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suporte em suas propostas, mesmo diante de intensa oposição de críticos como Walmir Ayala e Jacob Klintowitz. Naquela mesma altura, Cosme Alves Netto coordenava a Cinemateca e, junto com Morais no setor de cursos, ambos tentavam promover uma transformação na programação do museu, de modo que esta mudança reforçasse seu caráter público e contribuísse para a formação de público, democratizando seu acesso. A programação da U.E. deveria estar integrada às demais ações do Museu, não sendo distanciada de outras atividades. Dentro do Setor de Cursos, por exemplo, a ideia é que se fundasse um “Laborat rio de Ensino”, para desenvolver novas propostas pedagógicas. Em entrevista a Júlia Rebouças, Morais diz o seguinte: Quando eu era coordenador de cursos do museu fiz aquela reforma em que eu procurei criar uma interligação entre todos os cursos, para evitar o isolamento entre as linguagens. Antes eram cursos de professores, não do museu. Cada um tinha seus alunos, ganhava um percentual e não participava de mais nada. Eu entrei pra tentar fazer com que os professores conversassem, que houvesse uma ligação e principalmente estabelecer um vínculo entre teoria e prática. Eu tentei mudar a coisa de tal maneira que os alunos se obrigassem a ter alguma informação teórica, para além das aulas práticas no ateliê. Isso depois eu tentei aplicar também na minha passagem pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A minha ideia, inclusive, era que eles pudessem passar por todos os ateliês e depois escolher escultura, gravura, etc., e que além disso tivessem informação sobre História da Arte. Para não ficar naquela de um músico que passa a vida inteira no piano. Na Coordenação eu criei os cursos noturnos, que eu chamava de Formação de Plateia, que eram atividades que se iniciavam às 18h, já que eu achava que poderia aproveitar aquele pessoal que trabalhava no Centro e que ia ao museu para passear e namorar. Minha intenção era que pudessem assistir a uma aula antes de voltar para seus bairros. O curso se organizava a partir de conferências com temas variados, que iam de Economia a história em quadrinhos. Havia um curso mais situado no assunto da arte que se chamava Arte e o percurso do objeto ao corpo, que era eu, Anna Bella Geiger e outras pessoas. Aos sábados, havia o ateliê infantil do Ivan Serpa, que sempre teve muito prestígio e foi apoiado pela Niomar Moniz Sodré [presidente do MAM], embora aquilo me incomodasse, pois eu sempre achei que uma aula de arte para crianças não deveria ser para formar artistas, mas para liberar o inconsciente, a criatividade. Aos domingos, tinha um curso popular de arte que era dado na Cinemateca, que lotava o auditório. Os artistas tinham o compromisso de dar uma aula por ano nesse curso de domingo, e eu também aproveitava nomes importantes que estavam porventura na cidade,