau tem de seguir as políticas da China. Ontem, à margem da tomada de posse da nova direcção dos Serviços de Finanças, Lionel Leong não quis comentar

eventuais impactos da nova medida de extensão dos vistos dos turistas chineses em trânsito, de cinco para sete dias. “Essa é uma estratégia do Governo Central e estamos apenas a articular-nos com essa política. É claro que estamos satisfeitos com essa política. Em relação ao impacto que pode trazer, ontem foi o

primeiro dia, ainda não temos os dados concretos. O que estamos a fazer tem a ver com a política do Governo Central e temos de levar a cabo esses trabalhos”, referiu o Secretário para a Economia e Finanças.

Atentos a abusos

Wong Sio Chak diz que a medida vai fazer jus à definição de Macau enquanto “plataforma e cidade turística”, ainda que tenha garantido que as ilegalidades diminuíram o ano passado depois da introdução da medida. O Secretário garante, contudo, que vai ter em conta se “vão aumentar

as situações de abuso” e que, caso aconteça e haja problemas com a segurança”, vai avaliar a medida, que poderá ser ajustada oportunamente. Recorde-se que foi esta semana anunciado que o Governo recuou na medida imposta o ano passado. Uma medida implementada precisamente para contrariar uma tendência ilegal, mas que agora é retirada sem sequer se darem detalhes, como criticou a deputada Ella Lei. Assim, os portadores de passaporte chinês em trânsito no território voltam a ter autorização para ficar sete dias em Macau. A.S.S./J.F./F.F.

andamento dos projectos. “Com a nova lei, temos em consideração a aplicação do PIDDA nas grandes obras, para que tenham de apresentar mais dados em termos de contabilidade e da sua execução. Temos de seguir a Lei Básica para a execução desses orçamentos, mas depois a análise concreta de cada projecto vai depender dos serviços. A previsão [orçamental] será sempre uma referência”, acrescentou Ho In Mui. No seu discurso de tomada de posse, Iong Kong Leong considerou que a implementação deste diploma é um dos trabalhos prioritários da DSF para este ano, para além de “fomentar a fiscalização pública em relação à aplicação de dinheiros públicos pelo Governo e a elevação da eficácia da aplicação dos recursos financeiros”. Já Lionel Leong confirmou que “uma maioria dos planos da DSF implica uma reforma de acordo com o desenvolvimento dos tempos”, tendo deixado rasgados elogios à anterior directora, Vitória da Conceição. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Lo Pin Heng nova subdirectora dos Serviços de Identificação

Lo Pin Heng foi ontem empossada como nova subdirectora dos Serviços de Identificação (DSI), cerimónia que contou com a presença da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan. Lo é licenciada em Direito pela Universidade de Macau e tem o bacharelato em Tradução e Interpretação de Chinês para Português, do Instituto Politécnico de Macau. De acordo com comunicado, a subdirectora pretende “prosseguir a optimização permanente do processo da gestão interna, aumentar o desempenho de trabalho”, entre outras funções. Lo ingressou na Função Pública da RAEM em 2006, tendo começado na DSI no ano seguinte. Além de ter sido chefia funcional do Grupo de Apoio à DSI, foi também chefe substituta de dois outros departamentos e subdirectora substituta da mesma Direcção desde Dezembro do ano passado.


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EDITAL Edital n.º :15/E-BC/2015 Processo n.º :444/BC/2015/F e 529/BC/2015/F Assunto :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua 1.º de Maio n.º 352, Edf. LA CITÉ, Bloco 4,Macau. Cheong Ion Man, subdirector substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber por este meio aos donos da obra e proprietários das fracções abaixo indicadas, o seguinte: 1.

Processo n.º 444/BC/2015/F. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte:

Fracção Andar

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13 14

IVB13 IVC14

Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

1.32

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IVD14

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Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

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Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

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1.74

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27

IVE27

Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de chapa metálica, suporte metálico e cobertura metálica na parede Obs.1 exterior do edifício junto à varanda da fracção. Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção. Fechamento da varanda com janela de Obs.1 vidro.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.


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30

IVB30

1.82

C

30

IVC30

1.130

A

46

IVA46

1.83

D

30

IVD30

1.84

E

30

IVE30

1.131

B

46

IVB46

1.85

A

31

IVA31

1.132

D

46

IVD46

1.86

B

31

IVB31

1.87

C

31

IVC31

1.88

C

32

IVC32

1.89

E

32

IVE32

1.90

B

33

IVB33

1.91

A

34

IVA34

1.92

C

34

IVC34

1.93

E

34

IVE34

1.94

A

35

IVA35

1.95

B

35

IVB35

1.96

C

35

IVC35

1.97

D

35

IVD35

1.98

E

35

IVE35

1.99

B

36

IVB36

1.100

C

36

IVC36

1.101

B

37

IVB37

1.102

C

37

IVC37

1.103

E

37

IVE37

1.104

A

38

IVA38

1.105

C

38

IVC38

1.106

A

39

IVA39

1.107

B

39

IVB39

1.108

C

39

IVC39

1.109

E

39

IVE39

1.110

A

40

IVA40

1.111

B

40

IVB40

1.112

A

41

IVA41

1.113

B

41

IVB41

1.114

E

41

IVE41

1.115

A

42

IVA42

1.116

B

42

IVB42

1.117

C

42

IVC42

1.118

E

42

IVE42

1.119

A

43

IVA43

1.120

B

43

IVB43

1.121

E

43

IVE43

1.122

A

44

IVA44

1.123

B

44

IVB44

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

1.133

E

46

IVE46

1.134

A

47

IVA47

1.135

C

47

IVC47

1.136

D

47

IVD47

1.137

E

47

IVE47

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção. Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção. Instalação de laje metálica, cobertura metálica e janela de vidro na parede Obs.1 exterior do edifício junto à varanda da fracção. Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção. Instalação de laje metálica, suporte metálico e cobertura metálica na parede Obs.1 exterior do edifício junto à varanda da fracção. Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Obs.1: Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

2.

Processo n.º 529/BC/2015/F. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte:

Fracção Andar

2.1

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

D

31

CRP

Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Instalação de gaiola metálica na parede IVD31 exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Obs.1: Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. 3.

As varandas e janelas acima referidas são consideradas como pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídas com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.) de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas nos pontos 1 e 2 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

4.

Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.

5.

Considerando a matéria referida nos pontos 3 e 4 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

6.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

Instalação de gaiola metálica na parede exterior do edifício junto à varanda da Obs.1 fracção.

Aos 1 de Junho de 2015

Instalação de gradeamento metálico na Obs.1 varanda da fracção.

Pelo Director dos Serviços O Subdirector, Subst.º Cheong Ion Man


sociedade

8

A nova base de dados da Comissão para os Assuntos das Mulheres revela que as mulheres de Macau trabalham mais fora de casa e criam mais negócios, mas também mostram que houve mais casos de violência doméstica, de violação e de tráfico humano

H

á mais mulheres a trabalhar fora de casa, que criam negócios e que até têm um salário mais elevado. Também acontecem mais divórcios e menos casamentos. Mas também é verdade que ocorreram mais casos de violência contra o sexo feminino. As conclusões são reveladas através da nova base de dados existente no website da Comissão para os Assuntos das Mulheres (CAM), que reúne dados de 20 serviços públicos de Macau, divididos em oito categorias e que pretendem mostrar a situação global da população feminina no território. A categoria “Mulher e Violência” mostra que vários casos de violência aumentaram entre 2013 e

37,5%

aumento dos casos de violação entre 2013 e 2014

Casinos Oito salas VIP estão em apuros

hoje macau sexta-feira 3.7.2015

CAM Mulheres mais independentes e mais vítimas também

Orgulho e preconceito

2014. Só a violência doméstica teve um aumento de 19,26%, enquanto que os casos de violação aumentaram 37,5%. Os casos de tráfico humano registaram a maior subida, com 52%, enquanto que o assédio sexual infantil aumentou 40%.

O outro lado

Apesar dos dados sobre violência não serem animadores, na área da economia os números mostram precisamente o oposto, dando a imagem de que a mulher de Macau está mais independente. Na categoria “Mulher, economia e segurança social”, pode ver-se que o índice de desemprego feminino baixou 20% no primeiro trimestre do ano, enquanto que a mediana do rendimento mensal aumentou mais de 10%. As mulheres de Macau também criaram mais negócios,

Com base em dados fornecidos pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Lionel Leong confirmou que há oito salas VIP nos casinos que “pediram o encerramento ou para despedir”. Houve ainda 59 casos de trabalhadores que pediram apoio à DSAL, confirmou o Secretário para a Economia e Finanças, ontem à margem da tomada de posse da nova direcção dos Serviços de Finanças. Leong garantiu que ainda não há registo de dívidas dos operadores junket junto dos bancos. “Segundo a AMCM (Autoridade Monetária e Cambial), não tenho quaisquer informações sobre falta de pagamento, mas vamos estar atentos, porque há um ajustamento registado nas receitas do Jogo há bastante tempo. Temos de ver os outros sectores associados. Não há registo de aumento de desemprego noutros sectores, mas vamos estar atentos.”

tendo-se registado um aumento de 11,03%. Por oposição, o número de mulheres que fez formação profissional baixou 47,99% o ano passado. Os dados são animadores também quanto ao índice de suicídios no feminino, que baixou 16,33%. Enquanto que os casamentos diminuíram 6,3%, os divórcios aumentaram 11,6% no primeiro trimestre do ano e também em 2014. Em Março deste ano, os casos de guarda paternal que deram entrada no Juízo de Famílias e de Menores, no Tribunal Judicial de

20%

descida do índice de desemprego

A

Base (TJB), aumentaram 20,43%, por comparação a Fevereiro. O site dá ainda conta que o número de mulheres que passaram o prazo legal de permanência em Macau aumentou 40,98% em 2014. Os dados cingem-se a percentagens, sendo que não há detalhes do número de casos, e não estão, ainda, disponíveis em Português. No website, a CAM afirma que vai continuar a fornecer mais dados e informações sobre a influência das mudanças sociais na vida das mulheres, por forma a disponibilizar materiais de referência a investigadores e serviços públicos. A CAM compromete-se a colaborar com o Governo na elaboração de políticas viradas para as mulheres, bem como serviços de apoio.

feminino no primeiro trimestre

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Piscina da Taipa reabre, mas Cheock Van ainda tem bactérias

J

á abriu a piscina do Parque Central da Taipa depois de estar encerrada por causa da bactéria E.Coli. A de Cheock Van, contudo, continua encerrada e o “número total das colónias do mesmo tipo de bactérias ultrapassou mesmo o limite máximo”, avança o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em resposta ao HM. O Ponto Final dava ontem conta que ambas as piscinas estavam encerradas devido à presença destas bactérias na água. O HM pediu mais informações ao IACM, que indica que durante as ins-

pecções periódicas da água das duas piscinas, realizadas a 30 de Junho e 1 de Julho, verificou-se que a quantidade de bactérias E. Coli na água da Piscina do Parque Central da Taipa ultrapassou ligeiramente o limite máximo estipulado, sendo que a de Coloane ultrapassou em muito. Assim, “para salvaguardar a salubridade pública, foi imposta imediatamente a suspensão temporária do funcionamento dessas piscinas e procedeu-se à lavagem e desinfecção completa de toda a área da Piscina do Parque Central da Taipa, nomea-

Jogo Acções sobem depois de anúncio de mais dias “em trânsito”

damente dos lavabos, dos balneários, da própria piscina e dos restantes espaços públicos”. Seguidamente, foi recolhida uma nova amostra para análise e o resultado confirmou que a qualidade da água cumpre com as normas sanitárias estipuladas, pelo que a piscina foi reaberta. Já a Piscina de Cheock Van continua encerrada para ser sujeita a lavagem e desinfecção e, em seguida, a uma nova inspecção. “A piscina será reaberta ao público assim que for confirmado que as normas sanitárias da qualidade da água são cumpridas”, diz o IACM.

s acções das operadoras dos casinos dispararam ontem, quase todas acima dos 10%, depois do Governo anunciar um alargamento dos vistos ‘em trânsito’, permitindo aos visitantes da China ficarem sete dias na cidade. Após uma década de constante subida, Macau registou a sua primeira queda anual nas receitas no ano passado, impulsionada pela campanha anti-corrupção do Presidente chinês, Xi Jinping. As empresas listadas na bolsa de Hong Kong têm vindo a registar perdas desde o ano passado, mas recuperaram após o anúncio do Governo de que iria estender o número de dias que os visitantes ‘em trânsito’ podem ficar em Macau, de cinco para sete. “Este é o primeiro sinal de flexibilização das políticas desde que a descida [das receitas] começou em Macau”, disse Anil Daswani, analista do Citigroup, citado pelo jornal Financial Times. “A política dos vistos ‘em trânsito’ atingiu significativamente o segmento de massas premium desde 2014 e esta reversão era muito necessária para reacender o volátil mercado de Macau”, afirmou. No ano passado, o prazo para a estadia ‘em trânsito’ foi reduzido de sete para cinco dias como forma de combater as frequentes violações às regras, segundo explicações avançadas pelo Executivo na altura. No entanto, as autoridades decidiram voltar a permitir estadias mais longas a partir de quarta-feira, dia 1, alegando que se verificou uma redução significativa de irregularidades e que esta medida se coaduna com o projecto económico da China da “Faixa Económica da Rota da Seda”. Os casinos fecharam Junho com receitas brutas de 17.355 milhões de patacas, uma queda de 36,2% face ao período homólogo de 2014, o pior mês desde Novembro de 2010.


sociedade 9

hoje macau sexta-feira 3.7.2015

Alexis Tam no encontro da AULP em Cabo-Verde

Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, vai participar na cerimónia de abertura do XXV Encontro da Associações das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) em Cabo Verde. Macau preside até 2017 à AULP e organiza o evento, que acontece entre 15 e 17 de Julho e que tem como temas centrais os “novos desafios para o ensino superior após os objectivos de desenvolvimento do milénio”. Segundo explicou à Rádio Macau o presidente da AULP, Rui Martins, haverá cinco subtemas a abordar neste encontro: “um deles é políticas e estratégias de cooperação para o desenvolvimento nos países de língua oficial portuguesa e perspectivas para o pós objectivos de desenvolvimento do milénio, o segundo tema é a difusão e desenvolvimento da Língua e Literatura Portuguesa. Depois a plataforma continental marítima e a presença do mar na cultura expressa em Português. O quinto dos assuntos é sobre os novos desafios das universidades membros da AULP”. Maria Fernanda da Costa, da Universidade de Macau, e Maria Antónia Espadinha, da Universidade de São José, são as oradoras de Macau neste encontro, onde, diz a rádio, “estão confirmados cerca de 250 participantes”.

Guiné Equatorial em estreia

A Guiné Equatorial vai, pela primeira vez, participar no encontro anual da AULP, que este ano decorre na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Tito Mba Ada, da Missão Permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vai falar sobre o papel do seu país no mundo da Língua Portuguesa, no primeiro dia do XXV encontro da AULP, segundo o programa disponível no portal da organização.

gonçalo lobo pinheiro

Português de língua e também de cultura O

pub

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

:10/E-OI/2015 :233/OI/2013/F e 111/OI/2015/F :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) :Rua 1.º de Maio n.º 352, Edf. LA CITÉ, Bloco 4, fracções 31.º andar D (CRP:IVD31) e 7.º andar C (CRP:IVC7), Macau.

Cheong Ion Man, subdirector substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber por este meio aos proprietários, donos da obra ou seus mandatários, aos encarregados da obra, aos técnico responsável pela obra e executores da obra existente no local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

Processo n.º: 233/OI/2013/F. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização das obras abaixa indicadas que infringiram o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que as obras são consideradas ilegais:

1.1 2.

UM reforça inter câmbio A Universidade de Macau (UM) vai assinar um acordo com a Direcção de Ensino Superior de Cabo Verde para reforçar o intercâmbio de alunos, num encontro que vai acontecer no âmbito do XXV Encontro das Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Será o reitor, Wei Zhao, o responsável pela assinatura do memorando. “Com base neste acordo iremos aceitar cinco alunos de Cabo Verde: três para licenciatura e dois de pós-graduação. Os alunos terão um apoio do Governo de Cabo Verde para a viagem, para a estadia e uma bolsa mensal. A UM irá atribuir a isenção de propinas, mas apenas a alunos que tenham uma média relativamente elevada, para promover que os melhores alunos venham para a UM”, explicou à Rádio Macau Rui Martins, vice-reitor da instituição.

A estreia da Guiné Equatorial no evento foi confirmada à agência Lusa por Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau. Rui Martins ressalvou, no entanto, que a Guiné Equatorial participa apenas na qualidade de observador, já que não é membro da associação.

Ana Paula Laborinho, presidente do Camões Instituto para a Cooperação, é uma das representantes no encontro por parte de Portugal. Fundada em 1986, a AULP reúne cerca de 150 universidades públicas e privadas e institutos politécnicos nos países da CPLP e em Macau.

Subsídio provisório de invalidez aumenta

O subsídio provisório de invalidez foi alvo de uma actualização e aumentou 170 patacas, fixando-se assim nas 3350 patacas mensais. Com o aumento, este subsídio fica com o mesmo valor que a pensão de invalidez do Fundo da Segurança Social (FSS). Recorde-se que este subsídio foi criado em Julho de 2014 como forma de ajudar os que não estão abrangidos Regime de Invalidez. Actualmente são 400 os beneficiários deste apoio.

Fracção

Andar

CRP

Obra

D

31

IVD31

1.1.1 Modificação de rede de abastecimento de água e de drenagem de água no interior da fracção.

Processo n.º :111/OI/2015/F. O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização da obra abaixa indicada que infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU), pelo que a obra é considerada ilegal:

2.1

Fracção

Andar

CRP

Obra

C

7

IVC7

2.1.1 Instalação de pala metálica na parede exterior do edifício junto à fracção.

3.

Nos termos do artigo 52.º do RGCU, pode ser ordenado que os infractores procedam à demolição da obra ilegal referida na subalínea 2.1.1, e à reposição da parte afectada de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços.

4.

Nos termos do artigo 53º do RGCU, o proprietário da fracção mencionada no ponto 1.1 deve apresentar, no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, o projecto de legalização da obra de modificação mencionada na subalínea 1.1.1 com visita à avaliação da possibilidade de legalização da mesma.

5.

Nos termos do artigo 65.º do RGCU, os infractores são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas.

6.

Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados podem apresentar a sua defesa por escrito e as demais provas para se pronunciar sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer diligências complementares no ponto 7 abaixo indicado, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data de publicação do presente edital.

7.

No entanto, os interessados podem proceder à demolição das obras ilegais acima indicadas por iniciativa própria, devendo entregar previamente nestes Serviços a declaração de responsabilidade do construtor incumbido da obra de demolição e a apólice de seguro contra acidentes de trabalho e doenças profissionais, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data de publicação do presente edital.

8.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).

Aos 1 de Junho de 2015

Pelo Director dos Serviços O Subdirector, Subst.º Cheong Ion Man


10 sociedade

Empresa diz apoiar alunos para entrar no Ensino Superior. GAES rejeita

Uma ajudinha para o canudo

superior, tendo dado a entender a existência de uma ligação “de forma passiva” com a Universidade de Macau (UM).

tiago alcântara

É o negócio perfeito: uma empresa ajudaria alunos a entrar no ensino superior, mesmo que não tenham notas para tal. O GAES diz que não é possível

hoje macau sexta-feira 3.7.2015

Desmentidos

U

ma empresa que presta apoio a quem quer sair da China, seja para trabalhar ou para estudar, publicou um anúncio no jornal Ou Mun onde diz que pode ajudar os alunos do interior da China que queiram entrar nas universidades locais. A empresa diz que não só disponibiliza apoio no processo de candidatura a quem não tiver boas notas nos exames do ensino secundário na China, como assegura que os alunos podem ainda ter acesso a “cinco mil patacas de desconto

nas propinas quando mostrarem o anúncio da empresa”. O caso foi divulgado pela publicação Macau Concelears, onde os pais de um aluno da China

apontaram que a empresa referiu ser possível que “os alunos frequentem cursos do ensino superior em Macau através da empresa, mesmo que as notas no exame de

Terrenos exigida mais transparência na publicação de dados

Chega de desculpas L am U Tou, representante da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM), criticou ontem a falta de transparência e de um mecanismo holístico de publicação de informações sobre os terrenos em Macau. Tal causa, de acordo com Lam, polémicas desnecessárias e falta de consenso relativamente ao planeamento urbanístico que se quer para a região. Segundo o Jornal Ou Mun, Lam U Tou sublinhou que o regime de édito das Plantas de Condições Urbanísticas (PCU) foi já “um grande avanço” no sentido de criar o tal mecanismo, mas referiu também que um dos deveres da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) passa por supervisionar as concessões ou revisões dos contratos de terrenos. No entanto, Lam disse ser pouco comum que a justificação do Governo para as perguntas da

população e do grupo especializado da Assembleia Legislativa seja sempre a mesma: estar a organizar todas as informações. “Esta medida contraria totalmente o princípio de informar o público e que está estipulada na Lei de Terras e na do Planeamento Urbanístico, porque não só prejudica o direito à informação das pessoas, como está a ajudar a semear uma raiz de desconfiança na gestão do Governo”, adiantou.

Má gestão?

O também vogal do Conselho Consultivo dos Assuntos para a Zona Central, levantou ainda uma outra questão: da sociedade estão a vir cada vez mais pedidos para a construção de habitação pública e social e diferentes departamentos do Executivo, explica, têm jogado a carta de que “não há terrenos” para tal. “Será que se trata mesmo de falta de lotes ou de uma gestão

mal feita pelas autoridades dando prioridade aos terrenos para diferentes utilidades?”, questionou. Lam U Tou pediu ao Executivo que criasse um mecanismo sistemático para a publicação de todas estas informações e respostas, dando lugar a uma discussão mais completa e objectivo sobre a natureza e destino dado aos terrenos, juntamente com a sociedade. F.F.

Inglês não correspondam aos critérios das instituições”. A empresa terá ainda dito aos pais que tem “vários anos de experiência” com o apoio a candidaturas ao ensino

À Macau Concelears, o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) garantiu que não fez qualquer aprovação para o trabalho desta empresa, sendo que a UM referiu que “o site oficial é a única forma de entregar as candidaturas”. O GAES disse ainda que as seis instituições do ensino superior “nunca autorizaram qualquer empresa local ou estrangeira a fazerem a inscrição de alunos”. O organismo apela ainda a que os alunos do interior da China “tenham atenção” às intenções de frequentar as universidades locais e que “não acreditem facilmente no anúncio” da empresa. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Trânsito pedida prisão em vez de multas

Vai tudo dentro C heong Sok Ieng não concorda com o actual regime que permite a substituição da pena de prisão por multa. A vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, e também membro da Associação Geral dos Moradores de Macau (Kaifong), sugere cancelar este regime quando as infracções de trânsito forem “graves”. Segundo o Jornal Exmoo News, Cheong relembra que a maioria das infracções de trânsito em Macau – excepto as que causem vítimas mortais – e que dão cadeia podem ser pagas em forma de multa, substituindo, assim, a pena de prisão. A vogal não concorda e dá como exemplo a região vizinha e o álcool. “Na cidade vizinha de Hong Kong, as punições para quem conduzir sob efeito de álcool são mais rigorosas”, diz, esclarecendo que, além de ser multada,

a pessoa pode perder a carta de condução durante vários anos. Em Macau, compara, a multa é menor e o máximo que uma carta pode ser retirada é durante um período de seis meses. Cheong considera que, desta forma, não há efeito de dissuasão sobre os condutores. “A sociedade tem pedido às autoridades que mostrem tolerância zero para a condução sob efeito do álcool. No entanto, o Governo não mostrou uma posição firme quando se discute o respectivo assunto na AL”, disse, apelando a que sejam revistos os respectivos regulamentos. A vogal quer ainda que se introduza um sistema de pontuação para as infracções e que se cancele o regulamento que permite substituir as penas por multas. “Não se pode deixar criar a ilusão de que o dinheiro pode resolver todos os problemas dos condutores”, rematou. F.F.


china

hoje macau sexta-feira 3.7.2015

Hong Kong Manifestação do 1.º de Julho com menor adesão desde 2008

Democracia em marcha lenta 48.000 O número de manifestantes que saiu à rua em protesto no 18.º aniversário da transferência do exercício de soberania de Hong Kong para a China foi o mais baixo desde 2008, segundo números da organização. Daisy Chan, da Frente Civil para os Direitos Humanos, que organiza a marcha anual do 1 de Julho, data da transferência da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, disse que mais de 48.000 pessoas participaram na manifestação realizada na quarta-feira. Este é a participação mais baixa divulgada pela organização desde 2008. Já as forças de segurança da antiga colónia britânica fixaram em 19.650 pessoas o total de participantes no protesto, que começou no Parque Vitória com 6.240 manifestantes, refere a Rádio e televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Os milhares de pessoas que percorreram as ruas até à sede do governo pediram o sufrágio universal e a demissão do chefe do Executivo, CY Leung, entre outras reivindicações relacionadas com o desenvolvimento da cidade. A manifestação, que este ano decorreu sob o lema “construir a democracia, recuperar o futuro”, chegou à sede do governo por volta das 19:30 locais, quatro horas após o início.

Alto contraste

No ano passado, a adesão à manifestação do dia da

participantes na manifestação, segundo a Frente Civil para os Direitos Humanos

19.650 segundo a polícia

transição foi estimada pelos organizadores em 510.000 pessoas e pelas autoridades em 98.600 pessoas, as quais saíram à rua para protestarem contra o Livro Branco de Pequim sobre “Um país, Dois sistemas” e processo de reforma política, incluindo a metodologia defendida pelo governo central para a eleição do chefe do Executivo de Hong Kong, em 2017. A proposta dava, pela primeira vez, oportunidade a todos residentes de Hong Kong de em 2017 votarem nas eleições para o chefe do Executivo, mas sob a condição de que todos os candidatos – dois ou três no máximo – fossem pré-seleccionados por um comité conotado com Pequim. A mesma proposta de lei foi rejeitada no Conselho Legislativo (parlamento) de Hong Kong há duas semanas, com o voto contra em bloco da ala pró-democracia e de outro deputado e os votos favoráveis de oito deputados da ala pró-Pequim.

China lançou um portal multimédia em português (china. com) com “informações sobre a política, economia, cultura e desenvolvimento social” chinesas, investindo no aumento das suas relações com Portugal. Administrado pela Rádio Internacional da China (ou CRI, segundo a sigla em inglês), o portal propõe-se “oferecer aos internautas portugueses” textos, fotos, áudios e vídeos que “representem a reputação e a imagem” da China. Na mesma altura, a secção portuguesa da CRI, fundada em

1960, apresentou em Portugal a sua revista Fanzine, publicada em português. Descrita pela CRI como “um passo significativo na estratégia de desenvolvimento” da estação em Portugal, as duas iniciativas contaram com a presença de Liu Qibao, membro do Politburo

Taiwan Piloto de avião que se despenhou desligou motor antes do acidente

O piloto do avião que se despenhou em Fevereiro passado num rio em Taiwan, provocando 43 mortes, desligou o único motor que funcionava, depois de o outro ter falhado, segundo um relatório oficial ontem divulgado. O avião da transportadora TransAsia despenhou-se pouco depois de descolar do aeroporto Songshan, em Taipé, em fevereiro passado, com 53 pessoas a bordo, das quais 15 sobreviveram. O relatório do Conselho de Segurança da Aviação Civil de Taiwan indica, com base nas gravações da caixa negra, que, antes da queda, o piloto afirmou ter puxado a alavanca errada. A acção fez com que o único dos motores que funcionava falhasse, depois de o outro ter já perdido potência, segundo os resultados preliminares do inquérito. Os dados de ontem são descritos como “factuais” e facultam mais pormenores sobre o acidente, mas não atribuem responsabilidade nem apresentam conclusões finais sobre a causa do acidente. O relatório preliminar deve ser publicado em Novembro e o final é esperado em Abril de 2016.

Segunda vítima mortal após acidente em parque aquático

Lançado portal em português sobre política, economia, cultura e desenvolvimento social

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do Partido Comunista Chinês (cargo superior ao de ministro), responsável pelo Departamento de Propaganda. A CRI já assegura seis horas de emissão diária de uma rádio dos arredores de Lisboa e tem um estúdio de produção em Lisboa. Também na quarta-feira, a agência Lusa renovou um acordo com a Televisão Central da China (CCTV) que prevê troca de conteúdos em vídeo e a RTP assinou um memorando de entendimento de cooperação com a congénere chinesa. Durante a sua estada em

Lisboa, Liu Qibao encontrou-se com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, tendo então afirmado que as relações sino-portuguesas “atravessam o melhor momento da sua história”, relatou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Nos últimos quatro anos, as exportações portuguesas para a China mais do que duplicaram e aquele país tornou-se um dos maiores investidores em Portugal, comprando importantes participações em empresas das áreas da energia, seguros, saúde e banca.

Taiwan registou ontem uma segunda vítima mortal do acidente, do passado sábado, num parque aquático da ilha, depois de um dos quase 500 feridos ter sucumbido. A morte de Liu Chih-wei, um estudante de 19 anos, que apresentava queimaduras em mais de 90% do corpo e lesões no sistema respiratório, ocorreu ontem de manhã, disse um médico no exterior do hospital da cidade central de Taichung aos jornalistas. A primeira vítima da explosão - que foi registada depois de pó colorido lançado no festival “Color Play Asia”, no parque aquático Formosa Fun Coast, nos arredores de Taipé, se ter incendiado - foi Lee Pei-yun, de 20 anos, que morreu na segunda-feira. Quase 500 pessoas ficaram feridas, das quais mais de 200 com gravidade, estando a receber tratamento em 43 hospitais.


reportagem

No Pátio do Espinho, o tempo parece que não passou pelas paredes de lata de que são feitas algumas das frágeis habitações. Muitos moradores até gostariam de ter uma casa melhor, mas recusamse a abandonar o espaço que sempre conheceram. Quem tem um pedaço de terra, nem quer ouvir falar da possível intervenção do Governo. Outros até concordariam

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Pátio do Espinho Residentes divididos face a reconstrução, mas felizes com o local

Casas de lata moram n casas eram mais baixos. O Governo chegou a discutir com os donos das casas com melhores condições, mas estes tinham de ser indemnizados. Só que depois os preços das casas aumentaram e o Governo já não quis indemnizar e a conversa deve ter ficado por ali.” Se os arrendatários e mais velhos até gostavam de ter melhores condições nas suas habitações, quem é proprietário prefere ficar no conforto que já conseguiu. É o caso de Dixon, trabalhador na área da informática, e a mãe, a senhora Wu. “Se o Governo apresentar um plano de renovação não vou concordar, porque nós somos os donos do terreno. Nunca aceitaremos a proposta e queremos que fique tudo como está”, aponta Dixon. “Nunca ouvi o Governo dizer que tem um plano de renovação, mas se tiver não vou concordar, porque os edifícios novos, se forem reconstruídos, não devem ficar maiores ou melhores que este. Como está, está bom”, disse a senhora Wu.

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as ruas do Pátio do Espinho, há latas e arames a montar casas que parecem de faz de conta, mas que têm gente dentro. Umas têm idosos, outras têm famílias inteiras: a matriarca, o filho que veio da China depois de décadas de ausência e a mulher grávida. Outras têm filipinas que descansam num ambiente mais acolhedor depois de limparem as casas de outros. Lavam os tachos conforme podem no meio da rua, com parcas condições de higiene, e vivem o calor infernal sem ar condicionado. Uns compraram a casa há décadas, outros pagam rendas muito baixas. Três da tarde, um sol abrasador. Ao descer as escadas do Pátio do Espinho damos de caras com Chio Kit. Tem 80 anos e mora ali desde os 16. É vizinho de mais 18 pessoas, só na sua rua, e fala com o HM enquanto a sua vizinha ouve um programa de música chinesa em alto e bom som. “Na altura não tínhamos dinheiro e só conseguíamos construir uma casa assim, com latas. Vivo aqui com a minha mulher, antes trabalhava numa pastelaria, a fazer bolos”, recorda. Chio Kit conta, sentado numa das raras sombras que por ali existem, que se reformou há 19 anos. Hoje vive com uma magra reforma, mas que dá para viver, já que não paga renda. A filha há muito que se mudou para outras paragens, trabalhando actualmente na Função Pública. Chio Kit mora no Pátio do Espinho há tanto tempo que ainda se lembra da época em que ficava escuro mais depressa. Os candeeiros com iluminação pública só chegaram

A balada dos filhos maiores

depois do chamado “Motim 1,2,3”, em 1966. “Depois disso passámos a ter melhores condições aqui na rua, as pessoas começaram a viver melhor”, recorda. Chio Kit mostra-se conformado com o cantinho que construiu. Tem uma casa de banho, sala e cozinha, que já só partilha com a mulher. “Não queria sair daqui e também

“Não queria sair daqui e também não consigo arranjar dinheiro para outra casa, estou habituado. Já pus um ar condicionado, uma ventoinha e estou melhor” Chio Kit Morador

não consigo arranjar dinheiro para outra casa, estou habituado. Já pus um ar condicionado, uma ventoinha e estou melhor”, refere. Um passeio pelo Pátio do Espinho, localizado atrás das famosas Ruínas de São Paulo, permite compreender um espaço cheio de história e, sobretudo, desigual. Há casas renovadas com gaiolas nas janelas e casas degradadas de tijolos e arames. Há entulho por todos os lados, ao lado de passeios improvisados com cimento. As tentativas para arranjar o que é velho já foram muitas. Chio Kit lembra-se bem do primeiro encontro entre Governo e proprietários, há 19 anos. “Chegou-se a falar que o Governo e um consultor queriam reconstruir isto, mas tinha de pagar 160 mil patacas para comprar uma casa pública na Areia Preta e não tinha dinheiro. O Governo apresentou-me um papel para assinar se concordava ou não [com a renovação], e eu não

concordei. Mas gostava que estas casas fossem reconstruídas.” Fong Pak, desempregado, oriundo da China, vive uns metros abaixo da casa de Chio Kit e lembra-se da segunda tentativa de reconstrução. “Aí há quatro ou cinco anos vi no jornal que o Governo queria recuperar isto, mas na altura os preços das

“Se o Governo apresentar um plano de renovação não vou concordar, porque nós somos os donos do terreno. Nunca aceitaremos a proposta e queremos que fique tudo como está” Dixon Morador

Fong Pak nunca teve uma casinha só sua. Aquela onde vive com a mulher, de cor verde, está degradada e só tem janelas baixas com arames, cheia de sacos velhos. O ar condicionado não existe, as ligações de luz e água foram feitas através de um vizinho. Paga mil patacas de renda. “Vivo aqui há mais de dez anos e tenho problemas de saúde, então estou aqui para descansar”, conta Fong Pak, enquanto arranja umas fichas eléctricas para depois vender. Está desempregado há cerca de um ano e ganha um subsídio de deficiência por ter problemas de saúde nas costas e numa perna. Mas garante que não é suficiente. Antes disso trabalhou na construção civil e foi talhante no mercado. Ainda foi segurança em prédios, mas já não conseguia trabalhar. A mulher lava pratos num restaurante e traz para casa o único sustento. “Moramos num T1, com uma sala e um quarto pequeno. No Verão fica muito calor e não consigo montar o ar condicionado, porque o ar sai todo por esta janela”, conta. Fong Pak é um dos muitos que pedem o regresso dos chamados filhos maiores. Os seus estão quase a obter autorização. Daqui a um ou dois anos poderão morar com ele naquele cubículo ou numa habitação social, caso o seu processo fique concluído. Choi I, mais velha do que Fong Pak, pode-se considerar com mais


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no coração “Gostava que o bairro fosse renovado, porque já tenho mais de 60 anos e quando os meus filhos me vêm visitar, não há espaço para que fiquem mais dias” Choi I Morador

sorte: o filho há muito que veio da China e com ele trouxe a nora grávida. Falam com o HM à hora de jantar enquanto põem legumes cozidos numa mesa na rua. Ouve-se a água a correr lá dentro e só vemos escuro. Convidam-nos a sentar na sala de jantar improvisada. “Vivo aqui há mais de 20 anos, mas desde 1993 que sou dona da casa, porque o dono decidiu vender. Tenho BIR, mas os meus filhos nasceram na China e só agora é que eles conseguiram vir para Macau. Esta é a minha nora”, conta, sorridente. Choi I lavou casas e arranjou os jardins públicos do território. Já tem reforma e o filho trabalha como

croupier, mas não encaram a curto prazo uma saída do Pátio do Espinho. “Gosto de viver aqui, mas não tenho ar condicionado e está sempre muito quente lá dentro. O Governo não me deixou reconstruir a casa. Mas prefiro que seja o Governo a recuperar o terreno e que me ofereça outra habitação, para ter uma casa melhor. Tenho um filho em Macau que prefere viver melhor, porque aqui não tem condições. A minha nora está aqui, mas se os meus outros filhos vierem da China para Macau, então não vou ter espaço para eles”, conta a idosa. Choi I não tem dúvidas. “Gostava que o bairro fosse renovado, porque já tenho mais de 60 anos e quando os meus filhos me vêm visitar, não há espaço para que fiquem mais dias.” O filho pára de lavar a loiça e diz-nos: “Acho que vai ser sempre difícil renovar tudo, porque há muitas pessoas que não querem. É melhor ser o Governo a decidir.”

A chegada dos não residentes

Além dos nascidos em Macau e daqueles que vieram da China há largas décadas, o Pátio do Espinho começou a ser habitado nos últimos anos por não residentes que ali en-

contram a possibilidade de pagar pouco de renda. Se olharmos pelas janelas e portas meio abertas, é comum verem-se beliches amontoados que servem de quartos. Choi I tem, numa casa logo ali ao lado, vizinhas filipinas que vivem num espaço que consideram como casa. Iva fala com o HM no final do dia de trabalho e convida-nos a entrar no seu espacinho. Divide a casa com amigas há cinco anos e juntas pagam três mil patacas. Não há ar condicionado, as divisões amontoam-se, cheias de pertences, mas ao menos Iva tem um quarto só para si. “Mudei-me para aqui porque sempre vivi fora das casas dos meus patrões. Trabalho como empregada doméstica e como eles não têm casa para mim, então encontrei esta casa, que é barata. Quando cheguei só pagávamos 1200 patacas”, recorda a não-residente, moradora em Macau desde 1990. Apesar de viver paredes meias com latas e portões velhos, Iva não se queixa e acha-se até uma privilegiada em relação às condições de vida das suas conterrâneas. “Esta casa é melhor do que outras casas onde as filipinas vivem, porque essas normalmente só têm três quatros. Aqui é melhor, mas quando fica calor, fica mesmo calor, porque não temos ar condicionado, e quando é frio, é mesmo frio. Mas ao menos tenho privacidade aqui.” Também ali no Pátio do Espinho tudo o resto é diferente: não há barulho, não há bares, não há turistas, não há luzes dos casinos. As ruas são de terra batida e não há sequer sinais de criminalidade. Às sete horas é tempo de recolher para muitos. As portas estão abertas e a convivência entre vizinhos acontece, como se de uma aldeia se tratasse. “Ela (Choi I, vizinha da frente) é minha amiga. Aqui é tudo mais calmo. Há muitos lugares em que as pessoas bebem e falam alto durante a noite e aqui não, é tudo muito mais tranquilo. Então é melhor viver aqui. É um sítio seguro e muitas vezes nem abrimos a porta, porque está muito calor”, conta Iva. Iva não quer opinar sobre o que poderá acontecer ao Pátio do Espinho no futuro, caso o Governo intervenha. “Normalmente aqui não falamos sobre isso. Se a casa fosse minha talvez apoiasse a renovação, porque quando há tempestades as casas não são muito fortes, talvez as condições fossem melhores...Vemos que muitas

À venda na Livraria Portuguesa O Livro Negro • Hilary Mantel

Vencedor do Man Booker Prize 2012 Estamos na corte de Henrique VIII para testemunhar a ascensão de Thomas Cromwell enquanto planeia a destruição de Ana Bolena. Um incrível feito literário, “O Livro Negro” é o relato deste terrível acontecimento da História, por uma das melhores romancistas da atualidade. Hilary Mantel tornou-se o primeiro autor britânico e a primeira mulher a receber dois prémios Booker, além de ser o primeiro autor a consegui-lo com dois romances consecutivos. Para Peter Stothard, Júri do Man Booker Prize, é «a melhor autora de prosa inglesa moderna da atualidade.»

das casas apenas têm três pessoas e muitas delas já não têm ninguém, porque os mais velhos morreram e os filhos vivem noutros sítios, ou em Hong Kong. Por exemplo, aquele meu vizinho, só vem aqui de vez em quando. Mas penso que muitos gostavam de ter casas melhores”, conta, apontando o dedo para a direita.

“Não sei quem iria beneficiar das novas casas aqui. Talvez as pessoas prefiram as casas como estão, talvez o Governo quando renovar faça prédios maiores...não sei. Eu prefiro viver desta maneira em vez de estar naqueles prédios altos, com muitas pessoas” Iva Moradora

“Não sei quem iria beneficiar das novas casas aqui. Talvez as pessoas prefiram as casas como estão, talvez o Governo quando renovar faça prédios maiores...não sei. Eu prefiro viver desta maneira em vez de estar naqueles prédios altos, com muitas pessoas”, acrescenta Iva. No Pátio do Espinho as infra-estruturas permanecem de parca qualidade, os bons saneamentos só existem para alguns e muitas casas já estão vazias, cheias de cartas e contas que nunca serão pagas. É comum ver-se espaços cheios de ervas daninhas que permanecem por limpar. Em Junho deste ano, os Serviços de Saúde (SS) deixaram mesmo um aviso de que existe perigo de ratos por aquelas bandas. Mas, logo ali ao lado, apenas a senhora Wu se queixa da falta de acção do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Mas é o único queixume: todos parecem viver felizes num espaço de memórias e, sobretudo, de convivências. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

IC promete “concentrar-se” sobre o espaço

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o início do ano Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural (IC), disse ao Ou Mun que o Pátio do Espinho é um sítio com interesse histórico e que deve ser alvo de protecção. Seis meses depois, não há detalhes novos sobre uma possível intervenção. Ao HM, o organismo referiu que “irá concentrar-se continuamente sob re a situação da zona referida, protegendo activamente e sustentadamente os preciosos recursos culturais de Macau”, uma vez que o Pátio do Espinho “é uma parte importante daquela zona, o qual está integrado na zona de protecção, sendo abrangido pela Lei de Salvaguarda do Património Cultural”. “O Pátio, além de estar na zona próxima às Ruínas de São Paulo – Ruínas do Colégio de S. Paulo, constitui um espaço histórico e distintivo”. O IC garante que o grupo interdepartamental “procede ao estudo e planeamento sobre o núcleo do Centro Histórico de Macau e posiciona o mesmo como zona de preservação histórica e cultural, no sentido da sua protecção e revitalização, de modo a expandir a área turística da zona das Ruínas de São Paulo e a optimizar a atmosfera cultural da mesma”. Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto, pede maior transparência no processo. “Deve-se contar com a participação da comunidade em relação a uma intervenção. No Governo tem de haver arte de negociação e não uma espécie de imposição de ditadura, como infelizmente acontece muitas vezes. O diálogo é sempre possível”, disse ao HM o arquitecto, que considera existir “falta de transparência”, pois “não se sabe qual é o critério de intervenção, se é uma decisão subjectiva, caso a caso”. O HM tentou ainda contactar a DSSOPT no sentido de perceber mais detalhes sobre os terrenos e possíveis negociações, mas até ao fecho desta reportagem não foi possível obter um esclarecimento. A.S.S./F.F.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Fundamentalista Relutante • Mohsin Hamid

Changez está a viver o sonho americano. À frente da sua turma em Princeton, é contratado por uma firma de “avaliação” de elite, a Underwood Samson. Ele prospera na energia de Nova Iorque e a sua paixão pela bonita e elegante Erica é uma promessa de entrada na alta sociedade de Manhattan. Mas após o 11 de Setembro, a situação de Changez na sua cidade adotiva altera-se subitamente e a sua relação com Erica é eclipsada pelo despertar dos fantasmas do passado desta. A própria identidade de Changez sofre também uma enorme mudança, revelando fidelidades mais fundamentais do que o dinheiro, o poder e talvez até mesmo o amor.


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artes, letras e ideias

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DOIS EMBAIXADORES NO ENCONTRO COM O IMPERADOR EM NANJING

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té chegar a Nanjing tinha Tomé Pires como Embaixador viajado já durante dezassete meses desde Cochim, na Índia, a Tamão (屯门, actual Lin Tin) na China, onde esperou de 15 de Agosto de 1517 até finais de Setembro para ser desembarcado em Cantão (广州). Aí, numa longuíssima e desesperante demora para seguir até Pequim (北京), esteve à espera mais de dois anos e meio, sendo a viagem constantemente adiada. Em 1518, Fernão Peres de Andrade, desembarcada a Embaixada e antes de partir rumo a Portugal, disse aos Governadores de Guangzhou que, no ano seguinte, outro Capitão português viria recolher o Embaixador. Mas, quando em Agosto de 1519 Simão de Andrade chegou à China, com essa finalidade, encontrou ainda Tomé Pires em Cantão sem daí ter saído. Por isso, Simão que “era um homem assomadiço e impaciente e sem grande sensibilidade para levar em conta os costumes e as etiquetas daqueles com que era obrigado a negociar”, como o define Luís de Albuquerque, “sentiu como se fosse uma afronta” e andou por Tamão a maltratar os chineses, enquanto aguardava pela Embaixada que, no entretanto, iniciara a viagem à Corte do Celeste Império. Com Tomé Pires tinham ficado em Cantão cinco portugueses, Duarte Fernandes, Francisco de Budoia, Cristóvão de Almeida, Pedro de Faria e Jorge Álvares, o persa de Ormuz já lusitanizado Cristóvão Vieira, mais doze moços servidores e cinco intérpretes, sendo Yasan o principal. No entanto, para além de Cristóvão Vieira, Francisco de Budoia e Duarte Fernandes não consegui descobrir quem mais dos portugueses seguiu com Tomé Pires na viagem de Cantão a Pequim, sabendo ter Jorge Álvares voltado a Malaca a 23 de Janeiro de 1520, onde se distinguiu nas lutas contra o Rei de Bintão, ficando-se pela região do Sudeste da Ásia, mercadejando de Malaca ao Mar do Sul da China. Só em 23 de Janeiro de 1520 Tomé Pires, acompanhado pelo seu séquito, iniciou a etapa até Pequim (北京), para se encontrar com o Imperador e entregar-lhe o presente e a carta do Rei D. Manuel. O percurso até Nanjing, onde chegaram em Maio de 1520, foi feito na sua maior parte de barco, pelos canais e rios que abundam pelo Sul da China, sendo apenas a passagem montanhosa, que separa as províncias de Guangdong, Jiangxi e

Fujian, feita em liteira, a cavalo e a pé. Nessa travessia faleceu Duarte Fernandes, que já vinha adoentado. Rui Loureiro, complementando com o que vem nas Cartas dos Cativos de Cantão: “Apesar de se elevar a cerca de três mil metros de altitude, a serra era provida de caminhos calcetados, embora muito íngremes e trabalhosos, que provocaram a admiração dos portugueses. Assim, foi possível atingir Wan’an, do outro lado deste maciço montanhoso, já na província de Jiangxi, num curto espaço de tempo, utilizando mulatos e asnos, para aí retomar a rota fluvial.” Ora esse caminho, já por nós realizado, para se chegar à Passagem de Meiling (Meiguan, 梅岭关) não tem que se subir mais de quatrocentos metros de altitude, sendo ele ainda calcetado e do outro lado, encontra-se não Wan’an, que dista dali algumas centenas de quilómetros, mas sim a vila de Dayu (大余), conhecida na altura da dinastia Ming por Nan’an (南安) e banhada pelo Zhangjiang (章江). E seguindo com Armando Cortesão: “Assim, ao chegarem a Nan’an, junto a um subafluente do Kuangkiang ( 赣江, Ganjiang) que, após uns seiscentos quilómetros de percurso, vai desaguar no grande Yangtzé (长江, Changjiang), de novo embarcaram, passando pelas cidades de Kanchou (赣州, Ganzhou), Kian (吉安, Jian), Linkiang (临江, Linjiang), Nanchang (南昌) Nankang e Kiukiang (九江, Jiujiang) junto já da confluência. Depois, seguiram pelo Yangtzé abaixo, durante mais uns quinhentos quilómetros até Nanquim, onde chegaram em Maio de 1520”. Como tivemos ocasião de mostrar num artigo passado, a povoação de Nankang situa-se entre Dayu e Ganzhou, mas, pela posição colocada na citação acima reproduzida de A. Cortesão, ela é o nome cantonense de Nanchang (南 昌), a capital da província de Jiangxi. Aí Tomé “Pires fez observações de latitude, uma das quais em Nanchang, que indicou encontrar-se entre 28º e 29º N (latitude exacta, 28º 30’ N). Outra latitude que se sabe ele ter observado foi a de Pequim, a que atribuiu 38º ou 39º (latitude exacta, 39º 54’)” A. Cortesão.

Em Nanjing com o Imperador Após três meses de viagem, quando a Embaixada portuguesa chegou a Nanjing “o imperador Zhengde encontrava-se então nessa cidade, onde dirigia pessoalmente as operações militares contra um príncipe que se revoltara” como

O Imperador, que segundo o costume chinês nunca saía dos seus aposentos, tinha ido repetidamente visitar os portugueses, chegando mesmo a jogar com Tomé Pires às távolas refere Rui Loureiro, que numa nota, usando Paul Pelliot diz, esse príncipe de Ning era Zhu Chenhao e tinha-se rebelado contra a autoridade imperial em 1519, atacando Nanjing, revolta que foi rapidamente controlada. A História da China refere que a rebelião iniciara-se em 10 de Julho de 1519, quando à frente das tropas, o Príncipe Ning partiu da sua capital Nanchang para atacar Nanjing, mas foi derrotado pelo oficial militar local Wang Shouren. O Imperador Zhengde, ao chegar, ficou frustrado por não ter sido ele a liderar as tropas na vitória, como ocorrera em 1518 na expedição ao Norte da China, onde, nomeando-se General Zhu, cercou Yingzhou e numa batalha derrotou os mongóis, o que levou a um longo período sem estes voltarem a invadir a China. Agora a solução encontrada pelos seus ajudantes foi libertar o Príncipe Ning para depois ser o imperador a capturá-lo, o que veio realmente a acontecer. No Revisitar os Primórdios de Macau para uma nova abordagem da História de Jin Guo Ping e Wu Zhiliang, numa nota lê-se: “Aconteceu que o bárbaro Folangji chamado de Jiabidanmo (capitão-mor) e uns trinta acompanhantes vieram apresentar os seus tributos. Ao chegarem a Nanquim, encontraram Jiang Bin, que comandava as quatro forças de

elite na protecção pessoal de Sua Majestade. Este apresentou o Hoja Yasan a Sua Majestade. Sua Majestade gostou do Hoja Yasan e deixou-o ficar na sua companhia.” Ora Hoja Yasan (Huozhe Yasan) era o intérprete principal do grupo de cinco que vinham de Malaca com Tomé Pires integrados na Embaixada. Quando esta fora recebida em Cantão “tratava-se de uma embaixada mandada pelo país Folangji para apresentar os seus tributos”, mas “como Portugal não constava da lista dos países tributários da China, não podia sequer, em princípio, ser aceite em Cantão para iniciar o processo burocrático de obtenção de autorização para ir à capital imperial”. Como em 1511 os


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José Simões Morais texto e foto

portugueses tinham conquistado Malaca, “a solução encontrada terá sido esta: comunicar a Pequim a vinda desta embaixada como se fosse uma missão de Malaca, um país tradicionalmente tributário da China. Só com esta fraude, talvez sugerida ou mesmo preparada pelas próprias autoridades de Cantão, haveria legitimidade para se conseguir a autorização central para a ida da Embaixada de Tomé Pires a Pequim.” E continuando no Revisitar os Primórdios de Macau: “Neste processo intervêm duas figuras centrais: o famoso jurubaça Hoja Yasan”, natural de Fuliang (Jingdezheng) de Jiangxi e “o eunuco Ning Cheng, que apresentou, muito provavelmente, o jurubaça Yasan a Jiang Bin, o eunuco favorito do Imperador Zhengde. A partir daí, o Yasan, um simples intérprete contratado pelos Portugueses passou a figurar nas fontes chinesas como sendo o embaixador, já que a fisionomia dos Portugueses não correspondia em nada à dos de Malaca, familiar aos mandarins centrais. E assim,

paradoxalmente, a primeira embaixada portuguesa seguiu para Pequim com um embaixador chinês. Precisamente por esta razão, não há, na carta de Cristóvão Vieira – que era membro da Embaixada de Tomé Pires – nenhuma referência à actuação de Tomé Pires durante a sua estada em Nanquim e mais tarde, em Pequim, já que talvez Tomé Pires e os outros portugueses que foram às duas capitais tivessem sido aceites como acompanhantes de Yasan, que naqueles termos se fazia passar pelo embaixador perante as autoridades centrais.” O embaixador do antigo sultão de Malaca encontrava-se já em Nanjing quando a Embaixada portuguesa aí chegou mas, sem conseguir ser recebido pelo Imperador chinês, dirigiu-se para a capital. Esta informação de Rui Loureiro é contrária à de Armando Cortesão que diz: “O Imperador recebeu em Nanquim este embaixador e a carta que trazia. Ao mesmo tempo, chegou-lhe outra carta de dois mandarins de Pe-

quim e ainda outra dos de Cantão, acumulando queixas contra os portugueses, principalmente por causa dos desmandos de Simão de Andrade. Não admira, por isso, que a embaixada portuguesa fosse mandada seguir para Pequim sem ser recebida.”

O Imperador visita os portugueses “O Imperador Wu-tsung estava em Nanquim, mas não quis receber aí o embaixador português, mandando-lhe recado para que seguisse para Pequim e lá aguardasse a sua chegada”, mas tal informação de A. Cortesão, pelo que em seguida se relata, cria algumas dúvidas. Rui Manuel Loureiro refere que: “De Nanquim, os portugueses escreveram pela segunda vez para Cantão, afirmando que se tinham avistado com o imperador, notícias estas que chegaram às mãos de Simão de Andrade antes da sua partida para Malaca” e A. Cortesão complementa: “Em 2 de Agosto foram escritas cartas, ao que parece, ainda de Nanquim, depois entregues a Jorge Botelho e Diogo Calvo, em Tamão (são elas que relatam o convívio do Imperador com os membros da Embaixada fora do protocolo).” Algo de muito surpreendente o que nessas cartas é referido como tendo ocorrido em Nanjing e que, por ser fora do restrito protocolo chinês e ter quebrado todos os hábitos diplomáticos, causa grande perplexidade. O embaixador fora extremamente bem recebido pelo Imperador Zhengde (1505-21) e que <com ele folgava, que não cavalgava sem ele e a caça o levava muitas vezes a lhe mostrar seus desenfadamentos>. O Imperador, que segundo o costume chinês nunca saía dos seus aposentos, tinha ido repetidamente visitar os portugueses, chegando mesmo a jogar com Tomé Pires às távolas. No Revisitar os Primórdios de Macau para uma nova abordagem da História de Jin Guo Ping e Wu Zhiliang lê-se: “Mais surpreendente ainda é o facto de que o Imperador Zhengde encontrou-os pelo caminho da sua inspecção e foi visitá-los à pousada onde estavam”. “Sua Majestade dignou-se ir pelos seus próprios pés imperiais ter com ele(s) diariamente.” “Tudo isto poderia parecer impossível do ponto de vista da aplicação rigorosa do protocolo dos Ming; contudo, com este Imperador, que gozava da fama de ser liberal e libertino, não havia nada impossível, se considerarmos também que os Portugueses eram apadrinhados por Jiang Bin, que era, nessa altura, o primeiro favorito do monarca.” “O soberano chinês ordenou que a embaixada seguisse para Pequim, onde seria formalmente recebida” Rui Loureiro e Armando Cortesão refere: “Não

consta ao certo quando Pires partiu de Nanquim, nem quando chegou a Pequim. Sabe-se apenas que, depois de ter navegado mais de mil quilómetros ao longo do Grande Canal, já se encontrava na capital quando o Imperador lá chegou, em Fevereiro de 1521.” No Revisitar os Primórdios de Macau: “As fontes chinesas dão-nos uma ideia de que a integração de alguns membros da embaixada portuguesa no séquito de Zhengde foi um favor imperial conseguido pela intervenção de Jiang Bin...” mas parece que se tratava “de uma prática comum o Imperador Zhengde levar na sua comitiva um número reduzido de membros das embaixadas que se encontravam na China. Esta informação leva-nos a deduzir que parte da embaixada de Tomé Pires ficou com o Imperador Zhengde em Nanquim e a outra seguiu para Pequim. Dos que ficaram em Nanquim, um era sem dúvida, o Yasan, pois nas fontes chinesas há muitas referências ao facto de o Imperador Zhengde, como passatempo, aprender o português com ele”.

“Com este Imperador, que gozava da fama de ser liberal e libertino, não havia nada impossível, se considerarmos também que os Portugueses eram apadrinhados por Jiang Bin, que era, nessa altura, o primeiro favorito do monarca.” Jin Guo Ping e Wu Zhiliang em “Revisitar os Primórdios de Macau para uma nova abordagem da História”

Numa nota do Revisitar os Primórdios de Macau refere-se que “Tomé Pires chegou, na comitiva imperial, a 18 de Janeiro de 1521” a Pequim. Já numa outra nota, desta vez do livro Nas Partes da China de Rui Manuel Loureiro diz “Paul Pelliot, recorrendo a fontes chinesas que afirmam que a embaixada portuguesa permaneceu em Pequim quase um ano, coloca a chegada de Tomé Pires à capital em Agosto de 1520. Esta datação é pertinente, pois os portugueses chegaram a Nanquim em Maio, e três meses seriam mais do que suficientes para a viagem entre esta última cidade e Pequim”. Do Rio Yangtzé até à capital a viagem foi realizada de barco pelo Grande Canal (大运河), passando por Sampitay, conhecida por Pizhou (邳州) e situada a Leste de Xuzhou, chegando a Embaixada por fim a Pequim (北京).


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Para onde voam os pássaros

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ara longe. Isso sabe-se. Quando migram, adiantam-se às estações. Têm percursos fixos independentemente dos perigos e cumprem-nos anualmente mesmo tendendo para a extinção. Eles sabem onde vão. Guiando-se pelo magnetismo da terra. Há sítios do mundo em que hoje se reeduca espécies para encontrarem outros caminhos e outros lugares. E como voam. Nessas formações perfeitas em flecha ou em arco. Eles, os seres redondos por natureza poética ou filosófica, ou fenomenológica. Disse-o Klee: “todo o pássaro é redondo”, e disse-o Bachelard, evocando Rilke quando escreve “o gorjeio redondo do ser redondo arredonda o céu em cúpula”, ou Michelet quando define o pássaro como “quase totalmente esférico”. A forma redonda não como forma física de natureza geométrica mas como imagem metapsicológica. O ser e o ser do pássaro redondo porque centrado em si. São no entanto, em bando, o movimento por excelência, a seta de sentido. O sentido do todo. E, mergulhando os olhos naquelas nuvens imensas de aves, em bando compacto, em estruturas indecifráveis na sua causalidade, definindo ritmos e padrões mutantes, evoluindo no ar consistentemente, há uma sensação de maravilha. E o bando, mesmo na mansidão rítmica e dinâmica dos inúmeros arabescos e floreados, nunca se perdendo como um corpo, orgânico e uno na sua identidade. Plástico no entanto ao ponto de ver a ligação entre as minúsculas partes, como células, distender-se mais ou menos elástica, deformar-se por acentuação ou nivelarem-se entre si as linhas invisíveis que as ligam. Um pouco como um tecido tridimensional arrastado pelo vento e pelo tempo, suavemente a mudar a sua curvatura e a modelar ondulações várias, sem romper. Ou como uma malha fina e flexível. Hipnótica. A beleza emocionante, e emocionante sem retórica, até quase à força de lágrimas arrancadas à nossa dificuldade em lidar por vezes com o que é belo. Faz pensar que talvez o embalo para olhos contemplativos, com que invejamos os pássaros, se assemelhe a referências remotas, muito lá atrás no início de tudo no ventre materno, a oscilação dos fluidos um eterno romanço de conforto em que só se antevê um mundo fora da caverna, em subtis mudanças de luz e sons coados. E porque embalamos o corpo ao som da música, também nos embalamos solitariamente ao sabor de formas que nos conduzem o olhar. Pequenos humanos que dançam uns com os outros, que também somos. Aos pares ou em grupos. Só ao sabor do ritmo e da melodia, ou em coreografias imaginadas e ensaiadas num corpo de baile. A eterna nostalgia do vôo que afinal nunca fizemos. Excepto, ou talvez sobretudo, porque a natureza dos pensamentos tem essa mesma qualidade e capacidade das aves. O que nos liberta das limitações corpóreas e terrenas, se bem permaneçam sempre ligados a um corpo como à luz de um farol. Os pensamentos. Os pássaros pequenos - que o mesmo é dizer, pássaros porque só eles o são em termos de espécie - como os estorninhos, e porque são presa de predadores de maior vulto, voam às centenas ou voam aos milhares ao fim da tarde antes de escolher o poiso para dormir. A grandes velocidades navegam juntos em padrões assimétricos, altamente coordenados. A estas revoadas dá-se o nome

colorido, burburinho de estorninhos. Uma onomatopeia bonita que quase rima com o seu nome de pássaros a adejar asas velozmente. Agitados. Animados. Por isso a questão é afinal para onde voam os pássaros quando não voam para lado nenhum. Esses bandos de dezenas centenas ou mesmo milhares de pássaros ou outras aves, que evoluem juntos no espaço, porque a natureza lhes ensinou que é melhor, para se protegerem de predadores, naturais ou não, mas também porque têm um destino comum e se ajudam para essa finalidade. Enquanto outras aves voam sós, e não há juízos possíveis sobre a validade de uma ou outra forma de existir. Eles levantam vôo de forma aparentemente despreocupada e aleatória, mas gradualmente vão definindo as suas posições e o seu lugar no bando. Posicionam-se numa formação que permite usufruir do impulso gerado pelo deslocamento do ar, causado pelo bater das asas do que voa à sua frente. As primeiras aves do bando, ajudam a vencer a resistência do ar criando um vácuo que ajuda as outras a planar ou a voar com menor esforço e por mais tempo. E quando voam para longe é uma economia relevante. Em tão pequenos seres vivos, que atravessam por vezes anualmente milhares de quilómetros. O bater das asas deixa para trás um redemoinho de ar, nesse turbilhão, em que o ar é empurrado para baixo e seguidamente num jacto para cima. E é aí que a ave seguinte pode fluir, economizando energia e desenvolvendo um esforço menor. Todos os órgãos sensoriais apurados se coordenam para uma orientação espacial precisa e os manter com exactidão no seu lugar, relativo a seis ou sete outros, que lhes voam em redor. E isso exige uma sincronia perfeita no batimento das asas, aferida pelas sensações de deslocação do ar, como uma orquestra em uníssono, ou quando um som ainda paira no ar e já outro se começa a formular. Os líders são eventualmente os melhores navegadores. É um mistério como assumem esse reconhecimento de que o são. Mas no vôo em bando, este vai mudando regularmente a formação e os que lideram revezam-se nesse papel. Subtilmente, sem quebras de ritmo, sem dilemas, luta ou contestação. Seguindo viagem. Quantas comparações, quantos símbolos encontram uma imagem no reino das aves, no seu modo de vida. A rapina, o vôo, o olhar, o golpe de asa. E estes mecanismos de grupo. A partir daqui, quantas metáforas se poderiam pertinentemente formular… Políticas, sociais, existenciais. Quantos povos deveriam poder dizer “queres voar comigo?”… e quantos amantes deveriam saber dizê-lo também. O lirismo é um estado dificilmente partilhável. Sobretudo com esta puerilidade. No mundo de hoje como no de sempre. Mas tudo a tender para pior. Por isso me apetece esta metáfora infantil e simples. Este é o discurso mais próximo de uma afirmação política que consigo de momento. Tão difícil escrever. Centrarmo-nos em algo que faça sentido, numa emoção relevante e abrangente que faça sentido. Seja ela enebriarmo-nos com concertos de Schumann, ou com a contemplação do vôo de bandos de pássaros. Que seja coincidente com o momento, anestesiante e extensível a outros

sentidos possíveis, mas mais universais do que o simples desabafo da nossa pequenez. Desde que essa espécie de embriaguez possa extravasar o círculo redondo, passe a redundância, do nosso eu em êxtase lúdico, e envolver os outros no prazer de uma imagem bela, em algum prazer de um simples momento. Para além de todo o registo de amargura, de dispersão e confusão, de injustiça, de desígnios imperscrutáveis, em que somos um bando desavindo, penso nas nuvens de pássaros. Funcionamos não como um bando mas como diferentes bandos de espécies distintas. Incompatíveis. Inimigas. A solidariedade, palavra terrível e aglutinadora como uma cola, mas por vezes tão desastrosa e inábil como esta. E como a cola, manietante e geradora de dependências. Melhor dizer como os pássaros que levantam vôo de forma caótica, mas que, subtilmente e às vezes levando muito tempo, se vão organizando naquela formação que é a melhor para o percurso de todos, sem competição sem hesitações. Melhor dizer, mesmo que por palavras. Podemos voar? Podemos voar convosco? Podemos voar juntos? Podemos voar? Poderíamos voar. Se fôssemos pássaros. Como humanidade, não vamos longe.


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artes, letras e ideias 17

de tudo e de nada

Anabela Canas

anabela canas


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( F ) utilidades

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65-90%

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Cineteatro

O que fazer esta semana Hoje

Workshop de Meditação Yogaloft, 19h30

Amanhã

Concerto de Música de Câmara pela Orquestra de Macau Teatro Dom Pedro V, 20h00 Bilhetes das 80 às cem patacas

yuan

19

1.28

Cinema

terminator: genisys [3d] terminator: genisys [3d] [c]

Sala 1

ted 2 [c]

Visitas ao topo do Farol da Guia Entrada livre

Filme de: Seth MacFarlane Com: Mark Wahlberg, Amanda Seyfried, Morgan Freeman 14.30, 16.30, 19.30 21.30

Workshop de Meditação Yogaloft, 9h30 e 19h30

Sala 2

terminator: genisys [c] Filme de: Alan Taylor Com: Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke 14.30, 16.45, 21.30

Domingo

Visitas ao topo do Farol da Guia Entrada livre

Filme de: Alan Taylor Com: Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke 19.15 Sala 3

jurassic world [b] Filme de: Colin Trevorrow Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Diariamente

Inauguração da exposição “Almas Vivas” de Kate Ao Ngan Wa Fundação Rui Cunha, 18h30 (até dia 4/07) Entrada livre Exposição “Um novo Século juntos Consigo” (BNU) Consulado de Portugal em Macau Entrada livre

Aconteceu Hoje

Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre

Nasce Franz Kafka

“A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “Ao Risco da Cor - Claude Viallat e Franck Chalendard” Galeria do Tap Seac (até 9/08) Entrada livre Exposição “Who Cares” (até 28/07) Armazém do Boi, 16h00 Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre Musical “A Bela e o Monstro” (até 26/6, de quinta a domingo) Venetian Macau Bilhetes entre as 280 a 680 patacas Exposição “Murmúrio da Impermanência”, Pinturas a óleo de André Lui Chak Keong (até 27/06) Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

3 de JUlHO

h o j e h á f i l m e “Divergent” (Neil Burger, 2014) Num mundo futuro, aos 16 anos os humanos têm de escolher entre cinco grupos diferentes. Grupos que ditam a sua forma de viver e o seu destino, bem como a sua personalidade. Mas há os que não pertencem a nenhum partido e, como tal, devem ser presos e mortos. Um filme feito de escolhas, onde nem tudo o que parece é. O filme foi adaptado do livro com o mesmo nome, da autoria da escritora americana Veronica Roth. Flora Fong

• A 3 de Julho de 1883, nasce o escritor checo Franz Kafka. O autor, judeu nascido em Praga, não teve nenhum de seus romances publicados enquanto vivo. Kafka foi considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX. A maior parte da sua obra está repleta de temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, conflito entre pais e filhos, personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas. Kafka nasceu numa família judaica de classe média e falante de alemão em Praga, então pertencente ao Império Austro-Húngaro. Kafka era fluente nas duas línguas, mas considerava o alemão a sua língua materna. Kafka formou-se em Direito e, depois de completar a sua educação, conseguiu um emprego numa companhia de seguros e começou a escrever contos no seu tempo livre. Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances “O Processo”, “O Castelo” e “O Desaparecido”, foram publicados postumamente pelo seu amigo Max Brod, que ignorou o desejo de Kafka de ter os seus manuscritos destruídos. Albert Camus, Gabriel García Márquez e Jean-Paul Sartre estão entre os escritores influenciados pela obra de Kafka. A tuberculose laríngea de Kafka piorou e em Março de 1924 voltou de Berlim a Praga, onde familiares, principalmente sua irmã Ottla, tomaram conta dele. Foi para o sanatório do Dr. Hoffmann, em Klosterneuburg, perto de Viena, a 10 de Abril e morreu a 3 de Junho de 1924. A causa da sua morte aparentemente foi fome: a condição da garganta de Kafka fez com que comer se tornasse uma actividade muito dolorosa. Kafka não terminou nenhum de seus romances maiores e queimou cerca de 90% da sua própria obra.

fonte da inveja

O horror de ouvir os pensamentos dos outros...

João Corvo


20

opinião

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paul chan wai chi*

um grito no deserto

C

onheci Ronny Tong Ka-wah pela primeira vez no ano em que o Governo da RAEM teve de lidar com a produção das leis a que se refere o artigo 23.º da Lei Básica. Haviam na altura pontos de vista divergentes da população no que se refere à produção legislativa, enquanto que a comunicação social era controlada pela facção pró-governamental. AAssociação Novo Macau, com a sua oposição à produção legislativa, nada podia fazer para contrariar a situação. Nessa altura, eu ocupava as funções de presidente da Comissão Executiva da Associação do Novo Macau e cheguei mesmo a organizar um seminário sobre este mesmo assunto, tendo Ronny Tong Ka-wah vindo de Hong Kong para expressar o seu ponto de vista neste evento. Lembro-me que tivemos de enfrentar muita pressão durante a organização deste colóquio, chegando mesmo Ronny Tong a ser seguido por agentes à paisana durante a sua estadia em Macau. Mas, Ronny Tong enfrentou todo este terror sem medo algum, razão pela qual eu vim a desenvolver uma grande dose de respeito e gratidão para com o mesmo. Depois disto, Ronny Tong demitiu-se do Concelho Legislativo da RAEHK e cancelou a sua filiação com a Civic Party. Sobre esta decisão pronunciou-se Audrey Eu Yuet-mee, presidente da Civic Party, salientando que todos deviam respeitar a tomada de posição de Tong. No mesmo dia em que tudo isto veio a público, conheci na rua Ricardo Reis de Camões Tam, que na altura trabalhava como comentador de notícias em Macau. Ambos apreciávamos a decisão de Tong se demitir do Concelho Legislativo, que era por nós encarada como um acto justo e recto. Como este se havia candidatado às eleições do Concelho Legislativo sobre a alçada da Civic Party, abandonou ao mesmo tempo a sua posição na Legco e a sua filiação no partido. Eu defendo que as pessoas devem ter princípios e lutar para a sua manutenção. Ronny Tong consegui fazer ambas as coisas. O desenvolvimento de qualquer organização segue um padrão normal, segundo o qual os elementos mais velhos são substituídos pelos mais novos. Quando se verifica uma transição suave entre o velho e o novo, a organização permanece com vitalidade suficiente para se manter em actividade. O sistema eleitoral do Concelho Legislativo de Hong Kong e Macau foi concebido através da atribuição de votos a diferentes colégios eleitorais que concorrem para a eleição, ao invés da selecção de candidatos individuais. Se a memória não me falha, Lau Cheok Va, o antigo presidente da Assembleia Legislativa de Macau, concorreu às eleições legislativas realizadas antes da transferência de soberania

Orson Welles, Citizen Kane

Reflexões sobre o futuro democrático de Macau de acordo com as opiniões de Ronny Tong Ka-wah

como membro de um colégio eleitoral filiado com a Associação dos Operários de Macau. Na ocasião, Lau era o último membro da lista de candidatos daquele particular colégio eleitoral. Quando Tong apresentou a sua demissão do Concelho Legislativo, este recomendou em seu lugar Alvin Yeung Ngok-kiu, um jovem membro da Civic Party, para concorrer na eleição suplementar para este mesmo organismo. Todavia, o seu partido demorou em responder a esta proposta, apesar de ter feito tudo no seu poder para garantir que este jovem político obtivesse um assento nas últimas eleições para o Concelho Legislativo, não estivesse esta ciente de que o mundo acabaria sem a participação das camadas mais jovens. Assim, ao garantir a participação e a

Qualquer coisa feita sem respeito pelas intenções originais que levaram à sua constituição fica destinada ao fracasso. Mas através da experiência obtida nas eleições legislativas de 2013, a Associação Novo Macau vai ter de prepararse melhor para o mesmo acto eleitoral que vai ter lugar em 2017

presença destes membros mais jovens quer na política como no próprio órgão legislativo, tanto a sociedade como o próprio Concelho Legislativo acabariam obviamente por sair beneficiados. Quanto a este assunto, tanto a Federação das Associações dos Operários de Macau como a União Geral das Associações dos Moradores de Macau desenvolveram inúmeros esforços para garantir que as camadas mais jovens da população tivessem voz na Assembleia Legislativa. Mas como procedeu a Associação Novo Macau? Para as eleições da Assembleia Legislativa de 2009, esta associação teve de apresentar a sua própria lista de candidatos. Ng Kuok Cheong acreditou na altura que seria melhor colocar os membros mais experientes deste partido no topo da lista, tendo em conta a situação social que Macau enfrentava nesse momento. Todavia, em 2013 foi proposta uma nova estratégia para estas mesmas eleições, sugerindo-se deixar desta vez os mais velhos proteger os mais novos. Aliás, esta estratégia já havia sido adoptada pelo Civic Party de Hong Kong em 2012, durante as respectivas eleições para o Concelho Legislativo da RAEHK. Na ocasião, os membros mais jovens deste partido foram apresentados como cabeças-de-cartaz, enquanto que membros com mais experiência, como por exemplo antigos deputados da Legco, não passaram do segundo lugar nessas mesmas listas. Esta decisão parece ter recolhido a aprovação dos eleitores, que elegeram estes políticos mais jovens e garantiram assim uma transição suave no que toca à substituição dos políticos mais velhos pelos seus colegas mais novos. Apesar de tudo isto, a Associação Novo Macau não seguiu os concelhos de Ng Kuok

Cheong para as eleições daAL em 2013, e sinto agora que devo apresentar aos nossos leitores uma explicação pelo sucedido, visto eu ter estado envolvido na organização das equipas que concorrem neste acto eleitoral. Nesse ano, a nossa associação dispunha de três deputados na AL, incluindo eu próprio, apesar de na altura ser o candidato com menos experiência de trabalho na Assembleia, além ainda de ser o menos reconhecido, isto apesar de ter participado em todas as sessões preparativas para este mesmo órgão. Internamente, a associação não escondia a intenção de conseguir a reeleição destes três deputados, mas ao mesmo tempo também ambicionava conseguir assentos para os seus membros mais jovens. Pessoalmente, não tinha particular preocupação relativamente ao lugar que eu viria a ocupar nas próximas listas, e pretendia igualmente conseguir garantir a presença dos nossos novos afiliados nesta instituição política. Com isto em vista, propus então que se gastasse mais dinheiro com os mais jovens nessa campanha eleitoral, ideia que acabou por ser aceite e apoiada pelos nossos restantes membros. Relativamente aos dois colégios eleitorais em que se encontravam inseridos estes três deputados, ficou decidido que as despesas máximas na promoção de cada um não deveriam ultrapassar as 150 mil patacas. Já no que diz respeito ao colégio eleitoral composto pelos nossos afiliados mais jovens, o orçamento foi aumentado de forma a totalizar 180 mil patacas. Mas várias tensões internas acabaram por prejudicar a nossa campanha e enfraqueceram a coordenação necessária entre os três colégios eleitorais, o que se traduziu numa promoção mais fraca e uma despesa inferior às 150 mil patacas acordadas de avanço. Enquanto que o colégio eleitoral encabeçado por Au Kam San gastou 143.600 patacas, já o dirigido por Chao Teng Hei, Jason só gastou 143 mil, enquanto que o que ficou sob a direcção de Ng Kuok Cheong e eu próprio não ultrapassou as 138 mil patacas. Qualquer coisa feita sem respeito pelas intenções originais que levaram à sua constituição fica destinada ao fracasso. Mas através da experiência obtida nas eleições legislativas de 2013, a Associação Novo Macau vai ter de preparar-se melhor para o mesmo acto eleitoral que vai ter lugar em 2017, especialmente no que diz respeito à estratégia a ser adoptada de forma a garantir a obtenção de lugares na AL para os seus membros mais jovens. Para além dos seus próprios esforços, estes necessitam do apoio dos outros de forma a garantir a participação crucial das camadas mais jovens no futuro democrático do território. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


opinião 21

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urbanidades

Antigo Café Imperial (Porto)

Hotel Central, leal senado anos 50

António Conceição Júnior

Intangibilidade

I

ntangível é palavra imaterial, como todas as palavras, floração de ideias e memórias. Neste vestíbulo do século XXI, as ideias devem presidir ao bem comum, assentes em bases culturais que denotem discernimento, sentido de pertença e de futuro, nutridas pelo alimento do passado comum. Um adolescente, que participou na consulta sobre o destino a dar ao edifício do velho Hotel Estoril, terá dito que se a memória era colectiva, essa não era a dele. Isto é, exclui-se do colectivo. Pensará, porventura, que isto de colectivo é um valor dividido por gerações. Não tem culpa de viver na ignorância e na inocência. A inocência perdoa-se. A ignorância, a verdadeira ignorância, afirmação repetida até à exaustão, é não saber que não se sabe. E isso é uma omissão legada. Não será, assim, um processo isolado, antes como que uma epidemia que provém de um tempo para além do tempo do adolescente e que se tem vindo a agravar com a tangibilidade do vil metal, e que tantos julgam poder substituir-se ao conhecimento. O dinheiro não tilinta, tange, e nesse tanger incrusta-se em camadas de ignorância, porque o imaterial deixou de interessar em sociedades eminentemente materialistas. Se transformar o já transformado espaço do Tap Seac num centro de actividades cul-

turais se afigura uma boa ideia, as concentrações só são desejáveis se contrabalançadas com outros pólos. Neste campo da tangível intangibilidade, povoada de memórias, que nem a todos, pelos vistos -independentemente da idade - interessa, ocorrem-me à memória dois edifícios emblemáticos: o Hotel Central e o Grand Hotel, ambos numa das principais artérias da cidade, que une o caminho do antigo Porto Exterior ao Porto Interior. Este percurso tem vindo a ser delapidado, começando pela Tabacaria Filipina e pelo Restaurante Long Kei, cujos exteriores por sob as arcadas foram simplesmente destruídos, quero crer que por crasso mau gosto, falta de entendimento histórico e cultural do que é património quotidiano, e continuando pelo velho e desaparecido Soi Cheong, de quem Manuel da Silva Mendes era amigo e frequentador. Em seu lugar, aços polidos, vidros, carnes secas, pastéis, sapatarias, tudo naqueles ajoujados brilhos de novo-rico, equívoco dos equívocos. O Hotel Central é charme em potência. Não sei a quem pertence hoje, mas o estado

a que chegou é de tal modo decadente que constitui um gritante cartaz do abandono. Embora pintado, a quem (não) servirá um hotel de interiores Art Deco que noutras épocas foi o centro da vida diurna e nocturna de Macau, quando era propriedade da Tai Hing de Kou Ho Neng e Fu Lou Iong? Abandono que partilha com o esventrado Grand Hotel, por onde passaram estrelas como William Holden. Possivelmente, à noite, bailes fantásticos com orquestras de metais, figuras de ópera chinesa esvoaçando sobre os ecos de pregões das iguarias do iam chá, enquanto os anúncios do Fan Tan e as cestas a descer do piso superior com as apostas, entremeadas de gritinhos de damas acompanhantes de jogadores mais prósperos, percorrerão fantasmagoricamente esses espaços vagos, tão vagos quanto estava o edifício do antigo Tribunal, aguardando resgate total e retorno aos seus tempos áureos. Poderá parecer redundante falar sobre esta matéria, mas perante a ganância pelo metro quadrado, não basta apenas prevenir. É preciso valorizar, dar-lhes uso intensivo

Impõe-se, para o que resta do Património desta cidade, um grande rigor, tão grande quanto a intolerância para o tabagismo

para que não perpassem décadas de olvido antes que se olhe para estes testemunhos. A Memória, essa, não se secciona. Mas, infelizmente, já vamos com várias décadas de atraso em relação ao que deveria ter sido feito. Faz porém falta uma lei mais estruturada sobre a preservação de interiores. Não são apenas as fachadas e montras dos edifícios que têm importância. É preciso que indoutos se não imiscuam naquilo que pertence a todos. Como exemplo, refiro, na cidade do Porto, o antigo Café Imperial, na principal praça da cidade, hoje transformado num Mc Donald’s. Se a notícia é banal, o que merece referência é a preservação do seu interior e fachada, onde apenas foi permitido colocar o nome da cadeia de fast food. Impõe-se, para o que resta do Património desta cidade, um grande rigor, tão grande quanto a intolerância para o tabagismo. Afigura-se imperativo que se autonomize o Património para aliviar a carga, já pesadíssima, atribuída ao Instituto Cultural de Macau. Trata-se de uma questão de eficiência que requer, como em todas as áreas, a presença de especialistas para cada ramo, com a mesma abordagem que as Universidades têm pelo mundo fora. Que venham os melhores, não importa de onde. O que interessa é que se definam princípios mais restritivos, porque o sentido do colectivo começa com a preservação do tangível para o sustento da intangibilidade.


22 opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

Ó tu que fumas Não tenho nada contra os Serviços de Saúde. Conheço gente que trabalha sob a alçada destes serviços que é muito boa gente; da gente com quem não troquei mais de uma dúzia de frases não posso falar. Não tenho nada contra, apesar de já ter tido más experiências pessoais, algo em que serei acompanhada por sensivelmente 75 por cento das pessoas que me lêem. Não tenho nada contra, apesar de os Serviços de Saúde mentirem aos jornalistas, mentindo à população. Mas eu não tenho nada contra. Eu só não gosto de fundamentalismos.

Jim Jarmusch, Coffee and Cigarettes

1. A coisa é assim: vens a Macau e tens tudo o que não há lá na terra. Para começar, hotéis com alcatifas fofas às flores e tectos a imitar a Europa e os dias sempre azuis. Depois, tens mesas de jogo que nunca mais acabam, ainda por cima agora mais aliviadas de gente. É com facilidade que podes torrar as poupanças de uma vida, as poupanças da família e ainda os trocos contados dos vizinhos, que pacoviamente acreditaram no teu faro apurado para o jogo. Se te sobrarem umas patacas e se o álcool etílico que te venderam numa embalagem com nome estrangeiro o permitirem, ainda podes terminar a noite bem acompanhado por uma jovem que vende o corpo a preço fixo. Não interessa se a miúda se quer vender ou se foi vendida, porque o problema não é teu e tu ages de acordo com a lei, embora a desconheças. Macau é jogo, luxo, a limusina que te foi buscar para fingires que és rico, o copo cheio, a garrafa vazia, as fichas perdidas, o sexo, o prazer todo num pacote turístico do melhor que há, e que se lixe o património, talvez amanhã passes por lá se não estiver muito calor. O pior vem depois do prazer: corpos desnudados e contas feitas e tu nem sequer podes acender um cigarro. Aquele cigarro do depois. Quem nunca fumou não te entende e nesta terra de prazeres ilimitados parece que ninguém te percebe. O hotel não tem varanda, para evitar desgraças, e lá vestes tu as calças de há bocado, não te dás ao trabalho de apertar bem a camisa e sais em chinelos, não há uma sala de fumadores em lado algum e vais para a rua, com o que te resta de cabelo desalinhado do sexo todo. Macau é uma terra que quase não existe, onde tudo se compra, tudo se vende, acabaste de dizer adeus à miúda com quem não vais dormir, a polícia estava ali ao lado, mas está tudo bem. Macau é uma terra de vícios, onde tudo é permitido – menos fumar um cigarro. Macau nunca foi outra coisa que não uma terra estranha, mas há alturas em que é mais. Contra a opinião das operadoras do jogo – que registaram no mês passado os piores resultados desde 2010 –, o Governo insiste e leva por diante uma fundamentalista proposta de revisão da lei do tabaco. Não interessa se as salas dos casinos são destinadas exclusivamente a quem fuma, sem mesas de jogo nem trabalhadores. A liberdade, mesmo pequena e confinada a um espaço fechado com uns cinzeiros sujos no meio, não interessa. Nada interessa nada. É assim e pronto. É assim porque alguém se lembrou que o tabaco faz muito mal. Pena que ninguém se tenha lembrado de que há muitas outras coisas que também fazem mal, do género o que se come por aí, as condições em que a comida é confeccionada, o que vem dentro de uma garrafa de

whisky, o que sai dos tubos de escape das carcaças podres que circulam na cidade. O que interessa é a guerra ao tabaco e pronto, não interessa quando nem onde. Ninguém se lembrou, por exemplo, que sujeitar um doente à privação de nicotina não é do mais aconselhável que há. Antigamente, no tempo em que a liberdade era outra coisa, fumava-se numa zona ao ar livre no hospital. Quem partia uma perna e fumava era poupado ao esforço de trepar paredes por causa daquela vontade de acender um cigarrinho. Não tenho conhecimento de que alguém tenha morrido de cancro por causa do fumo que o doente do lado expirou no terraço do primeiro andar. Agora a coisa é diferente: não se fuma no perímetro do hospital, nem se fuma

nas ruas em redor. Macau é uma cidade saudável e não cede a pressões internas ou externas, cumpre à risca as directrizes da Organização Mundial de Saúde, que ninguém tenha dúvidas de que assim é, mais limpinho do que isto não há. Eles andam por aí a salvar vidas e a gente é que não os compreende, acha-os intolerantes, tem outras prioridades. Eu tenho: preferia que os Serviços de Saúde poupassem nos incansáveis fiscais antitabaco e investissem, só para dar um exemplo, no tratamento dos doentes com hepatite C que não podem ser medicados com os métodos convencionais. Estão à espera há meses, a ver se fintam a morte. Macau tão à frente e Macau tão atrás.

Preferia que os Serviços de Saúde poupassem nos incansáveis fiscais antitabaco e investissem, só para dar um exemplo, no tratamento dos doentes com hepatite C que não podem ser medicados com os métodos convencionais. Estão à espera há meses, a ver se fintam a morte. Macau tão à frente e Macau tão atrás

2. Esta semana fiquei a saber que há gente maltratada no Consulado Geral de Portugal e não me espanta: todos nós já nos sentimos ligeiramente enxovalhados em serviços com atendimento ao público. E quem atende ao público já se sentiu insultado por aqueles que tem de receber. Faz parte. Não é sequer uma característica das cidades multiculturais – quando vivia em Portugal detestava ir às Finanças porque saía de lá com um atestado de estupidez fiscal afixado na testa. Mas o conselheiro das Comunidades Portuguesas José Pereira Coutinho tem uma visão diferente do assunto e toca a denunciá-la em praça pública. Faz ele muito bem, que está aqui para defender os pobres e os aflitos. A denúncia foi feita não nos elitistas e politizados jornais locais, mas sim na livre e nada politizada imprensa de Portugal. Escolheu um jornal que eu desconhecia (e de cujo nome não recordo neste momento), o que foi pena, porque nas páginas do Expresso, do Público ou do Diário de Notícias teria outra (merecida) projecção. Não obstante, graças à generosidade da imprensa local, chegaram-nos os ecos da actividade crítica de Pereira Coutinho ao consulado, profissão que agora desempenha em simultâneo com mais algumas. Nestes oito anos em que ocupa o cargo de conselheiro das Comunidades Portuguesas, desconheço que Pereira Coutinho tenha apresentado um conjunto de propostas para a melhoria do funcionamento da representação diplomática portuguesa. Também desconheço que se tenha empenhado activa e publicamente na defesa dos portugueses – expatriados – com dificuldades na obtenção e na renovação da autorização de residência. São portugueses que supostamente representa e que simpatizam – muitos deles talvez conjuguem agora no passado este tão nobre sentimento – com a veia ocidental sindicalista do também deputado. Podia dar mais exemplos de todos os lusitanos problemas com os quais o conselheiro não se preocupou durante estes anos, mas não me apetece. O monólogo segue dentro de momentos num lusitano jornal, que os jogos políticos deste género não se fazem de olhos nos olhos.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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hoje macau sexta-feira 3.7.2015

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Cristiana Su, Relações Públicas no Instituto Cultural

“Vejo Macau como uma cidade internacionalizada” C

ristiana Su é, tal como tantos outros jovens que por cá andam, natural de Macau. No entanto, o seu nome engana quem possa julgar que viveu em Portugal. Na verdade, a história desta jovem é particular, no sentido em que não segue o destino habitual. Ao invés de ter ido estudar para Portugal, Inglaterra ou EUA como tantos outros, o rumo de Cristiana foi diferente: aos oito anos de idade mudou-se com a família para a região vizinha de Zhuhai, onde cresceu e cumpriu o ensino educativo até atingir a maioridade. Aos 18, retorna ao berço que a viu nascer, com um objectivo claro: licenciar-se. Foi assim que a sua história no território (re)começou. “Mudei-me para cá e fiz a licenciatura em Estudos Portugueses na Universidade de Macau”, começou a jovem por explicar ao HM. Viver em Zhuhai, diz, foi bom enquanto durou, mas parece-se mais com “um local de relaxamento e descanso, para onde as pessoas vão quando se reformam”. Macau tornou-se assim num local onde Cristiana se imaginou a evoluir profissionalmente. Fruto de heranças distintas, tem dupla nacionalidade e nasceu em Macau: duas mais-valias que fazem do mundo a cidade de Cristiana. Entre estudos e novos conhecimentos, acabou por cumprir um estágio de seis meses na Universidade de Coimbra. Actualmente, trabalha como Relações Públicas e Organizadora de Eventos Culturais no Instituto

Cultural, onde se diz “muito feliz”. Isto não só porque gosta de viver em Macau e naquilo em que a cidade se está, aos poucos, a transformar, mas porque muito se interessa por actividades culturais, como são a realização de exposições, peças de teatro, concertos, entre outras. “Estou no IC desde Agosto [do ano passado] e a adorar o que faço, especialmente porque posso fazer parte da transformação de Macau na área cultural”, diz ao HM. Uma das curiosidades acerca desta jovem é o facto de falar, fluentemente, três línguas. “Falo Inglês porque é a língua com que comunicamos em casa e Mandarim e Português porque aprendi mais tarde”, esclarece. Entre ajudar a organizar eventos culturais e comunicá-los aos meios de comunicação, faz algumas traduções e participa activamente em algumas dessas actividades. Questionada sobre o actual panorama cultural na região, Cristiana diz considerar que o Governo “está a fazer um grande esforço” nesse sentido. À parte do trabalho no IC, a jovem sente-se privilegiada por viver em Hac-Sá e poder usufruir daquele zonas, dos seus trilhos de caminhada e da praia e de pequenos cafés que vão surgindo por toda a cidade, o desenvolvimento daquilo a que chama de “crescente cultura de fazer e beber café”. Ocidentais no Oriente Não é, no entanto, comum ouvir-se uma jovem notoriamente loira, de traços ocidentais, a falar Mandarim como se de uma nativa quase se tratasse. Natural é, por tudo isso,

que a comunidade chinesa se surpreenda ao ouvir Cristiana a comunicar fluente e comodamente na língua da Mãe-Pátria. “É muito engraçado quando, em trabalho, se combina alguma coisa com alguém por telefone, em Chinês, e depois se chega ao sítio e a pessoa não nos reconhece porque não parecemos a pessoa que atendeu a chamada”, conta Cristiana, entre risos. A experiência de trabalhar num departamento que faz da cultura personagem principal é, para a jovem, bastante boa, uma vez que não é só possível perceber as mudanças progressivas da cidade, mas também do contexto de mentalidade local. “Acho que nunca vi tantas notícias sobre novas exposições e eventos culturais nos jornais como hoje em dia e isso é um dos sinais de que Macau e a comunidade estão cada vez mais preocupados com a difusão da cultura”, explica. Pelos olhos de uma criança dos anos 90, esta era uma cidade segura, mais calma e que Cristiana associa à presença lusa. “Antes, relacionava muito Macau à herança cultural portuguesa e a Portugal, porque a diferença entre Macau e Zhuhai, mesmo sendo as duas zonas chinesas, é muito diferente. Mas hoje em dia, associo Macau a toda a indústria do Turismo, aos grandiosos hotéis e casinos”, distingue a jovem, licenciada em Estudos Portugueses. “Vejo Macau como uma cidade internacionalizada”, frisa. Cristiana justifica esta internacionalização com o facto de haver sempre coisas a acontecer,

lojas e restaurantes a abrir numa cidade que actualmente pouco pára. De Zhuhai para o mundo “A vida é mais fácil. Atravessa-se a fronteira e há mais coisas, mais parques, mais natureza, mais desporto e eu gostei dos anos que lá vivi e acho que Macau hoje é um pouco confuso, com muita gente e trânsito”, confessa ao HM. Ainda assim, embora descreva Macau como um “pouco insuportável para se viver”, gosta de cá estar e não pretende deixar já o território. Hoje em dia prefere Macau a Zhuhai. “Para pessoas que procuram um emprego e uma vida mais atarefada, este é um sítio melhor”, justifica.Avida de Cristiana começou em Macau, para passar quase dez anos por Zhuhai e simplesmente regressar à região que a viu nascer. No entanto, não se trata de um caminho sem fim e Macau pode não ser a última casa do jogo. “Gosto muito desta cidade para viver e trabalhar, mas não me imagino a criar família e ter filhos aqui, por isso projecto uma próxima etapa da minha vida noutro sítio e os EUA ou Portugal são duas das possibilidades”. O que importa, diz, “é tentar”, já que a vida são dois dias e um deles está já a passar. Neste momento, Cristiana parece querer aproveitar aquilo que a cidade e a vida lhe dá, nunca descartando o facto do mundo ser agora global e capaz de acolher quem o quiser abraçar. Leonor Sá Machado leonor.machado@hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 3.7.2015

Complexo militar é isolado em Washington após tiroteio

cartoon

grécia

por Stephff

O

complexo da Marinha americana em Washington DC, Navy Yard, foi isolado após relatos de um tiroteio no local, na manhã desta quinta-feira. Mas tudo indica que se tratou de um falso alarme falso. Nenhuma arma e nenhum atirador foram encontrados, segundo as autoridades. Os EUA estão em alto nível de alerta por causa das comemorações do dia 4 de Julho, quando se celebra a festa da independência por todo o país. Os canais de TV exibiram nesta quinta-feira dezenas de policias com capacetes e coletes à prova de balas no bairro totalmente isolado e sobrevoado por um helicóptero. Os arredores da Casa Branca e do Capitólio também foram isolados. Em 2013, o militar na reserva da Marinha Aaron Alexis matou 12 pessoas no mesmo edifício agora em isolamento. Um funcionário da entidade falou ao portal “USA Today” que, após os alarmes de segurança soarem, todo o prédio foi trancado e nenhum funcionário pode sair. Quem ainda não foi ao trabalho, recebeu a ordem de ficar em casa. Além dos policias, o FBI e o Corpo de Bombeiros estão a postos para qualquer nova acção.

Filipinas Mais de 30 mortos em naufrágio

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Pelo menos 33 pessoas morreram ontem na sequência do naufrágio de um ‘ferry’ ao largo do centro das Filipinas, com 173 pessoas a bordo, informou fonte oficial. Pelo menos sete embarcações resgataram dezenas de sobreviventes do ‘ferry’, que estavam agarrados ao casco virado do ‘Kim Nirvana’, a um quilómetro do porto de Ormoc, relatou Ciriaco Tolibao, da agência de gestão de desastres da cidade, à agência noticiosa AFP.

sim, sim... eu admito... tive mais olhos que barriga!!!

Chineses estão a ficar mais altos e mais obesos

Medida do novo tempo O povo chinês está a ficar mais alto à medida que o país tem vindo a enriquecer, mas o índice de obesidade que apresenta revela um crescimento ainda mais rápido, refere a imprensa estatal local. A proporção de chineses com mais de 18 anos que em 2012 apresentava excesso de peso era 30,1 por cento, significando um aumento de 7,3 pontos percentuais atingido numa década, disse na terça-feira o vice-director da Comissão Nacional para a Saúde e Planeamento Familiar, Wang Guoqiang, numa conferência de imprensa. O rácio de obesidade aumentou 4,8 pontos percentuais, representando um crescimento de 11,9 por cento, o que significa que há mais dois terços da população chinesa a apresentar índices de obesidade, acrescentou. O peso médio dos chineses homens situava-se, em 2012, nos 66,2 quilos, e o das mulheres em 57,3 quilos, esclareceu Wang

Guoqiang, com base num relatório governamental sobre nutrição nacional e doenças crónicas. Este resultado significa que, no espaço de dez anos, os homens aumentaram cerca de 3,5 quilogramas, e as mulheres 2,9 quilogramas, refere hoje o jornal China Daily citando os números anteriormente mencionados.

Riscos de vida

“Tabagismo, excesso de álcool, pouco exercício físico e

uma dieta nada saudável, com consumo abusivo de sal e de gorduras [polinsaturadas] são os principais comportamentos de risco”, apontou Wang Guoqiang na conferência de imprensa, sublinhando serem estas as razões que estão a “provocar ou agravar as doenças crónicas”. No entanto, acrescem a este problema “as pressões resultantes de um rápido desenvolvimento e transformação da economia e da sociedade na vida das pessoas, mudanças a nível pessoal e profissional que também causam impactos na saúde”, indicou. A média de altura dos chineses homens há dez anos era de 1,67 metros e aumentou 04 milímetros, enquanto as mulheres, cuja média era 1,56 metros, cresceram 07 milímetros. Num relatório publicado em 2014 na revista médica britânica ‘The Lancet’ mostra-se que anualmente morrem 363.000 pessoas na China por causas decorrentes da obesidade, como diabetes e ataques cardíacos.

Angola garante dívida pública dentro dos limites com apoio chinês

A

nova linha de crédito da China a Angola vai servir para financiar projectos públicos já a partir deste ano, mantendo-se a dívida pública angolana dentro dos limites legais, anunciou esta quarta-feira fonte governamental. A informação, sem revelar o montante envolvido, surge no comunicado da reunião extraordinária conjunta das comissões Económica e da Economia Real do Conselho de Ministros, realizada em Luanda e que serviu para analisar o Memorando sobre Projectos de Investimento Público a inserir nesta linha, que resultam de vários acordos rubricados durante a recente visita do Chefe de Estado angolano a Pequim. “Os referidos acordos vão permitir acomodar e financiar projectos constantes da carteira de investimentos públicos, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 20132017, visando garantir o provimento de bens e serviços públicos no contexto da diversificação e competitividade da economia”, lê-se no mesmo comunicado, enviado à Lusa. Acrescenta-se que na reunião de quarta-feira, que decorreu sob orientação do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foram considerados os valores globais dos projectos para os exercícios de 2015, 2016 e 2017, “bem como a observância do limite de endividamento público, por forma a assegurar a garantia da manutenção do perfil do défice público”. “Para inclusão de projectos na linha de crédito da China, foram também considerados os que constavam do Orçamento Geral do Estado e que, pela sua grandeza, podem influenciar o nível geral de preços”, conclui o mesmo comunicado.


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