SUCESSO ESCOLAR NOS MEIOS POPULARES AS RAZÕES DO IMPROVÁVEL
O tema da omissão parental é um mito, esse mito é produzido pelos professores, que ignorando as lógicas das configurações familiares, deduzem, a partir dos comportamentos e dos desempenhos escolares dos alunos que os pais não se incomodam com os filhos, deixando-os fazerem as coisas sem intervir. Mas há estudos que revela a injustiça interpretativa que se comete quando se evoca uma “omissão” ou uma “negligência” dos pais, pois há resultados de investigações que qualquer que seja a situação escolar da criança, tem o sentimento de que a escola é algo muito importante e demonstram que almejam para sua progênie um trabalho menos cansativo, menos sujo, menos mal-remunerado. Existem casos em que as rupturas são tão numerosas, e as condições de vida familiar, econômica, são tão difíceis que, ou o tempo, ou suas disposições sociais e as condições familiares estão a mil léguas das disposições e das condições necessárias para ajudar as crianças a “ter êxito” na escola. Alguns professores até parecem pensar que a ausência de relações, a ausência de contatos com algumas famílias (populares, é claro), explicaria o “fracasso escolar” das crianças. Por isso, é preciso fazer os pais irem, de qualquer jeito, à escola nas diversas reuniões, festas escolares, etc. Mas, mesmo que a ida dos pais ao espaço escolar pareça ser desejada por grande parte dos professores, isso não está desprovido de ambigüidade. Há professores que não gostam de “certas cobranças” por parte dos pais. O direito educativo de ingerência é, portanto, dissimétrico: os pais se vêem sendo aconselhados sobre a maneira de agir com seus filhos, mas os professores não gostam que lhes digam o que devem fazer. A presença objetiva de um capital cultural familiar só tem sentido se esse capital cultural for colocado em condições que tornem possíveis sua transmissão, é importante reconstruir as disposições sociais dos adultos, podemos nos perguntar o que é transmitido concretamente através das relações pais e filhos. Por isso, só podemos ficar desconfiados em relação a concepções que poderíamos qualificar de “ambientalistas” e que abordam os efeitos de um “meio” (familiar ou social) de maneira muito abstrata. Se o capital ou as disposições culturais estão indisponíveis, se “pertencem” a pessoa que, por sua posição na divisão sexual dos papeis domésticos, por sua situação em relação às pressões profissionais, por sua maior ou menor estabilidade familiar, por sua relação com a criança, não têm oportunidades de ajudar a criança a construir suas próprias disposições culturais, então a relação abstrata entre capital cultural e situação escolar das crianças perde a pertinência. Em contrapartida, o efeito,