# 162 ano XXXIX SETEMBRO/OUTUBRO 2012
Hora de pensar E agir Ideias e ações que ajudam a tornar real o sonho do convívio harmônico entre o ser humano e a natureza
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www.odebrechtonline.co Edição online
Acervo online
> Com foco em nascentes e matas ciliares, o programa Fábrica de Florestas ajuda a recuperar trechos de Mata Atlântica no Litoral Norte da Bahia e é replicado no Rio de Janeiro. > Programa Creer, apoiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, traz melhores perspectivas de trabalho para habitantes da região de Huánuco, no Peru. > Destaque entre as obras de preparação do Rio de Janeiro para sediar jogos da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a via expressa TransOeste já desafoga o trânsito da cidade. > População de Luanda aprende novas formas de contribuir para a melhoria da saúde pública por meio de ações ambientais.
> Você pode acessar o conteúdo completo desta edição em HTML ou em PDF
> Acesse as edições anteriores de Odebrecht Informa, desde a número 1, e faça o download do PDF completo da revista.
> Relatórios Anuais da Odebrecht desde 2002.
> Publicações especiais (Edição Especial sobre Ações Sociais, 60 anos da Organização Odebrecht, 40 anos da Fundação Odebrecht e 10 anos da Odeprev).
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m.br
> Edição de Odebrecht Informa na internet. > Reportagens, artigos, vídeos, fotos, animações e infográficos.
Videorreportagem
> Nas obras da Usina Hidrelétrica Palomino, na República Dominicana, ações ambientais incluem várias frentes de atuação, entre as quais o apoio à demarcação de área do Parque Nacional dos Haitises, rico em espécies de aves e em cavernas. > Economia de água potável e tratamento de esgoto são objetivos do Projeto Aquapolo, inédito no Brasil, que fornecerá água de reúso ao Polo Petroquímico do ABC Paulista. > Municípios de Alagoas são beneficiados por expansão de programa de capacitação profissional e investimentos em reserva de Mata Atlântica.
Blog
> Sítio Arqueológico da Pedra Preta, no Mato Grosso do Sul, será aberto à visitação. > Rádio anima integrantes da Odebrecht em seu cotidiano de trabalho na Usina Hidrelétrica Teles Pires. > Aos 75 anos, um veterano agricultor encontra motivação em novas ideias e em novos métodos de trabalho.
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> Uma arena para três paixões Cidade da Copa: a Arena Pernambuco deixará legado urbano para torcedores de Náutico, Santa Cruz e Sport
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Capa: integrante da Odebrecht com ave da região das obras da Central Hidrelétrica Chaglla, em Huánuco, no Peru. Foto de Bruna Romaro
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#162
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Em Moçambique, um canteiro de obras no qual a proteção da fauna e a produtividade convivem em harmonia
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Sergio Leão e Alexandre Baltar e a importância dos indicadores da Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa
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Caroline de Azevedo e a coordenação de um trabalho que tem sua essência na sinergia entre empresa e comunidade
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No Panamá, uma decisiva investida na preservação dos manguezais e de sua biodiversidade de extraordinária riqueza
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República Dominicana: projetos em diferentes setores pavimentam o caminho do país rumo a um futuro sustentável
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Gente: João Borba, Eduardo Poley e Gabriel Saúde e suas demonstrações de amor pelo lugar onde vivem
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Cinturão Verde e Lagoa Viva: duas iniciativas realizadas em Alagoas tornam-se símbolos da sustentabilidade
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Entrevista: Angusto Roque, Rogério Ibrahim e Saulo Nunes falam dos diferenciais da Odebrecht nas ações socioambientais
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Uma obra concebida e executada para ser sustentável em todos os aspectos: Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia
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Passado, presente e futuro se encontram na construção do Aproveitamento Hidrelétrico do Baixo Sabor, em Portugal
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Chaglla: no Peru, na faixa intermediária entre os Andes e a selva, nasce um projeto exemplar do ponto de vista da preservação
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meio ambiente 46 50 55 58 62 68 70 74
No mapa, estão indicados em branco os países e os estados brasileiros onde são realizados os projetos e programas retratados nesta edição de Odebrecht Informa e onde vivem e trabalham as pessoas que protagonizam as reportagens
Em Sauípe, no Litoral Norte da Bahia, ações são realizadas para garantir a conservação em um complexo contexto ambiental Projeto Aquapolo: um marco no reúso de água para fins industriais e um símbolo da transversalidade empresarial Brigadistas: conheça alguns dos profissionais que atuam na prevenção e segurança em unidades agroindustriais da ETH Mundo afora, a Petrobras moderniza ativos para adequá-los às mais rigorosas premissas de segurança e saúde pública As contribuições das concessionárias de rodovias para a disseminação de uma cultura de respeito ao meio ambiente Programa realizado no Edifício-sede da Odebrecht em Salvador ajuda a transformar pequenos hábitos em grandes atitudes Terminal Embraport, em Santos: iniciativas inovadoras asseguram uma utilização mais racional e produtiva para a água Saberes: líder apaixonado pela formação de pessoas, Antonio Carlos Daiha Blando destaca aprendizados de sua trajetória
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Da Grande Porto Alegre vem uma confirmação do quanto íntima é a relação entre habitação digna e respeito ao meio ambiente
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Reabilitação da praia de Sepetiba devolve à comunidade um dos pontos mais aprazíveis da Zona Oeste do Rio de Janeiro
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A conscientização ambiental está mudando a vida de comunidades da região metropolitana de Luanda
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A recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica e a conservação de nascentes mobilizam moradores do Baixo Sul da Bahia
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EDITORIAL
Relação de respeito
N “A Odebrecht estabeleceu para si o desafio de ser reconhecida como uma ‘empresa verde’, comprometida com a criação e o oferecimento de um legado ambiental às populações das áreas de influência de suas obras de engenharia e construção e de suas operações industriais”
a Província de Tete, em Moçambique, o cuidado é total para assegurar que espécimes da fauna bravia estejam protegidos e não tenham seu modo de vida alterado pelas obras em andamento na região. Da República Dominicana vêm exemplos de como um país pode atingir o equilíbrio ao investir pesado em seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade ambiental. Huánaco, no Peru, é lugar, hoje, de um pioneiro projeto de resgate da fauna e da flora local. Na região metropolitana de Luanda, obtém-se reiteração do quão íntima e determinante é a relação entre moradias dignas e conservação ambiental. Nos estados brasileiros de Pernambuco, Bahia e São Paulo, as comunidades vizinhas a rodovias administradas em regime de concessão são as principais beneficiárias de programas que deixam clara a necessidade (e a vontade) que as pessoas têm de se tornarem responsáveis por sua própria qualidade de vida e pela proteção da natureza. Esses são alguns exemplos de ações que você verá descritas e analisadas nesta edição de Odebrecht Informa, que trata da relação cotidiana das empresas da Organização com o meio ambiente. Você verá como é o relacionamento das equipes da Odebrecht com a questão ambiental nos canteiros de obra, nas unidades industriais e nos escritórios do Brasil e dos outros países. Para realizar grandes obras, como hidrelétricas, rodovias e projetos de saneamento básico, e operações complexas, como as que envolvem a produção de resinas termoplásticas e etanol, um amplo conjunto de ações voltadas à mitigação de impactos e à utilização racional dos recursos naturais é colocado em prática. A conservação do meio ambiente, da fauna, da flora e da biodiversidade – e isso é entendido e praticado em cada um dos projetos que contam com a participação da Odebrecht – tem que fazer parte do negócio. Não se trata apenas do cumprimento da legislação, por mais rigorosa que ela possa ser, mas de ir além, fazer mais do que o exigido, investir em iniciativas consistentes e avançadas, realizar pesquisas e estudos pioneiros que se tornem referência nacional e até internacional. A Odebrecht estabeleceu para si o desafio de ser reconhecida como uma “empresa verde”, comprometida com a criação e o oferecimento de um legado ambiental às populações das áreas de influência de suas obras de engenharia e construção e de suas operações industriais. Esse legado tem como pilar principal o conceito de inclusão: é essencial que as comunidades sejam envolvidas nesse processo de aprimoramento ambiental, com a participação direta de seus membros na manutenção, no aperfeiçoamento e na multiplicação das transformações realizadas e dos benefícios conquistados. Boa leitura.
vida é
convívio texto Cláudio Lovato Filho fotos Holanda Cavalcanti
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Hipopótamos no Rio Zambeze: a cena, que fascina os visitantes, faz parte do dia a dia dos integrantes do Projeto Carvão Moatize
Atuação no Projeto Carvão Moatize, em Moçambique, envolve o relacionamento cotidiano dos trabalhadores com a fauna bravia e com as comunidades ribeirinhas
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Desembarque de integrantes junto a uma das torres de linhas de transmissão de energia erguidas na ilha: o local está recebendo vegetação nativa
Sérgio Silveira: planos de remar até os 75 anos
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o se aproximar da família de hipo-
de largura. Nela, foram instaladas quatro torres de li-
pótamos no meio do Rio Zambeze, a
nhas de transmissão para levar energia à área da obra,
pequena embarcação tem sua velo-
servida por 36 subestações. André Canoas, Responsá-
cidade reduzida, e o motor de popa é
vel por Produção da Odebrecht no projeto, e Leonardo
desligado. Os dois engenheiros que
Hellstrom, da equipe de Saúde, Segurança do Traba-
estão a bordo não se espantam, apenas desfrutam o
lho e Meio Ambiente da empresa, os engenheiros que
que veem. Mas, para a equipe de Odebrecht Informa,
estavam na embarcação acompanhando o repórter e
aquela está muito longe de ser uma visão corriqueira.
a fotógrafa da revista reúnem-se ali mesmo, na bei-
“São oito”, diz o repórter. “Não, são nove”, ele se cor-
ra do rio, com outros dois engenheiros da Odebrecht,
rige. “Um dia contei 11”, relata um dos engenheiros.
Joaquim Carvalho e Flávio Macaringue, e com os en-
Os hipopótamos amontoam-se, sub-
carregados Walter Gomes e Lino Pau-
mergem e depois colocam quase todo
lino Mucumbe. Ainda há trabalho a ser
o corpo para fora da água. A África e
realizado na ilha. É preciso proteger a
sua inesgotável capacidade de exercer
fundação de uma das torres. O desafio
fascínio. O motor é ligado novamente.
não é pequeno, porque o solo é muito
A embarcação afasta-se da família,
instável. A ilha está recebendo vegeta-
que fica aproveitando o sol da manhã
ção nativa da região. É uma contribui-
no meio do rio.
ção que as pessoas que têm ali suas
Estamos a caminho de uma ilha no Rio Zambeze.
pequenas hortas de milho, amendoim e outros produ-
Lá foi realizado o trabalho que talvez simbolize, com
tos aguardam com grande expectativa. A ilha está dei-
mais intensidade e precisão, a estratégia de conserva-
xando de ser apenas um banco de areia.
ção ambiental colocada em prática no Projeto Carvão
André e Leonardo apresentam a equipe da revista a
Moatize, desenvolvido desde junho de 2008 na Provín-
Abílio Sinosse. Ele trabalhou por 35 anos no Ministério
cia de Tete, em Moçambique, e que, em fevereiro de
da Agricultura de Moçambique, como fiscal da fauna
2012, entrou em sua segunda etapa, para duplicação
bravia, e, desde 2010, tem como atribuição proteger os
da capacidade de produção.
profissionais que atuam no projeto. Abílio, 57 anos, é o
Desembarcamos. A ilha é, na verdade, um grande
primeiro a chegar à ilha e o último a sair. Está sempre
banco de areia, com 1.800 m de comprimento e 1.200 m
atento aos movimentos de crocodilos, hipopótamos e
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cobras, que ele afugentará, se necessário. “Meu tra-
província homônima, está localizada uma das maiores
balho é defender as pessoas e a fauna. Proteger os
minas de carvão da África, cujo direito de exploração é
dois lados. Estou no meio”. É proibido matar animais
da Vale. Na mina são extraídos carvão dos tipos térmi-
em qualquer área do canteiro de obras, ainda que seja
co e metalúrgico, este mais valioso, utilizado na indús-
uma cobra ou mesmo uma aranha.
tria do aço. A capacidade de produção foi inicialmente
A família de hipopótamos que estava no rio vive na
estimada em 11 milhões de toneladas. Com as obras
ilha. Seus membros vão para a água por volta das 5h30
de expansão da planta, a produção será duplicada. Re-
da manhã e regressam à ilha no fim do dia. A movi-
tirado de uma área de cerca de 200 km2, o carvão é
mentação deles é prioridade absoluta. Todos os ser-
processado atualmente em uma estrutura industrial
viços são paralisados para que transitem livremente.
que exigiu 130 mil m3 de concreto. O carvão é exporta-
“Toda a estratégia de produção está subordinada aos
do de Moçambique por meio do Porto de Beira, onde
cuidados com o meio ambiente”, diz Flávio Macarin-
chega em comboios de trem. Tudo isso transformou-
gue, 31 anos, natural de Maputo, a capital de Moçam-
-se em realidade por meio de um Contrato de Aliança
bique. “O trabalho aqui na ilha tem sido um grande
entre a Vale e a Odebrecht.
aprendizado”, observa o paulista André Canoas. As ações de conservação ambiental na ilha torna-
Implantar e operar um projeto dessa magnitude exige um compromisso com a sustentabilidade. Ao
ram-se emblemáticas e referenciais, mas são apenas
circular pelo canteiro de obras, a equipe de Odebrecht
um capítulo, ainda que de grande destaque, no contex-
Informa constatou o engajamento de todos os inte-
to das iniciativas que vêm sendo realizadas durante a
grantes do projeto, independentemente de seu progra-
execução do Projeto Carvão Moatize e agora em sua
ma ou do local onde trabalham – nas frentes de ser-
expansão. Tudo o que poderia ser feito para assegurar
viço, nos escritórios, no refeitório ou nos alojamentos.
(e exceder, sempre que possível) os cuidados normal-
Caminhões-pipa circulam constantemente para re-
mente tomados em uma operação de mineração da
duzir a poeira e garantir a qualidade do ar. Inspeções
Vale, cliente no projeto, está sendo feito.
ambientais são realizadas diariamente e, se for necessário, resultam em ações corretivas. Campanhas e pa-
Uma das maiores minas da África
lestras sobre uso racional da água, redução do consumo
Em Moatize, distrito do município de Tete, capital da
de eletricidade e gestão de resíduos, entre outros temas,
Família de ribeirinhos (com Rosário Roice à frente, à direita) beneficiada por ações socioambientais: esperança de melhores oportunidades
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Equipamentos que fazem parte da estrutura industrial para processamento do carvão. Na foto menor, Estação de Tratamento de Efluentes (ETE): diariamente são realizadas inspeções ambientais
e as tradições locais. Os moradores da região da obra e, sobretudo, as famílias ribeirinhas que vivem às margens do Zambeze entenderam que os projetos na região, entre eles o Projeto Moatize, estão trazendo benefícios para sua hisocorrem em todas as frentes de trabalho. As comuni-
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toricamente carente região.
dades do entorno da obra são beneficiadas por ações
Quando a equipe de Odebrecht Informa esteve em
socioamboentais, e mudas de espécies nativas da região
Tete, em meados de agosto, uma seca prolongada
são plantadas e distribuídas. No Programa de Qualifi-
comprometia plantações e causava grande apreensão.
cação Profissional Continuada - Acreditar, o módulo so-
Rosário Abílio Roice, 36 anos, morador da comunida-
bre Meio Ambiente é uma contribuição de peso para a
de riberinha de Chivur, vê com bons olhos a realização
capacitação no assunto. Em qualquer local do canteiro
das obras em Moatize. “Significa mais desenvolvimen-
por onde se circule, a coleta seletiva de resíduos é incen-
to para o país. Agora há mais estradas, mais energia, e
tivada (e bem orientada). A obra conta com uma Estação
tudo isso com respeito ao meio ambiente, aos animais
de Tratamento de Efluentes (ETE) e com um aterro sani-
e à vegetação.”
tário. O projeto gera, atualmente, cerca de 7 mil postos
Roberto Salvador Reis, Responsável por Saúde, Se-
de trabalho diretos, considerando os integrantes da Vale
gurança do Trabalho e Meio Ambiente da Odebrecht,
(1.700), da Odebrecht (1.300) e os subcontratados de am-
afirma: “Já obtivemos vitórias importantes, mas ainda
bas as empresas. No pico das obras de ampliação, 8.500
há muito a ser feito. Por exemplo, queremos implan-
profissionais estarão presentes no projeto. Um canteiro
tar no distrito de Moatize uma cooperativa de recicla-
com população de cidade.
gem, com uma planta de separação a ser operada e
A força de trabalho é composta, hoje, de 85%
administrada por pessoas da comunidade”. Colbert
de moçambicanos, mas mesmo os que vêm de fora
Nascimento, Líder de Saúde, Segurança do Trabalho
sabem que a relação das populações locais com a
e Meio Ambiente da Vale no projeto, acrescenta: “Va-
natureza tem caráter transcendental. A religiosida-
mos deixar aqui um legado de sustentabilidade social
de é muito forte e é preciso compreender os hábitos
e ambiental”.
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Sérgio Leão (à esquerda) e Alexandre Baltar: o propósito é dar exemplos, na prática, de redução das emissões de CO2
controle rígido
A
texto Emanuella Sombra foto Ricardo Telles
lexandre Baltar é o Responsável pela área de Mudanças Climáticas do Programa de Sustentabilidade da Odebrecht, coordenado por Sergio Leão. Em agosto, em uma tarde do
seco inverno paulistano, os dois reservaram algumas horas para apresentar à Odebrecht Informa os indicadores da Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa das empresas de Engenharia e Construção, que concluíram recentemente seu segundo Inventário Anual de Emissões GEE, Ano Base 2011. “Depois de conhecer os processos de emissões, nos-
Empresas de Engenharia e Construção da Odebrecht concluem seu segundo Inventário Anual de Emissões GEE
so desafio agora é outro, e maior: traçar metas para melhorar eficiência no controle dessas emissões”,
racterísticas. Isso porque, ao contrário de empreen-
diz Baltar.
dimentos e indústrias que possuem plantas fixas de
Por mais óbvia que pareça para um leigo no as-
produção, na Engenharia e Construção cada projeto
sunto, a constatação de Baltar esconde desafios
tem um ciclo relativamente curto, do começo ao fim,
típicos de um setor que tem na mobilidade e na
o que dificulta, ao longo dos anos, análises compara-
capacidade de adaptação duas de suas principais ca-
tivas em um mesmo cenário.
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Esse, contudo, não é o único ponto complexo. “Cada obra possui suas particularidades. Uma estrada construída em uma região plana requer processos produtivos diferentes de outra estrada construída em um terreno acidentado. E ambas, logicamente, irão gerar impactos ambientais diferentes”, observa Baltar. Ele explica que, assim como o primeiro, o segundo Inventário Anual de Emissões GEE vem servindo de parâmetro para que os integrantes identifiquem as metas que devem ser priorizadas e como adaptá-las aos diferentes países e regiões onde a Organização atua.
Principais emissores Uma dessas metas é melhorar o controle de consumo de combustíveis e utilizar cimento e aço mais “verdes”. De acordo com o inventário, direta ou indiretamente, tais matérias-primas foram responsáveis, juntas, por 83,6% das emissões de gases lançados na atmosfera em 2011. Liderando o topo do
ranking, os combustíveis e lubrificantes consumidos por cerca de 27 mil equipamentos utilizados nos canteiros produziram 34,3% do total de gases poluentes. O consumo de cimento (29,3%) e aço (20%) veio logo atrás. Baltar explica que, mesmo quando determinada atividade resulta em pouco impacto, sua viabilidade deve ser avaliada, pois contribui para mudanças de atitude e pode trazer outros ganhos. Um exemplo: viagens aéreas representam 2,7% das emissões no inventário. Embora represente um percentual pequeno diante dos demais, sua necessidade é constantemente posta em xeque. “Costumamos esti-
atuamos. Ela não pode ser uma coisa trazida de fora
mular as pessoas a se perguntarem: será que, em
para dentro”.
vez de viajar, não seria possível resolver o assunto
A ponderação de Sérgio reflete uma preocupação
por meio de teleconferência, por exemplo?”, relata
permanente nas empresas de Engenharia e Cons-
Baltar.
trução, que é entender o contexto no qual a obra está
Ao incentivar esse tipo de questionamento, ganha
inserida. E isso pode ser constatado observando-se
o meio ambiente e a empresa, que acaba reduzindo
o número de projetos e regiões englobados pelo
os custos de suas operações. Consequentemente,
inventário. Ao todo, foram avaliados 135 contratos,
a cultura da sustentabilidade é disseminada entre
operação que envolveu 14 países onde a Organização
os integrantes, que passam a lidar com a econo-
está presente, incluindo o Brasil. Cerca de 850 inte-
mia de recursos de maneira descentralizada, ativa e
grantes participaram diretamente do levantamento.
constante. Sérgio Leão assinala: “Lembrando que a
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qualidade das nossas operações tem de ser manti-
Santo Antônio, Palomino e Chaglla
da em cada situação. Por isso é fundamental pensar
A preocupação já vem se convertendo em ações.
a sustentabilidade contextualizada ao local em que
Uma delas está nas obras da Usina Hidrelétrica San-
informa
líderes, esteve na conferência da ONU em junho pas-
Usina Hidrelétrica de Palomino, na República Dominicana: venda de créditos de carbono ajudará a financiar projetos sociais
sado. “A indústria da construção envolve uma cadeia de fornecedores, de empresas associadas que trabalham na entrega dos produtos. O que fazemos aqui repercute em toda essa cadeia.” Algumas decisões, como a escolha de fornecedores que produzem cimento com emissões reduzidas e a otimização do transporte de resíduos nos canteiros, acabam fazendo a diferença no controle dessas emissões. Outras, como a venda de créditos de carbono, trazem benefícios para o cliente e a comunidade na qual o projeto está inserido, já que geram recursos e viabilizam a implementação de projetos sociais. É o caso da Usina Hidrelétrica de Palomino, na República Dominicana, que deverá gerar cerca de 120 mil t de CO2 em créditos de carbono por ano. Além de Palomino, outro projeto para a venda de créditos de carbono vem sendo desenvolvido na Central Hidrelétrica Chaglla, no Peru, que deverá gerar 1,8 milhão de t de CO2 em créditos por ano. Quando receber a aprovação do Governo peruano e da ONU, Chaglla deverá ser o quarto maior entre mais de 1.200 projetos hidrelétricos já aprovados, agregando
foto:
Geraldo Pestalozzi
valor ao negócio da Odebrecht Energia. O objetivo do mercado de carbono é contribuir para o alcance das metas do Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005, definindo limites para a quantidade de gases poluentes na atmosfera. O assunto, desde então, tem ganhado importância na agenda do desenvolvimento sustentável. Em 2009, a Odebrecht Engenharia e Construção e outras 26 to Antônio, em Rondônia. O planejamento do canteiro
empresas assinaram a Carta Aberta ao Brasil sobre
permitiu que 291 ha de vegetação fossem poupados do
Mudanças Climáticas, que trouxe uma série de com-
desmatamento, de um total de 1.108 ha cuja supressão
promissos voluntários com a redução de impactos
havia sido autorizada pelo Ibama. A iniciativa resultou
ambientais e apresentou propostas ao Governo Fe-
em 26% de economia no custo do desmatamento para
deral sobre o assunto.
o projeto e 206 mil t de CO2 a menos na atmosfera,
“Um dos desafios do Brasil é estabelecer alianças
montante que corresponde a, aproximadamente, 40%
e um modelo de governança, para que o desenvolvi-
de todas as emissões provenientes da queima de com-
mento sustentável não se resuma a ações isoladas e
bustíveis fósseis durante toda a construção.
temporárias”, diz Sérgio Leão. Segundo ele e Alexan-
“Como a Rio+20 demonstrou, as empresas torna-
dre Baltar, a conclusão do segundo Inventário Anual
ram-se protagonistas nesse processo. Os países es-
é apenas o início de um processo cujo fim está nas
tabeleceram que, até 2015, chegariam a um acordo
ações que vêm sendo desenvolvidas nos canteiros.
sobre metas, e, enquanto isso, o setor empresarial
“Esse é o nosso propósito, dar o exemplo na prática
precisa fazer o dever de casa, influenciar”, argu-
e em linha com as particularidades da Engenharia e
menta Sérgio Leão, que, assim como Baltar e outros
Construção”, afirma Baltar.
informa
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PERFIL: Caroline Todt de Azevedo
O prazer das conquistas coletivas Responsável pelas ações de sustentabilidade no EPP, Caroline alicerça seu trabalho na busca constante de parceria com a comunidade texto Júlio César Soares foto Arthur Ikishima
O
carro atolado na lama
com casos bem-sucedidos encon-
local com participação social ativa
mais uma vez. Caroline
trados nos diferentes negócios,
e deve ser vista como parte do ne-
Todt de Azevedo já está
úteis como referência e replicáveis
gócio. E a Comunidade de Conhe-
para todos”, observa.
cimento é o principal agente para a
acostumada. Gerente de Susten-
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tabilidade na empresa Estaleiro
O lançamento da publicação,
Enseada do Paraguaçu (EEP), ela
ocorrido em abril deste ano no
realiza um trabalho fundamental
Panamá, contou com a presen-
com moradores do município de
ça de quase 300 integrantes.
Maragojipe, no Recôncavo Baiano,
“Para esse evento, o grupo op-
onde o estaleiro está sendo cons-
tou por minimizar o formato de
truído pela Odebrecht, em parce-
palestras com grandes nomes
ria com a UTC Engenharia, OAS
do setor e partir para dois dias
e Kawasaki. Carol, como é mais
e meio de trabalho”, relata Ca-
conhecida, acredita nas pessoas
rol. Segundo ela, a metodologia
como força motriz para o desen-
funcionou. “Cada integrante se
volvimento da região e dos ecos-
inscrevia no tema que conside-
sistemas. “A Sustentabilidade é re-
rava mais frágil no seu contrato
sultado da superação de barreiras
ou empresa, levando a experiên-
por meio do trabalho direto com
cia do encontro para a linha de
as comunidades, compartilhando
trabalho da maneira mais siste-
objetivos comuns”, ela argumenta.
matizada possível.”
Além de atuar no EEP, Carol
“O trabalho mais importante no
preside o Grupo de Trabalho Socio-
Grupo Socioambiental é dar as fer-
ambiental dentro da Comunidade
ramentas necessárias para que o
de Conhecimento de Sustentabili-
integrante vá além do campo das
dade da Odebrecht. Criado em abril
ideias e transforme a sustentabili-
do ano passado, o grupo pretende
dade em instrumento de trabalho
reunir e sistematizar ações sobre
presente em todos os momentos
o tema realizadas na Organização.
de um contrato”, diz Carol, que
“Trabalhamos por um ano para dar
acrescenta: “Sustentabilidade não
vida ao Caderno de Boas Práticas,
trata apenas da preservação, mas
um guia para todas as empresas,
de promover o desenvolvimento
informa informa
difusão da Política de Sustentabili-
tentabilidade”, diz.
bola de Enseada do Paraguaçu,
dade até que esta esteja no sangue
Graduada em Biologia pela
localizada no entorno do projeto,
da Organização, no Plano de Ação
Universidade Federal da Bahia
consegue desatolar o carro de
e cada líder”.
(UFBA), Carol concluiu pós-gra-
Carol, ajudado por outro mora-
Filha de pernambucano com
duação em Biologia Molecular, na
dor. Ela lhes agradece e recorda
alemã, Caroline é natural de
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),
os caminhos difíceis que enfren-
Salvador. Aos 44 anos e mãe de
e mestrado em Desenvolvimento
ta para chegar ao estaleiro. “Ve-
dois filhos, enfrenta seu primei-
Sustentável, na Universidade de
nho de ferry-boat de Salvador a
ro desafio na Odebrecht, mas
Brasília (UnB). Para Carol, as-
Itaparica, depois enfrento mais
já tem uma história conquista-
suntos aparentemente distantes
uma hora e meia de estrada até
da com vários anos de atuação
como os da sua trajetória acadê-
Maragojipe, caminhos com lama
em empresas como Ford e Pe-
mica são mais próximos do que
e vias em condições ruins. Po-
trobras. “Acho que foi um ponto
se pode imaginar. “Quanto mais
rém, confirmar o potencial de
na minha eleição como líder do
ampla e diversa a bagagem pro-
desenvolvimento integrado local
grupo: a experiência adquirida
fissional, maior a visão e o enten-
que nosso trabalho tem em re-
em empresas que, assim como
dimento da complexidade de um
lação a esta região me inspira a
a Odebrecht, têm processos ri-
projeto”, defende.
levantar disposta e pronta para
gorosos sobre o tema e defen-
Rossival Manuel da Silva, mo-
dem uma política forte de sus-
rador da comunidade quilom-
abraçar esse desafio”, assegura Carol.
Caroline Azevedo: a força para o desenvolvimento sustentável vem das pessoas da comunidade
“A sustentabilidade deve estar presente em todos os momentos do contrato” Carlos José: “Toda obra tem começo, meio e fim, mas esta aqui é permanente”
informa
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mangue
em defesa do
texto Zoraida Chong fotos Pablo De Leon
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Cidade do Panamá terá o primeiro Parque Metropolitano de Mangues em uma capital da América Latina Plataforma construída pela Odebrecht no Mangue Juan Díaz: além de apreciarem a biodiversidade, as pessoas são conscientizadas sobre a importância do mangue e sua preservação
A
cada ano, mais de 2 milhões de aves migratórias – principalmente praieiras – chegam a um local da Baía do Panamá conhecido como Manglar (Mangue) de Juan Díaz. O espetáculo das aves mistura-se ao produzido pelos caranguejos, que, quando a maré baixa, começam a correr de um lado a outro procurando alimento. A grande variedade de espécies marinhas que se reproduzem
nesse importante habitat atrai aves ano após ano. A biodiversidade do Mangue de Juan Díaz
é de tal riqueza, que, em 2003, foi reconhecido como área de importância internacional pela Convenção Ramsar, um tratado assinado por 162 países que busca a preservação das áreas úmidas. Entretanto, a riqueza ecológica, científica e paisagística do Mangue de Juan Díaz convive com a – frequentemente danosa – atividade humana. Ao subir a maré, entre as árvores do manguezal, pode se ver todo tipo de lixo: garrafas plásticas, eletrodomésticos, sapatos e diversos outros itens que, em algum momento, foram descartados indevidamente. O mais preocupante é que, quando a maré desce, esses detritos misturam-se ao solo do manguezal, tornando a paisagem um verdadeiro de mar de lama e lixo. Nesse cenário, a Odebrecht encontrou uma oportunidade para ajudar a conscientizar a população sobre a importância dos mangues e a necessidade da participação cidadã em sua conservação: o Parque dos Manguezais de Juan Diaz.
Apreciando a biodiversidade A área protegida do Mangue de Juan Díaz é vizinha à Planta de Tratamento de Águas Residuais (PTAR) da capital panamenha, um importante projeto executado pela Odebrecht que permitirá deter a poluição historicamente registrada nos rios da capital e da Baía do Panamá. Como parte das medidas de compensação incluídas no Estudo de Impacto Ambiental da planta, foi construída uma plataforma de observação de aves migratórias, que permitirá aos visitantes apreciar a biodiversidade da área. “A localização da planta trouxe a oportunidade de ir além do que estabeleciam as obrigações ambientais e aproveitar a plataforma para desenvolvimento de uma iniciativa mais completa”, explica Afranio Oliveira, Diretor de Contrato do Projeto de Saneamento da Baía do Panamá. Foi ativado um Plano Estratégico para juntar parceiros na luta pela preservação do Mangue Juan Díaz. Em 22 de abril deste ano (Dia da Terra), Anada Tiega, Secretário Geral da Convenção Ramsar, visitou o mangue e conheceu a iniciativa do primeiro Parque Metropolitano de Mangues em uma capital da América Latina. Como resultado da observação, Anada Tiega convidou a Odebrecht a apresentar o conceito do projeto na 11ª Conferência de Partes, em Bucareste, em julho. “Essa é uma oportunidade para analisar a integração entre a conservação de mangues e a gestão urbana. Além disso, devemos destacar que a iniciativa voluntária vem de uma empresa que focou a proteção dos manguezais”, afirmou Anada Tiega. Ligia Castro, executiva para o Meio Ambiente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que também conheceu a iniciativa, mostrou-se otimista. “Há hoje uma maior quantidade de empresas que estão fazendo as coisas certas, que estão incorporando as externalidades ambientais e que têm um compromisso de responsabilidade social e ambiental para melhorar o entorno de seus projetos.” Francisco Martins, Responsável por Sustentabilidade na Odebrecht Panamá e encarregado da apresentação na conferência de Bucareste, relata: “Os breves minutos que foram destinados à abordagem do projeto do Parque dos Manguezais foram suficientes para captar-se, do outro lado do planeta, a atenção de importantes técnicos, gestores e outros profissionais com destacada atuação, em nível mundial, relacionada à preservação de pântanos”. informa
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20 Maria Del Carmem Piña: introdução de ensinamentos sobre meio ambiente nas salas de aula
República Dominicana realiza obras essenciais ao seu desenvolvimento sem abrir mão do rigor na conservação ambiental texto João Marcondes fotos Geraldo Pestalozzi
sensatez A arte da
M
aria Del Carmem Piña, 48 anos, é
sem tal prática nefasta; no entanto, o hábito é co-
muito respeitada na pequena ci-
mum nas casas locais há séculos. Tudo muda, com
dade de Boechío, com cerca de
novas ideias – “verdes”. Os moradores também são
4 mil habitantes, na Província de
ensinados sobre coleta seletiva, alternativas biode-
San Juan, na República Dominica-
gradáveis para detergentes químicos, botânica e a
na. A admiração não vem de palavras duras ou fi-
relação do ser humano com o meio ambiente.
sionomia carrancuda. Vem de um sorriso generoso
Para que a educação ambiental se tornasse
e palavras doces e sábias, tais como: “No ensino
massiva na região, a Odebrecht apoiou a capacita-
não se pode ser áspero, mas sim amoroso”.
ção de 38 professores locais. O projeto conta com a
O nome Maria Del Carmem não causa reconhecimento imediato. Mas basta citar o apelido Morena, e todos fazem aquela expressão “ah sim,
chancela da Pontifícia Universidade Católica Madre y Maestra e da ONG Fundação Sur Futuro.
conheço bem!” Morena é professora do ensino bá-
Hidrelétrica de Palomino
sico. Para os alunos entre os 5 e 12 anos, ela coloca
Boechío está ao lado de uma obra de suma im-
em prática um conceito moderno de educação do
portância para o futuro sustentável da Repúbli-
ponto de vista “verde”: a transversalidade. Ou seja,
ca Dominicana: a Usina Hidrelétrica de Palomino
pratica a educação ambiental por intermédio das
(80 MW), inaugurada em 11 de agosto deste ano.
disciplinas regulares. Que tal medir a quantidade
Além do fornecimento de energia em um país onde
de mata devastada em uma operação matemática?
há falta dela, Palomino representa uma quebra no-
Ou ter como tema da redação “Espécies nativas da
tável de paradigma: é o primeiro projeto público da
República Dominicana”?
República Dominicana classificado de Mecanismo
Além das matérias, os alunos e moradores são
de Desenvolvimento Limpo (MDL).
instados a mudar seus hábitos prevendo a susten-
Palomino é reconhecida como “obra verde”, pois
tabilidade do exuberante meio ambiente que os cer-
gerará créditos no mercado de carbono, mitigando
ca. “Sabia que as pessoas queimam lixo no quintal
as emissões poluentes mundo afora. É a primeira
de casa desde Colombo?”, brinca Morena. Talvez os
obra mundial da Odebrecht nesse sistema. Para
índios que estavam na Dominicana na chegada de
adequar o projeto a esse mercado, foi necessário
Colombo ao país (e às Américas) em 1492 não tives-
inscrever a obra na Organização das Nações Unidas
Usina Hidrelétrica de Palomino: reconhecida como “obra verde”, é o primeiro projeto mundial da Odebrecht classificado como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
(ONU) e cumprir uma série de exigências de sus-
de árvores, além de desenvolver projetos em que o
tentabilidade determinadas pelo Protocolo de Kyoto
trabalhador rural possa explorar sua terra de ma-
(1997).
neira sustentável para o meio ambiente. Palomino
A República Dominicana tem uma matriz ener-
aumentará em 15% o potencial hidrelétrico do país.
gética na qual predominam os combustíveis fósseis. Cerca de 85% da energia vem de carvão, gás e
Rodovia de Miches
combustíveis. Isso em um país que não produz pe-
Acomodada em um cubículo de pouco mais de
tróleo, e quase tudo é importado. Resultado: déficit
15 m2, Normalinda Cueva, 33 anos, ganhava a vida
diário de 23% (da demanda de consumo) de energia.
cortando cabelo em um modesto salão de beleza
Com a energia gerada, deixarão de ser impor-
na comunidade rural El Cedro, de 4 mil habitantes.
tados 440 mil barris de petróleo e de ser emitidos
Há três anos, decidida a participar de um projeto
120 mil t de CO2 anualmente. São esses números
do Governo dominicano, Normalinda largou a pro-
que inscrevem a obra como MDL. Com os créditos
fissão para se dedicar a um viveiro comunitário de
que venderá no mercado de carbono, o país terá um
plantas.
ingresso de cerca de US$ 700 mil por ano, por um período de 21 anos.
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O projeto, com poucos recursos, andava mal das pernas. Não se distinguiam as mudas no mato que
“O diferencial desse projeto é que 65% dos crédi-
tomara conta do viveiro. Isso, até uma equipe da
tos serão investidos em projetos socioambientais”,
Odebrecht passar por ali, diante da placa “Associa-
comemora Pedro Schettino, Diretor de Contrato
ção dos Viveiristas Orgânicos de El Cedro”. Com o
de Palomino. O fato de o dinheiro ser reinvesti-
apoio da equipe da obra de construção da Rodovia
do no meio ambiente e em projetos sociais torna
de Miches, o viveiro cresceu a olhos vistos. Foi todo
os créditos de carbono ainda mais valiosos (e de
reconstruído e hoje conta com um moderno sistema
maior liquidez). “O MDL aumentou a rentabilidade
de irrigação. Periodicamente, dois técnicos agrôno-
do projeto para a República Dominicana”, resume
mos passam por ali e ensinam os moradores da co-
Victor Ventura, ex-Presidente da Egehid (Empresa
munidade a lidar com a terra. Em apenas três me-
de Geração Hidrelétrica Dominicana), que preten-
ses, o número de mudas saltou de 3 mil para 10 mil.
de investir os créditos na plantação de 4 milhões
Todas vendidas para a obra da Rodovia de Miches,
informa
A pequena comunidade rural El Cedro: crescendo junto com o país
Placa de captação da luz solar para a geração de energia limpa: novos hábitos nos canteiros de obras
que fará a revegetação dos taludes da estrada. Viveiro de mudas para reflorestamento: com o apoio da Odebrecht, a produção saltou de 3 mil para 10 mil mudas em três meses
“O mais importante é que a Odebrecht nos ensinou a importância da sustentabilidade. Agora nos sentimos como empresários e já pensamos em grandes clientes que virão quando a obra acabar, daqui a três anos”, diz Normalinda, Presidente da Associação. Eles, os clientes, certamente virão. A rodovia, de 110 km, interligará importante região turística do país, onde estão as cidades de Bávaro, Uvero Alto, Miches e Sabana de La Mar, no nordeste do país. A região concentra 65% dos quartos de hotel da República Dominicana. O legado será o de uma “empresa verde”, focada na conservação ambiental. Os recém-montados canteiro de obras e alojamento em Miches são um modelo de sustentabilidade que deverá ser seguido em todo o país. O chamado “acampamento verde” conta com a iluminação externa totalmente originada de energia solar. O custo dessa iluminação, em três anos de obra, será de US$ 115 mil, com zero emissão de carbono na atmosfera. Se a iluminação fosse feita de forma convencional, teriam que ser utilizados gerador a diesel, com potência de 20 kW, e lâmpadas de vapor de sódio, de 450 W. O custo total ficaria em US$ 118 mil. E o pior: haveria emissões de 68 t/ano de CO2.
informa
23
Inauguração da Autopista del Coral: conexão entre a capital Santo Domingo e o balneário de Punta Cana, polo turístico dominicano. A partir da esquerda, Monsenhor Nicanor Peña Rodríguez, Bispo de Altagracia; Franscisco Javier García, Ministro do Turismo; Victor Días Rúa, então Ministro de Obras Públicas e Comunicações (à frente); Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A.; o ex-Presidente Leonel Fernández Reyna; Marco Cruz e (atrás) o Diretor de Contrato Juvenalito Gusmão
A sustentabilidade não é apenas ambiental, mas
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Autopista del Coral
também humana. O “acampamento verde” deixará
A Odebrecht está no país há 10 anos, construin-
para as comunidades, ao longo da rodovia, 56 pla-
do aquedutos, hidrelétricas, estradas e obras vi-
cas solares, e lâmpadas LED serão doadas a esco-
árias. Uma dessas obras é a Autopista del Coral,
las e postos de saúde. A população será capacitada
chamada pelo Ministro do Turismo, Francisco
a utilizar o sistema.
Javier Garcia, de “obra-prima de paisagismo”. O
Outro avanço é o reúso da água, em dois momentos.
então Presidente da República Dominicana, Leo-
No primeiro, o líquido usado nas torneiras (da pia para
nel Fernández Reyna, presente à inauguração no
lavar as mãos) é direcionado aos vasos sanitários. As
último 8 de agosto, salientou: “É uma obra sem
chuvas também são captadas, reservadas em tanques,
precedentes no país”.
bombeadas (com energia solar) para o pátio de equi-
O ex-Presidente Fernández classificou a ro-
pamentos e usadas na lavagem de veículos e em ou-
dovia de 70 km como “estratégica”, pois integra
tros momentos. Em dois dias de chuva, acumulam-se
aproximadamente 65% da oferta hoteleira do
até 40 mil litros de água. “Observamos que aqui é uma
país, onde há alta circulação de turistas. A nova
região de muito sol e muita chuva, por isso desenvol-
obra aproxima a capital histórica Santo Domingo
vemos esse projeto, com ganho para o meio ambiente
do balneário Punta Cana. O turismo é responsá-
e alta viabilidade econômica”, comenta o Responsável
vel por 22% do PIB do país e por 19% dos postos
por Produção Rodrigo Médicis.
de trabalho.
O conceito predomina em todos os setores do
A obra de Coral, ambientalmente correta, foi
canteiro. Por meio de uma tecnologia ainda pouco
realizada em áreas antes ocupadas com planta-
utilizada em obras, a hidrólise (divisão da molécula)
ção de cana e pastagens. Quem mais ganhou fo-
da água, o hidrogênio é injetado nos combustíveis
ram os moradores de cidades como Higuey, que
de todos os motores, reduzindo a poluição. O sis-
sofriam com o tráfego pesado de carros e cami-
tema diminui o gasto em energia em 15% e evita
nhões, causando poluição sonora, e emissão de
emissão de 330 t de gás carbônico por ano. “Já tinha
gás carbônico. Com a Autopista del Coral, esse
visto isso no papel, mas nunca aplicado na prática,
trânsito de cerca de 13 mil carros por dia foi des-
como aqui”, destaca o engenheiro dominicano Leo-
viado, a população pôde desfrutar melhor quali-
nardo Ogando, Responsável por Plantas Industriais.
dade de vida e, enfim, respirar um ar mais puro.
“O sucesso do canteiro é tamanho que a partir de
“Todas nossas obras aqui, sem exceção, têm a
agora isso será referência e diretriz”, assegura
marca da sustentabilidade”, resume Marco Cruz.
Marco Cruz, Diretor-Superintendente da Odebrecht
“Seja para o ser humano, seja para o meio am-
na República Dominicana.
biente.”
informa
gente
Multiplicador da TEO Gabriel e a satisfação de ser formador no Programa Acreditar em Angola
G
abriel Saúde aguarda ansioso o final do ano, quando receberá sua medalha de 10 anos de
foto:
Carlos Júnior
Odebrecht. Aos 42 anos de idade, Gabriel, angolano
Fora da curva
nascido na Província de Kwanza Norte, migrou para Luanda, como tanta gente, em busca de segurança no tempo dos conflitos armados. Chegou à capital angolana em 1986 e passou a produzir móveis de madeira, que vendia nas feiras de artesanato. Ingressou na Odebrecht como ajudante de carpinteiro, mas logo se
João Borba e sua relação cada vez mais produtiva com o esporte
J
capacitou e progrediu. Tornou-se mestre e depois líder de carpintaria, lançou concreto, assumiu responsabilidades na entrega de obras (acabamento e limpe-
oão Borba é Responsável por Novos Negócios na Ode-
za). Hoje é formador no módulo básico do Programa
brecht Infraestrutura. Aficionado por esportes (jogou
de Qualificação Profissional Continuada Acreditar.
na equipe de futsal do Flamengo quando garoto), recen-
Gabriel conta com orgulho que representou a equipe
temente ele liderou os estudos para implementar, nas
do programa na entrega do Prêmio Destaque da Orga-
Olimpíadas do Rio, um sistema integrador de informações
nização Odebrecht, em Sauípe, no ano passado. “Sou
utilizado nos Jogos Olímpicos de Londres, e a Odebrecht
um multiplicador da Tecnologia Empresarial Odebre-
venceu a concorrência internacional para fornecer esse
cht”, afirma.
serviço ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. “Busco negócios fora da curva, que Holanda Cavalcanti
à empresa”, reflete Borba, um dos pais da iniciativa.
cht, no Centro de Formação Almirante Adalberto Nunes (RJ), que prepara atletas para serem medalhistas em fu-
foto:
turas Olimpíadas. “Esse projeto agrega valores intangíveis
foto:
aparece com participantes do Programa Marinha-Odebre-
Guilherme Afonso
não estão no dia a dia da empresa”, explica. Na foto, ele
Orgulho de ser carioca Eduardo Poley vê na engenharia uma maneira de contribuir para melhorar sua terra
O
engenheiro Eduardo Poley Peçanha tem 35 anos e trabalha na Odebrecht há oito. Nascido e criado no Rio de Janeiro, sempre
atuou em terras fluminenses. Atualmente participa da reforma do Estádio do Maracanã, um dos principais ícones da Cidade Maravilhosa. Antes, esteve no projeto do Complexo do Alemão, conjunto de comuni-
foto:
Américo Vermelho
dades carentes da região suburbana da cidade, onde a Odebrecht participou do Consórcio Rio Melhor, responsável pelos serviços de infraestrutura. “Esta obra foi um choque de realidade”, diz. “Sinto orgulho por ter contribuído para reduzir as privações das pessoas que vivem nas comunidades da minha terra. E mostro isso ao meu filho, Arthur, de 2 anos de idade”, enfatiza, com emoção na voz.
informa
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entender. Gostar. Defender.
texto Mayara Thomazini fotos Márcio Lima
O educador ambiental Mário César de Sousa com estudantes no Cinturão Verde: área de preservação ambiental com 280 mil mudas, 200 espécies vegetais e 400informa animais silvestres
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26
O
Cinturão Verde é uma área de preservação ambiental de 150 ha localizada na restinga do bairro do Pontal da Barra, em Maceió. Ali estão abrigados 280 mil mudas, 200 espécies vegetais e 400 animais silvestres. Essa reserva ecológica, criada em
1987, ao lado da unidade de Cloro Soda da Braskem, com o intuito de possibilitar a recuperação ambiental da região, era inabitada e infértil e renasceu por meio da recuperação do solo, reconstituição topográfica de dunas e recomposição da paisagem da Mata Atlântica de restinga. “Hoje é um novo habitat, que abriga animais
e plantas”, relata, emocionado, o engenheiro agrônomo Mário Calheiros de Lima, coordenador do Cinturão Verde, que participou ativamente de sua implantação. A Estação Ambiental Cinturão Verde nasceu com o objetivo de ajudar o desenvolvimento natural da fauna e da flora, transformando-se em um refúgio ecológico para aves e demais animais da circunvizinhança – um ambiente adequado para a fauna silvestre local sobreviver e se reproduzir. Aberto à visitação pública, o Cinturão conquistou a outorga de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica em Alagoas (Unesco) e de Criadouro Conservacionista da fauna silvestre brasileira (Ibama). Em 2012, após uma década de contribuição da Braskem, mais de 180 mil pessoas já visitaram a Estação Ambiental. “As cerca de 1.300 pessoas que visitam o projeto mensalmente saem de lá com um conceito diferente de preservação. O Cinturão simboliza a conciliação entre o desenvolvimento tecnológico e o equilíbrio da natureza”, diz Mário Calheiros. Além de proteger animais e flora, o Cinturão tem a missão de disseminar conceitos importantes, como desenvolvimento sustentável. Lá são promovidas diversas ações sustentáveis voltadas ao crescimento profissional das comunidades mais próximas, a exemplo das atividades de hidroponia e apicultura, realizadas em parceria com o Instituto Lagoa Viva.
Hidroponia e pescadores de mel Hidro – água, ponia – trabalho. A junção dessas palavras traduz uma forma de combinar nutrientes para cultivar plantas sem
Programas Cinturão Verde e Lagoa Viva, em Alagoas, fortalecem consciência ambiental nascida do amor pela natureza
o uso da terra. É uma técnica simples que visa baratear custos, usando cascas de arroz como substrato e reutilizando garrafas PET como recipiente. Nessa técnica foram capacitados 250 alunos. Parte da produção é destinada à merenda escolar. O restante é comercializado, e toda a renda é revertida para a comunidade. O projeto revelou-se de fundamental importância para a melhoria da qualidade de vida, uma vez que gera trabalho e renda para a população o ano todo. Já o projeto Pescadores de Mel mudou a realidade de dezenas de moradores da região lagunar de Alagoas. Catadores de caranguejos, artesãos e pescadores encontram na apicultura uma nova informa
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Mário Calheiros (à esquerda) e o estudante de Biologia Diogo Santos no apiário do Cinturão Verde: projeto Pescadores de Mel proporciona nova fonte de renda para moradores da região
fonte de renda livre da sazonalidade. Hoje, mais de 100 fa-
municípios alagoanos. “O professor é fundamental na
mílias recebem cerca de dois salários mínimos por mês,
formação do aluno. Por isso, levamos o conhecimento
produzindo e comercializando mel, cera, pólen e própolis
da educação ambiental para que ele desenvolva um novo
vermelha de Alagoas – variedade exclusiva da região.
olhar em relação ao meio ambiente e à comunidade. Nos-
A apicultura permite ao pescador acrescentar um salário a sua renda. Cinquenta pescadores-apicultores pas-
so desafio é plantar a sementinha nos municípios, para que eles toquem sozinhos o projeto,” argumenta Lenice.
saram a receber dois salários mínimos. “A atividade apí-
Somente em 2011, o Lagoa Viva capacitou cerca de mil
cola convive perfeitamente com as demais, e o produtor
professores e beneficiou mais de 200 mil alunos de esco-
aprende a conciliá-la com a pesca e com a preservação
las públicas de Alagoas. “Nosso trabalho visa sensibilizar
da natureza”, comenta Mário.
o ser humano quanto à necessidade de respeitar o meio ambiente e valorizar os aspectos éticos, culturais e socio-
Lagoa Viva: referência em educação ambiental
ambientais para estimular métodos sustentáveis de vida nas comunidades”, diz Lenice.
Iniciado em 2001, no bairro do Pontal da Barra, o Pro-
Izabel Cristina Alves é uma das professoras que es-
grama de Educação Ambiental Lagoa Viva promove semi-
tão sendo capacitadas pelo instituto. Na profissão há
nários de formação continuada em educação ambiental
18 anos, ela trabalha na escola Dona Maria de Araújo
para professores do Ensino Fundamental de Alagoas e
Lobo, em Marechal Deodoro. Entrou para o Lagoa Viva
cursos de capacitação para comunidades de pescadores
em 2007, com o objetivo de atrair jovens para as questões
do entorno das lagoas Mundaú e Manguaba, apoiando
ambientais. Seus alunos participam há dois meses das
a geração de renda da população local e fomentando a
oficinas de gestores mirins.
sustentabilidade de ecossistemas da região. A iniciativa conta com o patrocínio da Braskem e com a parceria de 40 secretarias municipais de Educação de Alagoas, em conjunto com a Secretaria de Educação de Maceió. “Ao longo dos anos, o programa contribuiu de forma relevante para a melhoria da qualidade de vida de moradores da comunidade e passou a ter grande importância para a região”, conta orgulhosa Lenice Santos de Moraes, Presidente do Instituto Lagoa Viva. Com 11 anos de existência, o Lagoa Viva beneficia 40
28
informa
Animal silvestre da Estação Ambiental Cinturão Verde: refúgio para sobrevivência e reprodução
Robson Araujo com os alunos na horta hidropônica
dos projetos de hidroponia e apicultura, há cursos de múA professora Lenice Moraes, Presidente do Instituto Lagoa Viva: difusão de métodos sustentáveis
sica, inglês, serigrafia e artesanato.
Artesanato de filé e arte com plástico Uma das tradições mais fortes de Alagoas é o artesanato de filé (técnica que consiste no trançado da rede com linha de algodão e agulha feita de bambu, depois colocado em um tear, onde são feitos os pontos e bordados que formam belas peças). O Programa Lagoa Viva identificou essa vocação da comunidade, presente em todo o Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba, mas perto da extinção. Graças aos cursos que foram ministrados, essa tradição ressurgiu e, em quatro anos, 365 pessoas aprenderam os segredos da técnica. Em outra frente de contribuição, as oficinas de reutilização de garrafas PET ensinam a diversificar os produtos confeccionados, para que possam ser comercializados, gerando renda para as famílias a partir de materiais descartados que ganharam novo uso. “A oficina Arte com Plástico ensina o artesanato com
“Eles ficaram mais responsáveis e conscientes, muda-
um material útil e de fácil acesso, que agrega valor ao ar-
ram a forma de agir: antes rabiscavam as cadeiras e pare-
tesanato local”, enfatiza a artesã Cícera Cirilo, que ensina
des da escola, e agora não fazem mais isso”, exemplifica.
educação ambiental na prática para professores, alunos
E acrescenta: “Eles estão desenvolvendo palestras sobre
e comunidade.
educação ambiental para apresentar à comunidade”.
O Cinturão Verde e o Instituto Lagoa Viva são projetos
Além de ser um instrumento de educação ambiental,
que contribuem para a melhoria da qualidade de vida da
o programa também contribui para geração de trabalho e
população, pois oferecem capacitação, assistência técni-
renda e preservação da cultura local por meio de cursos
ca e auxílio na confecção e comercialização de produtos,
e oficinas. Essa capacitação é feita no Cinturão Verde, nas
que geram trabalho e renda o ano inteiro, mudando a rea-
escolas e em espaços nas próprias comunidades. Além
lidade de dezenas de moradores da região.
informa
29
entrevista
30
30
informa
A partir da esquerda,Saulo Nunes, Augusto Roque e Rogério Ibrahim: ações socioambientais como protagonistas na atuação empresarial
caminho sem
volta texto José Enrique Barreiro foto Júlio Bitencourt
O
debrecht Informa reuniu três integrantes da Organização para uma conversa sobre meio ambiente. Augusto Roque, Responsável por Engenharia e Desenvolvimento de Negócios na Odebrecht Energia; Rogério Ibrahim, Responsável por Finanças, Investimento e
Crédito à Exportação na Odebrecht AL (América Latina); e Saulo Nunes, Responsável por Incorporações na Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), analisaram o papel decisivo que o assunto tem hoje no Brasil e em outros países e destacaram os diferenciais da Odebrecht no tocante às ações socioambientais em grandes projetos. A seguir, um resumo da conversa.
Odebrecht Informa – Hoje qual é o papel do meio ambiente nos projetos de Engenharia e Construção? Augusto Roque – O protagonismo do meio ambiente hoje é algo muito importante. A primeira percepção que um empreendedor que quer investir em energia deve ter é: meio ambiente não é custo, é investimento. Quanto mais se conhece o ambiente em que se vai trabalhar, melhor a competitividade do projeto e melhor a relação com a sociedade. Hoje, o conceito é de ação socioambiental, que deve ser proativa informa
31
durante todo o processo de planejamento e construção,
iniciar mais rápido o projeto, vai ter melhor relação com
com as equipes de Engenharia trabalhando com as de
a sociedade e estabelecer relação de mais confiança
Meio Ambiente para que se tenha a solução final aceita
com os agentes do setor (Ibama, Iphan e outros). E tudo
pela sociedade.
culmina na Licença de Operação (LO), para que tenha
Rogério Ibrahim – No aspecto do financiamento de
início a geração de energia.
projetos, esse assunto, de alguns anos para cá, faz
Ibrahim – Temos acompanhado diversos financiamentos
parte de toda pauta de aprovação de crédito de qualquer
para clientes, especialmente em agências multilaterais
banco. Os bancos de todos os países são massivamente
e agências de crédito à exportação. O decisivo é que o
signatários dos Princípios do Equador [conjunto de
projeto esteja absolutamente em linha com os Princípios
exigências socioambientais aplicadas na concessão
do Equador. Isso significa rigoroso planejamento
de financiamento de grandes projetos]. A questão
socioambiental, com definições sobre o tratamento
ambiental, ou socioambiental, como muito bem colocou
das comunidades, o monitoramento ambiental prévio
Roque, é pedra de toque para qualquer financiamento,
e a assistência posterior. Os organismos financiadores
qualquer crédito que se queira obter na área de grandes
acompanham toda a obra. Esse acompanhamento,
construções.
que antes era puramente ambiental, voltado a
Saulo Nunes – Quero estender a questão para
monitoramento de peixes, qualidade da água, do ar,
sustentabilidade de forma geral, para o equilíbrio
nível de poluição etc., hoje é feito também com relação
econômico, social e ambiental. No projeto Parque
à comunidade, para que ela seja bem cuidada e não
da Cidade, que estamos desenvolvendo na cidade de
descaracterizada.
São Paulo, isso está presente. Trata-se de um terreno
Nunes – No nosso caso, o processo é similar. Se não
de, aproximadamente, 80 mil m², na Avenida das
tivermos um projeto que nos leve a obter o entusiasmo
Nações Unidas, onde funcionava a antiga fábrica da
da Prefeitura e de outras instituições, não vamos
Monark. Resolvemos fazer ali o projeto imobiliário mais
conseguir. O projeto do Parque da Cidade nasce em
sustentável do Brasil, com um plano de revitalização
um dos terrenos mais cobiçados da Zona Sul de São
da região e um diagnóstico social. Dialogamos com
Paulo, e, como uma empresa da Organização Odebrecht,
a população local, aprofundando o entendimento do
tínhamos a obrigação de fazer algo diferente. Chegamos
impacto social do projeto.
ao conceito básico de cidade compacta, onde tudo está à mão: trabalhar, morar, divertir-se e ter serviços.
32
OI – Como ocorrem os processos de aprovação dos
Para que o projeto fosse viabilizado, fomos conhecer a
projetos?
população, os órgãos públicos e as entidades sociais.
Roque – Na hidreletricidade, que é o campo mais
Com nossa capacidade de ouvir, influenciar e ser
significativo, o processo de licenciamento é longo e
influenciado, conseguimos conciliar os interesses e
complexo. Começa com um inventário do rio onde
formatar o melhor projeto. O conjunto de soluções de
será feito o barramento, por meio de uma Avaliação
urbanismo, arquitetura e paisagismo observa aspectos
Ambiental Integrada (AAI) de bacias. Uma AAI pode
ambientais, a qualidade de vida das pessoas e também
inviabilizar a construção de barramentos. No Rio Xingu,
benefícios para a região.
por exemplo, está definido que o único aproveitamento
Roque – Quero chamar atenção para o Acreditar, um
a ser realizado é Belo Monte, nenhum mais. Depois
programa de capacitação de pessoas, que tem tido um
do inventário, que é aprovado pelo Governo, com a
impacto muito grande. Foi criado para a implantação
participação de entidades e agentes específicos, entra-
da Hidrelétrica Santo Antônio, que tinha previsão de
se na fase de viabilidade, com o desenvolvimento do
contratar 15 mil trabalhadores, 30% local e 70% de
Estudo de Impacto Ambiental Integrado (EIA-Rima).
outros estados. Com o Acreditar, chegamos a ter quase
Tudo isso é feito para que se obtenha uma licença prévia,
50 mil inscritos e invertemos a curva. Santo Antônio
que autoriza o projeto hidrelétrico a ir a leilão. Quem
está sendo construída por 70% a 80% de profissionais
ganha o leilão precisa obter a Licença de Instalação (LI),
da região. Com isso, evitamos migrações, criamos
que permite o início das obras. O investidor que fez um
oportunidades e capacitamos pessoas locais. O projeto
EIA-Rima adequado e obteve uma LI abrangente vai
se espalhou para todo o Brasil e outros países. E o mais
informa
incrível: a partir dele, a capacitação de trabalhadores
todas as áreas. Na Visão 2020 da Organização
locais passou a ser condicionante socioambiental para
Odebrecht, está lá: Sustentabilidade. É um dos
aprovação de projetos.
pilares dessa visão. A Odebrecht quer crescer, sim, mas de forma sustentável. Está no topo da nossa
OI – Em que estágio o Brasil se encontra na questão
agenda. Não cabe mais ser de outra forma.
socioambiental?
Ibrahim – O que nos diferencia é a qualificação de
Roque – Temos uma legislação das mais rígidas em
nossas equipes e a nossa abordagem do assunto.
âmbito mundial. Todas as populações são ouvidas. A
Envolvimento com comunidades, melhoria da
Funai, o Iphan, a Agência Nacional de Água (ANA) e o
qualidade de vida, respeito ao cidadão, tudo isso
Ibama participam, e prefeituras e governos estaduais
está na nossa cultura. Praticamos isso muito
têm que ser ouvidos. Se não houver o “OK” de todo
antes de ser uma demanda externa e fazemos por
mundo, o empreendimento não sai. O Brasil é muito
iniciativa empresarial, não para cumprir um item
rigoroso nesse assunto.
de contrato.
Ibrahim – A questão antes era encarada como uma
Nunes – A Tecnologia Empresarial Odebrecht
compensação para a comunidade. Era feita uma
é fundamental para os nossos processos de
intervenção e dava-se uma compensação financeira
conceituação e aprovação. O Parque da Cidade
ou de outra natureza àqueles que sofriam os impactos.
não terá muros. De seus 80 mil m2 de terreno,
Hoje, não. Hoje é preciso planejar e saber como ficará
62 mil serão abertos à população. Além disso,
aquela comunidade e aquele espaço ambiental após a
22 mil m2 serão de áreas verdes, que irão compor
intervenção. Evidentemente há o que é inevitável. Isso
um parque linear. Para viabilizar esse projeto,
é remediado. Mas para o que pode ser evitado, tem-se
foram importantes algumas lições colhidas nos
que buscar soluções de integração e de melhoria, seja
livros de Dr. Norberto Odebrecht, entre as quais
do meio ambiente, seja das comunidades. A visão hoje,
a necessária acuidade que o empresário deve ter
no Brasil e no mundo, é mais nessa linha.
para transformar a incerteza em oportunidade.
Nunes – Sustentabilidade é um caminho sem volta,
Foi o que aconteceu quando adquirimos o terreno.
e qualquer projeto precisa incorporar características
Transformamos a incerteza em oportunidade. O
sustentáveis. O Parque da Cidade terá 10 torres, sendo
fator OR é o fator Odebrecht. O que fazemos de
cinco corporativas, uma com salas comerciais, duas
diferente que outras empresas do setor imobiliário
residenciais, um shopping e um hotel, e todas serão
não fazem? Ouvir, conhecer o cliente, influenciar e
certificadas. Trata-se do primeiro empreendimento da
ser influenciado, e tudo o que a TEO nos oferece.
América do Sul a ser pré-certificado para a obtenção do selo LEED-ND (Neighborhood Development), concedido
OI – Esse diferencial tem o reconhecimento dos
pelo US Green Building Council. É uma certificação para
demais agentes?
todo o complexo. Recebemos o convite da Fundação
Roque – A forma com que a Odebrecht encarou a
Clinton e da cúpula C40 para participar, e estamos
questão ambiental criou uma confiança especial
participando de um programa chamado Climate
com os agentes do setor. Percebemos isso com
Positive, para a neutralização de emissões de carbono. A
clareza. Todos nos reconhecem como parceiros
Fundação Clinton apoia apenas 18 projetos no mundo, e
confiáveis. Temos credibilidade. Quando dizemos,
o nosso é um deles. São ações e reconhecimentos assim
por exemplo, para o Ibama, “vamos fazer tal coisa”,
que mostram que estamos efetivamente comprometidos
o Ibama tem certeza de que isso será feito. É uma
com a questão.
relação de confiança, que só se adquire na prática. Ibrahim – Na comunidade financeira brasileira e
OI – Qual é o diferencial da Odebrecht no aspecto
internacional, nosso reconhecimento é o melhor
ambiental?
possível.
Roque – É a flexibilidade da nossa engenharia para
diferenciadas. Somos líderes nesse mercado.
adaptar o projeto às necessidades socioambientais
Nunes – Não há dúvida. Temos crédito por tudo o
dele decorrentes. Temos inúmeros exemplos em
que fizemos e estamos fazendo.
Temos
abordagem
e
competência
informa
33
Viveiro de mudas no canteiro de Santo Antônio: 124 espécies nativas
34
34
Nas obras da Hidrelétrica Santo Antônio, uma demonstração de que conservação ambiental e desenvolvimento podem ser totalmente compatíveis informa
vital
adequação
A
texto João Paulo Carvalho fotos Sérgio Amaral
construção da Usina Hidrelétrica Santo
2010 e solicitamos a eles que apontassem os ajustes ne-
Antônio, no Rio Madeira, em Porto Ve-
cessários concomitantemente às etapas que íamos con-
lho, é uma prova de que desenvolvimento
cluindo”, relata.
socioeconômico e conservação do meio
Isso agilizou o processo de tal forma que a licença da
ambiente podem caminhar na mesma
Hidrelétrica Santo Antônio foi liberada em setembro de
direção. Do total de R$ 16 bilhões previstos para serem
2011, e as quatro primeiras turbinas, do tipo bulbo, pu-
investidos na obra, R$ 1,6 bilhão foi destinado, até o mo-
deram entrar em funcionamento quase um ano antes do
mento, a ações de sustentabilidade. Desde o início das
inicialmente previsto. “Foi um trabalho de parceria que
pesquisas de campo, em 2001, até a aprovação dos Estu-
aproximou os profissionais dos dois lados e que hoje é
dos de Impacto Ambiental (EIA/Rima), em 2006, o projeto
elogiado pelo Ibama e replicado em outros licenciamen-
vem sendo desenhado para ser sustentável em todos os
tos pelo Brasil”, afirma Luiz Gabriel. Além disso, a anteci-
seus aspectos, o que motivou, por exemplo, a redução
pação ajudou a reduzir a necessidade de energia gerada
da área autorizada para supressão vegetal do canteiro
por fontes térmicas, comum na região.
em mais de 26%. Foi nesse empreendimento, a partir do
São pessoas formadas pelo Acreditar que contribuem
diagnóstico da escassez de força de trabalho qualificada
para o funcionamento dos processos de tratamento de
na região, até então preocupante, que nasceu o Acreditar,
resíduos gerados na construção. Comparado a uma pe-
programa que já capacitou mais de 53 mil trabalhadores
quena cidade, com uma população que já chegou a ser
no Brasil e mitigou um dos maiores riscos do projeto,
superior a 18 mil trabalhadores, o canteiro de obras de
também alvo da preocupação da comunidade, calejada
Santo Antônio estabeleceu procedimentos mais rígidos
por outros ciclos econômicos já vividos no passado – da
que os adotados pela maioria dos municípios da região.
borracha, da estrada de ferro Madeira-Mamoré e do ga-
No local, foi construído o primeiro aterro sanitário licen-
rimpo –, cujas heranças não deixaram saudade.
ciado de Rondônia, modelo que já foi reaplicado pelas
Caminhar na mesma direção também foi a opção feita
prefeituras de Lábria (AM) e Guajará-Mirim (RO). A equi-
pela Santo Antônio Energia (SAE), em relação ao Institu-
pe de Meio Ambiente do Consórcio Santo Antônio Civil
to Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
(CSAC) se autoimpôs a meta de reciclar 82% de tudo o
Renováveis (Ibama), para que fosse possível atingir uma
que é utilizado na obra. “Apenas 15% dos resíduos são
meta voluntária traçada para o projeto: antecipar a ge-
encaminhados para o aterro, que foi construído de acor-
ração de energia. Com planejamento, alinhamento e de-
do com todas as exigências da legislação ambiental”,
dicação, esse objetivo foi alcançado no dia 30 de março
explica Nelson Alves, Responsável por Meio Ambiente
deste ano, fruto de ações proativas desenvolvidas entre
do CSAC. Segundo ele, o mérito desse trabalho se deve
a SAE e o Ibama, com apoio da Odebrecht Energia, para
ao comprometimento de cada integrante. “Não temos
obtenção da Licença de Operação (LO).
uma equipe específica de reciclagem, como em outros
De acordo com o Responsável por Sustentabilidade na
projetos. Tudo aqui é fruto da separação individual dos
Odebrecht Energia, Luiz Gabriel Azevedo, “em vez de dei-
trabalhadores, que já incorporaram esse hábito em suas
xar para a última hora, como ocorre na maioria dos casos,
rotinas e, inclusive, o levaram para as suas vidas em fa-
formalizamos o pedido da LO ao Ibama em dezembro de
mília”, acrescenta.
informa
35
Gerenciamento de resíduos
36
Esse sistema proporcionou redução de 50% no uso
O CSAC implantou uma Central de Gerenciamento
dos demais reagentes, diminuindo o custo de tratamento
de Resíduos, que integra as ações realizadas em dife-
e o volume de água captada, além de reaproveitar o lodo
rentes setores do canteiro. A água, matéria-prima do
como matéria orgânica na recuperação de áreas degra-
trabalho de uma usina hidrelétrica, recebe tratamento
dadas, alimentadas por mudas maturadas em viveiros,
VIP em Santo Antônio. Cinco Estações de Tratamento
que contam com mais de 200 mil unidades de 124 espé-
de Água (ETAs), com capacidade total de reciclagem de
cies nativas. A iniciativa, formulada por Anelisa Cantieri,
560m³/h, suficientes para abastecer uma cidade com
integrante da equipe de Meio Ambiente, foi vencedora do
50 mil habitantes, reaproveitam o mineral, por meio de
Prêmio Destaque 2010 da Odebrecht.
um processo denominado Ciclo Fechado. Nas ETAs, o
Os cerca de 20 mil litros de óleo lubrificante consumi-
sulfato de alumínio foi substituído por um reagente or-
dos mensalmente pelas máquinas da obra são enviados
gânico produzido a partir do tanino extraído da casca da
para rerrefino em Cuiabá, e as lâmpadas fluorescentes
acácia-negra, conhecido comercialmente como Veta
passam por um processo especial de reciclagem, no qual
Orgânica. Essa substituição dos reagentes possibilitou
ocorre a retirada do mercúrio (metal altamente poluen-
o tratamento e reúso do efluente gerado da lavagem
te). São separadas as partes de alumínio para reaprovei-
dos decantadores e filtros, o lodo, que retorna para os
tamento, e o vidro é descontaminado e triturado, após a
tanques de armazenamento da água após passar por
segregação do pó de fósforo, sendo enviado para utiliza-
um sistema formado por bolsões porosos que retêm o
ção em indústrias de beneficiamento, como fábricas de
lodo no interior, liberando a água limpa.
cimento.
Tratamento de água a partir do sistema de Ciclo Fechado: a água limpa sai, o lodo fica informa
Usina Santo Antônio: dos R$ 16 bilhões investidos no empreendimento, R$ 1,6 bilhão foi destinado a ações de sustentabilidade
Preservação da fauna local: o papagaio e o bicho-preguiça são hóspedes do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas)
Da cozinha industrial, que já atingiu a marca de 25 milhões de refeições produzidas ao longo da obra, saem cerca de 2 t de restos de alimentos por dia, que são armazenados inicialmente em câmaras frigoríficas apropriadas e, depois, seguem para a central de compostagem, onde serão transformados em adubo para a criação de mudas utilizadas no processo de replantio, dentro do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas – Prade. Tudo feito de acordo com as melhores técnicas existentes no mundo. Mesmo o pouco que não pode ser reaproveitado tem destino. Uma experiência adotada pela base da Marinha brasileira na Antártica foi replicada em Santo Antônio. Dois incineradores de resíduos perigosos foram adquiridos e neles são descartados filtros de óleo, estopas usadas e outros materiais que contaminariam o solo ou leva-
to, e, em menos de um ano e meio, a economia gerada já
riam muitos anos para se decompor. São incineradas de
havia compensado o investimento”, informa Nelson Alves.
6 a 8 t de resíduos por mês. “Santo Antônio foi o primeiro
A preservação das espécies animais nativas também
projeto hidrelétrico no Brasil a adquirir esse equipamen-
é prioridade. Desde o início das obras, 104 mil animais foram resgatados e, em sua maioria, devolvidos à natureza. Os que precisaram de acompanhamento veterinário e não estavam em condições de ser devolvidos no momento do resgate, foram levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Dodge e Zorrinho são, respectivamente, uma suçuarana e um bicho-preguiça, ambos de 4 meses, atualmente hospedados no Cetas. Os dois filhotes compõem o grupo de cerca de 70 animais que estão recebendo cuidados no local. Construído e custeado integralmente pela Santo Antônio Energia, em um investimento de R$ 5 milhões, em breve o Cetas terá sua propriedade transferida ao Ibama, que a utilizará também para atendimento de outras necessidades locais. Até hoje já passaram por lá mais de 1.900 animais.
informa
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38
Em Portugal, uma obra em que o passado e o presente se encontram para proporcionar um legado inestimĂĄvel
vestĂgios 38
de uma longa caminhada
informa
N
texto Fabiana Cabral fotos Edu Simões o alto de uma montanha na região de Trás-os-Montes, o sol forte do verão português ilumina mãos firmes e de movimentos precisos que deslocam pás e pincéis, de um lado para o outro, sob olhares atentos. O trabalho é interrompido quando linhas finas surgem em uma das peças
descobertas. “Já encontramos mais de 290 lajes com arte rupestre aqui, com figuras geométricas e desenhos de guerreiros em cavalos”, diz Filipe Santos, tentando identificar a gravura. Ele e outros 50 arqueólogos trabalham no topo do monte denominado Castelinho, maior sítio com arte rupestre móvel da Península Ibérica, e em outros dois pontos arqueológicos. Filipe coordena os estudos etnoarqueológicos do Aproveitamento Hidrelétrico do Baixo Sabor. O Castelinho – povoado fortificado da Segunda Idade do Ferro (até 1.200 anos a.C.), com muralha que atinge 11 m de espessura – é um dos 2.500 sítios arqueológicos do projeto desenvolvido pela Odebrecht – Bento Pedroso e Construções e Lena Construções para a EDP Energia, no distrito de Bragança, norte de Portugal. A Barragem do Baixo Sabor é uma das maiores obras de construção civil do país e abriga o maior programa de arqueologia em andamento na Península Ibérica. “Os moradores terão conhecimento sobre o passado da região, antes desconhecido, por meio dos ‘tesouros’ arqueológicos localizados”, comenta Gilberto Costa, Diretor de Contrato. Os trabalhos começaram em fevereiro de 2010 nas cidades de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo. Segundo Paulo Dordio, Responsável pelo Programa de Salvaguarda do Patrimônio, as pesquisas arqueológicas foram incluídas no Estudo de Impacto Ambiental. “A previsão era encontrar 240 sítios, mas temos 10 vezes mais. Cada frente de serviço é acompanhada por um arqueólogo”, explica. Uma recente descoberta prova que a região era ocupada desde o período Paleolítico Superior (10 mil a 30 mil anos a.C.). Sondagens já indicavam a presença de populações do período romano (de 27 a.C. até 395 d.C.) e da Idade Média (do século 10 ao século 15). Os arqueólogos também usam a criatividade, unida aos objetos encontrados, para imaginar a rotina das populações nos períodos históricos. O exercício é constante, principalmente no sítio de Cilhades, conjunto de edificações da Época Moderna/Contemporânea, com mesmo modelo arquitetônico, modificadas ao longo dos anos. “Eram casas de apoio agrícola ocupadas na colheita e produção de amêndoas, azeite e vinho, ainda típicas na região”, ressalta Filipe Santos, que complementa: “Encontramos diversos itens, como louças, utensílios agrícolas e algumas moedas, entre as quais a mais antiga de D. Sebastião, do século 16”.
Investigação no Monte Castelinho: lugar de tesouros arqueológicos
Perto dali, no sítio do Laranjal, a antropóloga Zélia Maria Rodrigues finaliza a escavação de uma ossada. “Era uma mulher adulta”, afirma sob a sombra do guarda-sol que protegia o material. No antigo cemitério, foram localizadas 170 sepulturas do período medieval. Arqueólogos
informa
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Barragem do Baixo Sabor: uma das maiores obras civis de Portugal
e antropólogos fazem análises primárias no local, identi-
animais”, salienta Vingada. As metodologias são varia-
ficam sexo, idade e patologias.
das: análise de excrementos, dos habitats, observação
Os materiais recolhidos nos sítios arqueológicos são levados ao laboratório montado no canteiro de obras para
de matas, entre outras.
limpeza, separação, tratamento e estudo. “Com um pe-
Para os ecossistemas aquáticos, a equipe faz diagnós-
daço de apenas 2 mm é possível analisar e identificar a
ticos físicos e químicos em 25 pontos ao longo de 16 km
peça”, relata André Tereso, Responsável pelo Espólio.
do Rio Sabor – de extensão total de 70 km – e em duas
Vida animal e vegetal Se a arqueologia é o estudo do passado humano por meio de vestígios materiais, monitorar a fauna e a flora do Baixo Sabor é conhecer e conservar o ambiente atual, que recebe os impactos da obra. Na região de Vale de Mogadouro, José Vingada e sete biólogos, equipados com roupas de borracha, capacetes, lanternas e aparelhos sonoros, entram em uma galeria no meio da mata seca. É ali um dos 80 habitats dos quirópteros. “Já catalogamos 25 espécies distintas, sendo uma rara, o morcego negro”, explica o Coordenador das Monitorações da Fauna e dos Ecossistemas Aquáticos do projeto. A cada três meses, a equipe analisa os animais por meio da observação, medição de temperatura e umidade dos abrigos e avaliação sonora. Águias-reais, lontras, toupeiras-da-água, lobos e peixes também têm o desenvolvimento examinado em pontos da obra e na ‘zona de controle’, fora desse perímetro. “Comparamos as pesquisas dos locais para verificar possíveis alterações na vida dos
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por cerca de 80 câmeras de vídeo instaladas em pontos
informa
Mariana Santos e Duarte Filipe Silva monitoram as espécies de plantas nativas: garantia de que nada será alterado
‘zonas de controle’. “Precisamos garantir a sobrevi-
vem a mudanças de ambiente, de clima e de vegetação”, completa Mariana.
vência das espécies locais, pois são os peixes e os macroinvertebrados que indicam a qualidade da
Legados histórico e ambiental
água”, esclarece o biólogo. Na primeira semana de agosto, a equipe
Os estudos das equipes do Baixo Sabor serão be-
realizou um dos trabalhos mais desafiadores: o
neficiados com a conclusão do Ciara – Centro de Inter-
transporte dos peixes de jusante (rio abaixo) a montante
pretação Ambiental e Reabilitação Animal, que está sen-
(rio acima), para o desvio e rebaixamento de um trecho do
do implantado em Torre de Moncorvo. “O Ciara será um
rio. A transferência dos animais foi feita por profissionais
importante legado à população e local para a educação
especializados, acompanhados por representantes de
ambiental”, afirma Gilberto Costa.
entidades oficiais.
No Aproveitamento Hidrelétrico, são desenvolvidos 12
Em um ponto da margem direita do Rio Sabor, a enge-
programas ligados à fauna, aos ecossistemas aquáticos,
nheira ambiental Mariana Santos faz anotações enquanto
à flora, à qualidade do ar e da água e à conservação do
o biólogo Duarte Filipe Silva observa algumas espécies da
patrimônio histórico e cultural. “As equipes são formadas
flora de Trás-os-Montes. A cada três meses, eles percor-
por mais de 360 pessoas, entre engenheiros ambientais,
rem a região, analisam os mais de 400 tipos de plantas,
biólogos, arqueólogos e antropólogos”, ressalta Augusta
sendo 25 raras, e fazem o controle das ‘invasoras’. “En-
Fernandes, Coordenadora do Sistema de Gestão Integra-
contramos mais espécies do que havia nos estudos pré-
do de Qualidade, Meio Ambiente e Segurança do projeto.
vios”, comenta Filipe.
As ações foram certificadas pelo Bureau Veritas
Anualmente, os profissionais elaboram um inventário
Certification, em 2010, nos três setores. “O reconhe-
florístico, em que contam e registram as espécies nos
cimento é um diferencial para o mercado, prestigia o
locais próximos à obra e nas ‘zonas de controle’, para a
cliente e evidencia nossa competência em qualidade,
comparação. “Com o projeto, nenhuma espécie deixou ou
segurança e, sobretudo, em meio ambiente”, conclui
deixará de existir em Portugal, pois se adaptam e sobrevi-
Gilberto Costa.
Monitoramento dos ecossistemas aquáticos: os peixes e os macroinvertebrados indicam a qualidade da água
informa
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colhendo texto Luciana Lana fotos Bruna Romaro
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Na construção da Central Hidrelétrica Chaglla, no Peru, um dos destaques é o programa de resgate da flora e da fauna, pioneiro no país informa
resultados
42
N
o Peru, é conhecida como yunga a faixa intermediária
entre os picos andinos, a mais de 5 mil metros de altura, e as terras baixas ocupadas pela selva. As yungas acom-
panham os vales dos rios, e possuem vegetação caracterizada como bosque e escarpas íngremes. Justamente
cruciais
nesse ambiente da yunga está sendo construída a Central Hidrelétrica Chaglla, em Huánuco, a 540 km de Lima. Trata-se de um projeto de engenharia extremamente arrojado, em função das condições topográficas. Mas, mais do que isso, a Hidrelétrica de Chaglla se consolida como um exemplo de conservação ambiental. Um dos destaques é o programa de resgate de flora e fauna, pioneiro no país. “Nunca foi feito um trabalho como esse em todo o Peru”, garante o biólogo Rafael Tamashiro, Responsável por Meio Ambiente da Odebrecht em Chaglla. Com vasta experiência de trabalho em áreas protegidas pelo Governo e órgãos ligados à preservação ambiental, como o Instituto Nacional de Investigación Agrária, Rafael tem agora sua primeira experiência em uma obra da iniciativa privada: “O país precisa de infraestrutura e eu decidi fazer o meu trabalho de preservação dentro desses grandes projetos”, explica.
Novo patamar de sustentabilidade A Usina Hidrelétrica Chaglla é um investimento da Odebrecht Energia, em construção pela Odebrecht AL (América Latina) no Peru. O Estudo de Impacto Ambiental realizado pela Odebrecht Energia para obter a concessão e iniciar a obra foi o início de um amplo mapeamento da região. “Não se tinha qualquer registro da flora e da fauna aqui existente. Começamos, então, a identificar espécies, avaliar riscos de extinção e fazer diagnósticos”, conta Rafael, acrescentando que, para garantir a continuidade dos trabalhos de pesquisa, os registros são encaminhados à Universidad Nacional Agraria de la Selva (Unas), em Tingo Maria, município vizinho. Com os primeiros relatórios, a obra foi aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente do Peru. Como o projeto está sendo financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que é signatário dos Princípios do Equador, foi necessária a realização de investigações adicionais. “A partir daí, o desafio foi inserir o projeto em um novo patamar – internacional – de sustentabilidade ambiental. O nível de detalhamento e a abrangência dos estudos superam, em muito, o que costuma ser exigido”, explica Luiz Gabriel Azevedo, Responsável por Sustentabilidade na Odebrecht Energia. Ele destaca a pesquisa para manutenção do ecossistema fluvial: “Tivemos que estudar o comportamento de todas as espécies de peixes para garantir que nenhuma seria impactada”. Área de compostagem a partir dos resíduos orgânicos da própria obra: aproveitamento no cultivo de plantas locais
O mesmo ocorreu com mamíferos, répteis e aves. Algumas novas espécies foram descobertas, seguiram para o zoológico da Unas e depois foram devolvidas aos bosques. Com a flora, o trabalho vai além do resgate: como a região é propícia às orquídeas, a Odebrecht Energia está
informa
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Túnel da Usina Hidrelétrica Chaglla e, ao fundo, as yungas: faixas cobertas por vegetações nativas que sobem até os picos andinos
capacitando a população local à produção das flores, já tendo sido criados dois orquidários. “Eu não sabia nada sobre orquídeas, mas já identifico as terrestres, as epífitas, as litófitas. Aprendi tudo aqui”, diz Isaías Atachagua, que trabalha no orquidário da hidrelétrica, classificando as espécies. Quase 3.500 orquídeas já foram plantadas e cerca de 130 espécies, catalogadas. Próximas ao orquidário estão áreas de compostagem e de plantio de mudas para revegetação de taludes. “Os resíduos orgânicos da obra são tratados e o adubo é distribuído nas comunidades”, relata Maximo Evaristo Jorge, Responsável pela compostagem.
Arqueologia e fluxo migratório A preservação histórica é outra preocupação em Chaglla. Nas escavações, acompanhadas por arqueólogos, foram encontrados vestígios do passado (ossos, instrumentos musicais, cerâmicas, fósseis), o que levou à alteração do projeto de suas instalações para manter um sítio arqueológico. “Aqui temos mostras de que os incas desceram a serra em direção à selva”, comenta Patrícia Robles, Responsável pelos serviços arqueológicos. No aspecto social, o projeto também contribui com a região, pouco povoada até o início das obras. “Por conta da baixa densidade demográfica, praticamente não houve necessidade de realocação de moradias, mas ocorre um fluxo migratório para os arredores da obra, e nós ajudamos as comunidades a criar seus planos de desenvolvi-
Patrícia Robles: vestígios da cultura inca
mento urbano”, explica o Diretor do Contrato, Sergio Panicali. Segundo ele, as demandas dos povoados são muitas. “A empresa contribui para a organização das comunidades”, diz Panicali, comentando sobre a formação das
Mesas de Consertación para la Lucha contra a Pobreza, que reúnem os líderes comunitários. “Uma das nossas prioridades é o saneamento; outra é um posto de saúde”, enumera Edgar Zevallos Cano, Prefeito de Pampamarca, comunidade que participa das
Mesas de Consertación. Para ele, o apoio da Odebrecht foi fundamental na definição das metas e estratégias de desenvolvimento. “Com a ajuda da empresa, estamos prestes a instalar o aterro sanitário”, revela. Outras contribuições para as comunidades são o apoio à produção agrícola – inclusive com a compra de produtos, a disponibilização de ônibus comunitários que transportam cerca de 1.200 pessoas diariamente e a capacitação para o manejo de resíduos. Isso sem falar no Programa
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informa
Trabalhadores no orquidário: população está sendo capacitada para produzir as flores
de Qualificação Profissional Contínua Creer – adaptação
A Usina Hidrelétrica Chaglla terá 456 MW de potência
do Acreditar, criado pela Odebrecht. Mais de 1.300 pesso-
instalada e um reservatório de apenas 4,7 km2. “Essa re-
as foram capacitadas e 35% estão trabalhando na obra.
lação coloca a obra em posição de destaque no mundo”,
“Esse é um exemplo de como os investidores do projeto
diz Erlon Arfelli, Diretor da Odebrecht Energia no Peru.
podem compartilhar benefícios com as comunidades, ali-
Com passagens por grandes projetos hidrelétricos no
nhando os objetivos do negócio com oportunidades de de-
Brasil e em outros países, Arfelli manifesta orgulho espe-
senvolvimento social e econômico para a região”, destaca
cial pelo trabalho feito em Chaglla: “É a primeira vez que
Fidel Jaramillo, Diretor Representante do BID no Peru.
a Organização Odebrecht participa como investidora em um projeto de energia fora do Brasil. Como as concessões
Ave da fauna local: registro de todas as espécies da região em parceria com a Universidad Nacional Agraria de la Selva
são definitivas, estabelecemos uma relação duradoura com a região. Isso nos traz uma responsabilidade muito grande”. Chaglla também tem um significado importante no que diz respeito à matriz energética do Peru: representa a retomada da construção de hidrelétricas de médio porte no país. “O Peru tem 60 mil MW de potencial hidrelétrico e, para manter o crescimento dos últimos 10 anos, o país tem que passar dos atuais 6.300 MW de potência instalada para mais de 13 mil MW em 2020. Chaglla, que será uma das maiores usinas hidrelétricas do país, suprirá com energia limpa cerca de 6% da demanda total do mercado”, afirma Erlon Arfelli. Segundo Fidel Jaramillo, com a geração de energia limpa da Hidrelétrica de Chaglla, o Peru poderá reduzir em 1,8 milhão de t suas emissões anuais de CO2. “Esse projeto pode se tornar um modelo para o desenvolvimento energético sustentável do Peru”, ressalta o diretor do BID.
informa
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destino
ecossusten
O
texto Leonardo Maia
fotos Almir Bindilatti
Litoral Norte da Bahia, com sua beleza
rio os clientes desse tipo de produto não frequentam
natural e seus ecossistemas privilegia-
o local. Eles buscam algo que seja verdadeiro”, expli-
dos, caracterizados por áreas úmidas,
ca Franklin Mira, Responsável por Desenvolvimento e
manguezais e trechos de Mata Atlântica,
Gestão do Destino Sauípe.
atrai todos os anos milhares de turistas
A Odebrecht começou a atuar na região em 1998,
à região, que concentra a maior variedade de espé-
com a construção do complexo turístico Costa de
cies endêmicas da flora de restinga da costa brasi-
Sauípe. Tendo como foco atual o desenvolvimento de
leira. São plantas que crescem em terreno arenoso
condomínios residenciais no Destino Sauípe, a OR
e salino, típico da área. É o Litoral Norte, também,
está trabalhando em um novo masterplan para a área.
o principal ponto de desova de tartarugas marinhas
“Devemos iniciar em 2013 uma nova proposta de de-
do país. Dentro desse complexo contexto ambiental,
senvolvimento para Sauípe, mais madura e mantendo
a localidade de Sauípe, no município de Mata de São
a sustentabilidade como foco”, diz Franklin.
João, conta com o apoio de ações de desenvolvimento ambiental sustentável da Odebrecht Realizações Imo-
Toda força aos projetos ambientais
biliárias (OR).
Para amparar essa nova fase, os projetos ambien-
“Quando uma empresa chega para realizar um
tais e o trabalho com a comunidade local serão in-
projeto imobiliário, é imprescindível que ela tenha
tensificados. Um parceiro nesse processo é o Instituto
cuidado com os aspectos ambientais e sociais da re-
Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros (Incecc), que
gião. Muitas vezes são áreas remotas, com natureza
cuida do Parque de Sauípe e do projeto Fábrica de
pouco explorada e com comunidades que não têm
Florestas. O parque de 66 ha, localizado no lado opos-
contato com o desenvolvimento urbano acelerado.
to à praia, às margens da Linha Verde (Rodovia BA-
Para o sucesso do turismo imobiliário, é fundamental
099), abriga o Núcleo de Arqueologia, com mais de
que a comunidade local seja preservada, caso contrá-
50 mil peças e fragmentos de 26 sítios arqueológicos
46
46
informa
tável
Projetos ambientais em Sauípe (BA) combinam arqueologia, paisagismo, geração de renda e proteção da fauna e da flora
da região, e o Museu de História Natural, criado em
“O Parque Sauípe é um dos nossos focos na ver-
1997 pela Cetrel, empresa de Engenharia Ambiental
tente ambiental. Queremos criar atrativos como o
do Polo Industrial de Camaçari. Em 2006, o museu,
ecoturismo, esportes e atividades ligadas à aventura.
fruto de uma parceria com o prestigiado Museu de
Manter um calendário de eventos no parque, com a
História Natural de Nova York, foi transferido do polo
comunidade local incorporada no processo”, ressal-
para o Parque Sauípe. Desde então, os dois equipa-
ta Danilo Lima, Responsável por Sustentabilidade do
mentos recebem anualmente 10 mil estudantes das
Destino Sauípe. Ele acrescenta que uma das ativi-
redes pública e privada de ensino. Eles participam de
dades em planejamento é o birdwatching, termo em
um dos programas de educação ambiental da região;
inglês para a observação de pássaros, além de com-
o outro é tocado pela OR e parceiros com as comuni-
petições esportivas como stand up paddle (espécie de
dades do entorno.
surfe com uso de remo) e bicicross.
Parque Sauípe: vegetação nativa faz parte da paisagem do empreendimento da OR
informa
47
escassa bibliografia sobre a biodiversidade local. Nesse mesmo viveiro, está sendo cultivada a maior parte das 1.500 mudas de mutambo, planta cujo fruto contém o óleo utilizado na fabricação de sabonetes e Artesã da Escola de Produção: “Os turistas se encantam com nosso trabalho”
xampus artesanais. O uso do óleo para higiene pessoal foi descoberto pelos índios tupinambás que habitavam a região. A intenção da OR é alcançar a escala adequada para que os representantes da comunidade local, mais precisamente de Vila de Sauípe, possam fornecer produtos para os hotéis e residências do Litoral Norte. A iniciativa com o mutambo é apenas uma das que estão andamento na Escola de Produção, doada pela OR para a Associação de Moradores de Vila Sauípe. “Criamos a Escola de Produção para desenvolver um projeto com a cara da cultura local. Apoiamos a formação das artesãs de Vila Sauípe, que fazem bolsas, carteiras e outros objetos utilizando a piaçava. A geração de trabalho ainda é muito ligada ao extrativismo, e é necessário implantar um programa adequado de manejo”, diz Franklin Mira. As artesãs vendem suas peças nos hotéis da região, e, uma vez por mês, organizam uma feira no terreno da Escola de Produção para atrair moradores e turistas de Mata de São João. Também na escola a comunidade conta com um viveiro de mudas, uma sala
Próximo ao Parque Sauípe, a Odebrecht implantou o Viveiro de Espécies Nativas, resultado do programa de Resgate da Flora, elaborado logo que foram feitas as primeiras construções em Sauípe. O viveiro é hoje tocado pelo Incecc por meio do projeto Fábrica de Florestas, que cuida do local em regime de comodato. O trabalho em conjunto permitiu que fosse alcançada em setembro de 2012 a marca de produção de 1 milhão de mudas nativas de Mata Atlântica e de restinga. “Geralmente, quando é feita a implantação de viveiros nas cidades, são cultivadas plantas exóticas. Aqui no Destino Sauípe, realizamos um trabalho de pesquisa do ecossistema local que gera conhecimento. Temos mudas de árvores de mangues, por exemplo, que não se reproduzem facilmente”, observa Danilo. A OR utiliza as espécies nativas para os projetos de paisagismo dos empreendimentos imobiliários no Destino Sauípe e também para o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) na região. A identificação de mais de 200 espécies deu origem a um catálogo de plantas, uma iniciativa que busca compensar a
48
informa
Crianças aprendem sobre a fauna e a flora: ampliando seu conhecimento sobre a região
de informática, uma biblioteca e salas utilizadas para cursos, o que gera renda para a Associação. “Os turistas se encantam ainda mais quando vêm comprar o artesanato aqui na esco-
Viveiro de Espécies Nativas: 1 milhão de mudas em setembro
la e observam o trabalho de perto. Muitas pessoas ainda não conhecem nossa vila, precisamos trazê-las para cá”, afirma Rute Souza, uma das artesãs da Escola de Produção. Entre os outros projetos comunitários para geração de renda, estão a produção de flores e folhagens tropicais de corte, a agroindústria artesanal de compotas e doces e a meliponicultura, criação racional de abelhas sem ferrão. Para garantir que todos esses projetos tenham continuidade, a OR está planejando a criação da Associação Geral de Sauípe, uma espécie de “Prefeitura do Destino”, que cuidará das áreas comuns, da segurança, da manutenção do viário interno e do relacionamento com as comunidades locais. Outra função essencial seria a definição de normas de construção e normas ambientais. Essa mesma associação cuidaria da administração do futuro Ecocentro, espaço previsto para o final de 2014 como um centro de interpretação do ambiente, com palestras e programas de educação ambiental, priorizando a história local. Esse espaço fará parte do Projeto Apraiú, planejado como uma área comum a dois novos produtos imobiliários em estudo pela OR para a região. São iniciativas que garantem a manutenção do Destino Sauípe como exemplo de projeto realizado em fina sintonia com as boas práticas de desenvolvimento sustentável.
informa
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Projeto Aquapolo, que tem a participação de três empresas da Odebrecht, inova na produção de água de reúso
50 filtros texto Luiz Carlos Ramos fotos Fred Chalub
50
informa
do bom senso
Integrante do projeto Aquapolo com uma amostra da água de reúso: novas soluções tecnológicas e ambientais
O
Projeto Aquapolo Ambiental entrou na fase de testes e iniciará o fornecimento de água de reúso em apoio às operações da Braskem e de (pelo menos) outras três empresas que já confirmaram interesse, no Polo Petroquímico do ABC, em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. A poucos quilômetros do polo, na Estação de Tratamento
de Esgoto ABC (Sabesp), na divisa de São Paulo com São Caetano do Sul, o esgoto tratado é transformado em insumo para atender às indústrias. Trata-se de um projeto com a participação de três empresas da Organização Odebrecht (Braskem, Foz do Brasil e Odebrecht Infraestrutura), em uma ação de transversalidade que ressalta a sinergia e proporciona avanços na esfera da sustentabilidade ambiental. Ao produzir a água industrial a ser utilizada nos processos produtivos, o projeto oferece às empresas uma alternativa confiável e sustentável de substituição da água potável, que é liberada para o consumo da população. O projeto, pioneiro no reúso industrial em larga escala e que está entre os maiores do gênero no mundo, deu origem à Aquapolo Ambiental, uma Sociedade de Propósito Específico entre a Foz do Brasil, empresa de soluções ambientais da Organização Odebrecht, e a Sabesp, companhia de economia mista do Governo do Estado de São Paulo. A Presidente da Sabesp, Dilma Pena, afirma que investir na produção de água de reúso também melhora o saneamento de forma geral. “Com o reúso, damos um destino econômico ao efluente tratado, pois tratar esgotos urbanos é muito caro e inicialmente requer a imobilização de um grande volume de recursos. Por isso, a água de reúso ajudará na universalização do saneamento”, ressalta. Para Paulo Massato, que lidera a Região Metropolitana da Sabesp, a parceria da empresa com a Foz do Brasil abriu ainda outra perspectiva. “Poderemos avançar em outros projetos de reúso em grande escala no Brasil”, observa. A interação entre os diferentes parceiros permitiu consolidar um projeto viável econômica, social e financeiramente, que se consolidou como um modelo de negócio a ser replicado. Essa visibilidade positiva vem destacando os parceiros de setores diversos envolvidos no projeto, como universidades, indústrias e imprensa. Um exemplo de repercussão do Aquapolo na mídia foi a veiculação de uma reportagem especial no programa da Globo News “Cidades e Soluções”, em que o Aquapolo mereceu elogios de André Trigueiro, jornalista de grande experiência em sustentabilidade. Além disso, o projeto ficou entre os premiados pela Global Water Awards, que reconhece iniciativas de sucesso em abastecimento e saneamento no mundo. O Líder Empresarial da Foz do Brasil, Fernando Santos-Reis, recebeu o prêmio das mãos de Kofi Anan, ex-Secretário Geral da ONU. informa
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Estação de produção de água de reúso: capacidade de mil litros por segundo. Na outra página, duto que leva água até o Polo Petroquímico do ABC: 17 km de estruturas passando por quatro municípios
Transversalidade
mais secas do Nordeste do Brasil. No país, a disponibili-
O maior cliente da Aquapolo é a Braskem. E uma ter-
dade hídrica é grande e chega a 35 mil m3 por habitante/
ceira empresa da Organização entra na parceria: a Ode-
ano, média que cai no Estado de São Paulo para 2.500 m3/
brecht Infraestrutura, responsável pela construção da Es-
habitante/ano. Na metrópole, são apenas 200 m3. No ABC,
tação de Produção de Água Industrial (Epai), pela adutora
nada além de 130 m3/habitante/ano.
e pelo sistema de distribuição dentro do polo petroquímico.
Se, no início do século 20, a represa de Guarapiranga
A obra foi realizada junto à Estação de Tratamento de
conseguia abastecer a metrópole, que crescia a taxas bem
Esgoto ABC. O esgoto ali coletado e tratado pela Sabesp
menores que as atuais, nas últimas décadas foi necessá-
passa por uma etapa de tratamento complementar reali-
rio investir para buscar água em outras regiões e construir
zado pelo Aquapolo, com o uso de alta tecnologia de ultra-
outros sete sistemas de adutoras, todos sob a gestão da
filtração por membranas e de osmose reversa.
Sabesp: Cantareira, o maior deles; Alto Tietê, Alto Cotia,
A água segue, então, por uma adutora de quase 1 m
Baixo Cotia, Ribeirão da Estiva, Rio Claro e Rio Grande. Os
de diâmetro e 17 km de extensão, passando pelos municí-
oito complexos produzem 67 mil l/s de água, dos quais a
pios de São Paulo, São Caetano e Santo André, até chegar
metade procede dos reservatórios encravados na Serra da
a Mauá, no polo petroquímico. Dos 650 l/s de água para
Cantareira, que recebem água até de pequenos rios do sul
fins industriais produzidos inicialmente pelo Aquapolo, a
de Minas Gerais.
Braskem utilizará a maior parcela: 557 l/s. A outra parte
Uma das áreas mais desenvolvidas da metrópole é a do
deverá beneficiar as empresas Cabot, Oxicap, Oxiteno e
ABC, que tem esse nome com base no trio Santo André,
White Martins. A capacidade do Aquapolo poderá chegar
São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, municí-
ao fornecimento de mil litros por segundo, a partir da en-
pios em que estão instaladas indústrias automobilísticas,
trada de novas empresas interessadas em consumir a
metalúrgicas e petroquímicas. Quatro outros municípios
água industrial.
completam a região: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A água potável a ser economizada com
Pouca disponibilidade hídrica
o funcionamento pleno do Aquapolo poderá chegar a 2,58
A região metropolitana de São Paulo, com 39 municí-
bilhões de litros por mês, suficientes para abastecer uma
pios e um total de 21 milhões de habitantes, é uma das
cidade de 500 mil habitantes ou a soma de dois municípios
cinco mais populosas do mundo. Essa alta densidade de-
do ABC – São Caetano do Sul e Diadema.
mográfica, somada à condição de maior complexo indus-
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trial da América Latina, faz com que a água potável seja
Como se produz água de reúso industrial
a cada ano mais escassa, quase tanto quanto nas áreas
Odebrecht Informa conferiu todas as etapas de produ-
informa
ção de água de reúso. O Diretor-Presidente da Aquapolo
O analista químico Rodrigo Otavio Santos Dias,
Ambiental, Marcos Koehler Asseburg, engenheiro sanita-
29 anos, tecnólogo em hidráulica e saneamento ambien-
rista de São Paulo, com quatro anos de trabalho na Orga-
tal, operador da planta da Aquapolo, abre uma torneira
nização Odebrecht, explica que ficou entusiasmado ao ser
e retira a água de reúso, limpa, transparente, para fazer
indicado para participar desse projeto. “É algo totalmente
uma checagem. “O futuro está aqui. É a solução para mui-
inovador. O Brasil, infelizmente, está atrasado na área de
tas cidades”, diz Rodrigo, orgulhoso por participar do sis-
esgoto, tanto em coleta quanto em tratamento. Mas o pro-
tema pioneiro.
jeto Aquapolo é um sinal de esperança, pois pega o esgoto
Quatro tanques de reservação armazenam 70 mil m3
e lhe dá um uso, transforma sonho em realidade. Tudo
de água industrial, garantindo um fluxo contínuo para os
isso com equação financeira viável.”
clientes. O meio ambiente sai ganhando não só com a eco-
Marcos acompanhou a equipe da revista para mostrar o processo de transformação da água secundária em água
nomia de água potável: a carga poluidora disposta no Rio Tamanduateí é reduzida.
industrial. O esgoto tratado é captado nos decantadores secundários da Estação de Tratamento de Esgoto do ABC
Barreiras superadas
e passa a ser a matéria-prima da Aquapolo Ambiental.
Fabiano Munhoz, Diretor de Contrato da Odebrecht In-
Proveniente do tratamento, a água chega, por gravidade,
fraestrutura no projeto, substitui, desde meados de maio,
à Estação Elevatória de Baixa Carga e, de lá, segue para o
Emyr Costa, que assumiu novo desafio na Foz do Brasil.
tratamento preliminar. “Em seguida, começa a produção
“Com 7 anos de idade, eu ia a obras na Bahia, acompa-
de água de reúso industrial”, afirma o engenheiro. “Nos
nhando meu pai, Durvalino Munhoz, que trabalhava na
filtros de disco, são removidos resíduos sólidos com di-
Odebrecht. Aqui no Aquapolo, já em fase de conclusão,
mensões iguais ou superiores a 400 mícrons.”
percebo na equipe o sentimento de dever cumprido. Gran-
A água é direcionada para o tratamento biológico, pas-
des desafios de engenharia foram superados na execução
sando, depois, por membranas que retêm sólidos e até
da estação de tratamento e da adutora, que, para ser cons-
bactérias. “Quando a água industrial apresenta alta sali-
truída, exigiu um enorme cuidado com a segurança tanto
nidade, é enviada para a osmose reversa, para a redução
dos integrantes quanto das pessoas que trafegavam ao
de sua condutividade”, explica Marcos Asseburg. “Depois,
longo das avenidas por onde foi executada. Outro aspecto
a água industrial passa pela desinfecção, com aplicação
de destaque refere-se à formação de pessoas, jovens que
de dióxido de cloro. Seguindo para a Estação Elevatória
iniciaram sua jornada profissional neste empreendimento
de Alta Carga, essa água industrial deverá ser bombeada
e que no decorrer do contrato assumiram desafios maio-
para a adutora até o polo petroquímico.”
res.” Fabiano ressalta também a consciência que os inte-
informa
53
Unidade da Braskem no Polo do ABC: água para manter a produção industrial em alta
grantes do contrato têm da imensa importância do projeto
mos Básicos (Unib 3 ABC) e tem capacidade para produzir
para a sustentabilidade. “Fica a certeza de que o Aquapolo
700 mil t de eteno (ou etileno) por ano.
servirá de cartão de visitas para projetos de outros clien-
Próximo a um conjunto de edificações, tubulações e
tes, fato facilmente comprovado pelo interesse já demons-
tanques, o engenheiro Fadlo Haddad aponta para uma
trado em visitas de várias empresas”, diz ele.
torre de equilíbrio verde, algo novo na paisagem: lá, ficará
O Gerente de Engenharia da obra, Reynaldo Moreira
armazenada a água de reúso para ser destinada às várias
Júnior, engenheiro responsável pela montagem e auto-
instalações da Braskem e aos demais clientes do polo por
mação, relata que ingressou na Odebrecht há quase três
meio de uma rede de 3,6 km de dutos. Fadlo, que traba-
anos, para participar da construção do Aquapolo. “Para
lha no polo há 26 anos e ingressou na Braskem há dois,
a instalação da adutora, entramos com 12 frentes de
ressalta a importância da chegada da água do Aquapolo:
trabalho, dando oportunidade de trabalho a 800 pesso-
“Para a Braskem, essa obra é fundamental, pois a ope-
as, o que garantiu a rápida conclusão, mesmo com os
racionalidade do complexo estava ameaçada no que se
serviços, em parte, margeando o Rio Tamanduateí e a
refere aos processos produtivos de etileno. A água antes
Avenida dos Estados.”
trazida do Rio Tamanduateí é inadequada e insuficiente. Agora, com a água de reúso, ficamos liberados até para
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Braskem aprimora o polo
ampliar a produção. E o meio ambiente é beneficiado.” Fa-
O engenheiro químico Fadlo Eduardo Haddad, Respon-
dlo Haddad conta que a água de reúso, por ser totalmente
sável por Engenharia de Processos da Braskem em Mauá
limpa, traz grandes vantagens sobre a que é buscada em
e Santo André, sai de seu escritório para visitar as enormes
rios de cidades populosas, geralmente poluídos, com risco
instalações de Capuava e passa diante de uma grande pe-
de afetar as máquinas.
dra que é o marco da inauguração do então complexo da
No Polo Industrial de Camaçari (BA), ocorre outra expe-
Petroquímica União pelo Presidente Emílio Médici e pelo
riência de reúso, com a utilização de água da chuva. Com
Governador Laudo Natel. A inscrição indica o ano: 1972.
base em uma nova experiência, a expectativa é de que a
Já era uma evolução em relação aos primeiros passos da
água da chuva, tratada e armazenada, garanta aproxima-
indústria naquela área, em 1954, com a Refinaria União.
damente um terço do total consumido na planta, algo po-
Em 40 anos de petroquímica, outros nomes substituíram a
sitivo para a população da região metropolitana de Salva-
União, até que a Braskem assumiu o controle da Quattor,
dor. Criatividade, parcerias e investimentos apontam para
em 2010. Conhecida como PQU, a União tinha capacida-
alternativas que, paralelamente ao aumento da produção,
de de produzir 180 mil t/ano de eteno. Hoje, a unidade faz
possibilitem conservação ambiental e aprimoramento da
parte da Braskem, é conhecida como Unidade de Insu-
qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
informa
brigada
no canavial
S
texto Edilson Lima fotos Ricardo Telles
Trabalho das equipes de combate a incêndio é destaque na estratégia de segurança, prevenção e conservação ambiental da ETH
ão 3 horas da tarde em Costa Rica (MS). A equipe de Odebrecht Informa acompanha uma das visitas de Renato Bonini, Líder da Brigada de Incêndio do Polo Taquari da ETH Bioenergia, e seus liderados a uma das
frentes de colheita mecanizada de cana-de-açúcar. Ele recebe um aviso pelo rádio: a cerca de 20 km dali, há um foco de incêndio. Sua equipe precisa se deslocar rapidamente para o local. O jornalista e o fotógrafo seguem a caminhonete 4x4 dos brigadistas, para checar de perto sua atuação no combate aos constantes incêndios ocorridos no cerrado brasileiro nesta época do ano. O incêndio foi causado por moradores de uma fazenda, que atearam fogo em resíduos domésticos. Graças à eficiência da brigada e à chegada de
55
Brigadista e caminhão-bombeiro posicionados em uma frente de colheita mecanizada: durante a seca, a atenção é redobrada
informa
55
um caminhão-bombeiro, tudo foi controlado com
no Mato Grosso, formam o Polo Taquari. No total, a
rapidez, evitando-se o que se tornasse um grande
ETH tem cinco polos produtivos, com nove unidades
incêndio: o fogo estava a três metros do talhão de
distribuídas em quatro estados e 15 mil integrantes.
cana (uma área de canavial, em formato de quarteirão, que compõe a área agrícola). “Aqui é assim: se descuidarmos, podemos ter uma catástrofe em minutos”, explica Renato.
Para que tudo esteja alinhado, da sede da ETH, na capital paulista, até os canaviais dos cinco po-
Natural de Castilho (SP), Renato Bonini, 47 anos,
los, os comitês são excelentes instrumentos. A cada
atuou como bombeiro profissional por 15 anos em
dois meses, os superintendentes dos polos e seus
São Paulo. Foi com essa experiência que ele che-
respectivos gerentes de SSMA reúnem-se em São
gou à ETH há três anos. Hoje, apenas na Brigada de
Paulo com Adriano Granjo, Responsável pelo pro-
Incêndio da Unidade Costa Rica, ele lidera 42 inte-
grama na ETH. É um dia inteiro de troca de informa-
grantes. Além da pick up, ele tem à disposição 13
ções e experiências. “Nosso conhecimento e plane-
caminhões-bombeiros, uma ambulância e todos os
jamento são discutidos aqui, mas as informações
equipamentos de segurança necessários aos briga-
têm que chegar lá nas frentes de trabalho”, ressal-
distas.
ta Adriano, que tem sua base na sede, em São Pau-
Diariamente, Renato percorre as quatro fren-
lo, mas passa a maior parte de seu tempo percor-
tes de colheita da unidade, em um raio médio de
rendo as operações agroindustriais em Goiás, Mato
27 km. Em cada frente, ficam posicionados dois
Grosso, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo.
caminhões-bombeiros, cada um com seu motorista
Nesta safra, para aumentar o nível de prevenção,
e um auxiliar. A cada hora, eles fazem a medição
a ETH implantou o Sistema Automático de Detec-
do que chamam de ciclo do fogo: calor, umidade e
ção de Temperatura, conjugado com o sistema de
vento. O limite da equação é o seguinte: calor de
proteção original, denominado Kit de Extinção de
33ºC, umidade relativa do ar de 20% e vento de
Incêndio, em todas as colhedoras de cana (um total
15 km/h. Caso haja qualquer alteração em um des-
de 304 unidades). “Durante a operação de colheita,
ses indicadores, os líderes das frentes de trabalho
a palha da cana seca entra em contato com as par-
são informados, para que seja redobrada a atenção
tes quentes da colhedora, podendo gerar princípios
ou até mesmo parada a colheita, prevenindo qual-
de incêndio”, explica Adriano.
quer risco de incêndio. “Os integrantes passam por treinamentos de segurança e prevenção. Além disso, todos os dias, antes de começar o turno, o líder da frente conduz o Diálogo Diário de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (DDS). São 10 minutos de conversa indispensável para a realização de um trabalho seguro”, comenta Gilmar Pereira, Engenheiro de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA) da unidade. “Para que qualquer atividade seja realizada no campo, primeiramente é preciso ser feito um estudo prévio e detalhado do local”, complementa. Leandro Melo, Coordenador Agrícola do CCT (colheita, carregamento e transporte) da unidade, informa que, semanalmente, as lideranças se reúnem em um comitê local para refletir sobre os conceitos e a prática de SSMA: “É o momento da troca de experiências”. A Unidade Costa Rica e a Unidade Alto Taquari,
56
Troca de informações
informa
A ação de combate ao incêndio no âmbito da má-
(Plano de Auxílio Mútuo Emergencial), ele solicita
quina é chamada de nível 1. Caso o fogo não seja
apoio externo (Corpo de Bombeiros, Prefeituras e
controlado pelo kit e pelo operador, com auxílio do
Brigadas de Incêndio da região).
extintor da máquina, segue para o nível 2, que é a equipe de combate da frente operacional, forma-
Uma rede de proteção 24 horas
da por motorista e auxiliar, utilizando-se do cami-
O período de junho a setembro é o mais crítico
nhão-bombeiro, especialmente equipado para isso.
do ano no cerrado. Por causa das condições climá-
Se o incêndio não for extinto, atinge-se o nível 3 e,
ticas (umidade baixa, ventos fortes e temperatura
imediatamente, é acionada a equipe de brigadistas
alta), os incêndios são constantes. “Preocupados
especializados para combate a incêndios agrícolas,
com esse cenário, a ETH, as empresas e os órgãos
que se desloca para o local.
públicos se mobilizaram e criaram o Pame, com
Paralelamente, o líder da frente de trabalho, de-
o objetivo de sistematizar e intensificar as ações
vidamente capacitado, coordena a evacuação das
preventivas e de combate aos incêndios de forma
áreas onde o incêndio está ocorrendo, priorizando
conjunta”, conta Valmir Viana, Gerente de SSMA do
a segurança dos integrantes. O Líder da Brigada,
Polo do Mato Grosso do Sul, que integra as unida-
ao chegar à frente operacional, assume as ações
des Santa Luzia e Eldorado.
de controle e combate ao incêndio até sua completa
“Nunca podemos achar que estamos 100% se-
extinção. Em alguns casos, por intermédio do Pame
guros. As ações de prevenção e controle devem ser praticadas por todas as empresas que integram a região. Um incêndio em uma fazenda vizinha pode chegar até o canavial e vice-versa. Por isso, tivemos a preocupação de implantar o Pame nos cinco polos da ETH, identificando os parceiros locais. Assim, nossas brigadas dão e recebem apoio quando necessário”, ressalta Adriano Granjo.
Renato Bonini (ao centro) e seus liderados Donivaldo Assis (à esquerda) e Petrônio Almeida: diálogo e treinamento constantes
informa
57
renovação mundo afora
S
texto Alice Galeffi e Flávia Tavares
fotos Dario de Freitas e Dimitrius Beck Silva
ob o vento cortante de Rio Gallegos, no
preciso implantar nessas instalações o elevado standard
sul da Argentina, Marco Duran, Diretor
da estatal e dotá-las de condições seguras de integrida-
de Contrato da Odebrecht Engenharia
de estrutural, controle operacional, gestão de segurança,
Industrial, explica alguns detalhes do tra-
meio ambiente e saúde e qualificação de pessoas, além
balho a ser realizado. A temperatura está
de reparar e montar programas preventivos nas três
próxima do 0ºC, mas a sensação térmica é de -12ºC e
frentes representadas pela sigla SMS. Entra aí o projeto
o céu, nublado. Poucos dias depois, ele estaria vivendo
concebido pela Petrobras e hoje coordenado por Duran.
o outro extremo, o do calor escaldante, acima dos 42ºC,
“Atuamos em todas as áreas de trabalho envolvidas na
em Pasadena, Texas, nos Estados Unidos. São os ossos
cadeia produtiva do petróleo, com exceção da geologia”,
do ofício de quem responde por um dos projetos mais
explica. Isso quer dizer que sua equipe, que conta hoje
internacionalizados da Odebrecht, o PAC SMS (Programa
com 1.041 pessoas, entre diretos e contratados, avalia o
de Ação para Certificação em Segurança, Meio Ambiente
estado dos ativos da Petrobras desde a perfuração até a
e Saúde).
distribuição final nos postos de gasolina, passando por
Assinado em outubro de 2010, depois de uma licitação que envolveu empresas nacionais e estrangeiras, o contrato atende à Área de Negócio Inter-
isso em nada menos que 11 países: Brasil (onde está o escritório central do
nacional (ANI) da Petrobras. Após comprar
contrato) e operações nos Estados
ativos em diversas partes do mundo, era
Unidos, Argentina, Uruguai, Chile,
58 58
produção, transporte, armazenagem e refino. E faz
informa
No projeto PAC SMS, equipes da Odebrecht atuam na adequação de ativos da Petrobras em 11 países Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Japão.
e renováveis por mais três –, os trabalhos da Odebrecht
Não é à toa que a maioria das grandes empresas tem
incluem os serviços de reabilitação, construção e mon-
seus programas de SMS denominados assim, com essa
tagem, diagnóstico e excelência ambiental, elaboração
sigla. De várias maneiras, os três temas estão intrinse-
de estudos, diagnósticos e levantamentos nas áreas de
camente ligados e as ações se refletem nos outros. No
Segurança, Meio Ambiente e Saúde e aquisição de servi-
caso das petroleiras, não é diferente. Prevenir um vaza-
ços e equipamentos de contingenciamento e combate a
mento em plataformas offshore ou nos tanques de um
incêndios referentes ao Plano de Ação para Certificação
posto de gasolina é questão não só ambiental, mas de
em SMS da ANI da Petrobras. No Paraguai, por sua vez,
segurança e saúde pública. “A primeira grande onda de
as ações estão concentradas nas adequações dos postos
preocupação mundial foi a segurança, com a criação de
de gasolina. Tudo isso seguindo as mais avançadas nor-
padrões internacionais para evitar acidentes. Agora, é
mas locais, internacionais e da própria Petrobras. “Aqui
a vez do meio ambiente concentrar os esforços, com a
na Patagônia, por exemplo, o ecossistema é muito frágil.
prevenção de vazamentos e a diminuição da emissão de
Qualquer interferência no meio ambiente é quase per-
CO2, por exemplo”, explica Julián Socolovsky, da Odebre-
manente. Por essa razão, todo cuidado é necessário”, diz
cht, Responsável por QSMS (Qualidade, Segurança, Meio
Marco Duran.
Ambiente e Saúde) no projeto.
De fato, tanto Neuquén quanto Rio Gallegos, duas
Na Argentina, onde está concentrada boa parte dos
das localidades onde projetos são realizados, são carac-
projetos previstos no contrato – firmado por três anos
terizadas por uma natureza ao mesmo tempo rústica e
A centenária refinaria PRSI, em Pasadena, no Texas: restauração para alcançar os mais altos padrões de qualidade de operação
informa
59
delicada. Quilômetros de terra bege com vegetação rasteira e animais silvestres cercam os poços de produção e os campos de exploração de petróleo. Os tanques que armazenam esse óleo, que podem chegar a ter capacidade de 30 mil m3, precisam de reparos sofisticados, e, quando não é possível recuperá-los, são substituídos por novos. Os profissionais responsáveis pela execução dos serviços nos 276 projetos firmados (36 já concluídos) são altamente qualificados, e os procedimentos de SMS, definidos conjuntamente pela Odebrecht e a Petrobras, atendem aos níveis mais altos de exigência. “Cada país tem sua legislação própria, mas o PAC SMS vai além do que determina a lei, seguindo os procedimentos padronizados pela Petrobras”, diz Julián Socolovsky. Assim, o projeto foi dividido em quatro seções, que dependem
Trabalhador em instalações da Petrobras em Río Gallegos, na Argentina: meio ambiente ao mesmo tempo rústico e delicado
umas das outras e interagem entre si (veja boxe). A compilação de todos os procedimentos necessários em cada projeto pode chegar a mais de 50 páginas, se-
posse daquelas terras. Quase dois séculos depois, a luta
gundo Socolovsky. É um trabalho que exige planejamento
agora é outra: em vez de armas de fogo, muito trabalho.
detalhado, em que se analisam os riscos e a forma de
Por ser uma refinaria antiga e com alta produtividade
evitá-los, e o passo a passo para a execução da tarefa.
(são 100 mil barris de petróleo refinados por dia), o traba-
Exige paciência e perícia. “Dá ansiedade esperar para
lho é constante, e exige acompanhamento detalhado do
começar a realizar o serviço, é verdade, mas é um pro-
planejamento, já que um projeto puxa o outro devido às
cesso necessário”, diz Diego Barindelli, engenheiro civil
necessidades encontradas no caminho. “Nossa missão
de 28 anos e um dos 21 Jovens Parceiros do PAC SMS. “O
é prover as mais modernas inovações tecnológicas para
melhor é que estou aqui desde a concepção do contrato,
garantir a segurança operacional”, explica Duran. São 29
acompanhei o processo todo, é um baita aprendizado. Eu
projetos em andamento na PRSI.
nunca imaginei participar de um projeto com esse nível de preocupação ambiental”, completa.
Uma refinaria centenária
60
Os projetos são variados e incluem desde tarefas simples, como a colocação de corrimãos e chuveiros de segurança, até a substituição de antigos tanques de armazenamento de óleo, o controle de vazamento desses
Em Pasadena, no Texas, o desafio consiste em deixar
tanques, a regulamentação da emissão dos gases po-
a centenária refinaria PRSI (Pasadena Refining System
luentes e a instalação de um sistema para limpeza de
Inc.), fundada em 1902, dentro dos altos padrões de qua-
gases de unidades da planta. Será construída uma nova
lidade em SMS exigidos pela Petrobras. “Não queremos
rede de incêndio e a rede existente receberá serviços
apenas atuar de acordo com a legislação. Acima de tudo,
para sua modernização, com a construção de um novo
buscamos ser ecologicamente corretos”, salienta Marco
reservatório para armazenagem de água. Uma equipe
Duran, agora sob o forte calor texano, poucas horas de-
será capacitada para agir em eventuais emergências.
pois de desembarcar em Houston. A PRSI foi adquirida
“Esses projetos são fundamentais para que nosso cliente
pela PAI (Petrobras America Inc.), como parte do plano
alcance seu objetivo de assegurar a excelência de gestão
de expansão internacional da estatal brasileira. Em de-
ambiental e segurança operacional”, explica Duran.
zembro de 2010, as atividades do projeto PAC SMS tive-
O que mais chama a atenção quando se fala em meio
ram início na refinaria – o primeiro contrato da Odebre-
ambiente é o projeto Wet Gas Scrubber (Sistema de La-
cht Engenharia Industrial nos Estados Unidos.
vagem de Gases), por meio do qual são lavados os ga-
A refinaria está localizada às margens do histórico
ses produzidos pela refinaria antes de serem lançados
Ship Channel, palco da decisiva batalha da Revolução Te-
na atmosfera. O engenheiro responsável pelo projeto,
xana, em 1838, na qual texanos e mexicanos lutaram pela
Charles Waligura, um texano apaixonado por Pasadena
informa
tinha que me aculturar e me adaptar a alguns hábitos para interagir melhor com os parceiros locais. No Texas, ter uma pick up e usar bota de cowboy é muito natural. Passei a entender e valorizar esses costumes. No dia em que cheguei ao escritório usando uma bota, todo mundo veio falar comigo e me cumprimentar por eu estar me adaptando aos costumes texanos”, conta Daniel.
O PAC SMS e suas frentes O projeto PAC SMS está dividido em quatro seções. São as seguintes: Integridade de Instalações – refere-se aos projetos que envolvem serviços de construção e montagem industrial necessários para que instalações industriais e off-site, equipamentos, unidades de processamento e e que trabalha nas refinarias da redondeza há mais de 30 anos, afirma que o projeto é de grande importância, pois contribui de maneira significativa para que a Petrobras atinja suas metas no âmbito do seu programa de sustentabilidade. Em uma explicação conceitual, os gases contaminados entram através de tubos em uma máquina de limpeza, onde cortinas de pulverização emitem sprays de água e ozônio que quebram as partículas dos gases e os enviam de volta à atmosfera com 95% de limpeza. As partículas tóxicas são encaminhadas a outro compartimento e levadas para uma estação de tratamento. O Wet Gas Scrubber da PRSI está em processo de fabricação e será instalado no começo de 2013. A Organização Odebrecht está presente nos Estados Unidos há 22 anos e atua nos estados da Flórida, da Louisiana e do Texas. A equipe da Odebrecht Engenharia Industrial em Pasadena é formada por 60 integrantes, a maioria, locais. Apenas três são expatriados brasileiros. Um deles é Daniel Alegria, Responsável pela operação no país. “Colocar uma refinaria dentro dos padrões de qualidade de SMS não é um desafio novo para a Odebrecht. Nosso maior desafio aqui é cultural, pois o mercado norte-americano e, especialmente, o texano, é cheio de particularidades”, ele diz. Tanto Marco Duran quanto Daniel estão aprendendo a conhecer e a se movimentar nesse ambiente culturalmente distinto. O trabalho flui cada vez melhor. “O texano tem muito orgulho de sua terra. A bandeira mais vendida nos Estados Unidos não é a americana, é a texana. Percebi que
demais instalações físicas retornem às “condições ótimas” de integridade física e operacional. Passivos de SMS – relacionada aos serviços necessários à elaboração de diagnóstico e à proteção ambiental, com vistas à implantação de programas de excelência ambiental que evitam possíveis impactos ao meio ambiente por hidrocarbonetos e permitem eliminação de resíduos perigosos estocados nos ativos da ANI da Petrobras. Gestão de SMS – essa seção diz respeito aos serviços necessários para a elaboração de estudos de SMS em âmbito local. Esses estudos são pré-requisitos, por exemplo, para a manutenção do licenciamento ambiental das atividades, para a execução de serviços de adequação do Sistema de Gestão de SMS de cada empresa às Diretrizes Corporativas de SMS do Sistema Petrobras, para a definição de planos de resposta a emergências, planos de comunicação de crise e análises quantitativas de risco. Apenas em 2012, até agora, foram 4.820 horas de capacitação em gestão de SMS. Nas 832.313 horas trabalhadas nos projetos da Odebrecht no PAC SMS, o índice é de zero acidentes com tempo perdido. Contingenciamento – refere-se aos serviços e equipamentos necessários para dotar as empresas da ANI da capacidade de responder a emergências e combater incêndios, adequada ao Padrão de SMS do Sistema Petrobras. Esses equipamentos deverão ser usados para atendimento dos chamados Cenários Acidentais Relevantes, como vazamentos de hidrocarbonetos para o ambiente e incêndios em equipamentos e ativos da ANI.
informa
61
Philipe Fernando da Silva, participante do Programa Lagoa Limpa: aprendendo a remar e preservar. Abaixo, Rota das Bandeiras: recuperação de áreas degradas ao longo da rodovia
62 texto Luiz Carlos Ramos fotos Fred Chalub
62
informa
co
que gera
Concessionárias de rodovias desenvolvem programas relacionados a diversas frentes do trabalho de conservação ambiental
nsciência compromisso texto Ricardo Sangiovanni
fotos Lia Lubambo
informa
63
C
ada uma à sua maneira, as concessionárias de rodovias da Odebrecht TransPort – Rota das Bandeiras (SP), Bahia Norte e Rota dos Coqueiros (PE) – têm avançado significativamente em suas
jornadas rumo a uma relação de respeito e cuidado com o meio ambiente. A rota escolhida pela concessionária pernambucana, que administra a via litorânea que corta a Reserva do Paiva e liga Recife ao litoral sul do Estado, é pavimentada por cursos de formação e ações de campo que têm ajudado a despertar a consciência ambiental em jovens, adultos e idosos. O caminho baiano também passa pelo investimento na formação de agentes ambientais comunitários, que colaboram em mutirões de reflorestamento liderados pela concessionária, gestora do sistema de rodovias que interliga Salvador, o porto de Aratu, o Polo Industrial de Camaçari e mais sete municípios. O plantio de mudas em áreas degradadas e entornos de nascentes, em parceria com o poder público e com particulares, é também o motor das ações de sustentabilidade da concessionária paulista, gestora do corredor Dom Pedro I, que corta Campinas e mais
A empresária Maria Aparecida Junqueira Marche em sua fazenda: “Reflorestar tudo sozinha ficaria muito caro”
16 municípios do interior de São Paulo, região estratégica, que, recentemente, assumiu o posto de maior mercado consumidor do país.
“Se a gente não cuidar, quem vai cuidar?”
“A gente aprende a cuidar do que é nosso. Se a gente não cuidar, quem vai cuidar?”, reflete o estudante Philipe Fernando da Silva, 17 anos. Em um ano frequentando os treinos, ele já viu passarem boiando
A concessão do sistema viário do Paiva – que en-
pelo rio, entre uma e outra remada, garrafas, sacos
globa os 6,2 km da Via Parque, mais a ponte estaiada
plásticos, latas, sapatos, roupas, sofás... “Até filtro de
de Barra da Jangada – prevê que a Rota dos Coquei-
óleo de carro tem”, grita um dos colegas de Philipe.
ros desenvolva ações socioambientais em Jaboatão
“Aqui, ó”, acorre um outro, pinçando a peça com pon-
dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, municí-
tas dos dedos, pondo fim à dúvida.
pios por onde passa a estrada.
Os jovens são orientados a catar os resíduos que
A concessionária apoia, desde o segundo semestre
encontram no leito e nas margens do rio, utilizando
de 2011, o programa Lagoa Limpa, que oferece aulas de
luvas e sacos plásticos apropriados. A média diária
remo, canoagem e educação ambiental a 200 jovens de
de lixo retirado varia entre impressionantes 20 kg e
12 a 16 anos, de sete escolas públicas da região. As aulas
40 kg, segundo os coordenadores do programa.
acontecem no estuário dos rios Jaboatão e Pirapama.
64
são os temas das aulas.
Indignada com a falta de consciência ambiental
No Lagoa Limpa, o esporte cumpre a função de
dos vizinhos, a estudante Sandrine Barbosa, 16 anos,
atrair os jovens, que, além das aulas de remo, re-
conta que as aulas a fizeram tomar coragem para
cebem lições de como preservar o meio ambiente.
abordar pessoas que ela vê descartando lixo incorre-
Recolha do lixo descartado no rio, plantio de mudas
tamente. “Garrafa, papelão... o pessoal joga de qual-
e noções sobre a importância da água e do mangue
quer jeito. Chego e converso, mas às vezes nem me
(vitais para a reprodução de peixes e da fauna local)
dão ouvidos”, lamenta.
informa
Coragem para educar
é guardar aquele óleo numa garrafa e depois trazer
Perder o medo de abordar educativamente quem
aqui para a escola, onde temos um coletor apro-
polui o meio ambiente é o desafio dos 17 agentes am-
priado”, conta a dona de casa Wellitânia dos Santos,
bientais comunitários que estão sendo formados pela
35 anos, aluna do curso.
primeira turma do projeto Rota da Vida, ação criada
Moradora de Itapuama desde que nasceu, Wellitâ-
pela coordenadora socioambiental da concessioná-
nia certamente já tinha visto alguém jogando óleo na
ria, Flávia Queiroz, em parceria com o artista plástico
areia antes. “É que depois do curso, nosso olhar pas-
Diniz Campos, consultor de sustentabilidade da Re-
sou a enxergar esses absurdos”, pondera um colega
serva do Paiva.
dela, o artesão Francisco Antônio Almeida, 46 anos.
Desde fevereiro, Flávia e Diniz ministram aulas
Ele e alguns alunos do grupo fazem parte de outro
semanais sobre meio ambiente aos moradores de
projeto, o Papéis da Vida, que, sob coordenação de
Itapuama, município vizinho à ponta sul da estra-
Diniz, ensina a produzir artesanato com recicláveis
da. As lições vão de reciclagem a coleta seletiva, de
e a fabricar chapéus e bolsas, reaproveitando fardas
plantio de mudas a técnicas de abordagem educativa.
usadas por operários da construção civil.
Previsto para terminar em junho, o curso fez tanto
A prova de fogo da turma ocorreu na semana do
sucesso que foi prolongado por mais dois meses, e
meio ambiente, em junho: em cinco dias, eles plan-
já há previsão de uma segunda turma, a pedido dos
taram 30 árvores nos canteiros verdes ao longo da ro-
alunos.
dovia, abordaram banhistas nas praias, e motoristas,
Os resultados já começam a aparecer. “Outro dia,
nas praças de pedágio, para alertá-los sobre o cui-
vi a dona de uma barraca de praia jogando o óleo da
dado com a natureza. De brinde, distribuíram saco-
fritura do peixe na areia. Chamei a senhora num can-
las biodegradáveis e 10 mil folhetos que valiam uma
tinho, para não constrangê-la, e expliquei que o certo
muda de planta nativa. “Basta o morador dominar o
informa
65
assunto meio ambiente para ele se sentir ‘empoderaÁlvaro Oyama: realizando um antigo sonho
do’ e se tornar um multiplicador da consciência ambiental”, explica Diniz.
Viver para plantar A semana do meio ambiente também foi movimentada na Bahia. A concessionária Bahia Norte promoveu seminário sobre consciência ambiental, coleta de lixo e reciclagem aos moradores de Cassange, bairro da periferia de Salvador vizinho à rodovia CIA-Aeroporto (BA-526). No fim do ano passado, outro seminário, sobre técnicas de plantio de mudas, havia sido oferecido a estudantes do Instituto Federal da Bahia (Ifba) e moradores do bairro da Pitanguinha, em Camaçari, onde fica o instituto, em região também próxima à estrada. Após serem capacitados, muitos deles passaram a integrar o grupo de cerca de 80 voluntários que trabalharam com o Instituto Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros (Incecc), ONG contratada pela Bahia Norte para efetuar o plantio de 5 mil mudas nativas em 3 ha na área de Mata Atlântica que fica no instituto. O replantio foi só a primeira parte do programa de reflorestamento da concessionária, para compensar o desmatamento de algumas áreas de mata por conta das obras de duplicação e construção das praças de pedágio ao longo de 123,5 km de rodovias. Pela concessão, a Bahia Norte também ficou responsável por monitorar a qualidade da água dos rios Joanes e Ipitanga, além de ter herdado cerca de 40 passivos ambientais ao longo da faixa de domínio da estrada – que estão sendo solucionados à medida que avança a duplicação. “Toda obra causa algum impacto, mas o cuidado com o meio ambiente existe e começa desde o projeto”, explica o Coordenador de Meio Ambiente da Bahia Norte, Ciro Barbosa. As obras nas BAs 535 e 093 implicarão, somadas, o reflorestamento de 30 ha. Uma parte do plantio de mudas será feito às margens da estrada – para formar, no futuro, um corredor verde. “Meu sonho sempre foi viver de plantar árvore. Hoje, posso dizer que faço isso”, afirma o advogado especializado em direito ambiental Álvaro Oyama, Presidente do Incecc, integrado por 16 profissionais, entre biólogos, agrônomos, engenheiros florestais e veterinários. Aluno do seminário sobre plantio de mudas ofe-
66
informa
O jardineiro André Luís dos Santos: “Aprendi a fazer melhor o meu trabalho”
recido pela ONG, André Luís dos Santos, 32 anos,
As alternativas vão desde recuperar e reflorestar
que trabalha há quatro como jardineiro no Ifba, nun-
áreas degradadas ao longo da rodovia – a exemplo
ca tinha feito nenhum curso de técnicas de plantio.
de um trecho de 1 hectare à margem da rodovia
“Aprendi que não se pode plantar de qualquer jeito:
Pedro I, antes usada para descarte de resíduos de
tem que apertar a terra, para tirar o ar, e cavar em
obras, que hoje abriga 1.550 mudas – a buscar con-
volta do caule, para reter a água. Aprendi a fazer me-
tato, um a um, com gestores públicos e proprietários
lhor meu trabalho”, conta André, que é morador do
de fazendas dos 17 municípios cortados pela malha
bairro.
viária, em busca de novos terrenos. Uma dessas áreas fica no Instituto Agronômico
À procura de áreas livres
de Campinas (IAC), que cedeu 7,2 ha para o plan-
Mesmo já tendo plantado cerca de 72 mil mudas
tio de 12 mil mudas. Outra fica na fazenda da em-
em três anos, a concessionária Rota das Bandeiras
presária Maria Aparecida Junqueira Marche. “Para
segue à procura de mais áreas livres no adensado
mim, foi ótimo. Reflorestar tudo sozinha ficaria
interior paulista. Afinal, a meta é chegar a 300 mil
muito caro”, ela observa. O plantio e a manutenção
mudas plantadas.
de cada muda, por dois anos, custa, em média, R$
A dificuldade de encontrar essas áreas se dá por-
30. Porém, a Rota das Bandeiras só pôde plantar
que, por lei, as mudas não podem ser plantadas em
as 14.500 mudas no terreno da empresária, por-
qualquer terreno: as áreas reflorestadas devem ser
que o projeto era de 2010 – anterior, portanto, ao
contíguas a matas já existentes ou em torno de nas-
novo Código Florestal, que proíbe que empresas se
centes – as chamadas APP (Áreas de Proteção Per-
associem a particulares para executar o reflores-
manente). A legislação paulista é rígida: a depender
tamento –, o que dificulta a vida dos fazendeiros,
do estágio de desenvolvimento das árvores desma-
das empresas e atrasa o ritmo do reflorestamento,
tadas para a execução de uma obra, a área a ser re-
prejudicando o meio ambiente.
florestada pode ter duas ou até três vezes o tamanho
Mauro Pereira Junior, gestor de meio ambiente da
da original. Já árvores nativas desmatadas em áreas
concessionária, afirma: “Pensar no meio ambiente
isoladas obrigam o replantio de 25 novas.
significa cuidar do hoje melhor do que ontem, pensando no amanhã. Ainda há muito a ser feito”. informa
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comunidade
A ideia é mudar o mundo
Realizado no Edifíciosede da Odebrecht, em Salvador, Programa de Educação Ambiental (PEA) mostra que as grandes transformações no planeta podem começar com gestos simples
texto André Frutuôso fotos Beg Figueiredo
P
raticar coleta seletiva, ra-
dor e pela Odebrecht Realizações
parceiras: Área 1, Ruy Barbo-
cionar água e conservar
Imobiliárias (OR), busca “semear”,
sa e Unifacs. Criado em 2004,
áreas verdes são iniciati-
em crianças, jovens, integrantes
o programa recebe a visita de
vas essenciais para transformar
da Organização e prestadores de
8 mil alunos por ano. Estudan-
em realidade o sonho de um futu-
serviço costumes e práticas que
tes universitários que cursam
ro sustentável. É com essa pers-
garantam evolução no relaciona-
Engenharia Ambiental, Biologia,
pectiva de transformar pequenos
mento de todos com o meio am-
Administração
hábitos em grandes atitudes que o
biente.
Social trabalham no projeto como
Comunicação
Programa de Educação Ambiental
O PEA é realizado no Edifício-
estagiários, são orientados por
(PEA), apoiado pela Administração
-sede em Salvador e tem a li-
seus professores e colocam em
do Escritório Odebrecht em Salva-
derança de três universidades
prática os conteúdos assimilados
Alunos da Escola General Dionísio Teixeira participam de atividade do PEA: assimilação de costumes e práticas sustentáveis
68
e
informa
68
Estagiários responsáveis pelas ações educativas no PEA: a partir da esquerda, Fernando Pires, Natália Naomi, Allana Gomes, Leonardo Barros, Paula Santos e Elínia Oliveira
na faculdade. Todas as ações são
Água, Fauna, Resíduos, Abelha,
conduzidas pelos estagiários, que
Compostagem e Flora.
em suas comunidades. “Antes não tínhamos lugar
estudam de maneira permanente
Classificado como prédio Green
para estacionar os carros e às
a Tecnologia Empresarial Ode-
Building, o Edifício-sede da Ode-
vezes era necessário suspender
brecht (TEO).
brecht é o primeiro a ser certifica-
as aulas, pois havia mau cheiro
Paulo Guimarães, da Odebre-
do como Construção Sustentável
em frente à escola”, relembra
cht, líder institucional do PEA,
do Norte e Nordeste do Brasil e
a professora Cândida Taiara, da
salienta que, com base na TEO,
funciona como base para que alu-
Escola Municipal Paroquial Pau-
os estagiários conseguem ab-
nos de Engenharia e Arquitetura
lo VI, localizada na comunida-
sorver um método de trabalho
vejam que é possível investir em
de de Pau Miúdo, em Salvador.
focado na valorização do ser hu-
alternativas
potencializem
Segundo ela, por intermédio do
mano. “Por meio da Educação
o desenvolvimento econômico e
PEA, os moradores conseguiram
pelo Trabalho, eles têm, além de
social alinhado com conservação
entender a necessidade da coleta
formação profissional, capacita-
ambiental.
seletiva e que a calçada não era o
ção para a atuação em equipe e para a vida”.
que
O Comunica tem por objetivo atualizar o site e disponibilizar
lugar apropriado para descartar o lixo.
O PEA é dividido em cinco sub-
informações para as escolas visi-
Outro destaque do PEA é a pos-
programas: Ecotrilha, Prospera,
tantes. Já o Proger busca sensi-
sibilidade que os estagiários têm
Comunica, Proger e Green Buil-
bilizar a todos que trabalham no
de se tornar integrantes da Orga-
ding. Leonardo Luz, líder dos es-
escritório sobre a importância do
nização. Foi o que aconteceu com
tagiários, teve por desafio buscar
direcionamento adequado dos re-
Ulysses Santos, que hoje trabalha
conhecimento sobre as mais de
síduos sólidos que são produzidos
na equipe de Sustentabilidade da
50 espécies de plantas que fazem
e depois reciclados. No Prospera,
OR. “Chegamos aqui como pe-
parte da Ecotrilha, um fragmen-
o foco é a formação de multiplica-
dras brutas, e por meio do PEA,
to de Mata Atlântica, com área
dores ambientais que, após visi-
vamos nos lapidando, aprenden-
de aproximadamente 40 mil m²,
tarem a Ecotrilha, são orientados
do a transformar as dificuldades
onde há seis estações temáticas:
a desenvolver ações ambientais
em oportunidades”, afirma.
informa
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70 Geobags: alternativa permite ganhos ecológicos e econômicos
defesa linha de
Sistema de descontaminação baseado no uso de geobags é destaque nas obras do Terminal Embraport texto Elea Almeida
70
informa
fotos Júlio Bitencourt
informa
71
L
ocalizada na margem esquerda do Porto
culos da construtora, cerca de 70 mil viagens de cami-
de Santos (SP), a Embraport é um em-
nhão. A alternativa encontrada para o impasse logístico
preendimento da Odebrecht TransPort
se mostrou, também, a mais ambientalmente correta: a
em parceria com a DP World e Coimex e
implantação de um sistema de descontaminação e con-
compreende a construção e operação de
finamento do material retirado com o uso da tecnologia
um terminal portuário de uso misto. Quando totalmente
dos geobags, grandes sacos cilíndricos de tecido geos-
concluído, terá 850 mil m² de área total e capacidade de
sintético com capacidade de armazenagem de 2.300 m³.
movimentação de 2 milhões de TEUs (unidade equiva-
“Essa é uma solução ambientalmente indicada por-
lente a um contêiner de 20 pés) e 2 bilhões de litros de
que retira o material contaminado do estuário e o dei-
granéis líquidos.
xa confinado de uma forma segura em uma área onde
Pelas técnicas construtivas utilizadas na execução das obras e pelos ganhos que o terminal portuário
Neto, Gerente de Produção da obra.
proporcionará à capacidade do Porto de Santos, a Em-
O sistema permite um tratamento por floculação e o
braport foi incluída na publicação 100 Projetos de In-
confinamento do resíduo sólido dentro de 169 geobags.
fraestrutura Urbana mais Inovadores e Inspiradores do
Depois de dragado, o material é misturado a um polí-
Mundo, elaborada pela consultoria KPMG e lançada em
mero que garante a aglutinação e evita sua saída pelos
julho deste ano na Cúpula das Cidades, em Cingapura.
poros dos sacos. Apenas a água é drenada e bombeada
Um dos diferenciais do projeto é conciliar sua im-
para uma estação de tratamento, onde passa por um
plantação a soluções construtivas sustentáveis, como é
processo de aeração e balanceamento de pH, antes de
o caso dos geobags. A Odebrecht Infraestrutura, respon-
ser devolvida ao estuário.
sável pela execução das obras, adotou essa tecnologia
A água, após receber tratamento adequado, é re-
para possibilitar a dragagem de 580 mil m de material
encaminhada ao mar, e o material contaminado fica
sólido contaminado presente no canal de acesso maríti-
confinado com o resíduo sólido na retroárea do termi-
mo, localizado à frente do terminal – um passivo já exis-
nal. “Mostramos que não apenas podemos realizar um
tente na área desde meados do século passado.
projeto dessa magnitude causando o mínimo impacto
3
72
terá utilidade para o projeto final”, explica Giorgio Bullaty
Inicialmente, o projeto previa o bombeamento desse
possível ao meio ambiente, como conseguimos melho-
material dragado para outra área, com a finalidade de
rar a situação do entorno por meio da implantação do
secagem, mas a alta frequência de chuvas inviabilizou a
projeto”, diz Giorgio Bullaty.
ideia. A solução tradicional seria transportar o material
Preenchidos, os geobags ocuparão cerca de 170 mil
para um aterro, o que requisitaria, de acordo com cál-
m e servirão de base para a fundação do terreno. Sobre
informa
2
cumprirmos nosso dever educacional em relação aos integrantes”, ressalta Pincette. As ETEs construídas no canteiro têm como finalidade, além de tratar o esgoto, reduzir o uso de água potável para fins menos nobres, por permitirem a reutilização do efluente para as instalações sanitárias, por exemplo. Ao todo, as três estações tratam em torno de 250 mil litros do líquido por mês. Para retirar excesso de impurezas, a Odebrecht criou as chamadas WetLands. Elas agregaram ao tratamento a filtração por pedras e um tanque com uma vegetação que absorve o excesso de nitrogênio e fósforo, antes de o efluente ser descartado para o corpo hídrico. Giorgio Bullaty Neto: país necessita criar e desenvolver infraestrutura ambientalmente correta
As três ETAPs possuem capacidade de tratamento de 300 mil litros de água de chuva, no total. A água chega por gravidade para reservatórios, antes de ser direcionada às estações. Após o tratamento, é armazenada em
os sacos, é feito um aterro, que se tornará um pátio de contêineres. O mesmo volume de terra teria de ser retirado de jazidas e transportado até o local, não fosse o sistema de confinamento. Giorgio Bullaty reforça que os geobags nunca foram incorporados a um projeto dessa forma e acredita que o exemplo deva inspirar outros canteiros. “Isso viabiliza a realização de grandes projetos sem danos diretos ao meio ambiente, em um momento em que o Brasil precisa criar e desenvolver infraestrutura”, argumenta.
Redução do consumo de água potável Além da estação de tratamento da água drenada desses grandes sacos, o projeto da Embraport possui também três ETEs (estações de tratamento de esgoto) e três ETAPs (estações de tratamento de águas pluviais). Devido à localização do terminal portuário, trazer água potável para ser usada nas mediações era uma tarefa complexa. Reynaldo Pincette Filho, Gerente Administrativo Financeiro da obra, conta que uma das primeiras opções estudadas foi cavar poços artesianos, mas a ideia precisou ser descartada, após apenas água salgada ser encontrada. Com isso, a alternativa provisória seria trazer a água com balsas. A sugestão de implantar um sistema de tratamento para reutilizar água e aproveitar as chuvas recebeu um grande apoio, principalmente por oferecer a possibilidade de conscientizar os integrantes sobre o uso dos recursos naturais. “Todo o programa nasceu para economizarmos água potável e, ao mesmo tempo,
tanques elevados e utilizada em atividades como lavagem de pisos e veículos, além de umectação de vias. Um sistema de cores é usado na tubulação e nos tanques de reservatório, identificando a água de reúso das ETEs, água da chuva das ETAPs e potável com uma coloração diferente. Além disso, a água de reúso recebe um corante azul nos reservatórios, para a identificação de sua origem. De modo a garantir a qualidade do processo, são apresentados relatórios frequentes sobre os cerca de 550 mil litros tratados por mês. A iniciativa já tem também reconhecimento externo. Em agosto, o canteiro de obras do terminal foi laureado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro na 8ª edição do Prêmio Brasil Ambiental. Com o projeto intitulado “Canteiro Sustentável: Educação Ambiental Aplicada nas Obras de Construção Civil”, a Odebrecht venceu a categoria “Uso Racional de Recursos Hídricos”. As soluções inovadoras e ambientalmente responsáveis adotadas contribuíram para o bom andamento da obra. Até dezembro deste ano, a Odebrecht deve entregar parte do escopo contratado para a primeira fase: 350 m de cais, 50 mil m2 de retroárea para armazenagem de cargas em geral, um viaduto e a área administrativa do terminal. A primeira fase será concluída em outubro de 2013, totalizando 650 m de cais e 207 mil m2 de retroárea operacional, com capacidade instalada para movimentação de 1,2 TEUs por ano e 2 bilhões de litros de granéis líquidos. Ainda não há previsão para início da execução da segunda fase, que corresponde à ampliação do cais para 1.100 m de comprimento e da retroárea para 342 mil m2.
informa
73
saberes
A compreensão do que importa: as PESSOAS “Minha maior satisfação é ver aqueles que trabalharam comigo crescendo, assumindo responsabilidades” depoimento a Válber Carvalho edição de texto Alice Galeffi foto Holanda Cavalcanti
A
e vendedor de bilhetes de loteria.
los Daiha Blando começou
Minha avó era lavadeira, analfa-
no Instituto Militar de En-
beta. Meu pai, filho único, conse-
genharia (IME), à base de muita
guiu fazer Medicina. Minha mãe é
Um amigo do meu pai me
disciplina e dedicação. Em 1985,
filha de sírio-libaneses. Tive uma
apresentou a Renato Baiardi, na
ele ingressou na Odebrecht, onde
educação muito rígida, e me ha-
época o Diretor da Odebrecht no
encontrou um ambiente que o
bituei a ler e a estudar.
Brasil. Meu primeiro trabalho na
surpreendeu.
“O que mais me
impressionou foi a simplicidade, humildade e acessibilidade daquelas pessoas que estavam à frente de uma Organização tão grande como a Odebrecht.” Diretor-Superintendente de Engenharia e Construção na Odebrecht Energia, Daiha conta, em entrevista para o Projeto Saberes, como os ensinamentos familiares, a disciplina dos estudos militares e os anos
“Eu observei muito e aprendi que tudo o que fazemos é por meio das pessoas; elas são o início, o meio e o fim de todas as coisas”
Daiha Blando
de experiência na Odebrecht lhe
74
presa tão grande.
carreira de Antônio Car-
Primeiro voo
empresa foi em Minas Gerais, na obra de uma mina. Eu era caipira, nunca tinha andado de avião de carreira. O primeiro avião que peguei foi para ir do Rio até Belo Horizonte e entrar na Odebrecht. Fiquei seis meses nessa obra, onde conheci Paulo Sá, um grande mestre, e comecei a entender a empresa. Percebi o papel decisivo dos Diretores de Contrato. Esse se tornou o meu sonho: ser um Diretor de Contrato.
deram as ferramentas para cres-
Consegui passar no IME, onde
cer e se aprimorar na arte de ser
tínhamos provas árduas, muitos
o que define como “líder educa-
trabalhos, controle rígido e ain-
Líder educador-realizador
dor-realizador”.
da o serviço militar em paralelo.
Em Recife, trabalhei com Ariel
A seguir, uma síntese de sua
Depois de formado, permaneci
Parente Costa, a pessoa que
entrevista. A íntegra, em vídeo,
no Exército e fui mandado para
exerceu maior influência na mi-
está no site de Odebrecht Informa
Recife para fazer um curso. Lá,
nha formação. Ariel investia boa
(www.odebrechtonline.com.br)
tive a oportunidade de conhecer
parte do seu tempo em conhecer
o pessoal da Odebrecht, que es-
a vida dos seus liderados, qual
Família, estudos e o encontro com a Odebrecht
tava construindo o Metrô de Re-
era a expectativa deles, o que es-
cife. Foi então que eu percebi que
peravam da vida, da Organização.
queria trabalhar nesta empresa.
Baseado nisso, tentava apoiá-
Meu pai é filho de um imigran-
O que mais me impressionou
-los. Era um autêntico líder-edu-
te italiano que veio para o Brasil
foi a simplicidade, humildade e
cador-realizador. Conseguia que
depois da Primeira Guerra Mun-
acessibilidade daquelas pessoas
as pessoas fizessem o que ele
dial e aqui viveu como engraxate
que estavam à frente de uma em-
esperava delas, sem ter que lhes
informa
pedir. Elas faziam por admiração, por carinho, por respeito, ou pelo que fosse. Percebi então que o líder é aquele que tem seguidores.
“Não estou lhe dando um contrato, estou lhe dando um cliente” Quando cheguei à Venezuela para trabalhar na construção do Metrô de Caracas, Euzenando Azevedo, Líder Empresarial da Odebrecht no país, disse-me algo que talvez tenha sido meu maior ensinamento durante os 11 anos que passei lá: “Daiha, eu não estou lhe dando um contrato, eu estou lhe dando um cliente. Não se preocupe apenas com o seu contrato, cuide do seu cliente. O contrato tem 6 km de linha, mas o seu cliente tem outros 100 km por fazer.” E, assim, eu procurei conhecer bem o meu cliente, visitava-o quase todos os dias, e criei uma relação tão forte com ele que qualquer obra,
Antônio Carlos Daiha Blando: talento e motivação para aprender e ensinar
qualquer coisa que aparecia, ele nos chamava.
Legado A minha vida toda na Organização tem sido baseada nas pessoas. Observei muito e aprendi que tudo o que fazemos é por intermédio delas. As pessoas são o início, o meio e o fim de todas as coisas. Aprendi com meus líderes e com meus liderados. Minha maior satisfação é ver as pessoas que trabalharam comigo se desenvolvendo, assumindo responsabilidades crescentes e se tornando Diretores de Contrato ou até Diretores-Superintendentes.
informa
75
proteção
medida de
C
76
texto Milton Gérson
fotos Ricardo Chaves
om a extensão da Linha 1 Norte, o
Nilton Coelho, da Odebrecht Infraestrutura, Diretor
Trensurb, trem de passageiros que
do Contrato, destaca uma das inovações: a constru-
atende à região metropolitana de Por-
ção das pontes metroviária e rodoviária sem pilares
to Alegre, chegará, até o fim de 2012,
no Rio dos Sinos, o que evitou o represamento das
a Novo Hamburgo, tradicional polo na-
águas. “Reutilizamos a água no processo de fabrica-
cional da indústria coureiro-calçadista. Ao todo serão
ção de peças de concreto e usamos fôrmas metálicas,
cinco novas estações, em mais 9,3 km de linha, cer-
que geram uma economia de 4.600 m³ de madeira e
cadas de conquistas relacionadas à sustentabilidade
a preservação de aproximadamente 17 mil árvores.”
76
ambiental para as comunidades abrangidas pelas
Entre as principais ações relacionadas diretamen-
obras, realizadas pelo Consórcio Nova Via, liderado
te às comunidades estão a compensação arbórea e a
pela Odebrecht Infraestrutura.
remoção sustentável de 214 famílias que habitavam
“Falar em meio ambiente é falar em preservação
precariamente a Vila dos Tocos, em São Leopoldo
da vida”, argumenta Dirceu Nunes Fernandes, coor-
(município da região metropolitana da capital gaúcha
denador de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente
vizinho a Novo Hamburgo e ao qual o Trensurb já havia
pela empresa Trensurb, cliente da obra, na qual são
chegado em um etapa anterior do projeto), onde hoje
desenvolvidos 16 projetos ambientais.
funciona a Estação Rio dos Sinos.
informa
Nas obras do Trensurb, na região metropolitana de Porto Alegre, remoção sustentável de famílias as afasta do risco social e ambiental
“A construção de casas pelo consórcio nos loteamentos Brás III e Padre Orestes, nas proximidades da estação, mudou a realidade dessas famílias, que até pouco tempo moravam em um ambiente de total vulnerabilidade social e ambiental”, destaca Edson Carlos Ferreira dos Santos, coordenador especial da Presidência da Trensurb para os projetos estratégicos e para a Copa 2014. Pedro Nunes, líder comunitário, trocou o casebre em que viveu nos últimos 40 anos por uma residência de 45 m2 e ampliou a sua oficina de bicicletas. Ele comemora: “Os negócios melhoraram 300%”.
Composição do Trensurb em São Leopoldo: moradores foram removidos de casebres precários para lugares seguros
informa
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José Luis Campos de Souza: atuação destacada no processo de remoção das famílias
A remoção de famílias não se repetiu em Novo
em Novo Hamburgo. “A comunidade já ganha com a
Hamburgo. “Lá não haviam invasões no leito da linha
redução dos alagamentos em período de chuvas”, ela
férrea”, diz José Luis Campos de Souza, Responsável
salienta.
por Segurança do Trabalho e Meio Ambiente do con-
Mirella informa ainda que desde o início do contra-
sórcio. “A prioridade foi a transferência de 52 árvores
to, em 2009, foram geradas 61,6 t de resíduos reciclá-
protegidas, como corticeiras-do-banhado, figueiras,
veis nas frentes de trabalho. Esses resíduos foram ar-
jerivás (uma espécie de palmeira comum na região)
mazenados em coletores e caçambas, de acordo com
e butiazeiros, além do plantio compensatório de
sua tipologia (plástico, metal, papel, vidro, pilhas e ba-
12,6 mil mudas, a maioria em canteiros de calçadas
terias), e levados a uma central no canteiro de obras
na ruas da cidade.
principal, para ter destinação adequada. “Tudo com o acompanhamento de representantes das secretarias
Tratamento de efluentes
78
de Meio Ambiente das duas cidades”, reforça.
Todo o trabalho de gestão ambiental da obra, a
Darci Zanini, Secretário do Meio Ambiente de São
partir da liberação das licenças, é acompanhado pela
Leopoldo, observa que a relevância da obra está na
Bourscheid Engenharia e Meio Ambiente S.A., parceira
sua “magnitude social e ambiental”, pois, além de
do consórcio. Entre as ações para controlar, prevenir
resolver o problema do transporte coletivo da região,
e reduzir os impactos ambientais, está a implantação
está entre o que há de mais moderno em termos de
de um sistema de tratamento de efluentes na fábrica
sustentabilidade.
de concreto. “A água da lavagem dos caminhões-beto-
Karina Romariz Batista, Diretora de Proteção Am-
neiras é reaproveitada para a produção de novas peças
biental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de
de concreto e a dos lavatórios, usada nas descargas
Novo Hamburgo, destaca a construção da Praça Novo
dos sanitários”, explica a engenheira agrônoma Mirella
Nações, que, inaugurada em 2010, abriga, além de
Dias Machado, representante da Bourscheid na obra.
equipamentos de lazer e esporte, 14 jerivás, um bu-
Ela destaca também o monitoramento, a drenagem
tiazeiro e uma figueira retirados de trechos da obra.
e a canalização dos cursos naturais por onde passam
“O acompanhamento e o monitoramento nos permite
as obras extensão da linha, como o Rio dos Sinos e
dar respostas à comunidade, que cobra muito quando
os arroios Gauchinho, em São Leopoldo, e Luiz Rau,
percebe a retirada de árvores”, ressalta.
informa
praia!
vai dar
A
texto Eduardo Souza Lima
Recuperação da faixa de areia de Sepetiba é o primeiro passo para a completa revitalização do bairro Obras de revitalização da Praia de Sepetiba: fortalecimento da autoestima e da identidade da população local
fotos Carlos Júnior
incrível praia que encolheu agora está crescendo e aparecendo: “Quando vi o projeto no papel, a sensação que eu tinha é que recuperaríamos uma faixa de areia do tamanho de Ipanema. Mas
isso aqui virou um praião de Copacabana!”. Marilene Ramos, Presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão da Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, não conseguia esconder o seu entusiasmo ao visitar, em agosto, as obras da Odebrecht Infraestrutura que materializaram o Projeto de Reabilitação Ambiental da Praia de Sepetiba. Por meio dele, foram recuperados 2 km de faixa de areia, com trechos que chegam a 500 m de largura. O balneário da Zona Oeste carioca viveu sua época áurea nos anos 1970, quando atraía milhares de turistas nos fins de semana. Os maus-tratos ao meio ambiente datam de antes daquele tempo, mas o processo de degradação se acentuou a partir da década de 1990, quando a lama começou a
79 informa
79
A praia de volta: movimento de pessoas em Sepetiba é crescente, sobretudo nos fins de semana, e as aves e os peixes estão retornando. Abaixo, o serviço de dragagem
Transplante de mudas de mangue A Odebrecht Infraestrutura começou a recuperar a área em setembro de 2010. Os resultados já podem ser sentidos não apenas por lá, como também a cerca de 70 km dali, no Canal do Fundão – um manguezal nativo que estava se extinguindo, para onde foram transplantadas mudas de mangue que invadiram Sepetiba. Essa, aliás, foi a primeira etapa do empreendimento. um trabalho de Noé, coordenado pelo biólogo Mario Moscatelli. Mudas foram replantadas nas proximidades e no Fundão, e caranguejos-chama-maré, realocados para o Morro do Radar, na própria região. A coleta foi feita manualmente, um espécime por vez. cobrir a areia, até transformá-la em um imenso manguezal. “A gente vivia em função da praia. Eu vendia suco na orla, como ambulante, até 1993. Depois, não dava mais”, lembra o autônomo Sérgio Pinto, um nativo de Nova Iguaçu que adotou o bairro há 30 anos. Sérgio faz parte da Comissão de Reabilitação de Sepetiba (Cores), ONG que há 12 anos deu voz às reivindicações dos moradores. Segundo ele, hoje já é possível pescar camarão próximo à praia. Garças e outros pássaros também estão voltando; os veranistas, idem. “Domingo, a partir das duas da tarde, tem 5 ou até 6 mil pessoas aqui”, garante.
80
informa
“Conseguimos transplantar cerca de 70% do mangue, em vez de simplesmente erradicá-lo. Em outra época, provavelmente teriam soterrado tudo”, diz Moscatelli. “No mesmo período, havia o projeto de recuperação do Canal do Fundão, e foi possível compatibilizar as duas obras. O mangue de Sepetiba foi de grande importância na recuperação do canal”, continua. Por ser uma praia de fundo de baía, onde há pouca troca de água, Sepetiba é um depósito natural de detritos – e há quem considere medicinal a lama acumulada em seu leito. A ação do homem, porém, acelerou esse processo. “O manguezal é um indicador do assoreamento. Os rios que desembocavam na baía eram tortuosos, e isso impedia que despejassem tantos resíduos. Quando foram canalizados, acabaram-se as barreiras
naturais”, explica Mario Moscatelli. Esses resíduos são conhecidos como silt, uma mistura de argila e sedimentos arenosos. Os despejos de esgoto orgânico agravaram ainda mais o problema. “Existe um processo natural que o ser humano acelera com a poluição e a ocupação desordenada. Infelizmente, a população não tem a consciência de que mangue é vegetação e o trata como depósito de lixo. Sem contar que é mais difícil limpar um manguezal do que uma praia”, diz Marcos Saliveros, Diretor de Contrato da obra. O dano ambiental foi considerável: além de expulsar a fauna e a flora nativas, o novo e degradado habitat atraiu pragas, como ratos e baratas. E ainda havia o mau cheiro.
O militar reformado Roberto Valentim: “Sepetiba vai voltar a ser a praia da Zona Oeste”
Os 40 mil moradores da região já podem comemorar os primeiros benefícios. “Isso aqui era a área de
Sepetiba, localizadas a até 4,5 km da costa.
lazer da Zona Oeste. Eu nasci em Marechal Hermes,
A reabilitação da praia é o primeiro passo do
vim para cá quando era garoto, com 10 anos de idade,
projeto macro de recuperação do bairro, que
morar com meu avô. Hoje, vejo com a maior alegria
inclui ainda a criação de áreas de lazer, como
essa revitalização”, exulta o militar reformado Rober-
quadras esportivas, e um plano de limpeza. Re-
to Valentim, de 56 anos, da Cores.
cuperada a faixa de areia, cabe também à popu-
A lama recebeu isolamento por meio de um tecido
lação manter essa conquista para poder almejar
geossintético, que, por sua vez, foi coberto de areia. É
as próximas – a água continua imprópria para o
mesma tecnologia usada em estradas e ferrovias so-
banho, por exemplo. “Comprei minha casa aos 17
bre terrenos pantanosos. “O projeto prevê que a praia
anos, quando me casei. Criei meus filhos e estou
terá uma faixa de segurança de 80 m, onde nunca
criando meus netos aqui. Sepetiba vai voltar a ser
mais vai chegar o mangue de novo”, conta Marcos
a praia da Zona Oeste. Mas para isso, a partici-
Saliveros. A maior parte da areia utilizada foi extraída
pação do morador é crucial. Daí a importância da
por dragas de jazidas submarinas da própria Baía de
educação ambiental”, enfatiza Valentim.
informa
81
novos ares Arborização e reciclagem ajudam a garantir mais qualidade de vida para comunidades de Viana, na região metropolitana de Luanda texto Eliana Simonetti
82 82
informa
fotos Guilherme Afonso
N
a língua tradicional kimbundo, uma das 50 existentes em Angola, Zango significa “encontro”. É esse o nome do bairro localizado em Viana, cidade da região metropolitana de Luanda, onde ocorre o Programa de
Realojamento das Populações (PRP), iniciado em 2002. Lá, gerando cerca de 3 mil oportunidade de trabalho, somente a Odebrecht já construiu mais de 15 mil moradias para famílias que viviam em situação de risco nas cercanias da capital angolana ou em áreas impactadas pelo plano de requalificação urbana da cidade – uma série de obras que estão, em ritmo acelerado, transformando os contornos de Luanda. Assim, desde então, o bairro do Zango está crescendo. Não é fácil calcular quanta gente vive ali, mas estima-se que sejam mais de 100 mil pessoas. As casas originais, com 60 m2 de área construída, três quartos, sala, cozinha e banheiro, são frequentemente adaptadas e ampliadas para abrigar famílias com avós, filhos, sobrinhos, netos. A comunidade conta com coleta de lixo, água, luz, escolas, banco, policiamento, mercados, postos de saúde e outros benefícios. Sempre haverá o que melhorar, mas as pessoas que vivem no Zango percebem que a mudança lhes abriu novas perspectivas. Foi uma fonte de novas esperanças e propiciou melhoria na qualidade de vida. Observar o mar de casas que compõem o bairro impressiona o visitante. Do terreno plano salta aos olhos a terra vermelha que caracteriza a região de Luanda. Aquela área foi desmatada há séculos. É importante arborizar, tornar verde o terreno entre as casas – de maneira que haja sombra, que as árvores deem flores e que tudo fique mais bonito. Para isso, há um viveiro de plantas no canteiro de obras do projeto e, dali, já saíram mais de 6 mil mudas de árvores de diversas espécies, que foram plantadas diante das casas e nas áreas comuns. A meta, entretanto, é mais ousada: dobrar o número de árvores plantadas ainda neste ano, inclusive em espaços públicos como canteiros e praças. Para que elas sobrevivam, cada morador fica encarregado de cuidar de uma muda. “É preciso molhar de manhã e à tarde”, explica João Domingos, o jardineiro que cuida do viveiro e é morador do Zango. Como esse ensinamento é passado em palestras, nas escolas locais, 8 mil crianças já estão aptas a
O jardineiro João Domingos no viveiro: 12 mil mudas plantadas até o final de 2012
cuidar das árvores, para que, em um futuro não muito distante, o Zango tenha alamedas floridas. A fim de ampliar as oportunidades de trabalho para as famílias que, agora, vivem no Zango, a Odebrecht
informa
83
Noé Sacassueca mostra com alegria a barra de sabão produzida na cooperativa: geração de renda para 12 famílias
implantou o Programa de Qualificação Profissional
65 anos. Depois de ter cultivado mandioca e milho
Continuada – Acreditar e apoia outras iniciativas de
no Zango, antes que aquele terreno se transformas-
educação e formação, entre as quais o Centro Socio-
se no imenso bairro popular da atualidade, andava
profissional do Zango (Cesa), gerido pela Congrega-
bastante desanimado quanto ao futuro. Em 2011, ele
ção das Irmãs Salesianas de Angola e que conta ain-
participou de um curso oferecido pela Odebrecht, e
da com a parceria das Kambas do Bem (grupo que
seu ânimo mudou. Noé aglutinou um grupo de se-
reúne familiares de integrantes da Odebrecht Angola
nhoras e organizou a cooperativa, hoje composta de
e realiza ações sociais no país), e o Centro de For-
12 famílias.
mação do Ministério da Administração Pública, Em-
A fórmula é simples: óleo, água e soda. E vontade
prego e Segurança de Angola (Mapess), colaborando
para mexer até engrossar. O líquido é despejado em
para a geração de renda e a qualificação do trabalho.
tabuleiros de madeira para secar e depois é cortado
Desde agosto do ano passado, no contexto das
em barras. Nada se perde das lascas que sobram
ações de promoção da sustentabilidade, o projeto re-
ou das barras que não saem bem cortadinhas. Ra-
colhe o óleo usado no refeitório, destinando-o à pro-
ladas, socadas em pilão, elas se transformam em
dução de sabão por uma cooperativa de moradores
pó e ensacadas. “A produção ainda é pequena, mas
do Zango. Descartado da cozinha, o óleo é acondicio-
encomendas não faltam”, diz Noé. Outros projetos
nado em galões. O trabalho, coordenado por Ramos
da Odebrecht na região de Luanda já começam a se
Bernardo, garante o abastecimento semanal de três
organizar para direcionar o óleo descartado em suas
galões de 20 litros de óleo à cooperativa. Ramos Ber-
cozinhas à cooperativa do Zango.
nardo, que foi professor durante a guerra e trabalha
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na Odebrecht desde 2007, está feliz com os resul-
Reciclagem de pneus
tados. Mais feliz, no entanto, está Noé Sacassueca,
Esse é um dos movimentos promovidos pela
informa
Odebrecht para, ao mesmo tempo, sensibilizar a população quanto às vantagens de aproveitar resíduos e proporcionar melhoria em sua qualidade de vida. No Zango, há ainda uma cooperativa formada por 40 pessoas que fazem vassouras com garrafas PET. E outra, composta de 60 mulheres que produzem artesanato de materiais diversos. Mais: 100 pessoas, em três turmas diferentes, participam de um curso de empreendedorismo para aprenderem a gerir pequenos negócios.
Produtos feitos com pneus usados: oportunidade para conquista de trabalho e renda
Algo semelhante vem sendo realizado não longe dali, na Zona Econômica Especial (ZEE), também localizada em Viana – projeto em que a Odebrecht encarregou-se da instalação das infraestruturas, de forma a possibilitar a operação de indústrias. É no âmbito desse projeto que ocorre o Programa Microempresário Comunitário de Reciclagem de Pneus. “Selecionamos algumas pessoas com habilidades manuais e criatividade para serem multiplicadoras desse conhecimento”, explica Telma Marisa da Silva Handa, assistente social. “Afinal, precisamos dar boa destinação aos pneus usados na obra e a tantos outros que são abandonados nas ruas e nos bairros da cidade”, acrescenta. Evaristo Carlos Benjamim tem 40 anos, sete filhos e dois netos. Nascido na Província do Moxico, em Angola, mudou-se com a família para Luanda no tempo da guerra, em busca de segurança e meios de sobrevivência. No exército, cuidava da logística dos armazéns de alimentos. Anos depois, dispensado da tropa, ingressou em uma organização não governamental dedicada a cuidar de crianças com traumas de guerra, onde aprendeu a fazer objetos artesanais com papel e desenvolveu o jeitinho de lidar com pessoas. Com esses ativos, Benjamim foi adiante. O que aconteceu em sua vida foi o seguinte. Há seis anos, ele ingressou na Odebrecht como auxiliar administrativo, tornou-se responsável por serviços gerais e passou pelo almoxarifado, até atin-
criar, e esse é um ensinamento essencial que pas-
gir seu posto atual, de técnico social. Esse é seu
so aos meus alunos, além do cuidado e da atenção
serviço nos dias de semana. Nos fins de semana,
com a segurança, já que é preciso lidar com facas
ele tem outra atividade: aos sábados e domingos,
nessa atividade”, explica Evaristo. São cadeiras, me-
quando volta da igreja, produz objetos e móveis com
sas, vasos, bacias, sandálias, brinquedos, brindes
pneus usados. E ensina o ofício a uma turma de 7
diversos... O que se imaginar Benjamim transforma
jovens. “Produzimos conforme as encomendas, mas
em realidade a partir da borracha de pneus. Até cha-
também trabalhamos para desenvolver nossas ha-
péus, ele garante – embora o que goste de usar seja
bilidades. Para fazer algo, é preciso antes desenhar,
feito de couro e tecido.
informa
85
equilíbrio para viver em
texto Gabriela Vasconcellos
No Baixo Sul da Bahia, recuperação de áreas degradadas e nascentes coloca em harmonia os fluxos de vida
D
e a manutenção, por um período de 24 meses, de espécies nativas da Mata Atlântica nas Áreas de Preservação Permanente, sem ônus para os proprietários. Dona Dete escolheu esse caminho e já iniciou o trabalho. “Estou me esforçando para alcançar bons resultados. Todos no assentamento estão apoiando a ação”, diz, satisfeita. De acordo com Volney Fernandes, mestrando em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, Líder da Aliança Cooperativa de Serviços Ambientais da OCT, a instituição considera a recuperação das áreas
a rotina puxada Valdete do Nascimen-
degradadas e de nascentes prioridade para que os flu-
to não reclama. Aos 47 anos, dona Dete
xos de vida – assim denominados solo, recursos hídricos,
acorda às 5h30 e começa sua jornada diá-
flora, fauna, homem e seus negócios – sejam equilibra-
ria. Primeiramente, apronta o café e o al-
dos. “Buscamos estabelecer nas comunidades da Área
moço. Depois, segue para sua plantação,
de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi uma economia
onde, até o fim da tarde, permanece cuidando do cultivo
harmônica com o meio ambiente, trazendo a promoção
de palmito e da criação de peixes. Ela então volta para
de serviços ambientais: água, carbono e biodiversidade”,
casa e, entre os afazeres domésticos, sempre surge uma
destaca.
pausa para assistir a programas de televisão – novelas, de preferência.
Dona Dete vai além. Ao mesmo tempo em que está se tornando produtora de água, implanta 1 ha de dife-
Dona Dete, moradora do Assentamento Mata do
rentes culturas, como cacau, seringa e frutíferas, método
Sossego, localizado em Igrapiúna, Baixo Sul da Bahia,
conhecido como Sistema Agroflorestal (SAF). A OCT, em
é movida pelo trabalho. “Nunca vou conseguir parar ou
parceria com a Companhia de Desenvolvimento e Ação
fazer pouco serviço. Minha vida sempre foi essa. Estou
Regional (CAR), autarquia do Governo da Bahia, ofere-
garantindo minha sobrevivência”, diz. Prova disso, ela co-
ce apoio técnico e financeiro. O Fundo Brasileiro para a
meçou a participar do Programa de Pagamento por Ser-
Biodiversidade (Funbio), a Comissão Executiva de Pla-
viços Ambientais (PSA), por meio do qual contribui para
nejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e a Empresa
a conservação do meio ambiente. “Vou iniciar o reflores-
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também
tamento na minha propriedade, principalmente em volta
atuam em conjunto, por meio da realização de pesquisas
de duas nascentes que tenho aqui. Elas podem secar e
que identificam espécies ideais para cultivo na APA do
para que isso não aconteça, decidi ajudá-las”.
Pratigi, que agrega cinco municípios baianos: Igrapiúna,
O PSA é coordenado pela Organização de Conserva-
86
fotos Fernando Vivas
86
Ituberá, Ibirapitanga, Piraí do Norte e Nilo Peçanha.
ção da Terra (OCT), instituição que faz parte do Progra-
“O SAF é inserido de forma gratuita, possibilitando um
ma de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com
meio de garantir renda à unidade-família. Funciona como
Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Am-
uma contrapartida para o produtor rural que destina par-
biental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela
te de sua terra para conservar a mata nativa”, explica Vol-
Fundação Odebrecht, poder público, sociedade civil e
ney Fernandes. Segundo ele, o trabalho em andamento
instituições privadas. A iniciativa possibilita a plantação
na APA resultará em um modelo passível de replicação
informa
Dona Dete mostra uma das nascentes protegidas em sua propriedade: “Decidi ajudá-las para que não sequem”
informa
em outras regiões. “Será possível ganhar escala com a
É o que espera Jeovan Nascimento, 41 anos. Assim
utilização de políticas públicas já existentes, tornando
como dona Dete, o produtor rural se preocupa com o
natural o acesso a recursos que estão disponíveis em
meio ambiente. “Meus filhos e netos precisam conhecer
outros territórios”, explica. Para dona Dete, essa é mais
o que é uma floresta”, assegura o morador da comuni-
uma oportunidade de colaborar com o meio ambiente.
dade Juliana, localizada no município de Piraí do Norte.
“Recebemos orientação sobre a forma de desenvolver as
Jeovan também está recuperando uma nascente. “Meu
culturas protegendo o solo”, salienta.
pai encontrou a região devastada e fez um pasto, mas
Em meio às atividades no campo, dona Dete ainda
o gado não dá lucro aqui, porque chove muito. Quando
consegue tempo para estudar. No ano passado, concluiu
apareceu a oportunidade da OCT, ele liberou áreas para a
o Ensino Médio no Colégio Estadual Casa Jovem, unida-
gente trabalhar”, conta.
de de ensino que integra o PDCIS e também está locali-
Na propriedade da família de Jeovan, além da recu-
zada em Igrapiúna. A agricultora demonstra preocupa-
peração da nascente, estão sendo plantados um SAF e
ção em planejar o futuro das florestas que a rodeiam. “O
– também como estratégia da OCT para reduzir o des-
que fazemos hoje é importante para o presente e o fu-
matamento – a silvicultura, que incentiva o cultivo de eu-
turo. Sei que precisamos preservar para mais tarde não
calipto para atender à demanda de madeira da região.
sofrermos as consequências, como ficarmos sem água.
“Com essas diferentes culturas, quero ampliar a renda e
O resto deixo por conta do destino.”
ter um negócio meu”, destaca ele, que atualmente trabalha como diarista na fazenda de terceiros.
Preocupação de todos
e Líder de Conservação Ambiental da OCT, ao ver que os
suas ações em atividades que contribuem para o reflo-
agricultores estão percebendo que existe outro modelo
restamento da APA do Pratigi, fomentando a implantação
de uso do solo, que não seja degradador, é de satisfação.
dos Corredores Ecológicos, o que permitirá a criação de
“Estamos trabalhando para recuperar nascentes, implan-
conexões entre fragmentos de Mata Atlântica localizados
tar sistemas agroflorestais e incentivar a produção de ma-
no Corredor Central da Mata Atlântica, uma área com
deira para atender à demanda da região e, assim, frear o
extensão que vai da Bahia ao Espírito Santo. “Temos um
desmatamento. Isso nos levará, certamente, a construir
desmatamento anual de cerca de 700 ha na região. Pre-
uma economia harmônica com o meio ambiente”, argu-
cisamos reverter esse cenário”, pontua.
menta.
Reflorestamento de áreas degradadas da APA do Pratigi: um futuro sustentável está nascendo
88
O sentimento de Bruno Matta, engenheiro ambiental
De acordo com Volney Fernandes, a OCT concentra
informa
Próxima edição:
Datas marcantes em 2012
RESPONSáVEL POR COMuNICAçãO EMPRESARIAL NA CONSTRuTORA NORBERTO ODEBREChT S.A. Márcio Polidoro
Fundada em 1944, a Odebrecht é uma organização brasileira composta de negócios diversificados, com atuação e padrão de qualidade globais. Seus 160 mil integrantes estão presentes nas três Américas, na África, na Ásia e na Europa.
RESPONSáVEL POR PROGRAMAS EDITORIAIS NA CONSTRuTORA NORBERTO ODEBREChT S.A. Karolina Gutiez COORDENADORES NAS áREAS DE NEGóCIOS Nelson Letaif Química e Petroquímica| Andressa Saurin Etanol e Açúcar | Bárbara Nitto óleo e Gás | Daelcio Freitas Engenharia Ambiental | Sergio Kertész Realizações Imobiliárias | Antonio Carlos de Faria Infraestrutura e Transporte | Josiane Costa Energia | Letícia Natívio Engenharia Industrial e Defesa e Tecnologia | Herman Nass Construção Naval Coordenadora na Fundação Odebrecht Vivian Barbosa COORDENAçãO EDITORIAL Versal Editores Editor José Enrique Barreiro Editor Executivo Cláudio Lovato Filho Arte e Produção Gráfica Rogério Nunes Ilustrações Karmo e Adilson Secco Editora de Fotografia Holanda Cavalcanti Tiragem 5.650 exemplares • Pré-impressão e Impressão Pancrom Redação: Rio de Janeiro (55) 21 2239-4023 / São Paulo (55) 11 3641-4743 email: versal@versal.com.br
Lia Lubambo foto:
“O ser humano deve amar e respeitar a natureza, contribuindo para seu equilíbrio” TEO [Tecnologia Empresarial Odebrecht]
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informa