LiteraLivre Vl. 5 - nº 26 – Mar./Abr. de 2021
há certeza da ocorrência desse, repito, complemento, em termos horários ou mesmo de factuais evidências, ou ainda de termos outros que não importará referir por aqui. Mas seu honrado bom nome igualmente surge quando existe total certeza que o complemento directo da frase, de facto, ocorreu com precisão, daí supor a minha pessoa, que terá forçosamente de lá estar, mesmo que o interlocutor não o queira ouvir. Outra referência que fiz, a do nome seu estar presente no começo da frase, suponho que em ocasiões algumas será para lançamento da própria sentença, outras será por ausência de inspiração para dar início à frase em questão. Por fim, quando o nome do meu prezado interlocutor, ainda que nesta fase apenas por escrito, surge pelo meio do diálogo e da expressão ou plural correspondente, significa à perspectiva minha que será para funcionar como de vírgulas substituto. Nunca foi hábito na linguagem citar a palavra «Vírgula», pois apenas se escrevia o seu correspondente símbolo e o resto da frase prosseguia. Agora não, o seu nome é mesmo dito como de vírgula substituto, bem an tecipando eu como neste instante o meu prezado interlocutor estará no registo facial de estupefacção. Ora nem será para menos pois, como uma frase pode ter imensas vírgulas, está bom de perceber o número de vezes adicional que o seu bom nome, reforço eu, aparece num diálogo. Uma conversa de poucos minutos entre duas pessoas, conter poderá centenas de referências ao seu nome, o que manifestamente me parece e, a si em particular estou de crer será igual, um perfeito exagero, pelas imperfeições que isso complementa no linguajar vigente. Chego mesmo a temer pelo futuro da nossa sociedade pois quando se escreve como se fala e discursa, o seu honrado bom nome estará a inundar também a escrita em todos os planos. Na imprensa televisiva, jornalistas conferimos que não resistem a chamá-lo a si para as frases que vão debitando sem grande inspiração, o que sempre considerei normal na tal social comunicação, mas agora com demasiadas repetições de um só nome, precisamente o seu. Antecipo as suas reacções na leitura de carta minha e, de crer estou, que concordará da visão minha que fazer algo em prol da erradicação deste fenómeno, urgente se torna no agora. Pois bem, também é objecto desta carta propor-lhe em especial, a participação sua num plano estratégico, elaborado em comum com a minha pessoa, e su-
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