6-Conflito Ibérico

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Artigo

CONFLITO IBÉRICO-HOLANDÊS: PORTUGAL EM DESTAQUE Por Felipe Castanho

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om base na historiografia corrente este artigo tem como objetivo principal apresentar um panorama conciso do conflito entre as Republicas das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos48 e Portugal, ocorrido entre os séculos XVI e XVII. Entretanto não iremos abordar este processo de uma perspectiva exclusiva da América portuguesa, tendo em vista que tal conflito normalmente nos remonta as invasões holandesas no período colonial, pretendemos, portanto realizar um caminho inverso, procurando demonstrar desta maneira à amplitude e dimensão deste conflito que vão além das questões relacionadas à possessão portuguesa na América. O início: Guerra dos Oitenta Anos O conflito ibérico-holandês 1568-1669 é considerado para o brasilianista Boxer, como o primeiro conflito de escala mundial e que este teria se tratado na verdade da “primeira guerra mundial”, pois as batalhas travadas durante o conflito ocorreram em quatro continentes, o que de fato ultrapassa a questão geográfica da Grande Guerra. Assim a guerra não teria sido travada só nos campos de Flandres e no mar do Norte, como também em regiões tão remotas como o estuário do Amazonas, o interior de Angola, a ilha de Timor e a costa do Chile”49. Muitos contestam esta visão dizendo que o número de vítimas da Grande Guerra foi absurdamente superior, mas em contrapartida se compararmos a população neste período com certeza encontraremos um número incomparavelmente inferior. Mas o que verdadeiramente importa é que foi um conflito de grandes proporções e que teria sido travado em todo o império colonial dos Habsburgos e posteriormente nas “conquistas portuguesas”. O início se dá para a Espanha, em 1568 quando Guilherme I de Orange decide afastar o impopular Duque de Alba de Bruxelas, esta atitude não terá muito

apoio e Guilherme I se vê forçado a fugir. Em 1579 a Espanha cria a União de Arras e reforça o catolicismo nos territórios que englobam esta união, lembrando que são territórios onde o protestantismo se afirmava cada vez mais. Em contrapartida Guilherme I une os estados protestantes na União de Utrecht (1581) igualmente denominada República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, Estados Gerais e ou República Holandesa. A guerra para a Espanha termina com o tratado de Münster (1648) que reconhecia a Independência das Províncias Unidas.

“Herdei-o, comprei-o, conquistei-o” Entretanto o caminho se torna meandroso em 1580 quando ocorre a célebre União Ibérica que resultaria na entrada de Portugal no conflito. Todavia o confronto de verdade chega para Portugal somente por volta de 1598-9 com o ataques das Províncias Unidas as ilhas de São Tomé e Príncipe. A guerra seria mais longa para os portugueses terminando somente em 1668-9 mesmo com movimento de Restauração, que elevaria uma nova dinastia em Portugal, notadamente a dos Braganças (1640-1) – e que consequentemente separaria novamente as Coroas Ibéricas - e com o tratado de paz de Haia sendo assinado em 1661. Como Portugal será o nosso principal objeto de estudo neste artigo, apesar da Espanha ser o pivô desta história - afinal a Holanda havia se revoltado contra esta nação e não contra aquela – iremos nos ater somente a parte lusa da história, e para compreendermos melhor sua participação neste conflito, se faz necessário lançar luzes sobre a União Ibérica. Dois países um só Império , onde o sol nunca se põe

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Atualmente conhecemos tal país como Holanda, que na verdade é a província mais destacada das sete que são Frísia, Groningen, Güeldres, Overijssel, Utrecht e Zelândia. 49 BOXER, C. R.; O império marítimo português 1415-1825; 3º reimpressão; companhia das letras 2008; página 120.

União Ibérica, assim ficou conhecido o período de união das Coroas espanholas e portuguesa em uma só, ela durou de 1580 até 1640 quando ocorre o período da Restauração. A união e ocasionada quando d. Sebastião – soberano de Portugal – morre em 04 de agosto de


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