London, London, 1975
London, London so beautiful, so lovely. Andar perdida, devagar pelo frio, pela chuva. Procurando as coisas, tentando descobri-las. Segunda-feira. O sol me esquenta do frio. A vida corre no parque, na livraria. No violão do Emílio, da Estela, nas conversas no meio das almofadas. Nossas perguntas do ano passado. Uma exposição de fotografia no Hyde Park. O café do cineclube quase vazio. O pôr do sol no Tâmisa azul e dourado. Quinta feira. As pessoas se desentendem devagar. Lembro dos pores de sol em Ipanema, em Portillo com muita neve, em Salvador com muita cachaça, em Viña del Mar. Na Île St.Louis, indo para a casa da Caty, levando vinhos e chocolate. Naquele verão em Londres encontramos muita gente. Nos fins de tarde, eu gostava de me sentar à beira do Tâmisa, em frente do Westminster e olhar a cidade. Dás as costas para mim na nossa noite fria, depois do crepe com vinho no Asterix. Tudo isso poderia estar acontecendo na beira do Sena, mas é outono, o rio é o Tâmisa, a rua é King’s Road. Nossos passos ressoam nas folhas amarelas. Já é 29 de setembro e o ano corre. Na tv, alguém fala de História Contemporânea e de estúdios. De repente, a gente esquece que o outono chegou. Queria te descobrir no meio dos risos. O tempo voa em nossas mãos vadias. Nossa paz de risos no meio do olho. Lembro de uma cena de filme: Jean-Pierre Léaud caminhando com um livro de Balzac. St. James Park. O verde se espalha e o vento é frio. Essa estadia em Londres foi repleta de filmes depois que descobrimos o Electric Cinema, um cinema de arte ao norte 64