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JOÃOZINHO RIBEIRO
JOÃOZINHO RIBEIRO
Estrela da vida inteira Que brilha, brilha pequenina Iluminando passageira Traquinagens de Quintana
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Brincadeiras de Bandeira Derramadas nas esquinas Pisoteias outros astros Decaída
De uma órbita distante Sideral Numa noite enluarada Distraída Nas quebradas noturnas De um quintal
Estrela, estrela, minha estrela! Quantas vidas veladas no Universo? Anos-luz luzindo em muitos versos E a impossibilidade celeste de retê-la
Bandeira, e o meu céu da meia-noite, Da noite inteira? Quintana, e a Rua dos cataventos? Passarando ou passarinho?
Poemas em burburinho Eternos pelo caminho Até a estrofe derradeira
A DOR, QUE NÃO TEM CURA Maria Firmina dos Reis “O que mais dói na vida não é ver-se Mal pago um benefício, Nem ouvir dura voz dos que nos devem Agradecidos votos. Nem ter as mãos mordidas pelo ingrato Que as devera beijar.” G. Dias De tudo o que mais dói, de quanto é dor Que não valem nem prantos, nem gemidos, São afetos imensos, puros, santos Desprezados – ou mal compreendidos. É essa a que mais dói a um’alma nobre. Que desconhece do interesse a lei; Rica de extremos, não mendiga afetos, Que é mais altiva que um potente rei. É essa a dor, que mais nos dói na vida; É essa a dor, que dilacera a alma: É essa a dor, que martiriza, e mata. Que rouba as crenças, o sossego, a calma. Não sei, se todos no volver dos anos Sentem-na funda cruciante, atroz Como eu a sinto… oh! é martírio – ou vele, Ou sonhe, – ou vague mediante a sós. Eu vi fugir-me como foge a vida Afeto santo de extremosos pais: Roubou-mos crua, impiedosa morte, Sem que a movessem meus doridos ais. Vi nos espasmos de agonia lenta Morrer aquele, que eu amei na vida… Trêmulos lábios soluçando – adeus! Ouviu-lhe esta alma de aflição transida. Dores são estas, que renascem vivas A cada hora – que jamais esquecem; Enchem de luto da existência o livro,
Conosco à campa silenciosa descem. Ah! quantas vezes, recordando-as hoje, Dos roxos olhos se me verte o pranto! Ah! quantas vezes, dedilhando a lira, Rebelde o peito, não soluça um canto… Mas, se essas dores despedaçam a alma, O pranto em baga nos consola a dor: Numa outra esfera, num perene gozo, Vivem, partilham divinal amor. Mas ah! de quanto nos aflige, e mata É esta a dor, que mais nos dói sofrer; Cobrar frieza em recompensa a afetos, No peito amigo estrebuchar, – morrer!
À Maria Firmina dos Reis
Dilercy Adler Teus Cantos à beira-mar afogam com veemência as dores os dissabores que maculam toda a existência daqueles que apenas sonham com a igualdade e coerência em um mundo de fato melhor!... ah! os teus Cantos à beira-mar levam todo e qualquer anseio que a brisa vinda do mar litoraneamente embala e acalenta em seu seio... e os teus poemas me dizem: cuida! entoa hinos em banzeiros que a vida lenta a passar se apressa como um agouro bem-vindo de augúrio sem par que existe quando se pensa que nada mais vale a pena... a pena de festejar!... resiste!... afoga as tuas mágoas nas crivas e cavas mais altas das longínquas vagas do mar!... e se ainda puderes sonha poemas e louva comigo mistérios e amores contidos e canta-os todos à beira-mar!… GRITO Dilercy Adler O grito gutural que me sai da garganta - grito animal! exprime toda aquela dor ... da humanidade inteira dor da solidão coletiva primeira de todo amor profundo ao outro e ao mundo não concretizado!