Revista Empoderar Você: Edição #6

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EMPODERARVoce v

discutindo questões de gênero

“Depois que fiz o big chop, fui começando a buscar sobre minha história” A transição capilar como forma de ressignificar a estética negra

transição capilar

EMPODERAMENTO



EDIT ORI AL

Chegamos na nossa sexta edição com três mulheres lindas colaborando e enriquecendo ainda mais nossa revista. Estamos vivendo uma situação inesperada e angustiante, que é a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e o isolamento social. Sabemos que é difícil lidar com tudo isso que está rolando. Trouxemos uma edição leve, mas muito necessária e informativa. Como sempre, nossa playlist com músicas e mulheres incríveis, para a gente se inspirar, ouvir, dançar e cantar bastante, então não esquece de acompanhar tudo no spotify. Também temos um texto com uma psicóloga incrível, que reservou um tempo da sua agenda para falar dos cuidados com a nossa saúde mental em tempos de quarentena. Luana e Michelly, nossas colaboradoras, falaram sobre skincare e Transição capilar, racismo e empoderamento, além de conter assuntos como penalidade materna e stealthing. Então já viu que essa edição tá ótima, né? Aproveitando quero te lembrar de beber água, pensar na sua saúde mental e buscar ficar bem nesse momento. Lave bem as mãos e lembre-se que tudo isso irá passar.


SUMÁRIO 06

PLAYLIST EMPODERAR VOCÊ #6

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PARA COMEÇAR UM PAPO SOBRE SKINCARE

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PANDEMIA, CORONAVÍRUS, ISOLAMENTO SOCIAL E EXCESSO DE INFORMAÇÃO

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TRANSIÇÃO CAPILAR, RACISMO E EMPODERAMENTO

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PENALIDADE MATERNA

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VOCÊ SABE?


Revista Empoderar Você

QUEM SOMOS?

RAQUEL DUARTE

MICHELLY SANTOS

RAYANNI CARLOS

- Jornalista; - 22 anos; - Canceriana; - Paraibana arretada; - Viciada em Grey’s Anatomy; - Muito dançarina de funk; - Feminista; - Ovolactovegetariana; - Tentando finalizar todos os livros de Dan Brown; - Fã da DC e da Marvel.

- Estudante de jornalismo; - 23 anos; - Geminiana; - Pernambucana de corpo e alma; - Ovolactovegetariana; - Amante da fotografia e das sensações que ela proporciona; - Bolo de rolo e frevo me representa mais do que carnaval e futebol.

- Psicóloga clínica; - Formada pela UFPB; - CRP 13/8691; - Ansiedade e baixa autoestima; - Instagram: @psirayannicarlos.

LUANA MENEZES

LUCAS CAMPOS

- Jornalista; - 24 anos; -Muito ariana sim!; -Paraibana, sim senhora!; -Amo assistir a filmes e séries; - Curiosa e viciada do Instagram; - Adoro dar pitaco sobre cuidados com a pele.

- Jornalista; - Designer Gráfico; - 23 anos; - Geminiano; - LGBT and Proud. - Fã de cultura pop; - Treinador pokémon; - Diagramador na empresa Empoderar Você. 5


Revista Empoderar Você

PLAYLIST EMPODERAR VOCÊ - #6

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MENINA PRETINHA

NA PELE

Mc Soffia

Elza Soares e Pitty

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4

RESPEITA NOSSO CORRE

MULAMBA

Issa Paz

Mulamba

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6

CULPA MINHA?

NÃO PRECISA SER AMÉLIA

Bê O

Bia Ferreira

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8

TODAS AS MULHERES DO MUNDO

EU SOU PROBLEMA MEU

Rita Lee

Clarice Falcão

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NÃO É NÃO

A MULHER DO FIM DO MUNDO

Lila & Leo Justi

Elza Soares


Para comeรงar, um papo sobre

Skincare TEXTO Luana Menezes

Fotos: Freepik/senivpetro


Revista Empoderar Você

Para o início dessa conversa, duas coisas: pele perfeita não existe e cuidar da pele não é o único autocuidado que você deve ter. Dito isso, de uns tempos pra cá o famoso skincare virou a moda da vez, e tudo o que se fala é como ter uma pele mais jovem, acabar a guerra com as espinhas, não ter olheiras e ter uma bela prateleira cheia de creminhos. De uma forma ou de outra, o objetivo é ter a pele que não temos. E o que queremos trazer aqui é… sua pele fala. Ela fala com você sobre o que está acontecendo no seu interior e no seu exterior. Não é sobre “se conforme com as espinhas!” ou “esquece essas manchas aí minha filha”. É sobre escutar o nosso corpo. Escutar o que sua pele diz. Aceitar como ela é verdadeiramente. E caso haja coisas nela que te incomoda, vamos tentar minimizar esses efeitos, tá bem?! Como essa revista linda tem o intuito de empoderar as mulheres, e um dos primeiros passos para o empoderamento é o conhecimento… Vamos te ajudar a entender a sua pele. Lembrando que cada pessoa tem uma pele diferente da outra. Claro que existem as classificações gerais e que nos ajudam a conhecer e lidar com a nossa pele. Diante disso podemos “conversar” e cuidar da nossa pele seja com cremes, seja com receitas caseiras, alimentação, emoções etc. E o primeiro passo de todo skincare é: enxergar o que realmente a gente vê no espelho. Para te ajudar a identificar o tipo de pele que você tem, vamos explicar quais são os tipos e o como se caracterizaram: Normal – A pele normal apresenta uma textura macia ao toque, com poros pequenos e pouco visíveis e sem brilho excessivo, ela tem uma aparência equilibrada, parece hidratada. Quase sem defeitos… Seca – É caracterizada por ressecamento, descamação, vermelhidão e pouca luminosidade. Também pode apresen8

Ilustração: Freepik/pch.vector

tar o aparecimento de pequenas linhas e fissuras. A pele seca pode ser causada por fatores genéticos ou hormonais, como menopausa e problemas na tireoide, além de condições ambientais, como o tempo frio ou seco. Oleosa – Tem aspecto mais brilhante, por causa da produção de sebo maior do que o normal. Além da genética, outros fatores contribuem para ter esse tipo de pele: fatores hormonais, excesso de sol, estresse e alimentação rica em açúcar. A pele oleosa apresenta poros dilatados e maior tendência à formação de acne, cravos e espinhas. Mista – É o tipo de pele mais frequente. Apresenta aspecto oleoso e poros dilatados na testa, nariz e queixo, região mais conhecida como “zona T”, podendo apresentar acne nesta região. Vale lembrar que a sua pele não vai ser a mesma que já foi há dois anos, ela sempre estará em constante mudança seja pelos cuidados, saúde e fatores externos. Tudo isso influência na sua pele. A dica top para lidar com a pele é não entrar na “nóia” de pele perfeita e de que você precisa consertar algo o tempo todo. E que uma rotina de cuidados com a pele seja um momento para você olhar para dentro, escutar o seu organismo, compreendê-lo, acolher, amar e cuidar!


Revista Empoderar Você

Pandemia, coronavírus, isolamento social e excesso de informação TEXTO Rayanni Carlos

A pandemia do coronavírus, além de gerar danos à saúde física nos que são acometidos pelo vírus, também pode comprometer a saúde mental da população, no geral. Isso porque uma das medidas mais importantes para combater a contaminação em massa, é o isolamento social. Nós somos seres sociais, estar em contato com o outro é uma necessidade humana e o fato de estarmos confinados em casa, por tempo integral e indeterminado tem um impacto direto na saúde mental. Em tempos de crise é comum sentir medo, preocupação, ansiedade ou pânico, mas é importante estar atento ao ponto que isso se torna disfuncional e traz sofrimento ao sujeito. Mas como identificar? Se isso está tomando o seu ser, atrapalhando o seu sono, te deixando ansioso 24h por dia, se você não consegue pensar ou falar em outro assunto que não seja esse, vale a pena repensar qual é a melhor forma de lidar com essa situação, e se necessário buscar ajuda profissional. Além disso, nos deparamos com uma avalanche de informações, fake news, incerteza e insegurança de lidar com o novo. Mas precisamos manter a calma, é possível passar por esse momento e mantendo um nível de saúde e equilíbrio emocional. Como essa é uma experiência nova para todos nós, precisamos passar por um processo de adaptação, para isso vou elencar algumas dicas que podem te auxiliar nesse momento. • Em primeiro lugar é preciso parar e observar o seu padrão de comportamento. Faça uma análise se tem mantido hábitos saudáveis ou não, como o seu corpo está reagindo, se os seus pensamentos estão te ajudando ou piorando a situação. • O segundo passo é pensar nas estratégias para se adaptar à essa nova realidade. • Não ter uma programação, uma agenda para cumprir pode gerar uma sensação de vazio, então estabelecer uma rotina mínima vai te ajudar nesse processo. Comece a estipular pequenas mudanças no seu dia a dia. • O excesso de informações pode trazer mais angústia e pânico. Então, limite o tempo em contato com os noticiários e mídias sociais, lembrando sempre de se informar através de fontes seguras. 9


• Determine o horário de dormir e de acordar. • Sabemos que o confinamento não faz parte da nossa natureza, mas no momento essa é uma forma de cuidarmos de nós e dos outros. Então busque uma forma de manter contato com as pessoas, seja por chamadas de vídeo ou mensagem de texto. • Movimente o seu corpo. A atividade física estimula a produção de serotonina e endorfina, que são as substâncias do bem-estar, além de tirar o foco dos problemas e aliviar atenção. Inclusive temos observado uma diversidade de aulas online e gratuitas. Ao final disso tudo é importante que você perceba que essa situação de crise tem muito a nos ensinar. Temos diante de nós uma excelente oportunidade para desenvolver e fortalecer a resiliência e assim conseguir seguir em frente apesar das dificuldades. Entenda o seu propósito nesse momento, é preciso chegar ao final disso tudo com equilíbrio emocional e saúde da melhor forma possível. Portanto, é necessário ter disciplina para chegar onde você precisa, então siga em frente! Se perceber que sozinho está muito difícil, busque ajuda profissional, diversos psicólogos estão disponibilizando atendimento psicológico online (inclusive eu), não tenha vergonha de pedir ajuda. 10

“E lembre-se: quando não podemos transformar a situação, sempre poderemos ser transformados por ela.” Cristiane Formighieri

E que tal um curso? Durante a pandemia, diversos sites disponibilizaram cursos onlines gratuitos para que o pessoal que está em casa possa não apenas passar o tempo, mas também melhorar o currículo. Que tal visitar algum desses sites e preencher um horário do seu dia com algum curso que te interesse? Abaixo, disponibilizamos alguns links: • www.stoodi.com.br • teacherflix.com.br • www.edx.org/school/harvardx • cursos.timtec.com.br • cursosgratuitos.estacio.br


MATÉRIA DE CAPA

Fotos: Michelly Santos

Transição capilar, racismo e empoderamento A ressignificação da estética negra 11


Revista Empoderar Você

TEXTO Michelly Santos “Eu era uma pessoa antes de cortar o cabelo que não tinha consciência de quem era no mundo, qual era meu lugar, qual era meu espaço. Depois que fiz o big chop, fui começando a buscar sobre minha história.” Essas palavras são de Iasmin Soares, estudante de jornalismo e ativista do movimento negro. Iasmin, ao longo do seu reconhecimento como mulher negra na sociedade, teve muita coisa negada, uma delas foi o cabelo. Alvo de bullying na escola, escutou muitos comentários até tomar a decisão de reconhecer as características da sua ancestralidade. Mas essa negação não acontece só com ela, ao longo do tempo a perfeição ligada à aparência massivamente construída na sociedade foi imposta pelos padrões da branquitude. A indústria da beleza seguindo essa linha de perfeição única, sempre selecionou e qualificou o feio ou bonito, bom ou ruim; criando assim um modelo a ser atingido, no caso do cabelo, o liso. O racismo percorre todos os ambientesa sociais e, em relação à estética negra, ele se apresenta de forma sucinta. Uma prova disso é quando a sociedade associava e ainda associa cabelos crespos e cacheados a algo ruim. Na publicidade, em especifico, é fácil lembrar dos famoso comerciais de chapinha que sempre colocaram o cabelo crespo como errado e o liso como certo. As publicidades dos shampoos com a promessa de um cabelo macio e liso. Todo esse contexto ainda faz com que muita gente acredite e reproduza pensamentos e falas que marginalize esses cabelos. É claro que, nem todo pessoa 12

que tem cabelo cacheado e crespo é negra, contudo, é importante fazer o recorte de que o preconceito em relação aos fios é pontencializado e marginalizado nas pessoas negras. No Brasil, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Instituto Beleza Natural, no ano de 2018, mostrou que 70% da população brasileira possui cabelo crespo ou cacheado. Sabendo desse dado é importante também diferenciar os cabelos lisos, ondulados, cacheados e crespos. A figura abaixo explicita os tipos e subtipos das texturas. Ilustração: Cabeloafro

A transição capilar Como forma de ultrapassar o racismo que acontece por meio da textura do cabelo, está ocorrendo um movimento relativamente novo no qual


Revista Empoderar Você

busca empoderar as pessoas e, a partir disso, ressignificar o cabelo natural. O assunto relacionados aos fios ganhou visibilidade após uma explosão de vídeos na plataforma do Youtube. O termo transição capilar faz menção a fase onde alguém decide parar com o alisamento. O processo é longo e deixar, por um período, o cabelo com duas texturas ou mais. Esse tempo de transição pode ser complicado para a maioria das pessoas que passam por ele, pois ela afeta diretamente a auto estima. Tendo essa fase como complicada, existem diversos grupos de apoio nas redes sociais para amenizar todo o conflito em relação a imagem, fazendo com que a experiência seja menos dolorida. O processo da transição, além das várias texturas, possui um ponto forte bastante esperado por quem passa pela experiência que é o Big Chop (grande corte), esse termo representa a retirada de toda química por decorrência dos alisamentos. Para Iasmin Soares cortar toda a química significou muito. “Eu cortei o meu cabelo no mesmo salão que eu ia alisar ele e eu lembro que fiquei muito feliz. Para mim, aquele ato foi marcante, foi um divisor de águas na minha vida. Foi uma libertação de todas mordaças que me prendia à um padrão de beleza que não me pertencia.” A decisão para começar com o processo da transição capilar passa por um reconhecimento étnico racial que faz parte da representatividade. Quanto mais a sociedade fala sobre o assunto na internet, nos meios tradicionais de comunicação, nas rodas de conversas dos diversos círculos sociais, o reco-

nhecimento e a valorização se tornará visível e palpável. Para Ana Beatriz Rocha a decisão de começar a transição demorou a acontecer. “Eu já não vinha me enxergando no espelho há algum tempo. Eu achava que por algum motivo, não sabia qual, o longo cabelo alisado não tinha mais a ver comigo. Isso foi no final do meu ensino médio.” Segundo Ana, o cabelo alisado sempre serviu para ela se enquadrar em um padrão de beleza, o qual nunca verdadeiramente conseguiu se encaixar, por ser uma mulher negra e tudo que constituia sua negritude não era bem aceito nesse meio. “Quando eu entrei na universidade eu percebi que, mesmo que a sociedade impusesse de certa forma, não existia um padrão de perfeição. Eu vi muitas mulheres bonitas de várias formas, com vários cabelos, umas até sem cabelo. Alinhado à isso, eu comecei a estudar sobre questões étnico raciais e me ver pra mim e para o mundo como mulher negra.” De acordo com o dossiê Brandlab que foi feito pelo o google, a procura na internet cresceu entre os anos de 2015 e 2017. Essas buscas se dão basicamente por vídeos de como passar pelo processo, de como cuidar e de procurar quais cosméticos são bons para o fortalecimento dos cabelos após a retirada da química. É inegável o reconhecimento e empoderamento de pessoas negras por meio da ressignificação da estética em relação aos cabelos. Não somente como forma exclusivamente externa, mas com intuito de contrariar tudo o reconhecimento de seus traços em uma sociedade racista que persiste em existir. 13


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PENALIDA MATE TEXTO Raquel Duarte

Um estudo realizado pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas, com dados do Ministério do Trabalho, mostra que 50% das mulheres analisadas estavam fora do marcado de trabalho, apenas 12 meses após terem seus filhos, mostrando que a maternidade ainda é um grande fator de desigualdade. Vivemos em uma sociedade que faz várias cobranças para a mulher. Case, tenha filhos, saiba cozinhar... Mas como ser mãe em um meio que não contrata mulheres com filhos? É uma conta que não fecha. Muitas mulheres são mães solo, e por isso dependem unicamente da renda de um trabalho para conseguir criar o filho. Mesmo as mães que recebem pensão precisam trabalhar para complementar a renda, tendo em vista que a pensão é para os cuidados apenas com a criança e na maioria das vezes o valor é bem abaixo do que de fato se gasta. Mas aí a mulher decide não ter filho, se dedica a estudar e trabalhar, juntar dinheiro, investir em bens materiais e construir um outro estilo de vida. A sociedade sempre vai olhar 14

Uma sociedade que julga mulheres sem filhos, e exclui as mães do mercado de trabalho. para essas mulheres como “a moderninha”, “a fora do padrão”, “a que não vai fazer nenhum homem feliz”, “a que nunca saberá o que é ter uma família”, “a incompleta”. Estereótipos que não se encaixam dentro de uma sociedade que não dá opções para as mulheres. Segundo esse mesmo estudo da Fundação Getúlio Vargas, o salário de uma mulher cai 7% para cada filho que nasce, enquanto o dos homens sobe para 10%. Em uma entrevista de emprego, quem é mulher normalmente receberá essa pergunta: “Você tem filhos?”, se a resposta for sim, haverá duas possibilidades, a entrevista rodará em torno disso e de como


Revista Empoderar Você

ADE ERNA você irá trabalhar tendo um filho em casa e quem cuidará dele, ou você nem passará para as próximas perguntas, porque para o recrutador não será interessante contratar uma mãe. Mas e ao homem? Quantas perguntas iguais a essas são feitas para ele? Ou o pai não tem nenhuma responsabilidade com o filho? O nome disso é penalidade materna, um exemplo de que a tarefa de cuidar da casa e dos filhos ainda não é vista como algo a ser compartilhado. Uma política que poderia ajudar a desconstruir essa ideia de que apenas a mulher pode cuidar dos filhos e de que só a mulher

tem essas ocupações, é a licença-parental, que já existe em 52 países pelo mundo, incluindo a Suécia, onde foi adotada em 1974. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se o número de mulheres no mercado de trabalho subisse 55%, o PIB brasileiro cresceria 0,8% a mais ao ano, o que mostra que mulheres no mercado de trabalho não é um bem só para ela, mas para todo um país. Não se pode penalizar a mulher por ter filhos, como se ela os tivesse feito sozinha, né? >>>> Vire a página! 15


NINGUÉM QUER SABR DOS PAIS

NINGUÉM QUER SABER DOS PAIS

Fonte: Revista Superinteressante/Great Places to Work, Pew Research Center, UFMG e Promundo

Para refletir! No documentário Mães Solteiras (2014), do diretor Ulisses Rocha, são reveladas as experiências individuais de mulheres que engravidaram em décadas diferentes, em que o país tinha características culturais muito peculiares ao período em que elas se tornaram mães solteiras. O drama e as diferenças de reações de amigos e familiares, durante e depois da gravidez. Disponível no youtube, no link: https://www.youtube.com/ watch?v=RreeREWgPm8.

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Foto: Getty Images/iStockphoto

VOCÊ SABE O QUE É

stealthing? Texto: Raquel Duarte

Stealting, você já ouviu falar desta palavra? Provavelmente não. O termo em inglês não tem uma tradução muito precisa, por isso talvez o pouco conhecimento do que significa. Mas vamos ao que importa. Stealting, que em português seria algo como “furtivo” e “oculto”, é a prática sexual de retirar a camisinha durante o sexo, sem o consentimento do parceiro. O termo teve origem nos Estados Unidos, onde foi observada uma grande ocorrência desse tipo de violência. Estudado pela advogada e pesquisadora Alexandra Brodsky, e publicado no periódico científico Columbia Journal of Gender and Law, onde, segundo ela, a prática é mais comum entre jovens sexualmente ativos. Após o consentimento entre ambos, chegando à decisão de que o homem coloque o preservativo, o mesmo viola essa escolha e retira o preservativo ainda durante a relação sexual, sem que a parceira ou parceiro perceba. Segundo Brodsky (2017, p. 191-192), a conduta do “stealthing” significa uma violação da liberdade e da vontade da vítima em ter relações sexuais mediante o uso do preservativo masculino, obrigando-a a participar em atos sexuais de maneira diversa da pretendida e de forma não consensual. Isso, pra quem está mergulhado na cultura patriarcal e machista, vendo no sexo um ato de dominação, pode parecer algo de menor relevância. No entanto, para quem vê no sexo um ato de liberdade e prazer, isso é uma violação grave à dignidade. Para os homens, um “direito natural”, para as mulheres, uma “violação da autonomia do seu corpo”, e assim vamos vendo quem de fato se beneficia e quem se prejudica com tal ato.

Apesar de ser considerado violência sexual, e a vítima poder denunciar, a lei é falha e pouco é feito nesses casos. Como sempre a integridade da denúncia da mulher é colocada em dúvida, e por ser uma prática pouco conhecida e comentada, não se é dada tanta importância, e caso a vítima ainda contraia IST ou engravide, toda a culpa recaí sobre ela. Em seu artigo, Alexandra conta que se surpreendeu com a quantidade de mulheres que a procurou relatando que isso já aconteceu com elas. Stealthing é uma prática MUITO comum, onde muita gente confunde com ‘sexo ruim’, mas na verdade é muito grave e acarreta traumas, doenças, gravidez indesejadas, abortos, e violação de escolha do outro. Segundo uma matéria postada no site Veja, desde 2009, a legislação brasileira ampliou o conceito de estupro para praticamente qualquer contato físico não consentido – no que se inclui, naturalmente, apalpar a genitália de uma mulher, mas provavelmente aqui as vítimas também enfrentariam problema para configurar a remoção não-consensual de preservativo como estupro, já que, inicialmente, a relação sexual foi consensual. A ideia de poder do homem sobre a mulher estabelecida pela sociedade machista gera a preferência dos direitos dos homens sobre os dos indivíduos com características femininas e faz dos homens os principais protagonistas das violências sexuais.

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