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Bragança Paulista

Sexta

11 Fevereiro 2011

Nº 574 - ano IX jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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Para Pensar

Jordânia e Israel

EXPEDIENTE Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br

MONS. GIOVANNI BARRESE

Após quase uma semana no Egito um voo levou nosso grupo para Amã, capital da Jordânia. Foi visível a diferença da qualidade de vida. Embora o estilo das construções seja muito diferente do nosso - em razão do clima e material disponível - percebe-se uma excelente qualidade. Que fica ainda mais patente quando se lembram as construções do casario egípcio. Outro fator que chama a atenção é a quantidade de carros de marcas famosas: Mercedes, BMW, japoneses, coreanos, etc... A frota egípcia mostra muito mais carros envelhecidos e bastante danificados. Sem falar do trânsito caótico que se via no Cairo... Muitas lojas famosas pelas roupas (Armani, Zenga, Diesel, Hermès, etc.). Sem falar nas joalherias. Fizemos um tour pela cidade. Vimos bairros bem arborizados. De Amã fomos a Petra. Famosa cidade que os nabateus escavaram em rocha num desfiladeiro de arenito multicolorido. A cidade ficou famosa pelas cenas de um filme da série “Indiana Jones”. No Brasil por cena de uma novela. Da entrada do desfiladeiro até a

parte final da antiga cidade são cinco quilômetros em descida suave. A maior parte dos visitantes vai caminhando. Se se desejar pode-se fazer o caminho a cavalo (800 metros), de charrete (mais ou menos 1,5 quilometro), no lombo de burrinho ou camelo (no restante do percurso). Tudo a ser devidamente pechinchado com os beduínos donos dos animais e que detêm o monopólio do transporte. Conforme a procura o preço varia. A descida é tranquila. Depois de 2,5 quilômetros chega-se a um primeiro monumento (o mais conhecido). Imponente. Local obrigatório de fotos. Faltam mais 2,5 quilômetros. Chega-se a um anfiteatro, a um resto de ruínas do antigo cardo romano. Aí vem o maior desafio: ir até o Tesouro. São mais de mil e cem degraus, irregulares, montanha acima. Onde se sobe e se desce, também a cavalo ou lombo de burro. Alguns corajosos foram. Eu não quis dar vexame. Os que foram afirmaram a beleza do panorama. Quem sabe numa próxima vez e quilos mais magro! A volta é em subida. Boa parte volta caminhando. Alguns se

viram obrigados a buscar auxílio nas caminhonetes mambembes dos beduínos! Para que fique claro: fui e voltei a pé! Em Petra ficamos hospedados no hotel Panorama. Bom hotel, mas já um bocado desgastado pelo uso continuado. Construído numa encosta, os elevadores nos levam para baixo quando queremos ir aos apartamentos. Um labirinto interessante. Motivo de muita gozação com alguns que levaram tempo para descobrir como a coisa funcionava! Hora de ir embora. No alto de um dos montes que escondem Petra está bem visível uma construção branca. Segundo a tradição ali está o túmulo de Aarão, irmão de Moisés. Isto lembra que o atual território da Jordânia é parte integrante da história bíblica. Por ali passou o povo de Israel. No seu caminhar nômade ali foi seu lugar de vida e de batalhas travadas até chegar à Terra Prometida. Do Monte Nebo, que está no limite com o território de Israel, Moisés avistou a terra que Deus havia preparado para seu povo. Ele não chegou a entrar nela porque duvidara da realização da promessa. Nos dias límpidos,

do alto do monte, se avista a cúpula dourada da mesquita que está na esplanada do destruído templo de Jerusalém. Entramos em Israel pela cidade de Jericó. Famosa por Zaqueu. Famosa pela parábola do bom samaritano. Famosa pelas inúmeras vezes que Jesus lá esteve. O guia nos leva diretamente a um sicômoro, árvore nativa na região norte da África, introduzida na bacia mediterrânea e cultivada pelos figos comestíveis e pela madeira muito usada (especialmente no antigo Egito para a feitura de estátuas e sarcófagos). A árvore está ligada ao chefe dos cobradores de impostos da cidade de Jericó nos tempos de Jesus. Ele queria ver Jesus, mas era baixinho. Resolveu subir num sicômoro à beira da estrada por onde Jesus estava passando. Jesus olha para cima e lhe diz que deseja ficar em sua casa. Zaqueu oferece um banquete. No meio da festa diz a Jesus que daria a metade dos seus bens aos pobres e que se tinha roubado alguém devolveria quatro vezes mais (leiam o Evangelho de Lucas 19,1-10). Jericó é também importante

Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

porque é, possivelmente, o mais antigo assentamento humano conhecido na região. A data iria aos oito mil anos antes de Cristo. Ela foi a primeira cidade encontrada pelos hebreus quando da caminhada para a conquista da terra prometida. Os capítulos 5,13 a 6 do livro de Josué falam de sua conquista. Geografia e recursos naturais iguais aos de Israel, história que caminhou unida, deram a possibilidade de paz e colaboração entre os dois países. Sonhamos com o dia em que descendentes de Isaac e Ismael vivam em plena harmonia!


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Inclusão em sala de aula A importância de conviver com as diferenças

colaboração SHEL ALMEIDA

Segundo dados do MEC – Mi- alunos. A diferença é que o aluno especial nistério da Educação – mais da desenvolve as atividades propostas de metade dos alunos com alguma acordo com o próprio ritmo, sem prejudicar necessidade especial está matriculada seu aprendizado e dos demais colegas. Ele em escolas e classes comuns do ensino ainda freqüenta a Sala de Recursos, onde regular. Os dados foram coletados no a professora Luana desenvolve atividades Censo MEC/INEP de 2008 e apontam direcionadas. “Até o ano passado o atendique 54% desses alunos freqüentam a es- mento era feito individualmente. A partir cola regular em contraponto aos 46% que desse ano será feito em grupos, de acordo estão matriculados em classes especiais e com as necessidades”, explica Luana. “O em instituições de educação especial. De mais engraçado é que os outros alunos acordo com esse levantamento é possível querem saber por que os colegas vão pra perceber que já existe uma mudança clara sala da Prô Luana e eles não”, fala Vanderli. em relação à educação de crianças com “Eles ficam curiosos pra saber o que tem ali, necessidades especiais. Ainda de acordo e eu acabo levando pra conhecer também”, com o MEC, “os sistemas educacionais têm ri Luana. “Cria-se uma fantasia em relação a buscado efetivação de garantia do direito à sala da Prô Luana”, explica Priscila. Patrícia educação enquanto um direito humano e completa: “Estamos programando atividades constitucional (...) processo que implica a adaptativas, com simulação, para que um luta pelo direito à diferença”. Em Bragança se coloque no lugar do outro.” Paulista, a escola IEST – Instituto Santa Crianças X Adultos Terezinha, vem, há cinco anos, trabalhando em prol da inclusão. O que começou com A pergunta inevitável: vocês percebem o a iniciativa de atender um aluno especial preconceito em relação a essas crianças? que procurou a escola, tornou-se referência “O preconceito vem dos pais”, afirma Patríquanto à permanência de crianças iguais a cia. “E às vezes preconceito ao contrário”, ele no ensino regular. “Hoje são 23 alunos completa. “Entre as crianças não existe especiais matriculados, desde o mini ma- a diferença”, explica Priscila. Patrícia se ternal até o ensino médio”, conta Luana lembra da história que mais a comoveu: Mara Machado, professora responsável “Uma de nossas alunas não tem as duas pela sala de recursos. É pernas e um dos braços. nessa sala que ela atende Outra menina perguntou as necessidades específicas A nossa luta é uma via pra ela: Por que você não dos alunos especiais. “Dede mão dupla. O pai tem as pernas? Ela respois de um tempo vimos do especial também é pondeu: Não sei. E por a necessidade de contratar que você tem? Resposta: preconceituoso. Ainda uma especialista”, conta a também não sei. E as duas vive na realidade saíram rindo e brincando” Coordenadora Pedagógica do luto à luta lembra. “A nossa luta é do Ensino Infantil, Patrícia Serafim Rodrigues, uma via de mão dupla. O Patrícia Rodrigues, Coordenadora se referindo ao trabalho pai do especial também de Luana. Atualmente é preconceituoso. Ainda estão matriculados no vive na realidade do luto IEST alunos com síndrome de down, à luta”, completa. “Ainda assim, o mais com deficiência física, visual entre outras complicado é lidar com os pais de crianças necessidades especiais. “Nosso trabalho é com transtornos comportamentais. Em desenvolvido em conjunto com os médicos geral eles não aceitam que o filho tem especialistas dos próprios alunos”, explica algum problema, preferem ignorar para Priscila Tassara, Coordenadora do Ensino o que está escondido não venha à tona. A Fundamental I. “Também promovemos palavra psicólogo ainda causa um grande reuniões regulares com os pais, onde discu- mal estar”, diz. “Por isso a necessidade timos acompanhamento e recomendações de trabalhar em parceria com a família e em relação ao trabalho desenvolvido com a comunidade”, afirma Priscila. “Alguns as crianças”, completa. “Não queremos pais proíbem a participação dos filhos apenas mais um aluno na sala. Queremos especiais nas festas da escola achando para ver a diferença”, afirma Luana. “É uma que o estão protegendo”, analisa. “Um de equipe de profissionais trabalhando para nossos alunos mais queridos não viria para o progresso de todos os alunos”, afirma a uma apresentação da turma. A classe dele Orientadora Educacional Vanderli Denise implorou para que ele viesse, ligamos para Vito Liddi Delgado. a mãe, mas mesmo assim não sabíamos se adiantaria. Ele veio e a classe não se Sala de Recursos continha de tanta alegria. A apresentação Qualquer trabalho de inclusão tem como dele foi a mais incrível. Ele deu um show. A objetivo a interação e a dinâmica entre os mãe não acreditou e chorou muito. Mudou alunos com necessidades especiais e os a vida dessa família”, conta Vanderli. “Os ditos normais. E é assim também no IEST. pais dos especiais acham que o filho não “Todos os alunos especiais freqüentam é capaz”, fala Luana. “Desenvolvo com a sala regular e também a sala de apoio, eles atividades diárias, como arrumar o em horários pré determinados”, explica lençol, varrer o chão. Até já fomos fazer Vanderli. “E todos os professores recebem compras num supermercado, para que eles orientação específica em relação a esses aprendam a lidar com o dinheiro”, conta. alunos para trabalharem em sala de aula” “É preciso apostar no potencial e na autocompleta. Ou seja, a criança especial é nomia deles”, afirma. O que faz lembrar o matriculada na turma regular, de acordo slogan de uma campanha antiga da AACD: com a sua idade. O trabalho desenvolvido “Todos os jovens querem ser diferentes. pela professora da sala é igual para todos os Os nosso só querem ser iguais”.

“Recebemos elogios quando vamos mostrar a escola para interessados. Eles dizem: Quero que meu filho conviva com a diferença” Vandeli Delgado, orientadoraa

“A escola vive muito momentos coletivos o que ajuda a inclusão” Priscila Tassara, coordenadora

“Não tem como o trabalho de inclusão dar errado”, Luana Machado, professora da Sala de Recursos

“Quando é preciso nos deslocamos até a APAE para dar acompanhamento aos alunos” Luana Machado


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Seus Direitos e Deveres colunadoconsumidor@yahoo.com.br

Alienação parental GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

Em 26 de agosto de 2010 foi publicada a Lei n.o 12.318/2010 que dispõe sobre a alienação parental, a qual entrou em vigor na mesma data. Síndrome da Alienação parental (SAP), é o termo proposto por Richard Gardner, em 1985, para a situação em que a mãe , o pai, os avós ou quem tenha a guarda de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação a ele. Essa situação normalmente se dá quando os genitores não são casados ou vivem em união estável, pertencendo aguardadacriançaaumdos pais. Verifica-se que a atitude do genitor de afastar o filho de seu pai ou mãe ocorre por não haver um bom relacionamento entre aquele e este. Trata-se, em regra, de uma maneira de vingar-se do outro por algo de ruim que ele o tenha feito, ou porque o relacionamento amoroso foi por ele rompido ou porque houve traição, dentre outros motivos. Aquele que se encontra com a guarda do filho, o usa para castigar o outro genitor, afastando-os e evitandose a todo custo a visitação. Todavia, os filhos têm o direito de conviver com pai e mãe, o que ocorre na constância da união, quando as responsabilidades sobre eles são partilhadas. O vínculo de convivência é indispensável ao desenvolvimento saudável e integral de crianças em desenvolvimento. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que toda criança e adolescente tem o direito de ser criado no seio da família. O termo família deve ser entendido pela comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes, estendendo-se aos parentes próximos com que a criança ou o adolescente convive e matem vínculos de afinidade e afetividade. Usar uma criança ou adolescente para punir um dos pais por ato que ele tenha praticado contra o outro genitor configura-seumaatitudeegoísta,imatura,representativa de que esse genitor não possui as melhores condições para exercer a guarda do seu filho. Flagrada a presença da síndrome da alienação parental, é indispensável a responsabilização do genitor que age

desta forma por ser sabedor da dificuldade de aferir a veracidadedosfatoseusaofilhocomfinalidadevingativa. É importante que sinta que há o risco, por exemplo, de perda da guarda, caso reste evidenciada a falsidade da denúncia levada a efeito. Sem haver punição a posturas que comprometem o sadio desenvolvimento do filho e colocam em risco seu equilíbrio emocional, certamente continuará aumentando esta onda de denúncias levadas a efeito de forma irresponsável. O Código Civil dispõe que o guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e, objetivamente, mas aptidão para proporcionar aos filhos os seguintes fatores: afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar; saúde e segurança e educação. E ainda o artigo 1.589, do aludido Diploma Legal, garante que o pai ou a mãe, cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los sob sua companhia, segundo o acordo com o outro cônjuge ou o que for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação. Foi então com esse objetivo, o de garantir à criança e adolescente o direito à convivência familiar, que a novel legislação previu diversas formas de punir o guardião que aliena o filho do convívio com o outro genitor. As medidas punitivas vão desde o acompanhamento psicológico até a aplicação de multa, chagando ser possível a perda da guarda do genitor que pratica atos de alienação parental, a qual será concedida àquele que viabiliza a efetiva convivência com o outro genitor. A Lei 12.318/2010 arrola de forma exemplificativa atos que caracterizam alienação parental: realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; dificultar o exercício da autoridade parental; dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência

deles com a criança ou adolescente; mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. Importante frisar que o direito de visita dos avós para com os netos não está expressamente consignado em nosso ordenamento jurídico. Entretanto, tanto a doutrina como a jurisprudência confirmam e aplaudem esse ponto de vista, fundado na solidariedade familiar e nas obrigações resultantes do parentesco, como prestação de alimentos, de tutela legal e de sucessão legítima, além de outros preceitos. O que se busca é a preservação da comunidade familiar em que se integra o menor, como parte do seu contexto de vida em sociedade. A esse respeito, determina a Constituição Federal de 1988, no artigo 227, que constitui dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, dentre outros direitos básicos, o direito à “convivência familiar e comunitária”. Soam a contento as palavras de Moura Bittencourt: “Do lar, outrora unido, brotou o afeto dos avós e dos netos, que se separaram, sobretudo quando o genro ou nora é que leva consigo os filhos. Desse lar esfacelado nasceu uma situação inconveniente para os filhos, que se privam de ambiente saudável. A compreensão e o respeito recíproco que os pais, ou pelo menos um deles, não souberam manter, precisam ser substituídos pelo exemplo de outro lar. O mais próximo é o dos avós. Bem razoável, portanto, é que a companhia e a casa destes venham atenuar o vazio da vida sentimental que as crianças percebem e sofrem.” Pode-seperceberclaramentequealeiqueveiotratarsobre a síndrome da alienação parental garante nada menos que o efetivo interesse do menor. Este deve sobrepor a qualquer interesse particular dos genitores ou de quem detém a sua guarda. É imprescindível que em todas as situações seja garantida a criança e ao adolescente, pessoas em processo de desenvolvimento, a convivência harmônica com a sua família natural. O interesse que deve preponderar na relação entre seus genitores e os filhos é o maior interesse destes.

O afeto e carinho de toda família são essenciais para o desenvolvimento saudável de futuros adultos. A família é responsável pela formação da sociedade. É dever de todos lutar para que as famílias estejam sadias, pois, quando uma família se encontra doente isso significa que a sociedade, resultado de muitas famílias, assim se encontra. O Brasil em que vivemos neste presente momento, mergulhado num universo em constante ebulição a partir da velocidade e das exigências da globalização e de sua competição acirradíssima por mercados e possibilidades, não é tampouco um cenário que auxilie as famílias na educação de seus filhos e na própria estabilidade das relações conjugais Criar formas de convivência familiar de acordo com modelos vigentes há 10, 20, 30 ou 40 anos é inviável. Deixar de viver dentro dos parâmetros tecnológicos do século XXI é, igualmente, pouco ou nada provável. O que precisamos fazer é pensar em alternativas que consigam viabilizar os elementos da modernidade em que vivemos com uma convivência familiar que seja pautada em valores como a ética, a solidariedade, a presença física e espiritual, a paz e o amor. Como consagra a própria Constituição Federal, a família é a base da sociedade e o planejamento familiar deve ser fundado nos princípios da dignidades da pessoas humana e da paternidade responsável. Ser conscientes quanto à adequada criação de crianças e adolescentes, possibilitando o convívio com a sua família e passando-lhe valores morais e éticos, nada mais é do que auxiliar na construção de uma sociedade saudável e justa. Trata de um dever e constitui ato de cidadania. Até a próxima!

Advogados Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Gustavo Antônio de Moraes Montagnana OAB/ SP 214.810 Tel.: 11 4034.0606


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Informática

&

Tecnologia

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Jogos de tiro, luta e RPG despontam neste ano

Lançamentos de 2011 se mostram tão promissores quanto os de 2010 por THÉO AZEVEDO/FOLHAPRESS

Se há algo do qual os fãs de games não podem reclamar é de 2010, afinal, a temporada foi recheada de lançamentos excelentes. A boa notícia é que 2011 já se desenha tão promissor quanto este, com novidades que abrangem, principalmente, jogos de tiro, de luta e RPGs. Em fevereiro, chega às lojas Killzone 3, nova versão da franquia da Sony, com direito a suporte ao PlayStation Move, controle de gestos do PlayStation 3, e à tecnologia 3D estereoscópica. Para quem gosta de jogos de luta, o game mais promissor é Mortal Kombat, que almeja marcar um retorno da sangrenta franquia aos bons e velhos tempos. Porém, os combates agora acontecem em alta definição, o que deixa os ‘fatalities’ ainda mais marcantes. Marvel vs. Capcom 3 reúne lutadores das duas empresas, rendendo confrontos inusitados. Já os RPGs têm em vista retornos gloriosos, a começar por Legend of Zelda: The Skyward Sword, um dos poucos títulos já anunciados para o Wii em 2011. Outro best-seller que volta à tona é Diablo, cuja terceira versão já desponta como um dos games imperdíveis para quem é chegado à jogatina no PC. Mas a profusão de novidades está mesmo nos jogos de tiro, a começar por Rage, projeto da Id Software para Xbox 360, PS3 e PC, mais conhecida por ter criado Doom e Quake. O cenário para a trama é apocalíptico e os gráficos são de cair o queixo. Exclusivo para Xbox 360, Gears of War III fecha a bem-sucedida trilogia de ação com modo cooperativo e uma campanha inédita no modo para um jogador. A Rockstar Games prepara L.A. Noire, thriller de detetive para PS3 e Xbox 360 ambientado no fim da década de 40, marcado por corrupção e violência em Los Angeles. A lista deve aumentar com os eventos como a E3, que acontece em junho, em Los Angeles. Haja bolso e tempo para jogar tanta coisa.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Tela de Legend of Zelda: The Skyward Sword FOTO: DIVULGAÇÃO

Games móveis se sofisticam e vão para consoles tradicionais

Duas tendências emergem em 2011 no setor de games móveis: a qualidade gráfica cada vez mais sofisticada e a migração para consoles tradicionais de jogos desenvolvidos para celulares e tablets. Responsável por Infinity Blade, game para iPhone e iPad cujos gráficos tridimensionais estão entre os mais avançados já vistos em um dispositivo móvel, a Epic GamesliberounomêspassadoatecnologiaUnrealDevelopmentKit,quepermitiráaoutrosdesenvolvedores criar jogos com qualidade gráfica equivalente. Já os passarinhos que lutam contra porcos do mal em Angry Birds, game que faz sucesso no iPhone e no Android, migrarão neste ano para os consoles da Microsoft, da Nintendo e da Sony, revelou a Rovio Mobile, desenvolvedora do game.

Tela de Gears of Wars III


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Casa & Reforma

Ano para gastar as economias Usar dinheiro da poupança e do FGTS é a melhor tática no cenário de juro alto e de crédito enxuto

por PATRÍCIA BASILIO/FOLHAPRESS

Em 2010, quem queria comprar um imóvel encontrou crédito abundante, boa oferta de lançamentos e preços em alta. Com a virada no calendário, esse cenário também mudou: 2011 é um ano para usar recursos próprios na aquisição -e os preços tendem a se estabilizar. “Os valores devem acompanhar apenas a inflação”, avalia José Crestana, presidente do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário). “A alta se deu por causa do crédito oferecido, o que não deve ocorrer na mesma proporção. Hoje, vale a pena comprar imóvel para alugar, mas não para especular.” Como a elevação da Selic (taxa básica de juros, hoje em 10,75%) pode afetar, mesmo que pouco, as condições do financiamento imobiliário, o mais indicado é utilizar o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e da poupança, analisa Ricardo Almeida, especialista em finanças do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa). “Quem não der um bom valor de entrada vai pagar caro. É a hora de fazer uso dos fundos guardados”, concorda Crestana, do Secovi-SP. É o que pretende fazer o químico Alessandro Frutuozo Crepaldi, 28. Ele se casou em 2007, mas mora com a mulher na casa dos pais, em São Mateus (zona leste), para juntar dinheiro e dar de entrada em uma casa de até R$ 180 mil no Grande ABC.

Empresas vão focar em baixa renda e eficiência

Em 2011, o setor imobiliário espera ter um

crescimento moderado e oferecer menos lançamentos, de acordo com construtoras e bancos consultados pela reportagem. As empresas pretendem focar empreendimentos que se enquadrem no programa Minha Casa, Minha Vida -unidades de até R$ 130 mil. Segundo Teotônio Costa Rezende, consultor da vice-presidência de governo da Caixa Econômica Federal, a segunda fase do projeto tem como objetivo lançar 2 milhões de unidades até 2014. “O grande entrave é viabilizar terrenos com infraestrutura adequada e preço compatível para empreendimentos destinados ao segmento de baixa renda”, afirma. É nessa faixa de valor que a recepcionista de eventos Ivanir Rezende Mota, 44, procura um imóvel em Osasco (Grande São Paulo). “Estou apreensiva com as possíveis mudanças econômicas, mas me tranquiliza já ter a carta de crédito [do financiamento] em mãos”, comenta. Consultores apontam a superação de gargalos como o maior desafio deste ano para construtoras e incorporadoras. “Faltam mão de obra e infraestrutura para sustentar uma expansão maior”, cita Ricardo Almeida, do Insper. “O Brasil precisa formar profissionais qualificados para dar conta de demandas grandes como a da Copa e a das Olimpíadas”, opina Tarcisio Souza Santos, economista da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). Fabio Cury, presidente da construtora que leva seu sobrenome, aposta em um crescimento máximo de 20% no número de lançamentos. “Não temos estrutura para vender mais que

FOTO: GABO MORALES/FOLHAPRESS

Ivanir Rezende Mota, 44, nas imediações de sua casa em Osasco, zona metropolitana de São Paulo. Ivanir quer comprar um imóvel, sua expectativa é saber quais serão as mudanças no setor imobiliá¡rio na gestão da presidente Dilma Rousseff.

isso. O grande desafio está em vencer os processos construtivos e entregar os empreendimentos no prazo estabelecido”, diz. Eduardo Figueira, vice-presidente de desenvolvimento da imobiliária Fernandez Mera, aposta na formação de pessoas: “Precisamos de uma gestão mais efetiva”.

Oferta de crédito

Os bancos negam mudanças no crédito imobiliário, mas altas na Selic costumam restringir a demanda por financiamento -que subiu 2.781% de 1994 a novembro de 2010 no Brasil (veja nos gráficos), segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). “A lição de 2010 é aprender com os erros, melhorar a eficiência dos processos internos e o treinamento dos funcionários”, destaca José Roberto Machado, diretor-executivo de negócios imobiliários do Santander. (PB)

Ideal é pagar pela mobília sem parcelar

Ao comprar eletrodomésticos e móveis, é melhor pagar o que puder à vista. A taxa de juros do parcelamento de bens duráveis é a mais suscetível a aumentos bruscos em caso de inflação. Pagar à vista quase sempre resulta em descontos, e a quantia economizada pode ser usada na entrada do imóvel.

Financiamento de imóvel é menos afetado por inflação

O sonho da casa própria fica mais distante quando se leem notícias sobre a restrição de crédito e de financiamentos em geral. A sensação é a de que a inflação é inimiga do financiamento. No que concerne aos bens de consumo duráveis, os financiamentos para compra de automóveis e de produtos eletroeletrônicos são mesmo mais restritos em períodos de pressão inflacionária. No crédito imobiliário, o cenário é diferente porque a política habitacional não tem as restrições da política monetária, cobra juros menores e tem prazos maiores. Como a fonte de recursos do Sistema Financeiro da Habitação são depósitos da poupança, o financiamento de imóveis não está tão sujeito a oscilações da economia. Observadas cautelas como não comprometer mais do que 30% do orçamento com as prestações, as fontes de financiamento facilitam a aquisição da casa própria em 2011, com o auxílio do FGTS e da poupança.

FOTO: DANIEL MARENCO/FOLHAPRESS

Alessandro Crepaldi, 28, químico é marido da Juliana Rosa Crepaldi. Ela recebeu uma herança dos avós e vai usar o dinheiro para comprar um imóvel melhor na capital paulista e morar junto com a família. Mesmo com uma boa entrada em mãos eles temem como será a política de juros do mercado imobiliário.


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Antenado

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Schmidt comprova força do modernismo até ao negá-lo Poesia do autor soa modernista mesmo quando contradiz Oswald e Mário

por NOEMI JAFFE/FOLHAPRESS

O modernismo brasileiro é tão múltiplo e surpreendente que consegue conter nomes como Graça Aranha e Oswald de Andrade, de um lado, ou Plínio Salgado e Manuel Bandeira, de outro. Mas essa diversidade está diretamente relacionada a um tardo-simbolismo, ainda forte na década de 20, à dicção francesa que ainda dominava as artes e, sobretudo, à sobreposição de vozes políticas e estéticas num país ainda oligárquico, mas que começava a conhecer a modernidade. Considerações como essas são necessárias para compreender a presença e relativa importância da poesia estranhamente caudalosa e anacrônica de Augusto Frederico Schmidt (1906-1965).

Abastecer de água

O crítico e professor Ivan Marques, organizador da coletânea, já nos adverte no ótimo prefácio, lembrando a observação de Carlos Drummond de Andrade: ‘O poeta Schmidt abastece de água o Distrito Federal’. É fato. ‘Partir! Sim, partir!’; ‘Sou a última flor de uma árvore infeliz/ que o vento rude desprendeu’; ‘Para onde vai, qual o destino da Beleza?’ e inúmeros outros versos com imagens de vaguidão, eternidade, brumas, distâncias, mulheres impossíveis e uma indecisão constante entre o desejo de fugir e o desejo de ficar, provocam mesmo uma sensação de transbordamento e certo déjà-vu. Mesmo assim, a força do modernismo transparece até em poemas que parecem querer negá-lo. Como soa modernista um poema que em tudo

contradiz a vontade de Oswald e de Mário em reencontrar o Brasil: ‘Não quero mais o amor,/ Nem mais quero cantar a minha terra./Me perco neste mundo./Não quero mais o Brasil/ Não quero mais geografia/ Nem pitoresco’. O ritmo desigual, a coloquialidade, a repetição do ‘não quero’ afirmam exatamente o que os versos dizem negar. E da mesma forma como é possível ouvir Castro Alves em versos como ‘Que medos sombrios! Castigos medonhos!/ Que medos tamanhos sentiam então!’.

FOTO: ACERVO/FOLHAPRESS

Drummond e bandeira

Também se escutam poetas, como o próprio Drummond, em ‘A poesia fugiu do mundo./O amor fugiu do mundo’. Ou Bandeira, num poema em que se narra a queda de um passarinho, que ‘(...) ficou um tempinho tremendo./Depois morreu, com o bico aberto’. Afinal, não foi só dos grandes nomes que se construiu a história longa e complexa do modernismo brasileiro, e a desigualdade criativa de poetas como Augusto Frederico Schmidt, quando lida de maneira crítica e contextual, permite compreender melhor o rosto extremamente confuso da modernidade brasileira. MELHORES POEMAS AUTOR Augusto Frederico Schmidt EDITORA Global QUANTO R$ 36 (252 págs.) AVALIAÇÃO bom

O poeta brasileiro Augsuto Frederico Schmidt (1906-1965)


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Teen

Profissão: Axezeiro Samba - reggae, sol e nada de cerveja: como vivem os dançarinos de axé em porto seguro

por CHICO FELITTI/FOLHAPRESS

Contratam-se maiores de idade para morar na praia com salário de até R$ 2.000, carteira assinada e uma legião de admiradores. Isso sem falar em casa, comida e roupa (de banho) lavada. A perspectiva seduz, mas envolve custos pessoais: rotina puxada, dieta restrita e namoros supervisionados. A carreira, voltada a jovens, tem também curta duração. O trabalho é dançar as músicas do verão nos palcos de praia de Porto Seguro (BA). A cidade, que viu os portugueses chegarem há 511 anos, assiste hoje a um fluxo anual de 2 milhões de turistas, diz a prefeitura. Muitos deles são estudantes paulistanos em viagem de formatura com a galera da escola ou da faculdade. Para entretê-los, garotos e garotas são pinçados pela internet e “importados” de outros Estados para fazer bailar na capital do axé. Esses jovens viram uma casta superior na cidade. “É como ser ator global”, compara o olheiro Sérgio Mascareinhas, 39, que recruta gente na faixa dos 20 anos para dançar na barraca Toa Toa. “Recebo milhares de pedidos [de contratação] nos meus 12 perfis no Orkut”, diz MC Sharon, 40, autor da música do “cada um no seu quadrado”, que gerencia a companhia de dança Axé Moi. FOTO: ONUR UYGUN/FOLHAPRESS

Há também gente que nasceu no riscado. Filho, sobrinho e irmão de “axezeiros” locais, William Quebradeira, 20, não quer outra vida: “Não me imagino fazendo outra coisa. Esse era o meu sonho”. Os que vêm de fora se dividem em dois grupos: os que estão ali pelo trabalho e os que querem aproveitar o verão na Bahia sem gastar. “Vou ficar uma temporada e, depois, tchau. Samba dá mais dinheiro”, diz a mineira Emmanoelle Camila, 25. Outra mineira que veio de testes pela internet e parte depois do Carnaval é Renatinha, 22: vai terminar o curso de educação física e começar um de engenharia civil. “As pessoas acham que todo dançarino é só um corpo. Para mim, é um jeito de ganhar quatro vezes mais do que em um estágio”, diz. Já Diego Veiga, 20, nem perguntou quanto ganharia para dançar no Barramares. “São férias pagas”, definiu, ainda perdido no primeiro dia de coreografias. Ele vai ganhar R$ 1.320 por mês, sem precisar pagar por comida nem por aluguel. Vai dividir quarto com três colegas. A coabitação é um jeito de manter os funcionários na linha. A república dos dançarinos de Sharon, por exemplo, fica colada ao seu sobrado. Se ela ouve barulho, abre as portas sem fechadura para uma incerta. Sexo, drogas e bebidas são interditados. Já as meninas do Toa Toa são proibidas de perambular pelas festas. Namorico só é permitido se jantar com o “painho” Sérgio antes, para garantir a autorização.

Frases

FOTO: ONUR UYGUN/FOLHAPRESS

“É só por três meses. Volto para casa para fazer faculdade de engenharia” RENATINHA, 22 Belo Horizonte (MG) “Sou lutador de vale-tudo. Vim passar férias, me chamaram para fazer um teste e fiquei” PETER CHRIST, 24 Vila Velha (ES) “Eu me achava feio. Com uma hora por dia de academia, sou hoje bonito!” WILLIAM QUEBRADEIRA, 20 Porto Seguro (BA) “A única coisa ruim da profissão é gente alcoolizada, que já chega passando a mão” KELLY CASE, 23 “Tenho pavor de axé music. Não ouço em casa por nada!” POLIANE FREITAS, 25 Contagem (MG)

Kelly Case, 23, é dançarina de axé em Porto Seguro (BA) FOTO: ONUR UYGUN/FOLHAPRESS

“De levinho”

Peter Christ é dançarino de axé em Porto Seguro (BA)

A estudante de oceanografia Dina Angelo -ex-Dininha- já se apresentou em barraca, casa noturna e parque aquático. Dina, 25, diz que era proibida de comer das 8h às 19h na época em que ia à luta de shortinho. Quatro quilos mais gorda e sem saber a coreografia do “Rebolation”, ela diz ser mais feliz hoje. “É prostituição, de levinho. Pagam para ter nossos corpos, mesmo que só para passar os olhos.” O problema é que hoje em dia a plateia quer só ver, diz Lady Butterfly, coreógrafo e drag queen que dança em barracas há quase 20 anos. “Antes, o turista vinha ver a ginga do baiano e tentar aprender. Hoje, complicaram demais as danças.”

Jovens dançarinos fazem bico de verão divertindo turistas em barraca de praia em Porto Seguro (BA)


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Comportamento

Quem mexeu no meu lixo? Por que é tão difícil se desapegar de papéis, roupas velhas, eletrodomésticos quebrados...

por JULIANA VINES/FOLHAPRESS

Não existe vida nem história sem objetos, dizem os antropólogos. Isso explica os museus, as coleções de selo e até a pilha de revistas no canto da estante. Não explica, porém, como e por que cada vez mais há quem adore (e estoque) bugigangas que, segundo a definição do dicionário, já deveriam estar no lixo. “Objetos são muito mais simbólicos do que funcionais. Eles têm valor afetivo”, diz o antropólogo Everardo Rocha, da PUC-Rio. “Cada um quer ser curador da própria vida, ter uma coleção imensa de objetos. Muitas pessoas não sabem mais o que é lixo e o que não é.” A antropóloga e pesquisadora da Unicamp Valéria Brandini diz que os objetos carregam escolhas. Por isso é tão difícil jogar fora algo que, para os outros, não passa de quinquilharia. “Livrar-se de uma roupa velha pode significar perder uma parte de você, mesmo sabendo que aquilo pode ser útil para alguém.”

Eu ou o lixo

A princípio, não há nada de errado em acumular coisas. Até que suas coleções sejam tantas que passem a incomodar alguém. O comerciante Sérgio Valente, 42, não aguentava mais viver junto com as roupinhas de bebê de seus filhos, já adolescentes. Sua esposa, Neide, 41, publicitária, fazia questão de guardar tudo. Tinha pilhas de roupas de todos os tamanhos (para usar se engordasse), utensílios de cozinha velhos e congelados vencidos. “Ela é desorganizada e dizia que não tinha tempo para arrumar. Dei um basta e insisti para contratarmos alguém que ajudasse nisso.” Foram 11 dias de trabalho de uma especialista em organização e mais de 60 sacos de lixo de cem litros. E muitas coisas ainda ficaram. De acordo com a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o colecionismo (mania de guardar objetos), quando em excesso, pode ser sintoma de transtorno obsessivo-compulsivo ou estar associado a depressão. Essas pessoas guardam dúzias de garrafas PET, escovas ou pilhas de enlatados. “Sempre há uma justificativa. Elas dizem que pode ser útil, que vão usar no futuro. Mas, no fim, nunca usam.” O psiquiatra Alvaro Ancona de Faria, da Unifesp, explica que ter um histórico de dificuldades financeiras pode desencadear o problema. “É um tipo de insegurança. Como se ela precisasse ter gasolina de reserva mesmo com o tanque cheio.” Segundo Hounie, é difícil diferenciar o colecionismo saudável do transtorno. Muitas vezes, além de guardar, a pessoa compra sem controle. Os casos mais extremos aparecem com a Síndrome de Diógenes -uma referência ao filósofo grego que vivia dentro de um barril. Quem tem a síndrome vive no meio do lixo, com pouca atenção à higiene, em um ato de autonegligência. “Há pessoas ricas assim. É um transtorno difícil de ser tratado porque quem tem não se incomoda”, afirma a psiquiatra Bárbara Perdigão, autora de um artigo sobre o assunto publicado na última edição do “Jornal Brasileiro de Psiquiatria”. Muitas vezes, nem terapia resolve. E, quando a casa é limpa, pouco tempo depois já volta a ficar como antes.

Sem luxo

No fim de 2008, o empresário e escritor americano Dave Bruno, 39, decidiu que ia tentar viver com apenas cem objetos pessoais durante o ano seguinte. Foi o que ele chamou de “100 Thing Challenge” (o desafio das 100 coisas). O desafio foi vencido sem dificuldades, diz ele. Tanto é que, mesmo depois de terminá-lo, continua vivendo com pouco. Na última contagem, em

FOTO: MASTRANGELO REINO/FOLHAPRESS

agosto de 2010, tinha 94 pertences, incluindo as peças de roupa e descontando meias e cuecas. “Eu não acho que há alguma coisa sem a qual eu não poderia viver. Só não me livraria da minha aliança”, disse ele à reportagem. A escritora Letícia Braga, 39, decidiu viver com pouco depois de perder o marido e se ver em uma casa cheia de coisas que não usava. Mudou para um apartamento bem menor e deixou para trás móveis, revistas, eletrodomésticos e roupas. A experiência rendeu um livro: “O Prazer de Ficar em Casa” (Casa da Palavra, 80 págs., R$ 14,90). “Tenho um fogão de quatro bocas e quatro panelas. Tenho só uma gaveta de utensílios, e olha que gosto de cozinhar”, diz.

casacos clássicos, agasalhos usados em viagens internacionais ou roupas esportivas (mergulho ou esqui) usadas em viagens. Livrosdeestimaçãoeutensílios de cozinha temáticos e sazonais como formas de biscoito de Natal também são perdoados. Fontes: Cristina Papazian, Heloisa Lúcia Sundfeld e Ingrid Lisboa, especialistas em organização

A publicitária Neide Valente, com roupas de seus filhos que ela guarda a mais de 18 anos FOTO: PAULA GIOLITO/FOLHAPRESS

Então libera

Não é preciso ser tão minimalista, mas para a filosofia chinesa do Feng Shui, já passou da hora de dar destino às coisas inúteis que você insiste em dizer que não são lixo. “Objetos sem utilidade ocupam espaço físico e mental e dificultam a organização das ideias”, diz Maria Elena Passanesi, especialista em cosmologia chinesa. Para a organizadora Ingrid Lisboa, bagunça é sinal de que algo está sobrando. “O descarte é o primeiro passo da organização”, afirma. Segundo ela, todo mundo sempre tem algo no fundo do armário que não usa. Mesmo as pessoas mais organizadas e menos consumistas. “Roupa velha é o que mais guardam. A peça não serve, está fora de moda, e a pessoa pensa que vai voltar a usar um dia. Só se for a uma festa do ridículo.”

Descarte

SEM PENSAR Tudo o que estiver quebrado ou velho demais. Vale para louças amareladas, panelas e potes de plástico sem tampa (ou tampas sem potes de plástico) e roupas velhas PASSADO Com alimentos e cosméticos é simples: passou a data de validade, lixo. Mas travesseiros, plásticos e escovas de dentes também vencem. Potes plásticos costumam ter validade de dois anos NÃO COMPENSA O conserto pode sair mais caro do que comprar um novo. É o caso de casacos de pele, peças de couro ou de verniz. A maioria dos eletrodomésticos também é descartável, como aparelhos de DVD e liquidificadores PARADOS Se você comprou faz um tempo e nunca usou, provavelmente nunca vai usar. Se você já usou, há uma tolerância. Alguns dizem que, para roupas, o prazo é dois anos. Para utensílios de cozinha, um ano VÁRIOS DO MESMO Três xampus pela metade, esmaltes da mesma cor e cremes iguais. Separe dois ou três e se livre do resto. Revistas e jornais com matérias não lidas podem ser recortados e guardados. Por que não imprimir receitas em vez de guardar pilhas de revistas que têm só uma receita boa? PURGATÓRIO Quando não tiver certeza se vai usar ou não um objeto, separe e deixe em um local visível por um tempo, como se estivesse de castigo. Coloque um limite de tempo (um mês, por exemplo). Se não usar durante esse tempo, é melhor doar LIBERADOS As exceções para as regras de uso são os sobretudos,

A escritora Let’cia Braga trocou seu apartamento grande por um menor e vive uma vida mais simples


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Expectativa do mercado é que Google, Microsoft, RIM e HP lancem concorrentes para o tablet da Apple em 2011 Também neste ano, empresa fundada por Steve Jobs deve anunciar segunda geração de seu aparelho

por AMANDA DEMETRIO/FOLHAPRESS FOTO: STEVE MARCUS/REUTERS

Enquanto o iPad marcou a guinada inicial que seria o Samsung Gloria. Os boatos, do mercado dos tablets em 2010, o ano de 2011 deve ser de contra-ataque da

porém, não foram confirmados.

concorrência. Procura-se um aparelho

Rim e hp

que seja um rival à altura para o badalado

Em 2011, o PlayBook também deve tentar

produto da Apple.

sua sorte. O tablet da RIM _fabricante

Para cumprir a missão, o Google deve

dos celulares BlackBerry_ já foi anun-

lançar oficialmente uma nova versão

ciado e extensamente divulgado, mas

do seu sistema Android, batizada de

ainda não chegou ao consumidor. Entre

Honeycomb, feita especialmente para

os principais interessados no aparelho

os tablets. Além disso, outros sistemas está o segmento corporativo. com as marcas de empresas como RIM O PlayBook tem tela de sete polegadas e duas e HP devem chegar ao mercado.

Google

câmeras _uma frontal e uma traseira. Outro tablet aguardado para este ano é um que seja equipado com o sistema webOS,

Entre os lançamentos de tablets com desenvolvido pela Palm, recentemente o Honeycomb para 2011 está o Xoom, comprada pela HP. da Motorola. Ele será mostrado na CES

Mas toda essa movimentação não deve passar

(Consumer Electronics Show), que começa incólume pelos olhos de Steve Jobs. amanhã em Las Vegas.

Sites especializados em tecnologia esti-

A empresa postou um vídeo no YouTube mam que a segunda geração do iPad pode recentemente, prometendo que seu futu- ser anunciada ainda em fevereiro. Ele ro tablet será o próximo passo na escala deve ser mais fino, ligeiramente menor evolutiva dos aparelhos do tipo.

e trazer ao menos uma câmera. A tela do

Também está previsto que outros fa- novo aparelho também deve ter melhoras bricantes, como LG e Samsung, façam

_será antirreflexo e não deixará mais

anúncios de tablets com o Android.

marcas de dedos.

O blog especializado Tech Radar. com falou especificamente do lançamento de um tablet da LG previsto

CES mostrará crescimento do 3D e do 4G

já para janeiro, que deve ter tela de Maior feira de eletrônicos do mundo, a

O executivo-chefe da Samsung, J.K. Shin, mostra Galaxy S

Android, do Google.

permitirá conexões móveis mais rápidas.

Os novos notebooks e computadores de A expansão do 3D deve ocorrer com o lançamesa apresentados na feira devem trazer

mento de aparelhos de TV e câmeras e filma-

como diferencial a linha de chips Sandy

doras compatíveis com a tecnologia. Entre os

8,9 polegadas.

CES (Consumer Eletronics Show) atrai Bridge, da Intel, segundo a ‘PC World’. Os destaques estão lançamentos da LG: uma TV

Alguns analistas estimam que tablets

milhares a Las Vegas para mostrar novi- novos chips foram desenhados para melho- 3D de 72 polegadas e TVs 3D portáteis.

com o Windows, da Microsoft, devam

dades no mundo da tecnologia. A edição

ser anunciados neste ano.

de 2011 deve ter como destaques chips gerenciamento da energia da máquina.

rar a exibição de vídeos, o uso de jogos e o

Também em Las Vegas, a Samsung deve anunciar um tocador de música com as-

Vazou na internet uma imagem de um mais eficientes, aparelhos 4G, expansões Entre os smartphones, a tendência é a chegada

pectos parecidos com os do Galaxy S,

tablet de dez polegadas e teclado integrado, do mundo 3D e tablets com o sistema

mas sem as funções de telefone.

de aparelhos compatíveis com a rede 4G, que


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PROCLAMAS DE CASAMENTO - CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DE BRAGANÇA PAULISTA - Rua Cel. Leme, 448 - Tel: 11 4033-2119

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ESTADO DE SÃO PAULO Cidade de Bragança Paulista

Bel. Sidemar Juliano - Oficial do Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais desta cidade e Comarca de Bragança Paulista, faz saber que do dia 26 de janeiro a 1 de fevereiro de 2011 foram autuados em cartório os seguintes Proclamas de Casamento:

Protocolo: 129/2011 - ALEX SANDRO PONCE CINICIATO e ANA CLÁUDIA GODOY. Ele médico, divorciado, natural de Bauru-SP, nascido no dia 30/09/1972, res. e dom. à Rua Trindade Acedo Paranhos, 45, Jardim Primavera - Bragança Paulista, filho de PEDRO CINICIATO e de MARINA PONCE CINICIATO. Ela nutricionista, solteira, natural de São Paulo-SP, nascida no dia 20/11/1987, res. e dom. à Rua Trindade Acedo Paranhos, 45, Jardim Primavera - Bragança Paulista, filha de VALDIR GODOY e de SONIA MARIA DEL COR GODOY Protocolo: 130/2011 - ALEX SANDER APARECIDO VILLASLOBO e VALDILEIA CARDOSO. Ele mecânico, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 05/08/1972, res. e dom. na Chácara Nossa Senhora Aparecida, Bairro Morro Grande da Boa Vista - Bragança Paulista, filho de ALCIDES SALVADOR MAZOCCHI VILLASLOBO e de MARIA MADALENA PRETO VILLASLOBO. Ela confeiteira, solteira, natural de Pedra Bela-SP, nascida no dia 30/12/1979, res. e dom. na Chácara Nossa Senhora Aparecida, Bairro Morro Grande da Boa Vista - Bragança Paulista, filha de SEBASTIÃO CARDOSO e de MARIA RITA DE LIMA CARDOSO Protocolo: 131/2011 - RAFAEL BARAUNA DA SILVA e ROSÂNGELA APARECIDA NEVES DE ARRUDA. Ele repositor, solteiro, natural de Mamanguape-PB, nascido no dia 23/01/1993, res. e dom. à Rua Um, nº 68, Bairro do Toró - Bragança Paulista, filho de REGINALDO CARDOSO DA SILVA e de ANTONIA BARAUNA DA SILVA. Ela ajudante geral, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 28/07/1984, res. e dom. à Rua Expedicionário José Franco de Macedo, 939, Bairro do Toró - Bragança Paulista, filha de BENEDITO DE ARRUDA e de BENEDITA APARECIDA DAS NEVES ARRUDA Protocolo: 132/2011 - RAFAEL BENEDITO DA ROCHA OLIVEIRA e DIANDRA VACCARI. Ele pintor, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 19/01/1989, res. e dom. à Rua Três, 100, Bairro Água Comprida - Bragança Paulista, filho de CELSO ANTONIO PIRES DE OLIVEIRA e de LEILA CRISTINA DA ROCHA OLIVEIRA. Ela estudante, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 18/01/1990, res. e dom. à Rua São Sebastião, 137, Bairro Água Comprida – Bragança Paulista, filha de JOSÉ LÉLIO VACCARI e de SANDRA APARECIDA BUENO VACCARI Protocolo: 141/2011 - MARCELO HENRIQUE COUTINHO TIAGO SALDIBA e THAIS ONISTO BASAGLIA. Ele médico, divorciado, natural de Várzea Grande-MT, nascido no dia 24/07/1975, res. e dom. à Rua Marechal Deodoro, nº 30, Centro - Dom Aquino-MT, filho de ARI RAMOS SALDIBA e de ZAID MARIA COUTINHO TIAGO. Ela cirurgiã-dentista, solteira, natural de Extrema-MG, nascida no dia 25/11/1981, res. e dom. à Rua Bi-Centenário, 58, Taboão – Bragança Paulista, filha de JOSÉ AUGUSTO BASAGLIA e de TEREZINHA APARECIDA MONTEIRO ONISTO BASAGLIA. Obs.:- Cópia enviada ao Oficial de Registro Civil de Dom Aquino, MT (local da residência do pretendente). Protocolo: 142/2011 - VALMIR ROGÉRIO DE OLIVEIRA e JAQUELINE CLEMENTINO DA SILVA. Ele operador de máquina, solteiro, natural de Amparo-SP, nascido no dia 27/05/1974, res. e dom. à Rua Vereador Vicente de Vita, Bloco 26, Apartamento 42-B, Jardim São Lourenço - Bragança Paulista, filho de JOSÉ WALTER DE OLIVEIRA e de LOURDES FERREIRA DE OLIVEIRA. Ela ajudante geral, divorciada, natural de Rio Branco-AC, nascida no dia 20/10/1979, res. e dom. à Rua Vereador Vicente de Vita, Bloco 26, Apartamento 42- B, Jardim São Lourenço - Bragança Paulista, filha de MANOEL NOGUEIRA DA SILVA e de MARIA DAS DORES CLEMENTINO DA SILVA Protocolo: 143/2010 - MARCIO DE OLIVEIRA e ELISANGELA ANTONIA DOMINGUES DE GODOY. Ele comerciante, solteiro, natural de Bragança PaulistaSP, nascido no dia 04/05/1977, res. e dom. à Rua Francisco Cacozzi, 445, Jardim Novo Mundo – Bragança Paulista, filho de JOSÉ HENRIQUE DE OLIVEIRA e de BENEDITA BUENO DE OLIVEIRA. Ela auxiliar administrativo, solteira, natural de Itatiba-SP, nascida no dia 13/06/1981, res. e dom. à Rua Francisco Cacozzi, 445, Jardim Novo Mundo – Bragança Paulista, filha de ROBERTO DOMINGUES DE GODOY e de NILZA LUIZA PENTEADO DE GODOY Protocolo: 144/2011 - WILLIAM JEFFERSON LEITE DOS SANTOS e VANILDA DE PAULA. Ele técnico em telefonia, divorciado, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 05/08/1978, res. e dom. à Rua Cásper Líbero, 177, Vila Aparecida - Bragança Paulista, filho de FRANCISCO APARECIDO DOS SANTOS e de MARCIA LEITE DOS SANTOS. Ela costureira, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 16/08/1972, res. e dom. à Rua Caetano Zappa, 216, Vila Garcia - Bragança Paulista, filha de JOSÉ FERNANDES DE PAULA e de TEREZINHA DE JESUS PAULA Protocolo: 145/2011 - FERNANDO DUARTE e FERNANDA SENANES GANDRIANN. Ele administrador de empresas, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 05/03/1982, res. e dom. à Alameda Dinamarca, 113, Jardim Europa - Bragança Paulista, filho de FRANCISCO DE ASSIS DUARTE e de AYRAMIL BRANDÃO DUARTE. Ela farmacêutica, solteira, natural de São PauloSP, nascida no dia 10/06/1984, res. e dom. à Rua Aparecida Maria de Deus, 76,

Jardim Primavera - Bragança Paulista, filha de NORBERTO GANDRIANN e de ANA MARIA SENANES GANDRIANN Protocolo: 149/2011 - ADAILTON PEREIRA DE SOUZA e VÂNIA APARECIDA PIZANE. Ele lubrificador, solteiro, natural de Boituva-SP, nascido no dia 25/08/1968, res. e dom. à Rua Projetada Mazuquelli, 181, Uberaba – Bragança Paulista, filho de ALOÍSIO PEREIRA DE SOUZA e de ANTONIA SOUZA PEREIRA. Ela técnica de enfermagem, divorciada, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 08/10/1982, res. e dom. à Rua Projetada Mazuquelli, 181, Uberaba – Bragança Paulista, filha de ERNESTO DOMINGOS PIZANE e de MARIA LÚCIA GONÇALVES PIZANE Protocolo: 150/2011 - MAURO LEME DE ARAUJO e TATIANE RIGHI DE OLIVEIRA. Ele motorista, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 18/05/1981, res. e dom. à Rua Benedito Pinheiro de Souza, 105, Jardim Fraternidade - Bragança Paulista, filho de SEBASTIÃO GONÇALVES DE ARAUJO e de MARIA APARECIDA DA SILVA LEME ARAUJO. Ela fiscal de ônibus, solteira, natural de Bragança PaulistaSP, nascida no dia 26/10/1988, res. e dom. à Rua Benedito Pinheiro de Souza, 105, Jardim Fraternidade - Bragança Paulista, filha de JOÃO DONIZETTI DE OLIVEIRA e de SELMA BENEDITA RIGHI DE OLIVEIRA Protocolo: 155/2011 - ROGÉRIO BECH e TATIANE APARECIDA DE OLIVEIRA. Ele comerciante, solteiro, natural de Santo André-SP, nascido no dia 14/12/1981, res. e dom. na Rodovia Benevenuto Moreto, Km. 4,5, Bairro Sete Barras - Bragança Paulista, filho de MOISES BECH e de APARECIDA ANUNCIATA BECH. Ela do lar, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 07/08/1990, res. e dom. na Rodovia Benevenuto Moreto, Km. 4,5, Bairro Sete Barras - Bragança Paulista, filha de FRANCISCO LEONEL DE OLIVEIRA e de MARGARETE APARECIDA GONÇALVES DE OLIVEIRA Protocolo: 156/2011 - GILSON ALVES DA SILVA e LUCIENE CRISTINA SEBALLO. Ele motorista, solteiro, natural de Maceió-AL, nascido no dia 01/12/1974, res. e dom. à Travessa Felix Donadio, 30, Jardim Recreio - Bragança Paulista, filho de JORGE ALVES DA SILVA e de LEONTINA ALVES DA SILVA. Ela do lar, divorciada, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 09/03/1978, res. e dom. à Travessa Felix Donadio, 30, Jardim Recreio - Bragança Paulista, filha de LAIRTON SEBALLO e de LOURDES APARECIDA BARBOSA SEBALLO Protocolo: 158/2011 - EDGAR FRANCO DORTA e SIMONE ALVES REIS. Ele auxiliar de produção, solteiro, natural de Socorro-SP, nascido no dia 12/02/1985, res. e dom. à Rua Alvaro Abrantes Cardoso, 107, Cidade Planejada I - Bragança Paulista, filho de JOSÉ CARLOS DORTA e de APARECIDA BATISTA FRANCO. Ela auxiliar de produção, solteira, natural de São Paulo-SP, nascida no dia 08/10/1983, res. e dom. à Rua Alvaro Abrantes Cardoso, 107, Cidade Planejada I - Bragança Paulista, filha de JOSÉ ALVES REIS e de ALAIDE PEREIRA REIS Protocolo: 159/2011 - MAURICIO TIAGO FERNANDES e CARINA SPERENDIO. Ele vendedor, solteiro, natural de Campinas-SP, nascido no dia 14/07/1974, res. e dom. à Rua Santa Bárbara, 134, Vila Aparecida – Bragança Paulista, filho de ANTONIO ORLANDO FERNANDES e de OLIVIA APARECIDA FERNANDES. Ela nutricionista, divorciada, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 31/08/1971, res. e dom. à Rua Santa Bárbara, 134, Vila Aparecida – Bragança Paulista, filha de ABNER ANTONIO SPERENDIO e de CLEUSA DO CARMO SOUZA SPERENDIO

Bragança Paulista, 1 de fevereiro de 2011 Sidemar Juliano – Oficial SERVIÇOS, CONSULTAS E INFORMAÇÕES: visite nossa página na Internet: www.cartoriobraganca.com.br


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Construa o seu tempo

Sugestões para uma vida com mais prazos, mais escolhas, mais horas livres e menos atrasos, menos urgências, menos pendências

por IARA BIDERMAN/FOLHAPRESS

Preciso fazer uma entrevista sobre o tempo. E tem que ser hoje. Para encaixar minha urgência nas agendas alheias, as conversas são marcadas por e-mail e feitas por telefone. Do outro lado da linha, uma entrevistada comenta que, enquanto conversa, aproveita para arrumar a bagunça em cima da mesa. Mais uma dessas pessoas multitarefas, que fazem mil coisas ao mesmo tempo e vivem lamentando a falta dele? Não. Sem lamentos e sem dispersão mental, quem fala comigo é a monja Coen, primaz da Comunidade Zen Budista. “Se você estiver presente no que está fazendo, tem tempo. Se a mente está voltada para outras coisas, não”, afirma.

Atenção dividida

Mas, então, não é para fazer só uma coisa de cada vez? “Tem coisas que dá para fazer ao mesmo tempo. Não posso conversar com você e ler os papéis em cima da minha mesa, mas posso arrumar os objetos. Se for algo que não exige divisão da minha mente, por que não aproveitar?”, pergunta. Com esse pequeno exemplo, a monja mostra que estar inteiramente presente no que faz e ter tempo não são coisas tão estratosféricas quanto podem parecer para a maioria de nós, mais acostumada à sensação cotidiana de ansiedade pelas tarefas ainda não cumpridas. Parar de pensar em coisas que não existem ou não podem ser resolvidas no momento é uma forma de usar melhor o tempo. “Não dá para brigar com o tempo, porque ele não

é algo separado de nós, que está nos escapando. Nós somos tempo, ele é nossa vida. O que importa é o que fazemos com ela”, afirma. A coisa fica um pouco complicada porque nossa vida se passa nesse mundo que está sempre nos acelerando, segundo a terapeuta corporal Andréa Bonfim Perdigão, autora do livro “Sobre o Tempo” (ed. Pulso). “Queremos existir com a velocidade da tecnologia, que é rápida e dá a ilusão de que podemos fazer tudo simultaneamente”, diz. Perdigão conta que começou a refletir sobre o assunto ao observar como as pessoas que chegavam ao seu consultório tinham pressa para se livrar da dor, desprezando o tempo natural da cura.

Uma forma para equacionar melhor as horas a partir de escolhas (e renúncias) é olhar mais longe. Planejamento estratégico, diriam os mais pragmáticos. Nada contra, muito pelo contrário. Organizar e planejar não tira o sentido da vida, pode dar mais tempo para ela. “Saber usar o tempo é saber viver a vida. Estar no “aqui e agora” não é essa coisa mágica de fluir com o cosmos e deixar todo mundo te esperando porque você sempre chega atrasado aos compromissos”, ensina a monja. Simples e óbvio: para fluir com o tempo e deixar de brigar com ele, compre uma agenda. E use.

Ritmos do corpo

Além do limite de velocidade corporal, o tempo psicológico que levamos para assimilar, entender ou apreciar qualquer coisa também não acompanha a rapidez das informações e dos estímulos contemporâneos. “Somos solicitados a experimentar diferentes tempos simultaneamente. Isso é como viver várias noções de tempo sobrepostas, e ainda não aprendemos a lidar com isso, porque subverte as noções clássicas de temporalidade”, diz o psicanalista Bernardo Tanis, editor da Revista Brasileira de Psicanálise. O físico André Ferrer Martins, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, lembra que a noção de tempo não é única para todas as civilizações, épocas ou culturas. “O senso comum do tempo, na nossa sociedade, está muito mais próximo da perspectiva histórica e linear do cristianismo e do conceito do

Para ela, as pessoas querem existir na velocidade da tecnologia, mas os ritmos do corpo continuam os mesmos: precisamos das mesmas horas para fazer a digestão ou dormir, dos mesmos nove meses para dar à luz etc. “É possível viver pressionando a saúde desse jeito? Acredito plenamente que dá para lidar com o tempo, mas temos que fazer escolhas, abrir mão não de uma, mas de dez coisas. Isso é um exercício de resistência diário, porque as demandas externas vão continuar te pressionando a fazer tudo.” Se a escolha for errada, paciência, aconselha a monja Coen. “Não é para se lamentar, isso seria perda de tempo. Quem sempre acha que entrou na fila errada e fica mudando para a outra não chega a lugar nenhum.”

Tempo psicológico

século 18 do físico Issac Newton, que afirmou que o tempo tem existência própria e é igual para todos.”

Multiplicidade

As definições dos novos tempos, múltiplos e ultrarrápidos, ainda estão sendo elaboradas, segundo o psicanalista BernardoTanis. “Estamos aprendendo a lidar com essa multiplicidade, mas ainda não sabemos que tipo de pessoa está sendo criada com isso.” O psicanalista e filósofo Marcio Tavares D’Amaral, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acredita que o sujeito dessa época hiperacelerada vive o futuro -que é um tempo virtual, aquilo que ainda virá ou não. “É irreal, mas nos enxergamos nele. O tempo que interessa hoje, em que vale a pena investir, é o futuro.” E isso é ruim? “A ideia de voltar a outro tempo é reativa, ressentida. Nada disso é para ser eliminado, nem será. Mas talvez devêssemos nos empenhar na procura do equilíbrio entre as dimensões reais e virtuais da vida. Podemos passar menos horas consumindo tecnologia, sem abrir mão dela.” O caminho pode ser aprender a discriminar as infinitas ofertas do mundo e se esquecer delas de vez em quando. “Com a roda viva de estímulos, perdemos a barreira que nos ajuda a discriminar o que é necessidade, vontade pessoal e o que vem de fora, e nunca nos saciamos. O mundo nos convida a ficar sempre ligados, mas o psiquismo humano também precisa se desligar de tempos em tempos”, diz Tanis.

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