23
EMOÇÃO
FORMULA E
A
eletricidade não costuma combinar com os fãs das corridas e por alguma razão os carros cem por cento elétricos têm estado afastados das pistas da especialidade. O adepto clássico gosta de motores ruidosos, automóveis prestes a saírem das limitações dos circuitos, labaredas a serem cuspidas pelo chão e muitos litros de gasolina a serem expelidos pelos tubos de escape. Mas, numa sociedade cada vez mais evoluída tecnicamente, certos modelos de competição começam a ganhar, por direito próprio, a sua legitimidade no mundo do desporto motorizado. Basta pegar nos mais recentes protótipos de Le Mans — os mesmos que, através de complexos sistemas híbridos, combinam o melhor de dois mundos — para se ter uma ideia desta mudança de paradigma. A própria Fórmula 1 tem vindo a introduzir sistemas de recuperação de energia numa tentativa de tornar a disciplina mais ecológica. Só que, a partir de Setembro, tem lugar um novo campeonato que pretende alterar tudo o que conhecíamos até aqui. Já conhece a Fórmula E?
GRUDADOS AO ECRÃ
OAQUIFUTURO TÃO PERTO
Se alguma vez conduziu um carro elétrico, saberá que o binário máximo disponível logo a partir do arranque garante uma ligeireza pouco comum. Replicando o raciocínio num monolugar tipo Fórmula 1, não é difícil imaginar que as sensações ao volante sejam ainda mais vertiginosas, com a vantagem de serem bem aceites num contexto em que as pessoas, fanáticas ou totalmente alheias à passagem de carros hiper rápidos, se mostram cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade do planeta. Ora, é precisamente isto o que a Fórmula E promete: acelerações estonteantes (0-100 km/h em 3s), corridas equilibradas (no primeiro ano, todos os pilotos irão utilizar o mesmo carro para promover a competição) e tecnologia elétrica responsável e inovadora. Até ver, excelentes pretextos para ficarmos grudados ao ecrã. Não deixa de ser irónico que o primeiro campeonato
do mundo composto exclusivamente por monolugares elétricos seja alimentado por três empresas (McLaren, Williams e Renault) cuja história não pode ser dissociada da Fórmula 1 — a tal que sempre se assumiu como sorvedora de gasolina, promotora de grandes motores V10 ou V12 e precursora de uma evolução tecnológica que não olha a custos, mesmo quando a ideia é torná-la mais amiga do ambiente. A introdução, em 2014, de novos motores turbo de 1.6 litros, sucumbindo à pressão dos tempos modernos é um bom exemplo: são mais pequenos, fazem menos rotações e assumem-se mais poupadinhos, mas traduziramse num aumento aproximado de 40 por cento dos custos de todas as equipas. Já o que lhe vamos relatar de seguida segue uma lógica totalmente diferente.
COSMOPOLITA Com o objetivo de aproximar o público da nova disciplina, as dez corridas confirmadas da Fórmula E terão lugar no centro urbano de algumas das cidades mais cosmopolitas do mundo, como Londres, Pequim, Los Angeles, Rio de Janeiro e Berlim. Cada equipa irá correr com dois pilotos e quatro carros por prova, uma vez que os 800 volts das baterias de lítio desenvolvidas pela Williams para o SparkRenault SRT_01E suportam apenas 20 minutos de esforço. Para prolongar o espetáculo, os regulamentos definem que os pilotos irão saltar para um segundo SRT_01E a meio da corrida, efetuando, antes do final da mesma, uma segunda paragem nas boxes. O motivo? Regressarem (respire fundo) ao primeiro carro após as baterias deste terem sido devidamente carregadas ao longo de 20 minutos — o suficiente para realizar mais algumas voltas. Apesar de tudo,
VEL. MÁXIMA.......................................................... 225 KM/H 0-100 KM/H.......................................................... 3 S POTÊNCIA............................................................... 180 KW (280 CV) PESO........................................................................ 780 KG CAIXA........................................................................ DUAS VELOCIDADES BATERIAS................................................................ IÕES DE LÍTIO VOLTAGEM.............................................................. 800 VOLTS AUTONOMIA........................................................... 20 MINUTOS TEMPO DE CARGA............................................... 60 MINUTOS
INTEGRADAS NUM CONSÓRCIO CHAMADO SPARK RACING TECHNOLOGY, MCLAREN, WILLIAMS E RENAULT VÃO DETERMINAR O SUCESSO DA FÓRMULA E — O PRIMEIRO CAMPEONATO COMPOSTO EXCLUSIVAMENTE POR MONOLUGARES ELÉTRICOS. COM 10 EQUIPAS CONFIRMADAS E INÍCIO MARCADO PARA SETEMBRO, AS CORRIDAS DO FUTURO ESTÃO PRESTES A TORNAR-SE REALIDADE TEXTO ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES
THE TIME IS NOW - MOLOKO
130
WWW.TURBO.PT / JUNHO 2014
JUNHO 2014 / WWW.TURBO.PT
131