EM Setembro | Outubro 2021

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EM PERIGOS DA ESTÁTICA ESTELLITO RANGEL JÚNIOR

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enômenos eletrostáticos podem ser encontrados em muitas instalações industriais, como, por exemplo, na fabricação de produtos farmacêuticos, agrícolas, plásticos e muitos outros. Esses fenômenos podem ser visíveis (centelhas), audíveis (assobios, estalos) e até mesmo táteis (choque elétrico, formigamento). No ambiente industrial, precisamos avaliá-los quanto à energia liberada e à possibilidade de ignição em áreas classificadas. Em auditorias realizadas, constatamos que os fenômenos eletrostáticos, na maior parte das vezes, são percebidos pelos trabalhadores, porém tratados sem a devida importância pela gerência, que os classifica como algo “curioso” e “inofensivo”. Nossa recomendação é que estes eventos, logo que notados, sejam relatados e investigados de imediato, antes que provoquem um incêndio ou explosão. Geração Na planta industrial, a movimentação de pós e o fluxo de líquidos podem gerar grandes quantidades de eletricidade estática. As pessoas também podem gerar eletricidade estática ao trabalharem movendo equipamentos ou simplesmente andando. Máquinas e equipamentos elétricos, em certas situações, podem gerar carregamento eletrostático nos próprios produtos processados na unidade. Uma boa parte da eletricidade estática na planta industrial é gerada nos chamados processos de “triboeletrificação”, que é a frequente formação e interrupção do contato superficial entre materiais. Acumulação Após ser gerada, a acumulação da carga eletrostática é o processo que 66 EM SETEMBRO/OUTUBRO, 2021

eleva o potencial a valores perigosos. A carga pode se acumular nos materiais do processo, em praticamente qualquer componente que não possua um caminho para a carga fluir ao solo. Os efeitos Dentre os efeitos mais comuns do acúmulo de carga eletrostática, temos as centelhas. O acúmulo de carga pode chegar a valores superiores à rigidez dielétrica do ar, promovendo “centelhas”, que costumam “saltar” alguns milímetros. Elas podem ocorrer, por exemplo, nos tambores de metal durante seu enchimento ou esvaziamento. Os líquidos de baixa condutividade, ao serem agitados em um reator, podem experimentar centelhas, que chegam a danificar as janelas de monitoramento visual. As centelhas podem ser observadas em: Descargas em escova – ocorrem em materiais isolantes que foram carregados, como, por exemplo, tambores de plástico. Descargas em escova são limitadas em energia, mas podem facilmente inf lamar os vapores da maioria dos solventes. Elas não são fáceis de detectar e, portanto, uma avaliação cuidadosa deve ser feita no ambiente industrial. Descargas em escova propagante – ocorrem quando há um isolador carregado nas proximidades de um condutor, e também quando um pó f lui através de um tubo de plástico, ou mesmo quando o pó se acumula em um contêiner revestido em plástico. Sua energia é suficiente para inf lamar qualquer atmosfera explosiva. Tais descargas podem emitir luz brilhante, ruídos e causar danos nas superfícies dos materiais isolantes. Descargas cônicas – é um caso especial de descarga em escova que ocorre na superfície de um pó que se acumula, a partir de um funil condutor. Estas descargas tendem a ter direção radial e possuem energia suficiente para inf lamar nuvens de pós combustíveis e vapores inf lamáveis.

Apesar de raramente serem observadas a olho nu, o aparecimento de alguns distúrbios ao longo dos dutos permite perceber a ação do acúmulo de cargas eletrostáticas e de provável ocorrência de descargas cônicas. Conclusão As centelhas devido à eletricidade estática causam vários incêndios e explosões industriais todos os anos. Avaliações especializadas do risco eletrostático são recomendadas, com o objetivo de identificar os pontos fracos e estabelecer métodos de controle, o que constitui a melhor maneira de evitar explosões e incêndios causados por eletricidade estática em suas instalações. Portanto, eventos eletrostáticos na unidade industrial devem sempre ser relatados e investigações por profissionais especializados devem ser feitas para garantir que eles não se tornem precursores de um incêndio ou explosão, que podem ser devastadores. Caso você tenha dúvidas sobre eletricidade estática, envie para o e-mail em@arandaeditora.com.br. Elas poderão ser abordadas em uma próxima edição.

Estellito Rangel Júnior, engenheiro eletricista, primeiro representante brasileiro de Technical Committee 31 da IEC, apresenta e discute nesta coluna temas relativos a instalações elétricas em atmosferas potencialmente explosivas, incluindo normas brasileiras e internacionais, certificação de conformidade, novos produtos em análises de casos. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões ao especialista pelo e-mail em@arandaeditora.com.br, mencionando em “assunto” EM-Ex.


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