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CHAMA-SE GALLARDO GT3 E É UM OSSO DURO DE ROER. NÃO, NÃO ANDÁMOS COM ELE.... MAS FOMOS OS ÚNICOS A COLOCÁ-LO NO SEU HABITAT NATURAL.... ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES EXPLICA-LHE COMO.... TOUR ADA-FERNANDO TORDO
E M O Ç Ã O
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missão não era fácil: tínhamos de convencer um monstro de 1230 kg a entrar numa arena e sobreviver para contar a história. De preferência, sem mazelas. Pegámos-lhe de fininho, quase em pézinhos de lã, não fosse a besta acordar e dar connosco a agarrar-lhe nos cornos. Um ponto a nosso favor era a bateria estar desligada. Não pudemos ouvir o som do motor, é certo, mas também não havia a menor hipótese de levarmos com uma cornada ou de as luzes começarem a piscar violentamente como nos filmes de terror. “The Car”, de 1977, ou “Christine”, de 1983, são apenas alguns exemplos do que nos podia ter acontecido, para quem quiser refrescar a memória. Depois de 45 minutos de muita paciência (já com a ajuda de algumas tábuas de madeira para o fazer deslizar), o Gallardo da Goodsense Racing Team estava impecavelmente centrado na Praça de Touros de Coruche, no distrito de Santarém. As bancadas preenchiam-se com um vazio assustador. Os cavaleiros, ausentes. Os toureiros também. E os forcados, nem vê-los. Faziam-lhe companhia cerca de dez pessoas, como muitas vezes acontece nas provas do Campeonato Nacional de GT em que o público não comparece. Mas nem por isso o nosso touro perdeu brilhantismo. Ali estava ele — vaidoso, imponente. Luís Veloso, responsável pela Veloso Motorsport — a equipa que o afina para as corridas —, achou ao princípio que éramos malucos quando lhe ligamos pela primeira vez a propor esta ideia. Depois até achou giro: “Casar o símbolo da Lamborghini com as touradas é bem pensado. E original”, disse. Agradecemos a disponibilidade, até porque ficar atolado no meio de terra não é uma experiência propriamente agradável para um carro que custa 289 mil euros. Mas avisamos que da próxima vez queremos é andar com ele, está bem?
FOTOGRAFIA JOSÉ BISPO
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