GNARUS - 53
de favores entre as facções políticos florentinos, permitindo que o desenvolvimento da cidade seja, em conjunto, o desenvolvimento de sua família. O mecenato era nesse período o financiamento das artes e apreço por novidades técnicas, foi ao longo do século XV influenciado pelo capital dos Médici em Florença, onde diversos artistas como Michelangelo (1465-1567) e Sandro Bottichelli (1445-1510) tiveram a oportunidade de produzir e divulgar seus trabalhos, sendo, o mecenato, uma forma de clientelismo de patrocínio mutuo, onde o artista tem a possibilidade e material de produzir suas obras e o financiador tem parte do crédito e prestígio de deter esse capital cultural.2 Usando da influência herdada de seu pai, Cosimo de Médici, estabeleceria as bases políticas para o fortalecimento dos Médici pelas próximas décadas na política de Florença, ao ponto que, seu neto Lorenzo (1449-1492), teria um vasto poder de
Nicolau Maquiavel
decretar, governar e deliberar dentro da República nas últimas décadas do século XV. Esse status dos Médici foi conquistado, além da influência política já existente, também através da compra e venda de cargos influentes, perseguições de outras famílias oligárquicas florentinas como os Albizzi ou os Paci e acordos de benefício unilateral na política beneficiando esta família. Todas essas manobras sendo realizadas dentro sede da República de Florença, o Palazzo Vecchio, maior símbolo da soberania republicada da cidade e, consequentemente, o maior símbolo do poder dos Médici. Com a ascensão dessa família de origem burguesa em Florença, ao longo do século XV, os Médici gradativamente articulam sua influência na política para permanecer no poder
os pilares dos ideais liberais republicanos.3 Em 1512, esse clã consegue se estabelecer no poder permanentemente e reformulando os altos cargos do governo da cidade, entre esses cargos a chancelaria, onde Nicolau Maquiavel (1469-1527) possuía o cargo, sendo deposto e exilado.4 No ano seguinte de seu exilio, Maquiavel escreve O príncipe (publicado pela primeira vez em 1531, pouco mais de duas décadas após a publicação, em 1557, o livro foi julgado pelo Papa Clemente VIII como uma obra condenável, contra a moralidade cristã, culminando com sua colocação no Index, pelo Concílio de Trento), sendo postulado somente como mais um espelho
justificado pelo desenvolvimento do bem público durante seu governo e, com isso, retardando 2 HIBBERT, 1993.
3 ADVERSE, 2007, p. 37. 4 HIBBERT1993, p. 26-32.
Gnarus Revista de História - VOLUME XI - Nº 11 - OUTUBRO - 2020