A liberdade inscrita nos sambas enredos cariocas (1943 a 2013)

Page 131

Destacamos que, nesse agrupamento, três sambas-enredos tiveram como foco narrativo a primeira pessoa do singular. Os autores assumiam a voz dos indígenas em Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e Tabajares, da Imperatriz Leopoldinense, 1994, representando um índio forte, filho da sorte, natural, guerreiro e luz liberta no carnaval. (Anexo 79) De igual forma, em Todo dia é dia de índio, da Ilha do Governador, 1995, a primeira pessoa quer ver o sol brilhar, nas ondas do mar, é tupi, é mestiço e é linguagem do outro: “Mim só qué brasilidade”. (Anexo 84) No samba-enredo Palmares, a festa da liberdade, da Vila Santa Tereza, os autores dizem ser palmarinos, filhos de Xangô que pediam também graças ao “Meu deus Tupã”, são um índio flecheiro, que pesca, caça e guerreia, sempre guiado pela liberdade. (Anexo 119)

4.5 – A LIBERDADE, AS MULHERES E OS DIREITOS FEMINISTAS Dentre os sambas-enredos selecionados para esse terceiro ciclo, encontramos cinco que reverenciam a palavra liberdade: Elis Regina, Sinhá Olímpia, Leci Brandão, Tereza de Benguela e Elza Soares. Também, destacamos quatro canções sobre os direitos feministas. Foi a Mocidade Independente de Padre Miguel que, em 1989, homenageou a cantora Elis Regina com o samba-enredo Elis, um trem chamado emoção (Anexo 55): “Nas andanças, travessias/ No caminhar por entre as pedras desse chão/ Na perfeição de se cantar a liberdade/ Na poesia de uma canção”. Observemos que o compositor demonstra conhecer muito bem a biografia da homenageada: “Artista, mãe, mulher, irreverente e tão sutil/ Cantando uma canção/ Que faz lembrar o irmão do Henfil”. Sinhá Olímpia, uma das personalidades folclóricas de Ouro Preto, foi referência no samba-enredo E deu a louca no Barroco, elaborado pela Mangueira em 1990. Aquela personagem foi a “Cinderela de Ouro Preto” na nova escrita, apresentada pelos compositores da Estação Primeira. O delírio dela era doce e por isso conquistara corações: “Acalentou o ideal de liberdade/ E transformou toda mentira/ Na mais fiel realidade”. (Anexo 58) Leci Brandão, nossa musa inspiradora era o samba-enredo da Unidos de Cosmos no Carnaval de 1991. Resgatando e ressignificando a cultura negra, o narrador escreve que “Essa negra bamba/ Foi a fundo em Luanda/ Ao encontro da raiz/ Liberdade de expressão/ Faz o seu coração feliz”. (Anexo 67) 130


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook

Articles inside

ANEXOS – SAMBAS-ENREDOS

3hr
pages 201-278

4.13 – Considerações sobre este capítulo

11min
pages 170-176

CONSIDERAÇÕES FINAIS

6min
pages 177-181

REFERÊNCIAS

3min
pages 182-184

4.12.4 – África

1min
page 158

4.12.5 – A Escravidão

18min
pages 159-169

4.12.3 – Palmares

1min
page 157

4.12.2 – Zumbi e Outros Referentes Negros

4min
pages 155-156

4.11 – A Liberdade e as Significações Difusas

7min
pages 149-152

4.10 – A Liberdade, o Carnaval e Outras Artes

9min
pages 144-148

4.8 – Liberdade, Mitologia e Religiosidade

4min
pages 139-141

4.9 – A Liberdade e Outras Representações

3min
pages 142-143

4.6 – A Liberdade e os Países

3min
pages 134-135

4.7 – A Liberdade e o Povo

6min
pages 136-138

4.5 – A Liberdade, as Mulheres e os Direitos Feministas

4min
pages 131-133

4.4 – A Liberdade e os Indígenas

3min
pages 129-130

4.2 – A Liberdade de Expressão

3min
pages 123-125

4.3 – A Liberdade e a Independência

6min
pages 126-128

3.9 – Considerações Sobre Este Capítulo CAPÍTULO 4 – A PALAVRA LIBERDADE AO LONGO DA DEMOCRACIA

5min
pages 117-120

4.1 – Introdução ao Quatro Capítulo

2min
pages 121-122

3.7 – A Liberdade e as Significações Difusas

2min
pages 109-110

3.8 – A Liberdade e a Escravidão

10min
pages 111-116

3.6 – Liberdade e Independência

9min
pages 104-108

2.5 – Considerações Sobre Este Capítulo CAPÍTULO 3 – A PALAVRA LIBERDADE AO LONGO DA DITADURA

5min
pages 91-93

3.2.3 – Guararapes

2min
page 98

3.3 – Liberdade e República

3min
pages 100-101

3.2.4 – Indígenas

1min
page 99

2.4.5 – Chico Rei

2min
pages 89-90

3.5 – Liberdade e Carnaval

1min
page 103

3.4 – Liberdade e Povo

1min
page 102

3.1 – Introdução ao Terceiro Capítulo

2min
pages 95-96

2.4.4 – Preto Velho

1min
page 88

2.4.3 – Palmares

7min
pages 84-87

2.4.2 – Castro Alves

2min
page 83

2.2 – A Liberdade e a Segunda Guerra Mundial

5min
pages 75-78

2.3.2 – José Bonifácio

1min
page 81

1.4 – Considerações Sobre Este Capítulo

5min
pages 69-71

1.3.12 – Os Primeiros Sambas-Enredos

11min
pages 63-68

1.3.11 – Samba-Enredo

4min
pages 61-62

2.1 – Introdução ao Segundo Capítulo

3min
pages 73-74

1.3.10 – As Escolas De Samba

1min
page 60

1.3.7 – A Primeira Música do Carnaval

2min
pages 51-52

1.3.9 – O Samba

4min
pages 58-59

1.3.8 – Tia Ciata

7min
pages 53-57

1.3.5- A Praça Onze

4min
pages 44-46

1.3.6 – As Sociedades Carnavalescas

6min
pages 47-50

1.3.4 – Os Ranchos

3min
pages 42-43

1.2 – Origens e Significados do Carnaval

22min
pages 25-35

1.3.3 – Os Cordões

3min
pages 40-41

1.3.2 – O Zé Pereira

2min
pages 38-39

INTRODUÇÃO À TESE

12min
pages 14-21

1.1 – Introdução ao Primeiro Capítulo

3min
pages 23-24

ABSTRACT

1min
page 12

RESUMO

1min
page 11

RESUMEN

1min
page 13
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.