TST 016

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TST Rodrigo Hammer’s

FOXTROT 47 anos depois The Sound Tribune

Steve Hackett, Phil Collins, Mike Rutherford, Peter Gabriel e Tony Banks relembram a criação de uma obra-prima, que mudou a história do Genesis e do Rock Progressivo

Número 016 - 14/04/2019 - 20/04/2019


emoção da CAÇADA

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Com ‘Foxtrot’, lançado em 1972 a bordo da épica suíte Supper’s Ready, o “Rock Teatral” do Genesis transformava-se de cativante a bombástico. Proeminência exuberante do Mellotron. Steve Hackett, Mike Rutherford, Tony Banks, Phil Collins e Peter Gabriel revisitam, hoje, a criação de um verdadeiro clássico do Progressivo.

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Texto – Chris Roberts | Tradução e Adaptação – Rodrigo Hammer


“‘Foxtrot’ foi quando pela primeira vez começamos a nos tornar importantes.” TONY BANKS

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Foxtrot, surgido há quase um século, é em geral definido como um tipo de dança em sequência, de movimentos fluidos e contínuos. Já o álbum homônimo do Genesis, lançado há quase 47 anos, logicamente possui uma dinâmica semelhante, talvez até mais acentuada. Nos dias de hoje, soa único, dramático, emocionante e ambíguo como sempre. Foi quando a formação mais clássica da banda finalmente se estabeleceu: quando concluíram o quanto ainda podiam avançar, e até onde poderiam chegar. “O disco foi como criar um filme para os ouvidos, ao invés de para os olhos”, diz o guitarrista Steve Hackett.“E até chegou ao número 12 nas paradas de sucesso”, acrescenta o tecladista Tony Banks.

“Claro, na semana seguinte já estava despencando para o número 27 ou algo do tipo. Mas era a primeira vez que tínhamos conquistado alguma coisa, então, sentimos que estávamos no rumo certo, que caminhávamos para algo diferente. ‘Foxtrot’ foi quando pela primeira vez começamos, a meu ver, a nos tornar importantes.” Enquanto todas as faixas do álbum são vigorosas e criativas, o disco é dominado pela suíte de 23 minutos e sete partes, Supper’s Ready, que toma todo o Lado 2 do vinil (n. do t. a vinheta Horizons se trata de outra faixa). É um dos pináculos do Progressivo, ao ligar partes curtas e surreais com excertos neoclássicos e passagens mais serenas com stacatto frenético, num tipo de realismo paroquial mesclado a sonhos de alto hermetismo.

E então haviam cinco: (da esq. para a dir.) Steve Hackett, Mike Rutherford, Peter Gabriel, Phil Collins e Tony Banks

Em meio a tamanha ambição, Peter Gabriel canta acerca de batalhas entre o bem e o mal, entre o amor e a guerra, de bombeiros, fazendeiros e flores; um sapo que foi um príncipe (que por sua vez foi um tijolo, que foi um ovo, que foi um pássaro); do número 666 e uma nova Jerusalém (n. do t. referências à letra da suíte). Aquilo foi impactante na época, e permanece uma verdadeira conquista em termos de escala e visão. Roger Taylor, do Queen, chegou a descrevê-la “aconchegante, bela, torturante e épica, alternadamente”. ‘We’ve got everything’, declara-se sugestivamente na letra. “We’re growing everything...’ Ao passo em que Supper’s Ready seria o alicerce do álbum, o restante dele deveria ser apreciado muito mais que apenas penduricalhos em torno da faixa principal. Mais estranho, é saber que veio à luz de forma despretensiosa, sem qualquer plano ambicioso de torná-lo no que acabou se tornando. Steve Hackett se encontrava exausto pela extenuante programação de tounées à época, bem como ainda intimidado pelo nível de excelência dos colegas de banda (“Esses caras são muito bons”, lembra-se de ter citado). Tendo regravado Supper’s Ready e outras faixas para o álbum ‘Genesis Revisited II’ (em 2012), recordase dos passos que levaram à gravação de ‘Foxtrot’: “Não havia muito tempo de folga; éramos uma banda que trabalhava muito ao vivo”, conta. “Enquanto no anterior, ‘Nursery Cryme’, tiramos o Verão para compor e gravar tudo junto, com todos entrosados - dessa vez estávamos em trânsito, entrando e saindo em estúdios. Lembro de voar de volta da Itália para regressar em um dia ou dois na frente dos outros que estavam na estrada, apenas para finalizar as minhas partes de guitarra do final de Supper’s Ready. Por isso, se há um álbum que não soa como algo feito às pressas, este é ‘Foxtrot’. “Talvez não. Mas quando você termina algo, sabe exatamente qual era o intuito daquilo. Quem faz, sempre vai ficar procurando melhorar. Geralmente concordamos quanto a termos gravado Watcher of The Skies muito rápido. Hoje, soa como uma banda jovem tentando chegar às notas certas na base da pressa para encerrar a faixa. Mas uma vez que começávamos a tocá-la ao vivo, logo relaxávamos. A versão do ‘Genesis Live’ já está sob controle. Aquele ritmo é quase impossível para qualquer banda tocar com perfeição, cheio de armadilhas. Ainda assim, há muita coisa ali estranha e maravilhosa; uma banda em seu ponto mais criativo.”

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“Não éramos uma daquelas bandas chatas que ficavam fazendo a mesma coisa na guitarra”

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nsaios e (reuniões para compor) numa variedade de locais, devem ter colorido os ângulos e atitude geral do álbum. Hackett lembra que ‘Foxtrot’ tinha sido trabalhado numa porção de estúdios “monótonos e funcionais”, até se mudarem (sem Gabriel, que acrescentou as letras depois) para a Una Billings School of Dance, em West London: “Garotas dançavam no andar de cima, aprendendo sapateado e o que se imaginasse. E o som daquilo, aqueles ritmos, a gente ouvia através do teto. Ficávamos embaixo, no que já tinha sido um refeitório, então você tinha uma máquina registradora e um dispenser de balinhas no mesmo local. Tudo era um tanto estranho, e o clima acabou influenciando em nosso trabalho. Boa parte de Su-

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PHIL COLLINS

No sentido horário, partindo do canto esquerdo: Steve Hackett e Peter Gabriel, Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks

pper’s Ready foi composta em duas semanas naquele lugar. Com o sapateado vindo de cima, não dava para ficar sério por muito tempo, porque não tinha como não ouvir. Aquele ritmo começava e estourávamos de rir.” Watcher of The Skies surgiu de Banks brincando com um Mellotron. “Tínhamos comprado um usado pelo King Crimson, e Robert Fripp insistia em tê-lo tocado em ‘In The Court of The Crimson King’. Imagine que eles tinham três, e tenho certeza que ele dizia aquilo sobre todos eles quando os estava vendendo.” Hackett também ressalta a importância daquele instrumento no álbum. “Eu ficava insistindo que devíamos conseguir um, argumentando que ele tor-

naria as nossas narrativas muito mais intensas. Significava que a banda podia funcionar como uma máquina do tempo, com toda aquela mitologia. A ideia era de que todos os instrumentos antigos estivessem num só, dentro daquele verdadeiro Frankenstein que era o Mellotron. Era como uma orquestra alienígena sendo irradiada até você por satélite. E você era obrigado a respirar poeira de vez em quando. Também tinha um clima mórbido... Provavelmente é o teclado de maior influência na História do Rock.” Banks reconhece que ninguém nunca tinha ouvido “um som tão imponente como aquele antes.” E foi aquilo mesmo que deu ao disco a impossibilidade de não ser ignorado. “Time Table, Get ‘Em Out By Friday e Can-Utility And The Coastliners não despertam tanto interesse quanto as outras”, concorda Hackett, “mas todas fazem parte da jornada.” E não apenas pelas letras extensas e melodias intrincadas. “Há uma crítica social em Get ‘Em Out. E dificilmente o restante do álbum tem a ver com letrinhas românticas. Os elementos de Ficção-Científica mostram que Mitologia não precisa ter a ver, necessariamente, com nostalgia. Time Table tem algo mais: há uma magia especial entre o piano e a guitarra de seis cordas. É algo que ressoa. Você ouve aquele terceiro instrumento – que não é nem piano, nem guitarra – onde a distinção entre ambos é confundida. O trabalho de estúdio emenda tudo em algo único, funde uma coisa na


“O MESMO LANCE DAS SINFONIAS E CONCERTOS”

Toda a majestade de Supper’s Ready, a mais celebrada suíte da História do Progressivo

outra, como o que ocorre na simbiose mental de Jornada Nas Estrelas. Não é muito um álbum de solos.” “Não éramos uma daquelas bandas chatas que ficavam fazendo a mesma coisa na guitarra”, comenta Phil Collins. “Aí está algo que não fazíamos mesmo.”. Ele também sugere que Get ‘Em Out By Friday poderia ter sido composta para uma Big Band imponente. “Na época eu estava ouvindo Count Basie e Buddy Rich quando gravamos aquilo, mas aquele tipo de coisa não se encaixava à sensibilidade do Genesis.” Hackett gosta da expressão “acordes maiores”. “O Genesis construía melodias provenientes de acordes. Em Can-Utility, por exemplo, você tem aqueles momentos sincopados de orquestra. Tínhamos aquele sentimento embriagante que isso pertencia à nossa música, aquele feeling impressionista em que você não tem certeza do que está ouvindo. Isto marca bastante ‘Nursery Cryme’ e ‘Foxtrot’. Mike Rutherford, por sua vez, enfatiza o trabalho de composição. “Que é o motivo de eu nunca ter aceitado o rótulo de Progressivo”, afirma. “Algumas das bandas do gênero tinham muito mais a ver com musicalidade. Mesmo que tivéssemos faixas extensas, elas eram fortemente direcionadas para uma estrutura de canções comuns. Esta é a chave da longevidade.” Ainda por mérito das faixas de apoio de ‘Foxtrot’, a marcha rumo a Supper’s Ready sempre teve associado aquele senti-

Steve Hackkett - “Não consigo lembrar qual era a ideia, mas chegamos à conclusão de que se pudéssemos unir qualquer parte de música a outra, não importa quão diferentes os estilos, veríamos que a ligação ou o clima era forte o bastante. Então, trabalhamos na ideia da música contínua, sem propriamente dar um título a ela. E claro que essa abordagem em forma de jornada – mesmo desqualificada hoje por alguns – criava para uma ouvinte uma aventura, uma odisseia. Temas que ressurgem. Primeiro você ouve tudo de uma forma direta; aí tudo retorna com um tratamento completo de Mellotron. Gloriosamente. De certo modo, o efeito quando isso acontece, é como se as lembranças se tornassem mais agradáveis com o tempo. O mesmo lance das sinfonias e concertos. “Então, há um elo com o passado, mas Supper’s Ready era bem futurista naquele momento. As bandas simplesmente não estavam criando peças musicais como aquela. Acho que, na época, era a maior música tocada ao vivo por um grupo de Rock. Estávamos ecoando a liberdade que a música (e a educação) tinham nos anos ’60, então você tinha ali elementos surrealistas, psicodélicos, experimentais, quase aspectos obscurantistas.” Tony Banks – “A maior parte de Apocalypse In 9/8 compus como solos de teclado. Mas aí Peter começou a cantar sobre eles, porque as letras dele exigiam mais informação para sair. No início, devo confessar, fiquei puto, porque ele inventou de cantar sobre a minha parte. Mas acabei percebendo, hoje, que aquilo tinha todo a energia que tentávamos criar, princimento de “ameaça no horizonte”. Mesmo Horizons, o instrumental de Hackett que a precede, a seu ver funciona como uma “obra paralela”. Torna-se, isto sim, parte dela, como uma introdução, para depois começar a escalada insana. Peter Gabriel ainda se orgulha de Supper’s Ready. “Soa como se tivéssemos capturado pura emoção ali, principalmente no clímax”, chegou a declarar. “De minha parte, foi influenciada por The Pilgrim’s Progress, de John Bunyan – assim como ‘The Lamb Lies Down On Broadway’. Era aquela ideia da jornada. E na época tentávamos, conscientemente, romper com a tradição – propondo ideias e influências juntos, para ver se havia uma nova forma de uni-las. Ainda gosto dela, ela ainda me atrai.” De fato, Gabriel já considerou tocá-la novamente há alguns anos, mas admite que seria um tanto difícil para que sua banda aprendesse. Houve alguma resistência. Não é algo fácil,mas não me im-

palmente na parte do ‘six-six-six’. Você tem muita dramaticidade nos acordes em si, então o que ele fez, acabou elevando tudo a outro nível. Aquele meio minuto ou algo assim é o nosso auge.”

Mike Rutherford – “Foi um grande lance de sorte. Às vezes você simplesmente não sabe o que está fazendo. A parte final rolou sem esforço, como acontece com a boa música. Compusemos por alguns meses, mas o ato de gravar a faixa, pareceu muito fácil. Se as coisas levam muito tempo para acontecer, é um mau sinal. Quando Pete colocou os vocais do ‘six-six-six’, foi algo um tanto especial. Há dois momentos assim na história do Genesis, quando o jogo é valorizado pela voz sobre o instrumental e aquilo não tem a ver com o que você pensava no começo. A outra vez, foi quando Phil faz o mesmo no meio de Mama. Algo bastante intenso.” Tony Banks – “No começo dos anos ’70, tivemos sorte. Os Beatles tinham começado a ir mais longe, e depois recuaram. Mas acabaram abrindo uma porta. Por onde passaram bandas como Pink Floyd, King Crimson, Family. Todos pensamos então: ‘Agora podemos fazer o que gostamos.’ Nenhum daqueles álbuns vendeu muito, mas estávamos atraindo seguidores. Hoje em dia, tente dar às pessoas uma faixa de 23 minutos que se altera durante 15, mas que você precisa ouvir os primeiros 14 minutos de forma a apreciar totalmente aquele décimo-quinto minuto. É um senhor desafio. Algo diferente para tempos diferentes.”

Mais acima, um cenário mais sofisticado durante os shows que promoveram ‘Foxtrot’ Europa adentro

portaria de retornar a ela algum dia.” Banks se lembra de como as diferentes partes da suíte se juntaram: “Queríamos avançar”, explica. “Todos nós queríamos nos afastar das convenções; perguntavamos por quê insistir na fórmula ‘verso-coro - verso-coro’, etc. Dá para contar mais de uma história sem essa repetição. Começamos pensando que estávamos compondo uma continuação para Musical Box (do álbum anterior, ‘Nursery Cryme’), mas de repente já tínhamos aquela faixa tão bonita, Willow Farm, e pensei: e se de repente partíssemos dali para aquela sequência esquisita de acordes decrescentes, com os instrumentos mais altos, elétricos, chegando? Ninguém esperaria por isso. Uma vez que conseguimos fazer isso, pensamos: ‘bom, já estamos aqui, vamos continuar e ver até aonde isso vai. E ficou melhor do que pensávamos.” Com a habitual reserva inglesa, acrescenta: “Quando resolvemos tudo e finalmente fomos ouvir

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“Sentia-me como parte da banda.”

Paul Whitehead explica a eclosão do Geneis na arte do Progressivo e a criação da capa para ‘Foxtrot’ O visual marcante de Foxtrot é resultado do trabalho do designer inglês Paul Whitehead, também autor das duas capas anteriores do Genesis em ‘Trespass’ e ‘Nursery Cryme’. “Eu era o cara das artes para a Charisma”, afirma. “Quatro dos cinco caras do Genesis eram garotos de escola pública (n. do t. ao contrário do Brasil, elite em termos de educação), daí terem decidido abordar elementos das instituições inglesas. Em ‘Nursery Cryme’, o croquet, esporte altamente elitizado. Aí, me perguntaram o que faríamos para o próximo. Sugeri caça à raposa. E retrucaram sobre o que de original eu percebera na caça à raposa que poderia se aplicar ao álbum. Na época, eu tinha alguns amigos em bandas de Rock experientes em fazer tounées pelos Estados Unidos. E tinha muita amizade com Keith Relf, dos Yardbirds, que voltara de lá com a expressão ‘She’s such a fox.’ (N. do t. algo como, em Português, “Ela é uma gata.” Uma nova gíria para a Inglaterra. Daí, por que não colocar na capa uma raposa disfarçada de mulher para resolver? Claro que Peter Gabriel passou a usar o vestido vermelho no palco, com a máscara, reforçando a ideia. Supper’s Ready era algo com 23 minutos e múltiplas mudanças de traje, no que também ajudei. “Sentia-me como parte da banda, porque participava das reuniões e eles me passavam as letras das músicas enquanto estavam na fase de composição. Então, estava no jogo, e nos dávamos todos muito bem. Mas muita gente não via a conexão daquilo com o álbum, que não tinha nenhuma menção a caça à raposa. Tinha sido algo propositalmente enigmático.”

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pela primeira vez, ficamos tipo ‘Uau, é mesmo muito boa!” Colllins, que às vezes se mostra um tanto desapaixonado sobre alguns momentos da fase Genesis, reconhece: “Supper’s Ready ficou ótima. A música e a parte figurativa bem coesas, além de, nos shows, o visual ainda turbinar aquilo tudo.” Hackett concorda: “Não foi até a tocarmos ao vivo, com os recursos visuais e a performance de Peter, que tudo de certa forma funcionou. Éramos descritos como ‘Rock Teatral’ antes mesmo do termo ‘Rock Progressivo’ ser usado. Quando o álbum saiu, às vezes tocávamos aquele material para plateias que não passavam da indiferença.” Então, como ‘Foxtrot’ foi recebido na época do lançamento? O público se mostrou impressionado, confuso, encantado ou apenas indiferente? “Tudo isso ao mesmo tempo”, observa Hackett. “Não esqueça que não éramos os Beatles. Pouco antes de lançarem

A evolução de uma tela: mesmo após o sumiço da arte para ‘Foxtrot’, Whitehead ainda guarda as fotos da época

No alto à direita: Peter Gabriel vestindo uma máscara de raposa e o vestido da mulher, na tour de ‘Foxtrot’, Outubro de 1972

“Estávamos tentando romper com nossa tradição: unindo ideias diferentes para ver se poderiam se combinar.” ‘Sgt. Pepper”, se preocupavam se não teriam ido longe demais e se o público não reagiria àquilo com os polegares para baixo. Sentíamos em posição semelhante. Havíamos entrado numa espécie de zona obscura com Supper’s Ready. Era como um labirinto em camadas, e certamente não tínhamos certeza se a resposta seria positiva.” A capa surrealista de Paul Whitehead é, igualmente, parte da experiência imersiva do álbum assim como o prisma piramidal de ‘The Dark Side of The Moon’. Gabriel certamente embarcou na ideia, corajosamente desengavetando o vestido vermelho da mulher e uma cabeça de raposa para os shows. “Acho que para os fãs daquilo, sempre surgia o sentimento de assistir e pensar: ‘Estou aqui envolvido com algo que os outros não conhecem’. Era o gosto de um que se transformava em algo tribal; aqueles discos se tornaram importantes meios de ligação entre as pessoas. Onde a linguagem se ausenta, a música começa, e você acaba dividindo o mesmo sonho.”

PETER GABRIEL

“Músicos tendem a menosprezar o trabalho do início de carreira”, prossegue Hackett. “A necessidade de sempre ir adiante, pode se tornar primordial. Prefiro celebrar aquilo, e ver o que havia de correto. Se você tem paixão por algo, energia e honestidade, você sempre vai surgir com algo de valor. Você tenta produzir algo na base do instinto, ouvir a cada um sem ego, e às vezes obtém uma grande materialização daquele objetivo. Pode até não reconhecer isso no momento, pensar que se trata de algo passageiro, mas sempre virá alguém que verá o resultado como um retrato importante do momento. O músico pode continuar buscando algo, mas o público, os autênticos apreciadores, dirão: ‘Chega de buscar. Nós já encontramos.”

Saiba mais sobre a obra de PAUL WHITEHEAD em: www.paulwhitehead.com


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TST The Sound Tribune

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