DBO Junho de 2020

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Pastagens

É tempo de plantar pastagens de inverno Há muitas opções de forrageiras, conforme a região do País, e técnicas de semeadura próprias para cada sistema de produção. Escolha a sua. Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, professor das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu); consultor associado da Consupec (Consultoria e Planejamento Pecuário), de MG, e investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.

Pastagem de inverno de braquiária ruziziensis, semeada junto com o milho e pastejada por novilhas cruzadas Angus durante o mês de julho.

N

os artigos publicados nas edições de outubro de 2019 e maio de 2020 de DBO, tratei do tema estabelecimento de pastagens perenes por meio de sementes e mudas, no período das águas. Os procedimentos apresentados naqueles artigos podem ajudar os pecuaristas a planejar o estabelecimento de pastagens no próximo período chuvoso (2020/2021), particularmente aqueles que se encontram em regiões do País onde as chuvas de primavera/verão começam em setembro/novembro e terminam em março/maio. Porém, ainda há tempo hábil para que produtores com fazendas localizadas em regiões onde ocorrem chuvas de final de verão e outono/inverno (janeiro/março a setembro) plantem as chamadas “pastagens de inverno”, como é o caso de algns Estados do Nordeste. Neste artigo, mostrarei como estabelecer essas pastagens. Para isso, tenho de dividir o Brasil em dois ambientes quanto aos tipos de clima: subtropical, compreendendo todos os Estados da região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), além da parte sul de Mato Grosso do Sul e São Paulo: e tropical, no restante das regiões e Estados do País. Ainda preciso caracterizar dois sistemas de produção: um de pastagens estabelecidas com espécies forrageiras tropicais e subtropicais perenes; outro de integração lavoura/pecuária (ILP). Por fim, tenho de caracterizar as forrageiras, dividindo-as em espécies adaptadas ao clima temperado (também conhecidas como forrageiras de inverno) e espécies de clima tropical e subtropical. Feito isso, vamos lá:

1) Pastagens de inverno sobressemeadas sobre pastagens perenes tropicais e subtropicais Nesta modalidade, as pastagens perenes são exploradas solteiras entre outubro e março (estações de primavera/verão) e em consórcio com forrageiras de inverno entre abril e setembro (estações de outono/ inverno). Na região Sul, essa modalidade de exploração de pastagens já vem sendo adotada pelos pecuaristas há pelo menos seis décadas. Lá têm sido usadas forrageiras como aveia, azevém, centeio, cevada, cornichão, ervilhaca, trevos, trigo e triticale, solteiras ou em misturas. Já na região tropical do Brasil, basicamente têm sido estabelecidas forrageiras como aveia e azevém, solteiras ou misturadas. Neste artigo, vou utilizá-las para explicar como estabelecer pastagens de inverno, já que são plantadas tanto em áreas de clima subtropical quanto em tropicais do Brasil. Nas subtropicais, ocorrem chuvas de outono/inverno e essa condição possibilita o estabelecimento de pastagens de inverno sem a necessidade de irrigação. Por outro lado, nas tropicais, as estações de outono/inverno coincidem com a seca, então, para estabelecer esse tipo de pastagem, é preciso irrigar. Neste sistema em questão (irrigado), a semeadura é feita entre início de abril e início de junho, idealmente em abril para ter um período maior de uso da pastagem de inverno. O plantio pode ser feito por meio de:

• Sobressemeadura – Neste método, a sequência de

procedimentos pode ser a seguinte: antes de os animais entrarem em um piquete, as sementes são distribuídas a lanço sobre o pasto; concluída essa etapa, o gado é colocado no piquete para pastejar a gramínea perene e pisotear as sementes lançadas sobre ela; depois, os animais são retirados e faz-se uma roçada do resíduo pós-pastejo. Esse material roçado formará uma camada de palha protetora sobre as sementes pisoteadas, favorecendo sua germinação.

• Plantio

direto – Neste método, a sequência de procedimentos pode ser a seguinte: os animais são colocados no piquete para pastejar a gramínia perene; após sua saída, faz-se a roçada do resíduo pós-pastejo e o material roçado forma uma camada de palha sobre a qual é feita a semeadura com plantadora de plantio direto.

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