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Uma andorinha pode fazer a Primavera
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Como nos mostra o artigo Ser imigrante em Portugal, de Elisson S. de Jesus, essa atitude defensiva criou um sistema em que quem v e m
de fora precisa de ter documentos para obter trabalho e de ter trabalho para obter documentos. Com a inserção social dificultada, aumenta a vulnerabilidade destas pessoas face a indivíduos pouco escrupulosos que saibam como tirar partido da “pescadinha de rabo na boca”. Num mundo como o actual, é preciso reflectir cada vez
mais sobre esta temática pois, como nos diz Adel Sidarus no texto Europa aberta, Europa solidária: «Na hora global só existem soluções globais! Não há direitos humanos, se faltarem a populações inteiras do globo os meios de exercerem e alcançarem esses direitos – a começar pelo direito ao pão, à saúde, à educação, a u m a vida minimamente digna». Preocupada com a questão no seu território,
Olhares sobre a biodiversidade
a União Europeia (UE) declarou 2010 como o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social (www.2010againstpoverty. eu), com o objectivo de alertar consciências e renovar o compromisso político comunitário
na luta c o n tra estes problemas, uma vez que as estatísticas indicam que quase 80 milhões de euro-
peus vivem no limiar da pobreza, ou seja, vivem num clima de insegurança e sem aquilo que a maioria das pessoas dá como garantido. Na região de Setúbal, a pobreza e a exclusão social são realidades de todos os dias, como realçou em entrevista Constantino Alves, pároco de Nossa Senhora da Conceição. Preocupado com a juventude desocupada e em risco de ser seduzida pela marginalidade, o padre
ASTROLÁBIO
critica a quase ausência de parcerias e sublinha que já há quem diga que o excesso de instituições de apoio nos bairros desfavorecidos torna as pessoas passivas e destrói dinamismos e redes de solidariedade entre vizinhos, criando uma cultura de dependência que prejudica a emancipação individual.
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Sensatamente, o povo diz que «uma andorinha não faz a Primavera», querendo transmitir a ideia de que devemos recolher mais do que um pequeno indício antes de afirmar que estamos à beira de uma grande mudança. Por isso, confesso que não liguei muito quando as andorinhas que habitavam uma caixa de persiana em minha casa decidiram migrar para outras paragens, semanas antes da chegada do tempo frio. Não sei quem lhes faz a previsão meteorológica, mas o certo é que, ao longo dos últimos anos, caracterizados por Invernos amenos, elas tinham adoptado aquele espaço como morada permanente, levando-me a pensar que as alterações climáticas as haviam tornado sedentárias, apesar das asas que lhes permitem voar para qualquer local, sem a exigência de mostrar vistos ou passaportes à entrada ou obter autorizações de trabalho e de residência nos sítios para onde migravam. Vantagens de se s e r ave e de ganhar o céu em vida. Sorte idênt i c a não temos nós, seres humanos, que ao longo de séculos inventámos fronteiras, burocracias e outros obstáculos para nos protegermos de eventuais ameaças externas.
NR 01
Ano: 2010 . nr 01 . Mês: Fevereiro . Mensal . Director: Luís Humberto Teixeira . Preço0,01 €
às relações sociais entre seres humanos. E estende-se às páginas deste mensário. Ao estar aberto à colaboração dos seus leitores, O SUL – Jornal Cultural e de Debates pretende contribuir para diversificar os temas discutidos no espaço público e o número de vozes que sobre eles se pronunciam, procurando sempre que tal ocorra de forma construtiva e sem aumentar o ruído instalado. Acreditamos que este jornal é um indício de novos tempos que se avizinham, é uma andorinha que, não fazendo sozinha a nova estação, poderá contribuir para que ela surja em breve. C o m o cantava José Afonso no seu Coro da Primavera, de 1971: «Ouvemse já o s rumores, ouvem-se já os clamores, ouvemse já os tambores».
Ser imigrante em Portugal
Consciente do que está mal, Constantino Alves tem, contudo, esperança num futuro melhor e, para combater o racismo latente na sociedade, usa a igreja como laboratório de interculturalidade e participação de todos. Afinal, é a existência de variedade que torna o mundo num lugar mais valioso e cumpre-nos a todos pugnar pela salvaguarda das diferenças que nos enriquecem. Esta ideia, presente nos artigos de Antunes Dias, Rute Vieira e Lurdes Soares sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, aplica-se tanto aos ecossistemas naturais como
Luís Humberto Teixeira luis.teixeira@jornalosul.com
DIÁRIO DE BORDO 2-3 . Constantino Alves, padre e vigário forâneo de Setúbal
6 . O consumo de animais na alimentação contemporânea
10 . Rituais, devoções e manifestações de culto na Palmela do séc. XVI
13 . Raquel Mendes, vencedora do Resarte 2009
4 . Ser imigrante em Portugal
7 . Uma lição a aprender com Timor
4 . Solidariedade para com os trabalhadores da Limpersado- Portucel
8 . Biodiversidade e sua importância
11 . A placa epigráfica árabe encontrada na Gruta 4 de Maio
14 . VI Encontro sobre as Ordens Militares de Palmela
12 . Livros, conspirações e revoluções
14 . Desafios para as próximas edições
12 . Silêncio e tanta gente
15 . Os círculos de uma gata
5 . Europa aberta, Europa solidária
8 . Bio adversidades 9 . Um olhar sobre a biodiversidade