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Eu sou todas as criações já produzidas por mim

Eu, Filipe Lopes, através do meu olhar vejo quem sou, quem fui, mas não quem serei. Desta incerteza estou eu certo. Penso que sei o porquê. O papel começa a ser escrito a caneta, mas não posso saltar as páginas da frente.

Vejo-me pequeno, nem cinco anos tinha. Saudades desse tempo aonde a imaginação via em tudo possibilidade. Saudades desse tempo onde tinha eu tempo. Tempo em que vinte e quatro horas eram mais que apenas vinte e quatro horas. Tempo em que criava os meus próprios brinquedos, normalmente feitos de papel. Não sei se o posso considerar, mas papel era o meu brinquedo favorito. Lembro que quando queria muito um brinquedo, mas não o recebia, simulava e replicava as mesmas funcionalidades num brinquedo imaginário. Criava coleções, revistas, caixas, jornais, eventos, museus e até mesmo jogos de cartas. Penso na vida da mesma forma. A vida é um papel. Eu crio o que quero nela. Eu sou todas as criações já produzidas por mim. Eu sou as minhas ideias, as minhas memórias e pensamentos. Mas é difícil criar aquilo que ainda não foi pensado. Quero continuar a criar até chegar ao meu limite, até ao dia em que não tenha mais ideias e a minha inspiração desapareça. Desta maneira, acho o futuro incerto, por não saber aquilo que virei a ser. Eu sei quem fui, quem sou..., mas amanhã continuarei igual? As várias páginas do papel são numeradas.

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Uma pequena mudança pode simplesmente mudar o rumo da nossa vida. Que indecisão é, às vezes, tomar escolhas. Sempre fui incerto e indeciso. Em que será que me irei tornar, consequência das minhas escolhas? Escolhi mudar de escola por vários motivos. Afastar-me do meu habitual, do meu aconchego. Assim, desde que entrei para o Colégio Internato Claret, várias foram as mudanças na minha vida. Por estar mais longe da escola que frequentava, o mundo diferente era agora muito diferente. Facto é dizer que me senti sempre mais seguro nesta estadia. Consigo olhar para quem era e olhar para quem sou e certamente dizer que mudei, que evoluí. Afinal, pela primeira vez estava longe daquilo a que me habituara durante uns anos. Caras novas, lugares novos... Apesar de ter sido uma época difícil e diferente, recordo com nostalgia os dias em que estas mudanças ocorreram... Bons e maus momentos. É como tudo na vida. Tenho de valorizar

todos estes momentos e fazer deles boas memórias. Eu sou composto por memórias. As várias páginas do papel começam a ser agrafadas.

Sou mais um, sou mais que um, sou ninguém... Sou tudo. Sou, a meu ver, o que criei. Tenho em mim todas as ideias e memórias que me permitiram chegar a este percurso. Sou o que quis e talvez quem quero ser. Para isso, continuarei com o mesmo pensamento: criar. Criar o importante. Criar a inspiração. Criar memórias. Criar o que posso. Irei criar o meu papel e escrever a minha própria história, a história que me tem como protagonista. Apenas tenho de continuar a escrever, sem pensar em apagar nada. As várias páginas do papel ainda têm de acabar de ser escritas.

Filipe Lopes

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