pontofinal Projeto Experimental dos alunos do 8º semestre de Jornalismo da Unimep
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Sábado, 5 de dezembro de 2009
Clareana Marrafon
Rodrigo Kivitz
Editor do Folhateen: texto arejado e visual descontraído
CQC traz inovação à TV aberta ao propor informação com humor Ganhador de diversos prêmios, entre os quais o de Melhor da TV Aberta, em outubro deste ano, pela campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania, o CQC (Custe o Que Custar), da Rede Bandeirantes de TV, é considerado por críticos e pesquisadores de mídia como uma das principais novidades na televisão brasileira na atualidade. A fórmula, que nasceu na Argenti-
Jornalismo de jeans e tênis
na, mistura elementos de jornalismo e entretenimento e adota o humor como estratégia para divertir e informar. A irreverência de seus ‘repórteres’ e humoristas atrai a audiência principalmente do público adolescente e jovem e também a atenção de especialistas em jornalismo, que advertem para os riscos do formato, que conflita com muitos dos princípios básicos da atividade informativa. Página 5
surrado
Andréa Bombonatti
Manifestação em Campinas pede afastamento do presidente do Senado
É assim mesmo, de calça jeans, camiseta e tênis, que o editor e os três repórteres do Folhateen trabalham. Na redação da Folha de S. Paulo, as mesas dos jornalistas do suplemento estão apinhadas de livros, CDs e objetos curiosos, como um macaco de pelúcia e uma
cartola – igual às usadas por mágicos. Claro, também têm os computadores e papéis espalhados. A ‘desorganização’ e o estilo despojado, entretanto, não se restringem ao ambiente de trabalho. Devem ser marcas do suplemento que produzem, um jornal feito
para adolescentes e jovens e que precisa concorrer com a rapidez e a interatividade da Internet. Esse tipo de iniciativa não é apenas da Folha. Está presente também em jornais do interior e visa atrair o interesse dos jovens para a leitura dos impressos. Página 3
Valor usa Internet para ampliar acesso à economia Christianne Abila
Atos secretos ganham destaque graças à TV Um “furo” do jornal O Estado de S. Paulo, em junho deste ano, movimentou a agenda política do país. O presidente do Senado, José Sarney, acusado de manter atos secretos na instituição, se transformou em alvo da Justiça, de amplos setores da população e principalmente de seus adversários políticos. Apesar do caso ter se originado no Estadão, para especialistas em mídia, só ganhou tamanha repercussão após ser noticiado também pelas redes de televisão aberta do país.
Sala de Visitantes da Bovespa – Centro ‘nervoso’ do sistema financeiro
Ao lado do jornal, a TV é considerada um dos principais canais de formação da opinião pública no Brasil, pois é o meio de comunicação de maior alcance e abrangência. A repercussão do assunto foi tão grande que resultou em pedidos de cassação e afastamento de Sarney do cargo e também na censura ao Grupo Estado, determinada por um desembargador do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), a pedido do empresário Fernando Sarney, filho do senador. Página 4
Fotojornalismo:
Os artigos “Novas Tecnologias, Comunicação e Formação Continuada”, “Mercado de trabalho exige especialização” e “Jornalismo na era digital” discutem as interfaces entre mídia e sociedade e apresentam reflexões sobre o futuro da comunicação e do jornalismo. Página 2
Vanessa Faria
Mídia e sociedade
A Internet provoca alterações diárias na forma com que os meios de comunicação transmitem informações ao público. Em todas as áreas, o jornalismo online ganha não só em velocidade, mas em inúmeras possibilidades de enriquecer a qualidade do noticiário e também proporcionar participação e diálogo com os internautas. As possibilidades da rede já são amplamente exploradas pelo Valor Econômico, veículo de informação especializado em economia. Os responsáveis pelo produto, entretanto, acreditam que ainda estão tateando na nova mídia, que poderá mudar radicalmente a forma de divulgação de dados econômicos. As mudanças beneficiam a todos, desde banqueiros e grandes empresários a pequenos produtores rurais. Página 6
Desafio é retratar a história e o cotidiano Desde o seu nascimento a fotografia teve impacto sobre o jornalismo, pois a imagem, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas um complemento da informação. Em muitas situações ela revela a notícia toda, passa a mensagem de forma direta e com a rapidez de um flash. Também acrescenta credibilidade e aproxima o leitor do fato. O fotojornalismo brasileiro está repleto de profissionais com elevada capacidade técnica e sensibilidade, capazes de traduzir a realidade através de imagens que ajudam a construir a história do país. Parte significativa desta história é contada por fotos vencedoras do Prêmio Esso de Jornalismo, que confere reconhecimento e prestígio ao trabalho dos profissionais desta área. Página 7
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Sábado, 05 de dezembro de 2009
Novas Tecnologias, Comunicação e Formação Continuada Belarmino Cesar Guimarães da Costa *
Jornalismo na era digital Paulo Roberto Botão * As novas tecnologias de formato digital e a Internet mudaram a fisionomia do Jornalismo. No atual contexto da chamada sociedade da informação, a atividade de noticiar e esclarecer sobre os temas de interesse público, tão essencial ao funcionamento da democracia, se torna ainda mais indispensável e requer capacitação de natureza técnica, estética e, principalmente ética. Os cursos de Jornalismo no mundo inteiro e, felizmente também no Brasil, repensam suas estratégias de ensino, seus currículos e seus projetos pedagógicos. Precisam responder a uma realidade social complexa, enfeixada pelas novas mídias e pelo advento de um novo paradigma comunicacional que destaca o entrelaçamento entre os sujeitos e as infinitas possibilidades de interação e diálogo e de manifestação do pensamento. Neste ano que finda, tivemos a construção de um importante instrumento para balizar as mudanças que devem ocorrer: a proposta de novas “Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso e Jornalismo”, apresentada ao Ministério da Educação e dependente agora de aprovação pelo Conselho Nacional de Educação. A proposta contempla este rico contexto em que estamos inseridos e tem como mérito maior firmar as especificidades do jornalismo como campo de conhecimento, passo fundamental para a valorização e o aprimoramento do ensino superior nesta área. Compete agora aos cursos aceitar os desafios propostos e afinar suas propostas. No que se refere ao Curso de Jornalismo da Unimep, estamos conscientes destes desafios e prontos para continuar construindo alternativas pedagógicas capazes de responder às exigências do mercado de trabalho e da sociedade. Ao completar 30 anos, em 2010, nosso curso investe fortemente no aprimoramento do seu projeto e na consolidação de seu corpo docente e instalações, e aposta na necessidade de especialização e formação continuada. Para tanto, além do curso de graduação, propõe três áreas de pós-graduação: jornalismo contemporâneo, jornalismo multimídia e assessoria de imprensa. * Jornalista, mestre em Comunicação Social, coordenador do Curso de Jornalismo da Unimep e diretor editorial e de Comunicação do FNPJ (Fórum Nacional de Professores de Jornalismo)
EXPEDIENTE Ponto Final: Órgão laboratorial do Curso de Jornalismo da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Reitor: Clóvis Pinto de Castro – Diretor da Faculdade de Comunicação: Belarmino Cesar Guimarães da Costa – Coordenador do Curso de Jornalismo: Paulo Roberto Botão – Orientador e Editor Responsável: Paulo Roberto Botão (MTB 19.585). Repórteres: Andrea Palhardi Bombonatti, Christianne Aparecida Abila, Clareana Marrafon Lopes da Silva, Marcella C. Maganha Barraca, Rodrigo Pinto Costa Kivitz e Vanessa Cristina Faria. Produção Gráfica e Arte Final: Sérgio Silveira Campos (Laboratório de Planejamento Gráfico) – Correspondência: Faculdade de Comunicação – Campus Taquaral – Rodovia do Açúcar, Km 156 – Caixa Postal 68 – Telefone: (19) 3124.1676 – E-mail: pr.botao@unimep.br – Impressão: Jornal de Piracicaba.
As transformações empreendidas pela digitalização da informação, tanto relacionadas às estruturas de produção e circulação de conhecimento quanto às relacionadas com a esfera da sensibilidade e inteligência humanas, fazem com que, no âmbito educativo, a formação dos profissionais da área de comunicação passe pela produção de conteúdo para múltiplas plataformas, mas também deva considerar aspectos éticos e políticos. Ou seja, a compreensão do jornalismo, do papel da publicidade, os efeitos produzidos no campo do design gráfico, da fotografia e da produção cultural, dentre outras áreas comuns à comunicação, à arte e à mediação tecnológica, compreendem domínio técnico e de linguagem, que permitem lidar com a produção de mensagens, e vão além, já que todo processo comunicativo ocorre permeado pelas estruturas econômicas, sociais e de poder. Pela primeira vez, desde a revolução copernicana da tipografia, um sistema de comunicação opera em diferentes áreas de produção, e não só no âmbito da troca de mensagens e seus efeitos nas relações de troca simbólicas entre sujeitos, grupos societários e na esfera das relações entre lugares e civilizações. A internet, incluindo seus sistemas de linguagem e operacionalidade, atua em diferentes setores do mundo industrial, financeiro e também da troca de informações através de redes sociais. Não se trata apenas de um sistema de comunicação, com similaridade à funcionalidade da televisão, do rádio e dos meios impressos, e sim a internet representa uma novidade histórica em termos de articular comunicação, estruturas de produção e acesso de informação, tendo como eixo a conectividade e a hibridização de suportes e linguagens.
Por intermédio da internet podemos produzir e acessar conteúdos de corporações de mídia, tal como víamos fazendo com a expansão da indústria cultural e da formação da chamada sociedade de massa, ao longo do século XX para cá, e com a internet acessamos também produções culturais originárias de outras estruturas e formatos, como a música, a arte figurativa, o teatro, além de ser um espaço de convivência virtual e de relacionamentos na esfera do trabalho, do lazer e do acesso à informação. Ou seja, um ambiente revolucionário no campo da percepção, da inteligência e com intervenções radicais nas estruturas do conhecimento humano, tal como se deu com a escrita e o surgimento das mídias eletrônicas. Contudo, a internet atua em diferentes esferas, muitas delas sutilmente postas, como a da afirmação da linguagem do algoritmo que transforma, por exemplo, as formas de representação com a computação gráfica, que se distingue da imagem obtida diretamente pelo obturador. Diante das mudanças empreendidas pela digitalização da informação, e os efeitos que a internet acarreta na forma de acessar conteúdos e dispor de mecanismos de interação no campo da linguagem, da relação homem e máquina e na ação sistêmica com as corporações de mídia, dentre outros aspectos, o que se espera da formação de quem atua como comunicador social é que tenha competência ética, estética e política frente aos desafios das novas tecnologias. Portanto, o que se espera é que o profissional tenha uma formação continuada e não meramente especializada. Isso se traduz em responsabilidade social. * Jornalista, doutor em Educação, diretor da Faculdade de Comunicação da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e coordenador do Grupo de Pesquisa Comunicação e Educação da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação)
Mercado de trabalho exige especialização Ana Maria Cordenonssi* Rosemary Bars* Wanderley Garcia* A competitividade existente hoje no mercado de trabalho exige que todos busquem especializações a fim de dominarem, de maneira significativa, o processo de produção com critérios que sustentam a competência e a credibilidade do profissional. As formas para organizar o saber, o conhecimento formal, e de praticá-lo permitem ampliar as possibilidades de atuação e transformam a concorrência em algo construtivo, e não mais um meio para a desclassificação do candidato à vaga. O domínio do especialista permitirá que o melhor se sobressaia em qualquer disputa e possa, ainda, ter o privilégio de escolhas. O mundo moderno requer que o profissional esteja capacitado a empreender análises conjunturais de forma competente. Essa exigência integra as mudanças na estrutura e na dinâmica mundiais no último quarto do século XX, que provocaram transformações profundas na vida em sociedade. O fenômeno da globalização aumentou a complexidade das atividades profissionais. Além da concentração e da centralização do capital, este fenômeno também tem se refletido nas atividades humanas que envolvem criação, transferência e uso da informação, alterando a percepção e o modo de lidar com essa informação. A virtualidade, a comunicação em tempo real e a avalanche informacional constituem alguns dos desafios dos profissionais de mídia que prezam pela qualidade e pela ética, especialmente no que diz respeito ao tratamento da informação direcionada a um público heterogêneo. Nesse contexto, a preocupação ao se trabalhar com um volume assombroso de dados, deve priorizar o direito do cidadão à informação exata acompanhada de comentário
para melhor compreensão da realidade social. O fenômeno da globalização no Brasil promoveu transformações editoriais importantes, como a segmentação dos veículos para atender à diversificação de um público cada vez mais crítico, mas também significa a ampliação do mercado para o profissional da informação que precisa, contudo, qualificar-se para atuar em áreas cada vez mais especializadas, uma vez que a graduação é insuficiente para cumprir esta função. Pensando nessa conjuntura da modernidade é que a Faculdade de Comunicação da Unimep oferece, a partir de 2010, quatro cursos de especialização (lato sensu): Jornalismo Contemporâneo, com objetivo de oferecer um panorama da área e suas diversas especificidades (como cultura, ciência, esporte, veículos eletrônicos e impressos) e que formará sua segunda turma em julho do próximo ano; Assessoria de Imprensa, com a finalidade de aprofundar os conhecimentos desta área e discutir as diversas atuações profissionais; Jornalismo Multimídia que visa colaborar para a compreensão das grandes transformações provocadas pelo surgimento de novas tecnologias, além de prepará-lo para lidar com as mais diversas ferramentas digitais; e Comunicação Organizacional com a função de especializar quem atua em empresas, em instituições públicas e no terceiro setor. A qualidade da educação metodista está presente nos projetos pedagógicos de todos estes cursos. Ingressar no curso de especialização é uma decisão pessoal, porém deve ser calcada na necessidade de se planejar o futuro profissional. * Ana Maria é jornalista e doutoranda em Comunicação, Rosemary Bars é jornalista e doutora em Comunicação, Wanderley Garcia é jornalista e doutor em Ciências da Informação. Coordenam, respectivamente, os cursos de especialização em Jornalismo Contemporâneo e Assessoria de Imprensa, Assessoria de Imprensa e Jornalismo Multimídia da Unimep
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Sábado, 05 de dezembro de 2009
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Jornalismo Impresso
Carta ao leitor do futuro Jornais investem em suplementos jovens, com novo design, linguagem e, principalmente, conteúdo Rodrigo Kivitz
Rodrigo Kivitz
Jayro de Sousa
rodrigokivitz@hotmail.com
Aqui ainda é 2009. Não sei em qual baú você foi remexer para encontrar esta folha de jornal velha e meio rasgada. A tinta deve ter desbotado há bastante tempo. É estranho e agora deve parecer sem graça, mas, como pode perceber, houve a época em que as notícias eram impressas em papel e sujavam nossos dedos. Talvez você nem saiba disso. No ano em que me formei em jornalismo, os jornais ainda existiam. As pessoas achavam que viviam uma revolução – quer dizer, revolução para os padrões que estavam acostumadas. Nunca a informação havia trafegado de forma tão rápida e chegado a tanta gente. Com tão poucos recursos, o tema que dominava as discussões era a complexa rede pela qual usuários de computadores do mundo todo se comunicavam: a Internet. Tudo muito primitivo, mas parecia o máximo. Sério! E a questão que quebrava a cabeça de donos de jornais e jornalistas de veículos impressos era a seguinte: “Como chegar até você?”. Isso, você mesmo! O leitor do futuro... Ninguém sabia ao certo de que maneira as pessoas iriam se informar dali alguns anos. Falavam de crise de suporte midiático. Ou seja, crise do papel. Precisavam encontrar um jeito de dar sobrevida aos jornais. O que era pior, no momento em que enfrentavam quedas nas tiragens e nas vendas. Uma das tentativas foi atrair a atenção do público jovem. O que não era fácil. Só para se ter idéia, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), apontou em pesquisa que essa faixa de idade era uma das que menos lia jornais. Em 2007, apenas 6% dos adolescentes de 10 a 14 anos afirmavam ser leitores de jornais. Entre os jovens de 15 a 24 anos, o número era de 24%. Panorama assustador, mas vamos em frente. Uma das estratégias definidas: criar suplementos semanais direcionados aos adolescentes dentro dos jornais. As armas: investir em assuntos e interesses do universo jovem, com visual e linguagem atraentes para eles. Um dos primeiros jornais a se arriscar nesse incerto campo de batalha foi a Folha de S. Paulo, que criou em 1991 o caderno Folhateen (ver texto ao lado). Pausa Me desculpa, caro leitor do futuro, agora peço licença para voltar ao passado. No caso, o meu tempo presente. Continuando... Os jornais da região de Piracicaba seguiram o mesmo caminho. O jornal O Liberal, de Americana, criou o Teen+ em 1997, com a proposta de “falar para os jovens”, segundo a ex-editora do caderno, Juliana Pinheiro. Desenvolvido em 2002, Radical foi o primeiro suplemento feito para adolescentes pelo Jornal de Piracicaba. Em 2005, foi rebatizado para Tribos.
Eleni Destro: intenção do Tribos é fazer os jovens migrarem para o “jornalzão”
Dúvida cruel! Jornalistas quebram a cabeça para descobrir o que interessa à geração que cresceu com a Internet
Cadernos teens apostam em linguagem e visual atraentes
Folhateen: mudanças ao completar 18 anos
Jayro de Sousa
Atender o público que estava entre as crianças e os adultos e não se identificava com as outras editorias do jornal. Com esse objetivo, a Folha de S. Paulo criou seu suplemento jovem em 1991, o Folhateen, até hoje referência entre as publicações direcionadas aos adolescentes. Para a secretária de redação da Folha, Vera Guimarães Martins, o objetivo continua o mesmo. “Só que agora com um grau de importância ainda maior, quando se sabe que os jornais estão perdendo muitos leitores nas faixas mais jovens”, afirma. O editor do suplemento, Marco Aurélio Canônico, aponta que as principais diferenças do Folhateen são: ser semanal (circula às segundas-feiras) e ter liberdade para ousar. “Por conta do nosso público, evidentemente temos tendência a ter uma cara mais moderna”. O Folhateen já passou por várias mudanças. A última em junho de 2009, quando completou 18 anos – idade próxima a de seus leitores, jovens de 12 a 25 anos.
O suplemento aumentou a interação e estreou novas colunas, uma delas, com textos dos próprios adolescentes. E ainda extrapolou o formato papel, passando a existir também na Internet. “A gente precisa falar com o jovem pelo caminho que ele usa para se comunicar”, diz o repórter Tarso Araújo. Outra forma de contato com o público são as reuniões com o grupo de apoio, formado por leitores do caderno. A estudante Louise Baseto, 18, participa dele. “É interessante poder se relacionar com o jornal não apenas como leitora. Expor meu ponto de vista e, tipo, as coisas que penso e às vezes nem tenho com quem compartilhar”, comenta a jovem. O jornalista mais novo da equipe, Diogo Bercito, 21, fez parte do grupo antes de ser repórter do Folhateen (ver depoimento). Apesar de concordar que as gerações mais novas estão lendo menos, o repórter Chico Feletti não considera que exista uma fórmula para atrair os adolescentes
O editor do caderno, Marco Aurélio Canônico, aposta na ousadia
para o jornal impresso. “Nunca vamos anular as limitações do papel”, afirma. Ele aposta que matérias interessantes podem chamar a atenção independente do suporte utilizado para sua divulgação.
Juliana Pinheiro editora durante quatro anos do Teen+
Diogo Bercito 21 anos, repórter do Folhateen
“Eu era leitora do caderno Teen+. Estava no primeiro ano de jornalismo quando ele surgiu. Pensei: ‘Nossa, imagina escrever para esse caderno, que bacana que deve ser...’ Por também ser nova, eu trazia o que estava acontecendo no meu universo para o Teen+, os problemas, as questões e as dúvidas de quando se é jovem. Assim surgiu a oportunidade de fazer as primeiras reportagens. Fui repórter do caderno por sete anos, sempre no meio da moçada.”
“Comecei no grupo de apoio do Folhateen. Eu tinha 16 anos, escrevi um textinho para o caderno e a editora me chamou para integrar o grupo. Na época eu não tinha a mordomia de ir de carro. Então ia de metrô, sozinho, para a redação da Folha. Achei super bacana e, na verdade, foi nesse momento que decidi ser jornalista.”
Jayro de Sousa
“A intenção era justamente ganhar os jovens, para que com o tempo eles migrassem para o jornalzão”, conta a criadora do projeto jovem no Jornal de Piracicaba, Eleni Destro. No Tribos, as pautas são direcionadas para os adolescentes, sobre temas que tenham relação com o dia a dia deles, como educação, comportamento, sexualidade, drogas e cultura. Para a atual editora do Teen+, Renata Ribeiro, o segredo é saber como escrever para esse público. “É se vestir um pouco de teen, usar a linguagem e as gírias que eles usam e viajar mais no texto”. Outro ponto apontado pelas jornalistas é a necessidade do suplemento estar na Internet. Além da importância de interagir e envolver in e B os adolescentes em g r Jo todas as etapas de produção, estimulando-os a escrever artigos, dar opiniões ou sugestões de reportagens. “É fundamental manter um canal totalmente aberto com os leitores, que são uma espécie de ombudsman do caderno”, comenta Renata. Blogs, MSN, Twitter e comunidades no Orkut são ferramentas usadas para essa aproximação. O jovem também precisa “se ver” no caderno. Em uma reportagem sobre gravidez na adolescência, por exemplo, Juliana diz que o médico não é mais a fonte principal, e sim apenas um consultor da matéria. “Quem fala mais são os jovens. São eles quem expõem os problemas, dão dicas. Se fosse de outro jeito, a reportagem não teria o mesmo impacto”, argumenta. Mas, não há consenso de que esta seja a melhor estratégia. A psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, por exemplo, entende que não há motivos para os adolescentes precisarem de uma publicação específica. “É um pouco estranho ver no jornalismo uma linguagem toda especial dirigida ao jovem, cheia de gírias, como se ele fosse uma espécie de leitor em formação. Quando vai terminar essa formação? Eu não sei se isso integra ou discrimina”, questiona. Pois é, futuro leitor, até sabermos como as notícias vão chegar até você, a discussão ainda vai durar muito tempo.
Rodrigo Kivitz
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Sábado, 05 de dezembro de 2009
O escândalo
Sarney na mídia
Ilustração: Francisco Ribeiro Júnior
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O Estado de S. Paulo deu o “furo”, mas foram as TVs que ampliaram a repercussão da notícia Andréa Bombonatti
Andréa Palhardi Bombonatti dea_bombonatti@hotmail.com
Em 10 de junho de 2009, o povo brasileiro se surpreendeu com mais um escândalo político, desta vez estampado nas páginas de O Estado de S. Paulo, um dos mais influentes jornais do país. Os repórteres Rosa Costa e Leandro Colon noticiaram atos secretos no Senado, envolvendo principalmente o seu presidente, José Sarney, acusado, entre outras coisas, de nomear seus familiares em cargos públicos. A publicação foi o start para uma série de reportagens que se seguiram em toda a mídia nacional. Apesar do “furo jornalístico” ter sido dado pelo jornal impresso, que tem tiragem diária de 217.962 (de segunda-feira a sábado) e 306.162 (aos domingos) exemplares em média, o caso ganhou repercussão nacional quando foi abordado pelos telejornais das principais emissoras do país. Isso porque a televisão é o principal meio de comunicação do Brasil. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), está presente em 94,80% dos lares. O jornalista e pesquisador Guilherme Jorge de Rezende reflete sobre o tema no seu livro “Telejornalismo no Brasil – Um Perfil Editorial”, no qual diz que “o telejornalismo cumpre uma função social e política tão relevante porque atinge um público em grande parte iletrado ou pouco habituado à leitura, desinteressado pela notícia, mas que tem de vê-la, enquanto espera a novela”. Além de possuir a maior audiência, a televisão é o meio mais abrangente, pois chega ao público de todas as classes sociais. “O peso da TV tem sido enorme na contemporaneidade; afinal, em uma sociedade de massas, a difusão da informação requer formatos ágeis e uma comunicação direta e atraente”, explica o cientista político Jefferson Goulart, professor do Departamento de Ciências Humanas da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp (Universidade Estadual Paulista). O âncora do Jornal do SBT, Carlos Nascimento, não desmerece o trabalho das outras mídias, mas reafirma a importância da televisão. “A TV é o veículo mais importante da comunicação no Brasil já há várias décadas. Não que a mídia impressa, o rádio e outros veículos não tenham importância, é claro que eles têm. Foi o Estadão que levantou esse assunto dos atos secretos, mas é nos telejornais da noite que grande parte da população que não tem acesso aos jornais fica sabendo das coisas”, afirma. A maior repercussão dos assuntos noticiados pela televisão é reconhecida pelo editor de política do jornal O Estado de S. Paulo, Cláudio Augusto. “Infelizmente o alcance do meio impresso é muito restrito no Brasil, então é obvio que quando as TVs entram em uma determinada cobertura o assunto ganha um alcance maior”. Porém, não concorda que o assunto tenha mais importância quando transmitido pela televisão. “A relevância não guarda relação direta com o fato das TVs entrarem ou não no caso, senão vários assuntos que são tratados nos jornais seriam irrelevantes”, defende. Opinião Pública Se é certo que a televisão atinge um público maior, também parece claro que os jornais têm um papel decisivo no “agendamento” dos temas que são debatidos pela sociedade, ou seja, na formação da opinião pública. De acordo com Cláudio Augusto, as emissoras de televisão se pautam nos impressos para fazerem suas reportagens. “Pelo menos metade das matérias que são vistas na TV tem origem nos jornais, mesmo que elas não dêem crédito. Mas, o pauteiro ou o chefe de reportagem da TV tem como primeira tarefa do dia ler os jornais”, afirma o editor que diz ter feito um clipping que mostra o número de vezes que o jornal foi citado nos telejornais por conta dos atos secretos. Ana Paula Palhares
Para Carlos Nascimento, TV é o principal veículo de comunicação do Brasil
Pessoas se manifestam nas ruas e exigem “Fora Sarney”; ao lado, página de O Estado de S. Paulo revela atos secretos no Senado
O jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo), Manuel Carlos Chaparro, explica esta relação entre as mídias e os fatores que levam umas a pautarem as outras. “A escolha da mídia impressa ou eletrônica certamente é estratégica. Se há um conteúdo que por sua relevância já se sabe que será um grande escândalo, talvez seja bom começar pela mídia impressa, porque ela vai pautar a televisão e a televisão vai fazer o ecossocial daquele acontecimento”. A amplitude da televisão também é reconhecida pelo âncora do Jornal da Band, Ricardo Boechat, porém ele opina que “entre ter uma grande audiência e formar uma opinião pública há uma distância muito grande, e acho que a televisão mais tem audiência do que forma opinião”. Jefferson Goulart também questiona o papel de principal formadora de opinião pública dado à televisão devido à concorrência com outros meios de alta velocidade e à falta de credibilidade que abalaram a sua imagem. O jornalista Moah Souza, criador do site www.forasarney.com, diz que “a televisão é fundamental, assim como os demais meios de comunicação, mas o problema é que muitas vezes as notícias que podem contrariar seus donos não são levadas ao ar”. Para ele, o fato atrapalha a idoneidade da TV, daí a importância de meios alternativos, como a Internet. O caso foi levado até a sociedade por meio da mídia, que tem como um de seus mais importantes papéis: o de vigiar o poder em nome da coletividade. “Uma das funções consagradas pela sociedade para o jornalismo é a de ‘Quarto Poder’, isto é, a função de fiscalizar os outros três poderes”, enfatiza o jornalista Rogério Christofoletti, criador do blog Monitorando. As denúncias publicadas pelo Estadão e depois por outros meios de comunicação provocaram centenas de manifestações públicas, virtuais e presenciais contra o presidente do Andréa Bombonatti
Cláudio Augusto: TV complementa o trabalho dos jornais impressos
Senado. No dia da Independência do Brasil (07 de Setembro deste ano), as passeatas contra Sarney fizeram parte das comemorações. Em Campinas, o ato ocorreu sob a coordenação do jovem estudante João Denardi Machado. Ele acredita que houve interesse político particular do jornal O Estado de S. Paulo na divulgação do tema, mas reconhece o papel essencial dos meios de comunicação. “De uma forma ou de outra é impossível não visualizarmos a importância da mídia; afinal, nosso próprio movimento se mostrou promissor somente enquanto a mídia repercutiu os escândalos em torno de Sarney”, avalia. A divulgação das denúncias contra o presidente do Senado e sua família levou à censura do Grupo Estado, o que o deixou impedido de noticiar informações sobre a operação denominada de “Boi Barrica”. Para Ricardo Boechat, isso é sinal do bom trabalho jornalístico feito. “Essa foi uma cobertura tão boa, presente e marcante que até produziu um ato de ressurgimento da censura. Boa no sentido caricato nesse aspecto, porque a reação desmedida, absurda da censura, prova que a cobertura estava no caminho certo”. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é proibido “qualquer espécie de censura, seja de natureza política, ideológica ou artística”. O âncora Carlos Nascimento lamenta o episódio. “Toda forma de censura é, em primeiro lugar, proibida pela Constituição Brasileira e em segundo lugar deplorável em um país que queira adotar e exercer um regime democrático”. Ana Paula Palhares
Na opinião de Boechat, ccensura sofrida pelo Estadão é a prova de que a cobertura foi bem feita
O caminho dos atos secretos Em 10 de junho de 2009, o jornal O Estado de S. Paulo publicou a existência de atos secretos no Senado, entre eles, nepotismo, contratos superfaturados, contratações fantasmas, aumentos irregulares em gratificações e notas frias. Além disso, o jornal publicou a transcrição de escutas telefônicas, cedidas pela Polícia Federal, entre Sarney e familiares, na chamada “Operação Boi Barrica”. O caso resultou em 11 denúncias e representações contra Sarney no Conselho de Ética do Senado, mas no dia 07 de agosto todas as denúncias e representações foram arquivadas. Em 31 de agosto, o jornal e o Portal Estadão foram censurados pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), a pedido de Fernando Sarney, filho de José Sarney. Como repercussão, centenas de pessoas saíram às ruas e invadiram a Internet em forma de manifestação. Em 30 de setembro José Sarney foi inocentado em um relatório feito pelo diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, e pelo advogado Luiz Augusto Geaquino dos Santos. Pelo “furo” dos atos secretos, os repórteres Rosa Costa e Leandro Colon foram indicados ao Prêmio Esso de Jornalismo.
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Jornalismo e Humor
Geison Paulo
Brenda Bellani
CQC, da Band, inova, ganha audiência e provoca polêmica entre pesquisadores e jornalistas
Mosca na sopa
Clareana Marrafon
Reporter Danilo Gentili “Credibilidade pra ser apresentador do Jornal Nacional? Não, não quero ser, obrigado”
Rafael Cortez “No jornalismo tradicional falta ousadia, falta um espaço jovem de abordagem, falta sair um pouco daqueles padrões, super consolidados, da mesma apuração”.
Fábia Dejavite “Hoje não tem como informar sem também entreter, e o jornalismo tem aproveitado cada vez mais isso, é uma tendência hoje na transmissão das informações”.
Editor Marcos de Assis “O que a gente faz, nada mais é do que uma caricatura, é um ponto de vista, nada mais”.
Original argentino O programa CQC começou a ser exibido no Brasil em 17 de março de 2008. Trata-se da versão brasileira do programa produzido pela Eyeworks - Cuatro Cabezas, a partir do formato original argentino, chamado Caiga Quién Caiga (Caia Quem Caia). Ele é formado por oito integrantes. São três apresentadores, Marcelo Tas Rafinha Bastos e Marco Luque, e seis repórteres: Danilo Gentili, Rafael Cortez, Oscar Filho, Felipe Andreoli e Mônica Iozzi. A coordenadora de produção Renata Varela diz que o programa começa a ser feito na terça-feira com os roteiristas dando as dicas de pautas. “A gente tem o processo de pauta. A produção de externa do programa é meio que uma ‘formulazinha’, entra na pauta, aí a pauta discute com o coordenador de conteúdo e com a direção, eles aprovam, escolhem o produtor que vai e o repórter. A partir desse momento o produtor pega a pauta e começa a produzir”, conta. A escolha dos repórteres também e feita de forma criteriosa, como diz Varela. “Cada repórter tem um pouco de um perfil, o Felipe faz muita coisa de esporte, o Danilo está fazendo política, o Rafa e o Oscar fazem matérias mais de comportamento, ou celebridades, eventos, mas ao mesmo tempo a gente troca, eles cansam e o público também”. O fechamento é feito na tarde da segunda-feira. “O roteiro sai geralmente às cinco da tarde, e mesmo assim quando eles fazem a passagem ainda mudam algumas coisas”, explica a coordenadora de produção. O programa tem duração de duas horas e possui quatro quadros fixos: CQTeste, feito por Rafael Cortez; Palavras-Cruzadas; Proteste Já, apresentado por Rafinha Bastos; e o Top 5, um resumo de situações engraçadas que ocorreram na semana. Renata Varela “O CQC é um programa de humor com a base jornalística, mas tudo passa pelo filtro do humor”.
Ridicularização e ética As marcas registradas da produtora Cuatro Cabezas, responsável pelo programa CQC no Brasil, são os cortes rápidos feitos pelas câmeras e a forma de edição que utiliza recursos gráficos para ilustrar a opinião do programa sobre os entrevistados ou sobre o que esta sendo dito. “O que faz a gente assinar CQC são os efeitos e a forma com que a gente edita, toda a linguagem de câmera, o que os roteiristas colocam na boca dos apresentadores e tudo mais, enfim” explica o artegrafista do programa, Marcos de Assis. Para pesquisadores do jor-
nalismo, entretanto, esses efeitos não resistem a uma análise sob o prisma da ética jornalística, são antiéticos e podem ridicularizar os entrevistados. Assis defende o CQC: “A gente não tem a intenção de ridicularizar, mas que a gente quer espetar e ‘agulhar’ os caras, a gente quer, essa é a intenção, essa é a postura do programa”. O produtor do quadro “Proteste Já” complementa: “Não quer dar a cara, não de a cara, não quer ser vítima de uma brincadeira foge da câmera, não aparece”. O jornalista Luciano Martins analisa o tema por outra
ótica e diz que não cabe o uso dos conceitos éticos do jornalismo. “Não contraria ética nenhuma, é um programa humorístico, se fosse jornalismo de fato, seria mau jornalismo, seria péssimo jornalismo”. Ele também ressalta que “colocar ponto de interrogação na cabeça de um entrevistado, arte grafismo, é típico de programa de humor, de manipulação da realidade”. Já para a coordenadora de produção Renata Varela, o programa é de humor com base jornalística, dá “tapa com luva de pelica, e assim vai ganhando espaço”.
Clareana Marrafon
Clareana Marrafon
fazer encargo da população brasileira, que tem vontade de fazer isso”, diz. Arbex contesta, e diz que isso é ruim e cria uma sensação de catarse. “É um sentimento de compensação por algo que você vê sendo realizado, que não foi você que realizou, mas quando você vê a encenação daquilo, você se sente gratificado”. Zuin concorda e argumenta ser preciso tomar cuidado para que esse momento catártico não fique só na catarse, mas que possa reproduzir reflexão. Independente de ser ou não jornalístico, para os responsáveis pela sua produção, o propósito do CQC tem sido cumprido. “O que a gente tem feito é fazer as pessoas ficarem na frente da televisão se divertindo com a gente. As pessoas estão se identificando cada vez mais com o programa”, explica o editor Marcos. Os dados de audiência do Ibope comprovam sua fala. 24h10, terça-feira. O zumbido a qualquer momento sumirá. Está fora do ar o CQC. Até a reprise de sábado.
Clareana Marrafon
22h15, segunda-feira. A qualquer momento aquela mosca se infiltrará em vários ambientes. Ela zumbe, incomoda, questiona. O inseto, símbolo do CQC Custe o Que Custar, é incômodo e também é a mais clara representação do programa , apresentado pela Rede Bandeirantes de TV. Apesar de ter sido eleito o melhor da TV aberta em outubro de 2009 pela campanha “Quem financia a Baixaria é contra a Cidadania”, uma iniciativa da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias), da Câmara dos Deputados em parceria com entidades da sociedade civil, o CQC divide opiniões, e gera polêmica sobre qual a sua classificação, qual o seu gênero. Será jornalismo? Será um programa de humor? A locução inicial do programa anuncia que “Começa agora para todo o Brasil seu resumo semanal de notícias! Este é o Custe o que Custar!”, mas para o professor e diretor da Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Rogério Bazi, o formato não é esse. “Não é um resumo semanal de notícias, senão seria um programa de televisão de notícias, seria um programa de entrevistas e na verdade não é. É uma miscelânea de vários assuntos”, contesta. Rafael Cortez, um dos repórteres do CQC, defende a presença do jornalismo no programa. “A nossa referência para a produção de conteúdo, desde a pré-producão, abordagem, pauta, finalização, reportagem, equipe de externa, montagem e edição são sempre jornalísticas. E quem vai dizer que a gente não é jornalista? Porque a gente põe piada no meio?”. Já para o jornalista colaborador do Observatório de Imprensa, Luciano Martins, é um programa de humor muito inteligente, é moderno, é ágil, mas não é jornalismo. Ele ainda critica: “Você fazer humor dizendo que é jornalismo não é honesto, é uma fraude!”. Toda esta discussão sobre o gênero desperta uma dúvida. É possível fazer jornalismo com ou como entretenimento, e sem perder o principal objetivo da profissão, que é o de informar? Para a jornalista Fabia Dejavite, doutora em Comunicação pela (USP) Universidade de São Paulo, o programa pode ser caracterizado como “infotenimento”, por juntar opinião, informação e humor. “O infotenimento é a combinação da informação com o entretenimento. Algo impensável há alguns anos, porém imprescindível hoje”. Para ela o CQC é o melhor exemplo desta proposta na televisão.
Já para o autor do livro Showrnalismo e professor de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, José Arbex Junior, “esse formato é perigoso, danoso, permite que você por meio do jornalismo/entretenimento assuma posições pelas quais você não vai ter que responder, porque não se sabe se você é jornalista ou se você é um apresentador de programa de entretenimento”. A abordagem nada tradicional realizada pelos repórteres, segundo Rafael Cortez ajuda na hora de obter informações. “É uma ferramenta de descontração tamanha, que quando você vê o cara relaxou e falou uma coisa irada para você, ele não diria de outra maneira”. Esta descontração devido ao humor, segundo o psicólogo social Antônio Zuin, também chama a atenção de quem assiste ao programa. “Tudo o que você vai passar para alguém e você passa pela estratégia da linguagem principalmente do humor, a sua chance de ser ouvido, de ter a atenção do telespectador é muito maior”, explica. A abordagem dos repórteres e outros recursos utilizados na edição também estimulam uma reflexão sobre a ética. Para o editor Marcos de Assis, o que o programa faz é a vontade que o brasileiro tem de fazer. “É a gente se fazer parte da população,
Geison Silva Paulo
Clareana Marrafon
cacamarrafon@hotmail.com
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Economia
Valor da informação Christianne Abila
chrisabila@hotmail.com
Quem imaginou que um dia poderia acompanhar tudo o que está acontecendo na economia do Brasil e do mundo em tempo real e em qualquer lugar? A cotação do Dólar, o preço do tomate, o valor das ações, podem estar disponíveis a todos com um simples clique no telefone celular, por mensagens SMS, tradicionais e-mails e até em micro blogs, como o Twitter. Neste contexto, marcado pelas novas mídias, um dos desafios dos jornalistas, em todas as áreas, é proporcionar ao seu leitor informações de maneira rápida, mas sem que se perca a qualidade do conteúdo. “Os ambientes digitais possuem características técnicas e de linguagem que se casam perfeitamente às demandas do jornalismo econômico. Destaco algumas delas: a velocidade da informação, que permite que ela seja oferecida de forma rápida, ágil, instantânea, quase em tempo real; a linguagem multimídia, que forma parte da essência da linguagem nos meios digitais; e outra que é a interatividade”, diz Christian Marra, professor e coordenador do Master em Jornalismo Digital, curso vinculado à Universidade de Navarra, na Espanha. Para Ana Paula Silva, jornalista e pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), essas novas tecnologias da informação não beneficiam só os grandes empresários, que fazem parte da elite da economia nacional, mas também favorece os pequenos produtores. “Nós temos aqui no Cepea a experiência de enviar por celular o preço de tomate e batata, no meio da tarde, para produtores rurais. Muitos destes de pequeno porte estão lá em suas regiões – às vezes até afastadas de cidades – e sabem que às 14h30, 15h30, vão receber em seu celular o preço daqueles produtos que eles produzem, comercializam. Então quando alguém chega para comercializar, pra comprar seu produto, ele vai ter outra informação para discutir”, explica. Já o professor e coordenador do curso de ciências econômicas da Faculdade de Gestão e Negócios da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Crocomo, utiliza essas novas ferramentas para complementar suas aulas. Mostra vídeos de entrevistas com economistas e pessoas ligadas ao governo para seus alunos. “O meio virtual Redação do Valor une profissionais do online e impresso
facilitou trazer opiniões, de diversas formas, a questão do vídeo, dos flashes, entrevistas de pessoas. Você pode ver e ouvir rapidamente opiniões”, afirma. Valor Todas estas novidades abriram possibilidades também para os jornais e revistas, que nos últimos anos apostam e investem nas tecnologias multimídias. Este é o caso do jornal Valor Econômico, que está no mercado desde 2002 quando começou já com suas versões impressa e online. De lá pra cá, com as transformações na Internet, o site foi se adaptando às necessidades de seus leitores, com a preocupação de produzir conteúdo tanto para pessoas que acompanham a economia diariamente, como para aqueles que eventualmente venham a se interessar pelo assunto. “Muitas vezes a gente tem visto exemplo em correspondências, conversando com um ou com outro, a gente pensa que não vai ter interesse em economia numa pessoa da classe C ou D, que acabou de conseguir um computador ou usa em lan-house, mas tem interesse sim, as pessoas se informam, querem saber, as pessoas estão atrás de coisas que melhorem a vida delas em termos econômicos, ou seja, um emprego melhor, uma situação melhor”, diz Paula Cleto, editora do Valor Online. Apesar de contar com uma equipe pequena, composta por sete pessoas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma em Brasília, o Valor Online busca alternativas para manter seu leitor cada vez mais satisfeito. Uma delas é a integração existente com a equipe do jornal impresso, o que possibilita o aproveitamento recíproco de conteúdo. E esta parceria é fundamental, pois os jornalistas do online trabalham em turnos, o que torna difícil a disponibilidade para deslocamentos e cobertura presencial. “Quando tem quatro pessoas na redação costumamos dizer que a casa está cheia”, diz Paula. Mas esse não é um problema exclusivamente do Valor. Segundo Marra, ainda não existe o
Iluistração: Thaís Oliveira
O
Agilidade é um dos fatores essenciais para o sucesso das novas mídias
hábito das equipes que produzem conteúdo online enviarem repórteres para as ruas. “Na maior parte dos casos, a equipe de jornalistas ainda é pequena e composta, sobretudo, de redatores, que passam o dia inteiro na redação. A figura do repórter de Internet ainda não é tão comum quanto à do repórter do jornal, da TV, do rádio. Mas a tendência é que isso mude com o passar dos anos, na medida em que os sites de notícias se consolidem como uma das principais fontes informativas”, aposta. Com essa limitação de funcionários é difícil separar exclusivamente conteúdos para enviar ao Twitter, ao Mobile ou às mensagens em SMS. Assim, uma das políticas que o site adotou foi mandar automaticamente para os leitores os destaques online. “Na prática dá na mesma, como se eu fosse selecionar manualmente o que vai entrar. Aquilo que ‘ta’ pegando na home, ‘ta’ pegando no Twitter”, relata Paula. Apesar de contar com esses recursos mais avançados, o site ainda busca aprimoramentos. “Nosso site está passando por reformulação porque está atrasado em relação a novas tecnologias. Estamos em fase de transição para uma nova interface que inclua podcast, vídeo, dispositivos de Iphone, navegação otimizada. Temos só uma área de fotos. Então estamos batalhando para isso mesmo, porque temos a noção de que vídeo e Internet é uma coisa crescente”, diz Paula. A estudante de Economia da Unimep e empresária no ramo de construção, Mariana Arena, afirma que as novas mídias são fundamentais e ajudam bastante em seu trabalho. “O acesso à Internet pelo celular ajuda um investidor em ações a ficar conectado com as oscilações do mercado, sem que tenha necessidade de estar em seu escritório ou com um computador na frente, sendo assim ele consegue maximizar o processo de compra e venda de ações, conseguindo tomar decisões. Além disto, todas as outras tecnologias ajudam a desmistificar a economia”, argumenta. Assinante e leitora do Valor Online, Mariana revela que encontra no site tudo o que precisa e sempre com rapidez, e confessa que uma das ferramentas que ajuda em seu dia a dia é o Mobile. “Para o meu trabalho, utilizo apenas a Internet pelo celular, desta forma estou sempre atualizada com os acontecimentos recentes da economia no mundo inteiro, porém tenho alguns amigos que trabalham diretamente no mercado financeiro que utilizam o SMS e o Twitter”. Segundo o jornalista Rogério Christofoletti, coordenador da Renoi (Rede Nacional do Observatórios de Imprensa), nem todos os veículos de comunicação utilizam bem todos os recursos que a web oferece. “O “boom” agora é você usar redes sociais, usar muita interação, usar recursos que permitam cada vez mais portabilidade, mobilidade”, explica. Na opinião do especialista, o jornalista tem que estar sempre ‘antenado’ e preparado para operar de forma que possa cada vez mais agradar seu público. A formação do profissional é ampla e complexa. “Olhando pro futuro, um futuro imediato de cinco, dez anos, eu acho que o jornalista precisa ter uma boa formação cultural, uma boa formação jornalística, de preparo técnico – saber fazer TV, fazer online, rádio – e não só ficar ali com microfone na mão, saber editar, passar por todos os processos de produção da notícia. Então ele tem que estar muito conectado com as mudanças que estão ocorrendo, de outras tantas possibilidades tecnológicas, porque ele vai ter que cada vez mais se aplicar em estudar, descobrir coisas novas, se adequar”, conclui.
Fotos: Christianne Abila
Para Ana Paula, do Cepea, a Internet beneficia de grandes empresários a pequenos produtores
Crocomo, da Unimep: novas tecnologias na formação dos futuros economistas
Paula Cleto, editora-chefe do Valor Online, afirma que a empresa busca aprimoramento nesta área
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Marcella Maganha
Sábado, 05 de dezembro de 2009
Congelar instantes e revelar a história
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Imagem ganha destaque no jornalismo e prestígio com o Prêmio Esso ria
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Bolly Vieira, repórter fotográfico do Jornal de Piracicaba
Marcella Maganha
marcella_jornal@yahoo.com.br
Vanessa Faria
vachrysfaria@hotmail.com
“Fotógrafo faz fotografia, fotógrafo não faz demagogia, fotógrafo não gosta de sangue, mas a sociedade ta com hemorragia, não existe foto chocante, na verdade o que é feio é o nosso dia a dia”. O trecho da música “Abaixando a máquina” de Cláudio Henrique, descreve o cotidiano retratado pelos fotojornalistas. Mostra como a foto imprimi a realidade e através do olhar transmite as mais diversas visões, sensações e interpretações, e como pode também revelar a personalidade e a preocupação social do profissional. As fotografias fazem parte da chamada linguagem visual, hoje esta mais do que nunca presente na vida das pessoas, que se deparam todos os dias com imagens de diferentes tipos estampadas nas revistas, jornais, sites, outdoors, galerias de arte e registros pessoais. Apesar de tão presente na atualidade, esta história começou em meados do século XIX. Os primeiros cliques das reportagens fotografadas tiveram como cenário a guerra. Segundo o jornalista e pesquisador português Jorge Pedro Sousa, “o primeiro fotojornalista pago para fotografar e fornecer imagens com caráter informativo para os jornais foi Roger Fenton que cobriu a Guerra da Criméia entre os anos de 1854 e 1855”. Seu trabalho tornou-se um portal direto para o que acontecia nos campos de batalha. Deste período em diante, e ao longo do século XX, a presença da imagem no jornalismo só aumentou. A fotografia jornalística tem caráter informativo, ela é usada para dar credibilidade ao texto e assim transmitir informações capazes de formar a opinião pública. As fotos denunciam, expõem e revelam os acontecimentos. No fotojornalismo fotografia e texto se complementam e neste casamento o mais importante é valorizar e disseminar informações. z“A imagem por si só não consegue mostrar tudo o que há pra dizer, como, por exemplo, quem e o que está ali naquela foto, onde e quando aconteceu. Por isso há necessidade de um texto que complete a informação”, esclarece Sousa. Além de informar e comprovar um fato as fotografias têm grande repercussão e muitas vezes podem trazer benefícios à vida dos cidadãos. Um exemplo é a foto “Engenheiro é Morto no Centro”, do fotojornalista, Marcelo Carnaval, publicada no jornal O Globo e vencedora do Prêmio Esso de 2007. A imagem revela o olhar de ódio da mãe que tem em seus braços o filho ensangüentado e morto. Segundo Carnaval, “a mãe ficou muito chateada quando a foto foi publicada, mas depois aprovou sua repercussão, porque as pessoas que a reconheciam na rua a amparavam”. Já a fotojornalista Wania Corredo pode ver sua foto beneficiar alguém de outra maneira. “Teve um incêndio no mercado Ceasa, um galpão inteiro pegou fogo, nos escombros tinha muita comida podre e muita gente. Eu
A expressão de um rosto pode impactar mais do que a violência. Foto de Marcelo Tristão
“Martírio no presídio”, de Clóvis Miranda, vencedora do Esso 2008, foi publicada no jornal A Crítica, de Manaus. Revela momentos da rebelião no Instituto Penal Antônio Trindade no Amazonas. Chocante pelo fato que retrata, a imagem ainda lembra Cristo sendo retirado da cruz
Wania Corredo, do carioca Extra emociona com a história da menina Ana Carolina
fiquei tão envolvida que fiquei uma semana lá. Fotografei uma menininha, loirinha, toda sujinha que estava com uma latinha de leite moça, toda suja, tomando. Eu e uma amiga, também fotojornalista, descobrimos com a mãe da Carolina, que era a primeira vez que ela tomava leite condensado, fiquei arrasada. A foto foi publicada na primeira página e nós contamos a história da Carolina. Combinamos de voltar nos escombros para tentar encontrar a Carolina e sua família. Conseguimos achá-la na favela Zacarias passando muita dificuldade, a levamos ao hospital e ela estava com anemia profunda, foi operada e hoje em dia estuda e tem uma vida melhor. Na verdade a Carolina virou um símbolo, toda a foto que eu faço se puder ajudar um pouquinho, já é um retorno”, emociona-se Wania, ao contar a história. Impacto As fotografias que causam impacto são aquelas que retratam fatos extraordinários do cotidiano, o crime, a violência e as tragédias. Segundo Guilhermo Planel, fotojornalista e documentarista, “é aquela foto que toca você. Uma fotografia que na realidade traz uma série de informações e mensagens que são decodificadas por cada pessoa de uma forma diferente”. É nesse momento que o desafio de ser um fotojornalista fica claro, pois o profissional tem que resumir aquilo que presencia em apenas um click, uma imagem. “Esse é o verdadeiro valor do fotojornalismo”, completa Planel, que levanta ainda uma questão a todos os profissionais que trabalham na área de fotojornalismo: “Qual o direito que eu tenho de fotografar a dor de alguém e depois simplesmente ir embora?”. A questão realmente incomoda os profissionais. O fotojornalista Bolly Vieira, editor de fotografia do Jornal de Piracicaba, relembra um fato que presenciou, há quatro anos, na festa de São João, em Tupi, que ilustra bem a situação. “Um senhor tirou os sapatos e fez o tradicional pula-brasa, como os fiéis que acreditam na tradição popular fazem. Lembro ainda que minha foto ficou ruim. Eu o vi passando e sentando, ele começou a passar mal e as pessoas se aglomeraram a sua volta. Achei muita sacanagem, não tive coragem de fotografá-lo. Ele estava sofrendo! O senhor acabou morrendo ali e eu não consegui fazer a foto porque respeitei a dor do cara”. Hoje em dia, entretanto, muitos jornais retratam a criminalidade e a violência como uma representação do cotidiano. Na opinião de Bolly, esse tipo de linha editorial é adotado porque “as pessoas gostam de acompanhar, no conforto de suas casas, todos os tipos de tragédias”. Bolly diz ainda que faz parte da natureza do ser humano ter esse tipo de curiosidade com o que acontece rotineiramente, seja em sua cidade, região, país ou até fora dele. “Quando ele vê uma foto factual de crime ou de tragédia ele quer ter detalhes daquele acontecimento”, explica. Desde a sua descoberta a foto adquiriu uma importante função dentro do jornalismo e tornou-se notável também como documento.
Fotografia e informação premiadas
Premio Esso 2006, de Marcelo Carnaval ,“Engenheiro é morto no Centro”, publicada em O Globo, mostra mãe que ampara nos braços o filho morto
O Prêmio Esso de Jornalismo, hoje a mais tradicional premiação à categoria de profissionais de comunicação do Brasil, foi criado em 1955 pela Esso Brasileira de Petróleo, inicialmente com a denominação “Prêmio Esso de Reportagem”. A categoria de fotografia foi instituída em 1960, como uma menção honrosa ao repórter-fotográfico Campanela Neto, que na época fotografou um grupo de oficiais da Aeronáutica Brasileira que havia se rebelado contra o presidente Juscelino Kubitschek. A fotografia de Campanela Neto recebeu o título de “Acontecimentos em Aragarças” e segundo Ruy Portilho, Coordenador do Prêmio de Jornalis-
mo, “foi publicada em vários jornais, as agências distribuíram para o mundo inteiro”. Graças à esta repercussão uma categoria específica foi instituída no elenco de premiações do Esso. O processo de seleção é rigoroso e envolve profissionais com experiência reconhecida na área. Uma comissão formada por 25 jornalistas, em nível de editores, seleciona cinco fotografias finalistas. Estas fotos são submetidas a uma comissão julgadora formada por 50 editores de fotografia de todo o Brasil, que via Internet, escolhem a vencedora. “Nós nos servimos muito da experiência e da bagagem dos jurados”, explica Portilho. Sob os critérios de escolha da fo-
tografia premiada, Portilho destaca o impacto, a dramaticidade e também a dificuldade. “O risco físico que muitas vezes os fotógrafos correm na hora de fazer o flagrante e a coragem do profissional de se aproximar de determinadas situações, levantar a câmera, colocar no rosto e fazer a foto, isso é muito bem vindo nas comissões de seleção”, diz. Muitos fotógrafos se destacaram no Brasil por serem premiados pelo Esso de Fotografia. Alguns deles são: Marcelo Cranaval, Wania Corredo, Clóvis Miranda e Marcelo Tristão. Na opinião da premiada Wania Carredo, para a maioria dos fotojornalistas, “o Prêmio Esso é o supra-sumo da profissão. Ser um Esso é uma ambição”.
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Cumprindo o seu compromisso Mais uma vez os brasileiros se depararam com um escândalo envolvendo uma autoridade política. Cumprindo o papel fundamental do Jornalismo, o jornal O Estado de S. Paulo trouxe à tona atos secretos no Senado brasileiro e a mídia repercutiu incansavelmente esse triste episódio. É nestes momentos que vemos a importância de uma cobertura jornalística bem feita, afinal a sociedade reflete e forma a sua opinião a partir disso. A televisão aparece neste contexto como o principal meio de comunicação do país, presente na maioria dos lares brasileiros. E isso comprova o compromisso que a TV possui e o quão deve ser imparcial o seu trabalho, embora nem sempre isso ocorra. De qualquer forma, seja pelo impresso ou pela TV, mais uma vez o Brasil foi manchado por um de seus representantes. E o pior é que o Grupo Estado foi censurado por de-
Ginel Flores
Karla Camargo
Rafael, Jayro, Pietro, Rodrigo, Renan e Darlene Érika, Evandro, Bruna, Ana Maria, Ana Paula, Andréa e Jandiara
nunciar irregularidades, contrariando a Constituição Federal que prevê a liberdade de expressão. Além disso, o presidente José Sarney foi inocentado
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e não responderá por nenhum de seus delitos. Parece brincadeira, mas esse é o nosso país! (Andréa Palhardi Bombonatti)
CQC: humor com base no jornalismo O programa CQC (Custe o Que Custar) surgiu há menos de dois anos. Talvez por ser tão recente seja difícil ainda chegar a uma opinião quanto ao
seu formato, gênero e mesmo ao seu caráter jornalístico ou não. As opiniões a este respeito também são conflitantes mesmo entre Karla Camargo
Fernanda, Lindiane, Geison, Clareana, Brenda, Aline e Tânia
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as pessoas que participam de sua produção. Alguns garantem ser um programa de humor com base em jornalismo. Pesquisadores e jornalistas também divergem e apontam argumentos em favor de uma ou outra posição e o objetivo do nosso trabalho foi justamente o de mostrar esta riqueza de opiniões existentes. Após um esforço de análise, entendo que se trata efetivamente de um programa humorístico. Apesar do formato de programa de humor, entretanto, é feito com base em técnicas jornalísticas, tendo como foco principal informar seus telespectadores. Seu processo de produção ocorre em modelo parecido com o do telejornalismo convencional. O que diferencia o CQC e o faz humorístico é a forma como essas informações são apresentadas, sempre com humor e opinião mostrados de forma direta. (Clareana Marrafon)
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Jornalismo e os jovens A maior parte do meu interesse pelo jornalismo está no texto. Na busca pela melhor forma de me expressar ao redigir uma reportagem. O ponto mais comentado pelos jornalistas entrevistados para o nosso trabalho foi justamente esse: a linguagem. Muito mais complicado do que parece, escrever tendo o público jovem como alvo é difícil. Assim como o repórter do Folhateen, Chico Feletti, não considero que exista alguma fórmula que garanta eficácia. Mas acredito que para tornar o texto atraente – simples sem ser simplório, sem carregar nas gírias – é necessário libertá-lo dos padrões tradicionais do estilo jornalístico.
Por que o repórter não pode assumir a primeira pessoa ao escrever, apresentar suas opiniões e pontos de vista ou então incorporar recursos usados na literatura de ficção? Foi o que tentei fazer na introdução da reportagem “Carta ao leitor do futuro”, mas nem de longe fiquei satisfeito. O grau de ousadia poderia ser muito maior. Não vou me lamentar se o jornal impresso morrer daqui uns anos. O que importa é que as pessoas continuem a ler, seja em jornais de papel ou na Internet. E, para isso acontecer, é a profundidade das matérias que precisa ser repensada. Jovem não é burro, ele também quer se informar com qualidade. (Rodrigo Kivitz) Ginel Flores
Fotojornalismo antes, durante e depois do click Escolher o tema Fotojornalismo não foi um dos aspectos mais difíceis da produção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A justificativa do tema fica a cargo das afinidades, curiosidades e demais interesses do grupo. Para a matéria jornalística o viés foi a fotografia como meio de informação. Com certeza foi uma experiência inesquecível produzir um projeto assim, com um tema tão complexo como fotojornalismo. No inicio o que mais se ouviu sobre o tema foi que “ele era um tanto quanto ousado”. Anteriormente a idéia inicial de se tratar do tema fotojornalismo nos pareceu tão lúdica, pensávamos mesmo que mostraríamos “O olhar do fotógrafo antes do click” como algo tranqüilo e singelo, quando na verdade os momentos antes do click, segundo a maioria dos fotógrafos entrevistados são de tensão e “não se pensa muito, se faz a foto, o mais rápido possível”. Um pouco de história foi importante na produção da matéria, isso
Bruna, André , Taís e Christianne
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Internet aproxima economia das pessoas César, Lilian, Vanessa Piazza, Luiza, Gabriela, Marcella e Vanessa Faria
porque muitas pessoas desconhecem o que é, e como surgiu o fotojornalismo no Brasil e no mundo. O mesmo acontece com o Prêmio Esso de Fotografia que para os profissionais do ramo é a premiação mais tradicional e importante à nível
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nacional. A repercussão da fotografia para o profissional e para os personagens é outro aspecto abordado. Uma fotografia impactante pode sensibilzar a sociedade e modificar a vida de muitas pessoas. (Marcella Maganha e Vanessa Faria)
O Jornalismo tem sofrido intensas inovações quando inserido no ambiente digital. As novas mídias vieram para facilitar e dar agilidade à informação, e hoje um assunto que nem todo mundo domina pode ser facilmente compreendido graças a ferramentas que encontramos na internet. Calcular uma taxa de juros, por exemplo, pode ser feito por qualquer um e não mais por um especialista como antes. Podemos encontrar economistas em redes sociais que se manifestam sobre bolsa de valores, taxas de câm-
bio e outros temas. Temos acesso a uma informação que até há pouco tempo só era “procurada” por quem realmente era da área. Toda essa interatividade possibilita compreender a economia mais facilmente, através de blogs, twitter, redes socias, vídeos e outras ferramentas. As novas tecnologias, neste aspecto, constituem nova oportunidade para que as pessoas se informem sobre economia e deixem de lado o preconceito de que a informação econômica é chata e inacessível. (Christianne Abila)