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zen kids

EDIÇÃO 11 | OUTUBRO 2016 | MENSAL

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE EXPERIÊNCIA VEGETARIANA

ASSOCIAÇÃO FLOR DENTE-DE-LEÃO UM CONTRIBUTO SOBRE A PEDAGOGIA WALDORF

BATER OU NÃO BATER? A GRANDE CONTROVÉRSIA

FAMÍLIA| EDUCAÇÃO | BEM-ESTAR


Nr. 11 | Outubro de 2016

DIRECTORA E EDITORA Sara Morgado revista@zen-kids.org DIRECÇÃO COMERCIAL comercial@zen-kids.org COLABORADORES Associação Flor Dente-de-Leão, Rita Gonçalves, Clara de Sousa Almeida, Helena Maciel, Inês Campos Ferreira IMAGENS Pixabay, Photl, GettyImages PERIODICIDADE Mensal

SUBSCRIÇÕES revista@zen-kids.org projetozenkids@gmail.com www.zen-kids.org Rua das Camélias nº2 2710-632 Sintra

ZEN KIDS


revista ZEN KIDS

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WWW.ZEN-KIDS.ORG



CONTEÚDO NÚMERO 11

NESTA EDIÇÃO Editorial

7

Agenda

9

Alimentação Consciente: uma experiência vegetariana 10 Associação Flor Dente-de-leão : Pedagogia Waldorf : um contributo 14

Memórias de infância : que permanecem, nos alimentam e nos constroem 28

Amar ou Saber Amar?

20

Dicas para Dormir, Sozinho!

26

Bater ou não bater? A grande controvérsia

42

Relaxamento para Crianças

51



EDITORIAL

Sara Morgado DIRETORA/EDITORA

A revista ZEN KIDS teve a sua primeira edição em Outubro de 2015. Ainda não completámos exatamente 12 edições porque fizemos uma pausa para férias, mas este mês não deixa de ser um momento de comemoração. O nosso primeiro. Bem, como foi este percurso? Este percurso foi sem dúvida feito com muito esforço e dedicação, muitas noites sem dormir, poucos recursos a todos os níveis, muitos obstáculos a ultrapassar e muita aprendizagem. Numa palavra, muita resiliência teve que ser posta à prova. Mas a concretização foi acontecendo e tendo lugar, mês após mês. A chave foi a vontade e a crença na importância deste espaço. Penso que já o disse, quem me conhece sabe que sempre andei acompanhada de livros e revistas nas minhas casas. Em mudanças de casa, um grande volume de caixas eram dedicadas a este meu mundo. Na verdade, já cresci assim. Cresci numa casa onde mergulhava desde bem pequena em mundos que as folhas me davam acesso. E aí sonhava, desejava, tentava entender o mundo, com a alma aberta de quem não sabe o que vai viver nem que percurso vai tomar.É curioso, ou expectável, estar neste ponto agora. Há para mim algo nas palavras e na leitura, curiosamente, indescritível. Algures no momento em que criei o projeto ZEN KIDS sentia que esta era uma etapa do mesmo a deixar acontecer. Mas era um desafio não só concretizar, mas manter, mês após mês. Como faz a experiência em tudo na nossa vida, vamos vivendo, fazendo e percebendo, o caminho que percorremos e que vamos sempre percorrer. Neste percurso quero agradecer a todas as pessoas que através destas páginas virtuais partilharam aquilo que pensam, aquilo em que acreditam, os seus conhecimentos e a sua individualidade. Neste espaço comum que se concretiza com a revista ZEN KIDS nem todos pensamos da mesma forma. E não será isso tão rico? Na vida e no processo da mesma o mais importante talvez não seja assimilar as ideias que nos transmitem, mas refletir sobre elas, ouvir várias, e integrar o que nos faz sentido, o que nos toca. Deixo­vos aqui, e sempre, este convite. Agradeço também à minha mãe. Que na sua entrega tem também dedicado horas e noites à concretização de algo que, bem vistas as coisas, ela me ensinou a gostar. Como poderia também não fazer parte disto? Um também profundo obrigada a todos aqueles que leem, se interessam e partilham esta revista digital. É sem dúvida para vocês e por vocês que tudo isto é feito. Juntos, fazemos sem dúvida mais. E mesmo não nos conhecendo todos pessoalmente, conheço um pouco de todos vós, porque todos partilhamos dúvidas, necessidades e buscas comuns, e vocês conhecem um pouco de mim. E por último, um obrigada às crianças que, ao longo destes anos do projeto ZEN KIDS e também,agora, da revista, me levaram a mergulhar na minha criança, na criança que fui! E isso foi talvez a experiência mais importante e transformadora na minha vida até hoje. Sara Emociono­me. Mas é uma emoção tão boa!



AGENDA

OUTUBRO 16

9­PORTUGAL POR MIÚDOS ­ UMA VIAGEM PELA HISTÓRIA DE PORTUGAL A PARTIR DAS 16H MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA ­ MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS

6 A 9 ­ GREENFEST

CENTRO DE CONGRESSOS DO ESTORIL A PARTIR DE 15­ MÚSICA PARA BEBÉS NAS BIBLIOTECAS DE LISBOA 1 BEBÉ E ATÉ 2 ADULTOS : 15€ 15 de Outubro ­ Biblioteca de Belém 20 ­ WORKSHOPS PARA GRÁVIDAS NA CUF DESCOBERTAS TEMA "AMAMENTAÇÃO" GRATUITO BIBLIOTECA DO HOSPITAL CUF DESCOBERTAS 15/10 A 18/12 ­ HAKUNA MATATA O MUSICAL das 11h até às 15h ACADEMIA DE SANTO AMARO , LISBOA


Alimentação Consciente Um experiência vegetariana


Nos dias de hoje, o debate e a informação que é vinculada nos meios de comunicação, sobre a alimentação consciente, aborda estudos sobre os alimentos, opiniões muito diversificadas, mas pouca importância atribui às necessidades individualizadas de cada corpo em si. Quando conseguirmos observar o ser humano como um ser individual e único, facilmente será compreensível que o conceito de saudável para

alteração do regime alimentar, nomeadamente:

um, poderá não o ser para o outro. A

os proveitos para a saúde, a manutenção do

especificidade e complexidade de cada

equilíbrio no Planeta, a menor utilização de

organismo, implica uma adequada dieta

hormonas de crescimento rápido dos animais

alimentar, característica da sua individualidade.

destinados à alimentação humana, melhorar a qualidade do meio ambiente…

Porque deve alterar a sua alimentação, para um

Quanto mais cedo esta conversa acontecer,

regime vegetariano?

mais rapidamente serão interiorizados os valores de respeito por todos os seres vivos (em

Em minha opinião, a herança de hábitos e

especial os destinados à alimentação humana),

costumes alimentares enraizados nas famílias

pela defesa e preservação do meio ambiente,

tradicionais, ainda mais desmesurados quando

fundamental para restabelecer o equilíbrio do

existem crianças de tenra e média idade,

Planeta, de vital importância para a manutenção

potencia uma maior complexidade na alteração

da Vida!

dos hábitos alimentares. No entanto, quando

Reportando à população adulta, é primordial

são conhecidos os benefícios que essas

respeitar os pontos de vista de cada ser

alterações produzem, consciencializamos que a

humano, ressalvando as nossas convicções,

mudança é necessária e primordial para o nosso

sem necessidade de confrontos ou

bem­estar físico, psicológico e emocional.

sobreposições.No nosso quotidiano, as notícias

Partindo desta convicção, a alteração de regime

sobre diferentes patologias, são cada vez mais

alimentar será de uma facilidade ímpar e em

prementes, em especial das que obrigam a

consciência.

difíceis tratamentos médicos, quase sempre

Será de extrema importância a alteração das

com recurso à utilização de químicos

mentalidades e, considerando este um ponto de

(medicamentos) fortíssimos para o nosso

partida crucial para encetar o diálogo com os

organismo. A medicina convencional, na sua

nossos filhos, nos benefícios inerentes à

forma habitual de abordar a doença, opera no


Uma alimentação rica em vegetais, leguminosas, frutos secos e cereais integrais, tem a capacidade de regenerar o sangue, promovendo a sua alcalinização.


combate dos efeitos da doença, em precedência dos motivos que estão na origem da mesma. Por este motivo, é imperioso compreender e consciencializar, o quanto é importante proceder à alteração dos velhos hábitos alimentares. Uma alimentação rica em vegetais, leguminosas, frutos secos e cereais integrais, tem a capacidade de regenerar o sangue,

cozinha portuguesa, continuam muito presentes,

promovendo a sua alcalinização. A manutenção

nomeadamente no uso excessivo de fritos,

da alcalinidade do sangue, é a chave do

mistura exagerada de ingredientes, escassa

sucesso na regeneração e cura do nosso corpo

utilização das especiarias, factos que não

e consequentes sistemas (circulatório; digestivo;

abonam para uma alimentação saudável.

respiratório; nervoso; muscular; endócrino; urinário;reprodutor ou sexual; ósseo ou

Como vegetariana há mais de 25 anos,

esquelético). Resumidamente, estes serão os

aprimorei a simplicidade na confeção dos

principais benefícios da alteração do regime

alimentos, recorrendo ao uso das várias

alimentar.

especiarias que estão disponíveis, para

A consciência de que o excesso de consumo da

intensificar, mascavar o sabor dos mesmos,

proteína animal, é o principal foco de doença do

situação particularmente útil quando os

ser humano, está cada vez mais latente. A

destinatários dos alimentos são crianças. Assim,

própria Organização Mundial de Saúde,

conseguimos satisfazer todas as necessidades

promove e aconselha a alteração profunda dos

orgânicas, facilitando o processo digestivo.

hábitos alimentares. Independente de tudo isto, a alimentação

Procuro por em prática diária, a célebre frase de

vegetariana, vegan ou uma outra qualquer que

Hipócrates "Que seu remédio seja seu alimento,

saia da tradição, tem sempre uma filosofia por

e que seu alimento seja seu remédio"

trás e, como tal, será uma forma de estar na vida.Particularmente, a experiência que tenho vivido, as mudanças e a consciência de como transformar o alimento de forma apelativa e saudável, são uma procura incessante.Na grande maioria da restauração vegetariana existente, os velhos hábitos tradicionais da

Rita Gonçalves Professora de Yôga Diretora Escola Yôga Braga Vice­Presidente da Associação de Cultura Yôga Braga – Rita Gonçalves Sede Social: Rua André Soares, 37 Braga Tlm: 910 922 128 www.facebook.com/bragayoga www.yogabraga.net


Pedagogia Waldorf um contributo


Todas as famílias procuram o melhor para as suas crianças, desejam desempenhar com excelência o seu papel de pai e mãe. E começa mesmo aqui, nestas palavras pequenas com três letrinhas apenas, a pulsar o núcleo necessário à formação, educação e aprendizagem. O Pai e Mãe, unidos na conceção da criança, fruto do seu mais puro e

Atua na harmonização das forças do PENSAR, SENTIR e AGIR,como processo interior de crescimento holístico ao nível pessoal e social

íntimo Amor, são os elementos basilares no apoio e construção desse Ser Humano

O criador da Pedagogia Waldorf foi Rodolf

pequenino que veio a este mundo para Viver e

Steiner, bem como da Agricultura Biodinâmica e

Crescer harmoniosamente e em Paz. E nesta

a Medicina Antroposófica, tendo como

busca de Paz, Liberdade e Harmonia, deixámo­

fundamentos ímpares os ideais da

nos encantar pela Pedagogia Waldorf que na

Antroposofia. Esta pedagogia contribui hoje para

sua simplicidade e leveza exalta o potencial de

o despertar de consciências, atuando na

cada Ser Humano no seu pleno e integral

autoeducação, sublinhado a importância da

desenvolvimento individual. Começámos como

comunhão das forças do nosso corpo com a

um pequeno grupo de partilha de ideias e

nossa alma e potenciando o desenvolvimento

conhecimento. O grupo cresceu e hoje somos a

da autoconsciência, da consciência, da

Associação Flor Dente­de­Leão. Apresentamo­

individualidade e da liberdade. Atua na

nos como núcleo co­criador de várias

harmonização das forças do PENSAR, SENTIR

intervenções de inspiração Waldorf, abrangendo

e AGIR, como processo interior de crescimento

as áreas da educação, saúde, agricultura,

holístico ao nível pessoal e social. Cada ser

ecologia, economia, espiritualidade, com o

humano é respeitado na sua individualidade e

propósito de contribuir para o desenvolvimento

este processo é potenciado através da forte

holístico do ser humano e, consequentemente,

componente artística que a Pedagogia Waldorf

da sociedade.

privilegia desde a primeira infância. Os materiais utilizados são naturais, como a madeira, o

.

algodão, a seda, a lã, a cera de abelha ou as tintas vegetais. Um dos itens de maior relevância e que suscita grande interesse é o desenvolvimento da criança subdividido em seténios.Tomemos como exemplo o primeiro seténio ­ dos 0 aos 7 anos.


O objetivo de Rudolf Steiner era uma educação de proximidade com os elementos familiares, com a realidade circundante e com a valorização da natureza como fonte de inspiração e desenvolvimento natural.


Neste período, a criança absorve o mundo que a

A salientar, de entre outros projetos em curso, o

rodeia, plasma as atitudes sem distinção,

projeto Nascer…Parentalidade Positiva que

aprende por imitação. Todas as pessoas com

contribui para a promoção da parentalidade

quem se relaciona possuem um papel de

consciente desde a conceção e faculta um

educador. Daí a importância da autoconsciência

acompanhamento pessoal e emocional a

das atitudes e da coerência entre o dizer e o

grávidas ou a famílias durante a gravidez, parto

fazer. A Pedagogia Waldorf foi posta em prática

e pós­parto. A Associação, em conjunto com

numa escola em 1919, integrada na fábrica

este projeto, organiza no próximo dia 15

waldorf­astória em Sttugart, dando origem ao

de Outubro uma manhã informativa para

nome. O objetivo de Rudolf Steiner era uma

grávidas e famílias, com ateliês infantis. A

educação de proximidade com os elementos

abertura será às 09:45 horas no Villa Prana, em

familiares, com a realidade circundante e com a

Portimão.

valorização da natureza como fonte de inspiração e desenvolvimento natural. A

Outra atividade a salientar é a realização de um

natureza serve de exemplo ao ser humano que

círculo de estudos nas segundas feiras de cada

se desenvolve por ciclos, com ritmo, movimento

mês, no qual se debate, estuda e reflete sobre

e diversidade. Na natureza estão contidos todos

os princípios da Pedagogia Waldorf e da

os reinos que se entrelaçam na existência do

Antroposofia. O círculo decorre na Escola

ser humano, o reino mineral, vegetal e animal.

Secundária Poeta António Aleixo em Portimão,

No estudo e compreensão de todos eles

pelas 18horas e a entrada é livre e aberta à

podemos alargar o conhecimento da

comunidade.

humanidade, os impulsos, pensamentos e ações e concorrer para a plena inclusão e aceitação do vibrar amoroso entre todos os reinos! Enquanto Associação pretendemos criar um espaço que suporte algumas valências, como uma creche, jardim de infância ou escola de primeiro ciclo e implementar projetos sustentados em escolas do ensino publico ou privado. Iniciámos, este ano letivo, um projeto piloto com uma turma de primeiro ano nas Atividades de Enriquecimento Curricular, de inspiração Waldorf, privilegiando o jogo, o ritmo, o movimento e a narração de uma história.


Todos os eventos e atividades da Associação estão em: (http://flordentedeleao.wixsite.com/ waldorf) e (https://www.facebook.com/asso ciacaoflordentedeleao/)

Os parágrafos anteriores servem de impulso a

Fica o convite a tomar nas própria mãos,

uma curiosidade que eventualmente pode

coração e cabeça a semente que possuímos

nascer no sentir dos leitores e leitoras. Trata­se

desde a nascença!

de uma pequena abordagem de um mundo de

Sintam­se felizes!

possibilidades que cada um pode escolher viver, descobrir, integrar ou refutar. Afinal o tempo é de tendências e reflexões, de realidades díspares, de convergência para a universalidade como forma de paz e liberdade individual, tomando consciência da responsabilidade de cada um nas suas escolhas e caminhos. Cada um é construtor da Vida que respira e expira! Por| Associação Flor Dente­de­Leão



Amar ou Saber Amar? UMA REFLEXÃO SOBRE O PROCESSO DO AMOR


Sobre o amor…

que passar primeiro por uma experiência e

Já dizia alguém, que não basta amar. É preciso

vivência interna, um processamento que tenha

saber amar.

espaço para acontecer no ambiente em que nos

E saber amar implica talvez uma certa evolução,

vamos desenvolvendo e também no tempo.

um certo processamento e auto conhecimento

Porque sim, tudo isto demora (e ainda bem) o

de nós próprios primeiro.

seu tempo!

Estejamos a falar de relações amorosas , onde

Vivemos numa época em que tudo se quer (e

depositamos muito de nós e daquilo que foram

é!) muito rápido e automático. Procuramos

as nossas experiências de vida; como nas

informação e rapidamente a temos, procuramos

relações com os filhos, onde depositamos muito

contacto com alguém e estamos (mesmo que

também da relação com os nossos pais, assim

virtualmente) em contacto com alguém. Temos

como um conjunto de expectativas, desejos e

à nossa disposição inúmeras possibilidades de

perspectiva de continuidade de nós mesmos.

auxílio para nos sentirmos melhor quando tal

Se o processo de auto conhecimento de nós

não acontece e, por tudo isso, talvez nos

mesmos pode durar uma vida, talvez não

lembremos poucas vezes, que tudo o que é

estivesse errado pensarmos que aprender a

realmente importante na vida, não está à mercê

amar é também um processo…

de um certo impulso, mas de um estado que vai

Um processo em que quanto mais nos

acontecendo, com tempo.

conhecemos, aceitamos a nossa história,

Há algum tempo, ouvi falar de um “movimento”

sentimentos e necessidades, mais teremos

que está a surgir denominado de slow parenting

capacidade para fazer o mesmo com os que nos

e que me chamou a atenção.

rodeiam. Muito falamos hoje de amor e de um estado quase mágico no qual automaticamente nos colocamos. Mas como deixaremos de ser exigentes com outro, se somos exigentes connosco? Como poderemos ouvir verdadeiramente outro, se não nos ouvirmos verdadeiramente a nós próprios? Como conseguiremos ter o afecto, o cuidado e carinho necessário a uma relação saudável com outro ser, se não cuidamos, acarinhamos e desenvolvemos afecto por nós? É como se a experiência e a percepção das “coisas” tivesse


É isto do que o amor (também) se trata. De darmos espaço e tempo aos outros. Para serem quem são.


Não estará tão longe assim daquilo que hoje entendemos também como uma parentalidade mais consciente, mas à qual poderíamos acrescentar esta noção muito concreta de tempo...De um tempo mais demorado e mais paciente, no contacto com os outros, no olhar, nos momentos que com eles passamos. Numa altura em que tudo, é tão automático. É isto do que o amor (também) se trata. De darmos espaço e tempo aos outros. Para serem quem são. Para serem ouvidos por nós. Porque o amor surge também desse olhar atento, dessa apreciação e desse paciente espaço. Como amamos os nossos filhos? A forma como amamos os nossos filhos pode estar intrinsecamente ligada à forma como sentimos que fomos amados pelos nossos pais. Pelo menos numa etapa mais automática, em que precisamos de processar essa nossa história pessoal e tomar consciência dela. Uma parentalidade mais consciente deve ser praticada não apenas na relação com os nossos filhos (ou seja numa perspectiva de nós para eles), hoje e no presente, mas através de um processo em que somos também mais conscientes de nós próprios, das nossas experiências e do porquê de agirmos desta ou daquela forma perante as situações que vivemos. Todos nós agimos impulsivamente e automaticamente, perante várias situações e sobretudo na relação com os outros. Tomar consciência da origem dessas reacções ou o

porquê de um determinado tom, palavra ou comportamento, criar uma turbulência interna, procurando perceber a origem do mesmo, é muito útil, no sentido em que quando tomamos consciência de algo ele ganha um carácter mais reflexivo e uma perspectiva mais abrangente do que víamos até ali. Quando conhecemos algo e temos uma maior consciência desse algo, quando ele surge novamente, podemos ainda não conseguir agir de forma diferente, mas tal permite­nos perceber que o ponto fulcral dessa situação não está apenas no outro, mas também em nós. E isso é sempre também um motor para algo mudar. Para além disso, uma reflexão, uma tomada de consciência é sempre um momento em que atingimos um maior distanciamento (saudável) de uma experiência vivida e isso é também um primeiro passo para aprendermos a lidar com ela.


Numa etapa posterior, claro que há comportamentos enraizados em nós que criam hábitos e que ,a partir dessa tomada de consciência, nos permitem mais facilmente alterá­los, aprendendo e praticando novas estratégias para lidar com a situação. Se vemos algo de outra forma, mais facilmente lidaremos com esse algo também de outra forma ou nos colocaremos no caminho de encontro de novas formas de o gerir. A tomada de consciência parece assim um passo inultrapassável para a mudança de um qualquer estado interior ou exterior. Porquê a relação entre tornar o inconsciente em consciente e o amor? Quando deixamos esse processo de auto­ conhecimento acontecer, aceitamos partes de nós e da nossa história que negámos, escondemos e colocámos na gaveta durante muito tempo e este é assim um processo de aceitação. E a aceitação é um processo importante. Por nós. E dos outros. O amor poderia ser de certa forma um estado de aceitação da individualidade do outro “misturado” com admiração e valorização desse mesmo outro. Esta aceitação e valorização , ou resumindo em amor, é um estado que, pelos filhos, pode levar­vos ao respeito por quem eles são, não apenas no caminho que querem seguir ou nas escolhas que fazem, mas também

ou de impulsividade. Poderia também ajudar­ nos a descobrir com curiosidade, com o tal tempo e paciência, o melhor deles, valorizando e admirando não o que eles podem ser e que nós de alguma forma não fomos, mas a beleza que repito, descobrimos em cada um deles. Ajudar­nos­ia também talvez a valorizar mais a infância, não procurando que as crianças sejam apenas um sucesso futuro, mas que a infância deles seja um sucesso. Um sucesso de brincadeiras, de corridas e energias em pico, de risadas por coisas sem sentido, de descobertas e exploração do mundo que os rodeia. O amor leva­nos a amar. Amar sente­se quando estamos abertos a descobrir a beleza em tudo. Na imperfeição e na perfeição.

aceitação e respeito pela suas experiências, idade, capacidades ou dificuldades, emoções positivas ou menos positivas, atos de sabedoria

Sara Morgado Projeto ZEN KIDS www.zen­kids.org



Dicas para dormir, SOZINHO!


Deixe uma luz de presença Numa fase inicial, deixar uma luz de presença ligada ajudará a que o processo aconteça de uma forma mais leve, auxiliando também a criança a lidar melhor com o medo do escuro Converse com ela Como em todas as etapas do desenvolvimento da criança é muito importante conversarmos com ela sobre aquilo que pode estar a sentir, ajudando­a também a entender sentimentos e emoções que estão presentes. Ajudará também a criança a processar melhor possíveis receios que tenha em relação a dormir sozinha no seu quarto Utilize histórias Há livros, como por exemplo, o Coelho que queria Dormir, do psicólogo Carl­Johan Forssén Ehrlin que facilitam o processo. Este livro foi especialmente elaborado para ajudar a adormecer as crianças incluindo no mesmo, momentos de bocejo , por exemplo, que facilitam a entrada no sono Estabeleça rotinas e horários Quando estabelecemos um horário e rotina para dormir ajudamos a criança a melhor interiorizar e respeitar o processo do que quando os horários e rotinas da hora de deitar forem alteradas de dia para dia

Peluches e afins Os peluches e bonecos acabam por ser para a criança uma presença que lhes traz aconchego e segurança no momento em que os pais não estão presentes e por isso poderá ser um elemento muito importante para fazer esta ponte Ajude­a a perceber que também tem o seu espaço É importante transmitir à criança também o porquê de cada um ter o seu quarto, ajudando­a a respeitar o seu próprio espaço, assim como o espaço dos pais Ilumine o escuro Muitas vezes as crianças percepcionam o espaço escuro de uma forma diferente do espaço com a luz acessa. É importante por isso mostrar à criança que o espaço se mantém igual, com e sem a luz apagada Por| Clara de Sousa Almeida


Memórias da Infância Que permanecem, nos alimentam e nos constroem


Havia o regato, com uma queda de água e que formava uma pequena lagoa, onde tantas vezes não só me sentava e molhava os pés, ou tantas outras, mergulhava naquela água límpida e fresca. Havia o cantar das rolas, o cucu, cucu, do cuco a quebrarem o silêncio no meio do arvoredo. Havia os cheiros, dos cedros, dos eucaliptos, alguns deles centenários, enormes, a sobressairem em direcção ao céu. Havia o abacateiro no pomar com um tronco que formava um assento e que se transformava na minha “casinha” na árvore. Dali podia ter uma vista privilegiada sobre todo o quintal e a casa e

Havia os passeios infindáveis de bicicleta por extensões de estrada de terra batida e caminhos que serpenteavam colinas e planuras sem fim.

funcionava como o meu “forte”, que até ser descoberto, funcionava como o meu refúgio, o meu domínio. Havia a vala, não muito longe da janela do meu quarto, que em determinada altura do ano se enchia de verdadeiros “colares” de bolinhas negras que mais tarde davam origem aos girinos e um dia se enchiam de rãs cujo coachar

Havia o cheiro da terra molhada depois das grandes chuvadas. Havia os momentos passados na horta, o “jardim mágico” do meu Avô, que ele trabalhava com tanto amor e eu, com o meu chapéu de pallha, sentada num banquinho feito por ele de troncos, onde ficava horas a fio a vê­lo trabalhar.

durante muitas noites era o som de embalo do meu adormecer.

Havia…havia tanto e tanta coisa para contar ainda.

Havia as longas e extensas plantações de maracujá a trepar como videiras primeiro muito verdes, depois salpicadas de cor quando em floração e mais tarde com os seus frutos roxos e suculentos.

A maravilhosa oportunidade de ter podido crescer em contacto com a terra, as árvores, os ribeiros, os pássaros, os animais, a liberdade, a natureza.


Mas, acima de tudo o contacto com a natureza, juntamente com o amor incondicional dos meus Pais, esses foram os maiores pilares para a minha vida, mesmo em momentos em que tudo parecia ruir.


ficou comigo para toda a vida, mesmo que nunca mais tenha tido o privilégio de voltar aos mesmos locais. Claro que houve mais vivências, partilhas, bonitas e importantes e que serviram para me estruturar. Mas, acima de tudo o contacto com a natureza, Perguntar­se­ão qual o sentido de tudo isto, plasmado numa revista vocacionada para crianças e Pais e que mais parece não passar de uma dissertação com uma pretensão mais ou menos

juntamente com o amor incondicional dos meus Pais, esses foram os maiores pilares para a minha vida, mesmo em momentos em que tudo parecia ruir.

poética e cândida dos momentos da minha infância, igual ou parecida à de tanta gente. Passaram­se muitos anos (aproximam­se os 62), muita tinta correu depois, muitas vivências, alegrias e dores, nascimentos e lutos, fizeram­se e desfizeram­se malas, estudos, vivencias em continentes e países diferentes, experiências de vida, umas que me abateram e outras que me construiram, mas que fazem parte da nossa caminhada, da nossa passagem por esta vida como seres humanos. Mas sabem uma coisa? Aquilo que mais permaneceu na minha lembrança até hoje, primeiro durante tempos acompanhada de uma nostalgia pungente e a pouco e pouco transformada no suave perfume da lembrança, foi o contacto com essa natureza selvagem e pura, esse experimentar de sentidos visual, olfactivo, táctil e sonoro…que ficou para sempre impregnado no meu ser, trazendo­me a paz, a força e a segurança e que

Mais tarde, já Mãe, com a minha filha bem pequena, longe da minha terra natal e sem hipótese de lhe proporcionar estas mesmas vivências porque a viver numa cidade, procurei, mesmo assim, criar rituais que lhe permitissem despertar esse mesmo gosto, em passeios a pé junto ao mar, na natureza, e à falta de outros, em jardins públicos.


E sei hoje que esse mesmo gosto pela natureza

Os tempos são outros, todos eles têm os seus

também ficou bem presente na vida dela e

aspectos negativos e positivos. Nos meus

também ela aprendeu a ir beber nessa fonte a

também nem tudo era perfeito. E nem toda a

paz e serenidade necessárias para todos os

gente teve hipóteses de viver infâncias tão

desafios da vida.

próximas da natureza. Os Pais têm hoje mais informação mas também outros desafios. A

Hoje tenho poucas ou nenhumas lembranças

tecnologia traz­nos novidades todos os dias,

dos brinquedos que recebia pelo Natal (à

com os seus aspectos positivos e também

excepção da minha bicicleta vermelha e branca,

negativos.

companhia permanente das minhas explorações), penso pouco em todos os bens

Há no entanto uma essência que permanece,

materiais que tivémos de abandonar de um dia

que devemos continuar a buscar e a transmitir

para o outro.

às nossas crianças com o nosso amor incondicional, e é ela a beleza e a paz que só a

O que ficou isso sim, para sempre, foram essa luz, esses cheiros, as árvores, os bichos, a terra, a liberdade, o prazer de os sentir e os viver.

natureza nos pode dar. Helena Maciel Formação em Chi Kung e Zen Shiatsu


“Um bebé é a opinião de Deus de que o mundo deve continuar” ― Carl Sandburg


BUDHA EDEN LUGARES PARA VISITAR EM FAMÍLIA

Badoca Safari Park

NOMADIC

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Talvez uma das coisas que talvez mais falte às crianças na atualidade seja o contacto com a Natureza e o conhecimento direto e presencial dos animais que tanto inundam vários desenhos animados que fazem parte da infância. Um local que proporciona uma experiência diferente para toda a família é o Badoca Safari Park. Aqui, em pleno Alentejo e com a possibilidade de visitar esta tão bonita região do nosso país, o Badoca Safari Park proporciona a experiência de ver bem de perto animais, que muitos de nós adultos, inclusive,

imagem de Badoca Safari Park

ainda não tivemos ainda anteriormente oportunidade de ver. Embora não estejam muitos deles no seu habitat natural, têm neste parque a possibilidade de habitar em grandes espaços, sem a limitação que acontece noutros locais semelhantes. O parque possui um restaurante, assim como parque de merendas, possibilitando também vários espetáculos ao longo do dia que fazem as delícias de pequenos e graúdos. Fica situado em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém e existe desde 1999. Tem uma área total de 90 hectares. A partir de 1 de Outubro de 2016 o parque está aberto de segunda a domingo (incluindo feriados) das 10h00 às 18.00h. O preço de entrada inclui o Safari, a Apresentação de Aves de Rapina, a Sessão de Alimentação do Lémures, o Passeio Pedestre e Visita à Ilha dos Primatas. Adultos – 17,50€ ; Crianças (4 aos 10 anos) – 15,50€ Séniores (+ 65 anos) – 15,50€ ; Família (2 adultos + 2 crianças) – 60€ (Bilhete válido apenas na bilheteira do Parque)

Imagem de Badoca Safari Park



O Canto do

LEITOR

Porque ler é o melhor remédio!

A REVOLUÇÃO SMARTFOOD

MEDO DO QUÊ?

ELIANA LIOTTA

RODRIGO ABRIL DE ABREU

A primeira dieta europeia com certificação científica. Um livro com muitas dicas para melhorar a sua alimentação.

Um livro que explora a noção do medo para as crianças , com a noção simples de o tirar da sombra.

1­2­3 Magia THOMAS W. Phelan

HISTÓRIAS PARA OS AVÓS LEREM AOS NETOS 2 ISABEL STILWELL

Um método de disciplina para crianças dos 2 aos 12 anos, com muitas dicas simples, práticas e eficazes.

Como indicado na capa "pais não entram!" Um livro para bons momentos de histórias entre avós e netos.


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hora de dormir Contos Quando estou com inveja sinto­me como… um monstro de olhos verdes todo torcido lá por dentro… Um cão que tem inveja do gato que está ao colo do dono. Quando estou com inveja… fico amuada no meu quarto, não falo com ninguém. Faço um desenho e depois rabisco­o todo por cima. Há muitas coisas que me fazem inveja.

Quando a minha professora escolhe outro menino para dar de comer aos peixes, eu fico com inveja. Mas depois ela escolhe­me para distribuir os livros novos, e eu ainda gosto mais de fazer isso! Quando o meu irmão mais velho vai para casa dos avós… eu fico com inveja.

Mas a Mãe disse que a minha amiga Sofia pode dormir cá em casa, e eu sei que vamos divertir­ Quando a minha irmã pequenina está a aprender a nos imenso. andar e a Mãe e o Pai parece que não reparam em Quando fico com inveja, sinto­me melhor se me mim… eu fico com inveja. lembrar de todas as coisas boas que tenho. Sinto­me melhor se conseguir alegrar­me com os Quando o meu vizinho do lado recebe uma bicicleta meus amigos pelas coisas que eles têm. nova… eu fico com inveja. Sinto­me melhor se o Avô falar comigo. Mas a minha bicicleta anda bem depressa, mesmo sem ser nova! Ele parece que sabe mesmo o que eu sinto. Sinto­me melhor se pensar numa coisa mesmo Quando o meu irmão e eu jogamos jogos, ele boa que me vai acontecer daqui a pouco tempo. ganha sempre e eu fico com inveja. Mas às vezes eu faço coisas que levam os outros meninos a ficarem com inveja… Quando a minha melhor amiga vai lanchar a casa de alguém, eu fico com inveja e digo que nunca Se eu me gabar de ter muitos brinquedos… ou mais brinco com ela. de ser a melhor de todos na natação. Por isso, da próxima vez que tiveres inveja, Mas depois telefono­lhe e peço desculpa, porque lembra­te de que às vezes os outros meninos sei que todos temos amigos. podem ter inveja de ti. Quando a minha irmã faz anos e recebe montes de prendas, todas para ela… eu fico com inveja. Alegra­te com as coisas que tens e deita essa inveja para o caixote do lixo! Mas depois penso que daqui a um mês e vinte e Brian Moses cinco dias as prendas são todas para mim! Tenho inveja Lisboa, Editorial Caminho, 1994


Bater ou não bater? A GRANDE CONTROVÉRSIA NA EDUCAÇÃO


Muito se fala hoje em dia sobre bater ou não nas crianças. Não como um acto de violência, mas como de educação. Talvez haja uma interligação entre estes dois termos neste caso. Ou não. Ficam aqui alguns pontos para reflexão!

Quando batemos, quem perde as estribeiras?

Normalmente quando se bate numa criança tal surge do facto de, perante a intensidade do comportamento da criança, o adulto perder a capacidade de gerir as suas próprias emoções sobre a situação. Somos nós adultos que nestes momentos perdemos a capacidade de gestão das nossas emoções e reagimos de forma impulsiva perante o comportamento. É difícil gerir as emoções perante a intensidade de emoções na infância? Claro que sim! Mas não será que quando batemos, estamos a passar exatamente pela mesma impulsividade que por vezes as crianças apresentam perante situações com as quais não conseguem lidar interiormente?

Porque batemos? Tentamos controlar a situação? O adulto tem, em última análise, maior capacidade física e mais força que a criança. Essas diferenças físicas são claras e inequívocas. Cada vez mais, hoje em dia, a outros níveis (mental e até expressivo) as crianças têm a capacidade de questionar, de expôr as suas ideias e pensamentos sobre várias situações. Não estaremos, quando batemos, a fazer um uso daquilo que conseguimos encontrar como maior diferença hoje em dia entre nós e eles, dando­nos isso uma espécie de varinha mágica para controlo da situação?

Antes batia-se e era normal e agora bater é um problema? A sociedade e o mundo vai evoluindo, sofre alterações e ganha novas ideias sobre a forma de estar consigo mesmo e com os que nos rodeiam. Assim como vários factos que eram anteriormente aceitáveis e hoje são para nós condenáveis, a forma como as coisas eram no passado adequadas, não tem que ser a forma como hoje as vemos também. Tal não se passa apenas na educação, embora por vezes tenhamos maior dificuldade em fazer alterações na educação, pela forma como tal está intrinsecamente ligado à nossa própria experiência da infância.

E onde fica a autoridade? O erro não está na autoridade ou na noção dela por parte das crianças, que poderá ser importante e necessária para a percepção de limites a todos os níveis, e por isso até estruturante. Há no entanto, várias formas de exercer essa autoridade e de demonstrar limites. Bater não é a única forma. Essa era a forma como uma grande parte dos nossos antepassados exercia a autoridade. Mas sabemos que a nível emocional, a humanidade passou e está ainda a passar por um grande processo de auto conhecimento, de percepção e inclusive de expressão das suas emoções.


Assim a palmada pode "ensinar a nĂŁo fazer", mas nĂŁo ensina O QUE fazer.


Hoje falamos do que sentimos com uma facilidade e abertura que não era vista anteriormente. Desta forma, a sensibilidade em relação aos que nos rodeiam também deve acompanhar essa processo. A autoridade pode ser então exercida com sensibilidade pela criança, as suas características e inclusive estádio de desenvolvimento.

O que sente uma criança quando lhe batem? Na verdade, a pergunta é : o que sentia em criança quando lhe batiam? Lembra­se? Verdadeiramente, o que sentia?

O que é que a palmada ensina?

Pelo forte reforço negativo, pode ensinar a não fazer algo. Uma primeira vez. Depois disso, a criança pode repetir o comportamento e vai

ganhando também defesas psíquicas em relação ao que o bater por parte dos pais a faz sentir , munindo­a de uma espécie de “carapaça emocional”. Assim a palmada pode ensinar a não fazer, mas não ensina O QUE fazer. Educar é guiar e apoiar o desenvolvimento da criança e isso passa não apenas por ajudá­la a perceber o que ela deve deixar de fazer, mas, e sobretudo o que ela pode fazer de diferente e poderá ainda não ter aprendido, percebido ou integrado Na educação não há, como em nada, respostas certas. Há opiniões e há um caminho que todos os adultos vão fazendo, juntamente com as crianças, no seu âmbito familiar. Importa procurarmos sempre percepcionar os nossos sentimentos e olhar as crianças com a sensibilidade que elas nos pedem.

Por| Inês Campos Ferreira e ZEN KIDS


QUARTOS PARA CRIANÇAS


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www.rhbabyandchild.com

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www.hgtv.com


relaxamento CRIANÇAS


Hoje deixamos a ideia de ,juntamente com a criança, colocarem uma música com vários sons da Natureza, como por exemplo, a chuva, o vento, entre outros e simplesmente ouvirem cada um deles tentando descobrir e identificar esses mesmos sons. O objetivo é praticar a atenção a cada um deles, numa perspectiva de descoberta de todos os que forem surgindo. Estamos assim também a desenvolver a concentração e a capacidade de estar no presente. Podem realizar este exercício durante um período mínimo de 10 minutos. O ideal seria realizarem este exercício em contacto directo com a Natureza. Sara Morgado


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