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Revestimento incrementa qualidade e aumenta longevidade do molde
48 REVESTIMENTO INCREMENTA QUALIDADE E AUMENTA LONGEVIDADE DO MOLDE
Helena Silva *
* Revista MOLDE
Revestimento e tratamento podem parecer, à primeira vista, pequenos pormenores do processo de fabrico do molde para a injeção de plásticos. Mas são muito mais do que isso. Melhorar o acabamento e, com isso, proporcionar ganhos de qualidade são apenas algumas das vantagens que estes procedimentos proporcionam. Mas os fabricantes de moldes enumeram outros benefícios, como a maior longevidade do molde, a diminuição do tempo de ciclo ou a redução da corrosão e do desgaste. Com isto, asseguram, um bom revestimento e tratamento pode traduzirse em ganhos de competitividade como a redução dos custos de manutenções pós-venda.
/ / Carlos Pelicano - Somema
Tratamento e revestimento são, para os produtores de moldes, mais do que apenas um pormenor no processo de fabrico. Na verdade, o seu papel pode ser determinante, possibilitando um conjunto de fatores essenciais que asseguram a qualidade do produto final.
Carlos Pelicano, da Somema, começa por salientar que a “melhoria contínua”, seja na produtividade da indústria, seja na qualidade do produto e serviço fornecidos, é um fator relevante para a competitividade das empresas. E no seu entender, essa competitividade faz-se de “pequenas melhorias que podem passar despercebidas, mas que representam grandes benefícios na qualidade e redução do custo na produção de peças plásticas”. E é precisamente neste aspeto que se inserem o revestimento e o tratamento. Destacando que estes têm benefícios imediatos, como “a diminuição do tempo de ciclo, maior longevidade do molde, redução da corrosão e desgaste, menor necessidade de utilizar desmoldantes ou lubrificantes durante a injeção e aumento dos intervalos de manutenção”, Carlos Pelicano adianta um outro aspeto que, no caso da Somema, é de extrema relevância: “a diminuição de custos de manutenções pós-venda”.
Para si, “a combinação dos materiais e tratamentos térmicos e/ ou revestimentos cria desafios técnicos importantes e ganhos significativos na produtividade dos moldes e ferramentas”. E, defende, revestimento e tratamento devem ser um ponto acautelado desde o início do processo. Ou seja, no projeto. É nessa fase, entende, que se encontra “a chave do sucesso”, uma vez que esse é o momento em que são definidos os materiais e respetivos tratamentos e revestimentos.
CONHECIMENTO TÉCNICO
Como forma de ilustrar a sua posição sobre a importância destes procedimentos, apresenta um exemplo concreto de um projeto interno da Somema, os óculos COVision, “O objetivo era reduzir o desgaste durante o processo de injeção do policarbonato e, desta forma, aumentar a longevidade do polimento espelho do molde. Houve uma escolha criteriosa do tipo de aço e respetivo tratamento e revestimento. Para o tipo de revestimento escolhido, foi necessário optar por um aço que tivesse uma temperatura do revenido superior à temperatura de aplicação do revestimento”, refere.
Salientando que é grande a variedade de revestimentos no mercado, Carlos Pelicano considera ser essencial “conhecer tecnicamente cada tipo”, de forma a conseguir aplicar a solução ideal a cada caso e, com isso, “garantir a satisfação do cliente, com melhores resultados e a menor custo”.
“A parceria com empresas fornecedoras, bem como a formação e divulgação sobre as melhores técnicas disponíveis” são, no seu entender, condições fundamentais para que “se consigam bons resultados para todas as partes envolvidas na nossa indústria”.
A concluir, chama ainda a atenção para um outro pormenor de extrema relevância: “é bastante importante fazer um follow-up do molde, durante a sua vida útil, para conjuntamente com o cliente avaliar os aspetos que devem ser melhorados em novos moldes, nomeadamente a escolha de tratamentos e revestimentos com impacto maior na sua longevidade”.
Revestimento e tratamento são, na opinião de Mário Grácio, da Moldene, procedimentos que, a serem bem executados, podem “garantir um melhor índice de produtividade”. Este é um aspeto essencial, mas não o único. Estes processos proporcionam “um prolongamento da vida útil do molde enquanto ferramenta de trabalho, reduzindo a possibilidade de corrosão, evitando o desgaste das zonas de movimento mecânico e reduzindo o impacto do desgaste abrasivo provocado pelo polímero”.
Mas, para assegurar que estes benefícios são atingidos, a definição dos tipos de revestimento e tratamento deve ser feita numa fase muito embrionária do processo de produção. Ou seja, no projeto.
São, para si, dois aspetos que não podem ser negligenciados. Na produção do molde, considera, o seu grau de importância “terá obrigatoriamente de ser alto”.
PREÇO E QUALIDADE
Mário Grácio defende, por isso, que este “é um ponto que a indústria de moldes não pode descurar”. Até porque, sublinha, é essencial para que as empresas possam “fazer parte de um processo de melhoria contínua e de produtividade, implementado pela indústria de injeção de plásticos”.
A diversidade da oferta deste tipo de soluções no mercado é, no seu entender, uma questão que pode contribuir para aumentar a qualidade e melhorar os preços. É que, defende, “a concorrência é sempre um fator de melhoria”. E esta, salienta, tem reflexos na “qualidade, mas também no estudo e desenvolvimento de novas práticas; e claro no preço”.
JR MOLDES: PANÓPLIA DE SOLUÇÕES ASSEGURA MELHOR DESEMPENHO
Bons revestimentos e tratamentos são garante de melhor desempenho, mas variam, em função das especificações e aplicações de cada solução.
Os ganhos, considera Filipe Soares da JR Moldes, “dependem um pouco do tipo de revestimento usado”. E exemplifica: “existem revestimentos que nos permitem aumentar bastante a durabilidade do molde porque aumentam significativamente a resistência do aço à corrosão e também aumentam a dureza superficial”, explica, adiantando que há, por outro lado, “a ‘outra gama’ que visa aumentar a eficácia do molde durante a injeção melhorando significativamente a extração das peças, uma vez que tem um efeito de ‘suavização’ do aço”.
A eficácia destes tratamentos é maior se for ponderada logo na fase inicial do projeto. “O ideal será definir o tipo de revestimento no início do estudo do molde”, defende. É que, salienta, “no caso de ser um revestimento que vise a corrosão e dureza superficial, teremos de ter em conta o tipo de aço a usar, fazer um estudo de zonas em que seja impossível fazer esse revestimento (por exemplo, alguns tratamentos não são possíveis de fazer em frisos muito fundos) e também verificar se as dimensões das peças não impossibilitam o revestimento”.
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/ / Filipe Soares - JR Moldes
Por outro lado, acrescenta, no caso de se tratar de “um tipo de revestimento que aumenta a eficácia da desmoldagem da peça, a definição do tipo de revestimento logo no início do estudo não é tão problemático. Aliás, a maior parte dos revestimentos de auxílio à desmoldagem são definidos após os primeiros ensaios quando se identificam dificuldades na extração da peça”.
LIMITAÇÕES
Em relação ao custo destes processos, Filipe Soares considera que, por vezes, o preço “é um pouco caro”. No seu entender, isso deve-se, em parte, “à baixa quantidade de fornecedores”.
“Existem alguns tipos de revestimentos que têm limitações à dimensão das peças em Portugal”, esclarece, concretizando que, “no caso de serem peças de maior dimensão, será necessário enviá-las para outro país, o que torna o processo mais caro e moroso”.
Para além das condicionantes anteriormente mencionadas, há outras que, na sua opinião, “deveriam ser melhoradas”, tais como “o número de ciclos em que os revestimentos de ajuda à desmoldagem mantêm a eficácia”. Quanto aos revestimentos anti-corrosão, a maior limitação prende-se com o facto de não ser possível revestir ‘ribs’ mais profundos”.
Considera porem que o revestimento é uma mais valia. “A política da JR Moldes é fornecer moldes aos nossos clientes com elevados padrões de qualidade, por isso, consideramos importante termos acesso a revestimentos que possam prolongar a vida útil e qualidade dos nossos moldes e, também, melhorar a qualidade das peças injetadas”.