Jornal do Sinttel-Rio nº 1550

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CAMPANHA DE TELEATENDIMENTO

CHEGA DE PERDAS! REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O que há por trás da propaganda oficial Dando continuidade à série de ma-

térias sobre a Reforma da Previdência proposta pelo governo golpista, esta semana vamos desmascarar a falsa propaganda de que a proposta fará o país crescer. O que os golpistas querem, na verdade, é acabar com o direito à aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. Mas, aqui, vamos desconstruir a farsa dos golpistas A Reforma da Previdência vai gerar mais emprego e aquecer a economia

Mentira. Não há o menor sentido nesta afirmação do governo golpista. Impossível uma reforma que aumenta o tempo de trabalho gerar emprego. Isto porque o trabalhador vai demorar mais pra se aposentar e, consequentemente, não abrirá a vaga para os mais jovens, depois de 35 anos de contribuição. Sairá depois de 49 anos de contribuição. “Isso reduz a oferta de emprego, ao contrário de ampliar”, afirma o diretor-executivo da CUT, Júlio Turra. Já o professor Horvath Junior prevê até mesmo crescimento da informalidade. “Não consigo entender como a reforma da Previdência pode movimentar a economia. Pode ser que, com essas regras bem rígidas, haja também a possibilidade de um aumento de atividade informal. E com isso, em vez de se obter uma maior arrecadação, por parte da Previdência, pode haver uma diminuição dessa base de arrecadação.”

Queremos piso de R$ 1.300,00 e tíquete refeição de R$ 25,00 por dia para todos

CAMILA PALMARES

O Sinttel-Rio realizou ato ontem (24), nos sites da Contax, em Mackenzie, e da Atento, na Penha. O objetivo era informar a categoria sobre as negociações e dizer que, sem luta, sem mobilização, não vamos frear a ganância das empresas. “Se queremos conquistar a reposição das perdas, vamos ter que nos unir e lutar”. Esse foi o tom dos discursos.

N

a avaliação dos dirigentes sindicais, esse foi o primeiro ato da campanha, mas outros se sucederão em todos os locais de trabalho rumo à construção da greve, a exemplo do que já fizemos em 2014 e 2015. E a campanha também vai se intensificar em outros estados. Chega de perdas! Esse é o slogan da campanha e o que foi dito às empresas na mesa de negociação, quando da rejeição da proposta patronal pela Comissão da Fenattel.

Ato realizado no site Atento Penha ontem, dia 26

cargo conforme tabela abaixo. Essa, aliás, é a grande bandeira de luta dessa campanha. A comissão rejeitou a proposta das empresas e manteve a nossa Pauta, é por ela que vamos lutar até o fim.

PERDAS

2017 2016 Perdas salariais de janeiro a abril = 338,4 Perdas salariais 342,00 Perdas salariais de abril a novembro = 316,8 Perdas no ticket 148,42 Perdas no ticket de janeiro a abril = 57,18 Perdas no ticket de abril a novembro = 53,53

PROPOSTA VERGONHOSA

Na última rodada e negociação nacional do teleatendimento, realizada dia 19, em São Paulo, as empresas tiveram a cara de pau de ignorar a data base da categoria, que é 1º de janeiro, e propor reajuste dos salários só em julho. Além de ZERO de reajuste para os benefícios e ZERO de PLR/2016. Veja a proposta indecente no box. Para quem ganha acima do piso, as empresas tiveram a desfaçatez de oferecer 3,58% de reajuste em julho, índice muito inferior ao INPC que reajusta os salários de todas as categorias com data base em janeiro, que foi de 6,58%. MANTEMOS A NOSSA PAUTA

Na Pauta de Reivindicações entregue as empresas em outubro, há quase quatro meses, reivindicamos: piso salarial de R$ 1.300,00; tiquete refeição no valor de R$ 25,00 ao dia para todos os empregados, além da fixação dos salários de acordo com a jornada e o

A proposta indecente das empresas

A justificativa das empresas para essa proposta miserável é crise, da qual elas passam longe. De acordo com o ranking das maiores empresas do setor de teleatendimento, conforme apurado pela subseção do Dieese na Fenattel, elas tiveram faturamento estimado em R$16,7 bilhões em 2016. Uma variação de 7,8% em relação a 2015. Não bastasse tudo isso, as empresas do setor foram beneficiadas com inúmeras vantagens, tanto no Rio

. Piso salarial – reajuste para o salário mínimo (R$937,00) só a partir de julho, mais um abono indenizatório a ser pago em duas parcelas em fevereiro e junho . Salários acima do piso – reajuste de 3,58% a ser aplicado a partir de julho, mais um abono indenizatório a ser pago em duas parcelas, em fevereiro e junho . Benefícios (Tiket,creche, etc) – Zero de reajuste . PLP/2016 – Zero . Piso período de experiência (90 dias) - R$ 880,00 e kit lanche, ou seja, esses trabalhadores não receberiam o tiketrefeição

Conferência discute teletrabalho Grupo Claro: ato hoje em todos os prédios

Vai haver uma explosão na aposentadoria dos trabalhadores rurais

Mentira. Nos últimos anos, houve de fato um aumento de trabalhadores e trabalhadoras rurais que passaram a receber a aposentadoria. Porque eles foram orientados pelo governo Lula e Dilma a fazerem documentos – certidão de nascimento e RG - e a partir daí passaram a existir formalmente. Os trabalhadores rurais possuem péssimas condições de trabalho e de vida, a grande maioria é obrigada a começar na labuta bem cedo, até mesmo ainda crianças. Atualmente, os trabalhadores rurais só se aposentam por idade. A reforma de Temer é criminosa porque praticamente acabará com a aposentadoria destes trabalhadores, que serão obrigados a se aposentar aos 65 anos, depois de contribuir 25 anos. Acontece que estes trabalhadores, na sua maioria, não trabalham com carteira assinada e vivem do que plantam.

de Janeiro como em outros estados. Já os trabalhadores só acumulam perdas. veja no quadro as nossas perdas, inclusive, em 2017, caso aceitássemos essa proposta. Informações: ricardopereira@sinttelrio. org.br, cesarfernandes@sinttelrio.org.br e alandias@ sinttelrio.org.br.

De 17 a 19 de janeiro , mais de 150 líderes sindicais de todo o mundo - Itália, França, África do Sul, Quênia, Reino Unido, Chile, EUA, Dinamarca, entre outros - participaram da Conferência Global IT Organizing, em Berlim, na Alemanha, cujo objetivo era debater o futuro e as relações de trabalho do setor de Tecnologia da Informação. Do Brasil, o coordenador geral do Sinttel-Rio, Luiz Antonio Souza, esteve presente ao evento, como representante da Fenattel.

Durante estes três dias os representantes sindicais discutiram temas sobre o mundo do trabalho, como responsabilidade das empresas nos acordos coletivos, precarização dos empregos e problemas e desafios do teletrabalho, ou seja, o trabalho realizado à distância,de forma autônoma. Os temas tinham o objetivo de debater formas de garantir os direitos dos trabalhadores e estabelecer estratégias para encontrar melhores formas de

organização nestas novas plataformas de telecomunicação, em um mundo em constante transformação. Na Alemanha, o sindicato da categoria tem cerca de um milhão de sindicalizados, incluindo os setores de telecomunicações, artes e comunicação. Muitos deles atuam como autônomos, porém, são sindicalizados, pois atestam a importância da organização e da luta coletiva para a garantia dos direitos trabalhistas.

O Sindicato estará hoje realizando ato às 12h, no prédio sede da Embratel (Av. Presidente Vargas, 1012); às 13h no complexo de Makenzie; e às 14h no prédio da Claro, na Mena Barreto, em Botafogo. O Sindicato vai conversar com os trabalhadores, tirar possíveis dúvidas sobre o Acordo, e principalmente, falar da PPR/2016 que será paga dia 24 de fevereiro. O clima na categoria é de incerteza e expectativa, e não é pra menos. Enquanto a empresa divulga através de folder para todos os trabalhadores que o Grupo Claro (Claro, Embratel e NET) ARREBENTOU e superou todas as expectativas de lucro, os gestores dizem que a PPR não vai passar de 1,5 salários. Isso por causa das armadilhas e do famigerado gatilho imposto pela empresa. O teto máximo da PPR que é 3,6 salários. Era isso que deveria

ser pago aos trabalhadores. CAMPANHA DE SINDICALIZAÇÃO

No dia 2, o Sindicato começa uma ampla campanha de sindicalização nos prédios do grupo Claro. Além da importância de fortalecer o Sinttel-Rio que está levando a luta em defesa da categoria, é importante que os trabalhadores do grupo (Claro, Embratel e NET) se conscientizem de que têm que se unir e exigir igualdade de tratamento, a divisão só beneficia a corporação. “Só vamos conseguir impor nossa vontade mobilizados e coesos no Sindicato” disse Virginia Berriel, diretora do Sinttel. Ela acrescentou que se a última campanha foi difícil, a deste ano, 2017, será muito pior. “Ou a gente se organiza no Sindicato e mostra que tem força ou seremos massacrados” concluiu.


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