Jornal do Sinttel-Rio nº 1563

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LUTA CONTRA O CORTE DE DIREITOS MARCA O 1ºDE MAIO 64% acham que reforma beneficia os patrões

A mais nova pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que os brasileiros acham que a reforma trabalhista e a terceirização propostas pelo governo golpista privilegiam mais os empresários do que os trabalhadores. Nada mais nada menos do que 64% dos entrevistados têm essa opinião sobre a reforma, e 63% sobre a terceirização.A pesquisa também ouviu uma parcela importante de empresários . Menos da metade (48%) dos empresários entrevistados afirma que o emprego deve ser beneficiado pela nova lei, segundo o instituto de pesquisa. O levantamento ainda aponta que os assalariados com registro em carteira são mais pessimistas: 34% afirmam que as vagas serão reduzidas. Para 66%, os preços de mercadorias e serviços devem subir com a ampliação da terceirização. Apenas 17% (e 15% dos empresários) esperam aumento dos salários. O levantamento foi realizado na última semana, antes da greve geral no dia 28, e ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais. O projeto de lei que modifica as relações de trabalho foi aprovado no plenário da Câmara na última semana. O texto será encaminhado ao Senado Federal, exigindo ao menos 308 votos favoráveis para ser aprovado. Tomar as ruas é o único caminho para barras o corte de direitos dos trabalhadores.

Há muitos anos o Brasil não assistia a uma mobilização tão grande no dia 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores. No Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham ido às ruas. No Rio de Janeiro, o palco das manifestações foi a Cinelândia e reuniu mais de 15 mil pessoas de acordo com os organizadores. Apesar do belo dia de sol, os trabalhadores trocaram a praia e foram em massa à praça mostrar que não vão aceitar o corte de direitos trabalhistas e previdenciários. "Nenhum direito a menos" essa foi a palavra de ordem desse 1º de Maio.

O

SOCORRO ANDRADE

ato estava marcado para as 11 horas, mas a partir das 10h, começou a chegar gente na praça, vinda de todos os lados. Todos vestidos com camisetas de “Fora Temer”, com adesivos ou com o próprio rosto ou o corpo pintados com a expressão mais vista e ouvida em todo Brasil. Quem pegou o metrô em direção à Cinelândia neste mesmo horário enfrentou vagões lotados de pessoas portando bandeiras, outros adereços e gritando "Fora Temer", "Fora Golpistas", "tirem as mãos dos meus direitos" dentro dos vagões. Ao contrário do que aconteceu no dia 28, quando o Batalhão de Choque usou de toda violência e atrocidade contra manifestantes pacíficos, atitude que contou com o repúdio de todos, no dia 1º, o clima era tranquilo, mas de resistência. Ao final de cada discurso os gritos de "Fora Temer", "Fora Pezão" e "Greve Geral" eram entoados. A luta contra o golpe nos trabalhadores, contra o fim da aposentaria e contra a terceirização vai continuar.

Veja o que está em jogo

FJornada de trabalho - hoje a jornada diária máxima é de 10 horas (oito horas de trabalho, uma hora de almoço e duas horas extras). Com a reforma, essa mesma jornada será de 12 horas diárias, com limite de 48 horas na semana (incluindo horas extras) e 220 horas no mês. FFérias - Com o aumento do período

Ato na Cinelândia dia 1o de Maio reúne mais de 15 mil

do contrato temporário para nove meses, a maioria dos trabalhadores vai perder esse direito. Para os demais, acabarão as férias de 30 dias, elas serão parceladas em até 3 vezes. FDemissão - todas as garantias cairão. A demissão passará a ser de "comum acordo" entre patrão e empregado, ou seja, o trabalhador aceita ser demitido e de quebra perde aviso prévio, multa de 40% sobre o FGTS, seguro desemprego e só receberá 80% do saldo do fundo de garantia.

FRescisão - todo trabalhador com um ano ou mais de empresa, em caso de demissão, tem obrigatoriamente que homologar a rescisão no Sindicato ou Ministério do Trabalho para que não seja lesado. Essa obrigação acaba. O trabalhador ficará à mercê do patrão. FGrávidas - quem decidirá aonde as grávidas e as lactantes devem trabalhar será o médico da empresa. Ou seja, mesmo que ela esteja em um local insalubre para ela e o bebê e a empresa achar que ela deve continuar ali correndo risco e pondo em

risco o bebê, é ali que ela ficará. FCarteira assinada - a empresa vai poder demitir todos os seus empregados e substituí-los por terceirizados com contrato temporário, sem direitos, sem carteira assinada FTerceirizados - a terceirização será irrestrita em todas as atividades, inclusive no setor público, acaba a responsabilidade solidária das contratantes, ficando os trabalhadores entregues à precarização desenfreada, aos baixo salários, jornadas abusivas, etc.

Greve Geral é sucesso em todo o país VIOLÊNCIA POLICIAL

O dia 28 de abril ficará marcado na história do Brasil. Neste dia, o Brasil parou em repúdio aos cortes de direitos do governo golpista, que tenta forçar a aprovação das reformas trabalhistas e da previdência. Esta já é considerada a maior Greve Geral realizada no país até então, já que contou com a adesão de 40 milhões de brasileiros. Nas primeiras horas do dia, em diversas cidades do país, já havia registros de paralisações de várias categorias, como rodoviários, professores, bancários, metalúrgicos, comerciários, instituições públicas, inclusive do judiciário. O Brasil acordou diferente, até mesmo a grande imprensa teve que registrar o fato, mesmo ainda de forma desigual ao que fizera na ocasião das manifestações a favor do gol-

pe, quando as transmissões eram ao vivo e durante toda a programação. A imprensa internacional destacou a força da maior

greve do Brasil e o descontentamento da população com o governo golpista e seu projeto criminoso contra os trabalhadores.

No Rio, algumas categorias se concentraram na Assembleia Legislativa – ALERJ-, antes do ato marcado para a Cinelândia, às 17 horas. Desde lá, a ação opressiva da polícia já antecipava o desfecho trágico das manifestações. Munidos de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, policiais do choque agrediram manifestantes pacíficos, que tiveram que fugir desesperadamente pelas ruas do Centro. O início do ato na Cinelândia seguia pacificamente, quando, ao longe, já se ouviam as bombas, anunciando o terror que iria se instaurar. Os policiais lançaram bombas por todos os lados, perseguiram manifestantes em carros e motos na contramão, fazendo uso de balas de borracha, uma verdadeira caça à população. Foram momentos de terror e pânico que se estenderam por várias horas em vários pontos da cidade, até no bairro da Glória. Os manifestantes foram perseguidos pelas tropas da polícia, que encurralaram a população, a fim de sufocar a tentativa de realizar o ato. A ação foi considerada

criminosa por várias entidades, uma vez que a polícia utilizou métodos de tocaia e violência contra manifestantes pacíficos. Nem mesmo deputados foram poupados. Enquanto Jandira Fhegali e Flávio Serafini discursavam no palco, bombas foram jogadas propositalmente na sua direção. A ação de violência, covardia e truculência contra a população só podia resultar em feridos. Várias pessoas foram atingidas por balas de borracha, estilhaços de bombas, spray de pimenta e cassetete. O caso mais grave aconteceu em Goiânia, quando um policial golpeou o rosto do estudante Matheus Ferreira, com um cassetete, que chegou a quebrar com o impacto. Ele teve traumatismo craniano e está entre a vida e a morte. A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ está coletando relatos, fotos e vídeos da repressão arbitrária e desmedida na manifestação da GreveGeral no Rio de Janeiro para adotar as devidas providências junto ao Ministério Público (https://docs.google.com/ forms/d/1zjAqx4CZyLkTDsPRDjGW-NmapLrPfmGced6VcDZjNdY/prefill).


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