
1 minute read
Um rebranding para o exercício físico
Ilustração por Pedro Magalhães
Se pouquíssima gente duvida que exercício faz bem à saúde, por que uma considerável parcela da população é inativa?
Advertisement
Michelle Segar (Universidade Michigan), cientista comportamental e autora do best-seller “No Sweat” (Sem suor), busca explicações ancoradas na ciência a essa questão. E assim demole um tanto de baboseiras motivacionais instagramáveis a que estamos cansados de assistir por aí...
Num estudo com pais e mães de filhos dependentes –um grupo sabidamente refratário à prática de atividade física–, a pesquisadora notou que aqueles que almejavam se exercitar por objetivos estéticos ou de saúde tendiam a desistir em um ano.
Já os que se aventuravam em atividades autopercebidas como prazerosas e revitalizantes tinham mais chances de se manterem ativos em longo prazo.
Segar entende que o prazer imediato que o exercício proporciona é a fonte mor de motivação para o engajamento num estilo de vida ativo. Por outro lado, a pesquisadora aponta indícios de que os benefícios terapêuticos da atividade física –embora sejam muitos e amplamente conhecidos– não convencem per se as pessoas a serem ativas. Isso ocorre porque nossas decisões são fortemente influenciadas pela expectativa de como a adoção de determinado comportamento nos fará sentir.
A melhora da aparência, a perda de peso e a redução de alguns miligramas de colesterol são desfechos bem-vindos com a prática regular de atividade física. Todavia, segundo Segar, o efeito afetivo imediato do exercício, manifestado, por exemplo, em redução de estresse, aumento de vitalidade e melhora de bem-estar geral –e, sobretudo, como isso impacta positivamente as relações interpessoais (família, amigos, conhecidos) e outros aspectos cotidianos (trabalho, lazer, jogos recreativos, viagens ao caribe, observações) –, pode ser um estímulo motivacional mais poderoso na aderência à vida ativa.
por Bruno Gualano Professor da Faculdade de Medicina da USP. Especialista em Fisiologia do Exercício,





