Dídia Cury Alan Moss
É
Dídia Bismara Cury | Alan Colm Moss
Doenças Inflamatórias
c om muito orgulho que a Federação Brasileira de Gastroenterologia apresenta o livro Doenças Inflamatórias Intestinais – Reto-
pelos grandes avanços obtidos tanto em sua fisiopatologia, como no
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diagnóstico e tratamento. Em nosso meio, sentia-se falta de um texto
Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn
colite Ulcerativa e Doença de Crohn, parabenizando seus editores pela magnífica ideia de apresentar, de maneira detalhada, essas doenças, as quais têm despertado considerável atenção dos gastrenterologistas,
mais abrangente sobre o tema e, sem dúvida alguma, este livro preenche uma lacuna importante no contexto da gastrenterologia.
sidade de Harvard, o que torna esta leitura ainda mais recomendável. Inúmeros colaboradores de todo o Brasil participaram da composição do livro, mostrando que a gastrenterologia em nosso País encontra-se em um patamar bastante elevado. Temos certeza de que esta contribuição se consagrará na literatura médica nacional e internacional, além de servir como fonte de inspiração para todos os que se dedicam ao estudo das doenças inflamatórias intestinais.
Jaime Natan Eisig Presidente da FBG (2009-2010)
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de autores nacionais com eméritos professores da conceituada Univer-
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Outro aspecto importante é que, de maneira inédita, ocorre uma parceria
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OUTROS TÍTULOS DE INTERESSE Atlas de Endoscopia Digestiva Angelo P. Ferrari Jr. Cirurgia do Aparelho Digestório Cirilo P. M. Muraro Coloproctologia – Clínica e Cirurgia Videolaparoscópica Cesar Guerreiro de Carvalho Fábio Guilherme C. M. de Campos Univaldo Etsuo Sagae Afonso H. da Silva e Sousa Jr. Emergências Clínicas José Galvão-Alves Emergências em Gastrenterologia, 2a ed. José Galvão-Alves
Intestino Saudável – Orientações e Receitas Lucia Camara Castro Oliveira Flávia de Alvarenga Neto Manual Prático de Pré- e Pós-operatório Levão Bogossian Obstrução Intestinal Renato Rocha Passos Paulo Villar do Valle Augusto Paulino Netto Pancreatites (SGRJ) José Galvão-Alves Técnicas em Endoscopia Digestiva Angelo P. Ferrari Jr.
Esôfago Gerson R. de Souza Domingues
Tratado de Hepatologia (SBH) Angelo Alves de Mattos Esther Buzaglo Dantas-Corrêa
Fisiologia Anorretal Lucia Camara Castro Oliveira
Tratado de Metabolismo Humano Francisco Juarez Karkow
Hepatites Henrique Sérgio Moraes Coelho Jorge André Segadas Soares Carlos Eduardo Brandão-Mello Letícia Cancella Nabuco
Saiba mais sobre estes e outros títulos em nosso site: www.rubio.com.br
A editora e os autores deste livro não mediram esforços para assegurar dados corretos e informações precisas. Entretanto, por ser a medicina um saber em permanente evolução, recomendamos aos nossos leitores recorrer à bula dos medicamentos e a outras fontes fidedignas – incluindo documentos oficiais –, bem como avaliar cuidadosamente as recomendações contidas no livro em relação às condições clínicas de cada paciente.
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EDITORES
DĂdia Bismara Cury, MD Alan Colm Moss, MD
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Doenças Inflamatórias Intestinais – Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn Copyright © 2011 Editora Rubio Ltda. ISBN 978-85-7771-070-6 Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução desta obra, no todo ou em partes, sem a autorização por escrito da Editora. Produção e Capa Equipe Rubio Editoração Eletrônica Trio Studio
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Doenças inflamatórias intesƟnais: retocolite ulceraƟva e doença de Crohn / editores: Dídia Bismara Cury, Alan Colm Moss. -- Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. Vários colaboradores. Bibliografia. ISBN 978-85-7771-070-6 1. Doença de Crohn 2. Gastrenterologia 3. IntesƟnos - Doenças 4. Retocolite ulceraƟva I. Cury, Dídia Bismara. II. Moss, Alan Colm.
10-10570
CDD 616.34 NLM-WI 522 Índices para catálogo sistemáƟco: 1. Doenças inflamatórias intesƟnais: Medicina 616.34
Editora Rubio Ltda. Av. Franklin Roosevelt, 194 s/l 204 – Castelo 20021-120 – Rio de Janeiro – RJ Telefax: 55(21) 2262-3779 • 2262-1783 E-mail: rubio@rubio.com.br www.rubio.com.br Impresso no Brasil Printed in Brazil
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Editores
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Dídia Bismara Cury, MD Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Pesquisadora Visitante do Centro de Pesquisa Translacional de Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da American Gastroenterology Association (AGA). Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Diretora do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Clínica Scope – Campo Grande, MS.
Alan Colm Moss, MD Doutor em Medicina pela University College Dublin of Ireland. Pós-Doutorado em Gastrenterologia Clínica pelo Beth Israel Deaconess Medical Center da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Diretor do Centro de Pesquisa Translacional de Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Professor-Assistente de Medicina da Harvard Medical School– Boston, EUA. Membro do Royal College of Physicians of Ireland, da American Gastroenterology Association, do European Board of Gastroenterology, do American College of Gastroenterology e da Crohn’s & Colitis Foundation of America. Revisor da Cochrane Gastroenterology e da Cochrane IBD Review.
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Dedicatória
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Aos meus pais Milton e Christina (in memoriam), que hoje fazem parte das estrelas do universo e que, onde estejam, certamente estarão sorrindo pelo seu dever cumprido em minha formação e caráter. Ao meu esposo, amigo e colega Dr. Marcelo Cury, com quem, ao longo destes 20 anos, construí um grande laço “científico” de amor e amizade. À minha filha Liana Cristina, o presente inesperado dos céus e que, com traços finos, tem preenchido minha vida de amor e carinho. Dídia Bismara Cury
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Dedicatória Especial
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Ao professor Alan Colm Moss, que tem sido o maestro desse espetáculo sem fim, pela amizade e pelo companheirismo diário. Sou grata pelas oportunidades de crescimento e pelas chances de compor construções científicas, já publicadas em vários periódicos e agora apresentadas neste livro. Dídia Bismara Cury
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Agradecimentos
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Ao Dr. Mandeep Sawhney, que nas bancadas dos laboratórios da Harvard me apontou a luz, sem a qual esta obra não seria possível. A Jaime Natan Eisig, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), pelo apoio concedido a essa obra. Ao amigo e professor Claudio Fiocchi, pelo incentivo contínuo e pela disponibilidade. Ao Dr. Aytan Miranda Sipahi, que me apresentou o caminho rumo às colites experimentais e à terapêutica biológica, passo fundamental em minha vida científica. Ao Professor Sender Jankiel Miszputen, pelos primeiros passos. Ao Professor Nestor Schor, pela sua genialidade e perspicácia científica. A todos aqueles que aceitaram esse desafio. A todos os colaboradores, nossos agradecimentos.
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Colaboradores
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ADÉRSON OMAR MOURÃO CINTRA DAMIÃO Membro do Grupo de Doenças Intestinais e do Laboratório de Pesquisa em Gastrenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Professor-Assistente Doutor do Departamento de Gastrenterologia da FMUSP. ÁDLIN DE NAZARÉ S. DA SILVA SAVINO Médica-Assistente do Centro de Diagnóstico em Gastrenterologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). ALAN COLM MOSS Doutor em Medicina pela University College Dublin of Ireland. Pós-Doutorado em Gastrenterologia Clínica pelo Beth Israel Deaconess Medical Center da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Diretor do Centro de Pesquisa Translacional de Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Professor-Assistente de Medicina da Harvard Medical School – Boston, EUA. Membro do Royal College of Physicians of Ireland, da American Gastroenterology Association, do European Board of Gastroenterology, do American College of Gastroenterology e da Crohn’s & Colitis Foundation of America. Revisor da Cochrane Gastroenterology e da Cochrane IBD Review. ALEXANDRE NAKAO ODASHIRO Médico-Patologista. Pós-Doutorado em Patologia Clínica pela Universidade McGill, Canadá. Mestre e Doutor em Patologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM).
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ALEXANDRE WAGNER SILVA DE SOUZA Mestre e Doutor em Reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Professor-Assistente de Reumatologia da UNIFESP. ANA KARLA GABURRI Membro do American College of Gastroenterology (ACG). Mestre em Gastrenterologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Professora da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), SP. ANGELA HISSAE MOTOYAMA CAIADO Médica-Assistente do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Especialista em Radiologia Abdominal. ANTONIO CARLOS DE MORAES Diretor-Médico do Hospital Copa D’Or, RJ. Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Membro do Grupo de Estudo de Doença Inflamatória Intestinal do Estado do Rio de Janeiro (GEDIERJ). ANTHONY LEMBO Professor-Assistente de Medicina da Universidade de Harvard – Departamento de Gastrenterologia Clínica do Beth Israel Deaconess Hospital – Boston, EUA. CLAUDIO FIOCCHI Professor de Medicina, Patologia e Pediatria da Universidade de Case Western Reserve – Cleveland, Ohio, EUA. CLÁUDIO LYOITI HASHIMOTO Médico-Assistente e Coordenador do Centro de Diagnóstico em Gastrenterologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Doutor em Medicina pelo Departamento de Gastrenterologia da Universidade de São Paulo (USP). Ex-Pesquisador do National Cancer Center Hospital – Tóquio, Japão. CÉSAR AUGUSTO DA F. L. AMORIM Médico-Gastrenterologista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médico do Serviço de Gastrenterologia e Endoscopia dos Hospitais Copa D’Or e Quinta D’Or, RJ.
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COLUMBANO JUNQUEIRA NETO Chefe da Unidade de Gastrenterologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Coordenador do Programa de Residência em Gastrenterologia do HBDF. Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). CYRLA ZALTMAN Professora-Associada em Gastrenterologia do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutora em Gastrenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). DAIANA AMARANTE Nutricionista. Pós-Graduanda em Gastrenterologia pelo Departamento de Gastrenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). DANIELA BARBOSA GEMPERLI Médica-Oftalmologista do Instituto da Saúde Ocular do Mato Grosso do Sul. Especialista em Córnea pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. DÉCIO IANDOLI JUNIOR Diretor do Centro de Motilidade Digestiva da Clínica Scope – Campo Grande, MS. Doutor em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), SP. Professor da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP) – Campo Grande, MS. DÍDIA BISMARA CURY Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da American Gastroenterology Association (AGA). Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Diretora do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Clínica Scope – Campo Grande, MS. Pesquisadora Visitante do Centro de Pesquisa Translacional de Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA.
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ELSA ALIDIA CURY PETRY GONÇALVES Médica-Assistente da Clínica Scope – Campo Grande, MS. Mestre e Doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). ELSON VIDAL MARTINS JÚNIOR Mestre em Gastrenterologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Professor de Gastrenterologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), SP. Membro do American College of Gastroenterology (ACG). GENOILE OLIVEIRA SANTANA Médica-Gastrenterologista do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Coordenadora do Ambulatório de Doença Inflamatória Intestinal do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da UFBA. GUILHERME CUTAIT DE CASTRO COTTI Gastrocirurgião e Coloproctologista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Médico-Assistente do Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira, SP. IZAIAS PEREIRA DA COSTA Chefe do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Mestre e Doutor em Reumatologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor-Associado de Reumatologia da Faculdade de Medicina da UFMS. Membro da Academia Brasileira de Reumatologia. JOSÉ JÚLIO GONÇALVES Diretor do Centro de Broncoscopia da Clínica Scope – Campo Grande, MS. Mestre e Doutor em Cirurgia Torácica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). LAURA COTTA ORNELLAS HALFELD Endoscopista do Centro de Gastrenterologia e Endoscopia Digestiva (Gedcenter) – Juiz de Fora, MG. Médica-Gastrenterologista do Gedcenter – Juiz de Fora, MG. Pós-Doutorado pela Universidade de Harvard – Boston, EUA. Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM), SP. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED).
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LUCIANA NAKAO ODASHIRO MIIJI Diretora do Centro de Diagnósticos Avançados em Patologia (CDAP) – Campo Grande, MS. Mestre e Doutora em Patologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). LUCIANA TEIXEIRA DE CAMPOS CELLA Médica-Gastrenterologista pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), SP. Médica do Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Gastrenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). MANDEEP SAWHNEY Médico-Gastrenterologista e Endoscopista do Beth Israel Deaconess Medical Center da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Professor de Medicina da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Professor-Assistente do Centro de Endoscopia Avançada do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA. MARCELO DE SOUZA CURY Diretor do Centro de Endoscopia da Clínica Scope – Campo Grande, MS. Pós-Doutorado em Endoscopia Avançada pela Universidade de Harvard – Boston, EUA. Doutor em Gastrenterologia Clínica (Endoscopia) pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Pesquisador do Grupo de Endoscopia do Beth Israel Deaconess Hospital da Universidade de Harvard – Boston, EUA. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Professor Visitante do Grupo de Gastrenterologia Clínica (Endoscopia Avançada) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). MARACI RODRIGUES Doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP). Médica-Assistente da Unidade de Gastrenterologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Ex-Fellowship do Departamento de Gastrenterologia Pediátrica da Universidade de Los Angeles (UCLA), EUA. Membro da Sociedade Paulista e da Sociedade Latino-Americana de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica. Orientadora do Curso de Pós-Graduação do Departamento de Gastrenterologia do HC – FMUSP.
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MARIA DO CARMO FRICHE PASSOS Professora-Adjunta Doutora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG). Pós-Doutorado em Gastrenterologia pela Universidade de Harvard – Boston, EUA. MARÍLIA PINHEIRO-CÉSAR Nutricionista. Pós-Graduanda em Gastrenterologia pelo Departamento de Gastrenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). MARIO KONDO Mestre e Doutor em Gastrenterologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Pós-Doutorado em Transplante de Fígado pela Mayo Clinic and Foundation, EUA. Professor Adjunto da Disciplina de Gastrenterologia Clínica da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). NESTOR SCHOR Doutor em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pós-Doutorado na Harvard Medical School, EUA. Professor Titular e Chefe do Laboratório de Fisiologia e Fisiopatologia da Disciplina de Nefrologia do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Professor da Cornell Medical College, EUA. NORA MANOUKIAN FORONES Coordenadora do Setor de Oncologia/Gastrenterologia da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Livre-Docente em Gastrenterologia Clínica da UNIFESP – EPM. Professor-Associado da Disciplina de Gastrenterologia da UNIFESP – EPM. PAULO GUSTAVO KOTZE Chefe do Serviço de Coloproctologia do Hospital Universitário Cajuru (SeCoHUC) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). Mestre em Clínica Cirúrgica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
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RAUL DAHER CUTAIT Professor-Associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Médico-Coloproctologista do Hospital Sírio Libanês, SP. ROSE MEIRE ALBUQUERQUE PONTES Doutora em Gastrenterologia pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Professora da Disciplina de Gastrenterologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR. SENDER JANKIEL MISZPUTEN Professor-Associado da Disciplina de Gastrenterologia do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). SÉRGIO EDUARDO ALONSO ARAUJO Assistente-Doutor do Serviço de Cirurgia de Cólon e Reto do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). SILVIA NAOMI DE OLIVEIRA UEHARA Médica-Infectologista. Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Médica-Assistente do Centro de Hepatites da Clínica Scope – Campo Grande, MS. SIMONE VIANA BRAGA Médica-Gastrenterologista. Médica do Hospital Copa D’Or, RJ. WALDEMAR S. ALMEIDA Pesquisador do Laboratório de Fisiologia e Fisiopatologia da Disciplina de Nefrologia do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM).
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Preface
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The prevalence of inflammatory bowel disease (IBD) has increased over the last 20 years in Brazil, a trend seen in many developed countries. During this time the therapeutic options available for patients with these illnesses has changed dramatically, and continue to evolve. A number of international journals and textbooks have focused on these conditions, but have mostly originated from tertiary referral practices in the United States and Europe. The gastroenterology community in Brazil has a long tradition of excellence in research and clinical care in the field of IBD. This can be seen in the frequent high-quality contributions from academic centers in Brazil to regional and international peer-reviewed journals and scientific meetings. The formation of the Brazilian Group for the Study of Inflamatory Bowel Disease (GEDIIB), and the on-going support of the Brazilian Federation of Gastroenterology (FBG), has played a key role in enhancing the professional development of gastroenterologists in Brazil in this field. It is thus timely, that this book on IBD has been published to advance this tradition. The authors have graciously combined both their own expertise, and the established literature, to provide a comprehensive guide to the diagnosis and management of patients affected by these diseases. It should be equally useful to the gastroenterologist and internal medicine physician who care for this patient population. This book would not have been possible without the inspiration, and contagious energy, of Dr. Didia Bismara Cury, who has put considerable effort into bringing together a diverse group of authors from many specialties. She is to be commended for her vision in drawing on the expertise of her colleagues to deliver this textbook on IBD from Brazil. It has been my pleasure to collaborate with her on this textbook, and I look forward to future editions.
Alan Colm Moss, MD
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Prefácio
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(Tradução)
A prevalência das doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou nos últimos 20 anos no Brasil – uma tendência vista em muitos países desenvolvidos. Durante esse período, as opções terapêuticas disponíveis para os pacientes com essas doenças mudaram drasticamente e continuam a evoluir. Vários jornais internacionais e livros-textos têm focado nessas condições, os quais, em sua maioria, originaram-se de orientações práticas terciárias nos EUA e na Europa. A comunidade de gastrenterologia no Brasil tem uma longa tradição de excelência em pesquisa e cuidado clínico na área de DII. Isso pode ser observado nas frequentes contribuições de alta qualidade dos centros acadêmicos brasileiros, nos encontros científicos, como também em jornais revisados por colegas da área em nível nacional e internacional. A formação do Grupo de Estudos de Doença Inflamatória Intestinal no Brasil (GEDIIB), ao qual a Dra. Dídia pertence, e o apoio contínuo da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) têm desempenhado, no Brasil, um papel importante na promoção do desenvolvimento profissional dos gastrenterologistas nesta área de atuação. Desse modo, este é o momento certo para que este livro seja publicado com o intuito de enriquecer ainda mais essa tradição. Os autores combinaram, de maneira competente, sua perícia e a literatura estabelecida com a intenção de fornecer um guia geral para o diagnóstico e tratamento dos pacientes afetados por essa condição. Este livro será igualmente útil para os gastrenterologistas e clínicos em geral, os quais cuidam desta população de pacientes. Esta obra não teria sido possível sem a inspiração e energia contagiante e a grande competência científica da Dra. Dídia Bismara Cury, que se esforçou consideravelmente para unir um grupo diverso de autores de várias especialidades. Ela deve ser formalmente elogiada pela sua visão a respeito da perícia de seus colegas com o intuito de produzir este livro-texto sobre DII no Brasil. Foi um grande prazer colaborar com a produção deste livro e espero ansiosamente por futuras edições.
Alan Colm Moss, MD
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Apresentação
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Este livro surgiu da necessidade e da inspiração das bancadas dos laboratórios da Universidade de Harvard em parceria contínua com o Dr. Alan Moss, com quem compartilho há quatro anos experiências clínicas dos dois países (EUA/Brasil), assim como diversas pesquisas. Decidimos transpor para o Brasil esses 15 anos de experiência em grandes centros de pesquisa e no atendimento e discussão de casos clínicos, tanto da USP em nosso mestrado como da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) durante nossa especialização e doutorado e, agora, do grupo de doenças inflamatórias intestinais do Beth Israel Deaconess Medical Center, da Universidade de Harvard. Porém, apenas traduzir isso em termos de gastrenterologia tornaria essa obra incompleta, pelo fato de estarmos diante de doenças complexas e com manifestações múltiplas que englobam outras especialidades, como reumatologia, dermatologia, nefrologia, entre outras. Foi necessário elaborar um trabalho multidisciplinar, fator que nos motivou a convidar renomados especialistas de diversos estados do Brasil, além dos estrangeiros. Esperamos contribuir com o dia a dia de todos os colegas que atendem esse grupo de pacientes, melhorando cada vez mais a abordagem e a qualidade de vida deles. Sem dúvida alguma, não seria possível concretizar esse objetivo sem a contribuição de todos esses especialistas e sem o apoio contínuo do Dr. Alan Moss, com quem divido a organização e a edição deste livro.
Dídia Bismara Cury São Paulo, setembro de 2010.
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Sumário
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PARTE I – Epidemiologia, Etiologia e Manifestações Clínicas, 1 Capítulo 1 – Epidemiologia das Doenças Inflamatórias Intestinais, 3 Laura Cotta Ornellas Halfeld
Capítulo 2 – Etiologia e Patogênese das Doenças Inflamatórias Intestinais: Conceitos Atuais, 13 Claudio Fiocchi
Capítulo 3 – Manifestações Clínicas da Doença de Crohn, 25 Sender Jankiel Miszputen Dídia Bismara Cury
Capítulo 4 – Manifestações Clínicas da Retocolite Ulcerativa, 33 Sender Jankiel Miszputen
PARTE II – Diagnóstico, 41 Capítulo 5 – Métodos Endoscópicos de Diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 43 Marcelo de Souza Cury Mandeep Sawhney
Capítulo 6 – Diagnóstico Histopatológico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 55 Luciana Nakao Odashiro Miiji Alexandre Nakao Odashiro
Capítulo 7 – Diagnóstico Radiológico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 65 Angela Hissae Motoyama Caiado Ádlin de Nazaré S. da Silva Savino Cláudio Lyoiti Hashimoto
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Capítulo 8 – Diagnóstico Diferencial das Doenças Inflamatórias Intestinais, 79 Cyrla Zaltman Antonio Carlos de Moraes César Augusto da F. L. Amorim Simone Viana Braga
Capítulo 9 – Marcadores Sorológicos das Doenças Inflamatórias Intestinais, 91 Cyrla Zaltman Antonio Carlos de Moraes César Augusto da F. L. Amorim Simone Viana Braga
PARTE III – Tratamento, 101 Capítulo 10 – Terapêutica Não Biológica das Doenças Inflamatórias Intestinais, 103 Sender Jankiel Miszputen
Capítulo 11 – Terapêutica Biológica das Doenças Inflamatórias Intestinais, 119 Alan Colm Moss Dídia Bismara Cury
Capítulo 12 – Segurança e Efeitos Adversos dos Medicamentos em Doenças Inflamatórias Intestinais, 137 Dídia Bismara Cury Elsa Alidia Cury Petry Gonçalves
Capítulo 13 – Terapêutica Nutricional nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 151 Adérson Omar Mourão Cintra Damião Daiana Amarante Marília Pinheiro-César
Capítulo 14 – Tratamento Cirúrgico da Doença de Crohn, 171 Paulo Gustavo Kotze Sérgio Eduardo Alonso Araujo
Capítulo 15 – Tratamento Cirúrgico da Retocolite Ulcerativa, 187 Raul Daher Cutait Guilherme Cutait de Castro Cotti
Capítulo 16 – Cuidados nas Ostomias Intestinais, 197 Décio Iandoli Junior
PARTE IV – Distúrbios Funcionais, Sobreposição de Síndromes e Manifestações Extraintestinais, 215 Capítulo 17 – Distúrbios Funcionais nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 217 Maria do Carmo Friche Passos Anthony Lembo
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Capítulo 18 – Sobreposição (Overlap) de Síndromes nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 235 Columbano Junqueira Neto Luciana Teixeira de Campos Cella
Capítulo 19 – Manifestações Cutâneas das Doenças Inflamatórias Intestinais, 247 Genoile Oliveira Santana
Capítulo 20 – Manifestações Oculares das Doenças Inflamatórias Intestinais, 257 Dídia Bismara Cury Daniela Barbosa Gemperli
Capítulo 21 – Colangite Esclerosante Primária e Transplante Hepático nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 273 Mario Kondo Silvia Naomi de Oliveira Uehara
Capítulo 22 – Alterações de Testes Hepáticos nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 283 Luciana Teixeira de Campos Cella Columbano Junqueira Neto
Capítulo 23 – Alterações Renais nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 291 Waldemar S. Almeida Nestor Schor
Capítulo 24 – Manifestações Reumatólogicas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 299 Alexandre Wagner Silva de Souza
Capítulo 25 – Fibromialgias nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 307 Izaias Pereira da Costa
Capítulo 26 – Manifestações Pancreáticas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 313 Elson Vidal Martins Júnior Ana Karla Gaburri
Capítulo 27 – Manifestações Torácicas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 319 José Júlio Gonçalves
PARTE V – Neoplasia e Doenças Inflamatórias Intestinais, 327 Capítulo 28 – Rastreamento de Neoplasia Colônica em Portadores de Doenças Inflamatórias Intestinais, 329 Marcelo de Souza Cury Mandeep Sawhney
Capítulo 29 – Câncer Colorretal, 337 Nora Manoukian Forones
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Capítulo 30 – Câncer de Cólon em Doenças Inflamatórias Intestinais – Tratamento Cirúrgico, 347 Guilherme Cutait de Castro Cotti
PARTE VI – Gravidez, Infecções, Pediatria, Idosos e Qualidade de Vida nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 357 Capítulo 31 – Gestação e Doenças Inflamatórias Intestinais, 359 Dídia Bismara Cury Alan Colm Moss
Capítulo 32 – Doenças Inflamatórias Intestinais e Infecções, 369 Dídia Bismara Cury Silvia Naomi de Oliveira Uehara
Capítulo 33 – Doenças Inflamatórias Intestinais em Crianças e Adolescentes, 377 Maraci Rodrigues
Capítulo 34 – Doenças Inflamatórias Intestinais em Idosos, 401 Dídia Bismara Cury
Capítulo 35 – Qualidade de Vida nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 405 Rose Meire Albuquerque Pontes
Índice Remissivo, 417
Capitulo 00.indd XXVIII
9/11/2010 10:54:38
Abreviaturas
5-ASA
ácido 5-aminossalicílico
5-FU
5-fluorouracil
5-HT
5-hidroxitriptamina
6-MP
6-mercaptopurina
6-TG
6-tioguanina
ABRASO
Associação Brasileira de Ostomizados
ACCENT
Assessing the Safety and Clinical Efficacy of a New Treatment
ACR
American College of Rheumatology
ACT
Acute Ulcerative Colitis Treatment
ACTH
hormônio adrenocorticotrófico
AcUr
ácido úrico
AF
ácido folínico
AGA
American Gastroenterological Association
AGCC
ácidos graxos de cadeia curta
AIDS
síndrome da imunodeficiência adquirida
AINE
anti-inflamatórios não esteroides
AINH
anti-inflamatórios não hormonais
alfa-1-AT
alfa-1-antitripsina
ALT
alanina aminotransferase
AMA
anticorpo antimitocôndria
AMB
Associação Médica Brasileira
AML
antimúsculo liso
Capitulo 00.indd XXIX
1
8/11/2010 17:06:11
ANCA
anticorpos anticitoplasma de neutrófilos
APC
polipose adenomatosa do colo
ASCA
anticorpos anti-Saccharomyces cerevisiae
ASCEND
Assessing the Safety and Clinical Efficacy of a New Dose
ASCO
American Society of Clinical Oncoloy
ASPEN
American Society for Parenteral and Enteral Nutrition
AST
aspartato aminotransferase
ATG16L1
proteína 16-L-1 relacionada com a autofagia
ATI
anticorpos anti-infliximabe
AZA
azatioprina
AZA/6-MP
azatioprina/6-mercaptopurina
BASMI
Bath Ankylosing Spondylitis Metrology Index
BCG
bacilo de Calmette-Guérin
BOOP
bronquiolite obliterante com pneumonia em organização
BSG
British Society of Gastroenterology
BT
bilirrubina total
CAI
índice de retocolite ulcerativa
CALA
colite autolimitada aguda
CARD
domínio de recrutamento da família caspase
CBP
cirrose biliar primária
CCA
colangiocarcinoma
CCR
câncer colorretal ou carcinoma colorretal
CCR6
receptores tipo 6 de quimiocinas C-C
CDAI
índice de atividade da doença de Crohn
CE
cápsula endoscópica; colangite esclerosante
CEA
antígeno carcinoembrionário
CEP
colangite esclerosante primária; proteína epitelial do cólon
CFM
Conselho Federal de Medicina
CIE
contraimunoeletroforese
CIOMS
Conselho para Organização Internacional de Ciências Médicas
CMV
citomegalovírus
CPRE
colangiopancreatografia retrógrada endoscópica
CPRM
colangiopancreatografia por ressonância magnética
COP
pneumonia de organização criptogênica
Capitulo 00.indd XXX
8/11/2010 17:06:11
CU
colite ulcerativa
CyA
ciclosporina A
DAG
displasia de alto grau
DALM
displasia associada a lesão ou massa
DBG
displasia de baixo grau
DC
doença de Crohn
DCC
apagada no câncer colorretal
DFGI
distúrbios funcionais gastrintestinais
DII
doenças inflamatórias intestinais
DNA
ácido desoxirribonucleico
DOM
densidade óssea mineral
DPI
doença pulmonar intersticial
EBA
epidermólise bolhosa adquirida
EBV
vírus Epstein-Barr
EDA
endoscopia digestiva alta
EGFR
fator de crescimento epidérmico
ELISA
ensaio imunossorvente ligado à enzima
ENACT
Efficacy of Natalizumab as Active Crohn’s Therapy
ENCORE
Efficacy of Natalizumab in Crohn’s Disease Response and Remission
ESSG
Grupo Europeu de Estudos em Espondiloartrites
FA
fosfatase alcalina
FAB
fragmento de ligação ao antígeno
FAN
fator antinúcleo ou anticorpo antinúcleo
FDA
Food and Drug Administration
FISH
hibridização fluorescente in situ
FM
fibromialgia
FOS
fruto-oligossacarídeos
GAG
glicosaminoglicano
GGT
gamaglutamil transferase
GGTP
gamaglutamil transpeptidase
GIST
tumor estromático gastrintestinal
GNM
glomerulonefrite membranosa
GWA
estudo genômico de associação
HAI
hepatite autoimune
Capitulo 00.indd XXXI
8/11/2010 17:06:11
HBD
defensina beta humana
HBV
vírus da hepatite B
HC – FMUSP
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
HCV
vírus da hepatite C
HD
defensinas humanas
HIV
vírus da imunodeficiência humana
HLA
antígeno leucocitário humano
HLA-DR2
antígeno leucocitário humano DR2
HPP
história patológica pregressa
HNPCC
câncer colorretal hereditário não relacionado com a polipose
HNR
hiperplasia nodular regenerativa
HSV
herpesvírus
IBD
identidade por descendência
IBDQ
Inflammatory Bowel Disease Questionnaire
IC
insuficiência cardíaca; intervalo de confiança
ICAM-1
molécula de adesão intracelular 1
ICN
inibidores da calcineurina
IFN-gama
interferon gama
IgA
imunoglobulina A
IgE
imunoglobulina E
IGF-1
fator 1 de crescimento similar à insulina
IGFBP-3
proteína 3 ligante do fator de crescimento similar à insulina
IgG
imunoglobulina G
IgM
imunoglobulina M
IL
interleucina
IL-1ra
antagonista do receptor para IL-1
IL-23R
receptor da interleucina 23
IMC
índice de massa corporal
INCA
Instituto Nacional de Câncer
IRGM
imunidade relacionada com a guanosina trifosfatase família M
ITU
infecção do trato urinário
kcal
quilocaloria
LDL
lipoproteína de baixa densidade (colesterol LDL)
LED
diodo emissor de luz
Capitulo 00.indd XXXII
8/11/2010 17:06:11
LFA-1
antígeno associado à função linfática
LIE
linfócito intraepitelial
LNH
linfoma do tipo não Hodgkin
LSN
limite superior do normal
LPS
lipopolissacarídeos
MAdCAM-1
molécula 1 de adesão celular da mucosa adressina
MALT
tecido linfoide relacionado com a conjuntiva
MDR1
gene de resistência múltipla a medicamentos
MEI
manifestações extraintestinais
MEFV
febre mediterrânea
MMR
genes de reparo de erros de pareamento
MMX
sistema de multimatriz
MP
mercaptopurina
MTX
metotrexato
MUC
mucina
NE
nutrição enteral
NGF
fator de crescimento do nervo
NLR
receptores do domínio de oligomerização de nucleotídios
NOD
domínio de oligomerização de nucleotídios
NYHA
New York Heart Association
NS
estatisticamente não significante
OF
Oxalobacter formigenes
OR
odds ratio
OxCa
oxalato de cálcio
PAF
polipose adenomatosa familiar
p-ANCA
anticorpo perinuclear contra estruturas citoplasmáticas do neutrófilo
PAS
ácido periódico de Schiff
PC-R
proteína C-reativa
PCDAI
índice pediátrico de atividade da doença de Crohn
PCR
reação em cadeia de polimerase
PET
tomografia por emissão de pósitrons
PET-TC
tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia tradicional
PGN
peptidoglicano
PML
encefalopatia multifocal progressiva
Capitulo 00.indd XXXIII
8/11/2010 17:06:11
PMN
polimorfonucleares
PPD
derivado proteico purificado de tuberculina
PTPN2
proteína tirosina não fosfatase tipo receptor 2
PUFA
ácidos graxos poli-insaturados
PXR/NR1I2
receptor pregnano X codificado pelo gene NR1I2
rbGHB
hormônio de crescimento bovino recombinante
RCU
retocolite ulcerativa
RCT
estudos clínicos controlados randomizados
RNA
ácido ribonucleico
RNAm
RNA mensageiro
RR
risco relativo
SAA
amilóide A sérico
SBR
Sociedade Brasileira de Reumatologia
SCBID
síndrome do supercrescimento bacteriano do intestino delgado
SES-CD
escore endoscópico simplificado para doença de Crohn
SF-36
Medical Outcomes Study 36-item Short-Form General Health
SII
síndrome do intestino irritável
SII-C
síndrome do intestino irritável com constipação intestinal
SII-D
síndrome do intestino irritável com diarreia
SII-I
síndrome do intestino irritável indeterminada
SII-M
síndrome do intestino irritável mista
SII-PI
síndrome do intestino irritável pós-infecciosa
SIP
Sickness Impact Profile
SIR
relação sinal interferência
SNC
sistema nervoso central
SNE
sistema nervoso entérico
SONIC
Study of Immunomodulator Naive Patients in Crohn’s Disease
SS
síndromes sensitivas
STAT3
transdutores de sinal e ativadores da transcrição
STIR
tempo curto de recuperação de inversão
TC
tomografia computadorizada
TCAR
tomografia computadorizada do tórax de alta resolução
TCM
triglicerídios de cadeia média
TC-PTP
células T proteína tirosina fosfatase
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TEV
tromboembolismo venoso
TGF-beta
fator beta de transformação do crescimento
TGI
trato gastrintestinal
TGO
transaminase glutâmico-oxaloacética
TGP
transaminase glutamicopirúvica
TH
testes hepáticos
Th1
célula T auxiliar 1
TIPS
shunt transjugular portossistêmico intra-hepático
TL1A
fator 1 de necrose tumoral similar à citocina
TLR
receptor de ligação entre imunidade inata e adquirida
TM
tropomiosina
TN
terapia nutricional
TNE
terapia nutricional enteral
TNF
fator de necrose tumoral
TNF-alfa
fator alfa de necrose tumoral
TNFm
TNF mensageiro
TNFs
TNF em soro
TNFRSF6B
receptor do fator de necrose tumoral superfamília 6B
TNFSF15
ligante de fator de necrose tumoral superfamília 15
TPMT
tiopurina-S-metiltransferase
TRFL
tempo de rotura do filme lacrimal
UDCA
ácido ursodesoxicólico
UICC
União Internacional contra o Câncer
UOAA
United Ostomy Association of America
US
ultrassonografia
USE
ultrassonografia endoscópica
VAP-1
proteína 1 de adesão vascular
VCAM-1
molécula 1 de adesão celular vascular
VEGF
fator de crescimento do endotélio vascular
VHS
velocidade de hemossedimentação
VLA-4
antígeno 4 muito tardio
VO
via oral
VVZ
vírus varicela zoster
WHOQOL
The World Health Organization Quality of Life Instrument
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8/11/2010 17:06:11
Capitulo 00.indd XXXVI
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Epidemologia, Etiologia e Manifestações Clínicas
PARTE I
1
█
Epidemiologia das Doenças Inflamatórias Intestinais, 3
2
█
Etiologia e Patogênese das Doenças Inflamatórias Intestinais: Conceitos Atuais, 13
3
█
Manifestações Clínicas da Doença de Crohn, 25
4
█
Manifestações Clínicas da Retocolite Ulcerativa, 33
Capitulo 01.indd 1
6/11/2010 17:50:28
Capítulo
1
Epidemiologia das Doenças Inflamatórias Intestinais
Laura Cotta Ornellas Halfeld
INTRODUÇÃO As doenças inflamatórias intestinais (DII) compreendem duas formas principais de apresentação: a retocolite ulcerativa (RCU) e a doença de Crohn (DC). Representam um importante problema de saúde pública, já que comprometem jovens em fase economicamente produtiva e têm evolução crônica e recidivante, afetando o estudo, o trabalho e a vida social, com redução da
tratar de um grupo heterogêneo de doenças, nem sempre de fácil diagnóstico, ainda mais difíceis de classificar, com critérios diagnósticos que não são universalmente aceitos e sem padrão-ouro. A literatura médica carece de estudos populacionais bem estruturados. Assim, comparações entre diferentes áreas geográficas ou populações não são muito confiáveis.6 Outro problema que se observa é a clas-
qualidade de vida.1-4 O estudo da epide-
sificação equivocada das DII. Tanto as ma-
miologia das DII é o ponto de partida para
nifestações clínicas quanto os diagnósticos
o seu melhor conhecimento e para o plane-
diferenciais de tais doenças são variados.
jamento de políticas de saúde pública.5
Agentes infecciosos podem ser responsáveis
Os epidemiologistas têm encontrado
por uma parcela dos casos diagnosticados
muitas dificuldades em realizar estudos epi-
como RCU ou DC, identificados tardiamente
demiológicos em razão da heterogeneidade
por intermédio de cultura adequada e técni-
dos grupos étnicos que compõem essas doen-
cas diagnósticas, principalmente em pacien-
ças, da localidade em que elas se inserem
tes com apenas um episódio da doença.7 A
e da falta de pradonização nesses grupos
própria diferenciação entre RCU e DC pode
que gere uma uniformidade. Informações
ser difícil, especialmente no momento do
epidemiológicas precisas sobre incidência e
diagnóstico e antes que o tempo permita a
prevalência das DII são prejudicadas por se
manifestação de características distintas das
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 3
6/11/2010 16:49:42
4
Doenças Inflamatórias Intestinais
doenças. A ocorrência de reclassificação de tais doenças pode ser de até 10% nos dois primeiros anos após o diagnóstico.8 A manifestação das DII pode ser gradual, e os pacientes nem sempre procuram cuidados médicos após o aparecimento dos primeiros sintomas. Isso dificulta a determinação dos agentes que desencadearam o início de atividade da doença. Além disso, como as modalidades diagnósticas geralmente são invasivas e de alto custo, os casos com diagnóstico representam apenas uma parcela da população doente. Estudos baseados em observação de grandes centros de referência podem apresentar distorções por abordarem formas mais agressivas das doenças, subestimando, assim, sua real incidência. Diferenças nos sistemas de registro na área de saúde dos diversos países também contribuem para uma estimativa imprecisa dos casos. A determinação confiável da epidemiologia das DII para determinadas populações pode não ser possível. Com o avanço tecnológico dos métodos diagnósticos e o aumento do conhecimento, as DII são atualmente reconhecidas em todo o mundo. Apesar das limitações metodológicas citadas, observaram-se dados epidemiológicos consistentes e reprodutíveis em diferentes áreas geográficas e etnias, com variações temporais significativas. O aumento da prevalência das DII não parece estar ligado apenas à melhora das técnicas diagnósticas, mas a um verdadeiro aumento no número de casos. A etiologia das DII permanece obscura, mas há evidências de ser multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais.9 Os epidemiologistas podem contribuir para um maior conhecimento da causa e da patogênese das DII ao seguirem
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb Sec2:4
as pistas apresentadas pelas mudanças nas sociedades que fazem a transição da condição de sociedades em desenvolvimento para a de sociedades desenvolvidas.10,11 Durante o processo de desenvolvimento e modernização dos países, as DII despontam, com a RCU aparecendo primeiro, seguida pela DC após um intervalo variável. Tal tendência mundial também pode ser evidenciada em setores menos desenvolvidos da sociedade, como aborígenes que vivem em países desenvolvidos como Nova Zelândia e Canadá. Mudanças no risco de desenvolvimento de DII em emigrantes de países em desenvolvimento para países desenvolvidos apoiam a ideia de que alterações no estilo de vida ou nos fatores ambientais determinam tal tendência. Estudos com imigrantes mostram, inclusive, que a influência ambiental é maior nas primeiras fases da vida. Tem-se especulado que o mecanismo pode envolver mudança na composição ou na atividade metabólica da microbiota comensal que coloniza o hospedeiro no início de sua vida. Como a microbiota comensal influencia a maturação e o funcionamento do sistema imunológico em desenvolvimento, distúrbios na biodiversidade microbiana podem contribuir para variações individuais no comportamento imunológico durante e após a infância. Portanto, uma influência ambiental na microbiota comensal pode justificar grande parte das alterações epidemiológicas encontradas em várias doenças inflamatórias crônicas imunomediadas. Muitas características da vida moderna podem influenciar na exposição a micróbios nas primeiras fases da vida, tais como: mudanças na higiene doméstica, uso de
6/11/2010 16:49:42
Diagnóstico
5
█
Métodos Endoscópicos de Diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 43
6
█
Diagnóstico Histopatológico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 55
7
█
Diagnóstico Radiológico das Doenças Inflamatórias Intestinais, 65
8
█
Diagnóstico Diferencial das Doenças Inflamatórias Intestinais, 79
9
█
Marcadores Sorológicos das Doenças Inflamatórias Intestinais, 91
Capitulo 05.indd 41
PARTE
II
6/11/2010 17:51:24
Capítulo
5
Métodos Endoscópicos de Diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais Marcelo de Souza Cury Mandeep Sawhney
INTRODUÇÃO
estão disponíveis exames radiológicos, soro-
Para o correto diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais (DII), os médicos envolvidos no tratamento desses pacientes têm à sua disposição inúmeras ferramentas, devem conhecer todas as opções disponíveis para melhor utilizá-las e, com isso, chegar ao diagnóstico com o menor
lógicos e endoscópicos. Neste capítulo, serão abordados os métodos endoscópicos e sua indicação para cada caso. Vale ressaltar que os métodos endoscópicos tiveram acentuado progresso nos últimos anos, ganhando destaque não apenas para diagnóstico, mas também para acompanhamento, avaliando a extensão da
número possível de procedimentos. Estima-se que, apesar do uso de todas essas ferramentas, cerca de 7% a 10% dos in-
doença, a resposta terapêutica, a vigilância do câncer de cólon e tratamento endoscópico.
divíduos com DII terão o diagnóstico de coli-
A falta de correlação entre os sintomas
te indeterminada, migrando posteriormente
e a extensão da doença é outra indicação de
para doença de Crohn (DC) ou retocolite
exames endoscópicos, que objetivam identi-
ulcerativa (RCU), e alguns pacientes serão
ficar a gravidade e a extensão do acometi-
1
reclassificados após a evolução da doença.
Estes dados mostram como as primeiras
mento, podendo guiar o ajuste da dosagem ou mesmo definir a necessidade de cirurgia.2
avaliações são importantes para se estabelecer o diagnóstico, principalmente antes do
COLONOSCOPIA
início do tratamento, já que os fármacos podem alterar a apresentação dessas doenças.
Quadros clássicos com diarreia mucossan-
Após a história clínica detalhada e a suspei-
guinolenta crônica e perda ponderal equiva-
ta clínica de DII, entre outros procedimentos,
lem a 50% das apresentações de pacientes
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 43
6/11/2010 16:50:22
44
Doenças Inflamatórias Intestinais
com DII, ao passo que quadros incaracterís-
tornando-se um método amplamente dis-
ticos de dor abdominal, alteração do hábito
ponível em nosso meio, o que faz dele a
intestinal ou mesmo, com menor frequên-
primeira opção para avaliação inicial da
cia, manifestações extraintestinais podem
suspeita de DII ileocolônica.
causar os primeiros sintomas desses indivíduos,3 fazendo com que o gastrenterologista
Durante a avaliação endoscópica, é fundamental
descrever
detalhadamente
ou o médico generalista fiquem atentos à
as lesões encontradas, observando a pro-
possibilidade de DII como melhor modo de
fundidade, assim como a extensão da área
se estabelecer o diagnóstico precoce.
comprometida e a simetria do acometi-
A colonoscopia com exame do íleo
mento. Deve-se notar que o registro des-
terminal continua sendo a principal fer-
critivo não possibilitará ao clínico ape-
4
nas entender o diagnóstico provável e a
devendo ser considerada para todos os
gravidade das lesões, mas também inserir
pacientes sob suspeita clínica, exceto nos
tais informações em classificações e esco-
casos de doença muito grave com risco
res endoscópicos, ajudando com isso em
de megacólon tóxico, para os quais este
análises evolutivas.
ramenta para o diagnóstico das DII,
método apresenta risco aumentado de
O conhecimento da fisiopatologia da
perfuração e a retossigmoidoscopia pode
lesão colônica em cada uma das DII ajuda
ser utilizada com menor risco.
5
a entender os aspectos característicos que
Os riscos atuais da colonoscopia são
facilitam o diagnóstico diferencial, ainda
0,07% de perfuração, chegando a 1% nos
que não exista uma lesão patognomônica.
6,7
enquanto o sangra-
No caso da colite ulcerativa, a apresen-
mento pode ocorrer em até 3/1.000 pacien-
tação endoscópica clássica caracteriza-se
5
tes, com risco de morte de 1 a 3/10.000,
por envolvimento contínuo, iniciando no
caracterizando um procedimento seguro
reto e estendendo-se em direção proximal
em mãos experientes. A colonoscopia vem
(Figuras 5.1 a 5.4). Indivíduos com formas
Figura 5.1 | Retite: notar padrão contínuo, sem áreas poupadas
Figura 5.2 | Retite: detalhe da mucosa
exames terapêuticos,
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 44
6/11/2010 16:50:22
Métodos Endoscópicos de Diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais
Figura 5.3 | RCU: área bem delimitada entre mucosa acometida e mucosa poupada
45
Figura 5.4 | RCU: retite com acometimento difuso
leves apresentarão doença restrita, com per-
Duas manifestações endoscópicas fo-
da da arquitetura vascular, eritema, exsu-
ram descritas em portadores de RCU e me-
dato petequial, friabilidade e hemorragia.
recem atenção para se evitar erro diagnós-
Nos casos mais graves, os pacientes
tico com DC, a primeira caracterizada por
com RCU apresentam macroulcerações
microerosões na região do apêndice cecal
(Figura 5.5), exsudato copioso e sangra-
(Figura 5.6) em indivíduo com lesão típica
mento ativo, que acometem todo o cólon
restrita aos segmentos distais.8
(pancolite). Pseudopólipos e cicatrizes es-
A segunda manifestação é conhecida
tão presentes em pacientes com longos
como ileíte por refluxo e caracteriza-se
períodos de doença, assim como aspecto
por erosões no íleo terminal. Está asso-
tubular com endurecimento, encurtamento
ciada à pancolite e relacionada com in-
e perda de haustrações.
competência da válvula ileocecal com
Figura 5.5 (A e B) | RCU grave com úlceras profundas (A). O mesmo paciente após tratamento – apenas cicatrizes (B)
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 45
6/11/2010 16:50:24
Tratamento
PARTE
10
█
Terapêutica Não Biológica das Doenças Inflamatórias Intestinais, 103
11
█
Terapêutica Biológica das Doenças Inflamatórias Intestinais, 119
12
█
Segurança e Efeitos Adversos dos Medicamentos em Doenças Inflamatórias Intestinais, 137
13
█
Terapêutica Nutricional nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 151
14
█
Tratamento Cirúrgico da Doença de Crohn, 171
15
█
Tratamento Cirúrgico da Retocolite Ulcerativa, 187
16
█
Cuidados nas Ostomias Intestinais, 197
Capitulo 10.indd 101
III
6/11/2010 17:52:14
Capítulo
13
Terapêutica Nutricional nas Doenças Inflamatórias Intestinais Adérson Omar Mourão Cintra Damião Daiana Amarante Marília Pinheiro-César
INTRODUÇÃO Desnutrição, perda de peso e vários outros
Em nível ambulatorial, as porcentagens são menores mas não desprezíveis: até 50% para os portadores de DC e até 40%
déficits nutricionais são comuns nas doen-
para os pacientes com RCU (Figura 13.1).
ças inflamatórias intestinais (DII), em espe-
Além disso, o déficit nutricional relacio-
cial na doença de Crohn (DC). Em pacientes
na-se com a extensão e a gravidade da DII
internados, algum tipo de déficit nutricional
(Figura 13.2).
pode ser identificado em 80% a 90% dos
A American Society for Parenteral
pacientes com DC e em 60% a 70% dos pa-
and Enteral Nutrition (ASPEN) conside-
cientes com retocolite ulcerativa (RCU).1,2
ra os pacientes com DII sob sério risco de
Figura 13.1 (A e B) | Paciente com doença de Crohn e grave desnutrição; notar o emagrecimento e a grande perda de massa muscular (A). Observe a queda de cabelos por má-absorção e hipovitaminose (B)
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 151
6/11/2010 16:52:44
152
Doenças Inflamatórias Intestinais
CAUSAS DE DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS NAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS Vários são os fatores responsáveis pela desnutrição ou quaisquer déficits nutricionais nas DII:1,2 ■
Redução da ingestão oral: de maneira geral, os pacientes com DII não ingerem a sua quota calórica diária, principalmente quando estão em fase ativa da doença. Os pacientes são frequentemente anorécticos em virtude do excesso de citocinas circulantes (p. ex., fator de necrose tumoral [TNF] interleucina 1 [IL-1]) e da redução de micronutrientes como o zinco. Os medicamentos podem trazer desconforto epigástrico
Figura 13.2 | Paciente com doença de Crohn e síndrome de má-absorção intestinal, com grave desnutrição. Observe o extenso comprometimento do intestino delgado no exame de trânsito intestinal
ou dispepsia, o que impede ou minimiza a ingestão adequada de nutrientes. Na DC que cursa com suboclusão intestinal, os pacientes evitam comer por causa do desenvolvimento de dor e
desnutrição, o que requer exame detalhado
distensão abdominal. Por vezes, os pa-
e bem minucioso do estado nutricional do
cientes com DII são advertidos na fase
paciente para detecção das várias deficiên-
de atividade da doença a evitarem uma
cias e subsequente tratamento.3 Esta avalia-
série de alimentos (p. ex., leite e deriva-
ção habitualmente inclui controle do peso
dos, fibras, verduras), o que gera uma
corpóreo, aferição do índice de massa cor-
dieta extremamente restritiva e insufi-
poral (IMC) e determinação de outros parâ-
ciente para preencher as necessidades
metros nutricionais antropométricos como
diárias dos vários nutrientes, vitami-
índice de gordura do braço, circunferência
nas e sais minerais. Passada a fase de
muscular do braço, porcentagem de perda
atividade, alguns pacientes, inadverti-
de peso recente, prega cutânea tricipital e
damente, mantêm tal dieta restritiva,
avaliação da força muscular. Também de-
o que culminará em sérias deficiências
vem ser determinadas as taxas de vitaminas e
nutricionais.
sais minerais, além da dosagem de proteínas
■
Má absorção intestinal: pacientes com
(p. ex., albumina). Em casos selecionados (p.
DC, particularmente
ex., uso crônico de corticosteroide), também
comprometimento extenso do intesti-
se deve solicitar a densitometria óssea.
no delgado (ver Figura 13.2), podem
Book Miolo Doença Inflamatoria.indb 152
aqueles
com
6/11/2010 16:52:44
Distúrbios Funcionais, Sobreposição de Síndromes e Manifestações Extraintestinais
17
█
Distúrbios Funcionais nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 217
18
█
Sobreposição (Overlap) de Síndromes nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 235
19
█
Manifestações Cutâneas das Doenças Inflamatórias Intestinais, 247
20
█
Manifestações Oculares das Doenças Inflamatórias Intestinais, 257
21
█
Colangite Esclerosante Primária e Transplante Hepático nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 273
22
█
Alterações de Testes Hepáticos nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 283
23
█
Alterações Renais nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 291
24
█
Manifestações Reumatológicas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 299
25
█
Fibromialgias nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 307
26
█
Manifestações Pancreáticas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 313
27
█
Manifestações Torácicas nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 319
Capitulo 17.indd 215
PARTE
IV
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Capítulo
22
Alterações de Testes Hepáticos nas Doenças Inflamatórias Intestinais Luciana Teixeira de Campos Cella Columbano Junqueira Neto
INTRODUÇÃO Muitas publicações científicas têm identificado achados patológicos no fígado e nas vias biliares de pacientes com doença inflamatória intestinal (DII). Uma ampla gama de doenças hepatobiliares já foi descrita em pacientes com doença de Crohn (DC) e retocolite ulcerativa (RCU): colangite esclerosante primária (CEP), esteatose hepática, colelitíase, hepatite autoimune (HAI), hepatites virais, cirrose, hemocromatose, colangiocarcinoma
doença é minuciosamente discutida no Capítulo 21, Colangite Esclerosante Primária e Transplante Hepático nas Doenças Inflamatórias Intestinais. Entretanto, uma parcela considerável de pacientes com DII apresenta anormalidades aos exames de avaliação hepática sem que se possa encontrar um diagnóstico etiológico preciso. Neste capítulo, discursaremos sobre possíveis causas de alterações de testes hepáticos diferentes da CEP e a devida conduta frente a essa situação.
(CCA), metástases hepáticas, entre outras. A maior parte dessas doenças não apresenta correlação comprovada com DII. Um estudo realizado em 2003 encontrou maior frequência de esteatose hepática e de colelitíase em pacientes com DII do que no grupo-controle, mas esse achado ainda carece de confirmação.
DOENÇAS HEPÁTICAS CRÔNICAS E ALTERAÇÕES DE TESTES HEPÁTICOS ASSOCIADOS À DII █ Prevalência A prevalência de doença hepatobiliar crônica nos pacientes com DII parece ser
A patologia mais contundentemente
baixa. Entretanto, com base em estudos
associada às DII é a CEP, que acomete
científicos realizados até o momento, não
em torno de 5% dessa população. Essa
é possível estimar com fidedignidade essa
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288
Doenças Inflamatórias Intestinais
Figura 22.1 Controle da disfunção hepática induzida pelo uso de tiopurinas (adaptado de Gisbert e cols., 2007.)
que as tiopurinas induziram uma icterícia
hepatotoxicidade ao tratamento (elevação
colestática grave e progressiva a despeito
de testes hepáticos maior que duas vezes o
da suspensão do tratamento. Dessa forma,
limite da normalidade). Desses, sete apresen-
se icterícia clinicamente significativa ocor-
taram elevação moderada a intensa de tes-
rer associadamente a alteração de exames
tes hepáticos e tiveram a dosagem de AZA
hepáticos, deve-se interromper imediata-
reduzida, e em cinco (3,6%) foi necessário
mente a administração das tiopurinas.
suspender o uso do fármaco por persistên-
A principal limitação dessas recomen-
cia das alterações após redução da dose em
dações é a falta de definição a respeito dos
50%. Outros 12 pacientes tiveram seu tra-
níveis de alterações de exames considerados
tamento com tiopurinas interrompido de-
leves ou moderados/intensos. O grupo espa-
vido a outros problemas como intolerância
nhol de Gisbert e cols., em 2007, tolerou elevações de transaminases, fosfatase alcalina (FA) e gamaglutamil transferase (GGT) de até cinco vezes o limite da normalidade sem alterar as doses de AZA. A dose foi reduzida em 50% em pacientes com exames em níveis acima de cinco vezes os valores normais, na
gastrintestinal, mielotoxicidade, pancreatite, pneumonia e reação de hipersensibilidade. Recomendações para acompanhamento de pacientes com DII em tratamento com tiopurinas
ausência de icterícia, e houve suspensão do
Um estudo realizado no Canadá e publica-
uso do medicamento nos casos de icterícia
do em 2001 mostrou que a monitoração de
colestática intensa. Em 138 pacientes in-
enzimas hepáticas em pacientes com DII em
cluídos no estudo, apenas 18 apresentaram
uso de tiopurinas não é uma prática unâni-
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Alterações de Testes Hepáticos nas Doenças Inflamatórias Intestinais
me: apenas 62% dos médicos interrogados o faziam. Mesmo que não haja evidência de que esse acompanhamento seja eficaz, parece recomendável fazê-lo frente à frequência de alterações encontradas, mesmo em indivíduos assintomáticos. Além disso, se forem diagnosticadas tardiamente, alterações laboratoriais significativas podem levar à doença hepática crônica progressiva. O tratamento específico com 6-TG deve ser reservado como terapia de resgate para pacientes com intolerância ou que não respondem a aminossalicilatos, AZA/6-MP, metotrexato e infliximabe, preferencialmente se o tratamento cirúrgico não for apropriado. Vários trabalhos
289
sadas nessa situação. Nos pacientes em que não se consegue definir uma causa precisa, deve-se considerar alteração secundária ao uso de fármacos, especialmente de tiopurinas. Mais estudos fazem-se necessários para definição de como deve ser realizado o acompanhamento de pacientes que utilizam essa classe de medicamentos e para o estabelecimento de limiares precisos para indicação da suspensão ou redução do fármaco utilizado. Enquanto essas questões não são resolvidas, parece prudente não dispensar o acompanhamento desses pacientes e estar atento a elevações de exames a níveis incomuns, intercedendo se houver suspeita de lesão hepática permanente.
publicados chegam a desaconselhar o uso desse medicamento por não se ter demonstrado, até o momento, a reversibilidade das alterações por ele provocadas após suspensão do uso. Mesmo entre os grupos que utilizam a 6-TG, as recomendações são de que a dose não exceda 25mg diários e que exames laboratoriais de rotina sejam realizados a curtos intervalos. Biópsia hepática é recomendada após 6 a 12 meses de tratamento e depois a cada três anos, assim como a endoscopia digestiva alta, para monitoração de potencial hepatotoxicidade. O uso do medicamento deve ser suspenso em caso de hepatotoxicidade comprovada clínica ou histologicamente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Alterações de testes hepáticos são frequentes em pacientes com doença inflamatória intestinal. Doenças hepáticas crônicas prévias ou associadas à DII devem ser pesqui-
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REFERÊNCIAS Abad-Lacruz A, González-Huix F, Esteve M, Fernández-Bañares F, Cabré E, Boix J, et al. Liver function tests abnormalities in patients with inflammatory bowel disease receiving artificial nutrition: a prospective randomized study of total enteral nutrition versus total parenteral nutrition. JPEN J Parenter Enteral Nutr 1990; 14:618-21. Bargiggia S, Maconi G, Elli M, Molteni P, Ardizzone S, Parente F, et al. Sonographic prevalence of liver steatosis and biliary tract stones in patients with inflammatory bowel disease: study of 511 subjects at a single center. J Clin Gastroenterol 2003; 36:417-20. Bastida G, Nos P, Aguas M, Beltrán B, Rubín Á, Dasí F, Ponce J. Incidence, risk factors and clinical course of thiopurine-induced liver injury in patients with inflammatory bowel disease. Aliment Pharmacol Ther 2005; 22:775-82. Daniel F, Cadranel JF, Seksik P, Cazier A, Duong van Huyen JP, Ziol M, et al. Azathioprine induced nodular regenerative hyperplasia in IBD patients. Gastroenterol Clin Biol 2005; 29:600-3. De Boer NKH, Mulder CJJ, van Bodegraven AA. Myelotoxicity and hepatotoxicity during azathioprine therapy. Neth J Med 2005; 63:444-6.
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Neoplasia e Doenças Inflamatórias Intestinais
PARTE
28
█
Rastreamento de Neoplasia Colônica em Portadores de Doenças Inflamatórias Intestinais, 329
29
█
Câncer Colorretal, 337
30
█
Câncer de Cólon em Doenças Inflamatórias Intestinais – Tratamento Cirúrgico, 347
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V
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Capítulo
29
Câncer Colorretal
Nora Manoukian Forones
INTRODUÇÃO O câncer colorretal (CCR) é uma das principais neoplasias malignas, com mais de 1 milhão de casos novos descritos mundialmente por ano, com maior frequência nas cidades industrializadas. É a quarta incidência de câncer no Brasil, sendo a terceira em mulheres e a quinta em homens. Dados publicados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimavam que cerca de 28 mil casos seriam diagnosticados em 2010 no Brasil. A maioria dos indivíduos acometidos tem mais de 50 anos, e a proporção é semelhante entre os sexos. Em 70% dos casos, localiza-se no cólon descendente, no sigmoide e no reto. Os tumores são em sua maioria epiteliais (95%), sendo o adenocarcinoma diagnosticado em 90% dos casos. O tumor estromático, o tumor estromático gastrintestinal (GIST, do inglês gastrointestinal
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stromal tumor), os carcinomas e os sarcomas perfazem os demais 5%.
ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO São considerados principais fatores de risco: faixa etária acima de 50 anos e ingestão de dieta rica em gorduras. A dieta rica em fibras, principalmente quando associada à ingestão de vitaminas antioxidantes (A, C, D), comumente presentes em frutas e verduras, tem efeito protetor. O selênio, presente na couve, no brócolis e na couvede-bruxelas, e o zinco, presente no solo, também têm efeito protetor. Na maioria dos casos, o CCR é do tipo esporádico, mas em 15% a 20% a causa é hereditária. A polipose adenomatosa familiar (PAF), o câncer colorretal hereditário não relacionado com polipose (HNPCC, do inglês hereditary
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Câncer Colorretal
341
Tabela 29.1 | Estadiamento do câncer colorretal Estádios I
T
N
M
Dukes
Astler Coller
T1 a 2
N0
M0
A
A
II
A
T2
N0
M0
A
B1
II
B
T3 a 4
N0
M0
B
B2
III
A
T1 a 2
N1
M0
C
C1
III
B
T3 a 4
N1
M0
C
C2
III
C
Tq
N2
M0
C
C3
Tq
Nq
M1
D
D
IV
T: tumor; N: linfonodos; M: metástase; T1: invasão de mucosa, T2: invasão de músculo; T3: invasão de serosa ou gordura; T4: invasão através da serosa para outros órgãos; Tq: qualquer dos T; Nq: qualquer dos N; M0: sem metástases a distância; M1: com metástases a distância; N0: sem metástase linfonodal; N1: (1 a 3) linfonodos comprometidos; N2: ≥4 linfonodos comprometidos.
TRATAMENTO █ Tratamento cirúrgico
Em todos os casos, a retirada do tumor primário deve ser acompanhada de linfadenectomia regional com pelo me-
O tratamento cirúrgico do câncer de cólon
nos 12 linfonodos ressectados (retira-
depende da localização e da extensão do
da em bloco). As colectomias direita ou
tumor. Mesmo em pacientes com doença
esquerda são as ressecções preconizadas
metastática, pode ser realizada a ressec-
para tumores de cólon direito e esquerdo,
ção cirúrgica do tumor primário para se
respectivamente. A ressecção dos coleto-
evitar sangramento ou futuras obstruções.
res linfáticos regionais principais em uma
Algumas medidas intraoperatórias são pre-
colectomia só pode ser alcançada com a
conizadas para prevenir a disseminação
ligadura dos pedículos vasculares na sua
do tumor, que pode ser provocada pela
origem. Assim, na colectomia direita, as
intervenção do cirurgião, na implantação
ligaduras dos vasos ileocólicos, da artéria
local na cavidade abdominal ou na disse-
cólica direita e do ramo direito da cólica
minação tumoral, pela circulação. Assim,
média são essenciais; da mesma forma,
recomendam-se medidas profiláticas como
na colectomia esquerda, as ligaduras do
ligaduras prévias de pedículos vasculares
ramo esquerdo da cólica média, da cóli-
relacionados com a localização do tumor,
ca esquerda e da mesentérica inferior são
ligaduras oclusivas dos cólons, revestimen-
necessárias. Em tumores do cólon trans-
to da ferida operatória por compressas ou
verso, pratica-se a colectomia ampliada,
campos operatórios, irrigação da cavidade
direita ou esquerda, conforme o posicio-
peritoneal com solução cristaloide e uso de
namento do tumor, sendo a artéria cólica
instrumentos e luvas novos no fechamento
média ligada em situações de emergência.
da parede abdominal.
As anastomoses são geralmente feitas com
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342
Doenças Inflamatórias Intestinais
sutura manual, não havendo diferenças de resultados quanto às técnicas empregadas. Na ressecção anterior do reto ou retossigmoidectomia, as ligaduras dos pedículos mesentéricos são essenciais, sendo os vasos venosos ligados previamente. As anastomoses colorretais também podem ser feitas com grampeamento ou sutura manual, não havendo diferenças nos resultados.
Estima-se que apenas 5% dos cânceres de reto se enquadrem nesses parâmetros de indicação de ressecção local. Essa indicação pode representar uma grande vantagem, caso se considere que a opção alternativa é a amputação abdominoperineal do reto, com colostomia definitiva. Nos casos de câncer colorretal com metástase hepática, a ressecção segmentar hepática pode possibilitar a cura do pa-
No câncer de reto, o uso de grampea-
ciente. São fatores de melhor prognóstico:
dores (stapplers) possibilita maior número
tumor único menor que 5cm, CEA menor
de anastomoses, diminuindo as ressecções
que 200ng/mL, diagnóstico da metástase
abdominoperineais radicais com colosto-
um ano após a detecção do tumor primá-
mias definitivas. Nesse tipo de tumor, a
rio, linfonodos regionais não comprometi-
ressecção do mesorreto proporciona me-
dos pelo tumor do intestino e ressecção da
nor risco de recidiva local, sendo necessá-
metástase com margens livres.
ria sua realização de rotina. A ressecção
As ressecções hepáticas ainda repre-
do mesorreto pode ser feita de maneira
sentam procedimentos complexos, e obtêm
ampla nos tumores de reto médio e baixo
maior sucesso quando realizadas por ci-
quando se ressecta todo o envolvimento
rurgiões especializados. Assim, o emprego
de tecido conjuntivo em torno do segmen-
de US intraoperatória na investigação mais
to médio do reto na pelve, com preserva-
acurada das lesões hepáticas, a utilização
ção do plexo hipogástrico. Nos tumores
de instrumental adequado e de equipamen-
do segmento distal do reto, está indicada
tos que produzam hemostasia efetiva e o
a ressecção local do mesorreto até o limi-
trabalho em equipe são condições necessá-
te da musculatura do assoalho pélvico. À
rias para a obtenção de bons resultados.
medida que o tecido do mesorreto é ressectado, a probabilidade de recidiva local diminui; no entanto, os riscos de complicações anastomóticas aumentam. Em pacientes selecionados, é possível realizar ressecção cirúrgica local do câncer de reto com resultados satisfatórios. Assim, essa técnica pode ser empregada em adenocarcinomas de baixo grau, menores do que 3cm, confinados à parede do reto, distantes até 6cm da transição anorretal e cuja ecoendoscopia anorretal não demonstre comprometimento linfático regional.
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█ Tratamento quimioterápico e/ou radioterápico Câncer de cólon Os pacientes com câncer em estádio I não necessitam de quimioterapia adjuvante (pós-operatória). Naqueles com câncer em estádio III, o esquema com 5-fluorouracil (5-FU) associado ao ácido folínico (AF) aumenta a sobrevida e diminui o percentual de recorrência em 30%. O 5-FU é administrado na dosagem de
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Gravidez, Infecções, Pediatria, Idosos e Qualidade de Vida nas Doenças Inflamatórias Intestinais
PARTE
31
█
Gestação e Doenças Inflamatórias Intestinais, 359
32
█
Doenças Inflamatórias Intestinais e Infecções, 369
33
█
Doenças Inflamatórias Intestinais em Crianças e Adolescentes, 377
34
█
Doenças Inflamatórias Intestinais em Idosos, 401
35
█
Qualidade de Vida nas Doenças Inflamatórias Intestinais, 405
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VI
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Capítulo
32
Doenças Inflamatórias Intestinais e Infecções Dídia Bismara Cury Silvia Naomi de Oliveira Uehara
INTRODUÇÃO Os quadros infecciosos do trato gastrintestinal estão profundamente relacionados com as doenças inflamatórias intestinais (DII). As infecções fazem parte das possíveis teorias etiopatológicas, e novas tentativas terapêuticas que atribuem efeito protetor à exposição a certos parasitas e, por outro lado, bactérias, parasitos, fungos e vírus podem exercer importante papel no desencadeamento, na exacerbação e na recidiva das DII, além de poderem complicar as fases de imunossupressão a que os pacientes são submetidos em algumas situações. Agentes como o Clostridium difficile, têm sido apontados como importantes patógenos que podem estar associados às doenças inflamatórias, e estudos desenvolvidos na América do Norte revelam o dobro do aumento de sua incidência nessa população quando comparada à década passada. Os gastos com o tratamento dessa
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condição variam em torno de US$436 milhões a US$3 bilhões. Um recente estudo publicado em 2010, por Ananthakrishnan e cols.,1 demonstrou que 2,9% de todos os pacientes que tinham DII e foram hospitalizados em 2007 desenvolveram complicações por Clostridium durante o período de hospitalização. No passado acreditava-se que o Clostridium pudesse apenas causar a colite pseudomembranosa devido ao uso contínuo de antibióticos; hoje, sabe-se que ele pode gerar megacólon tóxico, colites fulminantes, falência de múltiplos órgãos e sepse, com possibilidade de levar ao óbito Dentre os fatores de risco têm sido apontados o uso de antibióticos, imunossupressores e a doença colônica extensa, principalmente em portadores de DC com comprometimento colônico exclusivo e na retocolite ulcerativa complicada (extensa). Acredita-se que nesses pacientes ocorra a ruptura da mucosa colônica, o que gera
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374
Doenças Inflamatórias Intestinais
Tabela 32.1 | Vacinas e recomendações de uso em pacientes com DII imunossuprimidos
Doença
Tipo de vacina
Recomendação para pacientes imunocomprometidos
Difteria*
Anatoxina purificada
Recomendada
Tétano*
Anatoxina purificada
Recomendada
Poliomielite*
Via oral: vírus vivo atenuado
Contraindicado
Injetável: vírus inativado
Recomendado
Coqueluche#
Antígeno acelular
Autorizado
Hepatite B
Peptídio recombinante
Recomendado
Doença pneumocócica
Antígeno capsular purificado 23-valente
Recomendado
Antígeno capsular conjugado 7-valente
Autorizado
Influenza
Vírus inativado
Recomendado
Papilomavírus humano†
Proteína recombinante L1
Autorizada
Sarampo, caxumba e rubéola
Vírus vivo atenuado
Contraindicado
Varicela‡
Vírus vivo atenuado
Contraindicado
Vírus inativado
Autorizado
Febre amarela
Vírus vivo atenuado
Contraindicado
Cólera§
Via oral, bactérias mortas
Usar com cuidado
Via oral, bactérias vivas
Contraindicadas
Conjugado polissacarídico C
Autorizado
Polissacáride combinado A+C
Autorizado
Polissacáride combinado A+C+W+Y*
Autorizado
Febre tifoide
Polissacáride capsular Vi
Autorizado
Raiva
Vacina derivada de cultura celular
Autorizada
Doença por Haemophilus influenzae B
Antígeno capsular polissacarídico conjugado
Autorizado
Tuberculose
Bacilo de Calmette-Guérin (BCG) vivo
Contraindicado
Hepatite A§ §
§
Doença meningocócica
§
* Pacientes adultos com DII devem receber vacinação combinada contra tétano e difteria, além da vacina contra poliomielite a cada 10 anos. # Dose de reforço pode ser administrada pelo menos uma vez a adultos, seguindo-se a recomendação de cada país. † Em mulheres jovens com DII, a vacinação contra HPV deve ser oferecida; deve ser usado o mesmo esquema recomendado para a população geral. ‡ Deve ser aplicada antes de se iniciar tratamento com agentes imunossupressores, sendo o melhor momento o do diagnóstico. § Vacinas indicadas para prevenir as “doenças dos viajantes”, ou em situações de surtos e/ou epidemias.
Fonte: Viget e cols. (2008)8; Sands e cols. (2004).9
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Doenças Inflamatórias Intestinais e Infecções
três meses após o término da terapia bioló-
■
375
Viagens e/ou visitas a áreas endêmicas
gica, ou então observar se há elevação das
para doenças granulomatosas, história
aminotransferases ao longo do tratamento
prévia de contato com as mesmas.
e iniciar medicação caso ocorra. Quanto à
■
Histórico vacinal completo (BCG, vari-
infecção pelo vírus da hepatite C, não há
cela, tétano, difteria, poliomielite, rubéo-
medida preventiva a ser adotada se estiver
la, caxumba, sarampo, hepatite B); caso
presente em candidatos a tratamento com
haja dúvidas, deve-se solicitar sorologias
anti-TNF, a não ser acompanhar as enzi-
e vacinar, se for necessário e se a condi-
mas hepáticas periodicamente.11
ção imunológica do paciente permitir.
Em pacientes com infecção pelo vírus
■
da imunodeficiência humana (HIV), deve-se
Exame físico: •
Procurar sinais de infecções sistê-
avaliar o nível de linfócitos T-CD4+; se es-
micas ou de infecções localizadas
tiver acima de 500 células/L e estável, em
ativas.
vigência de uso de antirretrovirais, pode-se
•
Avaliação dentária.
considerar o uso de imunossupressores e
•
Avaliação ginecológica.
anti-TNF.
■
Exames complementares: •
INFECÇÃO COMO TERAPIA PARA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL Embasados na teoria da higiene, segundo a qual a exposição à infecção por helmintos diminui a chance de desenvolvimento de DII, foram realizados pequenos estudos com o emprego de ovos de Trichuris suis, tanto para DC como para RCU, e observou-se melhora clínica. Também foi testado Necator americanus, mas para todos há necessidade de estudos com maior casuística, randomizados e controlados.12-14
RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PREVENÇÃO DE INFECÇÃO EM PACIENTES CANDIDATOS A IMUNOSSUPRESSÃO E USO DE ANTI-TNF6 A história clínica deve ser detalhada, contemplando:
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Derivado proteico purificado de tuberculina (PPD, do inglês purified protein derivative of tuberculin).
•
Contagem de leucócitos, neutrófilos, linfócitos (se houver linfopenia, sugere-se contagem de T-CD4+).
•
Proteína C-reativa (PC-R).
•
Urina tipo 1.
•
Sorologias para vírus varicela-zoster (VVZ), citomegalovírus (CMV), vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), vírus da imunodeficiência humana (HIV).
•
Protoparasitológico.
•
Radiografia de tórax.
•
Biópsia hepática em pacientes com evidência de alterações hepáticas.
REFERÊNCIAS 1. Ananthakrishnan AN, McGinley EL, Binion DG, Saeian K. Simple score to identify colectomy risk in ulcerative colitis. Inflamm Bowel Dis 2010; 16(9): 1532-40.
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Doenças Inflamatórias Intestinais
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