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Eu, visto pelo meu olhar

Sempre que alguém me pede para me definir enquanto pessoa, eu tento desviar o assunto, porque é sempre difícil e constrangedor falar de nós próprios. O mesmo não acontece quando o objetivo é apontar qualidades e defeitos das pessoas que nos são próximas. Isto verifica-se pelo facto de haver situações que tenho vergonha de partilhar.

Quem fui? Quando ainda não sabia ler nem

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escrever, os meus pais dizem que eu era muito dócil e carinhoso, mas também era um “castigo” para eles, a hora de me deitar.

Frequentei o Colégio do Sardão dos três aos nove

anos, contudo a minha adaptação à rotina de sair de casa para estar com pessoas que não me eram familiares foi extremamente difícil. Para além disso, eu era uma criança muito introvertida, de tal forma que não era de todo normal e portanto precisei de atendimento psicológico, semanalmente, de forma a despertar em mim algum à-vontade social. Posso dizer que resultou, tendo em conta que o ensino primário correu bastante bem a todos os níveis, inclusivamente social. Comecei o ensino básico na Escola Básica Soares dos Reis, tendo saído no sexto ano por opção dos meus pais.

Quem sou? Neste momento estudo no Colégio Internato Claret, que frequento desde o sétimo ano e estou bastante satisfeito pela mudança. Considero-me um ser humano atencioso, simpático e respeitador. Um dos meus

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principais defeitos, para além da teimosia, é ser pouco lutador, no sentido em que olho sempre com muita tranquilidade para a maioria das situações e nem sempre dou o meu máximo para atingir os meus objetivos. E como nem tudo é perfeito, sinto que este ano não está a correr como imaginava a nível escolar, algo que desperta em mim alguma ansiedade pelo futuro que me espera e isto precisamente pelo defeito que referi.

Quem serei? Olhando para o futuro próximo, a minha meta é acabar o secundário e entrar na Universidade do Porto, (FEUP) em engenharia eletrotécnica. Tenho plena consciência de que para isso ainda vou ter de suar muito e que a ida para a faculdade não é um mar de rosas, mas é na universidade que eu vou adquirir conhecimentos/aptidões que me distinguem dos outros e um currículo mais completo, para posteriormente, se possível, me empregar num sítio que me faça ter um propósito na vida. Em termos familiares e pessoais, quero também casar e construir uma família ao lado de uma mulher que me faça feliz.

Concluindo, não posso de maneira alguma comparar os momentos negativos da minha existência com os de Fernando Pessoa, até porque, no cômputo geral, considero que tenho vindo a construir uma vida com sentido, que me faz crescer em todos os aspetos, e espero que assim seja pelo futuro fora.

Gonçalo Fernandes

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