CAMPANHA DAS OPERADORAS
Oi propõe congelar salários e benefícios
Negros são minoria na educação
Boa parte do tempo da reunião foi gasto com a exposição sobre a crise na empresa e o famigerado processo de recuperação judicial. E daí? Não foram os trabalhadores que afundaram a Oi numa dívida de quase 70 bilhões. Pelo contrário, sãos eles, os trabalhadores que mais contribuem para a geração de riqueza na empresa. Não foram os trabalhadores que administraram uma gigante de telecomunicações como se tivessem gerindo uma birosca de fundo de quintal. A categoria está cansada de pagar essa conta exige reajuste de salários e benefícios. OI CRESCEU 35%
O jornal do Sinttel-Rio dá continuidade à série de matérias sobre a consciência negra, em alusão ao dia de Zumbi, comemorado no dia 20 de novembro. Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos em relação ao acesso dos negros nas universidades, os números ainda detonam uma forte desigualdade entre brancos e negros. As cotas possibilitaram, algo inimaginável, há algum tempo atrás, ver negros freqüentando os bancos das universidades, antes destinado somente aos brancos. Mesmo com as críticas de opositores da política de cotas, os negros que entraram nas universidades provaram que são excelentes alunos e que estão acima da média dos estudantes em geral. Atualmente, os negros são a maioria da população, chegando a mais da metade, 53% da sociedade brasileira, porém, as chances de eles serem analfabetos é cinco vezes maior ao dos brancos; e pior, entre cinco estudantes de nível superior, apenas um é negro. Quando falamos de mercado de trabalho, este número confirma a dura realidade dos negros no Brasil. A cor da pele, infelizmente, ainda pode determinar quanto você vai ganhar. Em media, os negros ganham 40% menos do que os brancos. Menos qualidade de vida
Recente matéria realizada pela revista Superinteressante, afirma que a qualidade de vida é menor entre os negros. Enquanto 70% dos brancos possuem máquina de lavar, entre os negros mais da metade dos domicílios chefiados por uma pessoa negra não tem o eletrodoméstico. O mesmo vale para a internet, mais de 50% dos negros não têm nenhum acesso à rede. Essa desigualdade ainda é mais gritante entre os serviços mais essenciais para a vida humana. Quase 40% dos negros que vivem em áreas urbanas não possuem esgoto encanado. É mais difícil para a população negra mudar isso por dentro, já que ela quase não é representada no judiciário, nem no legislativo e muito menos no executivo. Esta defasagem vem de sempre, pois historicamente o Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão. Por isso, a luta pela igualdade racial deve ser permanente, é preciso debater o assunto e denunciar os preconceitos.
ARQUIVO DO SINTTEL-RIO
A direção executiva da Fenattel se reuniu dia 21 com o presidente da Oi, Marco Schroeder, e outros dois diretores da empresa para dar início às negociações salariais com vista à data base da categoria, 1º novembro. A proposta da empresa é 0% de reajuste. Querem congelar o atual Acordo Coletivo por um ano. Isso é absurdo. A proposta foi rejeitada no ato pelos representantes sindicais.
Apesar da crise e de estar em eminente falência, o Valor Adicionado (VA) da Oi em 2015 foi de R$ 22,7 bilhões, um aumento de 35% em comparação a 2014 e a Produtividade foi de R$ 1,3 bilhão, ou seja, cada trabalhador contribuiu com esse montante para a geração de riqueza na empresa e a produtividade aumentou 49%. A Oi é a terceira maior empresa no mercado brasileiro de telecomunicações, no item Receita Bruta e
Algar: proposta rejeitada Em reunião realizada dia 18 em São Paulo com representantes da Comissão, a Algar apresentou uma proposta de reajuste de apenas 7% para trabalhadores com salários até R$4 mil e 6% para a acima deste valor. Para benefícios o reajuste proposto é de 8% para benefícios, como auxílio alimentação/refeição, auxiílio creche/babá e auxilio filhos excepcionais. A Comissão rejeitou a proposta em mesa e a empresa apresentou, em seguida, outra, que pouco se diferenciava da primeira. Mais uma vez, a proposta foi rejeitada e a Comissão
Receita Líquida, no 2º trimestre de 2016. Diante disso, após essa proposta vergonhosa, a Fenattel rejeitou qualquer tipo de congelamento dos salários e fez uma contraproposta. Confira: - Cláusulas econômicas reajustadas pelo INPC integral (8,5%); - Antecipação do décimo-terceiro salário de 2017, em dez/2016; - Antecipação de metade de um salário do Placar, em dez/2016; Tíquete extra no montante de R$ 1.000, em de-
fez uma contraproposta, que prevê a reposição da inflação, de 9,62% para salários até R$5 mil e 8% para acima. A proposta também inclui um abono de 50% sobre os salários vigentes em 31 agosto. Uma nova reunião foi marcada para o dia 6 de dezembro, quando a Comissão espera que a empresa considere a contraproposta para atender aos trabalhadores.
Vivo: trabalhadores aprovam proposta
Em assembleias realizadas dias 17 e 18, os trabalhadores aprovaram a proposta da em-
presa para reajuste de salários e benefícios. Foram 444 votos sim, 10 disseram não e dois se abstiveram da votação. A proposta aprovada prevê reajuste 9,62% para os trabalhadores de campo, atendimento e lojas; 8% para os do administrativo, com salários de até R$ 7.000,00; e para salários acima de R$ 7 mil, uma parcela fixa de R$ 560,00, incorporada aos salários. Esse reajuste só será aplicado aos salários em janeiro de 2017. Além disso, há um abono indenizatório de 50% do salário nominal, a ser pago em dezembro aos trabalhadores de campo, atendimento e lojas. NEXTEL: Está marcada para hoje e amanhã a rodada de negociação da comissão com a empresa.
zembro de 2016; - Estabilidade no emprego por dois anos; DEMISSÕES - A Federação e os dirigentes do Sinttel-Rio cobraram o fim das demissões e os dirigentes da empresa descartaram a possibilidade delas voltarem a acontecer e afirmaram que atualmente a Oi tem 14.442 empregados, incluindo aí as lojas. PLACAR 2016 - Com relação ao Placar deste ano, eles confirmaram que está garantido. As próximas rodadas de negociações estão agendadas para os dias 29 de novembro e 7 e 8 de dezembro
Claro cancela reunião marcada para hoje
O cancelamento da reunião de negociação marcada para hoje, dia 23, pela direção do grupo Claro (Claro, Embratel e NET) causou ainda mais revolta e indignação na categoria que já rejeitou a sua proposta vergonhosa de reajuste de 5% parcelado e manutenção do congelamento do vale refeição/ alimentação. A suspensão da negociação levou a comissão a convocar a categoria para um dia nacional de mobilização na segunda-feira, dia 21. Os trabalhadores aderiram em massa especialmente no Rio e na Bahia. Até o fechamento desta edição, a Fenattel ainda não tinha nenhuma confirmação do grupo Claro de uma reunião para o dia 29. Diante disso, a direção sindical clama aos trabalhadores a permanecerem mobilizados e dispostos a aderir às possíveis paralisações. Não aceitamos nenhum reajuste inferior ao INPC, 9,62% para todos os empregados, inclusive diretores e gerentes. Exigimos o fim do congelamento do VR/VA e das práticas de assédio moral em todos os setores da Claro.
AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A OI
“Queremos preservar os empregos” “Estamos aqui para defender a preservação dos empregos, a garantia dos postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores”. Essas foram as primeiras palavras do coordenador do Sinttel-Rio, Luís Antônio Sousa, na audiência pública realizada ontem, dia 22, na Câmara dos Deputados, em Brasília. A audiência foi solicitada pelo próprio Sinttel-Rio, pelo Instituto de Defesa do Consumidor e outros entidades. Em nome de toda diretoria do Sinttel e de todos os trabalhadores da Oi, Luís Antônio não poupou críticas às gestões desastrosas que levaram a empresa, uma gigante de telecomunicações, que tinha tudo para ser a maior operadora brasileira do setor, à bancarrota e à falência. “Não somos responsáveis por essa dívi-
da estratosférica de quase 70 bilhões. Não somos responsáveis pela rotatividade na presidência da Oi, em seis anos seis pre-
sidentes. Não somos os responsáveis pela má gestão, pelos erros que resultaram em prejuízos gigantescos e aumento do
endividamento”, observou Luís. Ele lembrou que essa crise na Oi já prejudicou milhares de trabalhadores, vítimas da incompetência dessas mesmas administrações. “A cada crise, a demissão em massa era apontada como solução do problema. Em todas as ocasiões o Sindicato se posicionou contrário e não foi ouvido. O resultado foram milhões de trabalhadores demitidos em todo país. Isso não pode se repetir.” “Estamos aqui para mais uma vez lembrar aos senhores deputados que essa empresa tem uma contrapartida social gigante com o país, tanto na geração de emprego quanto para o consumidor e para a sociedade. É isso que deve ser levado em conta”, enfatizou Luís, ao ressaltar a crise de desemprego porque passa o país.