APOIO CULTURAL
CASOS E CAUSOS
ENTREVISTA
“Quase gol do Grêmio Araranguaense” P. 4
Dr. Martinho P. 6 e 7
Av. XV de Novembro, 1807 - Centro - Araranguá Tel. (48) 3524-5916 graficacasadocarimbo@gmail.com
BONI chegou à redação do JORNALECO, pela primeira vez, através do Nilsinho Nunes, em junho de 1995. Gerou uma matéria para a coluna “Personalidade”, publicada no JORNALECO nº 25 (leia abaixo). Somente na edição nº 76, de 10 de maio de 1998, Nego Boni teve um primeiro texto de sua autoria publicado: “Hoje todos em todo mundo querem dar um presente às suas mães. Nos orfanatos, eles dizem: ‘Nós queremos uma mãe de presente’.” No JORNALECO seguinte, de 21 de maio, estreava o “Arquivo da Alma”, já com toda a tônica das idéias conceituais e poéticas do Boni. Sua coluna jamais foi interrompida nestes quatro anos, e o JORNALECO contou seu maior astro. Aureolada por sua morte prematura, a leitura dos escritos do Boni ganham nova dimensão. Sua sabedoria e sensibilidade tornam-se ainda mais táteis para o grande número de apreciadores, e aos críticos, que tinham alguma dúvida sobre o seu valor, uma releitura poderá encerrar qualquer dúvida para agora vibrar com a inteligência e a beleza dos escritos, ora sarcásticos e o mais das vezes líricos, do Nego Boni. (RG / J.163, de 1º/9/2002)
B
ONIFÁCIO de Souza Silveira, filho de Guilherme Manuel Silveira e Perpétua Custódia Maria de Souza. Uma “mistura de português, italiano, negro e bugre” gerou ao Boni, que fez amigos por todo o planeta. Nasceu na Sanga da Toca, Araranguá, em 26 de maio de 1938, onde morou até os três anos de idade. Morou depois em Passo de Torres até os seis anos de idade, quando voltou com a família para Araranguá e depois para o Arroio do Silva. Aos 18 anos foi para o Rio de Janeiro como voluntário do 1º Batalhão da Polícia do Exército. Entre 1960 e 1961, Boni integrou o 7º contingente do Batalhão de Suez, das tropas da ONU em prol da paz no Oriente Médio.
Em 1962, Boni fez concurso para a Patrulha da Polícia Rodoviária, onde ingressou em 1965, para se aposentar em 1984. Hoje ele nos fala: “Já tenho uma idadezinha avançadinha, já tenho a minha história pra contar. Uma das minhas últimas histórias se chama a história de Alcoólicos Anônimos. Hoje eu sou membro de A.A., frequento há 12 anos [em 19 de agosto de 2002 ele faria 18 anos de abstinência alcoólica e ingresso em A.A.] e foi lá que eu descobri um cara chamado Deus. Foi lá que eu consegui encontrar um cara, que hoje eu gosto muito, sou apaixonado por ele, chama-se Nego Boni. Gosto muito desse cara e agradeço a Alcoólicos Anônimos. Lá eu fui ver se havia alguém maior do que eu e encontrei. É por isso que eu só creio em duas coisas: em Deus e em mim. Em A.A. eu reencontrei Deus, depois de sair de um fundo de poço tremendo. Lá me mostraram que tinha uma coisa mais poderosa que o álcool, que era com o que eu me dava muito”. Perguntado sobre o Arroio [na época, parte da comunidade lutava pela emancipação, conseguida em 1995]: “Não dá nem de falar. Hoje não existe mais Arroio do Silva... perdeu o colorido. Onde foram parar a lagoa da Capivara e as ‘serras’ de areia? O animal homem foi lá e acabou com tudo. Ninguém nunca pensou que podia ficar desse tamanho”. Quando o Boni chegou ao Rio de Janeiro, um tenente perguntaria: “Quem é que sabe nadar, aí?” “Eu sei, sou o melhor nadador do mundo”, responderia o moço que vivia dentro do mar do Arroio do Silva e era tido pelos amigos como grande nadador. Mandaram-lhe cair na piscina do Tijuca Tênis Clube para dar uma demonstração. Depois, o tenente diria: “Agora saia da piscina e vá aprender a nadar”. Diz o Boni que, na verdade, só sabia se espernear em cima d’água. O negócio é que ele foi mesmo aprender a nadar, para se tornar o quarto
BONI NO ORIENTE MÉDIO (1960-61) / ARQUIVO J
Nego Boni
JORNALECO
NAS RUAS A PARTIR DE 18/01/2016
ANO 22 • Nº 473 Distribuição gratuita Periodicidade mensal Tiragem: 1.000 exemplares
CAMPEÃO DA LARM DE 1952 (LEIA SOBRE O G.E.A. NO J.470) / SALVADOR
JORNALECO ARARANGUÁ, JANEIRO DE 2016 • ANO 22 • Nº 473 Boni faleceu aos 64 anos, no inverno de 2002. Escrevia no JORNALECO desde 1998 e publicou um livro. Morava no Balneário Arroio do Silva e foi um de seus maiores poetas, ao lado de Walter Quadros e de Maria Leofrísio
colocado nos 100m livres do campeonato carioca de natação da 1a Região Militar, e campeão pelo Brasil num torneio das Nações Unidas realizada em Gaza, no Egito, onde estava como soldado da ONU. Perguntei: “Se você fosse viajar hoje, para onde iria?” “Eu acabei de chegar de Cancun, no México. Quero ver agora se mato o sonho que está aflorado em mim, da criancice, que é a Disneylândia. Porque ser criança é a melhor coisa do mundo, e o doce é ainda a coisa que nos ilude melhor”. O texto acima foi transcrito do JORNALECO 25, de 25/06/1995, de depoimento do Boni a Ricardo Grechi, que escreveu. Na primavera de 1999, Boni lançou seu livro Arquivo da Alma. Em 15 de agosto de 2002, ele “partiu para o outro plano”. Deixou a Sissi, que o seguiu seis anos depois, e os filhos que tiveram: Bony, Boney e Richard.
t
Esta edição do JORNALECO está espetacular. A matéria sobre NEGO BONI mexeu comigo. Figura inesquecível. Lembro duma ocasião em que ele, policial rodoviário federal, me parou numa blitz (sabia que era eu, mas eu não sabia que era ele). Chegou na janela do carro, eu assustado e a aba do boné escondia seu semblante (de propósito), pra eu não ver seu rosto. Me passou uma bronca e me ameaçou de recolher o carro. Depois, quando viu que eu estava nas últimas do nervosismo, deu uma imensa gargalhada e gritou: “Aí seu nego cagão, tens medo mas não tens vergonha, né?”. Saí dali sem saber se sorria VENDAS E ASSISTÊNCIA TÉCNICA hometech@hometech.inf.br ou se praguejava pelo susto. Personalidades como o Boni não nascem mais. Tels. 3524-2525 / 9995-3737 Av. Getúlio Vargas, 930 - Centro São únicas. Deus jogou a fôrma fora. Aderbal Machado, via e-mail ©
CONTRACAPA ÁLBUM DE FAMÍLIA
H FUNDADO EM 18 DE MAIO DE 1994 H EDIÇÃO, DIAGRAMAÇÃO E REVISÃO Ricardo Grechi CONTATOS Rossana Grechi ASSISTÊNCIA Guaraciara Rezende, Gibran Grechi, Nilsinho Nunes IMPRESSO NA GRÁFICA CASA DO CARIMBO DE Rosa e Aristides César Machado PRODUÇÃO Nicolas FOTOLITO David PAPEL Toninho IMPRESSÃO Valdo, Welington
UMA PUBLICAÇÃO
ORION EDITORA Calçadão Getúlio Vargas, 170 88900.035 Araranguá - SC - Brasil
CADERNO CULTURAL © Ricardo Francisco Gomes Grechi (reg. nº 99866 - prot. 4315/RJ, de 17/07/1995) FECHAMENTO DESTA EDIÇÃO: 10/01/2016 21h25 Solicite-nos através de jornaleco.ara@gmail.com o recebimento do JORNALECO via e-mail (contendo variações nas amostras, a versão válida será a impressa)
ALEXANDRE ROCHA
Santa raptada reaparece no Morro Há tempos, foi raptada da capela do Morro dos Conventos a imagem de sua padroeira. Difícil foi encontrar seu paradeiro.
Dadinho e a crônica de um araranguaense em Jerusalém “Amigos, voltei de Jerusalém e passo a contar o que vi lá. Para começar, vou dizer-vos que foi o passeio mais bonito que já fiz”.
A CRÔNICA DOS ANOS 60 F CORREIO DE ARARANGUÁ
SOLO DO EDITOR
JORNALECO de dezembro já estava impresso, pronto para a dobragem. De repente, uma leitura superficial, apenas por passar o olho, e... cadê a Denise? Seu nome não aparece na relação dos filhos do Deoclécio e da Valkíria. Com uma caneta preta fina, fizemos uma marcação relacionando o crédito da foto ao texto em cada um dos 1.000 exemplares, amenizando o erro. É dura a vida do revisor. A coisa já está impressa quando, abruptamente, revelase algo que nos driblou a visão e o cérebro e se escondera até então, como obra de um diabinho que se divertisse com isso. Mas, numa jogada psicológica, temos contraatacado, publicando as edições virtualmente antes de enviar para a impressão. O cuidado na revisão (tipográfica, ortográfica e gramatical) é um dos nossos atributos essenciais, inserida aí a verificação das fontes e dos dados que vamos repassar – todos os textos, principalmente sobre Araranguá e região, gerados por nós ou para nós e os transcritos de outras fontes têm verificados os nomes próprios, datas, autorias etc. Para esse trabalho, consultamos diversas fontes, sempre prevenidos contra muita informação vaga ou equivocada que há por aí. Por exemplo, acompanhe trechos [comentados por nós] de uma seção de uma monografia disponível na biblioteca virtual de uma universidade aqui do sul do estado:
O
APOIO CULTURAL
Nego Boni, o poeta marisqueiro
APOIO CULTURAL
HOMENAGEM
TAGS z FLYERS z FOLDERS z CONVITES z PANFLETOS z EMBALAGEM z NOTAS FISCAIS z CARTAZES z CARTÕES DE VISITA z IMPRESSÃO DE LIVROS
“Edição inaugural” do Nosso Tempo, de 08/08/1986, e edição nº 47 de O Sul, de 25/12/1964
“Em 1929, surgiu O Campinas, de propriedade de Durval Matos ... [no livro de Wladinir Luz, Uma história diferente, 2008, à pág. 101, sobre o jornal Campinas – sem o ar tigo – consta que “há informações de que tenha sido publicado antes de 1926, não sabemos se pelo jornalista Durval Matos ou por outro. Porém não há, até o momento, nenhuma referência segura nos livros consultados, uma vez que não se conhece exemplares disponíveis que comprovem esta informação. Temos somente o número 1 da segunda fase, nos anos
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1930”. Wladinir tem em mãos a edição do Campinas de 5 de janeiro de 1936, ano III.] O veículo era da cidade de Passo Fundo, hoje, Santa Rosa do Sul [???]. ... O jornal Correio de Araranguá, do médico Wladimir Luz, chegava ao leitor em 26 de janeiro de 1960, sendo impresso nas oficinas pertencentes ao Tribuna do Sul [???]. [É Wladinir e a primeira edição do Correio de Araranguá é de 23 de abril de 1960 e o jornal era impresso em gráfica própria nos fundos do Cine Roxy, passando, em 1965, para o outro lado da Getúlio, na propriedade de Ernesto Grechi Filho, editor e principal responsável pelos 15 anos do quinzenário. Wladinir, seu fundador, ajudava a revisar e pouco escreveu; em 1962, o médico já residia em Polatina-PR, de onde virá para Nova Veneza, retornando a Araranguá só em 1970.] Posteriormente, O Sul, de Osmar Nunes, em 31 de janeiro de 1964, impresso em Criciúma, na gráfica Tipoarte. Em 1965 [???] foi fundado Nosso Tempo, dos diretores Aryovaldo e Agilmar Machado ... [Nosso Tempo teve sua “edição inaugural”em 8 de agosto de 1986 (temos a edição), não 1965! Quanto ao O Sul, a data bate, mas no expediente do jornal consta o endereço das “oficinas e redação” em Araranguá. A única fonte citada nesta subseção da monografia é“MACHADO, Agilmar; TORRES, Osvaldo. História da comunicação no Sul de Santa Catarina. Criciúma, SC: BTC Comunicações, 2000”, mas não diretamente nos parágrafos dos trechos aqui reproduzidos; e nas referências também não há o que lhe ampare].” RICARDO GRECHI
A marca do seu parceiro de estrada
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JEEP WILLYS 1954 (EUA)